UNIVERSIDADE ALBERTO
CHIPANDE
HOSPITAL CENTRAL DE NAMPULA
Faculdade de ciências de saúde
Licenciatura em Medicina Geral 4º ano
Tema: ACIDENTES VASCULARES CEREBRAIS
Docente:
Dr. Frederico João Sebastião
Médico Neurologista
Nampula, Janeiro de 2024
INTRODUÇÃO
• Os AVCs são uma das afecções neurológicas
agudas mais comuns e, também, uma das
patologias mais frequentes como causa de
internamento.
INTRODUÇÃO
• O AVC é uma doença súbita que afecta uma
zona localizada do encéfalo, produzindo
portanto, sintomas e sinais deficitários
causados pela perda de função da área
afectada.
• Ocorre frequentemente em indivíduos com
factores de risco vascular.
INTRODUÇÃO
FACTORES DE RISCO PARA AVC
NÃO MODIFICÁVEIS MODIFICÁVEIS
Idade ˃ 40a Hipertensão arterial
Sexo Diabetes
Género Tabagismo
Raça Hiperlipidemia
Arritmia cardíaca (FA)
Obesidade
Sedentarismo
Drogas ilícitas
Hipercoagulabilidade
CLÍNICA
• Quando suspeitamos que estamos perante um
doente com AVC?
TRÍADA
DOENTE COM
INÍCIO SÚBITO FACTORES DE
SINTOMAS E RISCO
SINAIS FOCAIS
CLÍNICA
É REALMENTE AVC?
CLÍNICA
É REALMENTE AVC?
• Falsos positivos:
Perturbações psiquiátricas (transtorno conversivo,
perturbações pânico),
Enxaqueca com aura,
Síndrome confusional agudo de causa metabólica,
infecciosa ou iatrogénica no idoso,
Vertigens periféricas,
Parésia de Todd
Paralisia facial periférica idiopática,
Hematoma subdural,
Neoplasias intracranianas.
CLÍNICA
É REALMENTE AVC?
• Falsos negativos:
AVC sem défice motor:
AVC da ACM esquerda com afasia de wernicke.
Confundida com transtorno psicótico.
AVC da ACP resultando em defeitos de campo
visual:
Confundida com transtorno oftalmológico.
CLÍNICA
É REALMENTE AVC?
• Qual é o papel dos métodos de imagem na AVC?
• TAC CE
– Excluir outras patologias (tumores, hematoma
subdural)
– Identificar hemorragias (imagem hiperdensa)
– Não permite excluir AVC Isquémico
– Nesses casos TAC é normal nas primeiras horas ou
revela apenas sinais indirectos de AVC
• RMN CE
– Diagnóstica lesões isquémicas precoces.
CLÍNICA
Que tempo tem de evolução?
CLÍNICA
Que tempo tem de evolução?
• Hoje em dia é crucial
– Tratamento para AVC Isquémico
– 4h30
– Esse tempo conta-se desde última vez que o
doente esteve bem.
– Se doente notam os sintomas ao acordarem de
manhã, são considerados como se tivessem pelo
mais de 4h de evolução
• Se os sintomas desaparecem afim de 24h - AIT
CLÍNICA
O AVC é isquémico ou hemorrágico?
CLÍNICAO
AVC é isquémico ou hemorrágico?
• Esta distinção só é possível mediante TAC precoce.
• AVC Hemorrágico: lesão hiperdensa.
• AVC Isquémico: Normal ou lesão hipodensa.
• Característica clinica sugestiva de AVC Hemorrágico:
– Início durante actividade.
– Cefaleia.
– Vómitos.
– Pressão arterial muito elevada (TA:200/120mmHg)
– Redução de nível de consciência
CLÍNICAO
AVC é isquémico ou hemorrágico?
CLÍNICA
Qual é a zona do cérebro afectada e a artéria lesada?
ACA
SISTÉMA
ACI
CAROÍDEO
AVC ACM
SISTÉMA
VERTEBRO ACP
BASILAR
CLÍNICA
Qual é a zona do cérebro afectada e a artéria lesada?
CLÍNICA
CLÍNICA
Porquê ocorreu o AVC
• Questão importante para o doente e para o
médico.
• Orienta para as medidas de prevenção
secundária ( recorrência/repetição)
• Mecanismos fisiopatológicos
• Diferente no AVC hemorrágico vs isquémico
Fisiopatologia de AVC isquémico (TOAST)
• AVC por doença ateromatosa dos grandes vasos
( vasos extracranianos)
• AVC por doença dos pequenos vasos (artérias
perfurantes)
– DM e HTA
• AVC por doença cardíaca embolígena
– FA, TSV, CMD, IAM, EI
• AVC por causas raras
– Arterite, dissecção, anemia falciforme, etc
• AVC de causa desconhecida.
Fisiopatologia da AVC Hemorrágico
• Hemorragia subaracnoidea:
– Rutura de aneurisma intracraniana (artérias de
Polígono de Wilms)
• Hemorragia intracraniana (HIC) /
intraparenquimatosa (HIP)
– Hemisférica profunda, do cerebelo ou tronco
cerebral (HTA – Rotura de arteríola)
– Lobar
• No jovem: MAV
• Idoso: AAC
Doença ateromatosa dos grandes vasos
• +++ extracraniana.
• Fumadores e hiperlipidemia
• Adultos e idosos
• Placa pode dissecar, ulcerar ou
trombose – ocluir vaso.
• Sopro detectável.
• Eco-doppler vs Angiografia
intra-arterial.
• Endarterectomia /angioplastia
Doenças de pequenos vasos
(AVC Lacular)
• +++ diabéticos, hipertensos e
idosos.
• Arteríolas terminais que
irrigam regiões terminais dos:
– Hemisférios cerebrais
• Gânglios de base, cápsula
interna, substância branca
subcortical
– Tronco encefálico
– Cerebelo
Doenças de pequenos vasos
(AVC Lacular)
• Motor puro ( só hemiparesia).
• Sensitivo puro (hemi
hipostesia).
• Sensitivo motor.
• Hemiparésia atáxia.
• Disartria – mão desajeitada.
Doença cardíaca embolígena
• As principais cardiopatias embolígenas:
– Fibrilhação auricular não valvular
– Estenose mitral
– Miocardiopatias dilatadas
– Próteses valvulares mecânicas
Doença cardíaca embolígena
• Características clínicas mais frequentes:
– Instalação rápida dos sintomas durante actividade;
– Alteração da consciência no início;
– Melhoria dos sintomas após a instalação;
– Sintomas corticais isolados, tais como, afasia,
neglect ou hemianopsia.
• TAC: enfarte cortical, especialmente múltiplo e
em territórios arteriais diferentes; enfartes
com transformação hemorrágica.
Doença cardíaca embolígena
• Diagnóstico da cardiopatia embolígena.
– ECG
– Ecocardiografia por via transtorácica e/ou
transesófagica.
Hemorragia intracerebral hipertensiva
• Resulta da rutura de arteríolas terminais.
• Localizam-se no
– Estriado-cápsula interna
– Tálamo
– Cerebelo
– Tronco cerebral
• A TAC mostra lesão hiperdensa nesses locais.
Aneurisma intracraniano
• Desenvolvem-se nas artérias da base do
crânio (local mais frequente: ACA)
• A parede é destituída das camadas muscular
e limitante interna.
• Diagnóstico:
– Angiografia.
– TAC.
– Punção lombar ( em 4 tubos)
Angiopatia amilóide cerebral
• + 60 anos
Deposito de material amiloide nos vasos
cerebrais
Vasos finos e fácil romper
Prognóstico
• Óbitos são mais frequentes em:
– AVC hemorrágico;
– Doentes em coma;
• Quadros neurologicos graves
• Desvio ocular conjugado, hemiplegia ´afasia ou
• Neglect
– Nos idosos
TRATAMENTO