Universidade Federal do Ceará
Aula 1 – Petrologia Metamórfica
• Prof.ª D.ª Lucilene Santos
O que são Rochas?
A maior parte sólida da Terra – composta por Rocha
Substâncias consolidadas que ocorrem naturalmente
Podem ser composta de:
Minerais
Outros pedaços de rocha
Materiais Fósseis (ex. conchas e plantas)
Resultantes de vários processos geológicos
Abaixo da superfície da Terra ou;
Em outras partes do Universo (meteoritos)
Podem ser estudadas e diferenciadas - agrupando tipos que
compartilham feição e composição semelhantes e os mesmos
O Ciclo das Rochas
Crosta Terrestre - Processos dinâmicos
Permite reciclagem de material rochoso
Rochas na superfície da Terra:
Intemperismo e erosão
(desestabilização e/ou decomposição – rochas preexistentes)
Sedimentos novas rochas (sedimentares) enterradas sob a
superfície
Rochas sob a superfície da Terra:
Movimentos de larga escala (Calor e Pressão)
Fraturas, deformação, e eventualmente fusão
novas rochas (metamórficas e ígneas)
O Ciclo das Rochas
Identificação de Rochas
Há várias feições da rochas que podem ser usadas na identificação
Tamanho e forma (grãos)
Cor
Determinação dos minerais constituintes
Os processos que produzem rochas Texturas e estruturas
características
Manchadas (e.g. rapakivi - granitos)
Foliação, dobras, bandamento (e.g. metamórficas, ígneas*)
Lavas rochas vítreas com estrutura de fluxo
Rochas Metamórficas
Rochas ígneas, sedimentares ou metamórficas, que sofreram
transformações no estado sólido (textura, mineralogia ou até mesmo
composição química), em resposta a novas condições físicas e /ou químicas a
que a rocha é submetida
Metamorfismo – Conjunto de processos que leva a geração de rochas
metamórficas. Está geralmente associado a processos tectônicos (Cada rocha
metamórfica registra um trajeto geodinâmico)
Locais onde pode ocorrer:
1 - Margens continentais ativas ou limite de placas convergentes.
2 – Próximo as dorsais meso-oceânicas
3 – Em torno dos corpos ígneos
4 – Ao longo dos planos de zonas de cisalhamentos
5 – Crateras de impactos de meteoritos
Fatores ou Variáveis do Metamorfismo
Modificações significativas das condições termodinâmicas ou das condições
geoquímicas originais da rocha levam a sua transformação
Fatores:
temperatura
pressão de carga ou litostática
pressão dirigida
pressão de fluidos
composição da rocha
composição da fase fluida
A velocidade com que se realiza esta transformação (cinética) depende
ainda de outros fatores intrínsecos e extrínsecos:
Fatores ou Variáveis do Metamorfismo
A velocidade com que se realiza esta transformação (cinética) depende
ainda de outros fatores intrínsecos e extrínsecos:
textura e cristalinidade da rocha
gradiente de modificação das condições
tempo geológico em que persistem as novas condições.
Fatores ou Variáveis do Metamorfismo
Cinética:
Uma intrusão magmática com temperatura muito elevada, mas aplicada
em breve espaço de tempo (como um sill pouco espesso de basalto por
exemplo) poderá resultar em menos transformações metamórficas do
que uma intrusão de temperatura menor mas realizada por longo tempo
geológico (como um batolito granítico por exemplo) porque o calor
transferido para a rocha encaixante não foi suficiente para desestabilizar
a paragênese mineral na mesma intensidade.
Já uma rocha com textura fina é mais suscetível a transformações
metamórficas do que uma de mesma composição química mas com
minerais bem desenvolvidos, porque ela apresenta uma maior superfície
entre cristais, ou seja, com mais energia iônica livre e, por isso, mais
reativa do que a rocha com minerais graúdos que estão solidamente
Fatores ou Variáveis do Metamorfismo
Temperatura
A partir de 2000C permite o
estabelecimento de novas ligações
químicas
Crescimento de minerais existentes
e/ou formação de novas estruturas
cristalina Recristalização
Novos minerais
Alteração da composição
Fatores ou Variáveis do Metamorfismo
Tensões
As rochas são sujeitas a tensões
litostáticas , não dirigidas ou confinantes,
não litostáticas ou dirigidas.
As tensões modificam:
a composição mineralógica da rocha,
o arranjo dos minerais (a textura da rocha).
Fatores ou Variáveis do Metamorfismo
Tensão litostática, confinante ou não orientada
Resulta do peso da massa rochosa
suprajacente.
exerce-se igualmente em todas as
direções,
provoca a diminuição do volume da
rocha,
aumenta a densidade dos minerais.
Crescimento de minerais existentes e/ou formação de
novas estruturas cristalina
i z a ção
r i s tal Novos minerais
Rec
Alteração da composição mineralógica da rocha
Fatores ou Variáveis do Metamorfismo
Tensão não litostática ou orientada
Resulta de forças tectónicas (compressivas,
distensivas ou de cisalhamento)
não se exerce igualmente em todas as
direções
provoca uma orientação preferencial
de certos minerais
Alteração da textura da rocha
Foliação
Fatores ou Variáveis do Metamorfismo
Tensão não litostática ou orientada
Foliação
Aspeto textural, resultante do
alinhamento preferencial de
minerais tabulares (ex. micas),
sob a ação de tensões não
litostáticas compressivas.
É perpendicular à direção da
tensão exercida.
Em rochas de baixa granularidade
só é visível ao microscópio.
Fissilidade é a capacidade da rocha se dividir em lâminas segundo os planos de
foliação.
À medida que o grau de metamorfismo aumenta a fissilidade diminui.
Fatores ou Variáveis do Metamorfismo
Fluidos
Durante o processo metamórfico as rochas podem entrar em
contacto com fluidos circulantes – soluções aquecidas e sob
pressão – libertados pelo magma ou água aquecida com
substâncias dissolvidas.
Se os fluidos penetram nas rochas
Troca de átomos e iões entre os minerais e o fluido
Recristalização
Alteração da composição mineralógica da rocha
Tempo
Os fenómenos metamórficos são extremamente lentos
Rochas Metamórficas
Tipos de Protólito
Tipos comuns de rochas ígneas e sedimentares dentro de seis grupos baseados
quimicamente
1. Ultramáficas - muito alto Mg, Fe, Ni, Cr
2. Máficas - alto Fe, Mg, and Ca
3. Xisto (pelítico) - alto Al, K, Si
4. Rochas Carbonáticas - alto Ca, Mg, CO2
5. Rochas Quartzosas – quase pura SiO2.
6. Rochas Quartzo-feldspáticas - alto Si, Na, K, Al
A natureza da maior parte das assembleias minerais
estáveis em uma rocha de uma dada composição é
uma consequência da minimização da energia livre de
Gibbs do sistema. Como G é uma função de P e T, há,
portanto, uma direta ligação entre uma paragênese e
suas condições de cristalização
Metamorfismo
Rochas como sistemas químicos:
Uma assembleia particular de coexistência de fases
(equilíbrio termodinâmico e regra de fase)
A mineralogia é dependente de P, T, X
Cada ponto no espaço P-T-X define um possível estado de
equilíbrio
Metamorfismo
Definição proposta pela IUGS-SCMR:
Metamorfismo é um processo subsolidus que leva à
mudança na mineralogia e/ou textura (e. g. granulação) e
frequentemente na composição química em uma rocha.
Estas mudanças são para condições físicas e/ou químicas
que diferem daquelas que normamente ocorrem na
superfície dos planetas e nas zonas de cimentação e
diagênese abaixo desta superfície.
Estas mudanças podem coexistir com fusão parcial.
Deformação apenas não conta: requer cristalização ou
recristalização
Metamorfismo
• Reequilíbrio termodinâmico de uma rocha sólida sob novas
condições de P-T-X.
• Transições isentálpicas e quase-adiabáticas em sistemas rochosos.
• Não envolve fusão completa: recristalização no estado sólido.
• Implica em reconfiguração mineralógica e textural orientada pelos
princípios da termodinâmica e da cinética.
• O metamorfismo é uma expressão direta da termodinâmica mineral
aplicada.
Reações, texturas e minerais refletem trajetórias distintas no tempo
e espaço
Ferramentas: modelos de equilíbrio, geotermobarometria,
Minerais Índices de Metamorfismo
Os Limites de Metamorfismo:
Baixa T – Grau limite na diagênese Processos
indistinguíveis.
Algumas zeólitas são consideradas diagenéticas e outras
metamórficas.
O limite é um tanto arbitrário
Marcado pela formação de minerais tais como laumontita,
analcima, heulandita, carpholita, paragonita, prehnita,
pumpellyita, lawsonita, glaucofânio ou stilpnomelano
Minerais Índices de Metamorfismo
Os Limites de Metamorfismo: T
Minerais Índices de Metamorfismo
Os Limites de Metamorfismo:
Alta T – Grau limite na fusão Distinção duvidosa.
Reconhecimento de produtos sólidos cristalizados de um
pequeno, alongado, e de granulação grossa e com
segregação transversal de granitoide em gnaisse?
Dique delgados de melt ou precipitados de fluidos, ou
recristalização de fluido herdado ao longo de fraturas
preenchidas por fluido?
A distinção entre um fluido aquoso saturado em silicato e
um melt silicático saturado em fluido
Agentes e Mudanças Metamórficos
Temperatura:
Tipicamente o fator mais importante no metamorfismo
O aumento da T tem vários efeitos
Recristalização aumentando o tamanho do grão
Maior razão superfície/volume de um mineral baixa
estabilidade
Coalescência
Conduz reações (endotérmica)
Consomem minerais instáveis novos minerais que são
estáveis sob novas condições
Supera barreiras cinéticas
Assembleias minerais são geralmente mais simples em graus
Agentes e Mudanças Metamórficos
Temperatura:
Baixa T - Limite
0 ºC para processos próximos à superfície, reações rocha-água
Convencionalmente, o termo metamorfismo implica T > 150-
200 ºC
Alta T - Limite
Em rochas crustais: 750-850 ºC (máx. registrado T~1150 ºC)
Em muitas áreas metamórficas de escala regional T não
excede ~650-700 ºC
Agentes e Mudanças Metamórficos
Pressão:
Gradientes “normais” perturbados em várias maneiras, mais
comumente:
Alta geoterma T/P nas áreas de atividade plutônica ou rifte
Baixa geoterma T/P em zonas de subducção
T raramente aumenta sem o acompanhamento do acréscimo da P (gradiente
geotérmico)
A maioria dos distúrbios são transitórios e eventualmente retorna ao
“normal”
Agentes e Mudanças Metamórficos
Pressão:
Baixa P - Limite
0,1 Mpa (1 bar) no contato do fluxo de lava com a superfície
Alta P - Limite
Algumas rochas coletadas na superfície da terra são
conhecidas por terem sido formadas em 100-200 km de
profundidade, = 3-6 Gpa (30-60 kbar)
Agentes e Mudanças Metamórficos
Grau metamórfico:
Um aumento genérico no grau do metamorfismo sem especificar a
relação exata entre temperatura e pressão:
Alta geoterma T/P nas áreas de atividade plutônica ou rifte
Baixa geoterma T/P em zonas de subducção
T raramente aumenta sem o acompanhamento do acréscimo da P (gradiente
geotérmico)
A maioria dos distúrbios são transitórios e eventualmente retorna ao
“normal”
Agentes e Mudanças Metamórficos Grau metamórfico
Alta trajetória T/P (baixa P)
minerais metamórficos
(baixa densidade) com o
aumento da T
Baixa trajetória T/P (alta P)
minerais mais densos
Minerais metamórficos comuns às rochas magmáticas
Ex. quartzo, feldspatos, moscovite, biotite, …
Minerais metamórficos comuns às rochas sedimentares
Ex. Calcite, …
Minerais específicos das rochas metamórficas
Ex. Clorite, Estaurolite, Granada, Cordierite, Epídoto,
Andaluzite, Cianite ou Distena e Silimanite.
Alguns minerais indicadores de metamorfismo
Baixo grau – clorite e epídoto
Médio grau – granada, estaurolite, andaluzite e biotite
Alto grau – silimanite
Transformação polimórfica
Os minerais polimorfos apresentam diferente estrutura cristalina,
determinada pela pressão e temperatura a que se geraram.
. Andaluzite – a baixa ou média temperatura e baixa
pressão.
. Cianite ou distena – a pressões elevadas.
. Silimanite – a temperaturas elevadas.
Minerais índice
Formam-se em condições restritas de pressão e de temperatura.
Permitem identificar as condições de P e T em que a rocha
metamórfica foi originada.
Ex. Minerais polimorfos Al2SiO5 :
• Distena ou Cianite,
• Andaluzite
• Silimanite
Rochas Metamórficas
Fácies Metamórfica
• Eskola 1914, 1915 (Finlândia e Noruega) – Associações minerais
• minerais metamórficos (baixa densidade) com o aumento da T
• Turner 1981
Conjunto de associações minerais, repetidamente associado no
espaço e no tempo, de tal maneira que há uma relação constante e
previsível entre composição mineral e composição química total da
rocha."
•
O conceito de fácies metamórficos relaciona-se, assim, a determinadas
condições de metamorfismo realizadas dentro de faixas de P e T próprias
de determinados ambientes geotectônicos e que propiciam a cristalização
de minerais metamórficos em várias paragêneses que são características
de cada tipo de rocha original metamorfizada.
Histórico - Metamorfismo
• Victor Goldschmidt (1888 – 1947) e Pentti Eskola (1883 – 1964)
• 1910 Noruega, 1914 Finlândia– Associações minerais
• 1920 Inglaterra
• 1940 França
• “Cada fácies representa um campo de estabilidade em um sistema
termodinâmico natural.”
(Eskola, 1920)
• “A estabilidade dos minerais em uma rocha metamórfica é controlada
pelas leis fundamentais da química e da física.”
(Goldschmidt, 1933)
Tipos de Metamorfismo
• Fator metamórfico predominante
Termal
Dinâmico
Dinamotermal
• Ambiente geológico
Expressão local
Regional
Ambiente tectônico
Tipos de Metamorfismo
Regional de alto grau:
Alta T, P variável (ex: cinturões colisionais)
Ex: gnaisses, granulitos
Metamorfismo de subducção:
Alta P, baixa T (ex: rochas azuis - lawsonita, glaucophana)
Metamorfismo térmico (contato):
Alta T, baixa P (proximidade de intrusões ígneas)
Forma aureólas concêntricas
Metamorfismo de impacto e cataclástico:
Pressão instantânea ou localizada (meteoritos, falhas)
Influência das Transformações de Fase
na Deformação (Brodie & Rutter,
1985)
• grãos finos podem favorecer a
fluência sensível ao tamanho de
grão, como observado na jadeíta de
grão fino (Rubie, 1990)
• grãos grossos podem favorecer a
fluência por discordância
(dislocation creep)
• a liberação de fluido pode causar
fragilização por desidratação
• ΔVreação pode induzir fluência por
difusão (diffusion creep)
• alterações na química por defeitos
pontuais
Mudança de paradigma: geocronologia para petrocronologia;
Relações de idade são fundamentais para o pensamento geológico –
•Geocronologia: uma rocha tem uma idade de formação, decifrar sua idade;
•Termocronologia: definir as histórias termais de rochas;
•Petrocronologia - uma rocha não tem uma única idade, mas sim os processos que atuaram
sobre ela possuem idades; ramo das ciências da terra baseado no estudo das amostras de
rocha que liga o tempo com processos formadores de rocha específicos e suas condições
físicas;
•Cronometria - quantificação do tempo (não requer informação sobre idades);
*relação entre os princípios estratigráficos e seus equivalentes para rochas cristalinas
Tempo x Metamorfismo
Textura + geoquímica = contexto para a idade
Condições termodinâmicas ideais não bastam: tempo é necessário
Exemplos: nucleação lenta de lawsonita, crescimento zonado de granada
Cinética define o que é preservado
Modelagem P-T-t
Aquecimento
Pico
Resfriamento
O tempo é a chave do registro metamórfico
A termodinâmica diz o que pode acontecer.
A cinética diz quando e com que velocidade.
Fatores: temperatura, tempo, tamanho de grão, fluido.
Cronologia relativa: baseada em difusão
Difusão: mobilidade de espécies químicas/isotópicas em resposta a um gradiente
composicional/isotópico
Difusividade depende da temperatura: D = D0^(-E/RT)
Gradientes armazenam a história difusiva de uma amostra;
Analisar o gradiente espacial (dC/dX) e inverter o perfil para determinar a história termal
da amostra;
Cronologia absoluta: baseada nas séries de decaimento radioativo - relação pai/filho(Sm-Nd,
U-Pb, K-Ar, Rb-Sr, etc.)
Petrocronologia: crescimento episódico/dissolução do zircão durante sua evolução P-T-D-t
Tipos de Metamorfismo
• Fator metamórfico predominante
Termal
Dinâmico
Dinamotermal
• Ambiente geológico
Expressão local
Regional
Ambiente tectônico
Metamorfismo de contacto
Ocorre em zonas adjacentes a áreas em que ocorre a libertação de
elevadas temperaturas
Ex. intrusão magmática, lava e colisão de meteorito.
Afeta uma pequena área da crosta metamorfismo local
Fatores de metamorfismo calor e fluidos
• Recristalização intensa
• Ausência de foliação
As rochas junto à intrusão
são metamorfizadas
Metamorfismo de contacto
Metamorfismo de contacto
A extensão da auréola de metamorfismo e o grau de metamorfismo
dependem da:
dimensão da intrusão,
temperatura do magma,
quantidade de fluidos libertados.
As rochas metamórficas resultantes dependem:
do tipo de rocha encaixante,
da temperatura libertada pelo magma,
da quantidade de fluidos que circulam nas rochas encaixantes.
Características comuns às rochas metamórficas geradas no metamorfismo
de contacto:
constituídas por minerais com dimensões semelhantes a grânulos,
com textura não foliada ou granoblástica (minerais visíveis a olho nu),
densas (os minerais ocupam menos espaço).
Metamorfismo de contacto
Rochas metamórficas de metamorfismo de contacto mais comuns
Corneana Quartzito Mármore
Origem Rocha argilosa; Arenito rico em Rocha
rocha junto à intrusão sílica carbonatada,
(Temperatura muito elevada) como o
calcário
Metamorfismo regional
Ocorre em zonas de convergência de placas
• Afeta grandes áreas na crosta
• Associado a mecanismos de deformação originados por forças
tectónicas (tensões compressivas)
Fatores de metamorfismo Tensões não litostáticas,
temperatura
fluidos
• Sucessiva recristalização
• Foliação
As rochas são
metamorfizadas
Metamorfismo regional
Metamorfismo regional
Gra
u de
me
t am
orfi
sm
o
As geotermas são variáveis como consequência do movimento da matéria: Tectônica de Placas
As geotermas são características de ambientes geodinâmicos concreto. O metamorfismo, portanto, também.
As geotermas são variáveis como consequência do movimento da matéria: Tectônica de Placas
As geotermas são características de ambientes geodinâmicos concreto. O metamorfismo, portanto, também.
Metamorfismo de fundo oceânico e orogênico (de subducção). Distorção da geoterma estável
Metamorfismo orogênico (colisão). Distorção da geoterma estável e trajetória P-T
Metamorfismo de Contato
Metamorfismo Hidrotermal
Reações Metamórficas
• Transformações polimórficas
• Mudança da ordem cristalina
• Miscibilidade e imiscibilidade
• Sólido + sólido sem liberação de gás
• Sólido + sólido com liberação de gás
• Sólido + fluido com produtos sólidos e liberação de gás
• De devolatização
• De oxi-redução com liberação de gás
As reações metamórficas podem ser descritas em termos de potenciais
químicos
Imagens BSE e RX
Análises quantitativas
Associações relictas (pré-pico), de pico térmico, retrógradas (pós-
pico)
Metamorfismo Progressivo e Retrógrado
• Os caminhos de reação metamórfica crescentes (progressivo), nos quais,
por exemplo, uma argila é convertida em um quartzo-mica-granada-
cianita xisto de alto grau, seguem a sequência de assembleias de fase
(uma série de fácies) que ocupa zonas entre isógradas sucessivas
• Em metamorfismo retrógrado, assembleias de mais alto grau são
substituídas por fases de mais baixo grau, claramente visível em escala
de microscópio
• Cristais individuais de andaluzita ou cordierita, biotita, granada ou
estaurolita podem ser vistos com bordos de clorita
Metamorfismo Progressivo e Retrógrado
• A maioria das reações de metamorfismo retrógrado envolve reações de
hidratação ou carbonatação.
• Normalmente elas podem ser aceleradas por intenso cisalhamento
localizado
• A razão principal de se estudar as assembleias minerais e de se determinar
as fácies metamórficas
Ausência de evidência textural
Qualquer assembleia de fase metamórfica representa um sistema
químico que se aproxima de um estado de equilíbrio governado por uma
variação limitada de P e T
Polifase vs. monofase
Polimetamorfismo/Monometamorfismo polifásico
Atmosfera 1 atm
Pascal 1 atm = 1,01325 x
105 Pa
Torr 1 atm = 760 torr
Bar 1 atm = 1,01325 bar
1 Pa = 1 N/m2
Processos de Metamorfismo
• Mudanças texturais e mineralógicas condicionadas por P e T
Processos de Metamorfismo
• Metamorfismo: Reorganização total (ou parcial) da matéria
Mudança textural (em geral, aumento do tamanho do grão)
Mudança na distribuição da matéria no espaço (diferenciação
metamórfica, com ou sem deformação)
Mudança na associação de fases
Mudança na composição das fases
Transformação metamórfica (+/- deformação)
Basalto a anfibolito
Séries pelíticas (filitos e xistos), vulcanosedimentares (xistos verdes), granitoides (gnaisses), calcários (mármores)
Kurt Bucher & Rodney Grapes Petrogenesis of Metamorphic Rocks, Springer-Verlag Berlin Heidelberg 2011
Mudanças metamórficas sempre levam a uma direção que tende a
restaurar o equilíbrio
• Os efeitos do metamorfismo incluem:
Recombinação química e crescimento de novos minerais, com ou sem
a adição de novos elementos a partir de fluidos e gases em circulaçao
Deformação e rotação dos grãos minerais constituintes
Recristalização de minerais em grãos maiores
Mélange –
Unidade rochosa de textura
caótica formada em regiões de
colisão de placas.
Metamorphic belt, Fanciscan Complex. Image Credit: MBG
•Mélange tectônica - Rocha presente no complexo de
subducção, com aspecto brechóide e matriz argilosa,
produzida por cisalhamento.
•Mélange ofiolítica - Mélange tectônica que inclui
fragmentos da crosta oceânica e de outros sedimentos,
que podem alcançar dimensões de até 1 km, imersos em
matriz argilosa.
Franciscan melange in the Central Valley of
California.
• Grau metamórfico
• Alta trajetória T/P
(baixa P)
• Minerais
metamórficos
(baixa
densidade) com o
aumento da T
• Baixa trajetória
T/P (alta P)
• Minerais mais
densos
Fatores ou Variáveis do Metamorfismo
Modificações significativas das condições termodinâmicas ou das condições
geoquímicas originais da rocha levam a sua transformação
Fatores:
temperatura
pressão de carga ou litostática
pressão dirigida
pressão de fluidos
composição da rocha
composição da fase fluida
A velocidade com que se realiza esta transformação (cinética) depende
ainda de outros fatores intrínsecos e extrínsecos:
Fatores ou Variáveis do Metamorfismo
A velocidade com que se realiza esta transformação (cinética) depende
ainda de outros fatores intrínsecos e extrínsecos:
textura e cristalinidade da rocha
gradiente de modificação das condições
tempo geológico em que persistem as novas condições.
Fatores ou Variáveis do Metamorfismo
Temperatura
Atingindo o limiar do mineral, o desestabiliza normalmente liberando
H2O e quando há carbonatos CO2
Quanto maior o aumento de T mais diminui a fase fluida
De onde vem o fluido?
Dos interstícios (poros e fendas)
Das superfícies dos minerais
Fatores ou Variáveis do Metamorfismo
Pressão
Uma rocha quando submetida as variações de P e T em seguida, a
variação se dá na composição mineralógica da rocha
Atingindo o limiar da temperatura de equilíbrio de um outro mineral
este vai se decompondo
Normalmente formando uma fase fluida (CO2 ou H2O)
Neste momento a pressão da fase fluida = pressão de carga
Isto causa um desequilíbrio químico devido processos como:
propriedades de H2O e CO2
Fatores ou Variáveis do Metamorfismo
Pressão
As sobrepressões criadas por fluidos numa rocha durante o
metamorfismo só vão ser igualadas outra vez com a pressão de carga
quando os fluidos forem expulsos do sistema
No caso de Pf = Pc podemos ter 7000 bar a 25 km
Mas Pf > Pc 7000 bar pode ser encontrado a 20 km
Fatores ou Variáveis do Metamorfismo
Pressão dirigida (stress)
É desprezível em relação ao que diz respeito à associação de minerais,
ficando assim apenas como um fator auxiliar
Tentativa de criar a “sobrepressão dirigida” – não perdurou devido o
metamorfismo ocorrer durante longos intervalos de tempo (enquanto a
temperatura se mantiver)
Fatores ou Variáveis do Metamorfismo
Pressão de carga (Pc)
A principal pressão atuante
250 a 300 bar/km
Desestabilização de minerais
Toma-se o cuidado devido a fase fluida porque esta cria uma Pf que
pode aumentar o grau da Pc – onde se soma mais pressão em
determinada profundidade
Quais os Processos por trás do Metamorfismo?
Classificação das Rochas Metamórficas
As rochas metamórficas são classificadas com base na textura e
composição (também mineralogicamente ou quimicamente)
Ao contrário das rochas ígneas, que têm sido afetadas por uma
proliferação de nomes específicos e locais, os nomes das rochas
metamórficas são simples e flexíveis
Podemos escolher alguns tipos de prefixo modificadores para
anexar aos nomes que ajudam salientar algum esforço (deformação)
importante, ou aspectos texturais ou mineralógicos importantes ou
incomuns
Classificação das Rochas Metamórficas
Rochas metamórficas foliadas
Foliação: qualquer elementos de trama planar
Lineação: qualquer elementos de trama linear
Clivagem: divisões regulares de planos subparalelos
Xistosidade: orientação preferencial de grãos minerais ou
agregados desses grãos
Estrutura gnaissica: xistosidade menos desenvolvida ou segregada
dentro de camadas por processos metamórficos
Classificação das Rochas Metamórficas
Rochas metamórficas foliadas
Exemplos
a - Ardósia
a: Ardósia
b - Filito
b: Filito
Classificação das Rochas Metamórficas
Rochas metamórficas foliadas
Exemplos
Xisto
(Granada muscovita xisto)
Classificação das Rochas Metamórficas
Rochas metamórficas foliadas
Exemplos
Gnaisse
Classificação das Rochas Metamórficas
Xisto quartzoso, microcrenulado Paragnaisse
intercalado com xisto,
apresentando dobras
e foliação
subverticalizada
Paragnaisse intercalado
com xisto, apresentando Dique de leucogranito
dobras e foliação fino cortando
Metagrauvaca
Grafita-filito quartzoso
Metagrauvacas (MG)
intercaladas aos filitos
Metaconglomerado
polimítico, com clastos cinza-
esverdeados
Metagrauvaca oxidada.
Destaques dos feldspatos
alterados
Classificação das Rochas Metamórficas
Rochas metamórficas específicas
Mármore: composta predominantimente de calcita ou dolomita. O protólito é
tipicamente calcário ou dolomito
Quartzito: composta predominantimente de quartzo. O protólito é tipicamente
arenito
Metaconglomerado: composta por fragmentos deformados de qualquer tipo de
rocha
Xisto verde: rocha metamórfica de baixo grau que tipicamente contém clorita,
actinolita, epidoto, e albita. O protólito é rocha ígnea máfica ou grauvaca
Anfibolito: rocha metamórfica dominada por hornblenda + plagioclásio; podem
ser foliados ou não. O protólito é rocha ígnea máfica ou grauvaca
Serpentinito: rocha ultramáfica metamorfisada em baixo grau; de modo que é
em sua maior parte constituída de serpentina
Classificação das Rochas Metamórficas
Rochas metamórficas específicas
Milonito: Rocha cataclástica de textura fina, bandeada ou "riscada" resultante da
"moagem" de rochas mais grosseiras ao longo de zonas de falhamentos (transcorrentes e
de empurrão), sem considerável recristalização. "Olhos" ou lentes miúdas da rocha original
podem ser mantidos, numa matriz fina escura. (Clorita, sericita, epidoto, actinolita)
Sibson (1977)
Protomilonito (10-50%)
Milonito (50-90%)
Ultramilonito (90%)
Meta-sedimentos, Meta-ígneas: Rochas que mantiveram a textura original da rocha pré-
existente (um arenito ou um basalto, por exemplo), mas sofreram recristalização e/ou
neoformação de minerais em condições metamórficas. Exemplos: Meta-arenito,
metaconglomerado.
Classificação das Rochas Metamórficas
Rochas metamórficas específicas
Xisto azul: rocha ígnea máfica metamorfisada portadora de anfibólio
azul ou grauvaca máfica
Eclogito: rocha metamórfica verde e vermelha que contém
clinopiroxênio e granada (onfacita + piropo). O protólito é tipicamente
basalto
Skarn: rocha carbonática metamorfisada por metamorfismo de contato.
Contém minerais calciosilicáticos, como grossulária e epidoto,
tremolita, vesuvianita, etc. (Tactito é um sinônimo)
Granulito: rocha de alto grau de origem pelítica, máfica, ou quartzo-
feldspática, que é predominantemente composta de minerais livres de
OH. Muscovita é ausente e plagioclásio e ortopiroxênio são comuns
Classificação das Rochas Metamórficas
Rochas metamórficas específicas
Migmatito: rocha de composição
silicática que é heterogênea numa
escala 1-10 cm, comumente tem uma
porção gnaissica escura
(melanossoma) e uma porção félsica
(leucossoma). Podem ser
acamadados, ou os leucossomas
podem ocorrer como “pods” ou
formar uma rede de veios cruzados
entre si
Classificação das Rochas Metamórficas
Termos modificadores adicionais
Porfiroblástico: mineral
metamórfico que se desenvolve
mais do que os outros. Cada cristal
individual é um porfiroblasto
Alguns porfiroblastos,
particularmente em metamorfismo
de contato de baixo grau, ocorrem
como “pontos” ovóides (Ex. em
filitos e hornfels)
Classificação das Rochas Metamórficas
Termos modificadores
adicionais
Augen: grãos minerais
semelhantes a olhos
Ex: Augen gnaisse
Classificação das Rochas Metamórficas
Termos modificadores adicionais
Orto: prefixo indicativo de um protólito ígneo
Para: prefixo indicativo de um protólito sedimentar
Ex: Ortognaisse, paragnaisse
Classificação das Rochas Metamórficas
Rochas de alto “strain”
Shatter cones em calcários
Como extrair as informações de Rochas
Metamórficas e Minerais para determinar as
condições sob as quais elas se formaram?
Texturas e Microestruturas de Rochas Metamórficas
Microestruturas relícticas
Blastoporfirítica quando ainda há fenocristais originais remanescentes
numa rocha ígnea metamorfizada;
Blastopsamítica quando ainda se reconhecem microestruturas
sedimentares (por exemplo grãos detríticos) em metarenitos.
Microestrutura bandada
Em metamorfitos de graus mais baixos (p. ex.: ardósias) o bandamento
pode representar o S0 reliquiar da rocha sedimentar primária, isto é, do
protólito.
Nos metamorfitos de graus mais elevados e principalmente naqueles que
foram submetidos a uma deformação, tal como gnaisses, o bandamento é
comumente gerado por diferenciação metamórfica e, portanto, não
representa um S0 reliquiar.
Texturas e Microestruturas de Rochas Metamórficas
Microestruturas relativas ao tamanho dos grãos
Grossa: tamanho médio dos cristais > 5mm.
Média: tamanho médio dos cristais entre 1 e 5mm.
Fina: tamanho médio dos cristais <1mm.
Equigranular e inequigranular
Texturas e Microestruturas de Rochas Metamórficas
Microestruturas referentes à perfeição de forma dos cristais
Cristal euédrico (= idioblástico)
Cristal subédrico (= subidioblástico)
Cristal anédrico (= xenoblástico)
Cristal esqueletiforme é um grão com forma esponjosa que constitui
filetes infiltrados entre grãos de outros minerais:
crescimento em porções da rocha deficientes nos elementos
formadores do mineral ou de um crescimento muito rápido
dissolução/alteração diferencial de cristal
Texturas e Microestruturas de Rochas Metamórficas
Microestruturas referentes à perfeição de forma dos cristais
Série Cristaloblástica (modificada de Philpotts, 1990)
Titanita, rutilo, pirita, magnetita Granada, sillimanita, cianita,
andaluzita, estaurolita, turmalina Epidoto, lawsonita, olivina
Piroxênio, anfibólio, wollastonita Micas, clorita, talco, stilpnomelana,
prehnita Carbonatos Feldspatos, cordierita, escapolita Quartzo MAIS
ANÉDRICO
Texturas e Microestruturas de Rochas Metamórficas
Microestruturas referentes à geometria dos grãos anédricos
Poligonal Interlobado Amebóide Suturado/Serrilhado
Termodinamicamente
mais instáveis
Texturas e Microestruturas de Rochas Metamórficas
Microestruturas referentes à geometria dos grãos anédricos
Ribbon: pode exibir feições de deformação interna
como extinção ondulante, lamelas de deformação,
subgrãos ou mesmo estar recristalizado internamente
em agregados de novos grãos.
Em certos tipos de gnaisses de alto grau e granulitos
também ocorrem cristais de quartzo alongados, porém
sem deformação interna, chamados de platty quartz (ou
Plattenquarz, no original alemão).
Alongado/discóide (ribbon)
(rochas miloníticas)
É provável que sejam o produto da recuperação de
cristais fortemente deformados, associada à migração
de borda de grãos e recristalização estática. Os cristais
seriam alongados porque outros minerais impediriam o
Texturas e Microestruturas de Rochas Metamórficas
Microestruturas referentes à geometria dos agregados de grãos
Granoblástica Lepidoblástica
Granolepidoblástica
Decussada Porfiroblástica, matriz lepidoblástic
Granonematoblástica
Texturas e Microestruturas de Rochas Metamórficas
Microestruturas referentes à geometria dos agregados de grãos
FOLIAÇÃO CONTÍNUA (não há micrólitons)
Clivagem ardosiana (granulação fina)
Xistosidade (granulação grossa)
Texturas e Microestruturas de Rochas Metamórficas
Microestruturas referentes à geometria dos agregados de grãos
Clivagem de crenulação Disjuntiva
FOLIAÇÃO ESPAÇADA (há micrólitons separando os domínios da
clivagem)
Gradacional Discreta
Texturas e Microestruturas de Rochas Metamórficas
Microestruturas referentes à geometria dos agregados de grãos
Porfiroblástica poiquiloblástica
Texturas e Microestruturas de Rochas Metamórficas
Microestruturas referentes à geometria dos agregados de grãos
Estágios de crescimento de um porfiroblasto através da reação química entre dois minerais, um
granoblástico e o outro tabular.
Texturas e Microestruturas de Rochas Metamórficas
Microestruturas referentes à geometria dos agregados de grãos
Cataclástica Milonítica P=porfiroclasto
Núcleo-manto
Texturas e Microestruturas de Rochas Metamórficas
Microestruturas indicativas da relação temporal entre blastese e
deformação
As nove relações diagnósticas entre porfiroblastos e matriz (modificado de Zwart, 1962) para
identificar cristalização antes, durante ou após um determinado evento de deformação
Texturas e Microestruturas de Rochas Metamórficas
Microestruturas indicativas da relação temporal entre blastese e
deformação
Porfiroblasto sin-tectônico gerado durante
a crenulação da foliação mais antiga S1.
Observa-se que S2 (plano axial das
microdobras) está encurvada nas
adjacências do porfiroblasto.
Texturas e Microestruturas de
Rochas Metamórficas
Fatores especiais
Zeólitas: A estrutura em canais
torna-as úteis para engenharia.
Texturas comuns: em fissuras,
alteração de feldspatos ou vidros.