Saúde Mental no SUS - Rede de Atenção
Psicossocial
Vera Pasini
UFRGS
As Redes de Atenção à Saúde (RAS)
• proposição de modos de organizar as ações e
serviços de saúde, de diferentes densidades
tecnológicas;
• garantir a integralidade do cuidado por meio
de sistemas de apoio técnico, logístico e de
gestão (Ministério da Saúde, 2010 – portaria
nº 4.279, de 30/12/2010).
NENHUM SERVIÇO SOZINHO DÁ CONTA!
Por que organizar a saúde em rede no SUS?
• organização da atenção e da gestão do SUS caracterizada
por intensa fragmentação de serviços, programas, ações e
práticas clínicas:
• Falta de oferta de serviços importantes;
• financiamento público insuficiente, fragmentado e mal
empregado;
• incoerência entre a oferta de serviços e a necessidade de
atenção (relação entre condições agudas e crônicas);
• precarização do trabalho e carência de profissionais em
número e alinhamento com a política pública;
• pulverização dos serviços nos municípios; pouca inserção
da Vigilância e Promoção em Saúde no cotidiano dos
serviços de atenção, especialmente na Atenção Primária
em Saúde (APS)
Objetivo da RAS:
• promover a integração sistêmica, de ações e
serviços de saúde com provisão de atenção
contínua, integral, de qualidade, responsável
e humanizada, bem como incrementar o
desempenho do Sistema, em termos de
acesso, equidade, eficácia clínica e sanitária;
e eficiência econômica.
Atenção Primária à Saúde (APS)
• Ênfase na função resolutiva dos cuidados
primários sobre os problemas mais comuns de
saúde e coordenação do cuidado em todos os
pontos de atenção.
• Atenção Primária em Saúde deve estar
estruturada como primeiro nível de atenção e
porta de entrada do sistema, constituída de
equipe multidisciplinar que cobre toda a
população, integrando, coordenando o cuidado,
e atendendo as suas necessidades de saúde.
Rede de Atenção Psicossocial - RAPS
• Portaria Nº 3.038, Dezembro de 2011 -
Instituí a Rede de Atenção Psicossocial.
Objetivo da RAPS
• criação, ampliação e articulação de pontos de
atenção à saúde para pessoas com sofrimento
ou transtorno mental e com necessidades
decorrentes do uso de crack, álcool e outras
drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde
(SUS).
Diretrizes para o funcionamento da Rede de Atenção
Psicossocial:
I - Respeito aos direitos humanos, garantindo a autonomia e a
liberdade das pessoas;
II - promoção da equidade, reconhecendo os determinantes
sociais da saúde;
III - combate a estigmas e preconceitos;
IV - garantia do acesso e da qualidade dos serviços,
ofertando cuidado integral e assistência multiprofissional,
sob a lógica interdisciplinar;
V - atenção humanizada e centrada nas necessidades das
pessoas;
VI - diversificação das estratégias de cuidado;
VII - desenvolvimento de atividades no território, que
favoreça a inclusão social com vistas à promoção de
autonomia e ao exercício da cidadania;
VIII - desenvolvimento de estratégias de Redução de Danos;
IX - ênfase em serviços de base territorial e comunitária, com
participação e controle social dos usuários e de seus
familiares;
X - organização dos serviços em rede de atenção à saúde
regionalizada, com estabelecimento de ações intersetoriais
para garantir a integralidade do cuidado;
XI - promoção de estratégias de educação permanente; e
XII - desenvolvimento da lógica do cuidado para pessoas com
transtornos mentais e com necessidades decorrentes do
uso de crack, álcool e outras drogas, tendo como eixo
central a construção do projeto terapêutico singular.
Objetivos gerais da Rede de Atenção Psicossocial:
I - ampliar o acesso à atenção psicossocial da
população em geral;
II - promover o acesso das pessoas com
transtornos mentais e com necessidades
decorrentes do uso de crack, álcool e outras
drogas e suas famílias aos pontos de atenção;
III - garantir a articulação e integração dos pontos
de atenção das redes de saúde no território,
qualificando o cuidado por meio do acolhimento,
do acompanhamento contínuo e da atenção às
urgências.
Objetivos específicos da Rede de Atenção Psicossocial:
I - promover cuidados em saúde especialmente para
grupos mais vulneráveis (criança, adolescente, jovens,
pessoas em situação de rua e populações indígenas);
II - prevenir o consumo e a dependência de crack, álcool
e outras drogas;
III - reduzir danos provocados pelo consumo de crack,
álcool e outras drogas;
IV - promover a reabilitação e a reinserção das pessoas
com transtorno mental e com necessidades
decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas na
sociedade, por meio do acesso ao trabalho, renda e
moradia solidária;
V - promover mecanismos de formação permanente aos
profissionais de saúde;
VI - desenvolver ações intersetoriais de prevenção e
redução de danos em parceria com organizações
governamentais e da sociedade civil;
VII - produzir e ofertar informações sobre direitos das
pessoas, medidas de prevenção e cuidado e os
serviços disponíveis na rede;
VIII - regular e organizar as demandas e os fluxos
assistenciais da Rede de Atenção Psicossocial;
IX - monitorar e avaliar a qualidade dos serviços por
meio de indicadores de efetividade e resolutividade da
atenção.
Componentes da Rede de
Atenção Psicossocial:
I - Atenção básica em saúde:
a) Unidade Básica de Saúde;
b) equipe de atenção básica para populações
específicas:
1. Equipe de Consultório na Rua;
2. Equipe de apoio aos serviços do componente
Atenção Residencial de Caráter Transitório;
c) Centros de Convivência;
II - Atenção psicossocial especializada:
Centros de Atenção Psicossocial, nas suas diferentes modalidades
CAPS I: Municípios com população acima de quinze mil
habitantes;
CAPS II: Municípios com população acima de setenta mil
habitantes;
CAPS III: Municípios ou regiões com população acima de cento e
cinquenta mil habitantes; Proporciona serviços de atenção
contínua, com funcionamento vinte e quatro horas, incluindo
feriados e finais de semana, ofertando retaguarda clínica e
acolhimento noturno a outros serviços de saúde mental,
inclusive CAPS Ad.
CAPS AD: Municípios ou regiões com população acima de
setenta mil habitantes;
CAPS AD III: Municípios ou regiões com população acima
de cento e cinquenta mil habitantes; Serviço com no
máximo doze leitos leitos para observação e
monitoramento, de funcionamento 24 horas, incluindo
feriados e finais de semana;
CAPS i: Municípios ou regiões com população acima de
setenta mil habitantes. Atende crianças e adolescentes
com transtornos mentais graves e persistentes e os que
fazem uso de crack, álcool e outras drogas.
III - Atenção de urgência e emergência:
a) SAMU 192;
b) Sala de Estabilização;
c) UPA 24 horas;
d) portas hospitalares de atenção à urgência/pronto
socorro;
e) Unidades Básicas de Saúde, entre outros;
IV - Atenção residencial de caráter transitório:
a) Unidade Acolhimento;
b) Serviços de Atenção em Regime Residencial -
Comunidades Terapêuticas;
V - Atenção hospitalar:
a) enfermaria especializada em Hospital Geral;
b) serviço Hospitalar de Referência para Atenção
às pessoas com sofrimento ou transtorno
mental e com necessidades decorrentes do
uso de crack, álcool e outras drogas;
VI - Estratégias de desinstitucionalização:
a)Serviços Residenciais Terapêuticos;
b)Atenção Residencial de Caráter Transitório
VII - Reabilitação psicossocial:
a) Iniciativas de geração de trabalho e
renda/empreendimentos solidários/cooperativas
sociais.
Desafios para a implantação das RAPS:
Deslocamento das práticas instituídas para a composição de novas
formas de cuidado (serviços substitutivos: risco de “conservação de
função do substituído pelo substituto” [Elia, ;
Produção de novas formas de gestão dos serviços – Gestão em
Linhas de cuidado (Franco e Magalhães, 2003);
Ruptura com a lógica dos encaminhamentos burocráticos;
Desburocratização do acesso a rede;
Co-responsabilização;
Maior contato entre os diferentes serviços da saúde e intersetoriais;
Coordenação do Cuidado pela Atenção Básica (equipe de
referência) fundamental para o vínculo mais permanente;
Qualificação das condições de acessibilidade, rapidez de
resposta e capacidade de resolução de problemas dos
serviços substitutivos, “estrangulados” pela demanda;
Qualificação das demais portas de entrada na atenção a
crise, para a construção do cuidado continuado (Hospitais e
serviços de urgência);
Garantia de suporte as equipes de Consultório na Rua –
porta de entrada para as pessoas em vulnerabilidade social
e excluídos;
• Qualificar a escuta aos “hiperconsultadores”: denunciam a
falta de resolutividade da clínica centrada na doença;
• Articulação em rede - deslocamento do centro do cuidado do
serviço para o usuário e suas necessidade – produção de
Projetos Terapêuticos Singulares – PTS;
• Educação Permanente dos trabalhadores dos serviços
(reuniões de equipe, discussões de caso, construção conjunta
de PTSs)
• Encontros de trocas entre os estabelecimentos da rede;
• Inserção dos alunos da graduação e profissionais recém-
formados nos serviços (estágios, PET, RMS) – valorização das
IES na construção do SUS;
• Constituição de equipes matriciais – “afrouxadores de nós”;
• Falta de estratégias de acolhimento residencial
(Residenciais terapêuticos; Unidades de
acolhimento), de Convivência e de geração de
trabalho e renda.
Referências consultadas:
BRASIL, Ministério da Saúde. Portaria nº 4.279, de 30 de dezembro de 2010. Estabelece
diretrizes para a organização da Rede de Atenção à Saúde no âmbito do Sistema Único
de Saúde (SUS). Brasilia-DF: Ministério da Saúde. 2010.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Bá[Link] do NASF: Núcleo de Apoio a Saúde da Família / Ministério da Saúde, Se
cretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Ministério da
Saúde, 2010.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. DAPE. Coordenação Geral de
Saúde Mental. Reforma psiquiátrica e política de saúde mental no Brasil. Documento
apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços de Saúde Mental : 15 anos
depois de Caracas. OPAS. Brasília, novembro de 2005.
Brasil. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria Nº 3.088, de 23 de dezembro de
2011. Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou
transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras
drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília, DF, 2011.
Referência consultadas:
FRANCO, T.B & Magalhães Jr., H.. A Integralidade e as Linhas de Cuidado; in Merhy,
E.E. et al, O Trabalho em Saúde: Olhando e Experienciando o SUS no Cotidiano.
Hucitec, São Paulo, 2003.
Campos, G. V. S., & Domitti, A. c. (2007). Apoio matricial e equipe de referência: uma
metodologia para gestão do trabalho interdisciplinar em saúde. Cadernos de Saúde
Pública, 23(2), 399-407.
PAES, Lucilene Gama; SCHIMITH, Maria Denise; BARBOSA, Tatiane Muniz e RIGHI,
Liane Beatriz. Rede de atenção em saúde mental na perspectiva dos coordenadores
de serviços de saúde. Trab. educ. saúde [online]. 2013, vol.11, n.2, pp. 395-409.
ISSN 1981-7746.
Secretaria de estado de Saúde de São Paulo. Políticas de saúde mental: baseado no
curso Políticas públicas de saúde mental, do CAPS Luiz R. Cerqueira / organizado por
Mário Dinis Mateus. São Paulo: Instituto de Saúde, 2013.