UNIVERSIDADE METODISTA DE ANGOLA
FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE E BEM-ESTAR
CURSO : CARDIOPNEUMOLOGIA
CADEIRA: PATOLOGIA RESPIRATÓRIA
2º Ano
Docente: Profª.MSc. Áurea Dos Santos
UNIVERSIDADE METODISTA DE ANGOLA
FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE E BEM-ESTAR
SUMÁRIO: Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica
(DPOC)
DPOC
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição
respiratória crônica e progressiva que afeta os pulmões. É
caracterizada por uma obstrução persistente do fluxo de ar que
dificulta a respiração.
A DPOC é geralmente causada por danos nos pulmões ao
longo do tempo, principalmente devido ao tabagismo,
embora também possa ser causada por exposição
prolongada a substâncias irritantes no ambiente de trabalho,
como poeira, produtos químicos ou fumaça.
DPOC
ENQUADRAMENTO HISTÓRICO
A evolução do conhecimento sobre a doença pulmonar
obstrutiva crónica (DPOC) .O estetoscópio e o espirómetro
tornaram-se importantes ferramentas precoces em
diagnóstico e avaliação. Ohn Hutchinson inventou o
espirómetro em 1846.
O espirómetro foi fundamental para o diagnóstico da DPOC. O
instrumento de Hutchinson mediu apenas a capacidade
vital. Tiffeneau. Demorou mais 100 anos para adicionar o
conceito de capacidade vital cronometrada como uma medida
do fluxo de ar, para que a espirometria se tornasse completa
como um instrumento de diagnóstico.
Dois encontros marcantes para a evolução do conhecimento
sobre a DPOC foram o Simpósio Convidado CIBA em 1959 e o
Comitê da Sociedade Torácica Americana sobre Padrões
Diagnósticos, realizado em 1962, que definiram os componentes
da DPOC, e que são a base para nossas definições de hoje.
Existiram muitas siglas que antecederam a designação da DPOC.
Foram elas:
Doença bronco pulmonar obstrutiva crónica.
Obstrução crónica ao fluxo aéreo.
Doença pulmonar obstrutiva crónica.
Doença pulmonar crónica inespecífica.
Síndrome pulmonar obstrutiva difusa.
Acredita-se que William Briscoes foi a primeira pessoa a usar
o termo DPOC em discussão na 9ª Conferência da
Aspen . Esse termo se estabeleceu e hoje, em dia, referimo-
nos à DPOC como a designação desse crescente problema de
saúde.
DADOS EPIDEMIOLÓGICOS
A DPOC afeta mais de 200 milhões de pessoas no mundo. A
DPOC é, e continuará a ser no futuro, um dos maiores
problemas de saúde pública. De acordo com as estimativas
mais recentes da Organização Mundial da Saúde , atualmente
64 milhões de pessoas têm DPOC e 3 milhões de pessoas
morreram de DPOC. A OMS prevê que a DPOC se tornará a
terceira principal causa de morte em todo o mundo até 2030.
Um dos primeiros estudos realizados em França estimou a
prevalência de DPOC em 2002 em 4% numa amostra
representativa da população francesa de indivíduos com idade
superior a 25 anos, O subdiagnóstico também foi revelado
porque apenas 24% dos indivíduos com sintomas tiveram DPOC.
Vários fatores têm sido encontrados como preditivos de
mortalidade em doentes com DPOC: gravidade da obstrução ao
fluxo aéreo, estado nutricional (índice de massa corporal).
Estima-se que a taxa de mortalidade durante a hospitalização
por DPOC seja de 2,5 a 10%. A taxa de mortalidade após a
hospitalização varia entre 16% e 19% nos 3 meses após a
hospitalização, entre 23% e 43% em 1 ano e é 55-60% em 5
anos.
ETIOPATOGENIA (CAUSAS E EFEITOS)
A DPOC é caracterizada por pequena inflamação das vias aéreas
que causa a sua obstrução, destruição do parênquima e
enfisema. O tabagismo é o principal fator de risco para a DPOC,
sendo responsável não só pela inflamação local, mas também
pela inflamação sistémica que contribui para outras
comorbidades que afetam a gravidade da doença e a
mortalidade.
Exposição ao tabaco por fumar ou exposição passiva à
fumaÇa.
Exposição a poeiras, vapores ou produtos químicos no
ambiente de trabalho.
Poluição do ar de ambientes internos.
Eventos durante a gestação ou na infância que impedem o
desenvolvimento completo dos pulmões, como o retardo do
crescimento intra-uterino, nascimento prematuro e infecções
respiratórias frequentes ou graves nos primeiros anos de vida.
A asma na infância.
QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
Os sintomas típicos da DPOC incluem:
Dispneia.
Opressão torácica.
Tosse e produção de expetoração, mas o diagnóstico de DPOC
não pode ser baseado apenas nos sintomas, pois algumas
pessoas são livres de sintomas e sintomas semelhantes
podem ser causados por outras doenças.
Algumas pessoas são livres de sintomas e sintomas semelhantes
podem ser causados por outras doenças. No entanto, os
sintomas sugestivos de DPOC em um indivíduo com exposição ao
tabaco ou a outros fatores de risco devem levar à espirometria e
a outras avaliações diagnósticas. Em pessoas com DPOC
estabelecida, o nível de sintomas e a presença de exacerbações
devem ser avaliados, pois são usados para orientar o tratamento.
A DPOC é uma doença
progressiva e os sintomas
tendem a piorar, especialmente
se o utente continuar a fumar.
A dispneia em repouso ou exercício leve, tosse, perda de peso
e exacerbações frequentes estão frequentemente presentes
na DPOC avançada severa a muito grave. A tosse geralmente
aumenta no período da manhã e produz uma pequena
quantidade de expetoração incolor, a dispneia é um dos
sintomas mais significativo, mas geralmente não ocorre até a
sexta década de vida (embora possa ocorrer muito antes)
CARACTERÍSTICAS DOS DIVERSOS ESTÁDIOS DA
DPOC
Estádio II: Estádio IV: Muito
Estádio I: Ligeira Estádio III: Grave
Moderada Grave
Caracteriza-se por Caracteriza-se por Caracteriza-se por Caracteriza-se por
limitação ligeira do agravamento da uma limitação limitação ventilatória
débito aéreo e, em limitação ventilaria e, ventilatória mais muito grave,
regra mas nem geralmente, por grave. A repetição de frequentemente
sempre, acompanha- progressão de exacerbações tem associada a
se de sintomas. A sintomas, impacto negativo na insuficiência
espirometria revela desenvolvendo-se qualidade de vida do respiratória crónica
uma relação FEV1 dispneia em situação doente e requer ou falência do
/FVC <70% e um de esforço. A controlo apropriado, coração direito. A
FEV1 ≥ a 80% do espirometria revela podendo colocar a espirometria revela
predito. uma relação FEV1 vida em risco. A uma relação FEV1
/FVC <70% e um espirometria revela /FVC <70% e um
FEV1 <80% do uma relação FEV1 FEV1 <30% do
predito, mas ≥ 50% /FVC <70% e um predito ou, então,
FEV1 <50% do sendo maior que este
predito, mas ≥ 30%. valor desde que
exista insuficiência
respiratória
TRATAMENTOS
Os objetivos principais do
tratamento da DPOC são
Prevenir e controlar os sintomas.
Reduzir a gravidade e o número das exacerbações.
Melhorar a capacidade respiratória para aumentar a
tolerância aos exercícios e reduzir a mortalidade
Há uma abordagem gradativa à terapia, mas é importante
lembrar que o tratamento deve ser individualizado para o
estado de saúde geral e as comorbidades clínicas. A abordagem
terapêutica envolve redução da exposição aos fatores de risco,
avaliação adequada da doença, educação do paciente, manejo
farmacológico e não farmacológico da DPOC estável, prevenção
e tratamento das exacerbações da DPOC aguda.
Nos últimos anos, o tratamento da DPOC tornou-se cada vez
mais eficaz. As medidas incluem, desde mudanças
comportamentais, redução da exposição a fatores de risco,
educação sobre a doença e seu curso, e terapia eficaz. No
entanto, ter um conhecimento preciso das indicações,
limitações e possíveis riscos e benefícios de cada modalidade
de tratamento tornou-se um desafio. O tratamento
farmacológico da DPOC é um dos pilares da gestão da DPOC, e
tem havido muitos avanços nesta área nos últimos anos
As medidas terapêuticas para a DPOC incluem a utilização de
broncodilatadores inalados, vacinação preventiva contra
influenza e pneumococo, oxigenoterapia suplementar, quando
indicada pelos critérios convencionais (mesmo durante viagens
aéreas), reabilitação pulmonar, tratamento cirúrgico/endoscópico
de redução do volume pulmonar e transplante pulmonar, para
doentes selecionados apresentam obstrução do fluxo aéreo e
impedimento funcional grave.
UTILIZAÇÃO DE FÁRMACOS
Além do oxigénio, nenhum medicamento mostrou reduzir o risco
aumentado de morte em utentes com DPOC. Por essa razão, os
medicamentos são prescritos predominantemente para reduzir
os sintomas, melhorar a capacidade funcional e prevenir e tratar
as exacerbações.
Os fármacos são prescritos de forma gradual. Os sintomas leves
podem ser controlados com um agonista beta inalatório de
curta ação (SABA), administrado quando necessário antes do
exercício ou para aliviar a falta de ar durante o esforço
Antagonista muscarínico de ação
prolongada (LAMA) ou de um beta-
agonista de longa duração (LABA)
As diretrizes recomendam a adição de corticosteroides
inalatórios a broncodilatadores de longa duração, quando o
VEF1 é menor que 50% do previsto e o utente teve mais de uma
exacerbação nos últimos 12 meses . No manejo gradual da
DPOC estável, recomenda-se a combinação de corticosteróides
inalatórios ou terapia com LABA.
Embora haja um debate sobre o valor clínico
conjunto de LAMA e LABA, em comparação com a
sua utilização isoladamente, em ensaios controlados
e randomizados, a combinação apresenta,
geralmente, resultados superiores em relação aos do
fármaco isolado .
Mais recentemente, demonstrou-se que os broncodilatadores
duplos não apenas melhoram a função pulmonar, a
capacidade de exercício, a dispneia, mas reduzem o uso de
broncodilatadores de curta ação, em comparação a LABA ou
LAMA, e também reduzem as exacerbações da DPOC.
NOTA
Pacientes com asma que apresentam obstrução reversível
do fluxo de ar nas vias aéreas inferiores NÃO tem DPOC. A
asma só pode ser considerada um subtipo de DPOC quando
causa obstrução não reversível com uso de
broncodilatadores, ou seja, quando mesmo após o uso de
broncodilatadores, a relação VEF1/CVF < 0,7.
NOTA
Essa relação entre o volume expiratório forçado em 1
segundo (VEF1) e capacidade vital forçada (CVF), indica
existência de obstrução, que é uma redução da capacidade
expiratória.