Respostas
1. Intoxicação alimentar. Agente provável:
Salmonella
2. Não é necessário o internamento fazer o
tratamento em ambulatório- Trata-se de um
doente do grupo A.
• Deve tratar a febre e cefaleia, com paracetamol oral
500 mg de 6 em 6 horas por 1 dia
Aparelho Gastrointestinal
Parasitoses Intestinais
INSTITUTO TÉCNICO LEGENDA
Introdução
• Estima-se que cerca de 1 bilhão de indivíduos em
todo mundo alberguem Ascaris lumbricoides e um
pequeno número esteja infestado por Trichuris
trichiura. Estima-se, também, que 200 e 400
milhões de indivíduos, respectivamente, alberguem
Giardia duodenalis e Entamoeba histolytica
(FERREIRA, 2000)
Introdução
• No nosso país, a prevalência geral de parasitoses intestinais
observada num estudo que teve como grupo alvo alunos das
escolas primárias de todo o país com idades compreendidas
entre 7 -22 anos, foi de 47,9% em crianças <10 anos, 45,5%
em crianças entre 10-14 anos e 44% em crianças >14 anos,
sendo que as regiões norte e centro do país foram as mais
afectadas (Gerito Augusto et al, 2005-2007).
• O mesmo estudo mostrou as seguintes prevalências:
• Ascaris lumbricoides – 65.8%
• Giardia lamblia – 19%
• As parasitoses mais comuns em Moçambique e de
interesse clínico são:
• Giardiase (Giardia lamblia)
• Ascaridiase (Ascaris lumbricóides)
• Estronguiloidiase (Strongyloides stercoralis)
• Ancilostomiase (Ancylostoma duodenale)
• Teniase (Taenia solium e Taenia saginata)
• Tricuríase (Trichuris trichiura Tricocefalíase)
• Amebiase (E. Histolytica)
• Oxiuriase (Oxiurus vermiculares Oxiuríase ou
Giardíase (Giardia
lamblia)
• É uma infecção de transmissão fecal-oral e atinge principalmente a
porção superior do intestino delgado.
• Ciclo de vida
• Os cistos excretados nas fezes de indivíduos infectados ou
portadores sobrevivem por várias semanas a meses no ambiente,
podendo ser ingeridos através de água ou alimentos contaminados.
• No duodeno transformam-se em trofozoítos, onde se multiplicam e
se fixam na mucosa, causando inflamação que pode ser sintomática
(principalmente nos imunodeprimidos) ou assintomática, na maior
parte dos indivíduos.
Quadro clínico
• Após 1 a 3 semanas de incubação, a infecção sintomática
pode apresentar-se através de diarreia acompanhada de
dor abdominal (periumbilical), e sintomas constitucionais
como fraqueza, anorexia, náuseas, vómitos e por vezes
artralgia.
• Ao exame físico pode-se identificar distensão abdominal
e por vezes algum desconforto à palpação.
• MAD: visualização de quistos no exame a fresco das fezes
(3 amostras)
Tratamento
• O tratamento medicamentoso deve ser feito
somente em pacientes sintomáticos
• Metronidazol Adultos: 2 g de preferência numa
toma única ou, alternativamente 500 mg de 8/8 h
durante 5 dias.
Ascaridiase (Ascaris
lumbricóides)
• A ascaridiase é causada pelo Ascaris lumbricóides,
popularmente conhecido como "lombriga"
• É a helmintíase de maior prevalência no mundo
acometendo cerca de 30% da população mundial.
• Em Moçambique é a parasitose mais frequente
(65.8% de prevalência).
Transmissão
• Ingestão de ovos embrionados com larvas de
segundo estadio através de alimentos
contaminados
• Cada fêmea pode pôr 200.000 ovos por dia,
durante 1 ano
Ciclo de vida
• A fêmea deve ser fecundada repetida vezes pelo
macho e os espermatozoides acumulam se nos
úteros onde os ovos são fertilizados a medida que
ai passam.
• Esses ovos são eliminados com as fezes
• O embrionamento dos ovos dà-se no meio exterior
na presença de oxigénio,temperatura e humidade
(25-35°C)
Cont....
• Ovos embrionados com larvas L2 são ingeridos com
alimentos e água contaminados;
• No ID eclodem as larvas L2, com ajuda de estimulos
fornecidos pelo hospedeiro*CO2
• A larva que sai do ovo é aeróbica e não consegue
desenvolver se na cavidade intestinal.
• Estas invadem a mucosa intestinal e penetram na circulação
sanguinea---- através do sistema porta intra hepático ou do
canal toráxico chegam ao coração direito e são levadas ao
pulmão(5-6 dias depois da ingestão);
Cont...
• No nono dia transformam se em L3 cujo o sexo já
é reconhecido e nos alvéolos pulmonares realizam
a sua terceira muda * L4
• Nos brônquios os parasitas são arrastados pelos
movimentos ciliares da mucosa e sobem pela
traqueia e laringe.
• Aqui são deglutidas e alcançam passivamente o
estômago e o ID e tornam se aeróbios facultativos
Cont...
• No intestino quando alcançam 3 a 6mm da-se a
quarta muda e transformam-se em adultos e • A
reprodução é sexuada.
• A duração o ciclo ovo a ovo requer um minimo de
dois meses
• A longevidade do ascaris adulto e estimada em dois
anos.
Quadro clínico
• Fase de invasão larvaria
• Pequenos focos hemorragicos , necrose e reacção
inflamatoria em torno das larvas devido a migração
das mesmas.
• Pode haver aumento do volume do figado
• Nas crianças ocorre a Sindrome de Loeffler
Quadro clínico
• Infecção intestinal
• Podem permanecer sem molestar o hospedeiro e
serem descobertos quando eliminados nas fezes.
• Desconforto abdominal, nauseas , perda de
apetite
• É comum eliminar os vermes pela boca, pelas
narinas ou pelo ânus, antes ou durante o quadro
clínico
Complicações
• Apendicite;
• Pancreatite hemorrágica (obstrução da ampola de
Vater e do ducto de Wirsung);
• Colestase e colangite (obstrução da ampola de
Vater e árvore biliar);
• Abcesso hepático (ascensão dos vermes para o
interior do parênquima hepático);
• Asfixia (obstrução de vias aéreas ou cânula
traqueal).
Exames auxiliares e
Diagnóstico
• O diagnóstico faz-se através da visualização de ovos
de áscaris nas fezes ao microscópio
• Também pode-se observar uma eosinofilia no
hemograma
• Infiltrado parenquimatoso à radiografia do tórax,
correspondente à pneumonite larvária.
• Radiografia do abdómen pode revelar a imagem
típica da obstrução intestinal mecânica
Tratamento
• Forma intestinal não oclusiva:
• Albendazol comprimidos de 400mg
• Mebendazol comprimidos de 100 mg: 100 mg de
12/12 horas durante 3 dias.
• Oclusão intestinal e Sindrome de Loeffler
(pneumonite larvária): Refira para o médico.
Estrongilóides (Strongyloides
stercoralis)
• Ciclo de vida
• Este parasita vive no intestino delgado humano
• As larvas saem de um hospedeiro junto com as
fezes entram em outro pela pele dos pés. São
carregadas pela corrente sanguínea até a região
dos pulmões, invadem a traqueia, migram para o
trato digestivo e se instalam no intestino delgado
para amadurecer e produzir ovos.
Quadro clínico
• Na forma intestinal, são descritas manifestações
como anorexia, náuseas, vómitos, distensão
abdominal, dor em cólica ou queimação, muitas
vezes no epigástrio (síndrome pseudo-ulcerosa),
diarreia secretora ou esteatorreia, desnutrição
protéico-calórica.
• A dermatite larvária pode ocorrer nos pés, mãos,
nas nádegas ou na região anogenital, locais onde as
larvas penetram.
• A pneumonite larvária é menos frequente que na
ascaridíase.
MAD e Tratamento
• Exames auxiliares e Diagnóstico
• O diagnóstico pode ser feito pelo achado de larvas
no exame de fezes.
• O hemograma revela eosinofilia.
• Tratamento
• O tratamento deve ser:
• Albendazol comp. 400 mg: 400 mg 2x/dia, durante
3 dias consecutivos. Pode se repetir o tratamento
passadas 3 semanas.
Teníase /Cisticercose (Taenia
solium e Taenia saginata)
• A teníase é causada pela ingestão de carne de
porco mal cozida, contaminada pelo cisticerco
(forma larvária) da T. solium e pela ingestão de
carne de boi mal cozida contaminada pelo
cisticerco da T. saginata.
Quadro clínico
• A teníase é na maioria dos casos assintomática.
• Alguns sintomas são atribuídos a essa parasitose
intestinal: fadiga, irritação, cefaleia, tontura,
polifagia, anorexia, náuseas, dor abdominal, perda
de peso, diarreia e/ou constipação, urticária.
MAD e Tratamento
• Exames auxiliares e Diagnóstico
• O diagnóstico da teníase faz-se pelo achado de
proglotes nas fezes ou nas roupas íntimas ou
lençóis. Eosinofilia no hemograma
• Tratamento
• Praziquantel comprimido 600 mg, na dose de 10
mg/kg numa dose única
• Albendazol 400mg durante 3 dias consecutivos.
Oxiuríase ou Enterobíase
(Enterobius vermiculares ou
Oxiurus vermiculares)
• Ciclo de vida
• A fêmea fecundada migra para a região anal onde
faz a postura dos ovos.
• Sua presença nesta região causa intenso prurido.
• O homem é o único hospedeiro e sua transmissão
ocorre de pessoa a pessoa, ou pela auto-infecção
(ingestão de ovos a partir das mãos contaminadas).
• Os ovos ingeridos liberam as larvas no intestino e
estas se fixam no cólon. O ciclo é de 30 a 50 dias
até a evolução para a forma adulta.
Quadro clínico
• O sintoma mais frequente é o prurido anal
nocturno.
• No sexo feminino pode ocorrer a migração dos
vermes para a genitália, levando a vulvovaginite
secundária, com corrimento amarelado e fétido.
• Outros sintomas descritos são cólicas abdominais,
náuseas e tenesmo.
MAD e Tratamento
• Exames auxiliares e Diagnóstico
• O método do fita adesiva
• Tratamento
• O tratamento pode ser feito com mebendazol ou Albendazol.
• O tratamento deve ser repetido após 15 dias para controlar a
re-infecção.
• É importante tratar toda a família (indivíduos que moram na
mesma casa)
Ancilostomiase (Ancylostoma
duodenale)
• É uma parasitose intestinal causada pelo
Ancylostoma duodenale e/ou pelo Necator
americanus.
Ciclo de vida
PREVENÇÃO
• O tratamento adequado das fezes (uso correcto de
latrinas e sanitas)
• O tratamento adequado da água (clorar ou ferver por 5
min).
• O tratamento adequado dos alimentos (lavar, armazenar
em sítios frescos e limpos, cozinhá-los bem)
• Os hábitos de higiene (lavar as mãos antes de comer e
depois de usar a casa de banho, tomar banho com água
e sabão pelo menos 2x por dia)
• Desparasitação regular nas áreas endémicas para evitar
a reinfestação (de 6 em 6 meses).
Tratamento Massivo e
Periódico de Parasitoses
• No nosso país, as normas recomendam o
tratamento periódico com desparasitantes para as
crianças e mulheres grávidas
• O uso do Mebendazol ou Albendazol foi
preconizado para desparasitação de rotina nas
escolas e nas unidades sanitárias, bem como em
campanhas de saúde.