Patologia Florestal II - Doenças do Pequi (Caryocar brasiliense)
Principais patógenos, sintomas e estratégias de controle
Foto: Nivaldo Ferr
Docente – Adriano Francis Dorigan
Discente – Wesley Eloi da Silva
24/06/2025
INTRODUÇÃO
Origem e importância do pequi
O povoamento das áreas centrais do continente sul-americano começou a ser definido há
11.000 anos atrás. (Barbosa e Schmitz, 2008). O pequi (Caryocar spp.) pode ser
encontrado em estado silvestre na maioria dos estados brasileiros (GO, MG, TO, MT),
estendendo seu habitat natural, inclusive aos países limítrofes, principalmente Peru,
Suriname e Guianas (Brasil, 1985).
Nativo do Cerrado brasileiro.
Relevância socioeconômica e cultural (alimentação, óleo, medicina tradicional).
Ameaças são a expansão agropecuária no Cerrado e doenças.
Objetivo da apresentação das principais doenças fúngicas que afetam folhas, frutos,
Mapa de distribuição do pequi no Brasil
Principais Doenças do Pequi
Classificação por órgão afetado
1. Folhas e frutos:
o Antracnose (Colletotrichum gloeosporioides);
o Verrugose ou Crosta (Cladosporium sp.);
o Ferrugem (Cerotelium giacometti.);
o Oídio (Oidium spp.);
o Podridão de frutos (Botryodiplodia, Phomopsis, Gliocladium, Fusarium), mais comuns.
2. Raízes, troncos, morte ou seca de plantas:
o Podridão da raiz (Cylindrocladium clavatum);
o Mal do cipó ou chicote (Cerotelium giacomettii e Phomopsis sp.);
o Morte-descendente (Botryodiplodia theobromae);
o Seca e morte de pequizeiros (Ceratocystis fimbriata Ellis e Halsted);
o Cancro do pequizeiro (Capillaureum caryovora e Chrysoporthe sp.);
ANTRACNOSE
Agente Causal - Colletotrichum gloeosporioides.
Condições favoráveis - Alta umidade e temperaturas moderadas a altas.
Sintomas
•Manchas escuras em folhas, frutos e galhos.
•Lesões deprimidas em frutos com esporos alaranjados.
Controle
•Rotação de culturas, poda sanitária.
•Fungicidas (cobre, azoxistrobina).
•Evitar irrigação por aspersão.
VERRUGOSE ou CROSTA
Agente Causal: Cladosporium sp.
Condições favoráveis
•Solos mal drenados e baixa matéria orgânica.
Sintomas
•Crostas marrons e rachaduras na casca dos frutos.
•Queda prematura de frutos jovens.
Controle
•Fungicidas durante a floração e formação de folhas.
FERRUGEM
Agente Causal: Cerotelium giacomettii
Condições favoráveis
•Temperaturas moderadas (15–28°C), alta umidade e pouca luz.
Sintomas
•Pústulas amarelo-alaranjadas em folhas;
•Deformação;
•Desfolha e necrose foliar.
Controle
•Remoção de folhas infectadas;
•Fungicidas sistêmicos.
OÍDIO
Agente Causal: Oidium spp.
Condições favoráveis
•Clima seco com orvalho noturno.
Sintomas
•Revestimento branco pulverulento em folhas.
•Enrolamento e queda foliar.
Controle
•Enxofre micronizado ou óleo de nim.
(Imagens de folhas com pó branco)
Foto: Nilton T.V. Junqueira
PODRIDÃO DE FRUTOS
Agentes Causais: Botryodiplodia, Phomopsis, Fusarium, etc.
Condições favoráveis
•Danos mecânicos durante colheita/transporte.
•armazenamento inadequado
Sintomas
•Manchas escuras e apodrecimento interno.
Controle
•Mudas sadias;
•cuidados na colheita e armazenamento;
•controle integrado;
•Cuidados pós-colheita (embalagens, temperatura);
•Fungicidas em casos graves.
PODRIDÃO DA RAIZ
Agente Causal: Cylindrocladium clavatum
Condições favoráveis
•Solos compactados, alagados e substratos mal preparados
(excesso de matéria orgânica/esterco);
•Viveiros úmidos e sombreados.
Sintomas
•Amarelecimento foliar, murcha e queda prematura de folhas;
•Raízes escurecidas e podres, com micélio branco visível no coleto e
morte da planta;
•Morte de mudas (até 2 anos após plantio).
Controle - Prevenção
• Uso de sementes frescas (<30 dias) e tratamento com hipoclorito (1%);
• Substrato bem drenado (areno-argiloso, pH 5.4–5.9);
• Evitar enovelamento de raízes durante o transplante.
•Tratamento: Tratamento do solo, solarização, drenagem e biofungicidas (ex.: Trichoderma).
MAL DO CIPÓ ou CHICOTE
Agentes Causais: Cerotelium giacomettii + Phomopsis sp.
Condições favoráveis
•Transmissão por sementes infectadas, ferramentas de poda ou pragas.
Sintomas
•Alongamento anormal de ramos (aspecto de "cipó").
•Folhas retorcidas e necrosadas.
•Morte de brotações e deformações na casca.
Controle
•Eliminar plantas doentes no viveiro.
•Desinfetar ferramentas com álcool.
•Adubação balanceada para recuperação.
(Foto de ramos alongados e folhas deformadas)
Mal do Cipó (ou Chicote)
•Agentes causadores: Cerotelium giacomettii e Phomopsis sp.
•Sintomas: Alongamento dos ramos, folhas deformadas, aspecto de cipó
•Controle: Tratamento de sementes, erradicação de plantas doentes, higiene de ferramentas
MORTE-DESCENDENTE
Agente Causal: Lasiodiplodia theobromae
Condições favoráveis
•Ferimentos por brocas e pragas, podas mal realizadas ou granizo.
Sintomas
•Secamento de ramos novos → progressão para tronco e raízes;
•Secamento progressivo de galhos até a morte da planta;
•Atrativo para coleobrocas (disseminam o fungo).
Controle
•Poda sanitária + aplicação de pasta cúprica nos cortes.
•Combate à broca dos ponteiros (principal vetor).
SECA E MORTE DE PEQUIZEIRO
Agente Causal: Ceratocystis fimbriata
Condições favoráveis
•Ferimentos nas raízes/tronco (brocas ou manejo inadequado).
Sintomas
•Murcha súbita, amarelecimento total e morte da planta;
•Lesões escuras no xilema (bloqueio de seiva).
Controle - Prevenção
• Evitar ferimentos mecânicos;
• Produção de mudas sadias.
•Sem controle curativo.
CANCRO DO PEQUIZEIRO
Agentes Causais: Capillaureum caryovora e Chrysoporthe sp.
Condições favoráveis
•Umidade alternada (orvalho noturno + clima seco).
Sintomas
•Cancros (lesões escuras) em galhos e tronco.
•Superbrotamento e morte de ramos.
•Associado a danos por brocas (Epinotia sp.).
Controle
•Poda de ramos afetados + fungicidas cúpricos.
•Produção e prevenção de mudas saudáveis.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
[Link]
1. Falta de pesquisas para cultivos intensivos.
2. A diversidade de patógenos reflete a complexidade da sanidade do pequizeiro
3. A necessidade de mais pesquisas em sistemas de cultivo intensivo
[Link]égias-chave
1. Manejo integrado: Controle integrado (cultural + químico + biológico) é essencial.
2. Prevenção: Sementes sadias, viveiros bem manejados, evitar ferimentos. Ações preventivas são mais eficazes do que
curativas.
[Link] econômico
1 . Doenças reduzem produtividade e longevidade dos pequizeiros.
REFERÊNCIAS
• Junqueira, NTV et al. (2000). Doenças do pequizeiro.
• Silva, F. A. M. et al. (2001). Propagação e doenças do pequi.
• Moraes, M. L. T. (1994). Pragas e doenças de espécies nativas do Cerrado.
• Carlos, F. S. et al. (2014). Qualidade do solo para mudas florestais.
• Lopes, G. S. et al. (2006). Doenças emergentes em espécies nativas.
• EMBRAPA. Manejo Fitossanitário do Pequi.
• Artigos citados (Silva et al., 2001; Macedo, 2005).
• ALMEIDA, S. P.; SILVA, J. A. (1994) Pequi e buriti: importância alimentar para a população dos Cerrados.
• AFONSO, S. R.; ANGELO, H.; ALMEIDA, A. N. (jan. / mar. 2015) Caracterização da produção de pequi em
Japonvar-MG.
• AZEVEDO, A. I.; MARTINS, H. T.; DRUMMOND, J. A. L. (jan./abr. 2009) A dinâmica institucional de uso comunitário
dos produtos nativos do cerrado no município de Japonvar (Minas Gerais).
• BERTOLINO, J. F; FERREIRA, K. D.; MASCARENHAS, L. J. S.; OLIVEIRA, L. P de; VULCANI, V. A. S. (2019)
Aplicabilidade do óleo de Pequi na cicatrização.
• BRAGA-SOUTO, R. N.; SANTOS, T. C.; PEREIRA, G. S. L.; OLIVEIRA, M. L. P.; VIEIRA, C. R. et al. (abr/jun., 2021)
Pequi flour applied in the preparation of food pasta.
• BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Serviço Florestal Brasileiro. Bioeconomia da floresta: a
conjuntura da produção florestal não madeireira no Brasil. Brasília: MAPA/SFB, 2019.
• CAMPOS, R. P.; SILVA, C. D. da; FRAGOSO, M. R.; CANDIDO, C. J. (dec. 2016 ) Elaboração e Caracterização de Farinha da
Casca de Pequi.
• CEASA – Central de Abastecimento de Goiás. Análise Conjuntural. Goiânia, 2016. 271 p.