Prática de letramento
matemático e de
alfabetização e
letramento
Pós-graduação em Psicopedagogia
Dificuldades quanto
à linguagem
Dificuldade de aprendizagem
- primeiros estudos de 1800
- expressão “dificuldades de aprendizagem”, 1962 - Kirk
- o U. S. Office of Education (em 1977) e do National
Joint Committee on Learning Disabilities (em 1994) -
mais conhecidas
- as dificuldades de aprendizagem surgiam associadas a
obstáculos nos processos psicológicos inerentes à
compreensão e uso da linguagem (relacionados com
disfunções do sistema nervoso central), excluindo-se
do seu alcance as problemáticas resultantes de
deficiências sensoriais, motoras ou mentais e/ou de
perturbações emocionais e fatores culturais e
Dificuldade de aprendizagem
- “As dificuldades de aprendizagem específicas dizem
respeito à forma como um indivíduo processa a
informação – a recebe, a integra, a retém e a exprime –,
tendo em conta as suas capacidades e o conjunto das
suas realizações. As dificuldades de aprendizagem
específicas podem, assim, manifestar-se nas áreas da fala,
da leitura, da escrita, da matemática e/ou da resolução de
problemas, envolvendo défices que implicam problemas
de memória, preceptivos, motores, de linguagem, de
pensamento e/ou metacognitivos. Estas dificuldades, que
não resultam de privações sensoriais, deficiência mental,
problemas motores, défice de atenção, perturbações
emocionais ou sociais, embora exista a possibilidade de
estes ocorrerem em concomitância com elas, podem,
ainda, alterar o modo como o indivíduo interage com o
Dificuldade de aprendizagem
Dislexia
- Etimologicamente, “dis” (desvio) + “lexia” (leitura,
reconhecimento das palavras).
- “É caracterizada por dificuldades na correção e/ou
fluência na leitura de palavras e por baixa
competência leitora e ortográfica. Estas dificuldades
resultam tipicamente de um défice na componente
fonológica da linguagem que é frequentemente
imprevisto em relação a outras capacidades cognitivas
e às condições educativas. Secundariamente podem
surgir dificuldades de compreensão leitora,
experiência de leitura reduzida que podem impedir o
Dislexia
- dificuldade duradoura
- origem neurobiológica
- não está associada a baixo nível
intelectual
Dislexia
Causas:
- não há uma causa exclusiva
- hereditário
Dislexia
Dislexia
“evidência de que os indivíduos que apresentam
um atraso na aquisição da linguagem
experimentam dificuldades na leitura com uma
frequência seis vezes superior àqueles com
desenvolvimento normal”
Dislexia
- Nos testes de inteligência, uma criança
disléxica apresenta desempenhos
superiores nas funções não verbais,
comparativamente às funções verbais
(valores mais baixos nas subescalas de
memória de dígitos, aritmética e códigos),
isto é, um QI não verbal/de realização
superior ao QI verbal.
- Insegurança, baixa autoestima e culpa
Dislexia
Podem apresentar algumas ou várias
características:
Na expressão oral - têm dificuldade em
selecionar as palavras adequadas para
comunicar (tanto a nível oral, como escrito);
- revelam pobreza de vocabulário; -
elaboram frases curtas e simples e têm
dificuldade na articulação de ideias;
Dislexia
Na leitura/escrita
- fazem uma soletração defeituosa (leem palavra por palavra,
sílaba por sílaba, ou reconhecem letras isoladamente sem
conseguir ler);
- na leitura silenciosa, murmuram ou movimentam os lábios;
- perdem a linha de leitura; - apresentam problemas de
compreensão semântica (na interpretação de textos);
- revelam dificuldades acentuadas ao nível da consciência
fonológica, isto é, na tomada de consciência de que as palavras
faladas e escritas são constituídas por fonemas;
-
Dislexia
- confundem/invertem/substituem letras, sílabas
ou palavras;
- na escrita espontânea (composições/redações)
mostram severas complicações (dificuldades na
composição e organização de ideias).
Dislexia
Outras competências:
- apresentam dificuldades em guardar e recuperar nomes,
palavras, objetos e/ou sequências ou fatos passados: letras
do alfabeto, dias da semana, meses do ano, datas,
horários;
- não conseguem orientar-se no espaço, sendo incapazes
de distinguir, por exemplo, a direita da esquerda (o que
dificulta a orientação com mapas, globos);
- têm dificuldades nas disciplinas de História (em captar as
sequências temporais), de Geografia (no estabelecimento
de coordenadas) e Geometria (nas relações espaciais);
Dislexia
- têm dificuldade na aprendizagem de uma
segunda língua;
- - apresentam falta de destreza manual e,
por vezes, caligrafia ilegível (ver
Disgrafia);
- - poderão ter dificuldades com a
matemática (ver Discalculia), sobretudo
na assimilação de símbolos e em decorar
a tabuada.
Intervenção - dislexia
- Não há tratamento padrão
- ritmo de trabalho diferente dos colegas (às
vezes incongruente)
- quando errar deve ser corrigida imediatamente
e deve ser explicado o motivo do erro e como
evitar repeti-lo
- evitar obrigá-la a ler em voz alta em frente aos
colegas
Intervenção - dislexia
- sentar-se próxima ao professor
- reduzir os focos de distração
- evitar questões longas e complicadas
- o professor pode ler as perguntas
- terapia multisensorial
- Exemplo: a criança começa por observar o grafema
escrito, depois “escreve-o” no ar com o dedo, escutando e
articulando a sua pronúncia; posteriormente, deve cortá-
lo, moldá-lo em plasticina/fimo/barro e, de olhos fechados
reconhecê-lo pelo tato
- Articulação entre todas as pessoas que intervém junto da
criança
Disgrafia
- “dis” (desvio) + “grafia” (escrita), ou seja, é
“uma perturbação de tipo funcional que afeta a
qualidade da escrita do sujeito, no que se refere
ao seu traçado ou à grafia.”
- A criança com disgrafia apresenta uma escrita
desviante em relação à norma/padrão, isto é,
uma “caligrafia deficiente, com letras pouco
diferenciadas, mal elaboradas e mal
proporcionadas” (A.P.P.D.A.E., 2011b); a chamada
“letra feia”.
Disgrafia
causas:
- envolve muitos fatores
- três tipos as causas da disgrafia: maturativas, carateriais e
pedagógicas.
- maturativas: perturbações de lateralidade e de eficiência
psicomotora . Crianças desajeitadas e apresentam escrita
irregular ao nível da pressão, velocidade e traçado,
perturbações de organização percetivo-motora,
estruturação/orientação espacial e interiorização do
esquema corporal
Disgrafia
As causas carateriais, por seu lado, estão
associadas a fatores de personalidade, que
podem, consequentemente, determinar o
aspeto do grafismo (estável/instável,
lento/rápido), e também a fatores
psicoafetivos, pois o sujeito reflete na
escrita o seu estado e tensão emocionais
Disgrafia
As causas pedagógicas poderão estar
relacionadas, por exemplo, com uma
instrução/ensino rígido e inflexível, com uma
mudança inadequada de letra de imprensa
para letra manuscrita e/ou uma ênfase
excessiva na qualidade ou rapidez da
escrita.
Disgrafia
Cinel (2003), apresenta-nos cinco grupos de
causas promotoras da disgrafia:
- Distúrbios na motricidade ampla e fina,
relacionados com a falta de coordenação entre o
que a criança se propõe fazer (intenção) e o que
realiza (perturbações no domínio do corpo);
- Distúrbios na coordenação visomotora, associada
à dificuldade no acompanhamento (visual) do
movimento dos membros superiores e/ou
Disgrafia
- Deficiência na organização temporoespacial
(direita/esquerda, frente/atrás/lado e
antes/depois);
- Problemas na lateralidade e direccionalidade
(dominância manual);
- Erros pedagógicos, relacionados com falhas no
processo de ensino, estratégias
inadequadamente escolhidas pelos docentes ou
mesmo desconhecimento deste problema.
Disgrafia
Caracterização:
(a criança deverá revelar o conjunto (ou a quase
totalidade) das seguintes condições):
- letra excessivamente grande (macrografia) ou
pequena (micrografia);
- forma das letras irreconhecível (por vezes
distorcem, inclinam ou simplificam tanto as letras que
a escrita é praticamente indecifrável);
- traçado exagerado e grosso (que vinca o papel) ou
demasiado suave e impercetível;
Disgrafia
- grafismo trémulo ou com uma marcada
irregularidade, originando variações no
tamanhos dos grafemas;
- escrita demasiado rápida ou lenta;
- espaçamento irregular das letras ou das
palavras, que podem aparecer desligadas,
sobrepostas ou ilegíveis ou, pelo contrário,
demasiado juntas;
Disgrafia
- erros e borrões que quase não deixam
possibilidade para a leitura da escrita
(embora as crianças sejam capazes de ler o
que escrevem);
- desorganização geral na folha/texto;
- utilização incorreta do instrumento com
que escrevem
Disgrafia
Intervenção:
- boa relação com a criança
- elogiar pelo esforço, mesmo que o
resultado seja pequeno
- evitar forçá-lo a modificar a caligrafia
abruptamente
Disgrafia
A reeducação do grafismo está relacionada com três
fatores fundamentais: desenvolvimento psicomotor,
desenvolvimento do grafismo em si e especificidade
do grafismo da criança
- desenvolvimento psicomotor: treinar aspectos
relacionados com a postura controle corporal,
dissociação de movimentos, representação mental
do gesto necessário para o traço, perceção
espácio-temporal, lateralização e coordenação
visomotora
Disgrafia
Aspetos relacionados com o grafismo, o educador deve
preocupar-se com o aperfeiçoamento das habilidades
relacionadas com a escrita, distinguindo atividades
pictográficas (pintura, desenho, modelagem) e
escriptográficas (utilização do lápis e papel
– melhorar os movimentos e posição gráfica). Deverá,
também, corrigir erros específicos do grafismo, como a
forma/tamanho/inclinação das letras, o aspeto do texto,
a inclinação da folha e a manutenção das
margens/linhas.
Disortografia
Deriva dos conceitos “dis” (desvio) + “orto”
(correto) + “grafia” (escrita), ou seja, é uma
dificuldade manifestada por “um conjunto
de erros da escrita que afetam a palavra,
mas não o seu traçado ou grafia”, pois uma
criança disortográfica não é, forçosamente,
disgráfica.
Disortografia
“Perturbação que afeta as aptidões da
escrita e que se traduz por dificuldades
persistentes e recorrentes na capacidade da
criança em compor textos escritos. As
dificuldades centram-se na organização,
estruturação e composição de textos
escritos; a construção frásica é pobre e
geralmente curta, observa-se a presença de
múltiplos erros ortográficos e [por vezes] má
qualidade gráfica.” (Pereira, 2009, p. 9)
Disortografia
Causas:
- Problemas na automatização dos procedimentos da escrita,
que se traduzem na produção deficiente de textos;
- Estratégias de ensino imaturas ou ineficazes, com a
consequente ignorância das regras de composição escrita;
- Desconhecimento ou dificuldade em recordar os processos e
subprocessos implicados na escrita (carência nas capacidades
metacognitivas de regulação e controlo desta atividade).
Disortografia
As causas da disortografia estão relacionadas com
aspectos perceptivos, intelectuais, linguísticos,
afetivo-emocionais e pedagógicos. As causas de
tipo percetivo estão associadas a deficiências na
perceção, na memória visual e auditiva e/ou a
nível espácio-temporal, o que traz consequências
na correta orientação das letras e na
discriminação de grafemas com traços
semelhantes, por exemplo.
Disortografia
Quanto às causas de tipo intelectual, estão
associadas a um défice ou imaturidade
intelectual; um baixo nível de inteligência
geral pode levar a uma escrita incorreta
porque a criança não domina as operações
de caráter lógico-intelectual necessárias ao
conhecimento e distinção dos diversos
elementos sonoros.
Disortografia
Problemas de linguagem
(pronúncia/articulação) e/ou deficiente
conhecimento e utilização do vocabulário
(código restrito) são apontados como causas
de tipo linguístico.
Relativamente às de tipo afetivo-emocional:
baixos níveis de motivação e atenção, que
poderão fazer com que a criança cometa
erros ortográficos (mesmo que conheça a
ortografia das palavras).
Disortografia
As causas de tipo pedagógico remetem para
métodos de ensino desadequados: por
exemplo, quando o professor se limite à
utilização frequente do ditado, que não se
ajusta às necessidades individuais dos
alunos e não respeita os seus ritmos de
aprendizagem.
Disortografia
Uma criança com disortografia demonstra,
geralmente, falta de vontade para escrever
e os seus textos são reduzidos, com uma
organização pobre e pontuação inadequada.
Numerosos erros ortográficos de natureza
diversa
Disortografia
Erros de caráter linguístico-percetivo
- omissões, adições e inversões de letras, de
sílabas ou de palavras;
- troca de símbolos linguísticos que se
parecem sonoramente (“faca”/“vaca”).
Disortografia
Erros de caráter visoespacial
- substitui letras que se diferenciam pela sua
posição no espaço (“b”/“d”);
- confunde-se com fonemas que apresentam
dupla grafia (“ch”/“x”);
- omite a letra “h”, por não ter
correspondência fonémica.
Disortografia
Erros de caráter visoanalítico
- não faz sínteses e/ou associações entre fonemas e
grafemas, trocando letras sem qualquer sentido.
Erros relativos ao conteúdo
- não separa sequências gráficas pertencentes a uma
dada sucessão fónica, ou seja, une palavras (“ocarro”
em vez de “o carro”), junta sílabas pertencentes a
duas palavras (“no diaseguinte”) ou separa palavras
incorretamente.
Disortografia
Erros referentes às regras de ortografia
- não coloca “m” antes de “b” ou “p”;
- ignora as regras de pontuação; - esquece-se de
iniciar as frases com letra maiúscula;
- desconhece a forma correta de separação das
palavras na mudança de linha, a sua divisão silábica,
a utilização do hífen.
Disortografia
Variedade de técnicas
Desenvolver as percepções: auditiva, visual
e espaço-temporal, memória auditiva e
visual
A intervenção sobre os fatores associados ao
fracasso ortográfico e a correção dos erros
ortográficos específicos
Disortografia
os aspetos relacionados com a perceção,
discriminação e memória auditiva
(exercícios de discriminação de ruídos,
reconhecimento e memorização de ritmos,
tons e melodias) ou visual (exercícios de
reconhecimento de formas gráficas,
identificação de erros, perceção figura-
fundo)
Disortografia
As características de organização e
estruturação espacial (exercícios de
distinção de noções espaciais básicas, como
direita/esquerda, cima/baixo, frente/trás)
A perceção linguístico-auditiva (exercícios
de consciencialização do fonema isolado,
sílaba, soletração, formação de famílias de
palavras, análise de frases); e também
exercícios que enriqueçam o léxico e
vocabulário da criança.
Disortografia
Quanto à intervenção específica sobre os erros
ortográficos, atente-se particularmente nos de
ortografia natural (exercícios de substituição de um
fonema por outro, letras semelhantes,
omissões/adições, inversões/rotações,
uniões/separações); de ortografia visual (exercícios
de fonemas com dupla grafia, diferenciação de
sílabas, reforço da aprendizagem); e de
omissão/adição do “h” e das regras de ortografia
(letras maiúsculas/minúsculas, “m” antes de “b”/“p”,
Disortografia
É importante, também, que se diferenciem os erros
de ortografia das falhas na compreensão e,
consequentemente, da possibilidade de elaboração
de respostas. No momento da avaliação, é
importante dar-lhe mais tempo para responder às
questões e/ou certificar-se de que os
enunciados/questões foram compreendidos;
privilegiar a expressão oral também poderá ser uma
boa estratégia