Professor Sandro Luís Meinerz
Audiatur et altera pars – contraditar, contestar,
etc.
Art. 5º, LV, CF
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem
distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:
LV - aos litigantes, em processo judicial ou
administrativo, e aos acusados em geral
são assegurados o contraditório e
ampla defesa, com os meios e recursos a
ela inerentes;
É a veiculação da ampla defesa, porém, mais
abrangente que esta, pois atinge os dois pólos.
Possibilidade de contraditar alegações.
E as provas cautelares? Contraditório
diferido, ou seja, possibilitar a contradição
depois que ela já foi levada aos autos do
processo.
Súmula 707 do STF
Conceito: é o direito de contradizer e se opor
aos atos e termos empregados pela parte
Renato Brasileiro de Lima faz menção que o
cumprimento do contraditório é obrigatório somente
na frase processual, levando em consideração que o
inquérito policial é um procedimento administrativo,
que tem a finalidade de juntar informações que
provem a existência e a autoria do crime. O referido
autor aponta duas faces do contraditório, são elas:
Contraditório real: que é a formação da prova na
presença do juiz e das partes; ex: prova testemunhal.
Contraditório diferido: que é a oportunidade que
as partes têm de contradizer, contestar ou combater
as provas no decurso do processo ou inquérito,
posteriormente à decisão judicial quanto a
determinada prova.
- Art. 5º, LV, CF.
1) Defesa técnica: feita por um profissional –
advogado – peça indispensável pro processo
- A falta de advogado gera de nulidade (art. 564, III,
“c”, CPP.
- Art. 263 do CPP;
- Súmula 523 e a Súmula 708
2) Autodefesa: próprio réu contando a sua versão dos
fatos
a) Direito de audiência: participar da audiência
pessoalmente e apresentar sua versão no
interrogatório judicial;
b) Direito de presença: oportunidade de estar ao lado
de um defensor em toda instrução processual;
c) Direito a postular pessoalmente
EXCEÇÃO: Se o advogado for o acusado, pode se
defender sozinho;
Segundo Avena, existem três garantias para
ampla defesa, são elas:
[Link] À INFORMAÇÃO;
[Link] DA AUDIÊNCIA: manifesta-se a
acusação e depois a defesa, ambas precisam ser
ouvidas;
[Link] A PROVA LEGALMENTE PRODUZIDA;
OU SEJA, o princípio do contraditório é o facilitador
da ampla defesa.
Legislação: ART. 396-A, §2º CPP
E qual é o procedimento no Tribunal do Júri?
1. O réu tem o direito de ter uma tese diferente da tese
de seu defensor;
2. O direito de ser declarado indefeso; ex: quando o
defensor faz uma defesa de 5 minutos (muito pouco);
3. Direito de se valer de todos os recursos cabíveis;
Quando o réu é citado para apresentar uma resposta
à acusação, dependendo da resposta, pode ocorrer
uma absolvição sumária, onde ocorre o
convencimento da parte do juiz.
Nesse sentido, o desembargador Franklin Higino
considerou que "a realização de audiência de
instrução e julgamento sem a conclusão da prova
pericial viola, de fato, o contraditório e a ampla
defesa, especialmente considerando a
impossibilidade de o impetrante verificar a
regularidade do material probatório colacionado aos
autos pela acusação". HC 1.0000.22.194033-
1/000-TJ/MG
Deve haver identidade entre objeto da imputação e o
da sentença. O acusado deve ser julgado, sendo
condenado ou absolvido, pelos fatos que lhe foram
imputados na denúncia ou queixa.
O réu não pode ser julgado por fato diverso.
Nulas são as sentenças extra petita (acusado pelo
art. 171 e condenado pelo 168 do CP) ou ultra petita
(acusado pelo art. 129, “caput”, e condenado por lesão
de natureza grave).
A regra visa preservar o contraditório e a ampla defesa.
O réu não pode ser condenado por fatos cuja descrição
não esteja de forma explícita ou implícita na denúncia
(quod non est in libello, non est in mundo).
Art. 5º, LVII, CF - ninguém será considerado culpado até o
trânsito em julgado de sentença penal condenatória;
Convenção Americana sobre Direitos Humanos, art. 8º, item 2,
celebrada em São José da Costa Rica, em 22 de novembro de 1969:
Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua
inocência enquanto não se comprove legalmente sua culpa.
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789): Art. 9º.
Todo acusado é considerado inocente até ser declarado culpado.
Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada e
proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10/12/1948,
artigo 11. 1. Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o
direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade
tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no
qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua
defesa.
Convenção Europeia dos Direitos Humanos (entrou em vigor em
1953), art. 6º. 2. Qualquer pessoa acusada de uma infracção
presume-se inocente enquanto a sua culpabilidade não tiver
sido legalmente provada.
Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em
flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada
da autoridade judiciária competente, em decorrência
de sentença condenatória transitada em julgado ou,
no curso da investigação ou do processo, em virtude
de prisão temporária ou prisão preventiva.
Redação da Lei nº. 13.964/19 – Pacote Anticrime
Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em
flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada
da autoridade judiciária competente, em decorrência
de prisão cautelar ou em virtude de condenação
criminal transitada em julgado.
A soberania dos veredictos do Tribunal do Júri
autoriza a imediata execução da condenação
imposta pelo corpo de jurados, independentemente
do total da pena aplicada. (STF. Plenário. EX
1.235.340-SC/2024 – Repercussão Geral/Tema 1068 –
Info 1150).
O STF deu interpretação conforme a CF, com redução
de texto, para excluir da alínea “e” do inciso I do art.
492 do CPP o limite mínimo de 15 anos para a
execução da condenação imposta pelo conselho de
sentença.
Regra probatória
Regra de tratamento
Presunção de inocência
Art. 26 do CPP não foi recepcionado
pela CF/88.
Ne procedat iudex ex officio.
Ne procedat iudex sine actore.
Tem apenas previsão implícita no art.
5o, LIX, da CF.
Cabe ao JUIZ segundo o art. 251 do CPP.
O princípio é pleno nos casos de ação penal
pública, mas não nos de ação penal privada,
pois para ela existe a perempção.
Nulla poena sine juditio.
Art. 5º, da CF/88:
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal
de exceção;
LIII - ninguém será processado nem
sentenciado senão pela autoridade
competente;
Legislação: ART. 252, CPP e ART. 254, CPP
Conceito: as decisões não podem ser parciais, corruptas
e dissociadas do equilíbrio que as partes esperam do
magistrado, não pode ter vínculo subjetivo com o
processo. Ou seja, decorre do princípio constitucional
expresso do juiz natural, com a finalidade de
complementá-lo, afinal de contas o juiz pode até estar
previamente investido na jurisdição, mas mesmo assim
não ser imparcial na sua atuação, motivo pelo qual o
CPP prevê hipóteses de impedimento (arts. 252 e 253) e
suspeição (art. 254) do julgador.
Se ocorrer a parcialidade, o juiz será declarado
impedido, mesmo ele sendo só suspeito.
Poderá se manifestar de duas formas: através do
magistrado (de ofício) ou alegada pelas partes.
Art. 252. O juiz não poderá exercer jurisdição no processo
em que (impedimento)
I - tiver funcionado seu cônjuge ou parente, consangüíneo
ou afim, em linha reta ou colateral até o terceiro grau,
inclusive, como defensor ou advogado, órgão do Ministério
Público, autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito;
II - ele próprio houver desempenhado qualquer dessas
funções ou servido como testemunha;
III - tiver funcionado como juiz de outra instância,
pronunciando-se, de fato ou de direito, sobre a questão;
IV - ele próprio ou seu cônjuge ou parente, consangüíneo
ou afim em linha reta ou colateral até o terceiro grau,
inclusive, for parte ou diretamente interessado no feito.
No impedimento o motivo é de ordem objetiva,
já na suspeição subjetiva.
Art. 253. Nos juízos coletivos, não poderão
servir no mesmo processo os juízes que forem
entre si parentes, consangüíneos ou afins, em
linha reta ou colateral até o terceiro grau,
inclusive.
Art. 254. O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer,
poderá ser recusado por qualquer das partes:
I - se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles;
II - se ele, seu cônjuge, ascendente ou descendente, estiver
respondendo a processo por fato análogo, sobre cujo
caráter criminoso haja controvérsia;
III - se ele, seu cônjuge, ou parente, consangüíneo, ou afim,
até o terceiro grau, inclusive, sustentar demanda ou
responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer
das partes;
IV - se tiver aconselhado qualquer das partes;
V - se for credor ou devedor, tutor ou curador, de qualquer
das partes;
Vl - se for sócio, acionista ou administrador de sociedade
interessada no processo.
Persecução penal
IP + AP
At. 129, I, da CF
I - promover, privativamente, a ação penal
pública, na forma da lei;
At. 144, §4º, da CF
§ 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados
de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a
competência da União, as funções de polícia
judiciária e a apuração de infrações penais,
exceto as militares.
Art. 5o Nos crimes de ação pública o
inquérito policial será iniciado:
I - de ofício;
§ 5o Nos crimes de ação privada, a
autoridade policial somente poderá
proceder a inquérito a requerimento
de quem tenha qualidade para
intentá-la.
Tourinho Filho fala em “verdade processual” ou
“verdade forense”.
Há uma verdade aproximada, pois quod non est in
actis non est in hoc mundo.
Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a
fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de
ofício:
I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a
produção antecipada de provas consideradas urgentes
e relevantes, observando a necessidade, adequação e
proporcionalidade da medida;
II – determinar, no curso da instrução, ou antes de
proferir sentença, a realização de diligências para
dirimir dúvida sobre ponto relevante.
Art. 5º, inciso LVI, da CF - são inadmissíveis,
no processo, as provas obtidas por meios
ilícitos;
Exceções: arts. 155, 206, 207, 479 e 621do
CPP.
Polícia Judiciária
Ministério Público
Decorre do princípio da
obrigatoriedade.
Princípio
da indesistibilidade recursal
para o Ministério Público (art. 576 do
CPP).
Art.93, IX, da CF: “todos os julgamentos dos
órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e
fundamentadas todas as decisões, sob
pena de nulidade, podendo a lei limitar a
presença, em determinados atos, às próprias
partes e a seus advogados, ou somente a
estes, em casos nos quais a preservação do
direito à intimidade do interessado no sigilo
não prejudique o interesse público à
informação;”
Art. 93, X, da CF: “todos os julgamentos dos órgãos do
Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas
todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a
lei limitar a presença, em determinados atos, às
próprias partes e a seus advogados, ou somente a
estes, em casos nos quais a preservação do direito à
intimidade do interessado no sigilo não prejudique o
interesse público à informação;”
Art. 37. A administração pública direta e indireta de
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
Art. 5º, LX da CF - a lei só poderá restringir a
publicidade dos atos processuais quando a defesa da
intimidade ou o interesse social o exigirem;
Art. 792. As audiências, sessões e os atos processuais
serão, em regra, públicos e se realizarão nas sedes dos
juízos e tribunais, com assistência dos escrivães, do
secretário, do oficial de justiça que servir de porteiro, em
dia e hora certos, ou previamente designados.
§ 1o Se da publicidade da audiência, da sessão ou do ato
processual, puder resultar escândalo, inconveniente grave
ou perigo de perturbação da ordem, o juiz, ou o tribunal,
câmara, ou turma, poderá, de ofício ou a requerimento da
parte ou do Ministério Público, determinar que o ato seja
realizado a portas fechadas, limitando o número de
pessoas que possam estar presentes.
Súmula Vinculante 14 do STF
É direito do defensor, no interesse do
representado, ter acesso amplo aos elementos
de prova que, já documentados em
procedimento investigatório realizado por órgão
com competência de polícia judiciária, digam
respeito ao exercício do direito de defesa.
Exceções: Art. 1º da Lei nº. 9.296/96, art. 234-B
do CPB
Introduzido pela EC n°. 45/2004 no art. 5º, LXXVIII da CF
Já havia previsão na CADH nos arts. 7.5 e 8.1
Há três critérios que devem ser considerados para a
verificação de uma indevida duração do processo:
1) complexidade do caso;
2) conduta processual do acusado;
3) conduta das autoridades judiciárias.
Princípio da razoabilidade
Teoria do não prazo ≠ Teoria do prazo fixo
Alguns discordam e dizem que o prazo de 90 dias para a
revisão da preventiva e o prazo do art. 412 do CPP para o
término da instrução, seria um prazo definido.
Segundo Rui Portanova, que afirma que “os
processualistas perseguem o ideal de uma
justiça barata, rápida e justa.
Com a edição da EC 45/2004 (Reforma do
Judiciário) o princípio se tornou explícito, pois
passou a figurar no art. 5º, LXXVIII”.
Está previsto no art. 2º da Lei nº. 9.099/95.
Pacto Internacional de Direitos Civis e
Políticos de 1966, que gerou o Decreto nº.
226/91.
Convenção Americana Sobre Direitos
Humanos, Decreto nº. 678/92, art. 8º, 2, h.
Art. 102, II e III da CF.
Art. 105, II e III da CF.
Due process of law
Tem sua base na Cláusula 39 da Magna Carta de
João Sem terra de 1215.
Art. 5º, LIV - ninguém será privado da liberdade
ou de seus bens sem o devido processo legal;
Dimensão Substantiva
Dimensão Procedimental
Devido Processo Legal Clássico
Devido Processo Legal Consensual
Art. 5º, LXIII, CF - o preso será informado de seus
direitos, entre os quais o de permanecer
calado, sendo-lhe assegurada a assistência da
família e de advogado;
Pacto de São José na Costa Rica, art. 8º, 2, g:
“direito de não ser obrigada a depor contra si
mesma, nem a confessar a culpa”.
Amparo no devido processo legal, que é uma
garantia política, pois quando não previsto a CF,
decorre deste princípio.
Direito ao silêncio
Direito a não confessar
Inexigibilidade de dizer a verdade
Direito de não praticar comportamentos ativos
incriminadores (Ex. reconstituição)
O reconhecimento é passivo. Não viola o
princípio.
Direito de não produzir nenhuma prova
invasiva
AVISO DE MIRANDA
O direito ao silêncio e a garantia de não
autoincriminação não conferem o direito à fuga
do local do acidente pelo motorista que nele se
envolveu. Sua permanência no lugar não significa
confissão de autoria delitiva ou responsabilização, mas
apenas garante sua devida identificação, conforme
dispõe o CTB.
Com esse entendimento, o Plenário virtual do STF julgou
procedente a ação declaratória de constitucionalidade
ajuizada pela PGR em referência ao tipo penal descrito
no artigo 305 do CTB (Lei 9.503/1997).
A decisão revisita e confirma tema já julgado pelo STF,
que em novembro de 2018 declarou a norma
constitucional ao julgar o Recurso Extraordinário
971.959. Na ocasião, o caso chegou à corte para
confrontar decisões das turmas recursais do Rio Grande
do Sul, que haviam declarado a inconstitucionalidade do
artigo 305.
Art. 5º, LVI, CF - são inadmissíveis, no processo, as
provas obtidas por meios ilícitos.
O art. 32 da Constituição Portuguesa explica o que se
entende por prova ilícita: São nulas todas as
provas obtidas mediante tortura, coação, ofensa da
integridade física ou moral da pessoa, abusiva
intromissão na vida privada, no domicílio, na
correspondência ou nas telecomunicações.
Diferença, no sistema da nulidade (Constituição
Portuguesa) a prova ingressa no processo e o juiz
declara sua nulidade; no sistema da
inadmissibilidade (CF) a prova não pode ingressar no
processo (e se ingressar tem que ser
desentranhada).
Se for juntada aos autos, surge o direito de
exclusão, que se materializa por meio do
desentranhamento (tem origem no direito
americano).
Direito de exclusão (“exclusionary rules”): direito
da exclusão da prova ilícita que foi juntada aos
autos, é materializada pelo desentranhamento.
Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do
processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas
em violação a normas constitucionais ou legais.
§ 1o São também inadmissíveis as provas derivadas
das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de
causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas
puderem ser obtidas por uma fonte independente das
primeiras.
§ 2o Considera-se fonte independente aquela que por si
só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da
investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir
ao fato objeto da prova.
§ 3o Preclusa a decisão de desentranhamento da prova
declarada inadmissível, esta será inutilizada por decisão
judicial, facultado às partes acompanhar o incidente.
§ 5º O juiz que conhecer do conteúdo da prova
declarada inadmissível não poderá proferir a
sentença ou acórdão.
O STF na ADI 6.298/2023/DF (Info 1106) declarou ser
inconstitucional o §5º do art. 157 do CPP, pois viola
os princípios da legalidade, do juiz natural e da
razoabilidade, já que não há elementos claros e
objetivos para a seleção do juiz sentenciante, o que
permitiria eventual manipulação da escolha do órgão
julgador.
Prova ilícita X Prova ilegítima
1ª Corrente: Quando o artigo 157, caput, usou o termo
prova ilícita quis se referir única e exclusivamente
as normas de direito material, mantendo-se quanto
às provas ilegítimas o regime jurídico da Teoria das
Nulidades. Ada Pellegrini, Antonio Magalhães Gomes
Filho, Denilson Feitosa. Corrente MP.
2ª Corrente (LFG): Quando o artigo 157 fala em
violação a normas constitucionais ou legais, não
diferencia se a norma legal é material ou processual,
portanto qualquer violação ao devido processo legal
acarreta a ilicitude da prova. No HC 82.778 o STF
acatou essa corrente, dizendo que pouco importa
se é violação a norma material ou processual,
sendo ambas ilícitas. Corrente DPE.
O Código de Processo Penal prevê expressamente ser
proibida a utilização de prova obtida de forma ilícita, bem
como as provas dela derivadas, ou seja, prova ilícita por
derivação (teoria da árvore dos frutos envenenados).
PRINCÍPIO DA SERENDIPIDADE - quando a prova for
obtida ao acaso de forma fortuita será válida, quando
houver relação de conexão ou continência ou até mesmo
um crime autônomo quando de uma conduta lícita do
agente público. Segundo o STF – (habeas corpus
129.678/SP). Não é ilícita a utilização de prova colhida
sobre determinado crime durante interceptação telefônica
instaurada para investigar delito diverso: Ex.: indícios de
homicídio qualificado obtidos em interceptação telefônica
determinada para apurar o crime de tráfico de drogas.)
PROVA EMPRESTADA Prova produzida em um
processo usada em outro - STJ - A jurisprudência é
firme na compreensão de que admite-se, como
elemento de convicção, a prova produzida em outro
processo, desde que a parte a quem a prova
desfavorece houver participado do processo em que
ela foi produzida, resguardando-se, assim o
contraditório, e, por consequência, o devido processo
legal substancial. Em consonância com os preceitos
legais, não há falar em decreto de nulidade ( Agr. em
HC 289.078, 6ª T., 15.12.2016)
Meios probatórios que, não obstante lícitos em sua
essência, derivam de prova anterior obtida por meios
ilícitos, restando, dessa forma, contaminados pela
ilicitude originária. Ex. confissão de homicídio mediante
tortura.
A prova ilícita por derivação é uma aplicação da teoria
americana da árvore dos frutos envenenados,
segundo a qual o defeito existente no tronco
contamina os frutos.
Essa prova ilícita por derivação surge no Direito
Americano, no julgado Silverthorne Lumber Co. X EUA
(1920) e depois outro julgado em 1939 (Caso Nardone x
EUA). A partir desse segundo julgado que começa a ser
utilizada a chamada Teoria dos Frutos da Árvore
envenenada (“fruits of poisonous tree theory”).
Trata-se de caso no qual se comprova que a mesma
prova considerada ilícita é derivada de outra fonte,
totalmente independente e autônoma da prova
ilícita, tornando-se, assim, admissível, lícita.
Essa teoria tem origem no direito americano (The
Independent Source Limitation) no caso Bynum X US,
onde o cidadão foi preso ilegalmente, e com essa
prisão fizeram uma identificação datiloscópica. Com
essa identificação (ilegal por derivação) acharam suas
digitais na cena do crime. Pela ilegalidade a Corte
exclui essa identificação. No entanto, posteriormente,
verificaram que já existia uma identificação no sistema
do FBI, de forma independente, o que possibilitou o
processo e a condenação do Bynum.
Essa teoria também tem origem no direito norte-
americano (The Inevitable Discovery Limitation) no
julgado Nix X Williams II (1984). O cidadão era
suspeito de matar alguém, mas o cadáver não era
localizado. Ele foi coagido e confessou onde estava o
cadáver, que foi localizado (prova ilícita por
derivação). No entanto, no caso concreto, 200
voluntários da cidade já estavam fazendo uma
varredura atrás do cadáver. A Suprema Corte então
decidiu: Realmente o cadáver foi descoberto por
meio ilícito, porém na situação concreta, como os
200 moradores já estavam nas imediações do
cadáver, a descoberta seria inevitável, portanto a
apreensão do cadáver foi lícita.
Não é possível se valer dessa teoria com base em
dados meramente especulativos, sendo
indispensável a existência de dados concretos que
demonstrem que a descoberta seria inevitável.
Essa teoria NÃO FOI APLICADA ainda no Brasil
(STF e STJ). No entanto, para muitos
doutrinadores essa teoria teria sido adotada
pelo legislador no art. 157, §2º, in verbis:
Art. 157, § 2o Considera-se fonte independente*
aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e
de praxe, próprios da investigação ou instrução
criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da
prova.
Com efeito, quando o referido dispositivo faz
menção à fonte independente, quis, na
verdade, trazer o conceito da limitação da
descoberta inevitável.
Alguns doutrinadores afirmam que a adoção
desta teoria pelo Brasil seria
inconstitucional, pois ela estaria limitando
por demais a vedação da prova ilícita
constante da CF.
Essa teoria também tem origem no Direito
Americano (Teoria da tinta diluída ou da
mancha purgada – “purge taint limitation”
ou “atenuated connection limitation” ).
Ocorre quando um ato posterior, totalmente
independente, afasta a ilicitude originária. O
vício da ilicitude originária é atenuado em
virtude do espaço temporal decorrido entre a
prova primária e a secundária, ou por conta de
circunstâncias supervenientes na cadeia
probatória ou da vontade de um dos envolvidos
em colaborar com a persecução criminal.
Essa teoria foi adotada no caso Wong Sun v. United States
(1963). Nesse caso, policiais da 'delegacia de
entorpecentes' entraram num domicílio sem 'causa
provável' (indícios probatórios necessários para tal) e
prenderam ilegalmente 'A', o qual, quase imediatamente
depois, acusou 'B' de ter vendido a droga. Os policiais, em
seguida, prenderam ilegalmente 'B', o qual, por sua vez,
implicou 'C', que também foi preso ilegalmente. Vários
dias mais tarde, depois de 'C' ter sido libertado, 'C'
voluntariamente confessou oralmente aos policiais da
delegacia de entorpecentes, durante seu interrogatório
policial. A Suprema Corte excluiu a apreensão da droga
encontrada com 'B' e as declarações de 'B' por terem sido
'frutos' da entrada ilegal na sua casa e da sua prisão
ilegal.
Entretanto, rejeitou que a confissão de 'C' fosse fruto
da sua prisão ilegal, pois, embora 'C' pudesse nunca ter
confessado se ele jamais tivesse sido preso
ilegalmente, sua ação voluntária de confessar, depois
de ter sido solto e alertado de seus direitos, tinha
tornado a conexão entre a prisão e a declaração tão
atenuada que a ilegalidade tinha desaparecido.
Também NÃO HÁ julgados (STF e STJ) adotando essa
teoria no Brasil.
Art. 157, § 1o São também inadmissíveis as provas
derivadas das ilícitas (prova ilícita por derivação), salvo
quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas
e outras (teoria da tinta diluída), ou quando as derivadas
puderem ser obtidas por uma fonte independente das
primeiras (teoria da fonte independente).