ISPT – DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL
RESISTÊNCIA DOS
MATERIAIS II
Aula nº 1
:
Amândio Teixeira-Pinto, Doutor em Engª Civil
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Fundamentos da Flexão
A flexão é um dos esforços mais comuns e também dos mais desfavoráveis
em termos do comportamento dos materiais e dos elementos de construção.
Na Figura 1 (a) abaixo, uma barra de secção transversal rectangular sofre
esforços de flexão provocados por forças actuantes num plano que passa por
um dos eixos centrais de inércia da secção. Essa situação é denominada
flexão simples.
Fig. 1
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Fundamentos da Flexão
Na figura 1 (b), o plano de cargas é inclinado e provoca o que se pode
chamar de flexão oblíqua.
Se decompusermos a carga segundo duas direcções ortogonais, que sejam
coincidentes com os eixos principais de inércia da secção da viga, teremos
flexão em dois planos, no plano vertical (idêntico à da figura 1(a) ) e no plano
horizontal.
A flexão pode ser associada a outros esforços. Por exemplo um pilar ou uma
coluna vertical podem estar a ser solicitados simultaneamente por uma
carga axial (que produzirá tracções ou compressões) e um momento que
produzirá flexão. Chama-se a esta combinação flexão composta.
De um modo geral as vigas trabalham à flexão simples e os pilares à flexão
composta, havendo porém muitas outras situações que são igualmente
possíveis e que devem ser perfeitamente identificadas.
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Fundamentos da Flexão
A flexão simples é Aquela que é de formulação mais fácil. Por
isso, ela será o objecto de uma primeira análise.
A Figura 2 (a) representa uma pequena parte da vista lateral
de uma barra de secção transversal genérica conforme (b),
submetida à flexão provocada por um momento M.
Fig. 2
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Fundamentos da Flexão
•A geometria da deformação que se vê em 2(a) sugere, e realmente acontece,
que a parte superior da secção transversal está sob esforços normais de
compressão e a parte inferior, sob esforços de tracção. A linha que divide essas
duas partes é denominada linha neutra (LN) porque, naturalmente, as tensões
ao longo da mesma são nulas.
•Também pode ser verificado experimentalmente que as tensões em pontos de
linhas paralelas à neutra e à mesma distância são iguais e variam linearmente
com a distância vertical y.
•Assim, no gráfico da Figura 2(c), as tensões variam de um máximo de
compressão σ1 na extremidade superior da secção transversal (à distância e1 da
linha neutra) até um máximo de tracção σ2 na extremidade inferior (à distância
e2 da linha neutra).
•Com a linearidade mencionada, a tensão σ num ponto situado a uma distância
genérica y da linha neutra pode ser dada por
• σ = (σ1 / e1) y
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Fundamentos da Flexão
Aplicando a primeira condição de equilíbrio estático (∑Fx=0), tem-se:
∫ Fx = ∫ σ dS = ∫ (σ1/e1) y dS
(σ1/e1) ∫ y dS = 0
O termo ∫ y dS é o momento estático da superfície em relação a LN. Se há
flexão, σ1/e1 não é nulo e, assim, o momento estático ∫ y dS deve ser zero. Se é
nulo, então isso significa que a linha neutra (LN) passa pelo centro de
gravidade da secção transversal da viga.
Se consideramos a segunda condição de equilíbrio estático (∑Fy=0), isso
implica a existência de tensões de corte, que realmente ocorrem mas que
serão vistas posteriormente.
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Fundamentos da Flexão
Para a terceira condição de equilíbrio (∑Mi=0), deve-se ter a soma dos
momentos internos igual ao momento M aplicado externamente:
M = ∫ y σ dS = ∫ y (σ1/e1) y dS = (σ1/e1) ∫ y2 dS
Mas o factor ∫ y2 dS é o momento de inércia Ix em relação à linha neutra.
Portanto, σ1 Ix / e1 = M
Dessa igualdade pode-se isolar o valor de σ1 e combinar com a igualdade
anterior. Usa-se procedimento similar para σ2, resultando nas equações
básicas da flexão simples:
σ1 = M e1 / Ix
σ2 = M e2 / Ix
Passando e1 e e2 para o denominador, teremos Ix /e1 e Ix /e2 que são respecti-
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Fundamentos da Flexão
Portanto as tensões máximas devidas à flexão verificam-se no bordo das
peças, onde a distância à linha neutra é máxima e obtém-se dividindo o
momento flector aplicado pelos módulos de flexão W1 e W2, que por sua vez
dependem do momento de inércia respectivo e das dimensões transversais
da peça.
Se a secção transversal é simétrica em relação à linha neutra (LN), então virá
e1 = e2 = e. Por consequência, W1 = W1 = W. E as igualdades anteriores ficam
reduzidas a uma
σ = σ1 = σ2 = M / W
Se o momento for invertido (ou seja, mudar de sentido), as tensões
superiores serão de tracção e as inferiores de compressão.
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Fundamentos da Flexão
EXEMPLO:
Seja um viga metálica IPE 160 submetida a uma carga de 5 KN/m num vão
isostático de 4 metros. Determine o valor das tensões máximas de tracção
e compressão que se verificam na viga.
RESOLUÇÃO: - como o perfil tem uma secção simétrica em relação ao
centro de gravidade, o valor numérico das tensões será igual, embora as
tensões tenham sinal contrário. Além disso pode-se perceber que o valor
das tensões será máximo no local onde o momento flector for máximo, ou
seja, no meio vão. Para uma viga isostática será
Mmáx= pl2/8 = 5x42/8 = 10 KN.m
Ix = 869 cm4 (conforme TT).
h/2 = 16/2 = 8 cm
Logo 1 = - 2 = 10x100/(869/8) = 9,20 MPa (este valor compara-se com a
tensão admissível)
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Fundamentos da Flexão
EXEMPLO 2:
Sendo de 204 MPa o valor limite da tensão admissível, determine qual a
carga distribuída que pode actuar na mesma viga do problema anterior.
RESOLUÇÃO:
Procedemos então de modo inverso. Se Ix= 869 cm4 como h/2 = 8 cm, o
módulo de flexão será W = 869/8 = 108,63 cm3.
Como a tensão admissível máxima é de 204 MPa, o momento flector
máximo será dado por
M= Wxadm = 108,63 x 204 = 22.160,5 [Link] = 221,605 kN.m
Como M = pl2/8 e l = 4m, vem p = 221,605x8/16 = 110, 8 KN/m