Plano de
Desenvolvimento
Individual
Severino Alves de Freitas Junior
Me. Psicologia Experimental: Análise do Comportamento
Psicólogo
Definição de PDI
O Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) é um documento estruturado
que organiza e orienta intervenções educacionais e terapêuticas, levando em
conta as necessidades, características e habilidades específicas de cada
Apresentação do vídeo
institucional
indivíduo.
Benefícios Gerais do PDI
O PDI promove a participação ativa do indivíduo
em ambientes inclusivos, ajustando metas e
estratégias de acordo com suas habilidades e
Inclusão Social e Educacional: desafios. Isso permite que ele interaja de forma
significativa com seus pares e desenvolva
competências que favorecem a convivência e a
aceitação em diferentes contextos.
Um dos pilares do PDI é a promoção da
independência. Por meio da definição de objetivos
individualizados, o plano foca em habilidades
essenciais, como comunicação, habilidades
acadêmicas e de vida diária, que permitem ao
indivíduo lidar com demandas reais do cotidiano.
Autonomia e Funcionalidade:
Exemplos incluem ensinar uma criança a se vestir
sozinha, pedir ajuda ou expressar suas necessidades de
maneira funcional.
O PDI identifica e prioriza comportamentos-alvo que são socialmente
Desenvolvimento de Habilidades significativos e que impactam diretamente na qualidade de vida do indivíduo e de
Específicas: sua família. Isso inclui habilidades acadêmicas (ex.: leitura, escrita), sociais (ex.:
iniciar interações) e adaptativas (ex.: autonomia em higiene pessoal).
Políticas Educacionais Inclusivas
No Brasil, o PDI está alinhado com as diretrizes da Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº
13.146/2015), que garante o acesso à educação de qualidade e ao atendimento
especializado para pessoas com deficiência. Essa lei estabelece a necessidade de:
• O PDI permite adaptar o conteúdo pedagógico às necessidades
Adaptações Curriculares: específicas do aluno, respeitando seu ritmo de aprendizagem e
promovendo avanços de forma estruturada.
• A legislação destaca que pessoas com deficiência têm direito à
Direito à Participação participação em ambientes escolares regulares. O PDI atua como
Plena: ferramenta para viabilizar essa integração, reduzindo barreiras e
proporcionando suporte individualizado.
• O PDI garante que famílias e profissionais trabalhem juntos para construir
Apoio à Família e Equipe metas que sejam alcançáveis e relevantes, assegurando que os direitos
Multidisciplinar: do indivíduo sejam respeitados.
Impacto na Qualidade de Vida
Ao alinhar-se com políticas inclusivas, o PDI não apenas foca no
desenvolvimento de habilidades, mas também na inclusão do
indivíduo como participante ativo em sua comunidade. Ele é
projetado para potencializar as capacidades de cada pessoa,
respeitando sua singularidade, e para abrir oportunidades de
participação em ambientes escolares, familiares e sociais.
•Objetivo principal: promover avanços mensuráveis na qualidade de vida,
ajustando o ensino e a intervenção de maneira personalizada.
•Histórico:
• Surge como uma resposta à necessidade de individualizar práticas
educacionais e terapêuticas, principalmente no contexto do
Transtorno do Espectro Autista (TEA).
• Baseia-se em estudos que destacam a eficácia de abordagens
personalizadas para maximizar o potencial de aprendizado e
autonomia (Gomes & Silveira, 2016; Lafrance, 2018).
Behavioral Treatment and Normal Educational and Intellectual Functioning
in Young Autistic Children. Lovaas (1987)
•Definição de autismo (Kanner, 1943):
Crianças autistas apresentam:
• Falta de desenvolvimento de relações sociais antes dos 30 meses.
• Atrasos graves no desenvolvimento da linguagem.
• Comportamentos ritualísticos e obsessivos ("insistência na
mesmice").
• Potencial para inteligência normal.
Prognóstico Geral (Rutter, 1970):
• Apenas 1.5% alcançam funcionamento normal.
• Mais de 60% permanecem severamente comprometidos, vivendo em
ambientes protegidos ou hospitais.
Tratamentos Médicos e Psicológicos
•Tratamentos médicos e psicodinâmicos não alteraram significativamente o curso do autismo.
•Não haviam evidências de causas ambientais anormais nas famílias das crianças (Letter,
1967).
•Prognóstico positivo estava associado a fatores como:
• QI mais alto.
• Fala comunicativa.
• Brincadeiras apropriadas.
•Na época, os métodos baseados em teoria de aprendizagem eram os mais promissores
(DeMyer et al., 1981).
Desafios dos Primeiros Estudos Comportamentais
•Resultados positivos iniciais:
• Desenvolvimento de habilidades complexas, como linguagem.
• Redução de comportamentos interferentes, como agressividade.
•Limitações observadas:
• Ganho específico ao ambiente do tratamento (baixa
generalização).
• Substancial recaída no acompanhamento a longo prazo.
• Nenhum cliente relatado como "recuperado" (Lovaas et al., 1973).
Maximizar os Ganhos do Tratamento Comportamental
•Objetivo: Criar um ambiente de aprendizagem intenso e abrangente para
crianças autistas muito jovens (menos de 4 anos).
•Estratégias:
• Intervenção intensiva: Tratamento durante a maior parte das horas
de vigília.
• Envolvimento de todas as pessoas e ambientes significativos.
• Foco na generalização e manutenção dos ganhos.
• Integração em pré-escolas como um passo inicial para a inclusão.
Hipótese:
•Um ambiente especial e intensivo permitiria que crianças autistas muito
jovens aprendam de forma semelhante a crianças neurotípicas,
aproveitando melhor o ambiente.
•Premissa: Crianças mais jovens são menos propensas a discriminar entre ambientes,
facilitando a generalização das habilidades aprendidas.
•Justificativa:
•Mais fácil integrar crianças menores em pré-escolas do que crianças mais velhas em
escolas primárias.
•A plasticidade cerebral pode favorecer uma resposta melhor a intervenções precoces.
Bases do Estudo de 1987
•Este estudo buscou superar as limitações de intervenções anteriores:
• Intensidade e abrangência.
• Generalização e manutenção dos ganhos.
• Inclusão precoce em ambientes regulares.
•Estabeleceu fundamentos para um modelo de intervenção intensiva que
viria a transformar o tratamento de crianças com TEA.
Objetivo:
•Avaliar se a intervenção comportamental intensiva baseada em ABA
poderia levar a resultados significativos no desenvolvimento intelectual e
educacional de crianças autistas.
•Importância do Estudo:
•Provar que intervenções precoces e intensivas poderiam transformar
significativamente o curso do desenvolvimento dessas crianças.
Participantes:
•Número total: 59 crianças diagnosticadas com autismo.
•Faixa etária: Entre 3 e 4 anos de idade, selecionadas para garantir intervenção
precoce.
•Divisão dos grupos:
•Experimental (n = 19): Crianças submetidas à intervenção ABA intensiva.
•Controle (n = 40): Crianças com pouca ou nenhuma intervenção estruturada.
Critérios de Inclusão:
•Diagnóstico formal de Transtorno do Espectro Autista (TEA).
•Déficits significativos em habilidades sociais, linguísticas e acadêmicas.
•Potencial para desenvolvimento com suporte intensivo.
Grupo Experimental:
•Carga horária: Até 40 horas semanais de intervenção ABA intensiva.
•Duração: 2 ou mais anos consecutivos.
•Ambiente:
• Tratamento realizado em casa, na escola e em ambientes
comunitários.
• Envolvimento ativo de pais e outros cuidadores para garantir a
continuidade.
Foco do tratamento:
•Ensino de habilidades sociais, como iniciar conversas e brincar com outras
crianças.
•Desenvolvimento de linguagem funcional, como pedir ajuda ou expressar
necessidades.
•Promoção de comportamentos acadêmicos, como seguir instruções simples e
completar tarefas.
•Redução de comportamentos inadequados, como estereotipias e
agressividade.
Grupo Controle:
•Carga horária: Menos de 10 horas semanais de intervenção ABA ou nenhum
tratamento estruturado.
•Intervenção típica:
• Abordagens tradicionais sem o uso intensivo de técnicas baseadas em
análise comportamental.
• Algumas crianças receberam terapias limitadas focadas apenas em
comportamentos específicos.
Estrutura da Intervenção seguindo a abordagem analítico
comportamental:
• Divisão das habilidades em passos pequenos e mensuráveis.
• Uso de tentativa discreta (DTT) para ensino intensivo de habilidades
específicas.
• Reforço positivo imediato para promover comportamentos desejados.
Individualização:
• Planos personalizados baseados em avaliação inicial e progressos
monitorados.
• Ajustes contínuos para atender às necessidades únicas de cada criança.
Generalização:
• Treinamento em múltiplos contextos para garantir que as habilidades
aprendidas fossem mantidas fora do ambiente terapêutico.
Monitoramento e Avaliação:
•Coleta de Dados:
• Registros diários de frequência, duração e intensidade de
comportamentos.
• Análises semanais para ajustar estratégias e medir progresso.
•Resultados esperados:
• Melhorias em habilidades sociais, linguísticas e acadêmicas.
• Redução significativa de comportamentos inadequados.
Justificativa do Método:
•O foco em crianças mais jovens (3-4 anos) baseou-se na hipótese de
que intervenções precoces promovem maior generalização e
manutenção de habilidades, aproveitando a plasticidade cerebral.
Resultados do Grupo Experimental
Funcionamento Normal – 48%:
•Descrição: Quase metade das crianças do grupo experimental alcançou
funcionamento intelectual e educacional equivalente ao de crianças neurotípicas.
•Indicadores de Sucesso:
•QI médio ou superior à média.
•Frequência em escolas regulares sem suporte adicional:
•Desempenho compatível com os pares em atividades acadêmicas.
•Capacidade de socializar e participar de dinâmicas de classe regulares.
•Demonstração de habilidades funcionais, como comunicação verbal eficaz e
comportamento social adequado.
•Importância: Esses resultados evidenciam que a intervenção intensiva baseada em
ABA pode mudar o prognóstico de crianças com TEA, permitindo integração plena na
sociedade.
Progressos Significativos – 42%:
•Descrição: Uma parcela considerável das crianças apresentou melhorias notáveis,
embora tenham continuado em classes especiais.
•Indicadores de Progresso:
• Avanços em habilidades de linguagem e sociais, mas insuficientes para
ambientes regulares sem suporte.
• Melhorias na independência em atividades diárias.
• Redução significativa de comportamentos inadequados, como estereotipias e
agressividade.
•Motivos para Permanência em Classes Especiais:
• Necessidade de suporte adicional em áreas específicas, como habilidades
acadêmicas ou sociais mais complexas.
• Acompanhamento contínuo para promover generalização e manutenção das
habilidades aprendidas.
Pouco ou Nenhum Progresso – 13%:
•Descrição: Uma pequena parcela do grupo experimental mostrou avanços mínimos.
•Características Desses Casos:
• Pouca resposta às intervenções, apesar da intensidade e duração.
• Permanência de déficits severos em habilidades sociais, linguísticas e
comportamentais.
• Alta dependência de suporte externo para atividades diárias.
•Hipóteses sobre a Baixa Resposta ao Tratamento:
• Possíveis comorbidades não identificadas ou que interferiram no progresso (DI).
• Limitações na generalização das habilidades aprendidas.
Impacto Geral do Grupo Experimental:
•Esses resultados confirmam que a intervenção comportamental intensiva
pode levar a mudanças significativas na vida de crianças com TEA.
•Demonstra a importância da personalização dos planos de intervenção e da
continuidade do suporte.
Resultados Observados (Grupo Controle):
•Apenas 2% das crianças atingiram funcionamento próximo ao normal, um índice
extremamente baixo em comparação ao grupo experimental.
•Mais de 60% permaneceram severamente comprometidas:
• Necessitaram de suporte intensivo em ambientes especializados, como escolas
específicas ou instituições.
• Demonstraram baixa capacidade de comunicação, interação social e autonomia.
• Comportamentos desafiadores e estereotipados mantiveram-se frequentes.
•Aproximadamente 35% tiveram algum progresso, mas continuaram enfrentando dificuldades
significativas:
• Mostraram pequenos ganhos em habilidades básicas.
• Necessitaram de suporte contínuo para viver e aprender.
Razões para os Resultados Inferiores:
•Falta de Intensidade:
• A carga horária limitada de intervenção dificultou a construção de repertórios
comportamentais.
• Poucas oportunidades de repetição e reforço de habilidades críticas.
•Ausência de Estrutura Interventiva:
• As intervenções, quando aplicadas, não seguiam princípios de análise do
comportamento, como ensino intensivo, reforçamento positivo das respostas
desejadas ou análise funcional de comportamentos interferentes.
Impacto do Ambiente Natural:
• Crianças no grupo controle não receberam o suporte
necessário para aprender em seus ambientes naturais, ao
contrário do grupo experimental.
• O ambiente não foi modificado para facilitar a aprendizagem
e reduzir barreiras comportamentais.
Conclusão:
•O grupo controle confirmou a ineficácia de intervenções mínimas ou
ausência de intervenção estruturada para crianças autistas.
•Os resultados contrastam fortemente com o grupo experimental,
evidenciando que a intensidade e a personalização das intervenções são
fatores determinantes para o progresso.
Componentes de um PDI
•Identificação do Perfil Individual:
• Avaliação inicial do repertório comportamental e habilidades do indivíduo
para compreender detalhadamente o repertório comportamental atual do
indivíduo, suas habilidades existentes e as áreas que necessitam de
intervenção
• Garantir que o PDI seja ajustado às necessidades específicas do indivíduo e
que os objetivos sejam realistas e relevantes
Avaliação Inicial do Repertório Comportamental e Habilidades Funcionais:
•Consiste em analisar as habilidades em diversas áreas, como:
• Habilidades de comunicação: Capacidade de emitir mandos (pedidos), seja por meio da
fala, gestos, ou sistemas alternativos de comunicação.
• Habilidades sociais: Participação em interações sociais, resposta a comandos simples, e
engajamento em brincadeiras ou atividades cooperativas.
• Habilidades acadêmicas: Identificação de letras, números, e outras competências
relacionadas à educação formal.
• Habilidades de vida diária: Como se alimentar, vestir-se, higiene pessoal, e outras
atividades que promovam maior autonomia.
Coleta de Informações por Múltiplas Fontes:
Para garantir uma visão abrangente, a coleta de informações deve incluir:
•Observação Direta:
• Analisar o comportamento do indivíduo em diferentes contextos, como casa, escola
ou ambientes sociais.
• Identificar padrões de comportamento que sejam significativos para a intervenção.
•Entrevistas com Familiares e Profissionais:
• Obter informações sobre o histórico de desenvolvimento, comportamentos
recorrentes e prioridades percebidas pela família.
• Envolver profissionais (ex.: terapeutas, professores) que já acompanham o
indivíduo para compreender melhor suas necessidades.
•Avaliações Funcionais:
• Ferramentas para identificar as funções dos comportamentos (ex.: se um
comportamento é mantido por atenção, escape ou estímulos sensoriais).
• Modelos como ABC (Antecedente, Comportamento, Consequência) ajudam a
mapear os fatores que influenciam as respostas do indivíduo.
Foco em Repertórios Existentes e Lacunas Críticas
•Repertórios Existentes:
• Identificar habilidades que o indivíduo já possui e que podem ser expandidas.
• Exemplos: Se a criança já consegue imitar sons, esse repertório pode ser usado
para ensinar palavras simples.
•Lacunas Críticas:
• Reconhecer habilidades ausentes ou pouco desenvolvidas que afetam a
independência ou a interação social.
• Exemplos: Incapacidade de pedir ajuda pode levar à frustração e comportamentos
problemáticos.
•Prioridade:
• As lacunas identificadas devem ser priorizadas com base em sua relevância para o
cotidiano e o impacto que terão na qualidade de vida.
Repertórios Existentes e Lacunas Críticas
Repertórios Existentes:
•Identificar as habilidades que o indivíduo já possui, pois elas podem ser usadas
como ponto de partida para intervenções eficazes. (Cooper, Heron, & Heward, 2020)
Exemplo:
• Uma criança que já consegue discriminar objetos por cor pode expandir essa
habilidade para categorização mais complexa ou tarefas acadêmicas
específicas.
•Papel no PDI:
• Repertórios existentes indicam áreas de competência que podem ser
reforçadas, ajudando a aumentar a fortalecer o repertório existente do
indivíduo e ampliá-lo
Lacunas Críticas:
•Definição: São comportamentos ausentes ou pouco desenvolvidos, que podem
limitar a funcionalidade, a independência ou a qualidade de vida do indivíduo.
•Identificação:
• Os checklists e a análise funcional são essenciais para determinar não apenas
as lacunas, mas também os fatores que contribuem para sua manutenção
(ex.: reforços inadvertidos ou falta de oportunidades para prática).
• Exemplo prático: Um indivíduo que não pede ajuda verbalmente pode usar
comportamentos interferentes, como gritar, para obter ajuda.
Critérios para Priorização:
Priorizar as lacunas críticas com base em:
•Impacto social: Habilidades que melhoram a interação e inclusão em ambientes
naturais.
•Viabilidade: Metas alcançáveis com os recursos e o tempo disponíveis.
•Relevância funcional: Habilidades que aumentam a autonomia ou reduzem
comportamentos interferentes(Cooper, Heron, & Heward, 2020)..
•Exemplo: Ensinar uma criança a usar um sistema de comunicação alternativa
para pedir ajuda pode reduzir comportamentos disruptivos enquanto promove
interação social.
Ferramentas e
Estratégias para
Avaliação do Perfil
Individual
Checklists e Inventários de Habilidades:
•O uso de checklists estruturados, como o VB-MAPP ou o ABLLS-R, para avaliar
habilidades básicas, como:
• Imitação.
• Emparelhamento de estímulos.
• Comunicação inicial.
• Habilidades motoras finas e grossas.
•Benefício: Oferecem uma visão ampla e rápida do repertório inicial do indivíduo
e o que seria esperado que ele realizasse na sua faixa etária (amostra
populacional).
Linha Base:
•Cooper et al. (2020) destacam que a coleta de dados de linha base é essencial para medir o
progresso durante a intervenção.
•Como fazer:
• Registrar a frequência ou duração de comportamentos-alvo antes do início do
tratamento.
• Exemplo: Registrar a quantidade de vezes que uma criança tenta comunicar-se em 30
minutos sem ajuda.
•Importância:
• Permite identificar tendências iniciais e avaliar a eficácia da intervenção.
Testes Padronizados e Ferramentas Quantitativas:
•Cooper descreve a utilidade de testes padronizados para avaliar o nível de
habilidades cognitivas e sociais, quando disponíveis.
•Exemplos:
• Escalas de Desenvolvimento Social e Comunicação.
• Avaliações padronizadas para áreas acadêmicas específicas.
•Limitação: Dados quantitativos devem ser complementados com observações
qualitativas, pois nem todos os comportamentos importantes podem ser
medidos com precisão em testes padronizados.
Impacto da Identificação no PDI
•Personalização do Plano: A avaliação inicial permite que o PDI seja adaptado às
necessidades únicas do indivíduo.
•Evolução Contínua: O progresso é documentado e revisado regularmente,
permitindo ajustes dinâmicos.
•Redução de Barreiras: Cooper enfatiza que habilidades básicas, como
comunicação e imitação, devem ser prioridades, pois reduzem barreiras para
aprender habilidades mais complexas.
Seleção de Objetivos Educacionais e Terapêuticos:
• Objetivos baseados em comportamentos socialmente significativos
(impacto direto na qualidade de vida do indivíduo e da comunidade
ao seu redor).
• Priorização de metas que atendam a critérios claros:
• Importância social, necessidade imediata e potencial de
mudança.
• Uso do modelo SMART: objetivos que sejam específicos,
mensuráveis, alcançáveis, relevantes e definidos no tempo.
Comportamentos Socialmente Significativos
Definição:
•São comportamentos que têm um impacto positivo direto na qualidade de vida do indivíduo e
nos contextos onde ele vive, aprende e trabalha.
Critérios para Identificação:
•Relevância Social: O comportamento é significativo para a pessoa e para as pessoas ao seu
redor.
•Melhoria na Qualidade de Vida: O objetivo aumenta a funcionalidade, a independência ou as
oportunidades sociais do indivíduo.
•Aceitação Social: Comportamentos-alvo que promovem maior aceitação em ambientes sociais.
Exemplo :
•Ensinar uma criança a pedir ajuda verbalmente, ao invés de gritar, melhora tanto
a interação social quanto reduz problemas de comportamento.
No Contexto de ABA:
Cooper et al. (2020) destacam que comportamentos que geram reforço natural
no ambiente pós-intervenção são os mais adequados, pois são mais propensos a
se manter sem suporte contínuo.
Critérios Clássicos de Priorização
Priorização de Metas
(Cooper et al., 2020):
[Link] Imediata:
Comportamentos que estão
[Link]ância Social: O
impactando negativamente o
comportamento é relevante para
bem-estar ou aprendizado atual.
a integração ou funcionalidade
• Exemplo: Reduzir comportamentos de fuga
da pessoa? que interferem em atividades escolares.
[Link]órico de Manutenção:
Comportamentos que
[Link] de Mudança: O
apresentam estabilidade ou
comportamento é passível de
resistência à mudança podem
intervenção com os recursos e o
demandar mais recursos e devem
tempo disponíveis?
ser considerados
cuidadosamente.
Estratégias para Priorização:
Análise de Custo-Benefício: Qual é o esforço
necessário para a intervenção e o impacto
potencial na qualidade de vida?
Colaboração Multidisciplinar: Envolver pais,
professores e outros profissionais para decidir
quais objetivos têm maior relevância no contexto
do indivíduo.
Urgência: Identificar comportamentos que
precisam de intervenção imediata, como
autoagressão ou risco de exclusão social.
Uso do Modelo SMART
O modelo SMART é enfatizado por Cooper como um padrão de
definição de metas para garantir clareza e eficiência no
planejamento.
Critérios SMART:
Específicos • Definir exatamente qual comportamento será ensinado ou modificado.
• Exemplo: "A criança pedirá água utilizando comunicação verbal
(Specific): funcional."
• Estabelecer critérios quantitativos ou qualitativos claros para avaliar o
Mensuráveis progresso.
• Exemplo: "Emitir o pedido corretamente em 8 de 10 oportunidades
(Measurable): durante a sessão."
• As metas devem ser realistas, considerando as habilidades iniciais do
Alcançáveis indivíduo.
• Exemplo: Começar com uma resposta verbal simples antes de avançar
(Achievable): para sentenças completas.
• O objetivo deve ter impacto direto na funcionalidade ou qualidade de
Relevantes vida.
• Exemplo: Ensinar a criança a responder ao nome é mais relevante do
(Relevant): que ensinar uma habilidade acadêmica menos prática no momento.
Temporais (Time- • Estabelecer um prazo para atingir a meta.
• Exemplo: "Dentro de 3 meses, o aluno pedirá ajuda verbalmente em pelo
bound): menos 80% das oportunidades."
Exemplos Práticos de Objetivos Educacionais e Terapêuticos
Exemplo 1: Comunicação Funcional
•Objetivo Específico: Aumentar o uso de comunicação verbal funcional para solicitações em contextos
naturais.
•Meta SMART: "Dentro de 6 semanas, o aluno pedirá itens utilizando palavras específicas em 9 de 10
oportunidades durante as refeições."
Exemplo 2: Redução de Comportamentos Inadequados
•Objetivo Específico: Reduzir episódios de fuga durante atividades acadêmicas.
•Meta SMART: "Até o final do semestre, o aluno permanecerá engajado em atividades por pelo menos 15
minutos sem fuga em 3 de 4 sessões consecutivas."
Exemplo 3: Habilidades de Vida Diária
•Objetivo Específico: Ensinar a criança a vestir-se de forma independente.
•Meta SMART: "Até 2 meses, o aluno colocará a camisa corretamente em 4 de 5 tentativas sem ajuda física."
Considerações Finais para Definição de Objetivos
Conexão com o PDI:
•Os objetivos devem ser consistentes com o perfil individual e as prioridades
identificadas durante a avaliação inicial.
Impacto na Sustentabilidade:
•Cooper et al. (2020) enfatizam a importância de escolher metas que sejam
mantidas a longo prazo, mesmo sem suporte intensivo.
Envolvimento da Família:
•Garantir que os familiares entendam e se envolvam na execução das metas
aumenta as chances de sucesso e generalização.
Importância do Monitoramento Baseado em Dados
•Objetivo: Fornecer informações contínuas e confiáveis para avaliar o progresso do
indivíduo e tomar decisões informadas sobre ajustes no PDI.
•Relação com o PDI:
• O monitoramento garante que as intervenções sejam alinhadas aos
objetivos SMART definidos.
• Permite identificar rapidamente se uma abordagem não está funcionando,
para que alterações possam ser feitas antes que muito tempo seja perdido.
Exemplo prático:
•Se o objetivo for aumentar a comunicação funcional, os dados podem mostrar se
o aluno está progredindo (ex.: aumento na frequência de pedidos verbais) ou se a
intervenção precisa ser ajustada (ex.: uso de reforçadores mais atrativos).
Estratégias de Monitoramento Baseadas em Dados Contínuos
Métodos de Coleta de Dados:
Registro de frequência:
• Contabiliza quantas vezes um comportamento ocorre em um determinado período.
• Exemplo: "A criança emitiu 10 pedidos verbais durante 30 minutos de sessão."
Duração:
• Mede quanto tempo um comportamento específico persiste.
• Exemplo: "A criança permaneceu sentada por 15 minutos durante uma atividade."
Intensidade:
• Registra o grau de força ou severidade do comportamento.
• Exemplo: "A intensidade dos gritos diminuiu de alto (ouvido por todos na sala) para moderado (perceptível a curta
distância)."
Latência:
• Mede o tempo entre o estímulo apresentado e a resposta do indivíduo.
• Exemplo: "O tempo entre o comando 'sente-se' e a execução foi reduzido de 10 para 3 segundos."
Registro de eventos:
• Captura a ocorrência de comportamentos com antecedente e consequência registrados (ex.: ABC Recording).
• Exemplo: "Após ser solicitado a guardar os brinquedos, a criança gritou, e o professor retirou a demanda."
Ferramentas e Recursos para Monitoramento
Planilhas e Checklists:
Ferramentas simples e práticas para registrar frequência, duração ou intensidade.
Exemplo: Planilhas diárias usadas por professores para monitorar o comportamento durante a aula.
Gráficos:
Linha: Mostra o progresso ao longo do tempo.
• Exemplo: Representar o aumento no número de interações sociais semanais.
Barras: Comparação de dados em diferentes condições.
• Exemplo: Número de pedidos verbais antes e depois de introduzir reforçadores específicos.
Pizza: Mostra a distribuição de comportamentos em diferentes categorias.
• Exemplo: Proporção de respostas corretas e incorretas.
Software de Monitoramento:
Aplicativos ou plataformas que automatizam a coleta e análise de dados, aumentando a precisão e
facilitando o ajuste das intervenções.
Revisões Regulares do PDI
Importância das Revisões:
•Cooper et al. (2020) destacam que as revisões regulares garantem que as metas
permanecem relevantes e que os métodos usados continuam eficazes.
•Frequência das Revisões:
• Semanal ou quinzenal, dependendo da intensidade do programa.
• Revisões formais a cada 3 meses para reavaliar o progresso em relação
aos objetivos de curto e médio prazo.
Fatores a
Considerar
Durante as
Revisões:
Progresso O comportamento-alvo está se aproximando da meta definida?
Mensurável:
Exemplo: "O aluno aumentou o tempo de engajamento na atividade de 5 para 10
minutos."
Barreiras ao Identificar fatores que podem estar impedindo o avanço, como reforçadores ineficazes
Progresso: (não mais reforçadores) ou demandas muito complexas.
Generalização: O comportamento aprendido está sendo transferido para outros ambientes?
Exemplo: "A habilidade de pedir ajuda verbalmente, ensinada na terapia, agora é
usada na escola e em casa."
Sustentabilidade: As habilidades aprendidas estão sendo mantidas ao longo do tempo?
Exemplo: "O aluno continua emitindo respostas corretas mesmo sem reforço
contínuo."
Meta: Aumentar o uso de Registro de frequência: "Número de
comunicação verbal funcional. pedidos emitidos por sessão."
Caso 1: Comunicação Funcional
Gráficos semanais mostrando o
Monitoramento: aumento progressivo nas respostas
corretas.
Revisões quinzenais para ajustar a
dificuldade dos pedidos ou alterar
reforçadores.
Meta: Reduzir episódios de fuga Registro de eventos com análise
durante atividades acadêmicas. ABC.
Caso 2: Redução de
Comportamentos Inadequados
Diminuição na frequência e
intensidade dos comportamentos
Monitoramento:
de fuga registrados em gráficos de
linha.
Alterações no PDI com base nos
antecedentes que mais
frequentemente desencadeiam a
fuga.
Análise Funcional (AF): Fundamentação e Prática
Definição e Importância:
•Objetivo: A análise funcional identifica as funções de um comportamento-alvo, permitindo
que as intervenções sejam baseadas nos motivos reais que mantêm o comportamento.
• Funções típicas incluem:
• Atenção: O comportamento ocorre pois produz a atenção de outras pessoas
(ex.: gritar para que um adulto olhe).
• Fuga/Esquiva: A pessoa exibe o comportamento para fugir de uma demanda ou
situação aversiva (ex.: sair de uma tarefa difícil).
• Reforço Positivo Automático: Sensações internas ou autoestimulação mantêm o
comportamento (ex.: balançar as mãos para autorregulação sensorial).
• Acesso a Itens ou Atividades: A pessoa usa o comportamento para conseguir
itens reforçadores (ex.: choramingar para ganhar um brinquedo).
Lear (2004) sugere que a Análise Funcional deve ser conduzida com simplicidade e clareza,
mesmo para iniciantes na ABA, utilizando estratégias como o registro ABC
(Registro ABC):
1. Observar e registrar o Antecedente, o Comportamento e a Consequência.
2. Exemplo: Antes do grito (antecedente), a criança foi solicitada a realizar uma tarefa
difícil; o grito (comportamento/resposta) fez o adulto remover a tarefa
(consequência).
Simplificação dos Dados:
Lear recomenda que iniciantes utilizem planilhas de observação acessíveis para
identificar padrões.
Uso da Função para Criar Intervenções Personalizadas:
Exemplo: Se a função do comportamento for fugir, o ensino deve incluir estratégias
para reduzir a aversividade da tarefa (ex.: quebra em etapas menores) e introduzir
reforçadores para o cumprimento gradual da tarefa.
Estratégias de Ensino com Ênfase em Ajudas (Prompting)
•O reforço positivo é a base de qualquer programa de ABA e consiste em apresentar um estímulo
reforçador para a pessoa (ex.: elogios, brinquedos, alimentos) imediatamente após uma resposta
apropriada para aumentar sua probabilidade futura.
Uso Estratégico de Prompting (Ajuda):
Definição: Prompting é fornecer pistas ou ajuda para aumentar a probabilidade de uma
resposta correta.
Exemplo:
1. Verbal: "Diga 'por favor' para pedir o brinquedo."
2. Física: Guiar a mão da criança para apontar ou entregar um item.
3. Visual: Apresentar cartões ou imagens que representem o comportamento esperado.
Importância no Ensino:
Lear (2004) enfatiza o uso de prompting para reduzir erros iniciais e acelerar a aquisição
de habilidades.
Esvanecimento (Fading):
Lear (2004) descreve que os prompts devem ser gradualmente retirados para
evitar dependência.
•Exemplo: Diminuir a intensidade do suporte físico ou verbal até que a criança
emita a resposta de forma independente.
•Reforçamento Diferencial:
•Reforçar apenas respostas apropriadas ou desejadas, ignorando
comportamentos interferentes com a mesma função.
•Exemplo: Quando uma criança pede ajuda verbalmente em vez de gritar, o
adulto entrega o item solicitado, ignorando gritos anteriores.
Exemplo:
•Objetivo: Ensinar a criança a pedir água verbalmente.
• Apresente o copo de água (estímulo discriminativo).
• Ofereça o prompt (ajuda) verbal: "Diga 'água'."
• Assim que a criança emitir o som, reforce imediatamente
com a entrega do copo e elogios.
• Repita várias vezes, reduzindo os prompts até que a
criança peça água espontaneamente.
Recomendações de Kathy Lear sobre Sustentabilidade
Introduzir Reforçadores Naturais:
• Lear sugere que o objetivo final de qualquer intervenção seja substituir
reforçadores arbitrários (ex.: doces e brinquedos) por reforçadores
naturais do ambiente (ex.: elogios, acesso a atividades preferidas).
Treinamento de Cuidadores:
• Garantir que pais e professores saibam como aplicar reforços consistentes
e oportunos para maximizar a generalização de habilidades para contextos
naturais.
Monitoramento Contínuo:
• Utilizar planilhas simples para rastrear o progresso e ajustar estratégias
conforme necessário.
Hierarquia Progressiva: Construção de Habilidades de Forma Sequencial
Divisão em Etapas Menores:
• O aprendizado é planejado em passos graduais, que vão desde habilidades básicas e simples
até comportamentos mais complexos. Essa abordagem permite que cada etapa seja
solidificada antes de avançar para a próxima.
• Exemplo em Windholz (2016):
• Programas básicos incluem emparelhamento de objetos por similaridade e diferenciação,
habilidades fundamentais para o desenvolvimento de competências mais elaboradas, como
identificação de cores e formas.
Organização Estruturada:
• As etapas iniciais abordam comportamentos essenciais para a interação da criança com o
ambiente, como contato visual, imitação e uso funcional de brinquedos, que são pré-
requisitos para habilidades avançadas.
• Exemplo Prático:
• Ensinar "pedir água" (habilidade funcional) precede a habilidade de relatar emoções ou
narrar uma história.
Fundamentação de Lefrance (2018):
• Lefrance enfatiza que habilidades devem ser apresentadas de forma hierárquica, com ênfase
na individualização para atender às necessidades específicas de cada indivíduo, considerando
déficits e potenciais de cada aluno.
Aprendizagem Cumulativa: Integração e Generalização
Construção Baseada em Fundamentos Pré-Adquiridos:
• Novas habilidades são projetadas para integrar e expandir o repertório previamente aprendido. O
sucesso é garantido pela ligação direta entre os passos de ensino e as competências anteriores.
• Exemplo em Windholz:
• A habilidade de "emparelhar figuras" com objetos tridimensionais facilita, posteriormente, a
nomeação de objetos, que é a base para habilidades de leitura inicial.
Relação com Comportamentos Mais Complexos:
• Habilidades básicas, como contato visual e imitação motora, preparam o aluno para competências
sociais e acadêmicas, aumentando sua funcionalidade e independência.
• Exemplo de Aprendizagem de Nomeação:
• Lefrance exemplifica como a nomeação envolve várias competências inter-relacionadas, como a
escuta ativa e a resposta verbal, que se combinam para criar um comportamento funcional e
significativo.
Generalização para Contextos Naturais:
• Após o domínio de habilidades específicas, é fundamental trabalhar a generalização para outros
ambientes. Por exemplo, a habilidade de "pedir ajuda" deve ser reforçada tanto em casa quanto na
escola.
Benefícios e Aplicações
Clareza e Consistência:
• A hierarquia progressiva evita lacunas no ensino
e aumenta a probabilidade de retenção e
aplicação prática das habilidades aprendidas.
Além disso, permite que a equipe envolvida
tenha clareza sobre as metas e etapas.
Aplicação Multidisciplinar:
• Profissionais e familiares podem utilizar essa
abordagem como uma ferramenta estruturada
para desenvolver habilidades, promovendo
maior autonomia e qualidade de vida para o
indivíduo.
a) Ensino por Tentativas Discretas (DTT - Discrete Trial Teaching)
Definição e Estrutura:
O Ensino por Tentativas Discretas (DTT) é um método estruturado e altamente controlado, utilizado
amplamente no ensino de crianças com TEA. Ele consiste em dividir tarefas complexas em etapas
menores, conhecidas como "tentativas", que são ensinadas e reforçadas individualmente.
Componentes de uma Tentativa Discreta:
• Estímulo Discriminativo (SD): O comando ou instrução que antecede a resposta esperada.
• Resposta: O comportamento esperado do aluno.
• Consequência: Pode ser um reforço imediato para respostas corretas ou correção para respostas
inadequadas.
• Intervalo entre Tentativas: Um tempo breve para organizar a próxima tentativa e registrar resultados.
Ensino Incidental
Definição e Características:
O Ensino Incidental é uma abordagem mais flexível e naturalística, onde o aprendizado ocorre
dentro do contexto cotidiano e em situações espontâneas, como brincadeiras ou atividades
rotineiras.
Elementos Fundamentais:
• A criança inicia a interação (ex.: aponta para um brinquedo).
• O terapeuta aproveita essa oportunidade para ensinar uma habilidade, solicitando uma resposta
mais elaborada antes de atender ao pedido da criança.
• Reforço Natural: A entrega do objeto ou a conclusão da atividade funciona como reforço.
Vantagens do Ensino Incidental:
Generalização: O aprendizado ocorre em
ambientes naturais, facilitando a transferência de
habilidades para contextos do dia a dia.
Aproveitamento da Motivação Natural: Ensinar
no momento em que o interesse da criança está
alto aumenta a probabilidade de sucesso.
Exemplo Prático:
Durante uma brincadeira, se a criança aponta
para uma bola, o terapeuta pode fornecer ajuda
dizendo "bola, por favor" antes de entregar o
objeto.
Reforçamento Diferencial
Definição:
O reforçamento diferencial envolve reforçar respostas desejáveis enquanto se reduz ou
elimina reforços para respostas inadequadas. Benefícios do Reforçamento Diferencial:
Promove comportamentos adaptativos.
Ajuda a reduzir a frequência de comportamentos disruptivos, como birras ou autolesões.
Pode ser combinado com estratégias de ensino, como DTT e ensino incidental, para
maximizar a eficácia.
Integração dos Métodos
O uso combinado de DTT, ensino incidental e
reforçamento diferencial oferece uma abordagem
abrangente para o ensino de habilidades, permitindo
que as estratégias sejam adaptadas às necessidades
individuais.
Monitoramento e Generalização
Monitoramento Contínuo:
Registro de dados sobre o progresso do indivíduo
Exemplo: Uso de gráficos para monitorar
para avaliar o impacto da intervenção e identificar
frequência e intensidade de comportamentos.
necessidades de ajustes.
Generalização:
Combinar DTT e ensino incidental para
Estratégias incluem treinos em diferentes locais e
generalizar habilidades aprendidas em ambientes
com diferentes pessoas.
controlados para contextos naturais.
Considerações Finais
•Baseado em Cooper et al. (2020):
• O monitoramento contínuo garante que o progresso seja
mensurável e documentado, aumentando a confiabilidade e a
eficácia do PDI.
• Ajustes frequentes, baseados nos dados coletados, são cruciais
para manter a intervenção relevante e eficaz.
1. Identificação do Perfil Inicial
Objetivo: Coletar informações completas sobre o repertório atual e as necessidades do indivíduo.
O que incluir:
Dados Gerais: Nome, idade, diagnóstico (se houver), contexto escolar ou terapêutico.
Habilidades e Lacunas:
• Quais habilidades o indivíduo já possui?
• Quais comportamentos ou habilidades estão ausentes ou precisam ser desenvolvidos?
Como Fazer:
Observação Direta: Registre comportamentos em diferentes contextos (escola, casa, terapia).
Entrevistas: Converse com pais, professores e outros cuidadores para identificar desafios e prioridades.
Análise Funcional (ABC): Identifique os antecedentes (A), comportamentos (B) e consequências (C) que mantêm comportamentos
inadequados.
Testes Padronizados: Utilize ferramentas como VB-MAPP ou ABLLS-R para mapear habilidades acadêmicas, sociais e de vida diária.
. Seleção de Comportamentos-Alvo
Objetivo: Escolher os comportamentos ou habilidades que serão o foco do plano.
O que incluir:
Metas Socialmente Significativas:
• Habilidades que impactam diretamente na qualidade de vida e na funcionalidade do indivíduo (ex.: comunicação, autocuidado).
Prioridades Baseadas em Necessidade Imediata:
• Exemplo: Reduzir comportamentos que oferecem riscos ou impedem o aprendizado.
Como Fazer:
Critérios para Escolher Comportamentos-Alvo (Cooper et al., 2020):
• Impacto na independência.
• Potencial de reforço natural.
• Relevância para habilidades futuras.
• Viabilidade de ensino com os recursos disponíveis.
Exemplo de Comportamento-Alvo: Ensinar a criança a pedir ajuda verbalmente ou através de gestos.
Definição de Objetivos
Objetivo: Estabelecer metas claras e mensuráveis com base nos comportamentos-alvo.
O que incluir:
Objetivos SMART:
• Específicos: Foco em uma habilidade ou comportamento.
• Mensuráveis: Defina critérios objetivos para avaliar o progresso.
• Atingíveis: Adequados ao repertório inicial do indivíduo.
• Relevantes: Socialmente significativos.
• Temporais: Defina prazos para alcançar a meta.
Como Fazer:
Exemplos de Objetivos:
• Curto prazo: "O indivíduo pedirá ajuda utilizando gestos em 4 de 5 oportunidades no período de 2 semanas."
• Médio prazo: "Aumentar a frequência de interações sociais iniciadas pelo aluno para 8 vezes por dia dentro de
3 meses."
• Longo prazo: "Usar frases completas para pedir ajuda verbalmente em diferentes contextos dentro de 6
meses."
Planejamento de Intervenções
Objetivo: Definir estratégias de ensino para alcançar os objetivos.
O que incluir:
Métodos de Ensino Individualizados:
• DTT (Tentativas Discretas): Estruturar o ensino com estímulo, resposta e reforço imediato.
• Ensino Incidental: Aproveitar oportunidades naturais para reforçar a habilidade.
• Reforçamento Diferencial: Substituir comportamentos inadequados por alternativas apropriadas.
Estratégias de Ensino:
• Uso de prompts (dicas) para guiar a resposta correta.
• Reforçadores motivadores (brinquedos, elogios, alimentos).
• Planejamento hierárquico: Ensinar habilidades básicas antes de avançar para as complexas.
Como Fazer:
Crie roteiros de ensino com passos detalhados para cada habilidade.
Exemplo para "Pedir Ajuda":
• Apresente uma tarefa difícil.
• Dê um prompt verbal: "Diga 'ajuda'."
• Reforce imediatamente a resposta correta entregando ajuda.
Métodos de Monitoramento
Objetivo: Coletar dados contínuos para avaliar o progresso e ajustar o plano.
O que incluir:
Ferramentas de Registro:
• Gráficos para medir frequência, intensidade ou duração dos comportamentos.
• Checklists para registrar respostas corretas e incorretas.
Critérios de Sucesso:
• Exemplo: "A meta será considerada alcançada quando o indivíduo emitir o comportamento esperado em 90%
das tentativas por 3 sessões consecutivas."
Como Fazer:
Acompanhe o progresso semanalmente e revise as metas se necessário.
Analise os dados para identificar barreiras (ex.: reforços ineficazes, falta de motivação).
Estratégias de Generalização
Objetivo: Garantir que as habilidades aprendidas sejam aplicadas em diferentes contextos e mantidas a longo
prazo.
O que incluir:
Treinamento em Diferentes Contextos:
• Ensine as habilidades em casa, na escola e em ambientes comunitários.
Diversificação de Pessoas e Estímulos:
• Incluir pais, professores e colegas no processo de ensino.
Reforço Natural:
• Gradualmente substitua reforços artificiais (ex.: guloseimas) por naturais (ex.: elogios).
Como Fazer:
Planeje atividades fora do ambiente de ensino para praticar as habilidades.
Exemplo: Ensinar "pedir ajuda" em brincadeiras no parque ou na sala de aula.
Envolvimento da Família
Objetivo: Treinar cuidadores para reforçar habilidades e
garantir consistência no ensino.
O que incluir:
Reuniões regulares para compartilhar progresso e
estratégias.
Material de apoio com orientações práticas para aplicar
em casa.
Como Fazer:
Treine os pais para usar prompts e reforços adequados.
Envolva a família na coleta de dados sobre
comportamentos em casa.
Revisão e Ajustes
Objetivo: Atualizar o PDI com base nos
resultados obtidos.
O que incluir:
Identifique metas alcançadas e crie
novas.
Ajuste intervenções que não estão
funcionando.
Como Fazer:
Reúna a equipe multidisciplinar e revise
os dados.
Mantenha o PDI atualizado com novas
prioridades e metas.
Caso Hipotético: Desenvolvimento de um PDI para João
Perfil do Aluno:
•Nome: João
•Idade: 6 anos
•Diagnóstico: Transtorno do Espectro Autista (TEA), nível 2 de
suporte.
•Contexto: João frequenta uma escola regular, mas apresenta
dificuldades em pedir ajuda e tende a gritar ou sair do ambiente
quando enfrenta desafios. Sua comunicação verbal é limitada, mas
ele já consegue usar palavras isoladas.
•Repertório Atual:
• Consegue seguir comandos simples com prompts mínimos.
• Reconhece e aponta para objetos de interesse.
• Interage minimamente com colegas.
•Lacunas:
• Não pede ajuda de forma funcional (grita ou abandona
tarefas).
• Dificuldade em participar de atividades em grupo.
Identificação do Perfil Inicial
Dados Coletados:
•Entrevistas com Pais e Professores:
• "João fica frustrado rapidamente durante as atividades
escolares e grita quando precisa de ajuda."
• "Quando ele grita, os professores tentam acalmá-lo e ajudam
com a tarefa."
• "Em casa, ele geralmente abandona as atividades quando
encontra dificuldades."
•Observação Direta (Análise ABC):
• Antecedente: Tarefa difícil (ex.: montar um quebra-cabeça).
• Comportamento: Gritos ou saída do local.
• Consequência: Recebe ajuda do professor ou a tarefa é
retirada.
•Habilidades Identificadas:
• Sabe dizer palavras isoladas como "água", "bola".
• Compreende comandos simples, como "senta" ou "pega".
Seleção de Comportamentos-Alvo
Comportamento Prioritário:
•Ensinar João a pedir ajuda de forma funcional (verbal ou gestual).
Critérios para Escolha:
[Link] social: Pedir ajuda reduzirá os gritos e facilitará sua interação com
professores e colegas.
[Link] imediata: A falta de comunicação funcional está causando
frustração e prejudicando seu aprendizado.
[Link] de mudança: João já possui um repertório básico de palavras
isoladas, o que facilita o aprendizado.
Definição de Objetivos
Objetivos SMART:
•Curto Prazo: "Dentro de 2 semanas, João pedirá ajuda verbalmente utilizando a
palavra 'ajuda' ou apontará para um cartão visual em 3 de 5 oportunidades durante
atividades escolares."
•Médio Prazo: "Dentro de 2 meses, João pedirá ajuda verbalmente ou gestualmente
em pelo menos 80% das oportunidades nas sessões de terapia."
•Longo Prazo: "Dentro de 6 meses, João pedirá ajuda de forma funcional em
diferentes ambientes (escola, casa e parquinho) com 90% de acertos sem prompts."
Planejamento de Intervenções
Estratégias de Ensino:
[Link] por Tentativas Discretas (DTT):
1. Apresentar tarefas que João possa realizar com dificuldade moderada.
2. Dar o comando: "Se precisar de ajuda, diga 'ajuda'."
3. Fornecer um prompt verbal ou físico (ex.: apontar para o cartão de ajuda).
4. Reforçar imediatamente após a resposta correta (ex.: elogios, entrega do item ou
ajuda).
[Link] Incidental:
1. Durante brincadeiras, posicionar um brinquedo fora de alcance e esperar que João
peça ajuda.
2. Reforçar quando ele usar a palavra ou gesto adequado.
[Link]çamento Diferencial (DRA):
1. Reforçar apenas pedidos funcionais (ex.: "ajuda") e ignorar gritos.
Uso de Prompts e Reforços:
•Prompts iniciais: Verbal ("Diga 'ajuda'"), visual (mostrar o cartão).
•Reforços: Brinquedos preferidos, elogios verbais, pausas entre atividades.
•Desvanecimento: Gradualmente reduzir prompts para incentivar a independência.
Métodos de Monitoramento
Ferramentas de Registro:
•Gráfico de frequência: Número de vezes que João pede ajuda
corretamente por sessão.
•Planilha de prompts: Registra o tipo de prompt necessário para
cada tentativa.
Critérios de Sucesso:
•A meta será considerada atingida quando João pedir ajuda
funcionalmente em 90% das tentativas por 3 sessões consecutivas.
Estratégias de Generalização
[Link] em Diferentes Contextos:
Ensinar João a pedir ajuda em casa, na escola e no parquinho.
[Link] de Cuidadores:
Treinar pais e professores para usar os mesmos comandos e
reforçadores.
[Link]ção de Estímulos:
Usar diferentes tarefas e situações para evitar dependência de um
único contexto.
Envolvimento da Família
Orientações para os Pais:
•Use o cartão de ajuda em casa e reforce cada tentativa funcional.
•Evite atender gritos, redirecionando para a resposta correta com prompts.
Reforce a habilidade durante situações cotidianas, como na hora do lanche ou brincadeiras.
Revisão e Ajustes
Plano de Revisão:
•Revisar semanalmente os dados de monitoramento.
•Ajustar os reforçadores caso o progresso seja lento.
•Adicionar novos objetivos se João atingir as metas antes do prazo.
Cooper, J. O., Heron, T. E., & Heward, W. L. (2020). Applied Behavior Analysis (3rd ed.). Pearson.
Lovaas, O. I. (1987). Behavioral treatment and normal educational and intellectual functioning in young autistic
children. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 55(1), 3–9. [Link]
Windholz, M. H. (2016). Passo a passo, seu caminho: Guia curricular para o ensino de habilidades básicas (2ª
ed.). Edicon.
Lafrance, D. (2018). Planejando intervenções individualizadas. In A. C. Sella & D. M. Ribeiro (Eds.), Análise do
comportamento aplicada ao transtorno do espectro autista (pp. 137–166). Appris.
Gomes, C. G. S., & Silveira, A. D. (2016). Ensino de habilidades básicas para pessoas com autismo: Manual
para intervenção comportamental intensiva. Appris.
Lear, K. (2004). Ajude-nos a aprender: Manual de treinamento em ABA (Análise do Comportamento Aplicada)
em ritmo auto-estabelecido. Comunidade Virtual Autismo no Brasil.