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Classicismo: Arte e Literatura no Renascimento

O classicismo, movimento artístico do Renascimento, enfatizou o antropocentrismo e o equilíbrio formal, sendo representado em Portugal por Luís Vaz de Camões e Sá de Miranda. Este período foi marcado por transformações sociais e culturais, onde a razão e a ciência começaram a prevalecer sobre a fé medieval. As obras classicistas, como 'Os Lusíadas', abordaram temas como amor e bravura, utilizando formas poéticas como o soneto e o verso decassílabo.

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Classicismo: Arte e Literatura no Renascimento

O classicismo, movimento artístico do Renascimento, enfatizou o antropocentrismo e o equilíbrio formal, sendo representado em Portugal por Luís Vaz de Camões e Sá de Miranda. Este período foi marcado por transformações sociais e culturais, onde a razão e a ciência começaram a prevalecer sobre a fé medieval. As obras classicistas, como 'Os Lusíadas', abordaram temas como amor e bravura, utilizando formas poéticas como o soneto e o verso decassílabo.

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O classicismo, movimento artístico surgido no contexto do

Renascimento, foi um contraponto à arte produzida na Idade Média.


Inspirados nos ideais da cultura greco-romana, os artistas aliados à
estética classicista cultivavam o antropocentrismo e o equilíbrio formal.
Em Portugal, Luís Vaz de Camões e Sá de Miranda destacaram-se como
os principais representantes do classicismo. O primeiro notabilizou-se
pelo poema épico Os Lusíadas, e o segundo, por introduzir a técnica de
composição de poemas em versos decassílabos.
Contexto histórico do classicismo
Classicismo é o nome atribuído à literatura que foi produzida no contexto de
vigência do Renascimento, amplo movimento artístico, cultural e científico
que ocorreu no século XVI, inspirado na cultura clássica greco-latina.

O contexto histórico que propiciou o surgimento do Renascimento foi


marcado por uma série de acontecimentos:
● As navegações e os descobrimentos;
● A formação dos Estados modernos;
● A Reforma Protestante, em 1517;
● A Revolução Comercial;
● O fortalecimento da burguesia comercial;
O interesse pela cultura clássica onde escritores e intelectuais(Dante
Alighieri, Petrarca e Boccaccio) liam e traduziam autores latinos e gregos.

Essas transformações, iniciadas pelos humanistas, foram intensificando-se


e, gradualmente, propiciando o clima ideal para que, surgisse o classicismo.
Esse importante movimento artístico floresceu em um contexto histórico de
profundas transformações sociais, econômicas, culturais e religiosas,
momento em que a fé medieval foi substituída pela razão; o cristianismo,
pela mitologia greco-latina; e o teocentrismo, pelo antropocentrismo.

Diferentemente do homem medieval, que se voltava essencialmente para


as coisas do espírito, o homem do século XVI, sob o ideário do classicismo,
voltou-se para a realidade concreta e acreditava em sua capacidade de
dominar e transformar o mundo que o cercava.
Principais características do classicismo
O classicismo, em relação à temática de suas obras, teve como características
principais:
● A idealização amorosa, o que se dava a partir do cultivo do
neoplatonismo;

● O predomínio da razão, como uma inspiração humanista advinda da


crença na ciência;

● O cultivo do paganismo, influência da cultura greco-romana;


● A valorização do antropocentrismo, conceito em que o homem é visto
como o centro do universo, o que se contrapunha à crença teocêntrica
que vigorou na Idade Média;

● A busca pela clareza e pelo equilíbrio de ideias;

● O desenvolvimento de uma perspectiva universalista acerca da


realidade;

● O gosto pelo nacionalismo em um contexto de intensas investidas


comerciais a outros territórios a partir das navegações.
Quanto aos aspectos formais: o classicismo teve forte apreço pelo soneto,
cultivando-o e difundindo-o como modelo de poema a ser escrito. Além do
soneto, os poetas filiados ao classicismo valorizavam a imitação das
formas clássicas, visando ao equilíbrio formal, além do emprego da
medida nova(decassílabos), como um contraponto à medida velha(cinco a
sete sílabas) cultivada na Idade Média.

Tudo isso foi possível graças ao Renascimento, movimento científico e


cultural que tomou conta da Europa no século XV. Esquivando-se da
censura ideológica da Igreja, pensadores e cientistas elaboraram novas
teorias e invenções: Nicolau Copérnico propõe o modelo heliocêntrico do
Universo, Galileu Galilei descobre as leis que regem a queda dos corpos,
Johannes Gutenberg inventa os tipos móveis para imprimir os livros,
tarefa antes delegada aos monges copistas.
Leonardo da Vinci (1452-1519), um
dos principais intelectuais do
Renascimento.
Classicismo em Portugal
Foi predominante no Classicismo português a temática do
neoplatonismo, escola filosófica que retomava a filosofia amorosa de
Platão, tratando o amor não a partir da sensualidade, mas por seu viés
filosófico e religioso. Além disso, os poetas do período valorizaram
sobretudo os grandes feitos nacionais, as conquistas do povo
português, assunto da poesia épica. Pode-se entender, portanto, que o
Classicismo em Portugal voltou-se para dois principais temas: amor e
bravura.
Principais autores e obras do Classicismo
Francisco de Sá de Miranda (Coimbra, 1481 – Amares,
1558)
Precursor do Classicismo português, foi o responsável pela introdução do verso
decassílabo em Portugal. Teve algumas poesias publicadas no Cancioneiro geral
(1516), compilado antológico da poesia humanista.

Introduziu também, em língua portuguesa, as formas da canção da sextina e as


produções em tercetos e em oitavas, sendo responsável pela formação dos poetas
portugueses, tendo grande influência na literatura que se desenvolveu no período.

Eram parte de suas temáticas a reflexão moral, filosófica e política, além do lirismo
amoroso. Escreveu também textos dramatúrgicos e cartas em forma de verso.
SONETO 17

Este retrato vosso é o sinal


ao longe do que sois, por desamparo
destes olhos de cá, porque um tão claro Nesse soneto, escrito ao modo
petrarquiano, com rimas ABBA nos
lume não pode ser vista mortal.
dois quartetos, o poeta expressa a
Quem tirou nunca o sol por natural? voz de um eu lírico que, tendo da
Nem viu, se nuvens não fazem reparo, sua amada apenas um retrato
em noite escura ao longe aceso um faro? como lembrança, dirige-lhe a
interlocução, sem, no entanto,
Agora se não vê, ora vê mal.
obter resposta. Assim como em
Para uns tais olhos, que ninguém espera outros sonetos do autor sobre
de face a face, gram remédio fora temática amorosa, nota-se nesses
acertar o pintor ver-vos sorrindo. versos a presença do amor
platônico, o qual só tem existência
Mas inda assim não sei que ele fizera, espiritual.
que a graça em vós não dorme em nenhuma hora.
Falando que fará? Que fará rindo?
Petrarquiano=2 quartetos, 2 tercetos.
Luís Vaz de Camões (1524/1525-1580)

De origem fidalga, Camões teve uma educação sólida e era conhecedor


de história, geografia e literatura. Deu início ao curso de Teologia na
Universidade de Coimbra, que abandonou por levar uma vida
incompatível com os preceitos religiosos. Conquistador, Camões teve
muitas paixões e seus versos eram muito prestigiados pelas damas da
corte.

É considerado o mais importante poeta de língua portuguesa e um dos


maiores da literatura universal. Sua produção literária é múltipla e
contempla tanto as formas eruditas quanto as formas populares, de
trovas, inspiradas em velhas cantigas medievais. A obra de Camões
pode ser dividida em dois eixos principais: a poesia lírica e a épica.
A lírica camoniana é composta principalmente de temas amorosos,
bastante influenciada pelo neoplatonismo, que convive com os temas
sensuais, estabelecendo quase sempre uma contradição. As antíteses
da presença-ausência, amor espiritual-amor carnal, vida-morte, sonho-
realidade são muito presentes em seus poemas, o que o torna um
antecipador do movimento maneirista.

Além disso, Camões compôs na chamada “medida velha”, as


redondilhas, ligadas à tradição popular, e na “medida nova”, o poema
decassílabo, forma preferida para a exposição de temas e sentimentos
complexos.
Principais obras de Camões
Os Lusíadas

Sua obra-prima foi o poema épico Os Lusíadas, publicado em 1572 e estruturado


em 10 cantos, nos quais distribuem-se 8.816 versos em oitava rima. Aos moldes
das epopeias clássicas, como Odisseia e Ilíada, o poema de Camões contém
proposição, invocação, dedicatória, narração e epílogo.

Narram-se, ao longo dos 10 cantos, os feitos heróicos dos portugueses, os quais,


em 1498, lançaram-se ao mar em busca de expansão comercial e territorial,
liderados por Vasco da Gama, comandante da expedição que descobriu o
caminho para as Índias.
Canto I Última estrofe da proposição, tem-se nesses
Cessem do sábio Grego e do Troiano verses a exaltação da empreitada marítima
As navegações grandes que fizeram; portuguesa, considerada pelo poeta superior
Cale-se de Alexandro e de Trajano às navegações empreendidas pelos gregos,
A fama das vitórias que tiveram; pelo imperador Alexandre, por Trajano. Além
Que eu canto o peito ilustre Lusitano, dessa comparação que coloca em
A quem Neptuno e Marte obedeceram:
superioridade os lusitanos, notam-se nesses
Cesse tudo o que a Musa antígua canta,
Que outro valor mais alto se alevanta versos referências à mitologia greco-romana,
característica fundamental do classicismo.
(estrofe 3, canto I)
Poesia

Na poesia lírica, Camões escreveu poemas em medida velha (redondilhas) e poemas em medida nova
(decassílabos), influência dos humanistas italianos, principalmente do poeta Petrarca (1304-1374). Em relação à
temática, seus poemas expressam temas ligados ao neoplatonismo amoroso, à reflexão filosófica e à natureza.
Nesse soneto, o eu lírico tem como
Quem vê, Senhora, claro e manifesto
interlocutora uma mulher, tratada por
o lindo ser de vossos olhos belos,
“Senhora”, a quem dirige seu devoto amor.
se não perder a vista só em vê-los,
já não paga o que deve a vosso gesto.
Esse amor, porém, parece não ser
materializado, ficando restrito ao plano das
Este me parecia preço honesto; ideias, ou seja, é um amor platônico. A voz
mas eu, por de vantagem merecê-los,
poética expressa sua constante atitude de
dei mais a vida e alma por querê-los,
renúncia e sacrifício em prol desse amor, mas
donde já me não fica a mais de resto.
não espera nada em troca, a não ser a
Assim que a vida e alma e esperança satisfação de sempre se ver na necessidade de
e tudo quanto tenho, tudo é vosso, prestar honras a esse amor.
e o proveito disso eu só o levo.

Porque é tamanha bem-aventurança


O dar-vos quanto tenho e quanto posso
Que, quanto mais vos pago, mais vos devo.

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