SONO
Palestra Ministrada na UNIFADRA 2° termo Psicologia
1. Introdução
• O sono é um estado fisiológico especial que
ocorre de maneira cíclica em uma grande
variedade de seres vivos do reino animal.
• São observados durante o sono
comportamentos de repouso e atividade.
• Algumas fases fisiológicas do sono são
semelhantes às da vigilia enquanto em outras
fases há completa quietude e elevado teor de
ondas lentas.
• O sono possui uma natureza não homogênea.
1. Introdução
• Durante o sono os individuos apresentam-se
imóveis, ou com movimentos limitados
(involuntários, automáticos e sem propósitos
definidos.
• Os estímulos devem ter aumento na sua
intesidade para trazer o individuo de volta à
vigilia.
• Durante o sono o individuo mantem os olhos
fechados ou entreabertos e não mostra
interação produtiva com o ambiente.
• O sono pode ser visto como um estado similar
ao coma.
2. Dados Históricos
• 1953, Aserinsky e Kleitman caracterizaram pela
primeira vez a ocorrencia de um estágio
particular durante o sono em que ocorriam os
sonhos, sendo marcado pela presença de
movimentos oculares.
• 1955, estabeleceram diferenciação entre
movimentos oculares rapidos (Rapid Eye
Movements, ou REM), associados ao estágio do
sono em que ocorriam sonhos, dos movimentos
oculares lentos, registrados no inicio do sono, ou
fase I, não- REM.
3. CARACTERÍSTICAS DO
SONO
• Além desses sinais externos, o coração
desacelera e o cérebro faz umas coisas bem
complexas e interessantes.
• Em outras palavras, uma pessoa que dorme fica
inconsciente para a maior parte das coisas que
acontecem no ambiente. A maior diferença entre
alguém que está adormecido e alguém que
desmaiou ou que está em coma é o fato de que a
pessoa que está dormindo pode ser acordada se o
estímulo externo for forte o suficiente. Se você
balançar uma pessoa, gritar ou acender uma luz
forte, ela vai acordar.
4. O SONO E O CÉREBRO
• Se você conectar um aparelho de
eletroencefalografia na cabeça
de uma pessoa, pode gravar a
atividade de suas ondas cerebrais.
Uma pessoa acordada e relaxada
gera ondas alfa, que são
oscilações consistentes de cerca
de 10 ciclos por segundo. Uma
pessoa alerta gera ondas beta,
que são duas vezes mais rápidas.
4. O SONO E O CÉREBRO
• Durante o sono, dois padrões mais
lentos, chamados ondas teta e
ondas delta, também acontecem.
As oscilações das ondas teta vão de
3,5 a 7 ciclos por segundo e as ondas
delta oscilam a menos de 3,5 ciclos
por segundo. Quando uma pessoa
adormece e entra em sono profundo,
os padrões das ondas cerebrais ficam
mais lentos. Quanto mais lentos os
padrões das ondas, mais profundo é
o sono. É mais difícil acordar uma
pessoa que está na fase delta.
Estágios do Sono
• A caracterização das fases do sono pode
ser feita com base em 3 variáveis
fisiológicas que compreendem o
Eletroencefalograma (EEG), o
Eletroculograma (EOG) e o
eletromiograma submentoniano (EMG).
• Através deles são caracterizados 2
padrões fundamentais de sono: sem
movimentos oculares rápidos (NREM) e
com movimentos oculares rápidos (REM).
Estágios do Sono
• O sono NREM é composto por 4 etapas
em grau crescente de profundidade, os
estágios I, II, III e IV. No sono NREM, há
relaxamento muscular
comparativamente à vigilia, porém,
mantém-se sempre alguma tonicidade
basal.
• Fase I: é conhecida com alfa (), as
ondas cerebrais estão rápidas e termina
quando se inicia a sonolência superficial.
Estágios do Sono
• Ainda na fase I, o ritmo alfa desaparece,
dando lugar a uma atividade cerebral mista
com ondas teta e beta.
• Fase II: Ocorre aumento das ondas delta e
surgimento dos fusos de sono (surtos de
atividades ritmicas rápidas) e os complexos
K ( ondas lentas de alta amplitude).
• Fases III e IV: compõem o chamado sono
delta ou de ondas lentas, sendo a fase mais
profunda do sono NREM.
Características Sono NREM
Quadro I: Características gerais do
sono NREM
Relaxamento muscular com manutenção do
tônus
Progressiva redução dos movimentos
corporais
Aumento progressivo das ondas lentas do
EEG
Ausência de movimentos oculares rápidos
Respiração e Eletrocardiograma regulares.
Sono REM
• É também denominado sono paradoxal e sono
dessincronizado.
• Apresenta estágio profundo com padrão
encefalografico semelhante ao da vigília, com
olhos abertos, ou mesmo do sono NREM (estágio
I), sendo este um dos seus aparentes paradoxos.
• Apesar de ocorrer nesta fase atonia muscular,
observa-se movimentos corporais fásicos e
erráticos, de diversos grupamentos musculares,
principalmente na face e nos membros, bem
como, emissão de sons.
Sono REM
• Assim, mesmo em meio a inibição motora, há
liberação fásica de atividade muscular de
localização multifocal, outro aparente
paradoxo.
• O padrão predominantemente rápido e de
baixa voltagem das ondas cerebrais neste
sono justifica o termo dessincronizado.
Quadro II: Características gerais do
sono REM
Hipotonia ou Atonia Muscular
Movimentos fásicos e mioclonais
multifocais / emissão de sons
Movimentos oculares rápidos
EEG com predomínio de ritmos rápidos e
de baixa voltagem
Respiração e Eletrocardiograma
irregulares
Sonhos
5. FISIOLOGIA DO SONO
• O sono não é um estado que ocorre
passivamente, mas sim, um estado que
é ativamente gerado por regiões
específicas do cérebro. Todas as funções
do cérebro e do organismo em geral
estão influenciadas pela alternância da
vigília com o sono, sendo que este,
restaura as condições que existiam no
princípio da vigília precedente.
5. FISIOLOGIA DO SONO
• O objetivo final do sono não é prover um período
de repouso; ao contrário do que acontece
durante a anestesia geral, no sono, aumenta-se
de forma notável a freqüência de descargas dos
neurônios, maiores do que os observados em
vigília tranqüila.
No decorrer de uma noite de sono, os sistemas e
funções fisiológicas sofrem alterações
acompanhando os ciclos ultradianos. A cada
momento do sono (REM e NREM) as respostas do
organismo serão diferentes, as quais citaremos
as principais:
5.1. Funções
Cardiovasculares
• A pressão arterial diminui durante o
sono chegando a seu mínimo no sono
NREM. Durante o sono pesado a
pressão arterial sofre variações de até
40 mmHg, sendo que quando o
indivíduo acorda o valor da pressão
volta aos níveis normais. A freqüência
cardíaca também diminui nesta fase de
sono.
5.2. Funções Endócrinas
• A conexão hipotálamo-hipófise é
responsável pela união entre processos
endócrinos e o sono, uma vez que a
secreção de muitos hormônios obedece ao
ciclo sono-vigília e pode ocorrer em
momentos específicos do sono.
• Ex: O hormônio do crescimento (GH) é
secretado principalmente no estágio 4 do
sono NREM.
5.3. Mudanças
Respiratórias
• O ritmo respiratório irá variar durante o
sono NREM com hipo e hiper ventilação
do adormecimento ao estágio 2. Nos
estágios 3 e 4 a ventilação é regular.
Durante o sono REM a respiração se
torna mais rápida e irregular gerando
os surtos apnéicos e hipoventilação. A
apnéia em recém nascidos pode causar
a morte súbita do lactente.
5.5. Temperatura
Corporal
• No sono NREM estão presentes
regulações automáticas da
temperatura, no sono REM tanto o
sistema hipotalâmico quanto o
cortical estão inativados e isto faz
com que a temperatura corporal nos
últimos estágios do sono seja baixa.
5.4. Funções Sexuais
• Durante o sono ocorrem ereções
tanto na mulher (clitoridiana) como
no homem (peniana) e para este a
ausência ou presença de ereção
pode ser indício de impotência
orgânica e psicogênica. Estes
fenômenos são observados durante o
sono REM.
6. Arquitetura do Sono
• O sono tem inicio pelo estágio I do sono NREM,
após um tempo de latência aproximada de 10min.
• Após uns poucos minutos no sono I, há o
aprofundamento para o sono II, em que se torna
mais difícil o despertar do indivíduo.
• Após 30 a 60 minutos, instala-se o sono de ondas
lentas, respectivamente, os estágios III e IV.
• Passados aproximadamente 90 minutos, acontece o
primeiro sono REM, que costuma ter curta duração
no ínicio da noite (5 a 10 minutos), completando-se
o primeiro ciclo NREM-REM do sono noturno.
6. Arquitetura do Sono
• Durante uma noite de sono de 8 horas, ocorrem
cerca de 5 a 6 ciclos de sono NREM-REM.
• Os despertares podem ocorrer a qualquer
momento durante o sono, a partir de qualquer
estágio, seja de forma espontânea ou
eventualmente provocada por fatores extrínsecos
(exemplo: ruídos) ou eventos patológicos (como
apnéia) ou ainda, fisiológicos (fazer xixi).
• Dependendo da duração, como no caso da
apnéia, é comum que o indivíduo não tenha
consciência destes despertares.
7. FASES DO SONO
7.1.1. Vigília ou estágio
0
• O registro eletrencefalográfico se caracteriza
por ondas rápidas, de baixa amplitude que
indicam alto grau de atividade dos neurônios
corticais. Também fazem parte desse
estágio, movimentos oculares aleatórios e
um acentuado tônus muscular. Após 5 a 15
minutos no leito, o indivíduo alcança o
primeiro estágio do sono. O período de
tempo entre o ato de deitar-se e o de
adormecer denomina-se latência de sono.
7.1.2. Estágio 1
• É a transição entre o estado de
vigília e o sono, quando a melatonina
é liberada, induzindo-o. Corresponde
a 2-5% do tempo total deste. O
traçado do eletromiograma
apresenta redução do tônus
muscular.
7.1.3. Estágio 2
• Corresponde a 45-55% do sono total
de sono. Ocorre a sincronização da
atividade elétrica cerebral, que refletre
a redução do grau de atividade dos
neurônios corticais. Com isto,
diminuem os ritmos cardíaco e
respiratório, (sono leve) relaxam-se os
músculos e cai a temperatura corporal.
7.1.4. Estágio 3
• Comumente observa-se combinado
ao estágio 4. Os movimentos
oculares são raros e o tônus
muscular diminui progressivamente.
Corresponde a 3-8% do sono total.
7.1.5. Estágio 4
• Corresponde a 10-15% do sono total.
As ondas delta correspondem a mais
de 50% da época, podendo até
domina-la completamente. Ocorre pico
de liberação do GH (hormônio do
crescimento) e da leptina; o cortisol
começa (sono profundo) a ser liberado
até atingir seu pico, no início da
manhã.
8. Importância do Sono
• A necessidade de sono diária varia de
acordo com a idade e de forma individual.
• Ao nascer , o sono REM predomina sobre o
sono NREM, que aumenta progressivamente
nos primeiros meses de vida, até atingir as
proporções dos adultos, por volta do
segundo ano de vida. O neonato dorme
cerca de 24 horas por dia (com intervalos de
3 a 4 horas – ciclo alimentar)
8. Importância do Sono
• O lactente dorme entre 13 a 15 horas por
dia, o pré-escolar dorme entre 12 e 13 horas,
a criança escolar dorme entre 10 a 12 horas.
A necessidade diária de sono do adolescente
situa-se em torno de 8 a 10 horas.
• Nos idosos, o sono IV não é mais registrado,
havendo redução do sono III e aumento dos
despertares noturnos.
• Entre adultos, a necessidade diária de sono
varia de 5 a 8 horas, em média.
8. Importância do Sono
• A privação total do sono em uma noite
leva ao fenômeno de rebote de sono,
nas duas primeiras noites seguintes:
assim, há tendência a aumento nas
proporções de sono REM, na noite
seguinte à privação, e aumento do sono
NREM na segunda noite, voltando-se à
arquitetura normal do sono noturno
somente na terceira noite.
Cronobiologia e Ciclo
Circadiano
• A capacidade do individuo de adequar
seu ciclo sono e vigília ao ciclo noite-dia
da terra é guiado por diversos
elementos externos e internos que
interagem para a manutenção de um
ciclo circadiano (do latim: circa=em
torno de; dies= do dia).
Cronobiologia e Ciclo
Circadiano
• Assim, a luminosidade e o calor do dia, a
escuridão e a redução da temperatura
ambiental à noite, as variações de
incidencia de luz no decorrer do dia, os
relógios, os sons da cidade e de animais,
são elementos que condicionam a
manter um ritmo de atividade alternada
com repouso e intercalada com funções
de ingestão e eliminação, dentro do
padrão circadiano.
9. O SONO E OS
HORMÔNIOS
• Fase 1Melatonina é liberada, induzindo o
sono(sonolência)
• Fase 2 Diminuem os ritmos cardíaco e
respiratório, (sono leve) relaxam-se os músculos
e cai a temperatura corporal
• Fases 3 e 4 Pico de liberação do GH e da leptina;
cortisol começa (sono profundo) a ser liberado
até atingir seu pico, no início da manhãSono
REMSigla em inglês para movimento rápido dos
olhos, é o pico da atividade cerebral, quando
ocorrem os sonhos. O relaxamento muscular
atinge o máximo, voltam a aumentar as
freqüências cardíaca e respiratória
• Riscos provocados pela falta de sono a curto prazo:
cansaço e sonolência durante o dia, irritabilidade,
alterações repentinas de humor, perda da memória
de fatos recentes, comprometimento da criatividade,
redução da capacidade de planejar e executar,
lentidão do raciocínio, desatenção e dificuldade de
concentração.
• Riscos provocados pela falta de sono a longo prazo:
falta de vigor físico, envelhecimento precoce,
diminuição do tônus muscular, comprometimento do
sistema imunológico, tendência a desenvolver
obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e
gastro-intestinais e perda crônica da memória.
10. Conselhos para Dormir
melhor
• À noite, procure comer somente alimentos
de fácil digestão e não exagerar nas
quantidades.
• Evite tomar café, chás com cafeína (como
chá-preto e chá-mate) e refrigerantes
derivados da cola, pois todos são
estimulantes ("despertam").
• Evite dormir com a TV ligada, uma vez que
isso impede que você chegue à fase de sono
profundo.
• Apague todas as luzes, inclusive a do abajur,
do corredor e do banheiro(...).
11. TRANSTORNOS DO
SONO
• 11.1. Tipos:
Há quatro formas básicas de transtornos do sono. 1)
Os primários, por não derivarem de nenhuma causa
externa, originando-se no próprio indivíduo: são
divididas em dissonias (insônia e hipersonia) e as
parassonias (sonambulismo, terror noturno,
pesadelos). 2) Os decorrentes de transtornos
psiquiátricos como a ansiedade, depressão, psicoses,
mania, etc. 3) Os decorrentes de transtornos físicos
em geral como qualquer condição física que
prejudique o sono: falta de ar, dores, desconfortos.
4) Os devidos a medicações ou outras substâncias
que possam prejudicar o sono.
12. Conclusão:
• Conclui-se que sono é muito complexo
e amplo em todos os seus aspectos
fisiológicos e sua relação com o
organismo humano e seus
comportamentos. Sendo assim de
suma importância quando analizado no
sentido de evitarmos os transtornos do
sono, e ou sabermos suas causas para
se ter uma vida melhor e mais sadia.