EBD – 3º TRIMESTRE
LIÇÃO 6 – O livro de Ester
TEXTO ÁUREO
“Porque, se de todo te calares neste
tempo, socorro e livramento doutra
parte virá para os judeus, mas tu e a
casa de teu pai perecereis; e quem
sabe para tal tempo como este
chegaste a este reino?” (Et 4.14)
VERDADE PRÁTICA
A perfeita vontade de Deus é nos guiar
por caminhos que levem ao
cumprimento de seus eternos
propósitos.
INTRODUÇÃO
O LIVRO DE ESTER TEM COMO
CARACTERISTICA SINGULAR, E SEMPRE
DESTACADA, A COMPLETA AUSÊNCIA DO NOME
DE DEUS. NEM POR ISSO O AGIR DIVINO DEIXA
DE ESTAR PATENTE NO LIVRO. ESTER NÃO
CONTÉM ALUSÕES DIRETAS AO DEUS DA
PROVIDÊNCIA, MAS NOS APRESENTA UMA
HISTÓRIA, CUJO ROTEIRO É, POR INTEIRO, UMA
MANIFESTAÇÃO DA PROVIDÊNCIA DE DEUS.
I – A ORGANIZAÇÃO DO LIVRO
1.A categorização de Ester
Ester pertence aos Escritos, os 11 livros que compõem
a terceira seção da Bíblia Hebraica. E, nessa seção —
também ao lado de Rute —, integra os Megillot, os
cinco livros curtos lidos anualmente nas festas judaicas.
As categorizações de Rute e Ester também são
semelhantes na Bíblia Cristã, em que figuram entre os
livros históricos, como já mencionado. Pela sua
reconhecida canonicidade, Ester compõe o conjunto da
revelação divina escrita, completa e perfeita (2 Tm
3.16,17).
2- CARACTERÍSTICAS
LITERÁRIAS
O livro tem dez capítulos. Dentre as suas
características literárias, destaca-se a sua
objetiva historicidade, vista na expressa
referência ao rei persa Assuero (Et 1.1) e em
vários outros detalhes factuais, além do seu
caráter de fonte primária para a Festa de
Purim, anualmente celebrada pelos judeus (Et
9.20-32). O estilo narrativo é menos dialógico
que o de Rute. O texto é mais do narrador do
que dos personagens.
3. Autoria e data
O autor de Ester é desconhecido. Muitos estudiosos consideram
que o livro foi escrito por um judeu que viveu na Pérsia, pelo
fato de o autor demonstrar amplo conhecimento da cidade de
Susã e da sua estrutura, além de importantes documentos do
Império Persa. Considerando essa possível autoria e algumas
evidências internas, acredita-se que Ester seja datado ainda do
século V a.C. (por volta do ano 460 a.C., logo após a morte de
Assuero, ocorrida em 465 a.C.). Outro fator levado em conta
para essa datação é de ordem linguística: o autor empregou
algumas palavras persas em meio ao hebraico, mas não fez
qualquer uso de expressões originárias do grego, o que revela
um estilo anterior à ascensão da Grécia sobre a Pérsia, que se
deu com Alexandre, o Grande, em 330 a.C.
SINOPSE l
O LIVRO DE ESTER TEM 10 CAPÍTULOS E
ESTÁ CLASSIFICADO NA CATEGORIA DE
LIVROS HISTÓRICOS DA BÍBLIA CRISTÃ.
HISTÓRICO
1. O povo hebreu no
exílio
Para uma melhor compreensão do contexto histórico do livro de Ester, é
importante mencionar o fim do período da monarquia do povo hebreu.
Em 722 a.C., ocorreu a queda final do Reino do Norte perante os assírios
(2 Rs 17.6). Pouco mais de cem anos depois, Judá, o Reino do Sul, foi
levado para o cativeiro babilônico em três levas:
a primeira, no ano 605;
a segunda, em 597, e a
terceira, em 586 a.C.
Conforme Jeremias havia profetizado, o exílio na Babilônia durou 70 anos
(Jr 25.11; 29.10-14). Foi um período em que o Senhor tratou com o seu
povo, principalmente para extirpar a idolatria que contaminara a todo o
Israel (Ez 36.16-25
FIM DA FIM DO
MONARQUIA CATIVEIRO EXÍLIO PÓS-
722 A.C BABILÔNICO 539 A.C EXÍLIO
605 A.C 483 A. C
NAÇÃO DE ISRAEL
TEOCRACIA
Governo de Deus
MONARQUIA
Governo dos reis nativos
DEPENDÊNCIA
Governo dos reis
estrangeiros
2. O FIM DO EXÍLIO
Esse período termina com a vitória de Ciro (Isaías 45)sobre os
babilônios no ano 539 a.C. O Senhor Deus estava exercendo o
seu juízo sobre a Babilônia por causa da sua iniquidade (Jr
25.12).
Antes, já havia julgado a Assíria, como profetizado por Naum:
Deus não tem o culpado por inocente (Na 1.2,3). Em 539 a.C.,
Ciro venceu os babilônios e anexou o seu território ao Império
Persa. Logo no primeiro ano de reinado, “despertou o SENHOR o
espírito de Ciro, rei da Pérsia”, fazendo-o decretar o retorno do
povo judeu para Jerusalém (Ed 1.1-3).
3. O pós-exílio
O retorno deu-se em três grupos, sendo que o primeiro e
maior deles — 50 mil exilados — seguiu para Jerusalém
junto com Zorobabel já em 538 a.C. (zc 4:6- 14 (Ed 1.5;
2.64,65).
Donald Stamps (2009, p. 709) cita uma estimativa
segundo a qual viviam na Babilônia “um milhão ou mais”
de judeus, o que demonstra a baixa adesão à convocação
de retorno, a despeito da inequívoca providência divina
que, por intermédio de Ciro, permitia a volta para
Jerusalém.
A esmagadora maioria dos judeus decidiu pelo que lhes
parecia mais cômodo: permanecer nas cidades que
ocupavam na Babilônia. O primeiro retorno é narrado do
capítulo 1 ao capítulo 6 do livro de Esdras. Entre o
capítulo 6 e o capítulo 7, há um intervalo de
aproximadamente 60 anos. É na segunda metade desse
período — um verdadeiro hiato histórico — que se
passam os fatos do livro de Ester, que preenchem uma
década da história (483 a 473 a.C.) e dão-se durante o
reinado de Assuero (Xerxes, em grego), imperador persa
de 486 a 465 a.C.
SINOPSE II
OS FATOS REGISTRADOS NO LIVRO DE ESTER
SE PASSAM NA CAPITAL DO IMPÉRIO PERSA,
SUSÃ, ENTRE O PRIMEIRO E O SEGUNDO
RETORNO DOS JUDEUS PARA JERUSALÉM.
III – PROPÓSITO E
MENSAGEM
1. A providência divina
A forma como os judeus adotaram o livro de
Ester e nele inspiram-se ao longo da história
demonstra o cumprimento do seu principal
propósito : o registro do misericordioso e
providencial cuidado de Deus com o seu
povo, a despeito das suas escolhas fora
do seu propósito. Há uma promessa feita a
Abraão (Gn 12.2,3). Nas suas perseguições e
perigo de extermínio, os judeus têm, nesse
livro, uma mensagem de consolo e esperança.
2. Uma falsa estabilidade
Quanto à mensagem principal, o livro de Ester adverte-
nos do grande perigo de confiar nas falsas
estabilidades que as estruturas do mundo oferecem e
que costumam parecer mais vantajosas. Estava tudo
indo muito bem em Susã até surgir a ordem de
destruição total dos judeus (Et 3.7-13). A falsa
segurança foi embora. O povo de Judá dependia
totalmente da intervenção divina para que não fosse
exterminado. Ester mostra Deus agindo mais uma vez,
movendo as estruturas humanas, agora no grande e
poderoso Império Persa. Seja qual for a circunstância,
é melhor confiar no Senhor do que no homem (Sl
118.8,9).
3. A Festa de Purim
O livro de Ester marca esse propósito principalmente
pela instituição da Festa de Purim, ordenada por
Mardoqueu depois do grande livramento que os judeus
receberam (Et 9.20-28). Purim é o plural da palavra
acadiana pur, podendo ser entendida como lançar
sortes. Conforme Ester 3.7, Hamã lançou sorte para
estabelecer o dia da morte dos judeus, mas a situação
acabou se invertendo, tornando motivo para
comemoração dos judeus. A festa, portanto,
comemora a frustração do nefasto plano de extermínio
diante da providencial ação divina para a libertação do
seu povo.
SINOPSE III
O PROPÓSITO DO LIVRO É REGISTRAR A
PROVIDÊNCIA DE DEUS COM SEU POVO;
SUA MENSAGEM É A RESPEITO DO
PERIGO DE SE CONFIAR NAS FALSAS
ESTABILIDADES
CONCLUSÃO
O LIVRO DE ESTER NO LEMBRA DE QUE
VIVEMOS NESTE MUNDO, MAS NÃO
DEVEMOS CONFIAR EM SUAS
ESTRUTURAS. TODOS OS REINOS DESTE
MUNDO PASSARÃO. POR ISSO, A PALAVRA
DE DEUS DIZ QUE A NOSSA CIDADE ESTÁ
NOS CÉUS, DONDE ESPERAMOS O
SALVADOR, O SENHOR JESUS CRISTO. Fp
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