Transtornos
aditivos
Psicologia - 6º Período
Allyson Melo (04137959) Magno Olímpio (04117884)
Amylle Nunes (04137169) Miriam Valença (04144771)
Djane Medeiros (04143766) Sara Nogueira (04124730)
Elys Cecília (04140747) Viviane Galdino (04148014)
Jefferson Dantas (04010286)
1
Caso
clínico
Entrevista e anamnese
Identificação:
• J. P. L., homem, 25 anos, pardo, ensino médio incompleto,
auxiliar de pedreiro, bissexual, solteiro, sem religião;
Principal queixa:
• Não consegue parar de fazer apostas excessivas em jogos de
azar;
• Aposta seus bens, realiza furtos e empréstimos (inclusive com
agiotas) para tentar recuperar o que perdeu e pagar dívidas;
• Perdas materiais (casa, moto) e perdas sociais (família, amigos,
casamento);
Entrevista e anamnese
História da doença atual:
• Início nos jogos de azar com 17 anos como forma de lazer,
mas se tornou compulsivo e ele se sente incapaz de parar,
sofrendo com isso;
Contexto familiar:
• Pai etilista crônico com depressão; mãe com diabetes,
hipertensão e TAB; irmã com TDM; irmão com boa saúde;
Entrevista e anamnese
Antecedentes pessoais:
• Hábitos: uso de álcool, tabagismo e drogas ilícitas de forma
recreativa; apetite e sono prejudicados;
• Exame físico: sem alterações fisiopatológicas em saúde;
• Exame psicológico: funções cognitivas preservadas; imagem e
postura adequadas; mas há sintomas de ansiedade;
Hipóteses descartadas:
• TAB: sem episódios de mania, hipomania ou depressão maior
com padrão cíclico;
• TUS: sem evidência de dependência, abstinência, tolerância ou
prejuízo funcional atribuível às substâncias;
TESTE!
1. J.P.L. furta para sustentar o vício em jogo, sofre após o
ato e se vê realizando apostas compulsivamente, isso
indica:
A) Um transtorno do controle de impulsos, como
cleptomania.
B) Uma compulsão associada ao Transtorno de Jogo.
Entrevista e anamnese
Hipótese diagnóstica:
• Transtorno do jogo: padrão persistente e disfuncional de
apostas em jogos de azar que leva a sofrimento ou prejuízo
funcional significativo;
• 3 fases:
Fase da vitória: o sujeito vence e passa a apostar mais;
Fase da perda: frustração da sorte inicial seguida de uma
aposta nova e maior;
Fase do desespero: o sujeito dedica muito mais tempo e
economias às apostas, afastando-se dos vínculos sociais,
segundo Custer (1984 apud Silva, 2021)
2
Processo
diagnóstico
Critérios diagnósticos
Critério A: comportamento de jogo problemático e recorrente,
levando a sofrimento ou comprometimento significativo, que
apresenta 4 ou mais dos seguintes aspectos em um período de 12
meses (APA, 2023):
1. Necessidade crescente de apostar quantias maiores para atingir
excitação.
2. Inquietude ou irritabilidade ao tentar reduzir ou parar de jogar.
3. Esforços repetidos e malsucedidos para controlar, reduzir ou
interromper o jogo.
Critérios diagnósticos
4. Preocupação frequente com jogo (pensamentos persistentes
sobre apostas passadas, planejamento de apostas, busca de formas
de obter dinheiro para jogar).
5. Joga quando se sente angustiado (impotência, culpa, ansiedade,
depressão).
6. “Recuperar o prejuízo”: volta a jogar para recuperar o dinheiro
perdido.
7. Mente para esconder o envolvimento com o jogo.
Critérios diagnósticos
8. Prejuízo significativo: relacionamentos, emprego, estudos ou
oportunidades perdidas.
9. Depende de outras pessoas para resolver crises financeiras
causadas pelo jogo.
Critério B: o comportamento de jogo não é mais bem explicado
por um episódio maníaco (APA, 2023).
• Durante a mania, é comum que o sujeito apresente
impulsividade, euforia, busca de prazer e comportamento de
risco, como gastar dinheiro em apostas.
Características diagnósticas
• O indivíduo arrisca algo valioso na esperança de obter algo
ainda mais valioso.
• Possíveis comportamentos ilícitos, como falsificação, fraude,
roubo para obter dinheiro para as apostas.
• O jogo evolui de lazer para comportamento compulsivo e
desadaptativo.
• O indivíduo pode abandonar sua estratégia de jogo e tentar
recuperar todas as perdas ao mesmo tempo (APA, 2023).
TESTE!
2. Paciente se queixa de não sentir sono, tem muita
energia e nesses períodos de tende a jogar jogos de
azar até perder todo o dinheiro que tem. Em outros
períodos, ele não tem esse comportamento. Qual
transtorno define melhor o que foi relatado:
A) Transtorno de Jogo.
B) Transtorno Afetivo Bipolar I.
Características associadas
• Distorções do pensamento (negação, superstições, sentimentos
de poder e controle sobre o acaso, excesso de confiança);
• Crença de que o dinheiro é tanto a causa quanto a solução para
seus problemas;
• Podem ser impulsivas, competitivas, cheias de energia,
inquietas e se entediam facilmente (APA, 2023);
Características associadas
• Podem se preocupar demais com a aprovação dos outros e
ser generosas ao ponto da extravagância quando ganham;
• Podem ser deprimidos, solitários e jogarem quando se
sentem impotentes, culpados ou deprimidos (APA, 2023).
[...] perdeu o respeito e se tornou piada entre amigos e
familiares, aumentando sua vontade de jogar. [...]
Mudança de classificação
• Era classificado em Transtorno do Controle dos Impulsos, junto
com cleptomania e piromania, mas foi incluído no DSM-5 em
Transtornos Relacionados a Substâncias e Transtornos Aditivos.
• Evidências neurobiológicas e comportamentais demonstraram
semelhanças entre o jogo e as dependências químicas.
• O jogo patológico apresenta tolerância, abstinência e craving
(desejo intenso de jogar).
• Transtorno do Jogo é reconhecido hoje como uma dependência
comportamental, e não apenas um problema de impulso (Grant et.
al, 2010; Potenza, 2013).
TESTE!
3. É comum que jogadores patológicos tenham crenças
distorcidas sobre sorte ou controle, achando que podem
“recuperar o que perderam”.
A) Certo.
B) Errado.
3
Tipos ou
subtipos
Especificadores
• Episódico: satisfaz os critérios diagnósticos mais de uma vez,
sendo que os sintomas cedem entre períodos de transtorno do
jogo durante um mínimo de vários meses.
• Persistente: experencia sintomas contínuos, satisfazendo os
critérios por vários anos.
• Em remissão inicial: após todos os critérios terem sido
preenchidos antes, nenhum dos critérios foi preenchido por no
mínimo 3 meses e menos de 12 meses.
• Em remissão sustentada: após todos os critérios terem sido
preenchidos antes, nenhum dos critérios foi preenchido em
nenhum momento durante ou mais de 12 meses (APA, 2023).
Especificadores
• Leve: preenche 4 ou 5 critérios.
• Moderada: preenche 6 ou 7 critérios.
• J.P.L. apresenta os itens 1, 3, 4, 5, 8 e 9 do critério A.
• Grave: preenche 8 ou 9 critérios.
• Os critérios preenchidos com maior frequência estão
relacionados à preocupação com jogo e a “recuperar” as perdas,
comuns na forma leve do transtorno.
• Os critérios preenchidos com menor frequência envolvem
colocar em risco relacionamentos ou oportunidades profissionais
e depender de outras pessoas para cobrir as perdas no jogo,
comuns na forma grave do transtorno (APA, 2023).
TESTE!
4. O Transtorno do Jogo é considerado episódico
quando há períodos de remissão de pelo menos 3
meses entre episódios de jogo problemático.
A) Correta
B) Errada
4
Diagnósticos
diferenciais
TESTE!
5. Quem aposta 1 vez na loteria todos os dias
provavelmente tem Transtorno do Jogo?
A) Sim, porque apostar diariamente indica um
comportamento impulsivo e descontrolado.
B) Não, pois apostar na loteria só 1 vez por dia
não traz prejuízos financeiros e sociais.
Jogo sem transtorno
• No jogo profissional, os riscos são limitados e a disciplina é
fundamental;
• O jogo social ocorre geralmente com amigos ou colegas, dura
um período limitado de tempo e as perdas são aceitáveis (APA,
2023);
• Jogo não patológico envolve tipicamente menor frequência,
sessões mais curtas e o envolvimento em um menor número de
modalidades de jogo;
• Perfil de jogadores não patológicos: mulheres com alto nível
de escolaridade e funcionamento psicorrelacional mais
adaptativo (Mazar et al., 2018).
Episódio maníaco
• Perda de julgamento e jogo em excesso podem ocorrer durante
um episódio maníaco;
• Um diagnóstico adicional deve ser dado apenas se o
comportamento de jogo não é mais bem explicado por
episódios maníacos;
• Um indivíduo com transtorno de jogo pode, durante um período
de jogo, exibir comportamentos que parecem maníacos (APA,
2023);
• Apostar é um reforço que envolve alta excitação, euforia,
sentimentos de controle/invencibilidade e estado de flow: fuga
da realidade, ignora tempo e risco (Molander et al., 2022)
Transtornos de personalidade
• Problemas com jogo podem ocorrer em indivíduos com
transtorno da personalidade antissocial e outros transtornos da
personalidade;
• Caso os critérios sejam satisfeitos para os dois transtornos,
ambos podem ser diagnosticados (APA, 2023).
• Prevalência no bloco B (antissocial, borderline, histriônico,
narcisista) por causa da alta impulsividade e desinibição;
• Jogadores com traços antissociais costumam apostar pela busca
de excitação que o risco traz; jogadores com traços borderline
costumam apostar para aliviar o sofrimento (Nower,
Blaszczynski e Anthony, 2022).
Medicamentos dopaminérgicos
• Alguns pacientes em uso de medicamento dopaminérgico (ex.:
pramipexol e ropinirol para tratar Parkinson) podem sentir ânsia
por jogar e pode ser suficientemente angustiante para satisfazer
os critérios para transtorno de jogo (APA, 2023; Wolfschlag e
Håkansson, 2023).
• Aumentam a sinalização da dopamina nos centros de
recompensa do cérebro;
• Aumento excessivo na atividade da dopamina faz o cérebro
reagir de forma exagerada à incerteza do jogo, fazendo com
que a pessoa veja as quase-vitórias como sinais de que está
“perto de ganhar” (Wolfschlag e Håkansson, 2023).
Comorbidades
• Taquicardia e angina;
• Transtornos por uso de substâncias;
• Transtornos de personalidade;
• Transtornos depressivos;
• Transtornos de ansiedade;
• Transtornos bipolares (APA, 2023).
5
Curso do
transtorno
Desenvolvimento e curso
• Início do Transtorno (APA, 2023; Dalgalarrondo, 2023)
• Início geralmente gradual.
• Surge com mais frequência na adolescência ou início da vida
adulta.
• Começa como atividade recreativa.
• Progressão do Comportamento de Jogo (APA, 2023;
Dalgalarrondo, 2023)
• Aumento progressivo da frequência e valor das apostas.
• Evolução do uso recreativo → problemático → compulsivo.
• Mantém-se apesar dos prejuízos (padrão crônico).
Desenvolvimento e curso
• Consequências e Prejuízos (APA, 2023; Dalgalarrondo, 2023)
• Perdas financeiras significativas.
• Prejuízo social, familiar e ocupacional.
• Possível envolvimento em dívidas, crimes menores e
risco físico.
• Padrão de recaídas (APA, 2023; Dalgalarrondo, 2023)
• Indivíduos acreditam que podem “controlar” o jogo após
remissão.
• Retomada do jogo geralmente leva a recaídas.
Desenvolvimento e curso
• Diferenças por sexo e gênero (APA, 2023; Dalgalarrondo,
2023)
• Homens: maior prevalência do transtorno.
• Mulheres: evolução mais rápida (efeito “telescoping”).
• Diferença entre gêneros está diminuindo.
• Exemplos do caso clínico
• Início aos 17 anos, uso recreativo.
• Evolução para compulsão com perdas materiais e dívidas.
• Comprometimento familiar, emocional e social.
TESTE!
6. De acordo com o DSM-5-TR, qual é uma característica
típica do desenvolvimento do transtorno do jogo?
A) O transtorno do jogo geralmente se desenvolve de
forma gradual, iniciando-se na adolescência ou no começo
da vida adulta.
B) O transtorno do jogo começa abruptamente e costuma
surgir apenas após os 50 anos.
Fatores de risco e prognóstico
• Fatores biológicos e psicológicos (APA, 2023)
• Tendência familiar e influência genética.
• Mais comum em parentes de pessoas com dependência.
• Pode surgir após uso de medicamentos dopaminérgicos.
• Impulsividade, busca de emoções e tédio fácil.
• Crenças distorcidas sobre sorte e controle.
• Uso do jogo para aliviar ansiedade, culpa ou tristeza
• Fatores Sociais e Ambientais (APA, 2023)
• Início precoce (infância/adolescência).
• Estresse e dificuldades financeiras.
• Influência cultural e acesso fácil a cassinos/jogos.
Consequências funcionais
• Financeiras: dívidas, fraudes, dependência de terceiros.
• Interpessoais: mentiras, isolamento, conflitos familiares.
• Profissionais: queda de desempenho, absenteísmo.
• Saúde: ansiedade, depressão, risco de suicídio (APA, 2023).
TESTE!
7. Qual dos fatores abaixo está associado a um
maior risco de desenvolver o Transtorno de Jogo?
A) Ter histórico familiar de transtornos relacionados
ao uso de substâncias.
B) Ter interesse ocasional em apostas recreativas,
sem prejuízos pessoais ou financeiros.
6
Tratamento
recomendado
Tratamento psicológico
Jogadores Anônimos (Fong, 2005):
• Grupos gratuitos de autoajuda;
• Baseados no modelo dos 12 passos (semelhante ao AA e NA);
Terapia Cognitivo Comportamental (Fong, 2005):
• Foca na reestruturação cognitiva;
• Objetivos: identificar e modificar pensamentos negativos,
distorções cognitivas e crenças errôneas sobre o jogo;
TESTE!
8. Na Terapia Cognitivo-Comportamental o
tratamento tem como foco:
A) Compreender os significados inconscientes do
comportamento de jogo.
B) Modificar comportamentos aprendidos e reduzir
a excitação associada ao jogo.
Tratamento psicológico
Terapia Comportamental (Fong, 2005):
• Visa modificar comportamentos aprendidos;
• Busca reduzir a excitação e as sensações gratificantes
associadas ao jogo;
Psicoterapias Psicodinâmicas (Fong, 2005):
• Investigam o significado inconsciente do jogo excessivo;
• Buscam entender conflitos internos que levaram ao
comportamento de jogo;
Tratamento psicológico
Psicoterapia familiar (Fong, 2005):
• Enfatiza as dinâmicas familiares disfuncionais;
• Objetiva reduzir conflitos intrafamiliares;
Redução de danos (Fong, 2005):
• Foco em controlar ou limitar o jogo;
• Não exige abstinência total;
Linhas de apoio (Fong, 2005):
• Disponibilizam profissionais de saúde treinados;
• Fornecem suporte emocional e informações sobre o TJ.
Tratamento psicofarmacológico
Papel e indicações:
• Não existe medicamento específico aprovado para o Transtorno
do jogo;
• A farmacoterapia tem papel coadjuvante, tratando sintomas
associados: impulsividade, humor deprimido, ansiedade e
irritabilidade;
• A escolha do fármaco deve considerar comorbidades e
características individuais do paciente;
• Deve ser conduzida por médico psiquiatra, dentro de um plano
terapêutico integrado (ABP, 2017; Blanco et al., 2020;
Dalgalarrondo, 2019; Grant e Potenza, 2014):
Tratamento psicofarmacológico
Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs):
• Ex: Fluoxetina, Sertralina, Paroxetina;
• Reduzem impulsividade e obsessões relacionadas ao jogo.;
• Mais eficazes em pacientes com sintomas obsessivo-
compulsivos (ABP, 2017; Grant e Potenza, 2014)
Estabilizadores de humor:
• Ex.: Lítio, Topiramato, Valproato;
• Auxiliam em casos com instabilidade afetiva ou traços bipolares;
• Diminuem recaídas e intensidade dos impulsos (ABP, 2017;
Dalgalarrondo, 2019)
Tratamento psicofarmacológico
Antagonistas opioides:
• Ex.: Naltrexona, Nalmefeno;
• Reduzem a sensação de recompensa e prazer ligada ao jogo;
• Apresentam melhor evidência clínica até o momento (Blanco et
al., 2020; Grant et al., 2006)
Outros fármacos avaliados:
• Bupriona: pode melhorar motivação e humor;
• Antipsicóticos atípicos (aripiprazol, olanzapina): resultados
inconsistentes, uso restrito a casos específicos (ABP, 2017; Grant
e Potenza, 2014)
Considerações
finais
REFERÊNCIAS
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ed., texto revisado. Porto Alegre: Artmed, 2023.
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Psychiatry, v. 177, n. 4, p. 301–313, 2020. Disponível em: [Link] . Acesso em: 1
nov. 2025.
DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.
FONG, T. W. Types of psychotherapy for pathological gamblers. Psychiatry (Edgmont), v. 2, n. 5, p. 32–39, 2005.
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n. 7, p. 722–730, 2006. Disponível em: [Link] Acesso em: 1 nov. 2025.
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MAZAR, A.; WILLIAMS, R. J.; STANEK, E. J. et al. The importance of friends and family to recreational gambling,
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WOLFSCHLAG, M.; HÅKANSSON, A. Drug-Induced Gambling Disorder: Epidemiology, Neurobiology, and
Management. Pharmaceutical Medicine, v. 37, p. 37–52, 2023. Disponível em: [Link]
9 . Acesso em: 1 nov. 2025.
OBRIGADO!
Dúvidas?