BLAISE PASCAL
Cópia de um retrato de Blaise Pascal c.1690.
• Blaise Pascal (1632 – 1662) nasceu em
Clermont (hoje Clermont-Ferrand), Auvergne,
França e foi um polimata: matemático, físico,
inventor, filósofo, moralista e teólogo.
• Seu pai, Étienne Pascal, também matemático
amador, era juiz local e membro da "Noblesse
• de Robe". [O termo designa aristocratas
franceses cuja posição vinha da ocupação de
certos cargos judiciais ou administrativos, e
não por direito de nascença].
• Pascal tinha duas irmãs, a mais nova,
Jacqueline, e a mais velha, Gilberte.
A casa onde Pascal nasceu
• Gilberte,três anos mais velha que Blaise, é
mais conhecida, pois mais tarde tornou-se
administradora do legado de seu irmão e
autora da primeira biografia publicada: La Vie
de Monsieur Pascal.
• Quando do nascimento da irmã mais nova,
Jacqueline, sua mãe teve complicações no
parto, não conseguiu se recuperar, e veio a
falecer logo depois.
• A esse respeito, sua irmã Gilberte Périer
escreverá na biografia:
• quando minha mãe morreu em 1626, quando meu
irmão tinha apenas três anos, meu pai, deixado
sozinho, dedicou-se mais plenamente aos cuidados
da família; e como Blaise era seu único filho, essa
qualidade e as outras que ele observou nele [a
grande evidência de inteligência que ele observou
nele] o encheram de tal forma de afeição paternal
que ele decidiu não confiar a tarefa de sua educação
a ninguém e resolveu instruí-lo ele mesmo, como de
fato fez, pois meu irmão nunca teve outro professor
além de meu pai.
• Em 1631, cinco anos após a morte de sua esposa,
Étienne Pascal mudou-se com os filhos para Paris. A
família recém-chegada logo contratou Louise
Delfault, uma empregada doméstica que se tornou
um membro importante da família.
• Aos 11 anos, compôs um pequeno Tratado
sobre os Sons dos Corpos Vibrantes.
• Este tratado, do qua sua irmã Gilberte disse ter
sido "considerado muito bem fundamentado",
não chegou até nós.
• O pai de Blaise Pascal tinha ideias sobre
educação pouco ortodoxas e decidiu que
Blaise não estudaria matemática antes dos 15
anos para que pudesse estudar Latim e Grego.
• Todos os livros didáticos de matemática foram
retirados de casa.
• Blaise, no entanto, teve sua curiosidade
despertada por isso e começou a estudar
geometria aos 12 anos.
• Ele redescobriu, por conta própria, usando
carvão em um piso de ladrilho, a proposição
trinta e dois de Euclides.
• Impressionado por esta descoberta, o pai lhe
deu cópia dos Elementos de Euclides.
• Aos 14 anos, Pascal começou a acompanhar o pai
às reuniões de Mersenne. Sua cela no convento de
L'Annonciade, em Paris, era um ponto de encontro
frequente de Gassendi, Roberval, Carcavi, Auzout,
Mydorge, Mylon, Desargues e outros.
• Aos 15 anos, Blaise passou a admirar o trabalho de
Desargues sobre seções cônicas.
• Aos dezesseis anos, Pascal apresentou, em uma
das reuniões de Mersenne em junho de 1639, um
artigo, escrito numa única folha de papel, intitulado
Essai pour les coniques. Ele continha vários
teoremas de geometria projetiva, incluindo o
hexágono místico de Pascal.
• A obra de Pascal era tão precoce que René
Descartes estava convencido de que era o pai
de Pascal que a havia escrito.
• Quando Mersenne lhe garantiu que era, de
fato, obra do filho e não do pai, Descartes a
descartou com um sorriso irônico: "Não me
parece estranho que ele tenha oferecido
demonstrações sobre cônicas mais
apropriadas do que as dos antigos",
acrescentando: "mas podem ser propostas
outras questões relacionadas a este assunto
que dificilmente ocorreriam a uma criança de
16 anos".
• Em 1639, a família mudou-se para Rouen, a
segunda cidade do reino, onde Étienne foi
nomeado "comissário delegado por Sua
Majestade na generalidade de Rouen para
assuntos de impostos e subsistência dos
soldados": Étienne Pascal tornou-se assim uma
das figuras mais importantes desta região.
• Aos 18 anos, Pascal começou a desenvolver a
primeira máquina de calcular capaz de realizar
adições e subtrações, a fim de ajudar seu pai
em seu trabalho, chamada roue pascaline ou,
simplesmente, pascalina.
• Ele anunciou sua invenção numa espécie de
folheto publicitário, o primeiro conhecido para
um produto industrial, intitulado: “Anuncio
necessário para quem tiver curiosidade de ver
a dita máquina e utilizá-la”.
• Pascal obteve privilégio real para sua máquina
do chanceler Séguier em maio de 1649.
• Esperava fazer fortuna com sua invenção mas
foi um fracasso comercial devido ao seu alto
custo.
• Pascal aprimorou o design da máquina por mais
Das oito Pascalines que se sabe que sobreviveram,
quatro estão no Musée des Arts et Métiers em Paris e
uma no museu Zwinger em Dresden, Alemanha.
• Em1646 o pai de Pascal machucou a perna e
teve que se recuperar em casa.
• Ele foi cuidado por dois jovens irmãos de um
movimento religioso nos arredores de Rouen.
• Estes tiveram uma profunda influência em
toda a família. Eles seguiam os ensinamentos
do bispo reformista holandês Cornelius Jansen,
que defendeu dentro da Igreja Católica uma
noção de graça divina baseada em Santo
Agostinho, semelhante às ideias de Calvino.
• Durante os três meses de tratamento de seu pai,
Blaise falou com os religiosos frequentemente
tomando emprestados livros de autores
jansenistas.
• Ele ficou particularmente entusiasmados com o
Discurso sobre a Reforma do Homem Interior,
escrito pelo próprio Jansen em 1628.
• Sua irmã Jaqueline, manifesta a intenção de se
tornar freira.
• Nas palavras de Jacqueline trata-se, não de
conversão, mas do progresso, de uma religião
vivida na tibieza para uma religião vivida no
• Segundo sua irmã Gilberte, não se trata de
jansenismo ou Port-Royal: não foi à doutrina de
Agostinho que a família Pascal se converteu, mas à
espiritualidade do Abade de Saint-Cyran.
• Port-Royal , célebre
Abadia de freiras
cistercienses que foi
o centro do Jansenismo
e da atividade literária
na França do século XVII.
• A partir de maio de 1647 viveu com Jaqueline e logo
depois passou a viver com seu pai, principalmente
em Paris. Contatou os principais jansenistas, mas
continuou com suas investigações científicas.
• Em 1647, Pascal sofreu um ataque de paralisia que o
deixou incapaz de mover-se sem muletas.
• Ele tinha fortes enxaquecas, dores de estômago, pernas e
pés constantemente frios e necessitam de cuidados para
ativar a circulação sanguínea.
• Usava meias embebidas em conhaque para aquecer os pés.
• Em parte para obter melhor tratamento médico, ele foi
para Paris com sua irmã Jacqueline. Sua saúde melhorou,
mas seu sistema nervoso ficou permanentemente
perturbado.
• A partir de então, ele está sujeito a uma profunda
hipocondria, que afetou seu caráter e sua filosofia. Ele se
tornou irritável, propenso a ataques de raiva e raramente
sorri.
• Em 1644, Evangelista Torricelli (1608- 1647)
tinha publicado seu experimento, realizado no
ano anterior, em que encheu um tubo de um
metro de comprimento (com uma das
extremidades selada) com mercúrio e colocou a
extremidade aberta do tubo em uma bacia com
o metal líquido, elevando a extremidade selada
de modo que o tubo ficasse na vertical.
• O nível de mercúrio no tubo caiu até atingir
cerca de 76 centímetros acima da superfície da
bacia de mercúrio, produzindo um vácuo acima.
• Este foi também o primeiro experimento
registrado de criação de vácuo.
• Pascal não se convenceu dessa teoria e continuou apoiando a
teoria do Horror vacui.
• Na filosofia e na física primitiva, o horror vacui comumente
expresso como "a natureza abomina o vácuo", por exemplo por
Spinoza — é uma hipótese atribuída a Aristóteles, de que a
natureza não contém vácuos porque o continuum material
circundante mais denso preencheria imediatamente a raridade
de um vazio incipiente.
• Em 1648 Pascal pediu ao seu cunhado Florin Périer que
escalasse o vulcão Puy de Dôme até o cume, repetisse a
experiência lá.
• Descobriu-se que o mercúrio sobe mais na base da montanha
do que no cume.
• Após o experimento Pascal, que já estava convencido da
possibilidade de existência do vácua, abandonou
Puy de Dôme
Florin Périer on the Puy de Dôme
Gravura de Yan Dargent e Louis Figuier
• Descartes visitou Pascal em 23 de setembro de
1647.
• Sua visita durou apenas dois dias e os dois
discutiram sobre o vácuo, no qual Descartes não
acreditava.
• Descartes escreveu, de forma bastante cruel, em
uma carta a Huygens após essa visita, que
Pascal...tem muito vácuo na cabeça.
Descartes escreveu a Carcavi em junho de 1647
sobre os experimentos bem sucedidos de Pascal ,
dizendo:
Fui eu quem o aconselhei a fazê-lo há dois anos,
pois, embora eu mesmo não o tenha realizado, não
• Devido a uma série de acontecimentos
políticos Étienne Pascal então perdeu o
emprego e retornou a Paris.
• Para reduzir suas despesas, ele se mudou em
janeiro de 1649 e se estabeleceu com Blaise e
Jacqueline.
• No outono de 1651, o pai de Pascal morreu.
Pouco depois, e contra a vontade do falecido e
de Blaise, Jacqueline ingressou no convento
estritamente jansenista de Port Royal, em
Paris.
• A partir de maio de 1653, Pascal trabalhou em matemática e
física, escrevendo o Tratado sobre o Equilíbrio dos Líquidos
(1653), no qual ele explica a lei da pressão atualmente conhecida
com Princípio de Pascal.
• A pressão aplicada num ponto de um fluido em repouso
transmite-se integralmente a todos os pontos do fluido.
• A figura representa uma prensa hidráulica, na qual a força F1 é
aplicada em uma área A1.
• A mesma pressão se transmite para a área A2. Então ela gera
uma força F2 = F1(A2/A1).
• Suas invenções neste período incluem a prensa
hidráulica (que usa pressão hidráulica para
multiplicar a força) e a seringa.
• Embora não fosse rico, ele era abastado e nobre
então, após a morte do seu pais, começou a
frequentar a sociedade parisiense, tornando-se
amigo do jovem Duque de Roannez, com quem
compartilhava o interesse pela filosofia.
• Isso o levou a uma viagem em 1652, junto com
alguns de seus amigos livres-pensadores,
incluindo Antoine Gombaud, conhecido como o
"Chevalier de Méré", oportunidade na qual Pascal
foi apresentado à filosofia moderna, aprendendo
também a arte da conversação social.
• Ele trabalhou com seções cônicas e produziu
teoremas importantes em geometria projetiva.
• Em "A Geração das Seções Cônicas" (concluído
em sua maior parte em março de 1648, mas
revisado em 1653 e 1654), Pascal considerou as
cônicas geradas pela projeção central de um
círculo.
• Esta deveria ser a primeira parte de um tratado
sobre cônicas que Pascal nunca concluiu. A obra
está perdida, mas Leibniz e Tschirnhaus fizeram
anotações sobre ela, e é por meio delas que
uma visão bastante completa da obra é agora
possível.
• Pascal lidou com diversos problemas
matemáticos, publicando várias obras em 1654.
• No Traité du triangle arithmétique sobre o hoje
chamado triângulo de Pascal e os coeficientes
binomiais ele formulou explicitamente, pela
primeira vez, o princípio da demonstração por
indução matemática.
• A primeira representação explícita de um triângulo de
coeficiente binomial data do século X, nos
comentários sobre o Chandas Shastra, um antigo livro
indiano de prosódia sânscrita escrito por Pingala por
volta de 200 a.C.
• As propriedades do triângulo foram discutidas pelos
matemáticos persas Al-Karaji (953–1029) e Omar
Khayyam (1048–1131). Por isso, no Irã é conhecido
como triângulo Khayyam-Pascal ou simplesmente
triângulo Khayyam.
• Na China, esse triângulo era conhecido desde o
século XI pelo matemático chinês Jia Xian (1010–
1070). No século XIII, Yang Hui (1238–1298) deu uma
apresentação do triângulo aritmético por isso na
China é chamado de triângulo Yang Hui.
O triângulo de Yang Hui, conforme representado pelos
chineses usando numerais de haste, aparece no
Espelho de Jade das Quatro Incógnitas, Siyuan yujian,
uma obra matemática de Zhu Shijie, datada de 1303.
Ilustrações no Espelho de Jade das Incógnitas.
• Com seu amigo, o Chevalier de Méré, Pascal
teve discussões sobre como vencer em jogos
de azar, um passatempo típico dos nobres.
• Isso o levou em 1653 a se dedicar à teoria da
probabilidade, estudando-a em 1654 em sua
correspondência com o juiz de Toulouse e
proeminente matemático Pierre de Fermat.
• Na correspondência com Fermat, eles
lançaram as bases para a teoria da
probabilidade. Essa correspondência consistiu
em cinco cartas e ocorreu no verão de 1654.
• Eles consideraram o problema dos dados, já
estudado por Cardano, que pergunta quantas
vezes é preciso lançar um par de dados antes de
obter um duplo seis.
• Também consideraram o problema dos pontos
que envolve um jogo de azar com dois jogadores
que apostam igualmente, e a questão central é
como dividir o prêmio de forma justa se o jogo for
interrompido antes do término.
• Eles resolveram o problema dos pontos para um
jogo com dois jogadores, mas não desenvolveram
métodos matemáticos poderosos o suficiente
para resolvê-lo para três ou mais jogadores.
• Durante o período desta correspondência, Pascal
esteve doente. Em uma das cartas a Fermat, escrita
em julho de 1654, ele escreveu:
... embora eu ainda esteja acamado, devo dizer que
ontem à noite recebi sua carta.
• No entanto, apesar de seus problemas de saúde, ele
trabalhou intensamente em questões científicas e
matemáticas até outubro de 1654.
• Por volta dessa época, ele quase perdeu a vida em um
acidente. Os cavalos que puxavam sua carruagem se
soltaram e ela ficou pendurada em uma ponte sobre o
rio Sena, a pont de Neuilly.
• Embora tenha sido resgatado sem nenhum ferimento
físico, parece que foi muito afetado psicologicamente.
• Pouco tempo depois, ele passou por outra
experiência religiosa e decidiu dedicar sua vida
ao cristianismo.
• Ele tentou registrar aquela mesma noite em
uma folha de papel que ainda se conserva, o
chamado Memorial.
• A folha, datada "no ano da graça de 1654,
segunda-feira, 23 de novembro,
aproximadamente das dez e meia da noite até
cerca de meia-noite e meia", começa com a
palavra feu (fogo) escrita em grandes letras
maiúsculas e relata uma visão que ele teve.
• Inclui os fragmentos "Deus de Abraão, Deus de Isaac,
Deus de Jacó, não dos filósofos e sábios!"
• Mais tarde acrescenta: “O Deus de Jesus Cristo:
somente pelos caminhos que o Evangelho ensina ele
pode ser encontrado”.
• Ele manteve este "memorial“ costurado em sua
roupa, de onde o seu empregado somente o retirou
após a sua morte.
• O texto completo é o seguinte (Extraído de Giovanni
Reale - Dario Antiseri, História da Filosofia, São Paulo,
Editora Paulus, [Link]., 2007) vol.2, págs. 600-601.
• Citado também em: [Link]
[Link]
• "Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó" e não dos filósofos e dos
sábios. Certeza, certeza, sentimento, alegria, paz. Deus de Jesus
Cristo. Deum meum et Deum vestrum. "O teu Deus será o meu
Deus." Esquecimento do mundo e de tudo, à exceção de Deus.
Que só se encontra pelos caminhos mostrados pelo Evangelho.
Grandeza da alma humana. "Pai justo, o mundo não te
conheceu, mas eu te conheci." Alegria, alegria, alegria, prantos
de alegria.
• Mas eu me separara. Dereliquerunt me fontem aquae vivae.
"Deus meu, me abandonarias?" Que eu nunca mais me separe
dele, eternamente. "Esta é a vida eterna: que te reconheçam
como o único Deus verdadeiro e aquele que enviaste, Jesus
Cristo." Jesus Cristo, Jesus Cristo.
• Eu me separara: o afastei, reneguei e crucifiquei. Que nunca
mais me separe dele. Que só se conserva pelos caminhos
mostrados pelo Evangelho. Renúncia total e doce. Completa
submissão a Jesus Cristo e ao meu diretor. A alegria eterna por
um dia de prova sobre a terra. Non obliviscar sermones tuo.
Amem.
O manuscrito, na Bibliothèque Nationale de France
• Ele então se retirou completamente da sociedade
parisiense para se dedicar inteiramente à sua
devoção.
• Seus únicos parentes humanos eram os "eremitas"
(solitários) jansenistas; Eram estudiosos e teólogos
que se estabeleceram na área ao redor do
convento de Port-Royal des Champs e que ele
visitava com frequência.
• Por volta de 1655, ele desenvolveu aqui o lendário
diálogo com seu novo confessor A. Le Maître de
Sacy (Conversa com M. de Saci sobre Epictete e
Montaigne), no qual ele já oferece um esboço da
antropologia que mais tarde desenvolveria nos
Pensées.
A abadia de Port-Royal des Champs.
Pintura anonima.
• Em 1656, sua sobrinha, Marguerite Périque, de
dez anos, foi curada de um abscesso no olho
após uma visita a Port-Royal.
• Isto fortaleceu ainda mais a fé de Pascal e ele
começou a escrever textos com motivações
religiosas e teológicas.
• A devoção ortodoxa e o moralismo rigoroso dos
jansenistas tornaram-se um incômodo para os
jesuítas, que eram menos rígidos e
conciliadores, mas também conscientes de seu
poder e influência.
• Um conflito aberto eclodiu em 1655, quando
Antoine Arnauld, um jansenista conecido de
Pascal, foi expulso da faculdade de teologia da
Sorbonne em Paris.
• Pascal tomou partido e, em 1656/57, escreveu
uma série de panfletos anônimos satíricos e
polêmicos.
• Estes tiveram um impacto explosivo e foram até
publicados na Holanda em forma de livro em 1657
sob o título Lettres provinciales, ou Lettres de
Louis de Montalte à un provincial de ses amis et
aux R. R. PP. Jésuites sur la morale et la politique
de ces pères (Cartas provinciais, ou cartas de L. de
M. a um amigo provinciano, bem como aos PRs
• Estas são dezoito cartas supostamente escritas por um
personagem fictício chamado Montalte enquanto viajava
por Paris, das quais as dez primeiras são endereçadas a
um amigo fictício em sua província natal, as seis
seguintes aos padres jesuítas em Paris, e as duas últimas
são endereçadas especificamente ao padre confessor do
rei.
• Pascal ridicularizou e atacou, assim, a dos jesuítas e
expôs sua sede extremamente mundana de poder.
• As Cartas Provinciais foram um sucesso notável e
duradouro, embora tenham sido proibidas após a quinta
edição, colocadas no índex após sua publicação e até
queimadas pelo carrasco em 1660.
• Por sua clareza e precisão, são consideradas obras-
primas da prosa francesa, o que garantiu ao seu autor
Frontispício de uma edição de 1657
• Seu último trabalho científico foi sobre a cicloide, a
curva traçada por um ponto na circunferência de um
círculo rolante.
• Em 1658, Pascal voltou a pensar em problemas
matemáticos enquanto permanecia acordado à noite,
incapaz de dormir devido a uma dor de dentes.
• Ele aplicou o cálculo de indivisíveis de Cavalieri ao
problema da área de qualquer segmento da cicloide
(curva que ele chamava de roulette) e do centro de
gravidade de qualquer segmento.
• Ele também resolveu os problemas do volume e da
área da superfície do sólido de revolução formado
pela rotação da cicloide em torno do eixo x.
• Sua dor de dente desapareceu e ele interpretou
isso como um sinal divino, acreditando que a Deus
não desagradava a pesquisa matemática, e decidiu
continuar seus estudos.
• Pascal lançou um desafio oferecendo dois prêmios
para as soluções desses problemas a Wren,
Laloubère, Leibniz, Huygens, Wallis, Fermat e
vários outros matemáticos. Os juízes foram o
próprio Pascal, Gilles de Roberval e Pierre de
Carcav.
• Wallis e Laloubère participaram da competição,
mas suas soluções não foram consideradas
suficientes
• Cicloide é a curva descrita por
um ponto fixado numa circunferência
que rola, sem deslizar, sobre uma reta.
Pascal estudando a cicloide, estatua por
Augustin Pajou, 1785, no Musée du Louvre
• Sluze, Ricci, Huygens, Wren e Fermat
comunicaram suas descobertas a Pascal sem
participar da competição.
• Pascal, sob o pseudônimo de Amos Dettonville,
publicou muito rapidamente sua própria
solução, Histoire de la roulette (em francês e
latim).
• Roberval alegou que conhecia a prova há anos.
Wallis publicou a prova de Wren (dando crédito
a Wren) no Tractus Duo, dando a Wren
prioridade sobre a primeira prova publicada.
• A última grande conquista de Pascal foi a
inauguração de um dos primeiros serviços de
transporte público terrestre, os carrosses à cinq sols,
uma rede de carruagens puxadas por cavalos com
vários assentos que transportavam passageiros em
cinco rotas fixas, a princípios de 1662, junto a su
amigo Roannez.
• Pascal também definiu os princípios de operação
que mais tarde foram usados para planejar o
transporte público: as carruagens tinham rota fixa,
preço fixo (cinco sóis, daí o nome) e partiam mesmo
sem passageiros.
• As linhas não obtiveram sucesso comercial, e a
última fechou em 1675. Mesmo assim, ele tem sido
• Em 1662, a doença de Pascal piorou, e ele
passou a sofrer de dores de cabeça, cólicas
violentas e dores insuportáveis.
• Ele vendeu todos os seus móveis para distribuir
o dinheiro aos pobres.
• Em 3 de agosto, ele ditou seu testamento.
• Em Paris, no apartamento de sua irmã Gilberte,
em 17 de agosto de 1662, Pascal teve
convulsões e recebeu extrema-unção.
• Segundo Gilberte, suas últimas palavras foram:
• A obra teológica mais influente de Pascal,
referida postumamente como Pensées
("Pensamentos"), é amplamente considerada
uma obra-prima e um marco na prosa francesa.
• Ao comentar uma seção específica
(Pensamento nº 72), Sainte-Beuve a elogiou
como uma das melhores páginas da língua
francesa. Will Durant aclamou os Pensées como
"o livro mais eloquente da prosa francesa".
• Os Pensées não foram concluídos antes de sua
morte. Deveria ter sido um exame e defesa da
fé cristã, com o título original de Apologie de la
religion Chrétienne ("Defesa da Religião
A APOSTA DE PASCAL
• Nos Pensées, Pascal afirma que, se existe um
Deus, ele é infinitamente incompreensível e
somos incapazes de saber o que ele é ou se ele
existe. Portanto, ele apresenta o seguinte dilema:
• Deus existe ou não. Para que lado nos inclinamos?
A razão não pode determinar nada ali.
• Ele sustenta que é racional acreditar em Deus,
com o seguinte argumento:
• Se Deus não existe, não se perde nada por crer
nele, mas se ele existe, perde-se tudo por não
ALGUNS PENSAMENTOS
• O homem é apenas um junco, a coisa mais
frágil da natureza. Mas é um junco
pensante.
• O universo inteiro não precisa se armar
para esmagá-lo. Um sopro de vento ou
uma gota d'água bastam para destruí-lo.
Mas mesmo que o universo o esmagasse,
o homem ainda seria mais nobre do que
aquilo que o mata, porque sabe que morre
e que o universo tem vantagem sobre ele.
Mas o universo não sabe disso.
• Pensées, 6, 347
ALGUNS PENSAMENTOS
• O que é o homem na natureza? Nada
comparado ao infinito. Tudo comparado ao
nada. Um meio-termo entre o nada e o tudo.
Pensées, 2,72
• O coração tem razões que a própria razão
desconhece.
• Sentimos isso em mil coisas. É o coração
que experimenta Deus, e não a razão. Esta,
então, é a fé: Deus sentido pelo coração,
não pela razão.
• Pensées, 4,278
• As pessoas geralmente são mais persuadidas
pelas razões que elas mesmas descobrem do
que por aquelas que vieram à mente de outros.
Pensées 1,10
• Você quer que as pessoas pensem bem de
você? Não fale.
Pensées 1,44
• "Minha mente está inquieta." Eu estou inquieto
é melhor.
Pensées 1,56
• Dois extremos: excluir a razão, admitir somente
a razão.
Pensées, 4, 253