Ansiedade
Reunião de Apoio Matricial, Franca/SP.
CAPS III Florescer, 13 de maio de 2025.
Henrique Dornelas B. Garcia -
MédicoMédico
Programação
Ansiedade e seus subtipos
Fisiopatologia da ansiedade
Como atuam os psicofármacos
A escolha do tratamento;
Discussão
Ansiedade no Brasil
• 26,8% dos brasileiros receberam diagnóstico médico de ansiedade, com
maior prevalência entre mulheres (34,2%) e jovens de 18 a 24 anos
(31,6%) . Fonte: CNN Brasil
• 68% dos brasileiros relatam sentimentos frequentes de nervosismo,
ansiedade ou tensão, mas apenas 44% buscaram ajuda profissional
Fonte: CNN Brasil
• O Brasil lidera o ranking mundial de casos de ansiedade, com mais de
18 milhões de pessoas afetadas, representando cerca de 9,3% da
população . Fonte: Unifase+1Instituto de Psiquiatria+1
Impacto Econômico
Mundo
• A OMS e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimam que a ansiedade e a
depressão resultam na perda de 12 bilhões de dias de trabalho anualmente,
custando à economia global mais de US$ 1 trilhão por ano . Fonte:
Financial Times+1Financial Times+1
• Estudos projetam que as perdas econômicas globais devido a transtornos mentais
podem chegar a US$ 3 trilhões até 2030 .Fonte:PMC
Brasil
• Transtornos mentais, incluindo a ansiedade, causam uma perda anual de R$ 397,2
bilhões no faturamento das empresas brasileiras, representando 4,7% do Produto
Interno Bruto (PIB) . Fonte: Valor Econômico
• No ambiente corporativo, os transtornos mentais são responsáveis por elevados índices
de absenteísmo e queda de produtividade. Fonte: Saúde Business+[Link]+1
Impacto na Saúde
• O estudo "Prevalência de depressão e ansiedade e sua associação com
fatores de risco cardiovascular em pacientes da atenção primária no
Nordeste do Brasil", publicado na Revista da Associação Médica Brasileira
em 2019.
• Amostra: 815 pacientes de APS do Nordeste do Brasil
• Métodos de Avaliação: Questionários validados, medidas
antropométricas, exames laboratoriais
•
Desfechos principais: Associação estatística entre TAD (transtornos
ansiosos e depressivos) e comorbidades cardiovasculares
Impacto na Saúde
Pacientes com ansiedade e/ou depressão apresentaram maior prevalência de fatores de risco
cardiovascular, especialmente:
• Hipertensão arterial: risco 2 vezes maior
• Obesidade: risco 4 vezes maior
• Dislipidemia: risco quase 4 vezes maior
Além disso, os sintomas mentais podem:
• Reduzir adesão a medicamentos e hábitos saudáveis
• Aumentar o risco de eventos cardiovasculares
• Potencializar o uso inadequado do serviço de saúde
Mas o que é ansiedade?
• Ansiedade é uma resposta natural do organismo frente à percepção de
ameaça, real ou imaginária
• Envolve componentes:
• Emocionais: medo, apreensão...;
• Físicos: taquicardia, tensão...;
• Cognitivos: preocupação, hipervigilância...
• Quando excessiva, persistente e desproporcional, torna-se patológica,
caracterizando o transtorno de ansiedade.
Transtorno de Ansiedade Generalizada
(TAG)
• Definição DSM-5:
• Preocupação e ansiedade excessivas (expectativa apreensiva) sobre uma variedade de eventos
ou atividades, ocorrendo na maioria dos dias por pelo menos 6 meses.
• Critérios principais:
• Dificuldade de controlar a preocupação.
• Presença de ≥ 3 sintomas físicos:
• Inquietação ou sensação de estar com os nervos à flor da pele
• Fadiga
• Dificuldade de concentração
• Irritabilidade
• Tensão muscular
• Distúrbios do sono
• Referência: DSM-5, American Psychiatric Association (2013); Wittchen et al., 2011 – Lancet
Psychiatry
Transtorno de Pânico
Definição DSM-5:
Ataques de pânico recorrentes e inesperados, seguidos por pelo menos 1 mês
de preocupação persistente sobre novos ataques ou alterações
comportamentais relacionadas.
Características do ataque de pânico (≥ 4 sintomas físicos ou cognitivos):
Palpitações, sudorese, tremores
Sensação de falta de ar ou sufocamento
Dor torácica, náusea
Tontura, desrealização, medo de morrer
Referência: DSM-5; Craske & Barlow, 2007 – Journal of Clinical Psychiatry
Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)
Definição DSM-5:
Presença de obsessões, compulsões, ou ambas, que consomem tempo ou
causam prejuízo funcional.
Obssessões: pensamentos, impulsos ou imagens intrusivas e indesejadas,
recorrentes.
Compulsões: comportamentos repetitivos ou atos mentais realizados para
reduzir a ansiedade causada pelas obsessões.
Obs.: O TOC foi movido para uma categoria própria no DSM-5, mas mantém
relação funcional com a ansiedade.
Referência: DSM-5; Goodman et al., 2014 – Biological Psychiatry
Fobia Social (Transtorno de Ansiedade
Social)
Definição DSM-5:
Medo ou ansiedade marcante e persistente de uma ou mais situações
sociais em que o indivíduo possa ser exposto ao julgamento de outras
pessoas.
Critérios:
Medo desproporcional e persistente (≥ 6 meses).
Comportamento de evitação social.
Prejuízo significativo na vida social, profissional ou acadêmica.
Referência: DSM-5; Stein & Stein, 2008 – New England Journal of Medicine
Transtorno de Estresse Pós-Traumático
(TEPT)
Definição DSM-5:
Desenvolvimento de sintomas após exposição a um evento traumático real
ou ameaçador, com duração >1 mês.
Grupos de sintomas:
Insights (flashbacks, pesadelos)
Evitação de estímulos relacionados ao trauma
Alterações negativas em cognição e humor
Hiperexcitação (hipervigilância, irritabilidade, insônia)
Obs.: O TEPT também foi transferido para uma nova categoria no DSM-5:
transtornos relacionados a trauma e estressores.
Referência: DSM-5; Yehuda et al., 2015 – American Journal of Psychiatry
Fisiologia da
ansiedade
Amígdala – Centro da Resposta ao Medo
Função:
Detecta ameaças emocionais e ambientais.
Ativa respostas de luta/fuga, mesmo diante de estímulos não
perigosos em transtornos ansiosos.
Relação com o Sistema Autônomo:
Estimula o sistema nervoso simpático (SNS) → liberação de
noradrenalina e adrenalina pelas glândulas suprarrenais.
Impacto fisiológico:
Aumento da pressão arterial (vasoconstrição, taquicardia).
Liberação de glicose hepática via glicogenólise.
Estímulo crônico → hipertensão e resistência à insulina.
Referência: LeDoux JE, The Emotional Brain, 1996; Etkin et al., Neuron, 2011.
Hipocampo – Memória e Contexto
Emocional
Função:
Interpreta e codifica memórias emocionais e contextos de ameaça.
Modula a resposta da amígdala com base em experiências passadas.
Papel na ansiedade:
Em ansiedade crônica, o hipocampo pode sofrer atrofia por excesso de
cortisol, comprometendo a memória contextual e aumentando respostas
de medo generalizadas.
Impacto metabólico:
Menor inibição da amígdala → resposta simpática exagerada.
Manutenção crônica de ativação simpática e inflamatória, prejudica
o metabolismo.
Referência: Sapolsky RM, Stress, the Hippocampus, and Depressive Illness, 2000.
Córtex Pré-frontal – Regulação Emocional e
Tomada de Decisão
Função:
Controla o impulso emocional da amígdala.
Responsável por processos de julgamento, planejamento e modulação de
estresse.
Em ansiedade:
Hipofunção do córtex pré-frontal → menos controle inibitório sobre a amígdala.
Indivíduo se torna mais reativo a estressores e menos capaz de racionalizar o
medo.
Impacto clínico:
Piora na regulação do estresse e decisões alimentares/metabólicas.
Associado a comportamentos como compulsão alimentar, tabagismo e
sedentarismo.
Referência: Arnsten AFT, Science, 2009.
Eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal (HHA)
Função:
Hipotálamo secreta CRH → hipófise libera ACTH → adrenais liberam cortisol.
Em ansiedade crônica:
Hiperatividade do eixo HHA → níveis elevados e sustentados de cortisol.
Impactos fisiológicos do cortisol:
Pressão arterial: aumento da sensibilidade vascular à adrenalina e
aldosterona → hipertensão.
Glicemia: aumento da neoglicogênese hepática e resistência à insulina.
Metabolismo:
o Redistribuição de gordura (obesidade visceral).
o Catabolismo proteico → perda muscular.
o Dislipidemia (elevação de LDL, triglicerídeos).
Referência: Chrousos GP & Gold PW, Endocrine Reviews, 1992; McEwen BS, Annals of the NY Academy of Sciences, 2004.
Em resumo
Consequência
Estrutura Ação na Ansiedade
Metabólica
Ativação do medo e Hipertensão,
Amígdala
SNS hiperglicemia
Memória de ameaça, Piora do controle
Hipocampo
regulação da amígdala autonômico
Piora da adesão
Córtex pré- Inibição da amígdala, terapêutica e
frontal raciocínio comportamento
alimentar
Causas das alteração
funcional dessas
regiões?
Amígdala – Hiperatividade em Resposta ao
Estresse
Causas de alteração funcional:
Exposição crônica ao estresse (especialmente na infância ou
adolescência).
Traumas psicológicos (TEPT, abuso, negligência).
Vulnerabilidade genética (ex: polimorfismos do gene da
serotonina – 5-HTTLPR).
Inflamação sistêmica (citocinas pró-inflamatórias aumentam a
excitabilidade da amígdala).
Referência: Hariri & Holmes (2015) – Nature Reviews Neuroscience
Hipocampo – Redução de Volume e
Neurogênese
Causas de atrofia e disfunção:
Excesso crônico de cortisol (por estresse ou depressão
maior).
Transtornos de ansiedade e humor não tratados.
Isolamento social e sedentarismo.
Deficiência de sono e má alimentação (especialmente
carência de ômega-3 e vitaminas do complexo B).
Referência: Sapolsky RM (2000), Biological Psychiatry
Córtex Pré-Frontal – Hipofunção e
Conectividade Reduzida
Fatores contribuintes:
Estresse prolongado, que interfere nos circuitos de regulação
emocional.
Experiências adversas na infância (ex: negligência parental).
Uso crônico de substâncias (álcool, cannabis, estimulantes).
Privação de sono, que reduz atividade executiva e inibitória.
Referência: Arnsten AFT (2009), Science
Eixo HHA – Disregulação Hormonal e
Alostase Prejudicada
Fatores que causam ativação crônica:
Estresse psicológico contínuo sem mecanismos de coping.
Transtornos psiquiátricos como ansiedade generalizada,
TEPT e depressão.
Desregulação genética ou epigenética dos receptores de
glicocorticoides.
Inflamação crônica de baixo grau (ex: obesidade, doenças
autoimunes).
Referência: McEwen BS (2004), Annals of the New York Academy of Sciences
Resumo das principais causas de alteração
Região Principais Causadores de Alteração
Estresse precoce, trauma, genética (5-
Amígdala
HTTLPR), inflamação
Cortisol crônico, isolamento, sedentarismo,
Hipocampo
má alimentação
Córtex pré- Estresse, trauma infantil, uso de substâncias,
frontal privação de sono
Estresse repetitivo, depressão, ansiedade
Eixo HHA
crônica, inflamação
Regiões Cerebrais, Alterações e Sintomas na
Ansiedade
Sintoma Psiquiátrico Mais
Região Cerebral / Sistema Alteração Comum
Frequente
Medo excessivo, hipervigilância,
Amígdala Hiperatividade funcional resposta de alarme
desproporcional
Ansiedade generalizada crônica,
Redução de volume /
Hipocampo sensação de ameaça difusa,
neurogênese (atrofia funcional)
esquecimento
Dificuldade de controle
Córtex Pré-Frontal Hipofunção / baixa conectividade
emocional, impulsividade,
(ventromedial e dorsolateral) com a amígdala
ruminação
Sintomas somáticos de
Eixo HHA (Hipotálamo- Hiperatividade com liberação ansiedade (taquicardia,
Hipófise-Adrenal) crônica de cortisol sudorese, tremores), insônia,
Exemplos Clínicos por Região
• Amígdala: Resposta exagerada a barulhos, sustos fáceis, crises de
pânico.
• Hipocampo: Sensação de perigo “sem motivo claro”, dificuldade de
lembrar contextos.
• Córtex pré-frontal: Raciocínio prejudicado em crises, explosões
emocionais.
• Eixo HHA: Sintomas físicos intensos (ex: síndrome do pânico com
sintomas cardiopulmonares).
• Córtex cingulado: Incapacidade de “desligar” pensamentos ansiosos.
• Estriado: Comportamentos compulsivos ou rígidos (ex: verificação,
evitação exagerada
Qual o papel da
medicação no
tratamento da
ansiedade?
ISRS - Inibidores Seletivos da Recaptação de
Serotonina
Exemplos: Fluoxetina, Sertralina, Escitalopram, Paroxetina,
Citalopram e Fluvoxamina .
Ação principal: Inibem a recaptação de serotonina (5-HT) na fenda
sináptica → aumentam a disponibilidade de serotonina nas
sinapses cerebrais.
Tempo de ação clínica: 2 a 4 semanas (embora a recaptação seja
inibida em horas).
ISRS são primeira linha no tratamento de:
Devem ser usados por pelo menos 6 a 12 meses em casos moderados
a graves.
MUDANÇAS ESPERADAS COM O USO CLÍNICO DE
ISRS
Região Ação dos ISRS Efeito esperado
Redução da atividade frente Menor reatividade ao
Amígdala
a estímulos emocionais medo e ansiedade
Hipocam Estímulo à neurogênese e Melhora cognitiva,
po BDNF emocional
Córtex
Aumento da conectividade
pré- Mais controle emocional
e atividade reguladora
frontal
Inibição do excesso de Menos estresse
Eixo HHA
cortisol fisiológico crônico
Anticonvulsivantes
• Exemplos: Ácido Valproico, Pregabalina, Gabapentina, Topipramato,
Lamotrigina, Carbamazepina ...
• Não é primeira escolha (exceto pregabalina na Europa)
• Terapia adjuvante para transtornos de ansiedade,
• especialmente em casos refratários ou com comorbidades.
• Atuam (maioria) modulando neurotransmissores excitatórios e
inibitórios, principalmente o GABA e o glutamato, afetando
diretamente a atividade neuronal em regiões-chave da ansiedade
Ação dos Anticonvulsivantes na Ansiedade por Região
Cerebral
Anticonvulsivante Resposta Esperada na
Região / Sistema Mecanismo Fisiológico
(Exemplo) Ansiedade
Reduz liberação de
Redução da reatividade ao
glutamato e noradrenalina;
Amígdala Pregabalina / Gabapentina medo, alívio rápido de
bloqueia canais de cálcio
ansiedade somática
tipo α2δ
Estímulo GABAérgico Redução da ansiedade
Ácido valproico / (valproato); estabilização generalizada crônica,
Hipocampo
Lamotrigina da liberação de glutamato melhora do sono e
(lamotrigina) memória
Aumenta BDNF; estabiliza
Melhora da regulação
membrana neuronal →
Córtex Pré-frontal Lamotrigina emocional, impulsividade,
melhora conectividade com
evitação social
amígdala
Redução de sintomas
Reduz resposta ao estresse
físicos (taquicardia,
Eixo HHA (Cortisol) Topiramato / Pregabalina via diminuição de
tremores), estabilização
excitabilidade central
do humor
Modulação límbica e Alívio da tensão corporal,
Córtex Cingulado /
Pregabalina somatossensorial via GABA da dor somática e da
Insular
e inibição simpática preocupação constante
Antipsicóticos na ansiedade
Exemplos: Risperidona, Olanzapina, Quetiapina e Aripiprazol.
Os antipsicóticos modulam redes límbicas, corticais e autonômicas
envolvidas na ansiedade, sendo úteis em:
• Transtornos ansiosos resistentes a ISRS
• Ansiedade comórbida a psicose ou bipolaridade
• Ansiedade com alta somatização ou sintomas cognitivos/ruminativos
intensos
Eles agem modulando a dopamina, serotonina e outras vias neuroquímicas.
AÇÃO DOS ANTIPSICÓTICOS NAS REGIÕES DA
ANSIEDADE
Resposta Esperada na
Região / Sistema Antipsicóticos envolvidos Mecanismo Principal
Ansiedade
Bloqueio 5-HT2A →
Risperidona, Quetiapina, Redução da hipervigilância
Amígdala Redução da ativação
Olanzapina e resposta ao medo
límbica
Modulação de 5-HT1A e 5-
HT2C → Melhora de Redução da ansiedade
Hipocampo Olanzapina, Aripiprazol
plasticidade sináptica e difusa e melhora cognitiva
memória emocional
Melhora da atividade
Redução da impulsividade,
dopaminérgica e
Córtex Pré-frontal Quetiapina, Aripiprazol labilidade emocional,
serotoninérgica (D2 parcial
ruminação
e 5-HT1A agonismo)
Redução da reatividade ao
Redução de sintomas
estresse (via normalização
Eixo HHA (Cortisol) Olanzapina, Quetiapina físicos (insônia,
do sistema
taquicardia, sudorese)
monoaminérgico)
Benzodiazepínicos (BZDs)
• Exemplos: Alprazolam, Clonazepam, Diazepam, Lorazepam, Bromazepam,
Clobazam (alto custo), Clorodiazepóxido, Flurazepam, Midazolam e Triazolam.
• Ansiolíticos clássicos
• Atuam potencializando a ação do GABA,
• Efeito é rápido e potente,
• Úteis em crises ansiosas agudas,
• Risco de dependência no uso prolongado.
LIMITAÇÕES E RISCOS
• Tolerância e dependência com uso > 2-4 semanas contínuas.
• Efeitos cognitivos: lentificação, prejuízo de memória e atenção.
• Interação com álcool ou outros depressores pode levar à depressão
respiratória.
AÇÃO DOS BENZODIAZEPÍNICOS POR REGIÃO
Região / Sistema Mecanismo Fisiológico (BZDs) Resposta Clínica Esperada
Potencializam GABA-A →
Redução do medo, do pânico,
Amígdala inibem disparo de alarme
da hipervigilância
límbico
Redução da excitabilidade Alívio da ansiedade
Hipocampo sináptica → menor contextual e melhora de
processamento emocional insônia leve
Inibição do córtex via GABA → Sedação leve, diminuição da
Córtex Pré-frontal redução da ativação ruminância e da tensão
emocional mental
Inibição indireta do estresse Redução rápida de sintomas
Eixo HHA central → menor ativação do físicos (taquicardia,
eixo sudorese)
Sistema Reticular Potencialização GABA-A → Indução do sono, sedação e
DUAIS (inibidores da recaptação de
serotonina e noradrenalina – IRSN)
• Exemplos:
• Venlafaxina (disponível no SUS em algumas cidades)
• Duloxetina – uso controverso, pode ser útil quando há ansiedade com dor crônica
• Desvenlafaxina (menos usada para ansiedade; foco maior em depressão)
Bloqueio da recaptação de serotonina (5-HT):
Efeito primário ansiolítico → atua na amígdala e córtex pré-frontal.
Bloqueio da recaptação de noradrenalina (NA):
Complementa ação na vigilância, foco e modulação autonômica.
Em doses mais altas (ex: venlafaxina > 150 mg/dia), predomina a ação
noradrenérgica
Principais Tricíclicos Usados em Ansiedade
Exemplo: Amitriptilina, Nortriptilina, Imipramina e Clomipramina.
Bloqueio da recaptação de serotonina (5-HT) e noradrenalina (NA):
Aumenta disponibilidade sináptica → ação ansiolítica e antidepressiva.
Bloqueio de receptores colinérgicos, histamínicos e adrenérgicos:
Efeitos adversos: sedação, hipotensão, ganho de peso, risco cardiovascular
Principais Tricíclicos Usados em Ansiedade
• Clomipramina – eficaz para TOC (único TCC aprovado com evidência
superior à de ISRS).
• Amitriptilina – usada para ansiedade com dor crônica, mas com perfil
colateral relevante.
• Imipramina – eficaz para pânico, mas superada por ISRS por segurança .
Ação dos Tricíclicos nos sistema da ansiedade
Região Cerebral Mecanismo do Tricíclico Resposta Clínica Esperada
Aumento da serotonina (5-HT) e
Redução do medo, ataques de
Amígdala noradrenalina → redução da
pânico
reatividade emocional
Estímulo à neuroplasticidade (via Melhora da ansiedade contextual
Hipocampo
BDNF) após uso prolongado e da regulação do estresse
Aumento de 5-HT e NA → maior
Redução da ruminação, melhora
Córtex Pré-frontal modulação do impulso emocional
do humor
e da ruminância
Redução do cortisol via feedback
Menor hipervigilância e sintomas
Eixo HHA serotoninérgico e modulação
físicos (taquicardia, tensão)
noradrenérgica
Bloqueio muscarínico (efeito Sedação útil em casos de insônia
Sistema colinérgico colateral): sedação, boca seca, associada, porém efeitos
constipação adversos
Medicamentos podem induzir ou agravar a
ansiedade por:
Estímulo adrenérgico (cafeína, anfetamina, teofilina,
hormônios)
Aumento rápido de serotonina ou dopamina (ISRS,
bupropiona)
Supressão do sistema GABA (suspensão de BZDs)
Disfunção do eixo HHA (corticosteroides, hormônios)
Discussão
Obrigado!