Estomatologia
prof : Julma Angélica Sissimo
Tema : Exames complementares
• Assim como ocorre em outras áreas, os exames
laboratoriais são imprescindíveis para que o
odontologista compreenda as reais necessidades de um
paciente e identifique os tratamentos mais adequados
com base nas informações coletadas.
• Isso ocorre porque muitas condições de saúde podem
comprometer o andamento de um tratamento,
demandando mais cautela nas etapas de pré e pós-
operatório, por exemplo.
• Na prática, são considerados exames laboratoriais
quaisquer procedimentos complementares de análise,
sendo que os mais comuns consistem na coleta de
sangue, urina e radiografias. Ou seja, exames
bioquímicos e de imagem.
• Assim, de modo a otimizar os diagnósticos e
tratamentos, desde 2010 os cirurgiões-dentistas podem
solicitar análises complementares e internações, desde
que identifique na solicitação os riscos envolvidos e que
o pedido esteja de acordo com sua área de atuação
• A realização de exames laboratoriais é muito
importante para conhecer as reais necessidades do
paciente, avaliando condições que podem interferir nos
tratamentos ou identificar os procedimentos e
medicações que podem ser utilizados.
• Assim, de um modo geral, dentre os principais objetivos
para que um profissional solicite avaliações
complementares estão:
• assegurar a saúde integral dos pacientes;
• realizar um diagnóstico com mais precisão;
• fazer um planejamento para o tratamento;
• evitar complicações e intervenções e
• acompanhar a evolução do caso clínico.
• Desse modo, os exames laboratoriais poderão auxiliar
nas decisões relacionadas ao tratamento, seus
preparativos e a própria recuperação do paciente.
• No caso de um tratamento de canal, por exemplo, o
profissional conseguirá avaliar a
necessidade/possibilidade do uso de anestesia, as
reações que a substância pode causar e, em alguns
casos, a necessidade de reaplicação, além da
predisposição a inflamações que podem ocorrer. Nesses
casos, o adiamento dos tratamentos ou medidas de
controle durante a cirurgia podem ser adotados com
mais segurança, evitando complicações
• Para que essa identificação e resposta ágil seja possível,
é imprescindível que os exames sejam realizados e
que a boa análise clínica do material seja feita. Isso
porque, por mais que as informações do histórico do
paciente obtidas por meio da anamnese sejam
importantes – e cabe dizer que são fundamentais –
algumas patologias e condições sistêmicas ainda
podem ser desconhecidas
• Desse modo, apenas com a realização das análises
laboratoriais será possível aplicar o tratamento correto
e, se necessário, direcionar o paciente para um
atendimento complementar. Isso possibilitará a
resolução e/ou o acompanhamento de patologias
diversas, como a diabetes e a anemia.
Patologias e adequações
• A odontologia visa atender e tratar pacientes diversos
para a promoção e acompanhamento da saúde bucal e
promover um bem-estar estético relacionados à face.
Mais ainda, devem ser consultados por aqueles que
necessitam de intervenções para o tratamento de
inflamações e dores relacionadas à boca
• Com a melhoria das tecnologias usadas em todas as
áreas da saúde, o aumento da preocupação com ela e a
adoção de hábitos mais saudáveis, dentre outras
variantes, ocorreu e com isso a longevidade
populacional tende a crescer.
• Por esse motivo, cada vez mais os consultórios
odontológicos recebem pacientes que demandam
atenção por conta das diversas condições sistêmicas.
• Dentre os pacientes estão os diabéticos, cardiopatas,
pessoas com problemas renais, bem como outras
síndromes que podem impactar na imunidade, controle
do tratamento e no combate aos vírus, bactérias e
inflamações.
• Essas doenças, apesar de demandarem cuidado, não
impedem que procedimentos como a extração de
dente sejam feitos, desde que as condições
estejam/possam ser controladas durante o tratamento.
• Cabe dizer ainda que muitas dessas condições podem
não ser percebidas em um primeiro momento.
• Por esse motivo os pacientes devem informar o
profissional acerca de qualquer condição de saúde,
assim como os exames laboratoriais se mostram ainda
mais necessários – garantindo a segurança e o conforto
Hemograma
• O baixo custo e a quantidade de informações são os
principais diferenciais desses exames, tornando-o um
dos mais solicitados em clínicas e consultórios. Outro
fator importante a ser considerado é a facilidade de
realização do procedimento e coleta de materiais para
análise.
• Isso porque com apenas a amostra de sangue é possível
avaliar condições diversas do organismo do paciente.
Quadro 1: Principais valores referenciais do hemograma na prática
odontológica Faixa Etária Exames – Valores Referenciais
Hemácias: 4.000.000 a 5.200.000/mm3
Hemoglobina: 11,5 a 15,5 g/dL
Hematócrito: 35,0 a 45,0 %
Crianças Plaquetas: 150.000 a 450.000/mm3
Contagem total de leucócitos: 5.000 a
13.000/mm3 Neutrófilos: 1.800 a 8.000/ml; 45 a
75 %.
Hemácias: 3.800.000 a 5.200.000/mm3
Hemoglobina: 12,0 a 16,0 g/dL
Hematócrito: 35,0 a 47,0 %
Adultos (feminino) Plaquetas: 150.000 a 450.000/mm3
Contagem total de leucócitos: 4.000 a
11.000/mm3 Neutrófilos: 1.800 a 7.500/ml; 45 a
75 %.
Hemácias: 4.400.000 a 5.900.000/mm3
Hemoglobina: 13,0 a 18,0 g/dL
Hematócrito: 40,0 a 52,0 %
Adultos (masculino) Plaquetas: 150.000 a 450.000/mm3
Contagem total de leucócitos: 4.500 a
11.000/mm3 Neutrófilos: 1.800 a 7.500/ml; 45 a
75 %.
• Na prática, o hemograma é composto por três análises
obtidas a partir de uma mesma amostra. Assim,
conforme a solicitação do profissional, é possível
realizar a averiguação de um hemograma completo,
como é conhecido o exame
• Ele auxilia na definição de tratamentos e
estratégias de prevenção, principalmente em casos
cirúrgicos, além dos procedimentos de preparação do
paciente para a intervenção e cuidados no pós-
operatório.
Eritrograma ou séries vermelhas
• Essa análise consiste na avaliação sobre as condições
relacionadas aos glóbulos vermelhos, também
conhecidos como hemácias. É o elemento mais
abundante no sangue periférico, usado para a avaliação
da saúde do paciente, sendo que a hemoglobina é o
principal componente desse material.
• Na prática, as hemácias tem como função levar o
oxigênio, gás carbônico e diversos nutrientes para os
tecidos corporais. Sua análise é feita para identificar
fatores relacionados à morfologia, falha medular e
anemias/policitemia. Por conta disso, é preciso
uma análise precisa do sangue coletado, identificado
as quantidades ideais dos materiais
• Desse modo, é possível avaliar os possíveis impactos
que os tratamentos e intervenções cirúrgicas trarão
para o corpo do paciente, como fatores relacionados às
alterações na cicatrização e hematológicas. Isso se
torna ainda mais essencial em procedimentos mais
invasivos, como extrações dentárias, procedimentos
periodontais e o impla
• Assim, no caso de procedimentos como o implante
dentario é possível prever o comportamento do
organismo na aceitação da prótese e cicatrização, bem
como adequar os processos pré-operatórios.
Série plaquetária
• As plaquetas são produzidas na medula óssea e podem
ser usadas para avaliar possibilidades de hemorragias,
presença de processos trombóticos,
doenças autoimunes que podem impactar nos
tratamentos e o funcionamento da própria medula
• Isso significa que no exame a quantidade de plaquetas
vai auxiliar no entendimento do processo de coagulação
do paciente, o que é determinante nos tratamentos
invasivos. Ele também auxilia na definição dos cuidados
que devem ser tomados em tratamentos que, mesmo
mais superficiais, serão realizados em pacientes com
problemas já pré existentes, como é o caso da diabetes.
• Cabe ressaltar que por conta do ciclo circadiano, em
caso de haver a necessidade de refazer o exame para
avaliação de alguma irregularidade, o mais indicado é
que a coleta seja feita no mesmo horário. Caso haja a
confirmação da condição de trombocitopenia (quando
as plaquetas estão abaixo do normal) pode haver o
risco de processos hemorrágicos mesmo em cirurgias
simples.
• Nesses casos, o mais indicado é que a condição seja
controlada e o tratamento adiado.
• Já em caso de doenças que já afetam esse aspecto,
durante o tratamento é necessário um
acompanhamento cuidadoso, de modo a iniciar
intervenções ou realizar medicações antes/durante o
procedimento.
Leucograma ou séries brancas
• O leucograma avalia a quantidade e qualidade dos
glóbulos brancos presentes no sangue, elemento
determinante para a defesa do organismo.
• Para a avaliação, há a contagem absoluta e relativa do
material presente, contribuindo para a identificação de
processos infecciosos, sejam eles originados de vírus,
bactérias ou parasitas. Também é possível identificar
doenças no sangue e os processos alérgicos do
paciente.
• Assim, quando a quantidade de glóbulos está em alta
quantidade (leucocitose) pode indicar infecções. Já o
número reduzido de material (leucopenia) pode sinalizar
depressão na medula. Com relação a identificação de
infecções, sejam bacterianas ou por vírus, o número
pode determinar se já há uma infecção ou se o paciente
está mais sensível às complicações
• Assim, conforme o resultado, a indicação é recorrer ao
atendimento de um clínico para realizar o tratamento
adequado, de modo a reduzir o risco de infecção no
pós-operatório. O atendimento
multiprofissional também é recomendado nesse
contexto, garantindo o acompanhamento adequado das
condições de saúde do paciente e a segurança durante
os tratamentos
• Cabe ressaltar ainda que além dos exames
laboratoriais de análise biológica, muitos procedimentos
são realizados de modo a identificar os aspectos
relacionados ao próprio tratamento dental e as
condições dessa estrutura.
• Para isso os exames de imagem se destacam,
contribuindo com a identificação de quais os
tratamentos mais adequados e qual o planejamento a
ser adotado em cada caso.
Radiografias
• As radiografias consistem em exames de imagem
realizados para identificar a presença de lesões, cáries e
condições específicas na estrutura bucal. Desse modo,
é possível definir quais os procedimentos mais
adequados. Com isso, tratamentos para lesões ósseas e
para o alinhamento dental, por exemplo, são realizados
com mais precisão
• Por esse motivo, é um exame muito utilizado para início
e acompanhamento de tratamentos ortodônticos e para
a realização de implantes, extração dental e cirurgias
no maxilar.
• Desse modo, o planejamento dos processos utilizados e
a análise da evolução do caso também podem ser feitas
com mais precisão. Inclusive, é um fator que contribui
para a definição de
quanto custa uma restauração de dente.
• Na prática, o exame realiza a captura de imagens por
meio dos raios x, que atravessam o corpo humano
registrando as barreiras encontradas nesse processo,
conforme a densidade dos órgãos.
• Com isso, podem avaliar condições como a presença de
inflamações, cáries, dentes em excesso ou faltantes,
tumores e especificidades para produção de peças
usadas em tratamentos. O exame pode ser feito na
totalidade da boca ou em um espaço mais restrito da
cavidade.
Periapical
• Esse exame de raio-x permite a visualização dos
detalhes de um dente específico ou de um grupo
reduzido, bem como das estruturas mais próximas –
como o osso que apoia esses dentes.
• É usado para avaliar coroas, raízes, cáries e lesões,
podendo ser feito no próprio consultório.
• Para a realização do exame o paciente deve apoiar um
molde com a chapa colocada na parte que ficará dentro
da boca, possibilitando o registro da imagem.
Interproximal
• Permite a visualização das arcadas dentárias (inferior e
superior), mostrando como ocorre o contato entre os
dentes nessa estrutura.
• É utilizada para identificação de cáries nas faces
interproximais, ou seja, que se localizam entre os
dentes.
• Para a realização do exame é preciso utilizar um molde
de metal que refletirá os feixes dos raios x
Panorâmica
• O exame utiliza um aparelho giratório em formato de U
invertido, no qual o paciente fica posicionado no centro.
• Com ele é possível obter uma única imagem que
fornece uma visão completa dos dentes, arcadas,
articulações da mandíbula e maxilar, além da área
nasal.
• Para isso, o maquinário realiza um movimento de
rotação no espaço da cabeça, enquanto o paciente
apoia o queixo no suporte central da máquina.
• Como há, ainda, uma haste para a região da boca, o
paciente deve ficar imóvel e prender a mordida nesse
material, possibilitando uma visualização mais ampla da
cavidade bucal.
• Por conta disso é um procedimento essencial para o
planejamento e acompanhamento de tratamentos
ortodônticos
Oclusal
• Já o exame de radiografia oclusal permite a visualização
das extremidades da boca, permitindo a avaliação de
dentes extras ou que ainda não nasceram.
• Para que sua realização seja possível, o paciente deve
ficar com uma película radiográfica na boca.
• Após a mordida do material, o maquinário é posicionado
no ângulo de oclusão (perpendicular/diagonal) do
paciente e a área a ser avaliada.
• É um procedimento bastante usado na odontopediatria
para acompanhar o crescimento dos dentes, mas
também auxilia na identificação de fraturas, dentes
inclusos (abaixo da gengiva) e para verificar qualidade
da raiz do dente.
Radiografia digital
• Com o advento da tecnologia, os aparelhos de raio-x
conseguem enviar as imagens e informações de
circuitos direto para o computador, “imprimindo” a
imagem de forma digital.
• Por terem placas mais sensíveis que os filmes usados
nos exames tradicionais, o processo e a obtenção do
resultado ocorrem mais rapidamente, tornando-o mais
eficiente e seguro.
Considerações finais
• Os exames biológicos e de imagens são ferramentas
complementares aos processos odontológicos,
permitindo o diagnóstico e acompanhamento adequado
do paciente.
• Isso porque auxiliam no planejamento de tratamentos,
criação de medidas preventivas e de intervenção, além
de possibilitar a identificação de alternativas
terapêuticas. Contudo, para isso, é preciso uma leitura
correta dos materiais coletados.
• Em relação aos exames de sangue que podem ser
realizados, sua importância se destaca pela
possibilidade de avaliar riscos cirúrgicos, de modo a
prevenir complicações no tratamento.
• Além disso, consegue-se prevenir
infecções secundárias e processos hemorrágicos,
dentre outras complicações, ao identificar fatores como
má cicatrização e predisposições hematológicas.
• Já as radiografias contribuem para a identificação de
diversos problemas odontológicos, direcionando os
procedimentos que podem ser realizados de acordo
com as especificidades encontradas.
• Por esse motivo, mesmo que o cirurgião não tenha
conhecimento das patologias e condições sistêmicas do
paciente, é possível obter tais informações e
proporcionar um tratamento seguro e eficaz.
Referências
• Elias R; Christofaro M, Hid FB. Atendimento odontológico
ao paciente portador de doença de Von Willebrand,
2004. [acesso em 20 nov 2013]. Disponível em:
[Link] [Link]/acervo_detalhes.asp?Id=2
• Torres JF, Orte ME, Bohorquez MA, Higaldo G, Ramos CA,
Sanz R, et al. As diferenças entre o hematócrito,
hemoglobina observada e estimada e a sua importância
no diagnóstico de anemia na população costeira da
Venezuela: análise do segundo inquérito nacional de
crescimento e desenvolvimento humano. SENACREDH.
Peru Exp Rev Med Saúde Pública 2011;28(1).
Obrigada... Bons Estudos