Distúrbios do Trato Digestório
Profª. Drª. Carla Laíne
Nutricionista
Doenças Gastrointestinais
• As doenças que envolvem esse sistema afetam muito o estado
nutricional
• Atenção a história dietética
• TGI alto: esôfago e estômago
• TGI baixo: intestino delgado e grosso
DOENÇAS ESOFAGIANAS
• Disfagia
• Refluxo gastroesofágico e esofagite
• Hérnia de Hiato
• Esôfago e barret
• Adenocarcinoma Esofágico
Esôfago
• Tubo Muscular Oco (20 – 30 cm → Comprimento)
• Função Primária → Transporte do Bolo Alimentar
• Permanência Bolo Alimentar por Segundos
• 2 Sistemas de Esfíncteres → EES e EEI
Esôfago
• 20 Músculos (Ações Voluntárias e Involuntárias).
• 3 Fases:
➢Oral: VOLUNTÁRIA → Língua empurra o bolo
alimentar em direção a faringe
➢Faríngea: INVOLUNTÁRIA → Palato mole inibe as
vias aéreas, fechamento das pregas vocais, epiglote
fecha a laringe e traqueia
➢Esofágica: INVOLUNTÁRIA → relaxamento e
abertura do EES, início do relaxamento receptivo do
EEI e chegada do bolo alimentar ao esôfago,
abertura do EEI, chegada do bolo alimentar ao
estômago
Glândulas da submucosa:
• Muco: Facilitar passagem do bolo alimentar
• HCO3- da mucosa esofágica contra agentes lesivos
Disgafia
• Dificuldade de deglutir •Dor;
•Aspiração Pulmonar;
Mecânica ou neurológico •Desidratação;
•Pneumonia;
•Desnutrição
Elevada prevalência em
idosos, pacientes
neurológicos e AVC
Disfagia
• Pode levar a desnutrição e desidratação
• Diagnóstico: deve-se diferenciar
Disfagia
• Paciente tende a diminuir a ingestão de alimentos e aumentar
o consumo de líquidos.
Dieta hipercalórica
hiperproteica
Disfagia- Condutas nutricionais
Postura e Posição do corpo
Evitar conversar e outras distrações durante a
mastigação do alimento
Servir alimentos bem cozidos e de fácil mastigação
Modificar consistência de alimentos e
Disfagia- Conduta Nutricional
• Avaliar o grau de disfagia
• Líquidos: normalmente são os primeiros a serem modificados,
devido ao risco de aspiração
• Fazer espessamento
• Se ingestão < 60% TNE
Disfagia
Dieta branda
(exemplo)
REFEIÇÃO/
PREPARAÇÃO
HORÁRIO
Café com Leite
Desjejum Pão Sovado com Margarina
Fruta
Colação Suco de Acerola
Salada de Cenoura e Batata Cozida
Cozido com legumes
Almoço
Arroz
Sobremesa: Suco de Manga
Lanche da
Vitamina de Maracujá
Tarde
Jantar Sopa de Carnes com Legumes e Pão
Ceia Mingau de Arroz
Disfagia
Dieta pastosa
(exemplo)
REFEIÇÃO
PREPARAÇÃO
/
HORÁRIO
Desjejum Mingau de Arroz
Colação Suco de Acerola *
Frango Desfiado bem cozido
Purê de Batata
Almoço
Arroz Papa
Sobremesa: Suco de Caju *
Lanche
Vitamina de Maracujá
da
Tarde
Jantar Sopa de Carne Com Legumes (passada)
Ceia Mingau de Arroz
• Publicação técnico-
científica da
Sociedade Brasileira
de Fonoaudiologia
Refluxo Gastroesofágico (RGE) e Esofagite
• Fluxo Retrógrado do ácido gastroduodenal para o esôfago.
• 10-20% da população mundial (prevalente na região ocidental)
CAUSAS
↓ da pressão do esfíncter
↑Pressão intra-abdominal
Hérnia de hiato
Complicação: Esôfago de barret
Refluxo Gastroesofágico (RGE) e Esofagite
Ácido
clorídrico e
enzimas
digestivas
(pepsina)
Refluxo Gastroesofágico e Esofagite
•Esofagite
• DRGE não tratada •Esôfago de Barret
•Adenocarcinoma
Sintomas
•Laringite
•Tosse crônica
•Regurgitação
•Pirose ocasional
Esôfago de Barret
• 10% RGE Evolui Esôfago de Barret 1-2% câncer
Esôfago de barret
Peters, Y., Al-Kaabi, A., Shaheen, N. J., Chak, A., Blum, A., Souza, R. F., … Siersema, P. D. (2019). Barrett oesophagus. Nature
Reviews Disease Primers, 5(1). doi:10.1038/s41572-019-0086-z
Refluxo Gastroesofágico e Esofagite
• Dieta hipolipídica
• 6-8 refeições com ↓ volume
• Consumo adequado de fibras
• Evitar consumo de álcool
• Mate, café, chocolate, refrigerante, chá preto, pimenta, menta,
hortelã
• Elevação da cama
• Medicamentos (Inibidores da Bomba de Prótons, Antagonistas dos
Receptores H2, Antiácidos, Agentes Procinéticos)
DRGE- Orientação Nutricional
OBJETIVOS
Evitar o refluxo esofágico
prevenir a dor e a inflamação da mucosa
inflamada Diminuir a capacidade
erosiva ou acidez das
secreções gástricas
DRGE- Orientação Nutricional
• Redução do peso (10% em pacientes com
sobrepeso/ obesidade)
• Elevar a cabeceira da cama
• Evitar se alimentar de 2 a 3 horas antes de
deitar
• Fracionamento de refeições
• Evitar a ingestão de líquidos nas refeições
• Evitar refeições ricas em lipídios
• Gengibre, espinheira santa, chá de hortelã
• Evitar relaxantes musculares
Hérnia de Hiato
• Protrusão da porção do estomago para o tórax através do hiato
esofágico do diafragma.
Hérnia de Hiato
Tipo 1 Tipo 2
DOENÇAS GÁSTRICAS
• Indigestão
• Gastrite
• Ulceras pépticas
Estômago
Indigestão/Dispepsia
• Indigestão •Alimentação rápida;
•Pouca mastigação;
•Excessos alimentares;
•Alergia;
•Apendicite;
•Úlcera;
•Vesícula
•Pouco ácido clorídrico
•Poucas enzimas digestivas
Indigestão/Dispepsia
• Zinco para melhorar a produção de HCL
• Evitar alimentos de difícil digestão (carne vermelha)
• Enzimas digestivas
Gastrite
• Inflamação da mucosa gástrica
• Gastrite prolongada
• atrofia e perda das células parietais
• Acloridria
• Perda do fator intrínseco
Inibidores de bomba de prótons: Baixa Absorção
de Zn, Ca, Mg, Fe, vit. B12 e C
Gastrite
Sintomas
•Náuseas;
•Vômitos;
•Hemorragia;
•Anorexia,
•Indisposição
•Dor
Gastrite
Gastrite
• Dieta: fracionada
• Estimular: consumo de fibras
• Evitar: longos períodos de jejum
• Evitar: café, álcool, refrigerante, pimenta, mostarda e grão
• Evitar estresse
Úlcera Péptica
Zona de erosão da mucosa do estômago ou duodeno
devido a anormalidades
Fisiopatologia
Ações Digestivas
Ácidos e Pepsinas
Agente Agressor
Proteção da mucosa
Muco
Remoção de excesso de ácido
Renovação celular
Úlcera Péptica
Helicobacter pylori
Helicobacter pylori
Sinais e Sintomas
Dor maçante ou queimação entre umbigo e esterno
Piora com o estomago vazio
Reduz quando se alimenta ou toma antiácido
Duração: minutos ou horas
Aparece e some durante dias, semanas ou meses
Inchaço
Arrotos
Falta de apetite
Vômitos
Perda de peso
Complicações
Perfuração e
hemorragia
Melena
Perfurar na
cavidade
peritoneal Erosão de uma artéria Perfurar órgão adjacente
Contribuem significativamente com a morbidade
e mortalidade das úlceras pépticas
Tratamento
Erradicar a H. Pylori (quando presente- IBP e Antibiótico)
Evitar substâncias que irritem o estômago
Promover a cicatrização da ferida
Recomendações nutricionais
Investigar se há anemia (decorrente de sangramentos)
Verificar deficiência de vitamina B12
Evitar álcool, café e pimenta
Evitar o fumo
Garantir recomendações de proteína e vitamina C (cicatrização)
Probiótico (IgA e muco e mecanismo de competição)
DOENÇAS INTESTINAIS
• Flatulência
• Obstipação
• Diarreia e esteatorreia
• Espru Tropical
• Doença Celíaca
• Síndrome de Cólon irritável
• Doença Diverticular
• DII – RCU e DC
• Síndrome do intestino curto
Flatulência /gases intestinais
Fatores que interferem na quantidade
de gases
Inatividade;
Diminuição da motilidade GI;
Alimentação; Doenças gastrointestinais
Fermentação bacteriana
CHO simples
Distensão abdominal
Desconforto logo após a refeição
Orientações
Evitar a aerofagia
Postura ereta e atividade física Auxilia a expelir gases
Investigar intolerância a lactose (caso veja possibilidade)
Orientações
Atenção aos alimentos que causam maior aumento de gases:
feijão e vagem
vegetais (alcachofra, aspargos, brócolis, repolho, couve,
couve- flor, pepino, pimentão, cebola, rabanete, aipo
cenoura).
Grãos, sementes e farelos de cereais consumo
moderado
Bebidas com gás podem ser consumidas após ficaram
abertas por horas para reduzir a quantidade de gás
carbônico.
Leite e seus derivados (+ intolerantes)
Alimentos que contém sorbitol, como alimentos
dietéticos, doces e chicletes.
Obstipação
Aconstipação é um dos males mais comuns dos países
ocidentais 1 a 20%
Causa desconforto
Idoso Problema sanitário importante (20 a 50%)
Obstipação
Transtorno caracterizado por uma
dificuldade persistente para evacuar
ou uma sensação de evacuação
incompleta e/ou movimentos
intestinais infreqüentes (a cada 3–4
dias ou com menor frequência),
Obstipação- Causas
Escala de Bristol
Obstipação- Investigar
Consistência das fezes
Descrição dos sintomas de constipação do paciente
Distensão abdominal, dor, desconforto
Movimentos intestinais
Esforço para defecar prolongado/excessivo
Defecação insatisfatória
Estilo de vida do paciente, fibra na dieta e ingestão de líquidos
Condições atuais, histórico médico, cirurgia recente, doença
psiquiátrica
Orientações
Inclusão de fibras dietética adequada (>25g/dia)
Dar preferência às fibras prebióticas (FOS e inulina)
Consumo adequado de água (mín 2L/dia)
Melhorar/ tratar disbiose intestinal
Utilização de alimentos laxantes
Prática de atividade física
Diarreia
Aaumento na frequência das evacuações ou diminuição da consistência
das fezes e por uma massa fecal>200g/dia ou 300ml.
Diarreia
Tipos Causas
Exsudativa Danos na mucosa, levando à perda de muco, sangue e proteínas
plasmáticas, com um acúmulo liquido de eletrólitos e água no intestino.
Ex: DII
Osmótica Presença de solutos osmoticamente ativos e pouco absorvidos no trato
intestinal. Ex: intolerância a lactose e dumping
Secretória Secreção ativa dos eletrólitos e água pelo epitélio intestinal. Ex: infecção
intestinal. (jejum não alivia)
Disabsortiva Mistura do quimo e exposição deste ao epitélio intestinal de forma
inadequada ou quantidade insuficiente de área saudável de absorção
intestinal. Geralmente acompanhada de esteatorreia. Ex: diarreia presente
na doença de Crohn e ressecção intestinal extensa.
Orientações
• Líquidos e eletrólitos
• Fibras – solúveis
• Evitar fibras insolúveis (linhaça, feijões, oleaginosa, grão de bico, vegetais)
• Evitar alimentos fermentativos
• Leite- lactose
Orientações
Esteatorreia
• ↑ gordura nas fezes •↓Lipase pancreática
•↓ Área de absorção
•↓ secreção de Bile
•↓ Absorção de sais biliares
•↓ Formação ou transporte
de quilomicrons
DIETA:
hipercalórica, TCM, CHO complexos
Doença Celíaca
• Hipersensibilidade genética da mucosa
Proteínas
• gliadina (trigo), hordeína (cevada), secalina
(centeio), avenina (aveia).
EXCLUIR
• Trigo, cevada, centeio, aveia e malte
CHECKPOINT 3
Síndrome do Cólon Irritável
• Alteração da motilidade (tubo digestivo)
• Constipação/diarreia ,dor, muco,
esforço/urgência, sensação de evacuação
incompleta
• CONDUTA
• ↑ fibras, ↑ ingestão hídrica, ↓ gordura,
↓refeições volumosas
Doença Diverticular e Diverticulite
• Inflamação de divertículos presentes no
intestino grosso
CAUSA
• ↓Fibras
• Sedentarismo
CONDUTA
Diverticulose dieta ↑fibras e líquidos.
Diverticulite ↓fibras e de fácil absorção.
Questão 5
Doença Inflamatória Intestinal
• Inflamação crônica de caráter recidivante
RCU
• Sangue
• Muco
• Pus
• Contrações dolorosa na região anal e perianal
• Resposta inflamatória sistêmica: Febre, hipotensão, taquicardia
DC
• Diarreia
• Emagrecimento
• Dor abdominal
• Febre
• Náuseas/vômitos.
• Sistêmica: afta,artrite, uveite
Fase Ativa
• CONDUTA
• ↑ Kcal, ↑ PTN, ↓LIP, normoglicídica
• Evitar: CHO simples, flatos, Fibra insolúvel, lactose
• Refeição fracionada e ↓ volume
Fase de Remissão
• Pode incluir sacarose
• Lactose
• Aumentar de forma gradativa as fibras totais
Principais deficiências nutricionais
• Fe
• Folato
• B12
• Ca
• Fe
• Mg
• Vit. D
CHECKPOINT 4
Síndrome do Intestino Curto
• Extensa ressecção
• Perda da área absortiva
• Esteatorreia
• Ressecção distal Deficiências nutricionais
• Ressecção prox. ↑ Secreção gástrica e inativação da lipase
pancreática
CONDUTA
• TNP, TNE
• Fase tardia: ↑ Kcal, ↑ PTN, ↓LIP,
• Restrita: lactose e sacarose
Pancreatite Aguda e Crônica
• Inflamação aguda irreversível
• Autodigestão e ↓ função
Pode envolver tecidos próximos
• Processo fibroinflamatório do parenquima
• ↓ função exócrina e endócrina
sintomas
• Dor
• Náuseas e vômitos
• Distensão abdominal
• ↓Enzimas esteatorreia e má absorção
• CONDUTA
• Pancreatite Aguda Dieta Zero
• Suplementação de micro
• ↑ Cho e moderada em PTN e LIP (<30%)
• TCM
• ↓ Volume e ↑refeições