UNIVERSIDADE ÓSCAR RIBAS
Sistemas de
Telecomunicações II
Msc. João Graça.
COMUNICAÇÕES MOVEIS
Vivemos uma época na qual é percebido um avanço tecnológico ímpar nas telecomunicações.
São inúmeros os diferentes sistemas existentes e a cada dia parece nos ser apresentado um
novo. Mas qual é a tecnologia adequada? – perguntam, confusos, os profissionais de
telecomunicações.
Cada fabricante defende de forma ferrenha sua idéia e ainda diz que a do concorrente é a
menos indicada, embora, muitas vezes, seja a adequada. Se não se conhece a tecnologia,
corre-se o risco de deixá-la ditar as decisões importantes nas organizações, decisões estas
muitas vezes regadas de um modismo inerente a um lançamento tecnológico de impacto.
É importante conhecer a tecnologia para bem poder utilizá-la. Conhecendo-a e tomando as
ações em função do mercado, as organizações deixam de simplesmente “empurrar” essa ou
aquela tecnologia para o cliente. A ele deve ser oferecido aquilo que lhe é necessário, que
realmente se adeque às suas necessidades.
Para atender a esses requisitos é preciso acesso à informação e a capacitação para utilizá-la.
De um lado as organizações precisam se antecipar às necessidades dos clientes, estar
próximo deles, de outro é preciso velocidade na tomada das decisões internas.
E é nesse cenário é que surgem as comunicações móveis. A cada dia há maior necessidade
dos profissionais se deslocarem para fora de seus escritórios, para perto do cliente e da
tecnologia e apresentarem um desempenho no mínimo igual àquele que seria alcançado se
estivessem dentro da organização. As informações precisam ser consultadas e atualizadas
quase que em tempo real, sejam estas informações de caráter tecnológico ou relacionadas ao
cliente. A variedade de serviços oferecidos a cada dia pelos sistemas de comunicação móvel
é o reflexo de toda essa necessidade de acesso e utilização da informação como factor
determinante do sucesso das organizações.
A COMUNICAÇÃO MÓVEL – CONCEITOS FUNDAMENTAIS
CARACTERIZAÇÃO DO CANAL DE COMUNICAÇÃO.
Hoje, através da elaboração de normas mundiais, tem-se buscado constantemente a interoperabilidade dos
sistemas de comunicação móvel e a possibilidade de comunicação global que permita a transmissão de voz,
dados e aplicações multimídia.
Devido principalmente à possibilidade de implementação de novos serviços e também pela segurança na
comunicação, os sistemas digitais têm se mostrado, cada vez mais, candidatos a serem a base definitiva dos
futuros sistemas, principalmente com o avanço da micro-eletrônica e com o desenvolvimento das ferramentas
de software.
Pode-se definir como comunicação móvel aquela onde existe a possibilidade de movimento relativo entre
partes ou as partes sistêmicas envolvidas.
Como exemplo tem-se a comunicação entre aeronaves, entre aeronaves e uma base terrena, entre veículos, a
telefonia celular, a computação móvel, algumas classes de sistemas de telemetria, etc.
Os canais associados a sistemas de comunicação móvel podem ser agrupados em dois tipos: um pode ser
chamado de canal via satélite e o outro de canal terrestre.
O canal de comunicação via satélite é um canal AWGN (Additive White Gaussian Noise-Ruído
Gaussiano Branco Aditivo) onde predominam fortes atenuações e muitas vezes grandes atrasos de
propagação do sinal.
O termo AWGN é utilizado em modelamentos matemáticos para caracterizar aqueles canais onde o tipo de
ruído responsável por degradar a comunicação é um ruído branco adicionado ao sinal. Este tipo de ruído é um
dos mais “bem comportados” e a teoria acerca do desenvolvimento de receptores óptimos para utilização em
canais AWGN já se tornou clássica.
O ruído branco é um sinal aleatório e tem um modelamento matemático que o considera como possuindo
largura de faixa infinita, média nula e correlação nula entre suas amplitudes tomadas a instantes de tempo
distintos, ou seja, o valor da amplitude do ruído em um determinado instante independe daquele observado em
outro instante de tempo qualquer.
O termo gaussiano se deve ao fato desse tipo de ruído possuir uma função densidade de probabilidade
gaussiana com média nula, com desvio padrão igual à sua tensão rms (root-mean-square) e variância igual à
potência dissipada em um resistor de 1Ω.
O ruído branco aditivo gaussiano é um modelo básico de ruído usado na teoria da informação para imitar
muitos processos aleatórios que ocorrem na natureza.
Os adjetivos indicam que é:
Aditivo : Aumenta o ruído intrínseco do sistema de informação;
Branco: A sua potência é uniforme em toda a largura de banda de freqüência do sistema, ao contrário do ruído
colorido que favorece uma banda de freqüência por analogia com a luz colorida no espectro visível ;
Gaussiana :Tem distribuição normal no domínio do tempo com média zero.
Há três categorias nas quais se encaixam todos os sistemas de comunicação móvel via satélite.
A primeira se refere aos satélites de órbita geossíncrona (GEO – Geostationary Earth Orbit).
Satélites de órbita geossíncrona, especialmente os de órbita geoestacionária (GEO – Geostationary Earth
Orbit), são satélites que orbitam a Terra a aproximadamente 35.786 km de altitude, diretamente sobre o
equador. Eles têm um período orbital igual ao período de rotação da Terra (cerca de 24 horas), o que faz com
que, para um observador em solo, o satélite pareça "parado" no céu, sempre na mesma posição relativa.
Principais características dos satélites GEO:
• Órbita circular e equatorial (0° de inclinação).
• Velocidade orbital ajustada para coincidir com a rotação da Terra.
• Cobertura contínua de uma mesma área da superfície terrestre.
• Aplicações típicas: telecomunicações (TV, internet), meteorologia (monitoramento climático), sistemas de
navegação, e vigilância.
Vantagens:
• Estabilidade para comunicação contínua (antenas fixas podem apontar para o satélite sem precisar
rastreá-lo).
• Grande área de cobertura (um único satélite GEO pode cobrir cerca de 1/3 da superfície da Terra).
Desvantagens:
• Alta latência (demora na transmissão de dados) devido à distância.
• Menor eficiência em altas latitudes (próximo aos polos).
• Alto custo de lançamento e manutenção.
EXEMPLOS DE SATÉLITES GEOSTACIONÁRIOS:
1. GOES (Geostationary Operational Environmental Satellites)
• Função: Monitoramento meteorológico e ambiental.
• Operado por: NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, EUA).
• Exemplo: GOES-16 – captura imagens de furacões, tempestades e outros fenômenos climáticos em tempo real.
📡 2. Intelsat
• Função: Comunicação internacional (telefonia, TV e internet).
• Operado por: Intelsat Corporation.
• Importância: Um dos primeiros grandes sistemas de satélites comerciais do mundo, usado desde os anos 1960.
MEO significa Medium Earth Orbit (Órbita Média da Terra).
Esses satélites orbitam a Terra a uma altitude entre aproximadamente 2.000 km e 35.786 km (entre LEO e GEO).
• Altura típica: Cerca de 20.000 km.
• Período orbital: De 2 a 12 horas (depende da altitude).
• Cobertura: Ampla, mas menor que a de satélites GEO.
• Velocidade: Mais rápida que GEO, mais lenta que LEO.
Principais usos de satélites MEO:
• Sistemas de navegação global:
⚬ GPS (EUA)
⚬ GLONASS (Rússia)
⚬ Galileo (União Europeia)
⚬ BeiDou (China)
• Comunicações:
⚬ Alguns novos sistemas de internet global, como o O3b Networks (que fornece internet para regiões remotas),
usam satélites em MEO.
Vantagens dos satélites MEO:
• Melhor cobertura que os LEO (baixa órbita).
• Menor latência que os GEO (mais rápido para comunicação).
• Ideal para posicionamento (GPS, etc.) porque conseguem ver grandes áreas da Terra com boa precisão.
Desvantagens:
• Precisam de mais satélites do que um sistema GEO para cobertura contínua.
• Ainda têm alguma latência (mais do que LEO, menos que GEO).
Descrição do funcionamento de satélites MEO (Medium Earth Orbit):
• Órbita média:
• O satélite orbita a Terra a uma altitude entre 2.000 km e 35.786 km, geralmente por
volta dos 20.000 km. Ele se move mais devagar que um satélite de órbita baixa (LEO),
mas mais rápido que um de órbita geoestacionária (GEO).
• Movimento:
• Segue uma trajetória elíptica ou quase circular em torno da Terra. Como não está tão
distante quanto um GEO, o satélite muda sua posição relativa no céu ao longo do
tempo.
• Comunicação e sinais:
• O satélite emite sinais para a Terra (como mostrado pelas linhas de comunicação na
imagem). Esses sinais podem ser de posicionamento (GPS, GLONASS, Galileo,
BeiDou) ou internet de alta velocidade (como no sistema O3b).
• Cobertura:
• Cada satélite MEO cobre uma grande área da Terra, mas para cobertura global
contínua é necessário um conjunto de vários satélites, distribuídos de maneira
coordenada.
• Período orbital:
• O tempo que o satélite leva para dar uma volta completa na Terra varia entre 2 e 12
horas, dependendo da sua altura exata.
• Aplicações principais:
⚬ Navegação (localização e posicionamento, como GPS).
⚬ Comunicação de dados em alta velocidade para regiões remotas.
⚬ Tempo de resposta: menor latência (atraso) que um satélite GEO, importante para
navegação precisa.
LEO significa Low Earth Orbit (Órbita Baixa da Terra).
Esses satélites orbitam a Terra a altitudes de aproximadamente 160 km a 2.000 km acima da
superfície.
• Altura típica: De 500 a 1.200 km (depende da missão).
• Período orbital: Cerca de 90 minutos para completar uma volta ao redor da Terra.
• Cobertura: Pequena área da superfície — precisam de constelações de muitos satélites para
cobertura contínua.
Principais usos de satélites LEO:
• Comunicações rápidas:
⚬ Internet via satélite (ex: Starlink, OneWeb).
• Observação da Terra:
⚬ Monitoramento ambiental, agricultura, desmatamento, mudanças climáticas (ex: Landsat,
Sentinel).
• Espionagem e vigilância:
⚬ Satélites militares e de segurança.
• Experimentos científicos:
⚬ A bordo da Estação Espacial Internacional (ISS).
Vantagens dos satélites LEO:
• Baixa latência (atraso muito pequeno na comunicação).
• Alta resolução para imagens da Terra (porque estão mais perto).
• Menor custo de lançamento (menos energia para alcançar a órbita).
Desvantagens:
• Como se movem muito rápido em relação à Terra, não ficam parados no céu — é necessário
muitos satélites para garantir cobertura constante (ex: constelações como a Starlink com milhares
de satélites).
Os satélites de órbita média (MEO - Medium Earth Orbit) e os de órbita baixa (LEO - Low Earth
Orbit) estão mais próximos da superfície da terra e para que se mantenham nessa órbita
necessitam viajar a uma velocidade superior à de rotação da terra, não possuindo, portanto,
cobertura fixa.
A distância dos vários satélites à terra, a porcentagem da superfície da terra “vista” por cada um
(footprint), a largura de faixa de operação e o atraso de propagação (somente subida ou descida)
típicos podem ser visualizados na Tabela 1.
O canal de comunicação terrestre tem como características
principais a propagação por multipercursos e o efeito Doppler.
O efeito Doppler é a percepção de uma freqüência diferente
daquela que está sendo transmitida por uma determinada fonte.
Esse efeito acontece devido ao movimento relativo entre a fonte e o
r e c e p t o r, q u a n t o m a i o r a v e l o c i d a d e d e d e s l o c a m e n t o d o r e c e p t o r
em relação à direção de propagação da onda de rádio, maior o
desvio de freqüência percebido.