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Plano de Desenvolvimento Individual em Psicologia

O Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) é um documento que orienta intervenções educacionais e terapêuticas, focando nas necessidades e habilidades específicas de cada indivíduo. Ele promove a inclusão social e educacional, a autonomia e o desenvolvimento de habilidades essenciais, alinhando-se com as diretrizes da Lei Brasileira de Inclusão. O PDI visa melhorar a qualidade de vida, permitindo que indivíduos com deficiência participem ativamente de suas comunidades.

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Plano de Desenvolvimento Individual em Psicologia

O Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) é um documento que orienta intervenções educacionais e terapêuticas, focando nas necessidades e habilidades específicas de cada indivíduo. Ele promove a inclusão social e educacional, a autonomia e o desenvolvimento de habilidades essenciais, alinhando-se com as diretrizes da Lei Brasileira de Inclusão. O PDI visa melhorar a qualidade de vida, permitindo que indivíduos com deficiência participem ativamente de suas comunidades.

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Plano de

Desenvolvimento
Individual
Severino Alves de Freitas Junior

Me. Psicologia Experimental: Análise do Comportamento


Psicólogo
Definição de PDI

O Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) é um documento estruturado

que organiza e orienta intervenções educacionais e terapêuticas, levando em

conta as necessidades, características e habilidades específicas de cada


Apresentação do vídeo
institucional
indivíduo.
Benefícios Gerais do PDI

O PDI promove a participação ativa do indivíduo


em ambientes inclusivos, ajustando metas e
estratégias de acordo com suas habilidades e
Inclusão Social e Educacional: desafios. Isso permite que ele interaja de forma
significativa com seus pares e desenvolva
competências que favorecem a convivência e a
aceitação em diferentes contextos.

Um dos pilares do PDI é a promoção da


independência. Por meio da definição de objetivos
individualizados, o plano foca em habilidades
essenciais, como comunicação, habilidades
acadêmicas e de vida diária, que permitem ao
indivíduo lidar com demandas reais do cotidiano.

Autonomia e Funcionalidade:

Exemplos incluem ensinar uma criança a se vestir


sozinha, pedir ajuda ou expressar suas necessidades de
maneira funcional.

O PDI identifica e prioriza comportamentos-alvo que são socialmente


Desenvolvimento de Habilidades significativos e que impactam diretamente na qualidade de vida do indivíduo e de
Específicas: sua família. Isso inclui habilidades acadêmicas (ex.: leitura, escrita), sociais (ex.:
iniciar interações) e adaptativas (ex.: autonomia em higiene pessoal).
Políticas Educacionais Inclusivas

No Brasil, o PDI está alinhado com as diretrizes da Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº
13.146/2015), que garante o acesso à educação de qualidade e ao atendimento
especializado para pessoas com deficiência. Essa lei estabelece a necessidade de:

• O PDI permite adaptar o conteúdo pedagógico às necessidades


Adaptações Curriculares: específicas do aluno, respeitando seu ritmo de aprendizagem e
promovendo avanços de forma estruturada.

• A legislação destaca que pessoas com deficiência têm direito à


Direito à Participação participação em ambientes escolares regulares. O PDI atua como
Plena: ferramenta para viabilizar essa integração, reduzindo barreiras e
proporcionando suporte individualizado.

• O PDI garante que famílias e profissionais trabalhem juntos para construir


Apoio à Família e Equipe metas que sejam alcançáveis e relevantes, assegurando que os direitos
Multidisciplinar: do indivíduo sejam respeitados.
Impacto na Qualidade de Vida

Ao alinhar-se com políticas inclusivas, o PDI não apenas foca no

desenvolvimento de habilidades, mas também na inclusão do

indivíduo como participante ativo em sua comunidade. Ele é

projetado para potencializar as capacidades de cada pessoa,

respeitando sua singularidade, e para abrir oportunidades de

participação em ambientes escolares, familiares e sociais.


•Objetivo principal: promover avanços mensuráveis na qualidade de vida,

ajustando o ensino e a intervenção de maneira personalizada.

•Histórico:

• Surge como uma resposta à necessidade de individualizar práticas

educacionais e terapêuticas, principalmente no contexto do

Transtorno do Espectro Autista (TEA).

• Baseia-se em estudos que destacam a eficácia de abordagens

personalizadas para maximizar o potencial de aprendizado e

autonomia (Gomes & Silveira, 2016; Lafrance, 2018).


Behavioral Treatment and Normal Educational and Intellectual Functioning

in Young Autistic Children. Lovaas (1987)

•Definição de autismo (Kanner, 1943):

Crianças autistas apresentam:

• Falta de desenvolvimento de relações sociais antes dos 30 meses.

• Atrasos graves no desenvolvimento da linguagem.

• Comportamentos ritualísticos e obsessivos ("insistência na

mesmice").

• Potencial para inteligência normal.


Prognóstico Geral (Rutter, 1970):

• Apenas 1.5% alcançam funcionamento normal.

• Mais de 60% permanecem severamente comprometidos, vivendo em

ambientes protegidos ou hospitais.


Tratamentos Médicos e Psicológicos

•Tratamentos médicos e psicodinâmicos não alteraram significativamente o curso do autismo.

•Não haviam evidências de causas ambientais anormais nas famílias das crianças (Letter,

1967).

•Prognóstico positivo estava associado a fatores como:

• QI mais alto.

• Fala comunicativa.

• Brincadeiras apropriadas.

•Na época, os métodos baseados em teoria de aprendizagem eram os mais promissores

(DeMyer et al., 1981).


Desafios dos Primeiros Estudos Comportamentais

•Resultados positivos iniciais:

• Desenvolvimento de habilidades complexas, como linguagem.

• Redução de comportamentos interferentes, como agressividade.

•Limitações observadas:

• Ganho específico ao ambiente do tratamento (baixa

generalização).

• Substancial recaída no acompanhamento a longo prazo.

• Nenhum cliente relatado como "recuperado" (Lovaas et al., 1973).


Maximizar os Ganhos do Tratamento Comportamental

•Objetivo: Criar um ambiente de aprendizagem intenso e abrangente para


crianças autistas muito jovens (menos de 4 anos).
•Estratégias:
• Intervenção intensiva: Tratamento durante a maior parte das horas
de vigília.
• Envolvimento de todas as pessoas e ambientes significativos.
• Foco na generalização e manutenção dos ganhos.
• Integração em pré-escolas como um passo inicial para a inclusão.
Hipótese:

•Um ambiente especial e intensivo permitiria que crianças autistas muito

jovens aprendam de forma semelhante a crianças neurotípicas,

aproveitando melhor o ambiente.


•Premissa: Crianças mais jovens são menos propensas a discriminar entre ambientes,
facilitando a generalização das habilidades aprendidas.
•Justificativa:
•Mais fácil integrar crianças menores em pré-escolas do que crianças mais velhas em
escolas primárias.
•A plasticidade cerebral pode favorecer uma resposta melhor a intervenções precoces.
Bases do Estudo de 1987

•Este estudo buscou superar as limitações de intervenções anteriores:

• Intensidade e abrangência.

• Generalização e manutenção dos ganhos.

• Inclusão precoce em ambientes regulares.

•Estabeleceu fundamentos para um modelo de intervenção intensiva que

viria a transformar o tratamento de crianças com TEA.


Objetivo:

•Avaliar se a intervenção comportamental intensiva baseada em ABA

poderia levar a resultados significativos no desenvolvimento intelectual e

educacional de crianças autistas.

•Importância do Estudo:

•Provar que intervenções precoces e intensivas poderiam transformar

significativamente o curso do desenvolvimento dessas crianças.


Participantes:
•Número total: 59 crianças diagnosticadas com autismo.
•Faixa etária: Entre 3 e 4 anos de idade, selecionadas para garantir intervenção
precoce.
•Divisão dos grupos:
•Experimental (n = 19): Crianças submetidas à intervenção ABA intensiva.
•Controle (n = 40): Crianças com pouca ou nenhuma intervenção estruturada.
Critérios de Inclusão:
•Diagnóstico formal de Transtorno do Espectro Autista (TEA).
•Déficits significativos em habilidades sociais, linguísticas e acadêmicas.
•Potencial para desenvolvimento com suporte intensivo.
Grupo Experimental:

•Carga horária: Até 40 horas semanais de intervenção ABA intensiva.

•Duração: 2 ou mais anos consecutivos.

•Ambiente:

• Tratamento realizado em casa, na escola e em ambientes

comunitários.

• Envolvimento ativo de pais e outros cuidadores para garantir a

continuidade.
Foco do tratamento:

•Ensino de habilidades sociais, como iniciar conversas e brincar com outras

crianças.

•Desenvolvimento de linguagem funcional, como pedir ajuda ou expressar

necessidades.

•Promoção de comportamentos acadêmicos, como seguir instruções simples e

completar tarefas.

•Redução de comportamentos inadequados, como estereotipias e

agressividade.
Grupo Controle:

•Carga horária: Menos de 10 horas semanais de intervenção ABA ou nenhum

tratamento estruturado.

•Intervenção típica:

• Abordagens tradicionais sem o uso intensivo de técnicas baseadas em

análise comportamental.

• Algumas crianças receberam terapias limitadas focadas apenas em

comportamentos específicos.
Estrutura da Intervenção seguindo a abordagem analítico
comportamental:
• Divisão das habilidades em passos pequenos e mensuráveis.
• Uso de tentativa discreta (DTT) para ensino intensivo de habilidades
específicas.
• Reforço positivo imediato para promover comportamentos desejados.

Individualização:
• Planos personalizados baseados em avaliação inicial e progressos
monitorados.
• Ajustes contínuos para atender às necessidades únicas de cada criança.

Generalização:
• Treinamento em múltiplos contextos para garantir que as habilidades
aprendidas fossem mantidas fora do ambiente terapêutico.
Monitoramento e Avaliação:
•Coleta de Dados:
• Registros diários de frequência, duração e intensidade de
comportamentos.
• Análises semanais para ajustar estratégias e medir progresso.
•Resultados esperados:
• Melhorias em habilidades sociais, linguísticas e acadêmicas.
• Redução significativa de comportamentos inadequados.
Justificativa do Método:
•O foco em crianças mais jovens (3-4 anos) baseou-se na hipótese de
que intervenções precoces promovem maior generalização e
manutenção de habilidades, aproveitando a plasticidade cerebral.
Resultados do Grupo Experimental

Funcionamento Normal – 48%:


•Descrição: Quase metade das crianças do grupo experimental alcançou
funcionamento intelectual e educacional equivalente ao de crianças neurotípicas.
•Indicadores de Sucesso:
•QI médio ou superior à média.
•Frequência em escolas regulares sem suporte adicional:
•Desempenho compatível com os pares em atividades acadêmicas.
•Capacidade de socializar e participar de dinâmicas de classe regulares.
•Demonstração de habilidades funcionais, como comunicação verbal eficaz e
comportamento social adequado.
•Importância: Esses resultados evidenciam que a intervenção intensiva baseada em
ABA pode mudar o prognóstico de crianças com TEA, permitindo integração plena na
sociedade.
Progressos Significativos – 42%:
•Descrição: Uma parcela considerável das crianças apresentou melhorias notáveis,
embora tenham continuado em classes especiais.
•Indicadores de Progresso:
• Avanços em habilidades de linguagem e sociais, mas insuficientes para
ambientes regulares sem suporte.
• Melhorias na independência em atividades diárias.
• Redução significativa de comportamentos inadequados, como estereotipias e
agressividade.
•Motivos para Permanência em Classes Especiais:
• Necessidade de suporte adicional em áreas específicas, como habilidades
acadêmicas ou sociais mais complexas.
• Acompanhamento contínuo para promover generalização e manutenção das
habilidades aprendidas.
Pouco ou Nenhum Progresso – 13%:

•Descrição: Uma pequena parcela do grupo experimental mostrou avanços mínimos.

•Características Desses Casos:

• Pouca resposta às intervenções, apesar da intensidade e duração.

• Permanência de déficits severos em habilidades sociais, linguísticas e

comportamentais.

• Alta dependência de suporte externo para atividades diárias.

•Hipóteses sobre a Baixa Resposta ao Tratamento:

• Possíveis comorbidades não identificadas ou que interferiram no progresso (DI).

• Limitações na generalização das habilidades aprendidas.


Impacto Geral do Grupo Experimental:

•Esses resultados confirmam que a intervenção comportamental intensiva

pode levar a mudanças significativas na vida de crianças com TEA.

•Demonstra a importância da personalização dos planos de intervenção e da

continuidade do suporte.
Resultados Observados (Grupo Controle):
•Apenas 2% das crianças atingiram funcionamento próximo ao normal, um índice
extremamente baixo em comparação ao grupo experimental.
•Mais de 60% permaneceram severamente comprometidas:
• Necessitaram de suporte intensivo em ambientes especializados, como escolas
específicas ou instituições.
• Demonstraram baixa capacidade de comunicação, interação social e autonomia.
• Comportamentos desafiadores e estereotipados mantiveram-se frequentes.
•Aproximadamente 35% tiveram algum progresso, mas continuaram enfrentando dificuldades
significativas:
• Mostraram pequenos ganhos em habilidades básicas.
• Necessitaram de suporte contínuo para viver e aprender.
Razões para os Resultados Inferiores:

•Falta de Intensidade:

• A carga horária limitada de intervenção dificultou a construção de repertórios

comportamentais.

• Poucas oportunidades de repetição e reforço de habilidades críticas.

•Ausência de Estrutura Interventiva:

• As intervenções, quando aplicadas, não seguiam princípios de análise do

comportamento, como ensino intensivo, reforçamento positivo das respostas

desejadas ou análise funcional de comportamentos interferentes.


Impacto do Ambiente Natural:

• Crianças no grupo controle não receberam o suporte

necessário para aprender em seus ambientes naturais, ao

contrário do grupo experimental.

• O ambiente não foi modificado para facilitar a aprendizagem

e reduzir barreiras comportamentais.


Conclusão:

•O grupo controle confirmou a ineficácia de intervenções mínimas ou

ausência de intervenção estruturada para crianças autistas.

•Os resultados contrastam fortemente com o grupo experimental,

evidenciando que a intensidade e a personalização das intervenções são

fatores determinantes para o progresso.


Componentes de um PDI

•Identificação do Perfil Individual:

• Avaliação inicial do repertório comportamental e habilidades do indivíduo

para compreender detalhadamente o repertório comportamental atual do

indivíduo, suas habilidades existentes e as áreas que necessitam de

intervenção

• Garantir que o PDI seja ajustado às necessidades específicas do indivíduo e

que os objetivos sejam realistas e relevantes


Avaliação Inicial do Repertório Comportamental e Habilidades Funcionais:

•Consiste em analisar as habilidades em diversas áreas, como:

• Habilidades de comunicação: Capacidade de emitir mandos (pedidos), seja por meio da

fala, gestos, ou sistemas alternativos de comunicação.

• Habilidades sociais: Participação em interações sociais, resposta a comandos simples, e

engajamento em brincadeiras ou atividades cooperativas.

• Habilidades acadêmicas: Identificação de letras, números, e outras competências

relacionadas à educação formal.

• Habilidades de vida diária: Como se alimentar, vestir-se, higiene pessoal, e outras

atividades que promovam maior autonomia.


Coleta de Informações por Múltiplas Fontes:

Para garantir uma visão abrangente, a coleta de informações deve incluir:


•Observação Direta:
• Analisar o comportamento do indivíduo em diferentes contextos, como casa, escola
ou ambientes sociais.
• Identificar padrões de comportamento que sejam significativos para a intervenção.
•Entrevistas com Familiares e Profissionais:
• Obter informações sobre o histórico de desenvolvimento, comportamentos
recorrentes e prioridades percebidas pela família.
• Envolver profissionais (ex.: terapeutas, professores) que já acompanham o
indivíduo para compreender melhor suas necessidades.
•Avaliações Funcionais:
• Ferramentas para identificar as funções dos comportamentos (ex.: se um
comportamento é mantido por atenção, escape ou estímulos sensoriais).
• Modelos como ABC (Antecedente, Comportamento, Consequência) ajudam a
mapear os fatores que influenciam as respostas do indivíduo.
Foco em Repertórios Existentes e Lacunas Críticas

•Repertórios Existentes:
• Identificar habilidades que o indivíduo já possui e que podem ser expandidas.
• Exemplos: Se a criança já consegue imitar sons, esse repertório pode ser usado
para ensinar palavras simples.
•Lacunas Críticas:
• Reconhecer habilidades ausentes ou pouco desenvolvidas que afetam a
independência ou a interação social.
• Exemplos: Incapacidade de pedir ajuda pode levar à frustração e comportamentos
problemáticos.
•Prioridade:
• As lacunas identificadas devem ser priorizadas com base em sua relevância para o
cotidiano e o impacto que terão na qualidade de vida.
Repertórios Existentes e Lacunas Críticas
Repertórios Existentes:
•Identificar as habilidades que o indivíduo já possui, pois elas podem ser usadas
como ponto de partida para intervenções eficazes. (Cooper, Heron, & Heward, 2020)
Exemplo:
• Uma criança que já consegue discriminar objetos por cor pode expandir essa
habilidade para categorização mais complexa ou tarefas acadêmicas
específicas.
•Papel no PDI:
• Repertórios existentes indicam áreas de competência que podem ser
reforçadas, ajudando a aumentar a fortalecer o repertório existente do
indivíduo e ampliá-lo
Lacunas Críticas:

•Definição: São comportamentos ausentes ou pouco desenvolvidos, que podem

limitar a funcionalidade, a independência ou a qualidade de vida do indivíduo.

•Identificação:

• Os checklists e a análise funcional são essenciais para determinar não apenas

as lacunas, mas também os fatores que contribuem para sua manutenção

(ex.: reforços inadvertidos ou falta de oportunidades para prática).

• Exemplo prático: Um indivíduo que não pede ajuda verbalmente pode usar

comportamentos interferentes, como gritar, para obter ajuda.


Critérios para Priorização:

Priorizar as lacunas críticas com base em:

•Impacto social: Habilidades que melhoram a interação e inclusão em ambientes

naturais.

•Viabilidade: Metas alcançáveis com os recursos e o tempo disponíveis.

•Relevância funcional: Habilidades que aumentam a autonomia ou reduzem

comportamentos interferentes(Cooper, Heron, & Heward, 2020)..

•Exemplo: Ensinar uma criança a usar um sistema de comunicação alternativa

para pedir ajuda pode reduzir comportamentos disruptivos enquanto promove

interação social.
Ferramentas e
Estratégias para
Avaliação do Perfil
Individual
Checklists e Inventários de Habilidades:

•O uso de checklists estruturados, como o VB-MAPP ou o ABLLS-R, para avaliar

habilidades básicas, como:

• Imitação.

• Emparelhamento de estímulos.

• Comunicação inicial.

• Habilidades motoras finas e grossas.

•Benefício: Oferecem uma visão ampla e rápida do repertório inicial do indivíduo

e o que seria esperado que ele realizasse na sua faixa etária (amostra

populacional).
Linha Base:

•Cooper et al. (2020) destacam que a coleta de dados de linha base é essencial para medir o

progresso durante a intervenção.

•Como fazer:

• Registrar a frequência ou duração de comportamentos-alvo antes do início do

tratamento.

• Exemplo: Registrar a quantidade de vezes que uma criança tenta comunicar-se em 30

minutos sem ajuda.

•Importância:

• Permite identificar tendências iniciais e avaliar a eficácia da intervenção.


Testes Padronizados e Ferramentas Quantitativas:

•Cooper descreve a utilidade de testes padronizados para avaliar o nível de

habilidades cognitivas e sociais, quando disponíveis.

•Exemplos:

• Escalas de Desenvolvimento Social e Comunicação.

• Avaliações padronizadas para áreas acadêmicas específicas.

•Limitação: Dados quantitativos devem ser complementados com observações

qualitativas, pois nem todos os comportamentos importantes podem ser

medidos com precisão em testes padronizados.


Impacto da Identificação no PDI

•Personalização do Plano: A avaliação inicial permite que o PDI seja adaptado às

necessidades únicas do indivíduo.

•Evolução Contínua: O progresso é documentado e revisado regularmente,

permitindo ajustes dinâmicos.

•Redução de Barreiras: Cooper enfatiza que habilidades básicas, como

comunicação e imitação, devem ser prioridades, pois reduzem barreiras para

aprender habilidades mais complexas.


Seleção de Objetivos Educacionais e Terapêuticos:

• Objetivos baseados em comportamentos socialmente significativos

(impacto direto na qualidade de vida do indivíduo e da comunidade

ao seu redor).

• Priorização de metas que atendam a critérios claros:

• Importância social, necessidade imediata e potencial de

mudança.

• Uso do modelo SMART: objetivos que sejam específicos,

mensuráveis, alcançáveis, relevantes e definidos no tempo.


Comportamentos Socialmente Significativos

Definição:

•São comportamentos que têm um impacto positivo direto na qualidade de vida do indivíduo e

nos contextos onde ele vive, aprende e trabalha.

Critérios para Identificação:

•Relevância Social: O comportamento é significativo para a pessoa e para as pessoas ao seu

redor.

•Melhoria na Qualidade de Vida: O objetivo aumenta a funcionalidade, a independência ou as

oportunidades sociais do indivíduo.

•Aceitação Social: Comportamentos-alvo que promovem maior aceitação em ambientes sociais.


Exemplo :

•Ensinar uma criança a pedir ajuda verbalmente, ao invés de gritar, melhora tanto

a interação social quanto reduz problemas de comportamento.

No Contexto de ABA:

Cooper et al. (2020) destacam que comportamentos que geram reforço natural

no ambiente pós-intervenção são os mais adequados, pois são mais propensos a

se manter sem suporte contínuo.


Critérios Clássicos de Priorização
Priorização de Metas
(Cooper et al., 2020):

[Link] Imediata:
Comportamentos que estão
[Link]ância Social: O
impactando negativamente o
comportamento é relevante para
bem-estar ou aprendizado atual.
a integração ou funcionalidade
• Exemplo: Reduzir comportamentos de fuga
da pessoa? que interferem em atividades escolares.

[Link]órico de Manutenção:
Comportamentos que
[Link] de Mudança: O
apresentam estabilidade ou
comportamento é passível de
resistência à mudança podem
intervenção com os recursos e o
demandar mais recursos e devem
tempo disponíveis?
ser considerados
cuidadosamente.
Estratégias para Priorização:

Análise de Custo-Benefício: Qual é o esforço


necessário para a intervenção e o impacto
potencial na qualidade de vida?

Colaboração Multidisciplinar: Envolver pais,


professores e outros profissionais para decidir
quais objetivos têm maior relevância no contexto
do indivíduo.

Urgência: Identificar comportamentos que


precisam de intervenção imediata, como
autoagressão ou risco de exclusão social.
Uso do Modelo SMART

O modelo SMART é enfatizado por Cooper como um padrão de

definição de metas para garantir clareza e eficiência no

planejamento.
Critérios SMART:

Específicos • Definir exatamente qual comportamento será ensinado ou modificado.


• Exemplo: "A criança pedirá água utilizando comunicação verbal
(Specific): funcional."

• Estabelecer critérios quantitativos ou qualitativos claros para avaliar o


Mensuráveis progresso.
• Exemplo: "Emitir o pedido corretamente em 8 de 10 oportunidades
(Measurable): durante a sessão."

• As metas devem ser realistas, considerando as habilidades iniciais do


Alcançáveis indivíduo.
• Exemplo: Começar com uma resposta verbal simples antes de avançar
(Achievable): para sentenças completas.

• O objetivo deve ter impacto direto na funcionalidade ou qualidade de


Relevantes vida.
• Exemplo: Ensinar a criança a responder ao nome é mais relevante do
(Relevant): que ensinar uma habilidade acadêmica menos prática no momento.

Temporais (Time- • Estabelecer um prazo para atingir a meta.


• Exemplo: "Dentro de 3 meses, o aluno pedirá ajuda verbalmente em pelo
bound): menos 80% das oportunidades."
Exemplos Práticos de Objetivos Educacionais e Terapêuticos

Exemplo 1: Comunicação Funcional

•Objetivo Específico: Aumentar o uso de comunicação verbal funcional para solicitações em contextos

naturais.

•Meta SMART: "Dentro de 6 semanas, o aluno pedirá itens utilizando palavras específicas em 9 de 10

oportunidades durante as refeições."

Exemplo 2: Redução de Comportamentos Inadequados

•Objetivo Específico: Reduzir episódios de fuga durante atividades acadêmicas.

•Meta SMART: "Até o final do semestre, o aluno permanecerá engajado em atividades por pelo menos 15

minutos sem fuga em 3 de 4 sessões consecutivas."

Exemplo 3: Habilidades de Vida Diária

•Objetivo Específico: Ensinar a criança a vestir-se de forma independente.

•Meta SMART: "Até 2 meses, o aluno colocará a camisa corretamente em 4 de 5 tentativas sem ajuda física."
Considerações Finais para Definição de Objetivos

Conexão com o PDI:

•Os objetivos devem ser consistentes com o perfil individual e as prioridades

identificadas durante a avaliação inicial.

Impacto na Sustentabilidade:

•Cooper et al. (2020) enfatizam a importância de escolher metas que sejam

mantidas a longo prazo, mesmo sem suporte intensivo.

Envolvimento da Família:

•Garantir que os familiares entendam e se envolvam na execução das metas

aumenta as chances de sucesso e generalização.


Importância do Monitoramento Baseado em Dados
•Objetivo: Fornecer informações contínuas e confiáveis para avaliar o progresso do
indivíduo e tomar decisões informadas sobre ajustes no PDI.
•Relação com o PDI:
• O monitoramento garante que as intervenções sejam alinhadas aos
objetivos SMART definidos.
• Permite identificar rapidamente se uma abordagem não está funcionando,
para que alterações possam ser feitas antes que muito tempo seja perdido.
Exemplo prático:
•Se o objetivo for aumentar a comunicação funcional, os dados podem mostrar se
o aluno está progredindo (ex.: aumento na frequência de pedidos verbais) ou se a
intervenção precisa ser ajustada (ex.: uso de reforçadores mais atrativos).
Estratégias de Monitoramento Baseadas em Dados Contínuos

Métodos de Coleta de Dados:

Registro de frequência:
• Contabiliza quantas vezes um comportamento ocorre em um determinado período.
• Exemplo: "A criança emitiu 10 pedidos verbais durante 30 minutos de sessão."

Duração:
• Mede quanto tempo um comportamento específico persiste.
• Exemplo: "A criança permaneceu sentada por 15 minutos durante uma atividade."

Intensidade:
• Registra o grau de força ou severidade do comportamento.
• Exemplo: "A intensidade dos gritos diminuiu de alto (ouvido por todos na sala) para moderado (perceptível a curta
distância)."

Latência:
• Mede o tempo entre o estímulo apresentado e a resposta do indivíduo.
• Exemplo: "O tempo entre o comando 'sente-se' e a execução foi reduzido de 10 para 3 segundos."

Registro de eventos:
• Captura a ocorrência de comportamentos com antecedente e consequência registrados (ex.: ABC Recording).
• Exemplo: "Após ser solicitado a guardar os brinquedos, a criança gritou, e o professor retirou a demanda."
Ferramentas e Recursos para Monitoramento

Planilhas e Checklists:

Ferramentas simples e práticas para registrar frequência, duração ou intensidade.

Exemplo: Planilhas diárias usadas por professores para monitorar o comportamento durante a aula.

Gráficos:

Linha: Mostra o progresso ao longo do tempo.


• Exemplo: Representar o aumento no número de interações sociais semanais.

Barras: Comparação de dados em diferentes condições.


• Exemplo: Número de pedidos verbais antes e depois de introduzir reforçadores específicos.

Pizza: Mostra a distribuição de comportamentos em diferentes categorias.


• Exemplo: Proporção de respostas corretas e incorretas.

Software de Monitoramento:

Aplicativos ou plataformas que automatizam a coleta e análise de dados, aumentando a precisão e


facilitando o ajuste das intervenções.
Revisões Regulares do PDI

Importância das Revisões:

•Cooper et al. (2020) destacam que as revisões regulares garantem que as metas

permanecem relevantes e que os métodos usados continuam eficazes.

•Frequência das Revisões:

• Semanal ou quinzenal, dependendo da intensidade do programa.

• Revisões formais a cada 3 meses para reavaliar o progresso em relação

aos objetivos de curto e médio prazo.


Fatores a
Considerar
Durante as
Revisões:

Progresso O comportamento-alvo está se aproximando da meta definida?


Mensurável:
Exemplo: "O aluno aumentou o tempo de engajamento na atividade de 5 para 10
minutos."

Barreiras ao Identificar fatores que podem estar impedindo o avanço, como reforçadores ineficazes
Progresso: (não mais reforçadores) ou demandas muito complexas.

Generalização: O comportamento aprendido está sendo transferido para outros ambientes?

Exemplo: "A habilidade de pedir ajuda verbalmente, ensinada na terapia, agora é


usada na escola e em casa."

Sustentabilidade: As habilidades aprendidas estão sendo mantidas ao longo do tempo?

Exemplo: "O aluno continua emitindo respostas corretas mesmo sem reforço
contínuo."
Meta: Aumentar o uso de Registro de frequência: "Número de
comunicação verbal funcional. pedidos emitidos por sessão."

Caso 1: Comunicação Funcional


Gráficos semanais mostrando o
Monitoramento: aumento progressivo nas respostas
corretas.

Revisões quinzenais para ajustar a


dificuldade dos pedidos ou alterar
reforçadores.

Meta: Reduzir episódios de fuga Registro de eventos com análise


durante atividades acadêmicas. ABC.

Caso 2: Redução de
Comportamentos Inadequados
Diminuição na frequência e
intensidade dos comportamentos
Monitoramento:
de fuga registrados em gráficos de
linha.

Alterações no PDI com base nos


antecedentes que mais
frequentemente desencadeiam a
fuga.
Análise Funcional (AF): Fundamentação e Prática
Definição e Importância:
•Objetivo: A análise funcional identifica as funções de um comportamento-alvo, permitindo
que as intervenções sejam baseadas nos motivos reais que mantêm o comportamento.
• Funções típicas incluem:
• Atenção: O comportamento ocorre pois produz a atenção de outras pessoas
(ex.: gritar para que um adulto olhe).
• Fuga/Esquiva: A pessoa exibe o comportamento para fugir de uma demanda ou
situação aversiva (ex.: sair de uma tarefa difícil).
• Reforço Positivo Automático: Sensações internas ou autoestimulação mantêm o
comportamento (ex.: balançar as mãos para autorregulação sensorial).
• Acesso a Itens ou Atividades: A pessoa usa o comportamento para conseguir
itens reforçadores (ex.: choramingar para ganhar um brinquedo).
Lear (2004) sugere que a Análise Funcional deve ser conduzida com simplicidade e clareza,
mesmo para iniciantes na ABA, utilizando estratégias como o registro ABC
(Registro ABC):
1. Observar e registrar o Antecedente, o Comportamento e a Consequência.
2. Exemplo: Antes do grito (antecedente), a criança foi solicitada a realizar uma tarefa
difícil; o grito (comportamento/resposta) fez o adulto remover a tarefa
(consequência).
Simplificação dos Dados:
Lear recomenda que iniciantes utilizem planilhas de observação acessíveis para
identificar padrões.
Uso da Função para Criar Intervenções Personalizadas:
Exemplo: Se a função do comportamento for fugir, o ensino deve incluir estratégias
para reduzir a aversividade da tarefa (ex.: quebra em etapas menores) e introduzir
reforçadores para o cumprimento gradual da tarefa.
Estratégias de Ensino com Ênfase em Ajudas (Prompting)
•O reforço positivo é a base de qualquer programa de ABA e consiste em apresentar um estímulo
reforçador para a pessoa (ex.: elogios, brinquedos, alimentos) imediatamente após uma resposta
apropriada para aumentar sua probabilidade futura.
Uso Estratégico de Prompting (Ajuda):
Definição: Prompting é fornecer pistas ou ajuda para aumentar a probabilidade de uma
resposta correta.
Exemplo:
1. Verbal: "Diga 'por favor' para pedir o brinquedo."
2. Física: Guiar a mão da criança para apontar ou entregar um item.
3. Visual: Apresentar cartões ou imagens que representem o comportamento esperado.
Importância no Ensino:
Lear (2004) enfatiza o uso de prompting para reduzir erros iniciais e acelerar a aquisição
de habilidades.
Esvanecimento (Fading):
Lear (2004) descreve que os prompts devem ser gradualmente retirados para
evitar dependência.
•Exemplo: Diminuir a intensidade do suporte físico ou verbal até que a criança
emita a resposta de forma independente.
•Reforçamento Diferencial:
•Reforçar apenas respostas apropriadas ou desejadas, ignorando
comportamentos interferentes com a mesma função.
•Exemplo: Quando uma criança pede ajuda verbalmente em vez de gritar, o
adulto entrega o item solicitado, ignorando gritos anteriores.
Exemplo:

•Objetivo: Ensinar a criança a pedir água verbalmente.

• Apresente o copo de água (estímulo discriminativo).

• Ofereça o prompt (ajuda) verbal: "Diga 'água'."

• Assim que a criança emitir o som, reforce imediatamente

com a entrega do copo e elogios.

• Repita várias vezes, reduzindo os prompts até que a

criança peça água espontaneamente.


Recomendações de Kathy Lear sobre Sustentabilidade

Introduzir Reforçadores Naturais:

• Lear sugere que o objetivo final de qualquer intervenção seja substituir


reforçadores arbitrários (ex.: doces e brinquedos) por reforçadores
naturais do ambiente (ex.: elogios, acesso a atividades preferidas).

Treinamento de Cuidadores:

• Garantir que pais e professores saibam como aplicar reforços consistentes


e oportunos para maximizar a generalização de habilidades para contextos
naturais.

Monitoramento Contínuo:

• Utilizar planilhas simples para rastrear o progresso e ajustar estratégias


conforme necessário.
Hierarquia Progressiva: Construção de Habilidades de Forma Sequencial

Divisão em Etapas Menores:


• O aprendizado é planejado em passos graduais, que vão desde habilidades básicas e simples
até comportamentos mais complexos. Essa abordagem permite que cada etapa seja
solidificada antes de avançar para a próxima.
• Exemplo em Windholz (2016):
• Programas básicos incluem emparelhamento de objetos por similaridade e diferenciação,
habilidades fundamentais para o desenvolvimento de competências mais elaboradas, como
identificação de cores e formas​​.

Organização Estruturada:
• As etapas iniciais abordam comportamentos essenciais para a interação da criança com o
ambiente, como contato visual, imitação e uso funcional de brinquedos, que são pré-
requisitos para habilidades avançadas.
• Exemplo Prático:
• Ensinar "pedir água" (habilidade funcional) precede a habilidade de relatar emoções ou
narrar uma história.

Fundamentação de Lefrance (2018):


• Lefrance enfatiza que habilidades devem ser apresentadas de forma hierárquica, com ênfase
na individualização para atender às necessidades específicas de cada indivíduo, considerando
déficits e potenciais de cada aluno​​.
Aprendizagem Cumulativa: Integração e Generalização

Construção Baseada em Fundamentos Pré-Adquiridos:


• Novas habilidades são projetadas para integrar e expandir o repertório previamente aprendido. O
sucesso é garantido pela ligação direta entre os passos de ensino e as competências anteriores.
• Exemplo em Windholz:
• A habilidade de "emparelhar figuras" com objetos tridimensionais facilita, posteriormente, a
nomeação de objetos, que é a base para habilidades de leitura inicial​​.

Relação com Comportamentos Mais Complexos:


• Habilidades básicas, como contato visual e imitação motora, preparam o aluno para competências
sociais e acadêmicas, aumentando sua funcionalidade e independência.
• Exemplo de Aprendizagem de Nomeação:
• Lefrance exemplifica como a nomeação envolve várias competências inter-relacionadas, como a
escuta ativa e a resposta verbal, que se combinam para criar um comportamento funcional e
significativo​​.

Generalização para Contextos Naturais:


• Após o domínio de habilidades específicas, é fundamental trabalhar a generalização para outros
ambientes. Por exemplo, a habilidade de "pedir ajuda" deve ser reforçada tanto em casa quanto na
escola.
Benefícios e Aplicações

Clareza e Consistência:
• A hierarquia progressiva evita lacunas no ensino
e aumenta a probabilidade de retenção e
aplicação prática das habilidades aprendidas.
Além disso, permite que a equipe envolvida
tenha clareza sobre as metas e etapas.

Aplicação Multidisciplinar:
• Profissionais e familiares podem utilizar essa
abordagem como uma ferramenta estruturada
para desenvolver habilidades, promovendo
maior autonomia e qualidade de vida para o
indivíduo.
a) Ensino por Tentativas Discretas (DTT - Discrete Trial Teaching)

Definição e Estrutura:

O Ensino por Tentativas Discretas (DTT) é um método estruturado e altamente controlado, utilizado
amplamente no ensino de crianças com TEA. Ele consiste em dividir tarefas complexas em etapas
menores, conhecidas como "tentativas", que são ensinadas e reforçadas individualmente.

Componentes de uma Tentativa Discreta:

• Estímulo Discriminativo (SD): O comando ou instrução que antecede a resposta esperada.


• Resposta: O comportamento esperado do aluno.
• Consequência: Pode ser um reforço imediato para respostas corretas ou correção para respostas
inadequadas.
• Intervalo entre Tentativas: Um tempo breve para organizar a próxima tentativa e registrar resultados​​.
Ensino Incidental

Definição e Características:

O Ensino Incidental é uma abordagem mais flexível e naturalística, onde o aprendizado ocorre
dentro do contexto cotidiano e em situações espontâneas, como brincadeiras ou atividades
rotineiras.

Elementos Fundamentais:

• A criança inicia a interação (ex.: aponta para um brinquedo).


• O terapeuta aproveita essa oportunidade para ensinar uma habilidade, solicitando uma resposta
mais elaborada antes de atender ao pedido da criança.
• Reforço Natural: A entrega do objeto ou a conclusão da atividade funciona como reforço​​.
Vantagens do Ensino Incidental:

Generalização: O aprendizado ocorre em


ambientes naturais, facilitando a transferência de
habilidades para contextos do dia a dia.

Aproveitamento da Motivação Natural: Ensinar


no momento em que o interesse da criança está
alto aumenta a probabilidade de sucesso​​.

Exemplo Prático:

Durante uma brincadeira, se a criança aponta


para uma bola, o terapeuta pode fornecer ajuda
dizendo "bola, por favor" antes de entregar o
objeto.
Reforçamento Diferencial

Definição:

O reforçamento diferencial envolve reforçar respostas desejáveis enquanto se reduz ou


elimina reforços para respostas inadequadas. Benefícios do Reforçamento Diferencial:

Promove comportamentos adaptativos.

Ajuda a reduzir a frequência de comportamentos disruptivos, como birras ou autolesões.

Pode ser combinado com estratégias de ensino, como DTT e ensino incidental, para
maximizar a eficácia​​.
Integração dos Métodos

O uso combinado de DTT, ensino incidental e

reforçamento diferencial oferece uma abordagem

abrangente para o ensino de habilidades, permitindo

que as estratégias sejam adaptadas às necessidades

individuais.
Monitoramento e Generalização

Monitoramento Contínuo:
Registro de dados sobre o progresso do indivíduo
Exemplo: Uso de gráficos para monitorar
para avaliar o impacto da intervenção e identificar
frequência e intensidade de comportamentos​​.
necessidades de ajustes.

Generalização:
Combinar DTT e ensino incidental para
Estratégias incluem treinos em diferentes locais e
generalizar habilidades aprendidas em ambientes
com diferentes pessoas​​.
controlados para contextos naturais.
Considerações Finais

•Baseado em Cooper et al. (2020):

• O monitoramento contínuo garante que o progresso seja

mensurável e documentado, aumentando a confiabilidade e a

eficácia do PDI.

• Ajustes frequentes, baseados nos dados coletados, são cruciais

para manter a intervenção relevante e eficaz.


1. Identificação do Perfil Inicial

Objetivo: Coletar informações completas sobre o repertório atual e as necessidades do indivíduo.

O que incluir:

Dados Gerais: Nome, idade, diagnóstico (se houver), contexto escolar ou terapêutico.

Habilidades e Lacunas:
• Quais habilidades o indivíduo já possui?
• Quais comportamentos ou habilidades estão ausentes ou precisam ser desenvolvidos?

Como Fazer:

Observação Direta: Registre comportamentos em diferentes contextos (escola, casa, terapia).

Entrevistas: Converse com pais, professores e outros cuidadores para identificar desafios e prioridades.

Análise Funcional (ABC): Identifique os antecedentes (A), comportamentos (B) e consequências (C) que mantêm comportamentos
inadequados.

Testes Padronizados: Utilize ferramentas como VB-MAPP ou ABLLS-R para mapear habilidades acadêmicas, sociais e de vida diária.
. Seleção de Comportamentos-Alvo

Objetivo: Escolher os comportamentos ou habilidades que serão o foco do plano.

O que incluir:

Metas Socialmente Significativas:


• Habilidades que impactam diretamente na qualidade de vida e na funcionalidade do indivíduo (ex.: comunicação, autocuidado).

Prioridades Baseadas em Necessidade Imediata:


• Exemplo: Reduzir comportamentos que oferecem riscos ou impedem o aprendizado.

Como Fazer:

Critérios para Escolher Comportamentos-Alvo (Cooper et al., 2020):


• Impacto na independência.
• Potencial de reforço natural.
• Relevância para habilidades futuras.
• Viabilidade de ensino com os recursos disponíveis.

Exemplo de Comportamento-Alvo: Ensinar a criança a pedir ajuda verbalmente ou através de gestos.


Definição de Objetivos

Objetivo: Estabelecer metas claras e mensuráveis com base nos comportamentos-alvo.

O que incluir:

Objetivos SMART:
• Específicos: Foco em uma habilidade ou comportamento.
• Mensuráveis: Defina critérios objetivos para avaliar o progresso.
• Atingíveis: Adequados ao repertório inicial do indivíduo.
• Relevantes: Socialmente significativos.
• Temporais: Defina prazos para alcançar a meta.

Como Fazer:

Exemplos de Objetivos:
• Curto prazo: "O indivíduo pedirá ajuda utilizando gestos em 4 de 5 oportunidades no período de 2 semanas."
• Médio prazo: "Aumentar a frequência de interações sociais iniciadas pelo aluno para 8 vezes por dia dentro de
3 meses."
• Longo prazo: "Usar frases completas para pedir ajuda verbalmente em diferentes contextos dentro de 6
meses."
Planejamento de Intervenções

Objetivo: Definir estratégias de ensino para alcançar os objetivos.

O que incluir:

Métodos de Ensino Individualizados:


• DTT (Tentativas Discretas): Estruturar o ensino com estímulo, resposta e reforço imediato.
• Ensino Incidental: Aproveitar oportunidades naturais para reforçar a habilidade.
• Reforçamento Diferencial: Substituir comportamentos inadequados por alternativas apropriadas.

Estratégias de Ensino:
• Uso de prompts (dicas) para guiar a resposta correta.
• Reforçadores motivadores (brinquedos, elogios, alimentos).
• Planejamento hierárquico: Ensinar habilidades básicas antes de avançar para as complexas.

Como Fazer:

Crie roteiros de ensino com passos detalhados para cada habilidade.

Exemplo para "Pedir Ajuda":


• Apresente uma tarefa difícil.
• Dê um prompt verbal: "Diga 'ajuda'."
• Reforce imediatamente a resposta correta entregando ajuda.
Métodos de Monitoramento

Objetivo: Coletar dados contínuos para avaliar o progresso e ajustar o plano.

O que incluir:

Ferramentas de Registro:
• Gráficos para medir frequência, intensidade ou duração dos comportamentos.
• Checklists para registrar respostas corretas e incorretas.

Critérios de Sucesso:
• Exemplo: "A meta será considerada alcançada quando o indivíduo emitir o comportamento esperado em 90%
das tentativas por 3 sessões consecutivas."

Como Fazer:

Acompanhe o progresso semanalmente e revise as metas se necessário.

Analise os dados para identificar barreiras (ex.: reforços ineficazes, falta de motivação).
Estratégias de Generalização

Objetivo: Garantir que as habilidades aprendidas sejam aplicadas em diferentes contextos e mantidas a longo
prazo.

O que incluir:

Treinamento em Diferentes Contextos:


• Ensine as habilidades em casa, na escola e em ambientes comunitários.

Diversificação de Pessoas e Estímulos:


• Incluir pais, professores e colegas no processo de ensino.

Reforço Natural:
• Gradualmente substitua reforços artificiais (ex.: guloseimas) por naturais (ex.: elogios).

Como Fazer:

Planeje atividades fora do ambiente de ensino para praticar as habilidades.

Exemplo: Ensinar "pedir ajuda" em brincadeiras no parque ou na sala de aula.


Envolvimento da Família

Objetivo: Treinar cuidadores para reforçar habilidades e


garantir consistência no ensino.

O que incluir:

Reuniões regulares para compartilhar progresso e


estratégias.

Material de apoio com orientações práticas para aplicar


em casa.

Como Fazer:

Treine os pais para usar prompts e reforços adequados.

Envolva a família na coleta de dados sobre


comportamentos em casa.
Revisão e Ajustes

Objetivo: Atualizar o PDI com base nos


resultados obtidos.

O que incluir:

Identifique metas alcançadas e crie


novas.

Ajuste intervenções que não estão


funcionando.

Como Fazer:

Reúna a equipe multidisciplinar e revise


os dados.

Mantenha o PDI atualizado com novas


prioridades e metas.
Caso Hipotético: Desenvolvimento de um PDI para João
Perfil do Aluno:
•Nome: João
•Idade: 6 anos
•Diagnóstico: Transtorno do Espectro Autista (TEA), nível 2 de
suporte.
•Contexto: João frequenta uma escola regular, mas apresenta
dificuldades em pedir ajuda e tende a gritar ou sair do ambiente
quando enfrenta desafios. Sua comunicação verbal é limitada, mas
ele já consegue usar palavras isoladas.
•Repertório Atual:
• Consegue seguir comandos simples com prompts mínimos.
• Reconhece e aponta para objetos de interesse.
• Interage minimamente com colegas.
•Lacunas:
• Não pede ajuda de forma funcional (grita ou abandona
tarefas).
• Dificuldade em participar de atividades em grupo.
Identificação do Perfil Inicial
Dados Coletados:
•Entrevistas com Pais e Professores:
• "João fica frustrado rapidamente durante as atividades
escolares e grita quando precisa de ajuda."
• "Quando ele grita, os professores tentam acalmá-lo e ajudam
com a tarefa."
• "Em casa, ele geralmente abandona as atividades quando
encontra dificuldades."
•Observação Direta (Análise ABC):
• Antecedente: Tarefa difícil (ex.: montar um quebra-cabeça).
• Comportamento: Gritos ou saída do local.
• Consequência: Recebe ajuda do professor ou a tarefa é
retirada.
•Habilidades Identificadas:
• Sabe dizer palavras isoladas como "água", "bola".
• Compreende comandos simples, como "senta" ou "pega".
Seleção de Comportamentos-Alvo

Comportamento Prioritário:

•Ensinar João a pedir ajuda de forma funcional (verbal ou gestual).

Critérios para Escolha:

[Link] social: Pedir ajuda reduzirá os gritos e facilitará sua interação com

professores e colegas.

[Link] imediata: A falta de comunicação funcional está causando

frustração e prejudicando seu aprendizado.

[Link] de mudança: João já possui um repertório básico de palavras

isoladas, o que facilita o aprendizado.


Definição de Objetivos

Objetivos SMART:

•Curto Prazo: "Dentro de 2 semanas, João pedirá ajuda verbalmente utilizando a

palavra 'ajuda' ou apontará para um cartão visual em 3 de 5 oportunidades durante

atividades escolares."

•Médio Prazo: "Dentro de 2 meses, João pedirá ajuda verbalmente ou gestualmente

em pelo menos 80% das oportunidades nas sessões de terapia."

•Longo Prazo: "Dentro de 6 meses, João pedirá ajuda de forma funcional em

diferentes ambientes (escola, casa e parquinho) com 90% de acertos sem prompts."
Planejamento de Intervenções
Estratégias de Ensino:
[Link] por Tentativas Discretas (DTT):
1. Apresentar tarefas que João possa realizar com dificuldade moderada.
2. Dar o comando: "Se precisar de ajuda, diga 'ajuda'."
3. Fornecer um prompt verbal ou físico (ex.: apontar para o cartão de ajuda).
4. Reforçar imediatamente após a resposta correta (ex.: elogios, entrega do item ou
ajuda).
[Link] Incidental:
1. Durante brincadeiras, posicionar um brinquedo fora de alcance e esperar que João
peça ajuda.
2. Reforçar quando ele usar a palavra ou gesto adequado.
[Link]çamento Diferencial (DRA):
1. Reforçar apenas pedidos funcionais (ex.: "ajuda") e ignorar gritos.
Uso de Prompts e Reforços:
•Prompts iniciais: Verbal ("Diga 'ajuda'"), visual (mostrar o cartão).
•Reforços: Brinquedos preferidos, elogios verbais, pausas entre atividades.
•Desvanecimento: Gradualmente reduzir prompts para incentivar a independência.
Métodos de Monitoramento

Ferramentas de Registro:

•Gráfico de frequência: Número de vezes que João pede ajuda

corretamente por sessão.

•Planilha de prompts: Registra o tipo de prompt necessário para

cada tentativa.

Critérios de Sucesso:

•A meta será considerada atingida quando João pedir ajuda

funcionalmente em 90% das tentativas por 3 sessões consecutivas.


Estratégias de Generalização

[Link] em Diferentes Contextos:

Ensinar João a pedir ajuda em casa, na escola e no parquinho.

[Link] de Cuidadores:

Treinar pais e professores para usar os mesmos comandos e

reforçadores.

[Link]ção de Estímulos:

Usar diferentes tarefas e situações para evitar dependência de um

único contexto.
Envolvimento da Família

Orientações para os Pais:

•Use o cartão de ajuda em casa e reforce cada tentativa funcional.

•Evite atender gritos, redirecionando para a resposta correta com prompts.

Reforce a habilidade durante situações cotidianas, como na hora do lanche ou brincadeiras.

Revisão e Ajustes

Plano de Revisão:

•Revisar semanalmente os dados de monitoramento.

•Ajustar os reforçadores caso o progresso seja lento.

•Adicionar novos objetivos se João atingir as metas antes do prazo.


Cooper, J. O., Heron, T. E., & Heward, W. L. (2020). Applied Behavior Analysis (3rd ed.). Pearson.

Lovaas, O. I. (1987). Behavioral treatment and normal educational and intellectual functioning in young autistic
children. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 55(1), 3–9. [Link]

Windholz, M. H. (2016). Passo a passo, seu caminho: Guia curricular para o ensino de habilidades básicas (2ª
ed.). Edicon.

Lafrance, D. (2018). Planejando intervenções individualizadas. In A. C. Sella & D. M. Ribeiro (Eds.), Análise do
comportamento aplicada ao transtorno do espectro autista (pp. 137–166). Appris.

Gomes, C. G. S., & Silveira, A. D. (2016). Ensino de habilidades básicas para pessoas com autismo: Manual
para intervenção comportamental intensiva. Appris.

Lear, K. (2004). Ajude-nos a aprender: Manual de treinamento em ABA (Análise do Comportamento Aplicada)
em ritmo auto-estabelecido. Comunidade Virtual Autismo no Brasil.

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