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Budismo: História e Ensinamentos Essenciais

O documento explora a história do budismo, desde suas origens na Índia até sua expansão no sudeste asiático e além. Destaca os ensinamentos fundamentais do Buda, como as Quatro Nobres Verdades e o Caminho Óctuplo, que visam a libertação do sofrimento e a iluminação. O texto também menciona as diferentes escolas de budismo, como Theravada e Mahayana, e a evolução da figura de Buda ao longo do tempo.

Enviado por

Tiago Jerónimo
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Budismo: História e Ensinamentos Essenciais

O documento explora a história do budismo, desde suas origens na Índia até sua expansão no sudeste asiático e além. Destaca os ensinamentos fundamentais do Buda, como as Quatro Nobres Verdades e o Caminho Óctuplo, que visam a libertação do sofrimento e a iluminação. O texto também menciona as diferentes escolas de budismo, como Theravada e Mahayana, e a evolução da figura de Buda ao longo do tempo.

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2.

História das religiões ditas «sapienciais», da


Índia à China e ao Japão.
- o budismo
O budismo, da Índia
ao sudeste asiático

Buddha Dordenma,
Thimphu, Butão.
morte: 425
Mahavira (jainismo) , os 24 tirthankaras e os 3 pilares
a.C.?
ahimsa, anekantavada (não verdade absoluta) e aparigraha (não cobiça,
nãoFontes
avareza; Shvetambara
ascetismo) 599-527
a.C.
(os ‘vestidos de branco’)
Digambara 582-510
a.C.
(sem roupa alguma)
Siddhartha Gautama, o Buddha
(budismo)
c. 566-486 a.C. crónicas históricas do Ceilão:
Dipavamsa,
Mahavamsa (e Puranas,
fontes jainistas,
fonte chinesa Faxian, do séc.
V d.C.)

c. 448-368 fontes
morte: indianas Sarvastivada
(464-384) a.C. c. 411-400
(e traduções tibetanas,
chinesas) a.C.?
Buddh
a

Monarquia

In The Foundations of Buddhism, Rupert


Gethin, Oxford University Press.
A Índia e o budismo
A Índia é um território de grande variedade
religiosa, o berço não apenas do hinduísmo,
mas também do budismo, jainismo e siquismo.
 c. séc. VI a.C. – Siddhartha Gautama, o
Buddha (Buda, em pt.). Novos caminhos
religiosos/ heterodoxias hindus; contexto:
migração - bacia do Ganges – e urbanização
(vide reino de Magadha, dos gana-sanghas),
com afirmação da classe mercantil.
cf. brahmanismo místico: Upanishads.
Começa a crer-se na reencarnação da alma,
regida pelo karma, e na possibilidade de
libertação (moksha) daquele ciclo, mediante o
Os ritos sacrificiais tornaram-se cada vez mais
complexos, podendo, alguns deles, prolongar-se
até por um ano, implicando gastos exuberantes
e recurso a um elevado número de sacerdotes:
excluiu os membros mais pobres e menos
poderosos da sociedade de muitos dos rituais
mais elaborados.
O caminho do meio
Dhammacakkappavattana Sutta (‘Sutra da
Colocação em Movimento da Roda do Dharma’,
Saṃyutta Nikaya, 56:11)
“Assim eu [Ananda] ouvi numa certa ocasião.
O Buda estava em Varanasi, no Parque dos Veados, em Isipatana. Aí
dirigiu-se aos monges do grupo de cinco:
Monges, os seguintes dois extremos não devem ser cultivados por
alguém que saia de casa. Quais são eles? Ligar-se ao prazer dos
sentidos, ao que é inferior, baixo e ignóbil e traz más consequências;
e entregar-se às mortificações, e ao que é doloroso e ignóbil e traz
más consequências. O caminho médio descoberto pelo Buda evita
estes dois extremos: dá visão e conhecimento e conduz à paz, à
sabedoria, à iluminação e ao nirvana.”

Dhammapada , século III a.C. (Sutta Pitaka,


Khudakka Nikaya)
 O budismo não se pronuncia sobre a causa
primeira e última do mal, mas sim da
insatisfação (duhkha). E… não há um ciclo
infinito de renascimento e morte: o budismo
quer que cada um chegue ao fim da rota, ao
nirvana (praticamente equivalente a
moksha), após a iluminação (bodhi). O
nirvana “É como uma paisagem alpina
encoberta pelo nevoeiro; só quando a névoa
se dissipa é que nos apercebemos da beleza
do lugar em que já estávamos antes” (Juan
Masiá).
Nem todas as perceções correspondem a uma
visão clara da realidade (sabedoria). Este nível de
perceção é possível por meio de um buddhi claro,
iluminado, DESPERTO (i.e., o observador não se
confunde com o visto).
Quando o buddhi está tranquilo/ harmonioso
(sattvico, como ficou o de Siddharta), dirige-se à
libertação. O buddhi tem uma relação com todos
os samskaras (‘impressões’, ‘marcas’), indriyas
(‘sentidos’) e manas (‘mente’), pois controla-os.
Visão clara da realidade/ sabedoria/
conhecimento direto e intuitivo.
[Link]
channel=ZendoBrasil
,
[Link]
Sahasrara citta
buddhi

Ajna manas
ahamkara

Vishuddha (Upanishads)

Anahata

Manipura

Svadhishthana

Muladhara
Da Índia ao sudeste asiático
Depois do imperador Ashoka (séc. III a.C.), o
budismo expandiu-se no Oriente (quase
desapareceu na Índia desde o século XIII).
- Sri Lanka, Myanmar, Tailândia, Cambodja,
Laos: o budismo Theravada (‘escola dos
anciãos’ - a escola mais antiga -, a via da
disciplina, o “veículo pequeno” (!) - Hinayana).
Budismo como caminho para a auto-redenção,
nirvana nesta vida reservado praticamente
apenas aos monges;
- China, Tibete, Mongólia, Vietname, Coreia,
Japão: o budismo Mahayana (‘grande veículo’
(!)/, ‘grande embarcação’; a escola mais
- budismo tibetano: Vajrayana (‘veículo
diamante’, a via do misticismo ritual) ou
lamaísmo (lama, ‘professor’, ‘mestre’);
- budismo japonês: Zen (‘meditação’, a
via do esvaziamento).
A figura de Buda: de um ser humano
(Shakyamuni), a um Buda eterno (através da
vivência do seu Dharma, ensinamento) e ser
sobrenatural, próximo Buda (Maitreya).
Foque-se nas seguintes fotografias:

Buddha Dordenma, Thimphu,


Butão
:

Memorial de Buddha Makabucha, Nakornnayok,


Grande Buddha de Phuket (Phra Puttamingmongkol Akenakkiri), Tailândia
Amithāba (Buda Amida, o Buda da Vida e Luz Infinitas) e Sukhavati (‘terra da
felicidade’), século XVIII, Tibete
O que têm em comum?
- Ajna chakra assinalado
[não bem visível na
segunda fotografia];
- Sahsrara chakra
iluminado [saído do
cimo da cabeça] (não
observável na última
fotografia, mas
condição necessária
para representar
Buda);
- Buda em postura de
siddhasana;
- Sorriso e/ ou expressão
de serenidade, auréola e
A vida de Buda
A primeira biografia coerente de Buda,
Buddhacarita, foi escrita por Asvaghosa, por
volta do ano 100. Anteriormente, há referências
esparsas nas escrituras budistas.
[Link]
&ab_channel=Espa%C3%A7oZen
.
Siddhartha asceta e os cinco
companheiros. Borobudur (Java,
Vajrapaṇi
(guardião do
Buda)

O primeiro
sermão, em
Sarnath
(Parque dos
Veados em
Benares, nos
arredores de
Varanasi –
Isipatana).
Xisto, século
II, região de
Gandhara. 5
companheiros
ascetas
Dhammacakk
a, ‘roda do
Dharma’
Sujata a prepar o
caldo de arroz para
Siddhartha
Gautama.
Wat Dusitaram,
Thonburi
(Tailândia).
Bodhi Gaya, NE Índia, Património Mundial (UNESCO, 2002). C. 288 a.C.
Siddharta Gautama experimentou a felicidade da libertação (vimutti)
debaixo da figueira. A libertação deve ser entendida como libertação do
desejo, da paixão, do ódio, mas também da submissão aos sentidos e do
ciclo das reencarnações. Local propriedade do estado de Bihar, Índia, e
Wat Thong Thammachat, Thonburi
(Tailândia), século XVIII.

Buda

Indra
Indra e
Brahma:
incentivo ao
ensino da
doutrina
budista,
Dharma (com
maiúscula).
Tendo saído de samadhi
(‘concentração intensa e
prolongamento da mente’), debaixo
da árvore Buda refletiu
profundamente sobre o “Surgir
Os ensinamentos e seus
símbolos
As três perceções fundamentais de Buda ou
marcas da existência:
 a impermanência/ transitoriedade/ mudança
(anitya). “Nada é fixo nem permanente”
(vide monja Coen).
 a insatisfação (dukha). Confiar em algo
material, ilusoriamente permanente, é inútil.
 Nem o si-mesmo (por vezes traduzido por
alma) é permanente (anatman). Buda rompe
com o atman (é tão fugaz como o resto);
impossível de dizer “este sou eu”
(permanente mutação física e mental do
Homem).
1ª. “Eis, monges, a nobre verdade do sofrimento
[dukkha, insatisfação]: o nascimento é sofrimento, a
velhice é sofrimento, a doença é sofrimento, a
morte é sofrimento; a união com o que é
desagradável é sofrimento; a separação do que é
agradável é sofrimento; não se conseguir o que se
quer é sofrimento; em suma, os cinco agregados
[skandha] que conduzem a uma ligação são
sofrimento.” «Sintoma»: tudo é sofrimento.
2ª. “Eis, monges, a nobre verdade da causa do
sofrimento [samudaya]: É o desejo que leva à
existência renovada, acompanhado pelo prazer e
pela ligação, na procura constante do prazer; ou
seja, o desejo de prazeres dos sentidos, o desejo da
existência, o desejo da inexistência.” «Diagnóstico»:
a causa – o desejo.
3ª. “Eis, monges, a nobre verdade da cessação do
sofrimento [nirodha]: é o desaparecer sem resíduo e
4ª. “Eis, monges, a nobre verdade do
caminho que leva à cessação do sofrimento
[magga]: é o nobre caminho óctuplo”:
1) Visão (parecer, compreensão) correta/ reta
(enquanto visão clara da realidade)
sabedoria, prajña
2) Aspirações (intenções, pensamentos)
corretas
conduta, śila
3) Palavra (discurso) correta
4) Conduta (ações) correta
5) Modo de vida (existência) correto
6) Esforço correto meditação, samadhi
7) Presença de espírito correta
8) Êxtase ou concentração correta
ou os 8 passos do nobre caminho óctuplo.
«Terapêutica»: o nobre caminho óctuplo.
In Dhammacakkappavattana Sutta (‘Sutra da
 Abraham Vélez de Cea escreveu que a
finalidade do budismo é acabar com o mal
em todas as suas formas erradicando “a
perceção incorreta da realidade”, através de
um caminho para o despertar.
A partir daqui, é possível descobrir as quatro
nobres verdades, compreender o sentido da
existência, aspirar à iluminação, libertar-se
da lei do karma e viver feliz, atento e
equânime, ou seja, em desapego e
desinteresse mundano. Nesta fase, o budista
poderá tornar-se um venerável arhat, não
voltará a renascer e, ao morrer, alcançará o
 Embora não exista uma hierarquia das oito
vias, uma sequência linear (mas, sim, uma
interligação contínua e dinâmica), as várias
etapas estabelecem uma sequência lógica,
uma espiral ascendente de virtude que
remata nas últimas três etapas do Caminho,
centradas na importância da meditação:
aprimorar e purificar a mente, renunciar aos
estados malévolos, desviando os maus
pensamentos e fomentando a contemplação e o
desprezo pelo mundano.
a roda do proteção
o lótus Dharma a boa
a
está sorte em
prosperid
enraizad geral;
ade e a
o na os seres
vida longa
lama vivos
profunda que
, seu
o som do praticam
caule
Dharma o
cresce
despertanDharma
através não têm
do os
da água
seres da medo de
turva e a
ignorânci se
flor afogar
entrelaçament a
eleva-se no
acima do o, a vitória
sobre o oceano
charco e representando
mal do
abre-se a origem
sofrimen
linda e dependente e
to e
a inter-relação
Os oito símbolos
perfuma
de todos
auspiciosos
os
budistas: apodem flor de lótus,
da ao Sol migrar
o vaso do tesouro,
fenómenos o nó infinito, a roda do Dharma, o
livremen
estandarte da vitória, a concha branca, te comoos dois
Buda e a svastika. A suástica aparece representada
em várias culturas antigas. Para os hindus, já era um
símbolo sagrado; simboliza o bem-estar e significa
‘sorte’ (associada a Ganesha no hinduísmo, a divindade da
sabedoria).
Sangh
a
Dharm
Declaração budista a
da fé em Buda
enquanto ser
humano que
transcendeu a dor
e o renascimento,
na eficácia da sua Buda
doutrina (que
permite que os
outros consigam
igualmente fazê-lo)
e na sangha como
comunidade que
conduz ao êxito
desse objetivo:
“Refugio-me em
Buda, refugio-me Thangka tibeta
no Dharma e das Três Jóias,
refugio-me na século XIX.
Mahavagga (Vinaya Pittaka, 2, 13) [O pai de
Yaśa]
“O Buda explicou o Dharma que ensina o que os iluminados
descobriram por si: o sofrimento, a origem, a cessação e o
caminho. Tal como um bocado de tecido limpo e sem mácula à
beira de ser tingido é atirado para a tinta e aceita-a
completamente, assim ao mercador, sentado no seu lugar,
apareceu a visão do Dharma sem poeira, sem mancha: tudo o
que tem a natureza de surgir, tem a natureza de cessar.
Então o mercador […] disse ao Buda: […] «Tomo refúgio no
Buda, no Dharma e na Sangha. Tenha por favor em atenção,
Gracioso, que sou um seguidor laico que toma neles refúgio a
partir de hoje e enquanto tiver o sopro da vida», e tornou-se o
primeiro discípulo laico no mundo com a fórmula do refúgio nas
Três Jóias.”

E cinco preceitos: não causar dano a nenhuma


criatura viva, não mentir, não se apoderar do
- Os preceitos para monges
Os cinco preceitos +
abstenção de comer a horas proibidas (depois
do meio-dia),
abstenção de dançar, cantar ou participar em
espetáculo,
abstenção de usar joias ou perfumes,
abstenção de usar cama elevada ou espaçosa,
e abstenção de receber ouro e prata
(dez preceitos) para o noviciado (cerimónia
pravrajya).
ordenação (upasampada) → bhikṣu, monge/
bhikṣuṇi, monja: regras detalhadas (diferenças
entre as regras para moksha), incumprimentos
As escrituras budistas
Dizem-nos as escrituras budistas que, nos quarenta
e cinco anos a seguir à iluminação em Bodhi Gaya,
Buda pregou a sua mensagem de salvação e reuniu
discípulos, organizando-os na ordem monástica
budista (a sangha; talvez seguindo o modelo
jainista), com um código de regras, Vinaya. As
conversas com os discípulos foram coletivamente
designadas Sutta. Os discípulos Ananda e Upali
recitaram as palavras de Buda e explicaram o seu
contexto no primeiro concílio (aquele que lhes deu
valor oficial), em Rājagaha e pouco tempo após
morte de Buda.
O recurso à língua vernácula da época, o pali, foi
um fator a contribuir para a rápida difusão do
Tipittaka/ os principais textos do budismo
Theravada: Sutta Pittaka (discursos, palavra do
Buda, proferida por ele ou pelos seus pupilos),
Vinaya Pittaka (disciplina monástica),
Abhidhamma (Abhidharma, em sânscrito;
‘Dharma mais alto/ mais desenvolvido’) Pittaka
(comentário, interpretação, sistematização do
Dharma). 4 Nikayas (‘coleções’) do Sutta Pittaka:
Dirgha (longo), Majjhima (médio), Saṃyutta
(curto, agrupamento por temas), Aṅguttara
(curto, agrupamento por números) e os Nikayas
‘menores’, Khuddaka (onde se inclui o Udâna,
Theragāthā - experiências de renúncia por
monges/ monjas -, Dhammapada).
Os principais textos do budismo Mahayana: Sutra
dos Infinitos Significados/ Sutra dos Sentidos
Inumeráveis, Sutra da Flor de Lótus do Dharma
Sublime, Sutra da Prática Ascética para
Majjhima Nikaya, coleção de 152 sermões do
Buda histórico (Shakyamuni) reconstituídos
pelos seus discípulos mais próximos.
Cf. os textos budistas dos diapositivos 7, 28 e 34.

Udâna (‘declaração’) é um caleidoscópio de


episódios da vida do “Iluminado”/ “Desperto” e
dos seus primeiros companheiros. Inclui um
relato das seitas não budistas e dos grupos de
ascetas (que usam tranças enroladas no alto da
cabeça e se submergem em água gelada como
forma de purificação espiritual, por exemplo). O
companheiro mais próximo de Buda: Ananda.
O aparecimento dos primeiros monges e o seu
rápido sucesso junto das populações
acarretaram uma progressiva perda de
popularidade de outros grupos religiosos. Um
dos capítulos do Udâna (Udâna VI: 10):
“A lucerna brilha
enquanto não surge o Sol;
mas assim que o Sol nasce,
a sua luz extingue-se e não brilha.
Tal é o brilho dos dialéticos [os membros das outras seitas],
enquanto não surgem neste mundo
os perfeitamente iluminados [os budistas].
Não alcançam a pureza
nem os que se dedicam à especulação
nem os seus discípulos,
e, entregando-se às suas opiniões erróneas,
O concílio de Pātaliputra: as
ideias de Mahādeva
Século III a.C.
Mahādeva sobre os arhat (arhati, ‘ser digno de’,
‘ter mérito’): considera a possibilidade de todos
serem arhat (Buda histórico considerado arhat).
Mahāsāṃghika: regras liberais de vinaya (papel
central de monges opostos ao elitismo
monástico e identificados com aspirações dos
leigos), dúvidas sobre a perfeição do arhat,
Buda com características sobre-humanas
(primeira divisão da ordem budista tinha
ocorrido no segundo concílio, 386 a.C.).

Movimento Bodhisattva, Bodhisattva-yāna (150


O budismo Mahayana

C. ano 100, o ‘grande veículo’ (budismo


Mahayana):
 bodhisattva: caminho do nirvana e escolha
de salvamento de outros por transferência de
mérito, compaixão
 Budas, compaixão
 multiplicação de bodhisattvas e de Budas
 importância da devoção a Buda. Escola Terra
Pura, Amitābha, e recitação do nome do Buda
 desenvolvimento da especulação sobre a
natureza do Buda, trikaya (todas as tradições
pré-Mahayana: Buda com poderes especiais,
32 marcas)
Amithāba (Buda Amida, o Buda da Vida e Luz Infinitas) e Sukhavati (‘terra da
felicidade’), século XVIII, Tibete
Bodhisattva Avalokiteshvara
(bodhisattva da compaixão)
[Guanyin] mostrando o caminho
para a Terra Pura. Pintura sobre
seda, Dunhuang (China), século
Processo de evolução do bodhisattva:
1. aspiração a bodhisattva + voto para uma
perfeita iluminação (com salvamento de outros)
2. prática de paramita, ‘perfeições’, em 10
estádios (Monteiro, 2021, p. 337; último
estádio: transferência de mérito sem
consciência do bem causado).
Ida de Buda a Tuṣita (4º céu
mais baixo de 26), onde residem
os bodhisattvas antes de serem
Budas, e descida à terra.
Budismo na China e no Japão
e os seus desenvolvimentos
 c. 50 (d.C.) – mercadores da Ásia Central
introduzem o budismo no Norte da China.
Início do primeiro período de tradução de
textos budistas para línguas chinesas (em
402, busca de textos budistas na Índia, e
outros textos estrangeiros, e sua tradução).
 c. 200 – budismo introduzido por mercadores
no Sudeste Asiático.
 c. 300 – o budismo, religião proeminente na
China e início da sua introdução na Coreia.
 538 – budismo introduzido no Japão a partir
da Coreia.
 c. 750 – budismo estabelece-se oficialmente
 c. 800 – budismo Chan (Zen) e Terra Pura são
as escolas dominantes na China.
Estabelecimento das escolas Tendai e
Shingon no Japão.
 c. 1050 – outras formas de budismo
florescem pelo Sudeste Asiático.
 c. 1200 a 1250 – a escola Zen Rinzai
estabelece-se no Japão, seguindo-se a escola
Jodo (budismo Terra Pura), Zen Soto e Shin
Jodo (budismo Verdadeira Terra Pura).
 c. 1350 – Tsongcapa funda a escola Gelugpa
de Vajrayana (acaba por dominar o budismo
Vajrayana e é chefiada pelo dalai lama).
Vide restante cronologia em Hawkins, 2008, pp. 11-12 e as
obras disponíveis na UC
As religiões da China e do
Tibete: do budismo ao
taoismo

Grutas Yung Kan,


província chinesa de
Shanxi.

Buddha Dordenma,
Thimphu, Butão.
A meditação nas várias
escolas budistas e no
budismo tibetano
Todas as escolas budistas consideram a
meditação o centro da sua prática religiosa;
porém, seguem rituais específicos:
 a disciplina dos monges da escola Theravada
é o fundamento da prática religiosa e, só
depois de terem obtido o domínio dos seus
corpos e das suas mentes por meio desta
vida de disciplina, os monges podem
começar a meditar com eficácia. A
aprendizagem da meditação passa por
muitas horas a aperfeiçoar a técnica
meditativa (objeto de descrição em grande número de
obras, tem 8 fases progressivas do conhecimento, jnana, a
obtenção da paz mental, samatha, e a profunda meditação
 a arquitetura de um mosteiro Zen mostra a
ênfase atribuída à introspeção. Tem muitos
rituais animados e complexos, com o objetivo
de prestar homenagem a Buda, mas todas
essas ações servem para aprofundar a sua
meditação (são meios para um fim), ou, em
primeiro lugar, para intensificar a atenção do
monge (concentração), de modo a ter plena
consciência de tudo o que faz. Aprendizagem
da postura adequada para a meditação;
 o mandala kalachakra representa para o
budismo Vajrayana um mapa de todo o
universo, com o qual o objetivo é contribuir
para que o indivíduo atinja o nirvana. A
iniciação (apenas Vajrayana), denominada
Kalachakra, é feita por um guru ou mestre.
Cada indivíduo recorre a uma combinação
diferente de técnicas (pois todos dispõem de
talentos e capacidades diferentes) para sair
do ciclo de renascimento e morte. A
meditação é vista como um instrumento
fundamental dessa procura, bem como a
força do ritual (as outras escolas budistas
Exemplos de práticas preliminares (após as
quais há a iniciação): a prostração do
praticante completamente ao comprido no
chão; a oferenda simbólica (para o bem de
todos, não apenas dos humanos), a recitação
do mantra. Iniciações mais elevadas
permitem que o praticante se dedique a
formas específicas de meditação, muitas
vezes de influência tântrica (recurso a
determinados mantras, a cânticos místicos, a
mandalas, a técnicas de visualização de um
yidam ou deidade guardiã – as divindades
são símbolos arquétipos para processos
psicológicos e neuroses).
Outros símbolos do budismo Vajrayana
tibetano (há, também, o budismo Vajrayana japonês):
dorjes (ceptros com duas pontas, que
Monges tibetanos.
OM MANI PADME HUM, um mantra tibetano:
[Link]
C. 750, o budismo estabelece-se oficialmente
no Tibete; início da escola Vajrayana. A escola
maioritária tibetana: Gelugpa, fundada c. 1350
por Tsongcapa (1073, reforma do budismo
Vajrayana).
O atual Dalai Lama em criança.
O budismo na China e o
taoismo
A China: vídeo do Ministério da Cultura e do Turismo da
República Popular da China.
C. 50 (d.C.), mercadores da Ásia Central (das
principais rotas entre Oriente e Ocidente)
introduzem o budismo no Norte da China. O
pensamento de Nagarjuna (século II), melhor
aceite na China, fez com que o budismo ali se
difundisse. Desenvolveram-se várias escolas
budistas inteiramente novas: Tiantai, Huayan,
Chan e Terra Pura (todas do budismo
Mahayana).
C. 300, o budismo é uma religião proeminente
na China (até ao século IV era, em larga escala,
a religião dos monges estrangeiros residentes
O missionário budista An Chih-cao ocupou-se da
primeira tradução de escrituras budistas para
chinês (no ano 148); recorreu-se a termos
taoistas para transmitir ideias budistas (seria
necessário inventar termos budistas em
chinês).
O budismo entrou na sua idade de ouro na
China no início do século VII, com a ascensão
da dinastia Tang (vide cronologia da história da China em
Adler, 2002, p. 9): novo florescimento de traduções
e intensa atividade filosófica.
O budismo, já suficientemente popular no
século IX, constituiu uma ameaça à estrutura
Curiosidade:
Compare-se a 2ª
Nobre Verdade com
os cinco kleshas,
‘obstáculos’, fontes
de sofrimento, nos
Yogasutras de
Patañjali:

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