RELAÇÕES OBJETAIS PRECOCES:
MELANIE KLEIN E AS
CONTROVÉRSIAS COM ANNA FREUD
Daniel Senos
Doutor em Psicologia Clínica/PUC-Rio
Mestre em Teoria Psicanalítica/PPGTP-UFRJ
Especialista em Psicologia Clínica com Crianças/PUC-Rio
Membro Provisório - SBPRJ
AULA 1 – POR QUE MELANIE KLEIN?
1. DADOS BIOGRÁFICOS
Nascimento: 30 de março de 1882, Viena.
Caçula da família Reizes (Emilie, Sidonie,
Emmanuel e Melanie).
Perdas familiares: irmã Sidonie (1886, 8
anos); irmão Emmanuel (1902, 25 anos).
Casamento conturbado com Arthur Klein;
abandono dos planos de cursar medicina.
Análise com Sandor Férenczi e Karl Abraham
Três filhos: Mellitta (1904), Hans (1907) e
Erich (1914); gravidezes marcadas por
episódios de depressão.
Migrações: Viena-Budapeste-Berlim-Londres
Morte de Hans (1934)
Controvérsias com Anna Freud (1942)
Morte: 22 de setembro de 1960
2. IMPORTÂNCIA DE SUA OBRA
Desenvolvimento da técnica voltada para o
atendimento de crianças a partir do brincar
Compreensão da vida psíquica de momentos
arcaicos da subjetividade; a mente do bebê
Expansão de conceitos freudianos clássicos, como
complexo de Édipo, supereu, sadismo e pulsão de
morte.
Malha conceitual permite a compreensão e o
trabalho psicanalítico com pacientes graves,
posteriormente desenvolvidos pelos seus
seguidors.
3. PRINCIPAIS CONCEITOS DO
PENSAMENTO KLEINIANO
A teoria das posições; posição esquizoparanoide e
posição depressiva
Édipo precoce e seus desdobramentos na vida
psíquica do bebê
Superego e sadismo
Fantasia inconsciente
Objetos internos
Identificação projetiva
4. PERTINÊNCIA DE SUA OBRA PARA A
PSICANÁLISE
Movimento Kleiniano possuía seguidores que
se destacaram na comunidade psicanalítica.
Ex: Susan Isaacs, Joan Riviere, Wilfred Bion,
Roger Money-Kyrle, Hans Thorner, Elliot
Jacques, Donald Winnicott, Hanna Segal,
Donald Meltzer, Betty Joseph, Frances Tustin,
Esther Bick...
Inserção na América Latina: Willy e
Madeleine Baranger (teoria do campo
psicanalítico); Heinrich Racker
(contratransferência).
5. IMPORTÂNCIA DE MELANIE KLEIN
PARA A PSICANÁLISE
CONTEMPORÂNEA
André Green (França)
Thomas Ogden (EUA)
Pós-bionianos (Ferro, Civitarese, Borgogno,
Itália)
6. REFERÊNCIAS
Melanie Klein Trust:
[Link]
O mundo e a obra de Melanie Klein – Phyllis
Grosskurth
AULA 2 - UMA PRIMEIRA INCURSÃO À
OBRA DE MELANIE KLEIN
As primeiras contribuições de Melanie Klein:
interesse na inibição intelectual e na
observação de bebês.
Indagação a respeito do funcionamento
mental do bebê; interesse pelo
desenvolvimento psíquico precoce.
A passagem das observações à uma
proposta de atendimento clínico
Férenczi foi um entusiasta e estimulou Klein
a se dedicar à psicanálise de crianças
UMA PRIMEIRA INCURSÃO À OBRA DE
MELANIE KLEIN
A natureza da angústia e sua manifestação no psiquismo da criança;
o ego rudimentar e a atividade psíquica precoce.
A relação do bebê com o seio e o seu mundo interno; as defesas
frente à experiência persecutória.
As fantasias inconscientes e sua relevância para o pensamento
kleiniano; forma pela qual o bebê apreende as sensações e
percepções internas e externas no psiquismo.
Posição esquizoparanoide e as relações parciais; cisão, fragmentação
frente à ameaça de retaliação.
O sadismo e o superego e suas vertentes na concepção de Melanie
Klein sobre o aparelho psíquico; a atuação da pulsão de morte.
Posição depressiva e as relações totais; culpa, reparação e a
ascensão da capacidade simbólica.
UMA PRIMEIRA INCURSÃO À OBRA DE
MELANIE KLEIN
Associação livre e atenção flutuante; e na
clínica com crianças? Como funcionariam?
Play technique: relação com o
funcionamento do sonho; deslocamento e
condensação
Primeira autora a sistematizar o brincar
como uma técnica psicanalítica
O brincar seria uma forma de acesso aos
processos inconscientes da criança
UMA PRIMEIRA INCURSÃO À OBRA DE
MELANIE KLEIN
Distinção entre a técnica proposta por Anna
Freud: apostava que a criança seria capaz de
neurose de transferência
O processo psicanalítico buscaria a
interpretação das fantasias inconscientes,
dos impulsos sádicos e do fortalecimento do
ego, através da amenização das angústias
paranoides e depressivas.
AULA 3 – O BRINCAR E O SUPEREGO
ARCAICO
Primeira descrição do superego primitivo na
criança; ocorre anteriormente à proposição
freudiana.
Superego para Melanie Klein seria composto
de várias identificações e de uma crueldade
encarada como um fardo para o ego
rudimentar da criança.
Melanie Klein tenta enquadrar sua visão do
superego na teoria edípica proposta por
Freud, embora o desloque para o segundo
ano de vida. Posteriormente, desliga a
gênese do superego do Complexo de Édipo.
O BRINCAR E O SUPEREGO ARCAICO
Técnica psicanalítica do brincar e a situação
psicanalítica; equivalência com o tratamento
dos adultos, sendo que a comunicação se
daria através da brincadeira.
Estabelecimento das primeiras relações da
criança com o mundo externo acontece
através do deslocamento da libido do eu
para os objetos que promovem satisfação.
Relação narcísica que estabelece,
posteriormente, sua relação com a realidade.
O BRINCAR E O SUPEREGO ARCAICO
Caso Trude: criança de três anos e um quarto, viaja com a
mãe depois de uma sessão de análise. Retoma 6 meses
depois, relata através de um sonho o intervalo ocorrido.
“Ela sonhou que estava novamente com a mãe na Itália, num restaurante
conhecido. A garçonete não lhe deu xarope de framboesa porque tinha
acabado. A interpretação desse sonho mostrou, entre outras coisas, que a criança
ainda sofria com a perda do seio da mãe durante o desmame; além disso, também
revelou a inveja que tinha da irmã menor. Geralmente, Trude me falava de
inúmeras coisas aparentemente sem importância, além de mencionar diversas
vezes detalhes da sua primeira sessão de análise seis meses antes. No entanto,
foi só a ligação com a privação que sofrerá que lhe fez pensar na viagem, que de
outro modo não tinha o menor interesse para ela.” (Klein, 1926/1996, p.153).
O BRINCAR E O SUPEREGO ARCAICO
Defesa frente à realidade através do
repúdio, desencadeado pelas privações. A
adaptação à realidade depende do grau em
que consegue tolerar as privações
resultantes da situação edipiana. Finalidade
da análise seria uma adaptação à realidade,
sendo observável no processo de educação.
Segundo ano de vida e a preferência pelo
genitor do sexo oposto; aponta para os
conflitos edipianos. Klein propõe que o
complexo de Édipo exerce influência desde o
segundo ano de vida.
O BRINCAR E O SUPEREGO ARCAICO
Caso Rita: preferência pela mãe até o segundo
ano de vida, depois, forte preferência pelo pai.
Aos 15 meses, folheava livros com o pai, aos 18
meses, volta à predileção em relação à mãe.
Desenvolvimento de pavor nocturnus e medo de
animais, fixação excessiva pela mãe e forte
identificação com o pai.
No terceiro ano de vida, ambivalência crescente
a leva para o tratamento psicanalítico. Inibição
da brincadeira e incapacidade de lidar com a
privação.
Até completar dois anos dormia com os pais,
efeitos da cena primária. Nascimento do irmão
culmina com a irrupção da neurose.
O BRINCAR E O SUPEREGO ARCAICO
“Não há dúvida de que existe uma intima ligação entre a neurose e
os efeitos profundos de um complexo de Édipo vivenciado numa idade tão tenra.
Não posso determinar com certeza se o funcionamento precoce do complexo de
Édipo afeta apenas as crianças neuróticas, ou se as crianças se tornam
neuróticas
quando esse complexo começa a agir cedo demais. No entanto, é certo que
experiências como as que foram mencionadas aqui tomam o conflito mais
severo, intensificando a neurose ou provocando sua deflagração”
(Klein,1926/1996,p.155).
O BRINCAR E O SUPEREGO ARCAICO
Klein se propõe a analisar ataques de
ansiedade em crianças pequenas; repetição
do pavor nocturnus, efeito e elaboração
oriunda do complexo de Édipo.
Ligação entre o sentimento de culpa e o
complexo de Édipo; sensibilidade exagerada,
intolerância às privações, inibições da
brincadeira etc.
Sentimento de culpa e terror noturno; caso
Trude, agora com 4 anos e ¼. Noite durante
a sessão, analista e paciente iam dormir,
paciente saía do quarto e fazia ameaças.
“po-kaki-kucki”.
O BRINCAR E O SUPEREGO ARCAICO
Caso Trude: Olhando para o “popo” da mamãe e
procurando as “cacas”, representante dos bebês.
Bater na barriga da analista e esvaziá-la, tirando
desta suas fezes. Se cobre com almofadas, que
chamava de crianças, chupa o dedo e faz “pipi”.
Semelhança com a atitude que adota na cama,
próximo dos 2 anos; nascimento da irmã, análise
trabalhava as causas da ansiedade e do ato de molhar
a cama.
Desejo de roubar os filhos da mãe, de matá-la e
tomar seu lugar ao lado do pai. Ódio, ansiedade e
culpa oriundas dessa fixação na mãe.
Machucar-se antes da sessão; punição materna e
paterna, sentimento de “estar em guerra” e
sentimento de culpa.
O BRINCAR E O SUPEREGO ARCAICO
Caso Rita: Sensibilidade exagerada, brincadeira de urso do pai, que
despertara o medo de uma reprimenda do pai real. Inibição do brincar
advinda do sentimento de culpa. Aos 2 anos e ¼, brincadeira de boneca,
da qual não gostava, não ousava dizer que era a mãe da boneca.
A boneca em forma de bebê representava para ela o irmãozinho que
desejaria ter tirado da mãe na gravidez. Proibição do desejo infantil nesse
caso vem de uma mãe introjetada, representada em análise pela própria
Rita e que era mais cruel do que a mãe real.
Sintoma obsessivo aos 2 anos, cerimonial ao dormir que gastava
bastante tempo, exigia que a enrolassem nos lençóis, pois tinha medo de
que um ratinho ou uma colega pudesse entrar pela janela e arrancar o
seu órgão genital. A boneca precisava ser enrolada dessa forma; elefante
(imago do pai) que impediria que o bebê entrasse escondido no quarto
dos pais para machucá-los e roubá-los. Rita oscilava entre a criança
punida e as autoridades que proferiam as sentença em função da
atividade do pai introjetado e da culpa em ferir ambos ao tentar retirar o
bebê da barriga da mãe.
O BRINCAR E O SUPEREGO ARCAICO
“Um mecanismo essencial e universal da brincadeira de representar papéis
serve para separar essas diversas identificações que agem dentro da criança e
que tendem a formar um todo único. Através da divisão de papéis, a criança
consegue expelir o pai e a mãe que absorvera para dentro de si mesma na
elaboração do complexo de Édipo e que agora a atormentam com sua severidade.
0 resultado dessa expulsão é uma sensação de alívio, que contribui em muito
para o prazer despertado pela brincadeira. Apesar de essa brincadeira de fingir
muitas vezes parecer bastante simples e aparentemente representar apenas
identificações primárias, isso é apenas uma aparência superficial. Na análise de
crianças, é muito importante penetrar por trás dessa aparência. No entanto, isso
só pode ter efeito terapêutico satisfatório quando a investigação revela todas as
identificações e determinações subjacentes, e sobretudo quando conseguimos
ter acesso ao sentimento de culpa que age nesse quadro (Klein, 1926/1996. p. 157-
8)”
Superego infantil seria mais cruel e pesado para o ego da criança, ainda
rudimentar, diferentemente do adulto. Crianças, através da análise, poderiam se
sentir mais à vontade com a situação na qual vive e favorecer a diminuição das
dificuldades ambientais.
O BRINCAR E O SUPEREGO ARCAICO
Maior aceitação das interpretações e comunicação facilitada entre Cs e
Ics. Também é possível deparar-se com resistência e dificuldades na
brincadeira, ligados ao sentimento de culpa.
“Ao brincar, as crianças representam simbolicamente suas fantasias, desejos
e experiências. Elas empregam então a mesma linguagem, o mesmo modo de
expressão arcaico, filogeneticamente adquirido, que já conhecemos dos sonhos.
Ela só pode ser entendida por completo se for estudada com o mesmo método
que Freud desenvolveu para desvendar os sonhos. O simbolismo é apenas parte
dessa linguagem; se quisermos entender corretamente a brincadeira da criança
em conexão com o resto de seu comportamento durante a sessão analítica, temos
que levar em consideração não só o simbolismo que muitas vezes aparece com
tanta clareza em seus jogos, mas também todos os meios de representação e os
mecanismos empregados no trabalho do sonho. Também não se pode jamais
esquecer a necessidade de examinar toda a cadeia de fenômenos (Klein, 1926/1996,
p.159)”
O BRINCAR E O SUPEREGO ARCAICO
Camadas mais profundas da vida mental da
criança; proximidade entre Ics e Cs,
elementos primários e complexos, como o
superego. Mais do que na análise com
adultos, que seria uma reconstituição, as
crianças representariam diretamente.
Caso Ruth, 4 anos.
Caso Erna, 6 anos.
O BRINCAR E O SUPEREGO ARCAICO
Representar uma ação e sua importância para a criança; importância da
fantasia e sua tradução em ações, através da compulsão à repetição.
Predominância do princípio do prazer em relação à realidade.
Caracterização da situação analítica para Melanie Klein: interpretações
consistentes, solução gradual das resistências e rastreamento da
transferência até as situações mais iniciais.
Elaboração tardia da interpretação; adaptação da realidade; interpretação
inconscientemente assimilada;
Esclarecimento e teorias sexuais
“Desse modo, a primeira consequência da psicanálise é uma melhora na
relação emocional com os pais; a compreensão consciente só vem depois que isso
acontece. Essa compreensão é aceita sob a injunção do superego, cujas exigências
são modificadas pela análise, de modo que ele passa a ser tolerado e obedecido
por um ego bem menos oprimido e, portanto, mais forte do que antes (Klein,
1926/1996, p.162)”.
AULA 4 – APROFUNDAMENTO SOBRE O BRINCAR
EM MELANIE KLEIN E SUAS DIVERGÊNCIAS COM
ANNA FREUD
Divergência entre a natureza da análise de
crianças; Melanie Klein acredita que a
criança forma neurose de transferência,
assim como o brincar seria correlato à
associação livre.
Superego severo, cruel e primitivo
originados dos impulsos sádicos e
canibalescos. Citada por Freud em “Mal-estar
na cultura”.
A tarefa da análise de criança seria
amenizar força excessiva do superego
primitivo; importância da análise da
ansiedade (angústia) e culpa.
APROFUNDAMENTO SOBRE O BRINCAR EM
MELANIE KLEIN E SUAS DIVERGÊNCIAS COM
ANNA FREUD
O caso Hans seria a pedra fundamental para
a análise de crianças; validação da teoria da
sexualidade infantil e da forma proveitosa
através da qual seria possível analisar as
tendências edípicas da criança.
Divergência com Hermine Von Hug-
Hellmuth, que não recomendava a análise de
crianças muito novas. Também discordava de
Anna Freud
Klein enxergava uma incompatibilidade
entre a análise de crianças e a influência
educativa, assim como as suas supostas
limitações.
APROFUNDAMENTO SOBRE O BRINCAR EM
MELANIE KLEIN E SUAS DIVERGÊNCIAS COM
ANNA FREUD
“Sou apenas da opinião de que é preciso ver
com clareza quais sãos os elementos de
apoio com que estamos contando e como
nos utilizamos dele. A análise não é um
método suave: ela não pode poupar o
paciente de nenhum sofrimento e isso é
igualmente válido para as crianças. Na
verdade, ela deve fazer com que o
sofrimento se torne consciente e provocar a
ab-reação, para que os pacientes sejam
poupados de um sofrimento permanente e
mais grave depois” (Klein, 1927/1996,
p.171).
APROFUNDAMENTO SOBRE O BRINCAR EM
MELANIE KLEIN E SUAS DIVERGÊNCIAS COM
ANNA FREUD
Ênfase na transferência negativa,
sentimento de culpa e as angústias que
envolveriam, por exemplo, o objeto original
(mãe). A interpretação também visa a
transferência positiva; ambivalência no cerne
da situação analítica.
Caráter simbólico das fantasias que a
criança expressa, material psíquico através
do qual ela expressa culpa e angústia;
fenômenos inconscientes que Klein liga à
situação analítica.
Material projetivo que permite acesso à
fantasia, no intuito de liberá-la para a
análise.
APROFUNDAMENTO SOBRE O BRINCAR EM
MELANIE KLEIN E SUAS DIVERGÊNCIAS COM
ANNA FREUD
“Só ao interpretar e assim reduzir a
ansiedade da criança sempre que pudermos
entrar em contato com ela é que teremos
acesso ao seu Ics e poderemos levá-la à
fantasia. Depois, se seguirmos o simbolismo
contido em suas fantasias, logo teremos uma
reaparição da ansiedade e poderemos
garantir a continuidade do trabalho” (Klein,
1927/1996, p.175).
Impossibilidade de associação livre nas
crianças: resistência promovida pela
angústia que impede a verbalização.
APROFUNDAMENTO SOBRE O BRINCAR EM
MELANIE KLEIN E SUAS DIVERGÊNCIAS COM
ANNA FREUD
Representação através dos brinquedos seria
menos angustiante do que a confissão pela
palavra; aliviar a angústia e, posteriormente,
apostar na expressividade verbal.
Dois princípios que Klein estabelece:
acompanhar o modo de representação
simbólica da criança e levar em consideração
a facilidade com que a angústia é despertada
nas crianças.
Klein propõe que o término da análise de
uma criança se daria a partir da possibilidade
de expressão de um conteúdo psíquico
através fala, uma forma de ligar a criança à
realidade.
APROFUNDAMENTO SOBRE O BRINCAR EM
MELANIE KLEIN E SUAS DIVERGÊNCIAS COM
ANNA FREUD
Para Klein, uma criança de três anos de
idade, por exemplo, já teria deixado para trás
uma importante parte do complexo de Édipo;
através do recalque e do sentimento de
culpa já estaria afastada de seus objetos
originais. Lida com imagos dos objetos
originais.
Postura impessoal e neutra defendida por
Klein, mesmo quando o analista se atira na
fantasia de brincadeira da criança; oferta de
auxílio analítico, em troca da confiança, Klein
ofereceria a sinceridade e a honestidade.
APROFUNDAMENTO SOBRE O BRINCAR EM
MELANIE KLEIN E SUAS DIVERGÊNCIAS COM
ANNA FREUD
Possibilidade de neurose de transferência,
assim como na clínica com adultos. Ab-
reação durante a sessão analítica. Trabalho
através do manejo da transferência com rigor
e objetividade; sua solução total seria um
indicativo de uma análise satisfatória.
Superego advém da introjeção dos objetos
edipianos, tomando uma forma duradoura e
inalterável após a resolução do complexo de
Édipo; difere essencialmente dos objetos da
realidade; natureza imutável, com a qual a
análise trabalharia para amenizar sua ação.
APROFUNDAMENTO SOBRE O BRINCAR EM
MELANIE KLEIN E SUAS DIVERGÊNCIAS COM
ANNA FREUD
Caso Erna
Análise da situação edipiana libera
sentimentos negativos da criança e fortalece
os impulsos positivos. Períodos mais iniciais
permitem analisar as tendências hostis,
sentimento de culpa originário oriundos da
primeira privação oral.
Estabelecimento de uma relação mais
profunda e satisfatória com o seu meio.
APROFUNDAMENTO SOBRE O BRINCAR EM
MELANIE KLEIN E SUAS DIVERGÊNCIAS COM
ANNA FREUD
“Darei um passo mais adiante e afirmarei
que, de acordo com minha experiência, no
caso das crianças – assim como no dos
adultos – não basta estabelecer a situação
analítica através de todos os meios analíticos
disponíveis e evitar toda influência educativa
direta; mais do que isso, se quiser ser bem-
sucedido, o analista da criança deve ter a
mesma atitude inconsciente o que ela quer”
(Klein, 1927/1996).
ÉDIPO PRECOCE
Uma nova concepção do complexo de Édipo, ligada
ao desmame; impulsos misturados, predominância
dos impulsos sádico-orais e sádico-anais.
Envolvimento do mundo interno e externo; ego ainda
não está plenamente desenvolvido; presença do
superego arcaico cruel.
Sadismo e impulsos sádicos e sexuais contraditórios
no bebê, junto com a curiosidade (o dirigida ao corpo
materno; dor, ódio e angústia; culpa oriunda do
superego arcaico.
Consciência arcaica do bebê sobre o corpo da mãe e
seu conteúdo.
Fase da feminilidade e sua relação com a inveja;
ligação com conceitos posteriores, como a
identificação projetiva.
ÉDIPO PRECOCE
A situação edípica teria como angústia
básica a imago formada a partir dos ataques
contra o corpo da mãe; mãe ameaçadora,
portadora de um pênis hostil em seu interior;
posteriormente nomeado por Klein como a
fantasia dos pais combinados.
Angústia de castração no menino seria
ligada à uma angústia primordial e na
menina seria oriunda do medo de ter seu
interior atacado pela mãe hostil
Embora fale da fase fálica e da inveja do
pênis, propõe a presença inicial de uma
consciência a respeito da vagina.
ÉDIPO PRECOCE
Situação edipiana e a frustração da criança com o
desmame; reforçada pelas frustrações anais
(higiene); diferença anatômica entre os sexos.
O menino troca a posição oral e anal pela genital:
objetivo seria a penetração, associada a posso do
pênis; mantém o objeto amoroso original (mãe).
A menina passa da oral para a genital, mas
mantém o objetivo receptivo; frustração em
relação à mãe e pai como objeto amoroso.
Desejos edipianos, medo da castração e
sentimento de culpa; impulsos pré-genitais;
moralidade esfincteriana (Férenczi); Angústia no
nível canibalesco, enquanto a culpa surge na fase
sádico-anal (Abraham).
ÉDIPO PRECOCE
Sentimento de culpa associado à fixação pré-
genital é efeito direto do conflito edipiano; o
sentimento em questão é o resultado da
introjeção de objetos amorosos edipianos; a
culpa seria produto da formação do superego
arcaico.
Superego se forma a partir de identificações
precoces, que possuem um caráter contraditório;
bondade excessiva e severidade desmedida.
Conflito edipiano para crianças muito novas
geram angústia e se manifestam no medo de
serem devoradas e destruídas; respostas hostis
em relação ao objeto externo e introjeção do
mesmo; formação do superego.
ÉDIPO PRECOCE
Conexão entre superego e fases pré-genitais;
sentimento de culpa está preso às fases sádico
oral e sádico-anal; o superego e sua formação,
permeado de elementos sádicos.
“Um ego ainda muito fraco só é capaz de se
defender de um superego tão ameaçador através
de forte repressão. Uma vez que as tendências
edipianas de início se expressam sob a forma de
impulsos orais e anais, a questão de quais
fixações serão predominantes no
desenvolvimento edipiano será resolvida,
principalmente, pelo grau de repressão que
ocorre nesse estágio inicial” (Klein, 1928/1996,
p.217).
ÉDIPO PRECOCE
Frustrações anais e orais compõem o protótipo
de angústias posteriores; ego da criança ainda
não desenvolvido e impossibilidade de
compreensão e expressão das palavras
Sensação inicial de não saber; criança não
possui um conhecimento claro sobre os
processos sexuais; impulso epistemofílico e
sadismo. Fontes de ódio para o bebê diante da
sensação de incapacidade.
Corpo da mãe; criança dominada pela posição
libidinal sádico-anal; apropriar-se do conteúdo do
corpo materno; curiosidade. Conexão entre
impulso epistemofílico e sadismo.
Identificação inicial com a mãe.
ÉDIPO PRECOCE
Estágio sádico-anal arcaico: segundo trauma
severo; afastamento em relação a mãe;
privação promove a fusão entre analidade e
sadismo.
Tomar posse das fezes da mãe, penetrando no
seu corpo, cortando-o em pedaços, devorando-
o, destruindo-o.
Impulsos genitais e mãe como objeto amoroso;
impulsos sádicos e ódio se opõe a esse objeto
genital; medo de ser castrado pelo pai (menino);
posição genital e tolerância à frustração.
Ódio e fixações sádico-orais e anais; crueldade
e superego, figura do pai castrador.
ÉDIPO PRECOCE
Fase da feminilidade; nível sádico-anal, equivalência entre
fezes e bebe; desejo de ter filhos e se apropriar deles e
ciúme dos futuros irmãos; desejo de destrui-los dentro da
mãe. “Complexo da feminilidade”.
Nos meninos, desejo frustrado de possuir um órgão
especial e tendências sádicas a roubar e destruir os órgãos
de fecundação e receptividade existentes na mãe; temor
em ser punido pela destrutividade direcionada à mãe. Mãe
operando como castrador ao tomar as fezes do menino.
Ameaça de castração pelo pai, que se manifesta através
do pênis internalizado no corpo materno.
Submissão ao superego, formado a partir da imagem dos
pais combinados.
Agressividade do menino em relação à mãe e seus
desdobramentos posteriores; sensação de estar em
desvantagem e compensação narcísica da posse do pênis.
ÉDIPO PRECOCE
No desenvolvimento da menina, afastamento da
mãe ocorre no processo do desmame e,
posteriormente, sofre as privações anais descritas
anteriormente.
Manifestações dos impulsos genitais e influência
do caráter receptivo na escolha do pai como
objeto amoroso. Inveja e ódio da mãe que possui o
pênis do pai dentro de si.
Identificação com a mãe é resultado direto dos
impulsos edípicos; ausência da angústia de
castração; tendências pré-genitais acentuadas e
impactos no superego materno primitivo.
Impulso epistemofílico e descoberta de que não
possui o pênis; ódio à mãe e medo de punição.
ÉDIPO PRECOCE
Angústia sentida pela menina por conta dos
impulsos destrutivos dirigidos ao corpo da
mãe e a possibilidade de ser destruída junto
com a capacidade de ter seus próprios
bebês.
Superego feminino calcado na imago
materna; preponderância do ódio;
bondade/crueldade à medida que se dá o
deslocamento para a genitalidade.
OS SÍMBOLOS, A ANGÚSTIA E O CASO
DICK
Primeiro relato de uma análise com uma
criança psicótica
Ocorrência da psicose na infância já era
defendida por Klein há alguns anos; ego se
defende de uma angústia intensa através da
expulsão dos componentes sádicos.
Como o sadismo estaria ligado à curiosidade
e à formação de símbolos, estes seriam
precários na criança psicótica.
OS SÍMBOLOS, A ANGÚSTIA E O CASO
DICK
A resolução da angústia seria fundamental
para o desenvolvimento psíquico; equações
simbólicas e identificações e relação com o
mundo externo.
Primeira defesa fundamental: expulsão,
anterior ao recalque; defesa contra a
agressividade e a angústia.
Sadismo encarado como um perigo para o
self pelo temor de retaliação pelos objetos;
expele os impulsos sádicos tanto para se
defender como também para destrui-lo.
Protótipo das defesas esquizoides (1946).
OS SÍMBOLOS, A ANGÚSTIA E O CASO
DICK
Estágio inicial do desenvolvimento mental
em que o sadismo se torna ativo em todas as
fontes do prazer libidinal; desejo sádico-oral
de devorar o seio da mãe ou a própria mãe;
se apossar do conteúdo do corpo da mãe e
destrui-la.
Pênis do pai, excrementos e crianças no
corpo materno; ataques dão origem à
angústia de ser punido pelos pais; método de
defesa arcaico.
Expulsão do sadismo próprio e destruição do
objeto; impossibilidade do ego rudimentar
em lidar com a angústia.
OS SÍMBOLOS, A ANGÚSTIA E O CASO
DICK
Junto com o interesse libidinal, a angústia
movimenta a identificação; igualar os órgãos
com outros objetos; base da fantasia e da
relação com o mundo externo.
Desenvolvimento do ego e sua relação com
a realidade dependem da capacidade de
tolerar as angústias iniciais; grau de angústia
necessário para a formação dos símbolos.
Equações que são estabelecidas a partir do
pavor relacionado à destruição dos órgãos
(pênis, vagina, seios). A angústia motiva o
deslocamento para outros equacionamentos,
que formarão a base do simbolismo.
OS SÍMBOLOS, A ANGÚSTIA E O CASO
DICK
Gênese da psicose para Klein; sadismo
excessivo, pontos de fixação da demência
precoce (esquizofrenia) e da paranoia; Abraham
e a regressão ao início do estágio anal na
paranoia; fixação no estágio narcísico.
Defesa prematura e excessiva do ego contra o
sadismo; dificuldade na relação com a realidade
e o desenvolvimento da vida de fantasia.
Apropriação e investigação sádica do corpo
materno são interrompidas; suspensão da
relação simbólica com os objetos e com os
indivíduos e ambiente.
OS SÍMBOLOS, A ANGÚSTIA E O CASO
DICK
Caso Dick; 4 anos, pobreza de vocabulário,
similar a uma criança de 15 ou 18 meses.
Nenhum sinal de adaptação à realidade e de
relação emocional com o ambiente.
Não possuía nenhum interesse, não
apresentava angústia; juntava alguns sons e
repetia ruídos.
Não tinha vontade de se fazer entender;
mãe relata uma forte atitude negativa de
Dick, que fazia o oposto do que era
esperado; não incluía afeto ou discernimento.
Forte insensibilidade à dor
OS SÍMBOLOS, A ANGÚSTIA E O CASO
DICK
Discussão do caso Dick
AULA 8 - A POSIÇÃO DEPRESSIVA I
Montagem de uma nova estrutura teórica
Mudança da relação de objeto parcial para
um objeto total
Passagem da angústia paranoica e da
preservação do ego para a angústia
depressiva e sentimentos ambivalentes em
relação ao objeto total.
Medo de perder o objeto amado e culpa pela
agressividade dirigida ao objeto; tentativa de
repará-lo.
Mudança das defesas: defesas maníacas
contra os perseguidores e a experiência de
culpa.
A POSIÇÃO DEPRESSIVA I
Primeira vez que Klein distingue a angústia
paranoide (persecutória) e a depressiva.
Oposição entre relação de objeto parcial e
com o objeto total.
Adoção do termo “posição”, ao invés de
estágio ou fase, para descrever o
desenvolvimento do bebê.
Interesse em descrever a origem da psicose
maníaco-depressiva
Defesas maníacas: onipotência e a negação;
relação com as defesas obsessivas; utilizadas
não só contra a depressão, mas também
angústias paranóides.
AULA 9 - A POSIÇÃO DEPRESSIVA II
Relação entre estados depressivos em
relação à paranoia e à mania; ocorrência em
casos de franca psicose e pessoas “normais”.
Freud e Abraham: processo básico da
melancolia seria a perda do objeto amado;
instalação do objeto dentro do próprio ego e
excesso de impulsos canibalescos no
indivíduo.
Dispersão inicial do ego e processos
identificatórios com objetos parciais.
POSIÇÃO DEPRESSIVA II
A defesa na paranoia busca eliminar os
perseguidores; coerência egoica e proximidade
das imagos internas com a realidade;
identificação com os objetos bons.
Medo da perseguição deixa de ser relacionado
somente à ameaça ao próprio ego e também se
relaciona ao objeto bom; preservação do objeto
bom seria equivalente à sobrevivência do ego.
Passagem da relação de objeto parcial para total:
“Ao dar esse passo, o ego atinge nova posição,
que serve de base para a situação chamada de
perda de objeto amado. Só quando o objeto é
amado como um todo é que sua perda pode ser
sentida como um todo” (Klein, 1935/1996, p.306).
POSIÇÃO DEPRESSIVA II
Angústia paranoide passa a ser
acompanhada por um sentimento de
profunda desconfiança dos objetos, ao
mesmo tempo que são incorporados ao ego.
Enfraquecimento dos desejos orais; exemplo
da alimentação das crianças, que, ao se
relacionarem de forma total, desenvolvem
amor e desejo de devorar o objeto.
Fantasia de preservação do objeto dentro de
si promove aumento dos movimentos de
introjeção.
POSIÇÃO DEPRESSIVA II
Klein descreve que também há uma
profunda angústia relacionada aos perigos
internos do ego que poderiam afetar o objeto
bom introjetado.
Ego se identifica completamente com o
objeto bom internalizado mas, ao mesmo
tempo, percebe sua incapacidade de
protegê-lo dos impulsos do id e dos objetos
persecutórios.
Mecanismos de defesa anteriores não são
abandonados, como a aniquilação e a
expulsão do objeto; permanecem em menor
intensidade.
POSIÇÃO DEPRESSIVA II
Ego adquire uma noção mais completa da
realidade psíquica e da divisão entre objeto
bom e mau; medo dos objetos perseguidores
permanece e se relaciona não somente ao
objeto bom, mas também ao ego; angústia
permanente de que os objetos bons morram.
Os processos relacionados à perda do objeto
amado são determinados pelo fracasso
sentido pelo sujeito, durante o desmame, em
manter seu objeto bom internalizado;
incapacidade de vencer o medo paranoide
dos objetos perseguidores.
POSIÇÃO DEPRESSIVA II
Os primeiros objetos incorporados já formam a
base do superego e participam de sua
estrutura; exemplo da melancolia e a
severidade do superego, manifestadas nas
exigências feitas pelos objetos.
Crueldade do objeto bom; tentativa de manter
objetos bons distantes dos maus; polarização
entre objetos extremamente maus e objetos
extremamente perfeitos, morais e exigentes.
Angústia paranoide x angústia depressiva
Preservação do ego e dos objetos bons
internalizados x angústia de que os objetos
bons sejam destruídos juntamente ao ego.
POSIÇÃO DEPRESSIVA II
Percepção do desastre causado pelo
sadismo advém da introjeção no ego do
objeto total; desespero e remorso de ter
desintegrado o objeto amoroso.
Identificação total com o objeto é baseada
em uma ligação libidinal (amor); seio (objeto
primário) e, depois, a pessoa como um todo.
A relação com o objeto é acompanhada de
angústia, culpa, remorso e senso de
responsabilidade de preservá-lo contra seus
perseguidores e o id e da tristeza
relacionada à expectativa de perdê-lo.
Definição de Klein para o amor (p.312).
POSIÇÃO DEPRESSIVA II
Angústia de que o ódio está presente no ego
assim como o amor e que pode se tornar
protagonista a qualquer momento; sentimento de
culpa e desespero.
Paciente X – relação entre hipocondria e
depressão
Paciente Y – Traços paranoicos e depressivos
aliados à hipocondria; predominância da
paranoia.
Compreensão genética do estado depressivo em
relação ao estado paranoide; adoção do termo
posição para descrever as defesas e angústias
psicóticas presente no desenvolvimento psíquico.
POSIÇÃO DEPRESSIVA II
Melancolia e suicídio: salvar objetos amados e
assassinar objetos maus; destruir a parte do ego
identificada aos objetos maus. Tentar romper com
o mundo externo e salvar o objeto bom através da
destruição de si mesmo.
Mania: fuga não só da melancolia, mas também da
condição paranoica impossível de ser dominada.
Identificação profunda com o objeto e, ao mesmo
tempo, perseguição dos objetos maus do id.
Sentimento de onipotência; negação. Esta última
como tentativa de se defender dos perseguidores
internalizados e do id. “A primeira coisa a ser a ser
negada é a realidade psíquica” (Klein, 1935/1996,
p.318).
POSIÇÃO DEPRESSIVA II
Negação da importância dos objetos bons e
dos perigos aos quais eles são submetidos
pelos objetos maus e pelo id. Busca o
domínio e o controle de todos os seus
objetos. Hiperatividade.
Sentimento de onipotência como forma de
exercício de controle e dominação dos
objetos; negar o pavor que sente deles e
permitir a reparação.
Fome de objetos e defesa maníaca; ego
incorpora o objeto de forma canibalesca, mas
nega sentir preocupação por ele.
Desprezo, depreciação, indiferença.
AULA 10 – POSIÇÃO
ESQUIZOPARANOIDE I
Expansão do que a autora já nomeava como
posição paranoide (1935), em contraste com
a posição depressiva.
Descrição sistemática do ego arcaico, suas
relações objetais e suas angústias.
Natureza dos estados esquizoides, da
idealização, da desintegração do ego e dos
processos projetivos ligados à cisão.
Identificação projetiva
Compreensão e tentativa de aplicação
técnica da análise com esquizofrênicos e
pacientes esquizoides.
AULA 10 – POSIÇÃO
ESQUIZOPARANOIDE I
A cisão como conceito central na PE; desde
cedo presente na obra de Klein, excisão em
bom e mau para preservar o aspecto bom.
Cisão do superego e projeção como
tentativa de diminuir o alto nível de angústia.
Expulsão como primeira defesa do ego
frente ao sadismo; alívio e ataque.
Ideias precursoras do conceito de
identificação projetiva, principal defesa da
PE. Esta constroi relações narcísicas, na qual
os objetos são equacionados com as partes
excindidas e projetadas do self.
AULA 10 – POSIÇÃO
ESQUIZOPARANOIDE I
Fantasias de penetrar à força o objeto e de
controlá-lo desde o seu interior;
empobrecimento do ego.
Cisão primária das emoções e das relações
objetais; base da PE; objeto bom e mau.
Medo de aniquilação e cisão próxima à
desintegração na esquizofrenia.
Incorporação sádica do objeto e cisão do
mesmo dentro de si, cindindo o próprio. O
ego não pode cindir o objeto sem que ele
também se fragmente.
AULA 10 – POSIÇÃO
ESQUIZOPARANOIDE I
Tentativa de descrição dos primórdios da vida psíquica,
angústia e defesas psicóticas próprias ao
desenvolvimento do self e das relações de objeto.
“Tenho expressado com frequência minha concepção de
que relações de objeto existem desde o início da vida,
sendo o primeiro objeto o seio da mãe, o qual, para a
criança, fica cindido em um seio bom (gratificador) e um
seio mau (frustrador); essa cisão resulta numa separação
entre o amor e o ódio. Sugeri ainda que a relação com o
primeiro objeto implica sua introjeção e projeção e, por
isso, desde o início as relações de objeto são moldadas
por uma interação entre introjeção e projeção, e entre
objetos e situações internas e externas. Esses processos
participam da construção do ego e do superego e
preparam o terreno para o aparecimento do complexo de
Édipo na segunda metade do primeiro ano” (Klein,
1946/1991, p.21).
AULA 10 – POSIÇÃO
ESQUIZOPARANOIDE I
Fairbairn e a esquizoidia; compreensão dos
fenômenos esquizoides de base e na
psicopatologia.
Obs: Fairbairn critica a teoria pulsional de
Freud; discordância em relação à teoria da
libido (busca pelo objeto).
Winnicott (1945) e os estados de não-
integração e relação com ego arcaico
descrito por Klein; falta de coesão;
alternância entre integração e desintegração
(capacidade de suportar a angústia).
AULA 10 – POSIÇÃO
ESQUIZOPARANOIDE I
Operação da pulsão de morte, sentida como
medo do aniquilamento no ego arcaico; toma
a forma de medo de perseguição.
Trauma do nascimento (Rank), vinculado à
angústia de separação, e a frustração das
necessidades corporais.
Impulso destrutivo é parcialmente projetado
para fora; angústia de ser destruído; ego
tende a despedaçar-se devido a sua falta de
coesão.
Cisão ativa do ego arcaico em relação ao
objeto; dispersão da fonte de perigo; risco
de cindir o próprio ego.
AULA 10 – POSIÇÃO
ESQUIZOPARANOIDE I
Impulsos destrutivos primeiramente
vivenciados como sádico-canibal; primeiro
objeto bom interno sentido como inteiro é o
seio gratificador; presença do seio frustrador.
Sentimento do bebê de ter um seio bom e
inteiro dentro de si como focal para o
desenvolvimento do ego.
Impossibilidade do ego de cindir o objeto
sem cindir a si próprio; fantasias e
sentimentos sobre o estado do objeto interno
influenciam diretamente a estrutura do ego.
Fantasia e cisão; sentimentos e relações.
AULA 11 – POSIÇÃO
ESQUIZOPARANOIDE II
Introjeção e projeção; defesas primitivas
contra a angústia
Cisão, idealização e negação
Idealização está ligada à cisão do objeto;
exagero dos aspectos bons; gratificação
inexaurível
Gratificação alucinatória infantil; além da
cisão e idealização, negação do objeto
frustrador; sentimentos de onipotência
A negação onipotente não nega somente o
objeto e a situação, mas sim a relação de
objeto e, consequentemente, uma parte do
próprio ego.
AULA 11 – POSIÇÃO
ESQUIZOPARANOIDE II
Duas linhas principais de ataque ao
seio/corpo materno: oral e anal
Expulsão de substâncias perigosas do self
para dentro da mãe; partes excindidas do
ego são utilizadas não só para danificar, mas
também para controlar e tomar posse do
objeto.
Ao conter as partes más do self a mãe não é
sentida como um indivíduo separado, mas
sim um self mau; ódio dirigido à mãe.
Protótipo de uma relação agressiva, baseada
no ódio: identificação projetiva.
AULA 11 – POSIÇÃO
ESQUIZOPARANOIDE II
Partes boas do self também são expelidas e
representam suas partes amorosas dentro da
mãe; bebê desenvolve boas relações de
objeto e integração egóica.
Processos de excisão de partes do self e sua
projeção para dentro dos objetos são de
importância vital para o desenvolvimento
normal.
AULA 11 – POSIÇÃO
ESQUIZOPARANOIDE II
Importância dos movimentos de introjeção
do seio da mãe; coesão do ego; refúgio no
objeto bom.
Casos extremos de prevalência da angústia
persecutória, idealização excessiva; ego
servil e submisso ao objeto interno; “ego não
tem vida nem valor próprios”.
Formas de cisão do ego e desintegração;
normais e transitórios no desenvolvimento do
bebê.
Prevalências de mecanismos esquizoides;
esquizofrenia; desenvolvimento intelectual
prejudicado.
AULA 11 – POSIÇÃO
ESQUIZOPARANOIDE II
Projeção e entrada violenta no objeto;
introjeção poderia ser sentida como uma
irrupção violenta do exterior no interior em
represália. Controle não só do corpo, mas da
mente de forma hostil; retirada excessiva
para o mundo interno.
Identificação projetiva e situações de
angústia; fantasia de entrada violenta no
objeto e angústias relacionadas ao perigo
que ameaçam o sujeito a partir do interior do
objeto. Elemento básico da paranoia.
AULA 11 – POSIÇÃO
ESQUIZOPARANOIDE II
Relações de objeto esquizoides: cisão
violenta do self, projeção excessiva; objeto
sentido como perseguidor.
Parte excindida do self, destrutiva e odiada,
projetada como um perigo para o objeto
amado; culpa e deflexão.
Natureza narcisista das relações
esquizoides; idealização do objeto; projeção
das partes más do self para dentro do objeto;
traços obsessivos, necessidade de controle.
Mecanismos obsessivos e identificação
oriunda desses processos projetivos;
reparação e culpa.
AULA 11 – POSIÇÃO
ESQUIZOPARANOIDE II
Artificialidade e falta de espontaneidade;
perturbação da relação com a realidade
psíquica (self) e externa.
Sentimento de solidão e o medo de separar-
se de outra pessoa; ,medo da destruição do
objeto; cisão e projeção na base deste.
Quando elementos agressivos são
predominantes, despertados pela frustração
de separação; conteúdos excindidos do self
para dentro do objeto tentam controlar o
objeto de forma destrutiva; objeto interno
corre perigo de destruição
Enfraquecimento excessivo do ego.
AULA 11 – POSIÇÃO
ESQUIZOPARANOIDE II
O desenvolvimento patológico da posição
esquizoparanoide implica em um círculo
vicioso; impossibilidade de elaborar a
posição depressiva; regressão às defesas
esquizoides e perigo de desintegração.
Fortalecimento de traços depressivos em
determinados casos.
AULA 12 – INVEJA E GRATIDÃO
Último texto de grande porte da obra de
Melanie Klein
Inveja e gratidão como sentimentos opostos
que estão em atividade desde o nascimento;
seio como alvo (objeto primário); influência
nas relações objetais arcaicas.
Inveja inconsciente e as defesas psíquicas;
cisão em caráter normal e patológico
(posição esquizoparanoide).
Continuidade em relação ao texto sobre os
mecanismos esquizoides;
AULA 12 – INVEJA E GRATIDÃO
Seio como fonte de criatividade e efeitos
danosos da inveja
Reação terapêutica negativa como efeito da
inveja
Inveja é uma expressão sádico-oral e sádico-
anal de impulsos destrutivos que tem base
constitucional
Estado pré-natal e sentimento de unidade e
segurança; estado psicológico da mãe;
anseio pelo estado pré-natal e angústia
persecutória associada ao nascimento;
importância das circunstâncias externas
(p.210).
AULA 12 – INVEJA E GRATIDÃO
Importância da internalização de um objeto
originário bom; luta entre pulsões de vida e
de morte e ameaça de aniquilamento do self
e do objeto por impulsos destrutivos no início
da vida.
Sensação de perda e recuperação do objeto
bom; conflito inato entre amor e ódio.
Seio bom e generosidade, criatividade no
plano fantasmático; base da esperança, da
confiança e da crença no bom.
AULA 12 – INVEJA E GRATIDÃO
Efeitos da inveja: dificuldade do bebê em
construir seu objeto bom; gratificação teria
sido guardada para uso próprio do seio,
privando o bebê da mesma.
Inveja, ciúme e voracidade; relações entre
uma, duas e três pessoas; voracidade e
identificação projetiva em seu aspecto
destrutivo; voracidade está associada à
introjeção e a inveja à projeção.
Primeiro objeto a ser invejado é o seio
nutridor; inveja excessiva, traços paranoides
e esquizoides anormalmente intensos.
AULA 12 – INVEJA E GRATIDÃO
Ataques sádicos e impulsos destrutivos em
relação ao seio materno; estrago do objeto pela
inveja.
Privação e incremento da fantasia persecutória
e voracidade; fantasia de um seio inexaurível;
seio que previa o bebê é sentido como mau,
pois retém o leite só para si; inveja e odeia
esse seio mesquinho.
Fatos clínicos: critica destrutiva e angústia
paranoide; parte hostil do self excindida e
apresenta-se aspectos aceitáveis ao analista;
incerteza do analista como figura boa; confusão
que remete à relação com o seio materno;
AULA 12 – INVEJA E GRATIDÃO
Inveja e reação terapêutica negativa;
impossibilidade de construção do objeto bom
na situação transferencial.
Situação transferencial e desejo de agradar
a mãe, anseio de ser amado, necessidade de
ser protegido de seus próprios impulsos
destrutivos (retaliação); inveja e ódio
excindidos.
Fantasia de que compete à mãe evitar toda
dor proveniente de fontes internas e
externas; frustração como patológica e como
estímulo à adaptação ao mundo externo e
desenvolvimento do sentido de realidade.
AULA 12 – INVEJA E GRATIDÃO
O conflito e sua superação são importantes
para o fortalecimento do ego e fundamental
para o desenvolvimento da criatividade.
Forte capacidade de amor e gratidão tem
uma relação profunda com o objeto bom;
possibilidade de suportar a inveja, o ódio e o
ressentimento sem se danificar
profundamente.
A gratidão é um derivado da capacidade de
amar e é essencial para a construção da
relação com o objeto bom; apreciação do que
há de bom nos outros e em si mesmo;
origem na relação mãe-bebê.
AULA 12 – INVEJA E GRATIDÃO
Gratidão implica na capacidade de aceitar e
assimilar o objeto originário amado sem que
a voracidade e a inveja interfiram demais.
Estabelecimento do objeto bom que protege
o self e é amado e protegido pelo mesmo;
base da confiança; capacidade de fazer
reparação; enriquecimento profundo do ego.
Inveja intensa do seio nutridor interfere na
capacidade de satisfação e,
consequentemente, no desenvolvimento da
gratidão; impossibilidade de manter gratidão
e amor; retorno aos mecanismos de cisão e
desintegração;
AULA 13 – INVEJA E GRATIDÃO
Ameaça de aniquilamento pela pulsão de
morte é considerada a angústia primordial;
defesas a serviço da pulsão de vida.
Integração gradual do ego e expressão da
capacidade de amar; cisão como falta de
coesão do ego arcaico e defesa contra a
angústia primordial; preservar o ego.
Cisão como tentativa de dispersão dos
impulsos destrutivos e da angústia
persecutória; cinde a si mesmo e seus
objetos.
AULA 13 – INVEJA E GRATIDÃO
Objeto bom e mau separados na posição
esquizoparanoide preservam o bebê;
capacidade de amar é responsável por
promover as tendências integradoras e o
sucesso de um grau de cisão fundamental
entre objeto amado e odiado.
Integração: objeto bom enraizado no núcleo
do ego; cisão é necessária para preservar o
aspecto bom para, posteriormente, sintetizar
as duas dimensões, boa e má.
AULA 13 – INVEJA E GRATIDÃO
Inveja excessiva interfere na cisão
fundamental entre seio bom e mau;
impossibilidade de assentamento do objeto
bom no ego arcaico e perturbação na
diferenciação entre bom e mau.
Diferença entre objeto bom e objeto
idealizado;
AULA 14 – TRANSFERÊNCIA,
CONTRATRANSFERÊNCIA E SITUAÇÃO TOTAL
“As origens da transferência” (1952): único
texto de Klein dedicado ao tema
Situação total: interpretações precisam visar
as relações de objeto iniciais vividas na
transferência e os elementos inconscientes
presentes na vida recorrente do paciente.
Relações de objeto desde o início da vida;
contemporâneas ao narcisismo e ao
autoerotismo.
AULA 14 – TRANSFERÊNCIA,
CONTRATRANSFERÊNCIA E SITUAÇÃO TOTAL
Revisão de sua teoria a respeito da
constituição psíquica; angústias persecutória
e depressiva, suas respectivas defesas, a
formação de símbolos e da tópica psíquica.
Tentativa de convergência com a teoria
freudiana e de divergência amigável com a
obra de Anna Freud.
Centralidade das relações de objeto na vida
emocional, assim como o papel das
angústias, defesas e fantasias inconscientes
desde o início.
AULA 14 – TRANSFERÊNCIA,
CONTRATRANSFERÊNCIA E SITUAÇÃO TOTAL
Analista pode representar partes do self do
paciente, assim como do superego e de
outras figuras internalizadas.
Distorções próprias à mente do bebê em
relação às figuras materna e paterna, a partir
da idealização; fantasias inconscientes.
Rápidas alternâncias entre figuras internas e
externas, entre fatos e imagos etc.
Analista também pode representar ambos os
pais; fantasia dos pais combinados; inveja
oriunda de desejos orais frustrados.
AULA 14 – TRANSFERÊNCIA,
CONTRATRANSFERÊNCIA E SITUAÇÃO TOTAL
Fantasia de que os pais estão combinados
numa permanente gratificação mútua de
natureza oral, anal e genital.
Na dinâmica da transferência: pensar em
termos de situações totais transferidas do
passado para o presente, assim como
emoções, defesas e relações de objeto.
A transferência está enraizada nos estágios
iniciais do desenvolvimento e nas camadas
inconscientes;
AULA 14 – TRANSFERÊNCIA,
CONTRATRANSFERÊNCIA E SITUAÇÃO TOTAL
Elementos inconscientes são deduzidos a
partir da totalidade do material apresentado;
relação transferencial implicada.
Ligação contínua entre experiências mais
recentes e anteriores; exploração de tais
interações; aproximação entre passado e
presente.
AULA 15 – A IDENTIFICAÇÃO
PROJETIVA E SUA RELEVÂNCIA
CLÍNICA
A identificação projetiva é descrita por Klein
como a principal defesa da posição
esquizoparanoide
Expulsar de si para tentar controlar desde
fora; cisão e confusão identitária do self com
o objeto
Para Klein, a identificação projetiva é
banhada pela dimensão fantasmática e
descrita como uma defesa do self contra a
angústia paranoide
Bion traz outro aporte para a compreensão
da identificação projetiva; modalidade
rudimentar de comunicação entre mãe-bebê.
AULA 15 – A IDENTIFICAÇÃO
PROJETIVA E SUA RELEVÂNCIA
CLÍNICA
Meltzer aprofunda a compreensão a respeito
da analidade na identificação projetiva
Relação complexa entre a valorização
narcísica das fezes, confusões em torno da
zona anal e aspectos de identificação nos
hábitos e fantasias anais baseados em
identificação projetiva.
Modelo da masturbação anal
Relação entre o erotismo anal e a
constelação de caráter da
pseudomaturidade; as if (Deutsch), falso self
(Winnicott); relação com os estados
obsessivos.
AULA 15 – A IDENTIFICAÇÃO
PROJETIVA E SUA RELEVÂNCIA
CLÍNICA
Cisão e idealização inadequada; tendência a
idealizar o reto e seus conteúdos fecais.
Confusão identitária devido à identificação
projetiva; “[...] bumbum do bebê e o da mãe são
confundidos um com o outro, e ambos são
equacionados aos seios da mãe” (Meltzer,
1965/1991, p.111).
Exploração do próprio ânus e das fezes retidas;
equação simbólica entre seio e nádegas
Fantasia de intrusão secreta no ânus da mãe
para roubá-la; confusão entre o conteúdo do reto
do bebê e as fezes idealizadas da mãe, sentidas
como retidas para alimentar o papai e os bebês
em seu interior.
AULA 15 – A IDENTIFICAÇÃO
PROJETIVA E SUA RELEVÂNCIA
CLÍNICA
Dupla consequência: idealização do reto como
fonte de alimento; identificação projetiva
delirante com a mãe interna, que apaga a
diferenciação entre criança e adulto.
Estado excitado e confuso que resulta da
masturbação anal; masturbação do genital e do
ânus, implica as duas mãos.
Fantasia de coito sadomasoquista perversa;
pais combinados e violência. Identificação
projetiva com ambas figuras internas fere os
objetos internos e incrementa a violência pela
intrusão e pelo caráter sádico da relação sexual.
Hipocondria e angústias claustrofóbicas
AULA 15 – A IDENTIFICAÇÃO
PROJETIVA E SUA RELEVÂNCIA
CLÍNICA
Cristalização do caráter pré-edípico;
docilidade, preferência por companhia
adulta, atitude indiferente ou mandona em
relação a outras criança, intolerância à
críticas e grande capacidade verbal.
Rompimento da crosta caracterológica:
ataque de cólera, suicídio, maldade, mentira.
Natureza “pseudo”: sentimento de fraude
como pessoa adulta, impotência sexual,
solidão interne e confusão entre bom e mau;
identificação projetiva maciça.
AULA 15 – A IDENTIFICAÇÃO
PROJETIVA E SUA RELEVÂNCIA
CLÍNICA
Oscilação com o estado obsessivo em casos em que a
organização supracitada não é dominante; objetos
internos não seriam penetrados, mas seriam
onipotentemente controlados e separados.
Nesses casos há a prevalência da problemática da
dimensão edípica, diferentemente da
pseudomaturidade, na qual há a prevalência da relação
parcial com os objetos e da angústia de separação.
Repercussões no processo analítico: pseudocooperação
e prestimosidade na relação com o analista; atuação é
tão dominante que torna a interpretação de conteúdo
inútil
Importância de abordar as partes do self que simulam
uma maturidade, embora haja intensa oposição do
paciente.
AULA 15 – A IDENTIFICAÇÃO
PROJETIVA E SUA RELEVÂNCIA
CLÍNICA
Descrição de sonhos que evidenciam a
pseudomaturidade;
Idealização das fezes como alimento
Idealização do reto
Idealização do banheiro
Representação dos dedos que realizam a
masturbação anal
Sonhos que mostram o processo de intrusão
do objeto no ânus
Idealização do reto como fonte de
pseudoanálise
AULA 15 – A IDENTIFICAÇÃO
PROJETIVA E SUA RELEVÂNCIA
CLÍNICA
Caráter oculto da masturbação anal; estímulo
utilizando a massa fecal; retenção e expulsão,
associados à alteração do estado do ego.
Confusão entre ânus e vagina e negação do
significado da masturbação anal em sua
relação com a genitalidade
Processo psicanalítico da pseudomaturidade:
resolução da auto-idealização e
estabelecimento da capacidade de utilizar o
seio analítico para alívio projetivo.
Alívio de estados confusionais identitários a
partir do trabalho analítico da masturbação
anal oculta.
AULA 15 – A IDENTIFICAÇÃO
PROJETIVA E SUA RELEVÂNCIA
CLÍNICA
Pressão sobre o analista para que se junte na
idealização da pseudomaturidade
Dificuldade da posição contratransferencial; pais
como criança modelo e abstenção dos pais em
suas funções
Incapacidade para amar e possessão e ataques
aos seus objetos
Transferencialmente, nota-se uma predominância
da transferência negativa e da não-cooperação
quando o trabalho analítico acontece.
Gradualmente, a idealização das fezes e a
equivalência com o seio materno cede lugar a
uma maior cooperação dentro da análise
AULA 17 – ANTONINO FERRO E AS
PERSONAGENS NO CAMPO
PSICANALÍTICO
Teoria do campo psicanalítico (Casal
Baranger)
Leitura da obra de Bion
Narratividade e transformações no campo
psicanalítico
Semiótica narrativa e uma relação possível
com a psicanálise
AULA 17 – ANTONINO FERRO E AS
PERSONAGENS NO CAMPO
PSICANALÍTICO
Campo psicanalítico: relacional e emocional;
resistência e trabalho de working-trough do
analista; dimensão inconsciente da
contratransferência.
“O paciente sabe sempre o que o analista
tem em mente” (Bion, 1983).
Movimentos de distanciamento e
aproximação; desenvolvimento dos
personagens no campo e reverberações na
contratransferência
Vértice da escuta em oscilação em relação
ao histórico e ao mundo interno
AULA 17 – ANTONINO FERRO E AS
PERSONAGENS NO CAMPO
PSICANALÍTICO
Ciclo oscilatório entre as transferências
(repetição e exteriorização) e a Relação,
reescrita pelos fatos emocionais através das
duas mentes em conjunto.
Transferência se coloca de forma analógica a
PS enquanto depósito para as elaborações
transformativas da Relação; esta necessita
sempre da transferência para alcançar
emoções não pensadas; identificação
projetiva.
Identificação projetiva como processo
relacional que permite a troca de elementos
emocionais; estatuto específico e
subterrâneo do campo.
AULA 17 – ANTONINO FERRO E AS
PERSONAGENS NO CAMPO
PSICANALÍTICO
Interpretação esvaziada de um significado
rígido; insaturação e abertura a novas
emoções e sentidos.
Personagens são testemunhas da
elaboração; identificações projetivas
recíprocas; comunicação entre pares através
de imagens, elementos não verbais.
“Os personagens brotam como necessidade
do texto relacional de exprimir emoções e
afetos” (Ferro, 1995, p.36).
AULA 17 – ANTONINO FERRO E AS
PERSONAGENS NO CAMPO
PSICANALÍTICO
Interpretação a duas vozes e intervenção
insaturada do analista
Interpretação fraca e interpretação forte
Deslocamento da assimetria para o working-
trough do analista e a escuta, recepção e
nomeação das identificações projetivas;
Personagens e função do analista no campo
Transformação de elementos beta através
da narração e digestão
Receptividade e monitoração do campo;
transformações das figuras do diálogo
psicanalítico.
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PERSONAGENS NO CAMPO
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Enxergar a dupla a partir do vértice do
paciente; uso dos personagens evocados
através de uma dinâmica.
Textualidade da interpretação e halo
semântico do paciente; alfabetização dos
elementos beta é pressuposto da
simbolização. Diferença de recepção na parte
neurótica e psicótica.
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PERSONAGENS NO CAMPO
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“Quando funcionamos com boa
disponibilidade e permeabilidade, assumimos
em grande parte, e frequentemente
interpretamos, as identificações projetivas do
paciente. As modalidades, quaisquer que
sejam, de assumir ou não tais identificações
projetivas de todo modo nos são contadas de
novo pelo paciente. Os personagens que
exprimem ou comunicam tudo isto podem,
por sua vez, ser ‘escritos’ por meio de
mundos diversos: pelas lembranças infantis,
pelos fatos atuais, pelo sonho, pelas
fantasias e assim por diante” (Ferro, 1995,
p.37-38).
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PERSONAGENS NO CAMPO
PSICANALÍTICO
“Este vértice de escuta não pode ser
constantemente o único, pois se incorreria
numa relação voltada para si mesma,
enquanto se deve poder realizar uma
contínua oscilação dos vértices de escuta, da
história, do mundo interior, das
fantasmatizações e deste vértice que
considero privilegiado entre todos,
específico, e de maior espessura
psicanalítica, isto é, volto a repetir, a escuta
do que o paciente diz (ou não diz) como algo
que narra continuamente o que acontece
entre as duas mentes na sessão, vértice que
devemos compartilhar para alcançar o
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PERSONAGENS NO CAMPO
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Alternância entre olhar ampliado e
focalizado
Aproximação das narrações do par através
das personagens a um sonho de
contratransferência; regulação do próprio
arranjo mental e interpretativo.
Agregado funcional: o brotar no diálogo
psicanalítico de imagens, personagens e
sequências narrativas; holografias animadas
e modalidades mutáveis da relação
psicanalítica.
Análogo ao de uma produção onírica de par;
primeiro nível de simbolização
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PERSONAGENS NO CAMPO
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História compartilhada e construída em
conjunto a partir de micro-histórias relativas
à comunicação do paciente e ao processo de
rêverie do analista.
História como garantia da dualidade e
depósito mítico; inspiradora da transferência;
distribuidora dos afetos no eixo do tempo e
datadora dos fatos mentais e emocionais.
Para o analista, a história permite decantar e
sedimentar fatos psíquicos; implicações
relacionais e contratransferenciais.