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Princípios do Direito Administrativo Público

O documento aborda a Organização da Administração Pública e as competências federativas relacionadas a licitações e contratos, destacando o conceito de direito administrativo e suas fontes. Apresenta os princípios que regem a administração pública, como legalidade, moralidade, publicidade, impessoalidade e eficiência, além de discutir a importância da licitação e seus princípios específicos. A administração pública é caracterizada por um regime jurídico que combina elementos de direito público e privado, sempre visando o interesse público e a transparência nas ações governamentais.

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Princípios do Direito Administrativo Público

O documento aborda a Organização da Administração Pública e as competências federativas relacionadas a licitações e contratos, destacando o conceito de direito administrativo e suas fontes. Apresenta os princípios que regem a administração pública, como legalidade, moralidade, publicidade, impessoalidade e eficiência, além de discutir a importância da licitação e seus princípios específicos. A administração pública é caracterizada por um regime jurídico que combina elementos de direito público e privado, sempre visando o interesse público e a transparência nas ações governamentais.

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Disciplina: Organização da Administração

Pública e Competências Federativas em


matéria de licitações e contratos
Dra. Denise Bittencourt
• Conceito de direito administrativo: Conjunto harmônico de princípios jurídicos que
regem os órgãos, os agentes e as atividades públicas tendentes a realizar concreta,
direta e imediatamente os fins desejados pelo Estado”. (Hely, 24ª ed., p. 34)

• FONTES: Doutrina, princípios, jurisprudência, leis e costumes (praxe administrativa)


• Obs: Lei nº 13.655/2018 na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro
(LINDB), inserindo o art. 24, o qual estabelece que “a revisão, nas esferas
administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste,
processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará
em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança
posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente
constituídas”.
• Regime jurídico administrativo:
• A Administração Pública submeter-se EM REGRA ao regime jurídico de direito público, e
parcialmente ao regime jurídico de direito privado. A opção por um regime ou outro é feita, em
regra, pela Constituição ou pela lei
• Exemplo 01: o art. 173, § 1º, da Constituição Federal determina que a empresa pública, a
sociedade de economia mista e as suas subsidiárias que explorem atividade econômica se
sujeitem a regime jurídico próprio das empresas privadas
• Exemplo 02: o art. 175, CF88 outorga ao Poder Público a incumbência de prestar serviços
públicos, podendo fazê-lo diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, cabendo
à legislação infraconstitucional a opção de adotar um regime ou outro.
• Quando a Administração se envolve em relações jurídicas de direito privado
nunca se submete integralmente a ele, pois conserva algumas de suas
prerrogativas, que derrogam parcialmente o direito comum, visto que
possui determinados privilégios e restrições.
• O conjunto de prerrogativas e restrições da administração pública nas suas
relações jurídicas podem ser relacionados em forma de princípios que
informam o direito público e, em especial, o Direito Administrativo
• Administração pública como FUNÇÃO PÚBLICA: A Revolução Francesa
concebeu um Estado em que as funções do poder fossem atribuídas a órgãos distintos
(executivo, legislativo e judiciário), impedindo a concentração de poderes e o arbítrio de
uma ou de um grupo de pessoas.
• Esses poderes estruturais possuem cada um deles uma função que lhe é atribuída com
precipuidade.
• Executivo...: função administrativa
• Legislativo..: função normativa
• Judiciário....: função judicial
• Todos os poderes têm necessidade de praticar atos administrativos,
ainda que restritos à sua organização e ao seu funcionamento e, em
caráter excepcional admitido pela Constituição, desempenham
funções e praticam atos que, a rigor, seriam de outro Poder

• A administração pública é encontrada precipuamente no Poder


Executivo, mas não exclusivamente, visto que encontraremos em
atividade atípica essa mesma administração pública no Poder
Judiciário e no Poder Legislativo.
GOVERNO ADMINISTRAÇÃO
É atividade política e discricionária É atividade neutra, normalmente
vinculada à lei ou à norma técnica
É conduta independente É conduta hierarquizada

Comanda com responsabilidade Executa com responsabilidade técnica


constitucional e política, sem e legal pela execução.
responsabilidade profissional.
Realiza opções políticas É instrumental de que dispõe o
Estado
Exemplos: a iniciativa das leis pelo Exemplos: fornecimento de certidões,
Chefe do Poder Executivo; a sanção e decreto de desaprorpiação
o veto; a declaração do Estado de
Sítio
Princípios
administrativos
Dra. Denise bittencourt
Implícitos
Supremacia do Interesse Público sobre o Privado

• sobre o do particular, como condição até mesmo, da sobrevivência e


asseguramento deste último
• Exemplo: Uma desapropriação para a construção de uma obra pública de
interesse coletivo pode ocorrer, mesmo que isso implique em prejuízos a
indivíduos afetados pela medida.
Indisponibilidade pela Administração dos interesses
públicos

• significa que sendo interesses qualificados como próprios da coletividade -


internos ao setor público - não se encontram à livre disposição de quem quer
que seja por inapropriáveis
• A Administração só pode fazer aquilo que a lei autoriza.
Autotutela

• É a prerrogativa (dever) de invalidar os próprios atos, quando desgarrados da


lei, da moral ou do bem comum.
• Essa regra vale para os atos administrativos, mas não para invalidar atos e
contratos regidos pelo Direito Privado, cuja nulidade deve ser obtida junto ao
Poder Judiciário.
• Arti 53 lei 9784 - analisar
Razoabilidade e proporcionalidade

• Os atos administrativos não podem ser praticados, quando se tratar de


atuação discricionária, com excesso ou escassez para prejudicar o
administrado.
• É uma decorrência dos princípios da legalidade e da finalidade.
Razoabilidade e proporcionalidade

• Aplicação na prática
• 1. Evitar punições desproporcionais
• Penalidades aplicadas pelo poder público devem ser compatíveis com a infração cometida.
• Exemplo: Demitir um servidor por um erro insignificante seria desproporcional e violaria a
razoabilidade.
• 2. Normas e exigências devem ter lógica
• A administração não pode impor regras excessivamente rígidas sem justificativa.
• Exemplo: Exigir um número exagerado de documentos para um procedimento simples dificulta o
acesso aos serviços públicos.
• 3. Decisões devem considerar o impacto na sociedade
• Medidas governamentais precisam ser equilibradas, sem prejudicar desnecessariamente os cidadãos.
• Exemplo: Proibir o comércio ambulante sem oferecer alternativas para os trabalhadores afetados
pode ser considerado irrazoável.
Presunção de legitimidade ou
veracidade
• Se a Administração Pública se submete à lei, presume-se, até prova em
contrário, que todo os seus atos sejam verdadeiros e praticados com
observância das normas legais pertinentes .
• Essa presunção é chamada de juris tantum, pois admite prova em contrário
Especialidade

• Decorre dos princípios da legalidade e da indisponibilidade do interesse


público .
• Quando o Estado cria pessoas jurídicas públicas administrativas como forma
de descentralizar a prestação de serviços públicos com vistas a especialização
da função, a lei que cria a entidade estabelece com precisão as finalidades
que lhe incumbe atender, de tal modo que não cabe aos seus administradores
afastar-se dos objetivos definidos em lei.
Hierarquia

• os órgãos da Administração Pública são estruturados de tal forma que cria


uma relação de coordenação e subordinação entre uns e outros, cada qual
com atribuições definidas em lei.
• Desse princípio decorre uma série de prerrogativas para administração: a de
rever os atos dos subordinados, a de delegar e avocar atribuições, a de punir;
para o subordinado surge o dever de obediência .
Explícitos
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPLÍCITOS (ART. 37,
CF88):

• LEGALIDADE
• MORALIDADE
• PUBLICIDADE
• IMPESSOALIDADE
• EFICIÊNCIA
Legalidade

• Significa que a Administração Pública está, em toda a sua atividade, presa aos
mandamentos da lei, deles não se podendo afastar, sob pena de invalidade do ato
e responsabilidade de seu autor.
• os atos administrativos devem sempre ter uma base legal que os legitime.
• Garantia que a atuação do Estado seja controlada e não abuse do poder,
evitando arbitrariedades.
• Ganatir previsibilidade e segurança à sociedade

• Consequências da Violação do Princípio da Legalidade = ANULADO ( EM


REGRA)
Legalidade
• Para os particulares (cidadãos), a regra é que podem fazer tudo o que
a lei não proíbe.
• Para a Administração Pública, a regra é que ela só pode fazer o que a
lei autoriza. Ou seja, a Administração Pública está restrita às normas
legais e só pode agir dentro dos limites estabelecidos pela legislação.
Legalidade
• Legalidade X discricionariedade

• Ex:
• Exemplo de legalidade estrita: Um agente público não pode realizar
uma contratação ou despesa sem que haja previsão legal para isso. Se
não houver uma lei ou norma que autorize essa contratação, o ato
será considerado ilegal.
• Exemplo de ilegalidade por falta de base legal: Se uma prefeitura
resolve aumentar os impostos sem que haja uma lei que a autorize a
fazer isso, esse ato será considerado ilegal e sujeito a anulação.
MORALIDADE ADMINISTRATIVA
• Moralidade Administrativa
• Está intimamente ligada ao conceito do bom administrador, que utiliza a
moral comum, propugnando pelo que for melhor e mais útil para o interesse
público.
• os atos administrativos não precisam apenas ser legais (conformes à lei), mas
também devem ser moralmente aceitáveis, respeitando os princípios de
probidade e ética no exercício do poder público
MORALIDADE ADMINISTRATIVA
• Características:
• Probidade administrativa: O agente público deve agir com
honestidade, lealdade e integridade
• Bons costumes: Os atos administrativos devem respeitar os valores
sociais amplamente aceitos, considerando sempre o interesse
coletivo e a confiança pública.
• Boa-fé: A Administração Pública deve agir de boa-fé em suas ações,
isto é, com transparência e sem enganar ou prejudicar os cidadãos.
MORALIDADE ADMINISTRATIVA
• o agente público que age contraria a moralidade administrativa pode
ser responsabilizado, seja por improbidade administrativa
PUBLICIDADE
• Publicidade
• Torna obrigatória a divulgação de atos, contratos e outros instrumentos celebrados pela
Administração para conhecimento, controle e início de seus efeitos.
• Transparência – Os atos, contratos e decisões da administração pública devem ser
divulgados de maneira clara e acessível à população.
• Acesso à Informação – Qualquer cidadão pode solicitar informações públicas,
conforme a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011).
• Divulgação Oficial – Muitos atos administrativos precisam ser publicados em
diários oficiais ou meios de comunicação adequados para garantir sua validade e
conhecimento geral.
• Controle Social – A publicidade possibilita que a sociedade fiscalize as ações do
governo, prevenindo abusos e irregularidades.
PUBLICIDADE
• Exceções – Algumas informações podem ser sigilosas, especialmente quando envolvem segurança nacional,
investigações sigilosas ou a privacidade de indivíduos.
• Lei12527/11 Art. 23. São consideradas imprescindíveis à segurança da sociedade ou do Estado e, portanto,
passíveis de classificação as informações cuja divulgação ou acesso irrestrito possam:
• I - pôr em risco a defesa e a soberania nacionais ou a integridade do território nacional;
• II - prejudicar ou pôr em risco a condução de negociações ou as relações internacionais do País, ou as que tenham
sido fornecidas em caráter sigiloso por outros Estados e organismos internacionais;
• III - pôr em risco a vida, a segurança ou a saúde da população;
• IV - oferecer elevado risco à estabilidade financeira, econômica ou monetária do País;
• V - prejudicar ou causar risco a planos ou operações estratégicos das Forças Armadas;
• VI - prejudicar ou causar risco a projetos de pesquisa e desenvolvimento científico ou tecnológico, assim como a
sistemas, bens, instalações ou áreas de interesse estratégico nacional;
• VII - pôr em risco a segurança de instituições ou de altas autoridades nacionais ou estrangeiras e seus familiares;
ou
• VIII - comprometer atividades de inteligência, bem como de investigação ou fiscalização em andamento,
relacionadas com a prevenção ou repressão de infrações.
IMPESSOALIDADE
• Impessoalidade:
• A atividade administrativa deve ser destinada a todos os administrados, sem determinação
de pessoa ou discriminação de qualquer natureza
• Os atos e provimentos administrativos são imputáveis não ao funcionário que os pratica, mas
ao órgão ou entidade administrativa da Administração Pública
IMPESSOALIDADE
• 1. Proibição da promoção pessoal
• A publicidade dos atos, programas e campanhas do governo não
pode exaltar o gestor público.
• Exemplo: Um prefeito não pode colocar seu nome ou foto em placas
de obras públicas.
IMPESSOALIDADE
• 2. Atuação imparcial e objetiva
• A administração deve agir sem discriminação ou favorecimento a grupos ou indivíduos.
• Exemplo: Contratações públicas devem seguir critérios técnicos, sem beneficiar amigos ou
familiares.
• 3. Proibição de nepotismo
• Nomeação de parentes para cargos públicos fere a impessoalidade.
• Exemplo: O STF proíbe a contratação de parentes em cargos comissionados (Súmula
Vinculante 13).
• 4. Igualdade no atendimento ao público
• O serviço público deve tratar todos os cidadãos com equidade.
• Exemplo: Não pode haver preferência no atendimento de um processo porque a pessoa é
conhecida de um funcionário.
IMPESSOALIDADE
• Consequências da violação do princípio: Ato administrativo pode
ser anulado por desvio de finalidade.
EFICIÊNCIA
• Eficiência
• agilidade, qualidade e economia de recursos, garantindo melhores resultados para a
sociedade
• O descumprimento desse princípio gera o desvio de finalidade e a nulidade do ato praticado
• Eficiência x eficácia
EFICIÊNCIA
• 1. Gestão orientada para resultados
• Órgãos públicos devem adotar metas de desempenho e medir sua produtividade.
• Exemplo: O governo implementa avaliações de desempenho para servidores públicos.
• 2. Modernização dos serviços públicos
• Uso da tecnologia para tornar o atendimento mais rápido e eficiente.
• Exemplo: Digitalização de processos para reduzir burocracia (governo digital).
• 3. Avaliação de desempenho dos servidores
• Servidores podem ser premiados pelo bom desempenho ou penalizados pela ineficiência.
• Exemplo: A Administração pode exonerar servidores que não atingem níveis mínimos de produtividade
(desde que respeitados os critérios legais).
• 4. Redução do desperdício de recursos públicos
• Gastos devem ser planejados de forma racional, sem desperdício.
• Exemplo: Uso de licitações eficientes para evitar superfaturamento e compras desnecessárias.
PRINCÍPIOS LICITATÓRIOS
A Lei elenca princípios para reger a licitação, a saber:
Art. 5º Na aplicação desta Lei, serão observados os princípios da legalidade, da impessoalidade, da
moralidade, da publicidade, da eficiência, do interesse público, da probidade administrativa, da
igualdade, do planejamento, da transparência, da eficácia, da segregação de funções, da motivação, da
vinculação ao edital, do julgamento objetivo, da segurança jurídica, da razoabilidade, da
competitividade, da proporcionalidade, da celeridade, da economicidade e do desenvolvimento
nacional sustentável, assim como as disposições do Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 (Lei
de Introdução às Normas do Direito Brasileiro)
Igualdade: Todos os concorrentes terão igualdade de chances (nota o favorecimento às micro e
pequenas empresas)
Vinculação ao edital: O poder público licitante deve seguir as regras do edital.
Julgamento objetivo: o julgamento das propostas deve seguir propostas mensuráveis, e não
preferências pessoais
Segregação de funções: novidade em comparação com a lei anterior, significa evitar que uma
autoridade cumpra mais de uma função na licitação, mas para fins de manter a idoneidade.
Legalidade: licitação é regida pela lei
Impessoalidade: atuação uniforme da Administração Pública;
Moralidade: no sentido de atuação de um agente honesto.
Interesse público: a licitação deve buscar o interesse público, e não privado.
Probidade administrativa: honestidade administrativa.
Motivação: os atos da licitação devem ter motivação expressa.
Segurança Jurídica: a licitação deve privilegiar a segurança jurídica. Evitar inovações.
Razoabilidade: as decisões da Administração devem ser razoáveis.
Competitividade: a licitação deve tentar buscar aumentar a competitividade.
Proporcionalidade: as decisões da Administração devem ser proporcionais.
Celeridade: as decisões da Administração devem ser rápidas.
Economicidade: a Administração pública deve buscar fazer mais com menos.
Desenvolvimento nacional sustentável: busca de um desenvolvimento não-predatório
Apesar de não estar ali previso, é um princípio o da seleção da proposta mais vantajosa.
Principio da Segregação de funções

Para fins de se evitar conflitos de interesses, a lei proíbe determinadas


situações onde poderia ocorrer mistura de funções
Decreto nº 11.246/2022 , art 12:
aplicação do referido princípio deve se dar sempre em conjunto com
os princípios da eficiência, da razoabilidade e do interesse público
• Art. 7º Caberá à autoridade máxima do órgão ou da entidade[...]:
• § 1º A autoridade referida no caput deste artigo deverá observar o
princípio da segregação de funções, vedada a designação do mesmo
agente público para atuação simultânea em funções mais suscetíveis
a riscos, de modo a reduzir a possibilidade de ocultação de erros e de
ocorrência de fraudes na respectiva contrataçã
Principio da segurança jurídica na Lei 14.133

• A Lei 9.784/99, por exemplo, previu, nos artigos 54 e 55, a decadência e a


convalidação. A Lei 13.655/18, que incluiu dispositivos na Lindb, tratou de
reconhecer a necessidade de a decisão anulatória (administrativa, judicial ou
controladora) avaliar as consequências práticas da decisão (artigo 22), dispondo
sobre a possibilidade de regimes transitórios de arrumação das nulidades (artigo
23), sem prejuízo de remeter a avaliação da validade dos atos administrativos às
orientações gerais da época de sua edição (artigo 24)
• Art. 147. Constatada irregularidade no procedimento licitatório ou na execução contratual, caso não seja possível o saneamento, a decisão sobre a suspensão da
execução ou sobre a declaração de nulidade do contrato somente será adotada na hipótese em que se revelar medida de interesse público, com avaliação, entre
outros, dos seguintes aspectos:
• I - impactos econômicos e financeiros decorrentes do atraso na fruição dos benefícios do objeto do contrato;
• II - riscos sociais, ambientais e à segurança da população local decorrentes do atraso na fruição dos benefícios do objeto do contrato;
• III - motivação social e ambiental do contrato;
• IV - custo da deterioração ou da perda das parcelas executadas;
• V - despesa necessária à preservação das instalações e dos serviços já executados;
• VI - despesa inerente à desmobilização e ao posterior retorno às atividades;
• VII - medidas efetivamente adotadas pelo titular do órgão ou entidade para o saneamento dos indícios de irregularidades apontados;
• VIII - custo total e estágio de execução física e financeira dos contratos, dos convênios, das obras ou das parcelas envolvidas;
• IX - fechamento de postos de trabalho diretos e indiretos em razão da paralisação;
• X - custo para realização de nova licitação ou celebração de novo contrato;
• XI - custo de oportunidade do capital durante o período de paralisação.
• Acórdão 2075/2021-TCU-Plenário, "a Administração pode, por razões
de interesse público, não declarar a nulidade de ato ilegal verificado
na formalização do contrato ou no certamente licitatório que o
precedeu, quando tal medida puder causar prejuízo maior do que a
manutenção do ato viciado"
ECONOMICIDADE
• minimização dos custos dos recursos utilizados na consecução de uma
atividade, sem comprometimento dos padrões de qualidade. Refere-se
à capacidade de uma instituição gerir adequadamente os recursos
colocados à sua disposição

• CF Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional


e patrimonial da União e das entidades da administração direta e
indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação
das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso
Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno
de cada Poder.
• CFArt. 37. (…)
• XXI – ressalvados os casos especificados na legislação, as obras,
serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo
de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os
concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de
pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos
da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica
e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das
obrigações.
• Nota Técnica – AudTI/TCU 8/2023:

55. […] Na análise de economicidade, deve ser avaliado se o orçamento estimado (elaborado a
partir de preços de mercado) é compatível com os resultados esperados com a contratação,
inclusive os relativos à economia de recursos financeiros com a implantação da solução.

56. Dessa forma, na análise da economicidade, é feita uma avaliação da relação de custo-
benefício da solução a contratar, sopesando o gasto necessário para implantá-la com os
resultados que se esperam com essa implantação, que devem levar ao atendimento da
necessidade de negócio que desencadeou a contratação, que, por sua vez, deve estar atrelado
ao interesse público envolvido19. Assim, não basta que o valor estimado da contratação esteja
de acordo com preços de mercado ou mais baixo do que alguma alternativa analisada no ETP
se não houver a expectativa de que a necessidade de negócio que desencadeou a contratação
será atendida. Também não basta que a necessidade seja atendida, se os resultados esperados
não forem compatíveis com os valores a desembolsar ao longo do contrato.
PLANEJAMENTO
• “ dever de previsão das ações futuras, abrangendo inclusive eventos
não relacionados diretamente à atuação administrativa, de modo a
adotar as providências mais adequadas e satisfatórias para a
realização das finalidades pretendidas.” (Marçal Justem Filho)
• Art. 18. A fase preparatória do processo licitatório é caracterizada
pelo planejamento e deve compatibilizar-se com o plano de
contratações anual de que trata o inciso VII do caput
do art. 12 desta Lei, sempre que elaborado, e com as leis
orçamentárias, bem como abordar todas as considerações técnicas,
mercadológicas e de gestão que podem interferir na contratação,
compreendidos:
• Artigo 11, Parágrafo único. A alta administração do órgão ou entidade
é responsável pela governança das contratações e deve implementar
processos e estruturas, inclusive de gestão de riscos e controles
internos, para avaliar, direcionar e monitorar os processos licitatórios
e os respectivos contratos, com o intuito de alcançar os objetivos
estabelecidos no caput deste artigo, promover um ambiente íntegro e
confiável, assegurar o alinhamento das contratações ao planejamento
estratégico e às leis orçamentárias e promover eficiência, efetividade
e eficácia em suas contratações.
DESENVOLVIMENTO NACIONAL
SUSTENTÁVEL
• Desenvolvimento ambiental, econômico e social
• Art. 11. O processo licitatório tem por objetivos:
• I - assegurar a seleção da proposta apta a gerar o resultado de contratação mais
vantajoso para a Administração Pública, inclusive no que se refere ao ciclo de vida
do objeto;
• IV - incentivar a inovação e o desenvolvimento nacional sustentável.

• Art. 144. Na contratação de obras, fornecimentos e serviços, inclusive de


engenharia, poderá ser estabelecida remuneração variável vinculada ao
desempenho do contratado, com base em metas, padrões de qualidade, critérios de
sustentabilidade ambiental e prazos de entrega definidos no edital de licitação e no
contrato.
• Art. 60. Em caso de empate entre duas ou mais propostas, serão utilizados os seguintes
critérios de desempate, nesta ordem:
• IIII - desenvolvimento pelo licitante de ações de equidade entre homens e mulheres no
ambiente de trabalho, conforme regulamento;
• IV - desenvolvimento pelo licitante de programa de integridade, conforme orientações
dos órgãos de controle.
• § 1º Em igualdade de condições, se não houver desempate, será assegurada
preferência, sucessivamente, aos bens e serviços produzidos ou prestados por:
• II - empresas brasileiras;
• III - empresas que invistam em pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia no País;
• IV - empresas que comprovem a prática de mitigação da MUDANÇA CLIMÁTICA , nos
termos da Lei nº 12.187, de 29 de dezembro de 2009.
ALCANCE DA LEI
14.133/21
CONCEITO:
• Eros Roberto Grau (A ordem econômica na Constituição de 1988, 5ª
ed., p. 137) A licitação "é um procedimento que visa à satisfação do
interesse público, pautando-se pelo princípio da isonomia. Seu
fundamento encontra-se no princípio republicano. Dele decorre, na
abolição de quaisquer privilégios, a garantia formal da igualdade de
oportunidade de acesso de todos, não só às contratações que
pretenda a Administração avençar, mas também aos cargos e funções
públicas."
LICITAÇÕES PÚBLICAS

1. Noções Básicas

Em resumo, a licitação é um processo administrativo para a escolha do contratado perante


a Administração Pública.

2. Fundamento Constitucional: O fundamento Constitucional se encontra no art. 37 da


Constituição Federal

Art. 37.: XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras
e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure
igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam
obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o
qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à
garantia do cumprimento das obrigações. = OBRIGAÇÃO DE LICITAR
Âmbito de aplicação da lei de licitações
– Lei 14.133

Art. 1º Esta Lei estabelece normas gerais de licitação e contratação para as


Administrações Públicas diretas, autárquicas e fundacionais da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, e abrange:

I - os órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário da União, dos Estados e do Distrito


Federal e os órgãos do Poder Legislativo dos Municípios, quando no desempenho de
função administrativa;

II - os fundos especiais e as demais entidades controladas direta ou indiretamente pela


Administração Pública.

§ 1º Não são abrangidas por esta Lei as empresas públicas, as sociedades de economia
mista e as suas subsidiárias, regidas pela Lei nº 13.303, de 30 de junho de 2016,
ressalvado o disposto no art. 178 desta Lei.
Aplicação da Lei 14.133

Art. 2º Esta Lei aplica-se a:

I - alienação e concessão de direito real de uso de bens;

II - compra, inclusive por encomenda;

III - locação;

IV - concessão e permissão de uso de bens públicos;

V - prestação de serviços, inclusive os técnico-profissionais especializados;

VI - obras e serviços de arquitetura e engenharia;

VII - contratações de tecnologia da informação e de comunicação


COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR SOBRE LICITAÇÃO

• Art. 22, XXVII, CF – normas gerais???

• Competência privativa??????
STF sobre a competência legislativa
em materia de licitações e contratos
• A Lei Distrital nº 4.118, de 07.04.2008 trata da obrigatoriedade da contratação de
no mínimo 5% de empregados com mais quarenta anos de idade na
administração direta e indireta do Distrito Federal, bem como, do
estabelecimento de cláusula que assegure o mínimo de 10% das vagas a pessoas
com mais de quarenta anos nas licitações para contratação de serviços que
incluam o fornecimento de mão- de- obra. A norma ora questionada não invade a
seara do regramento geral sobre licitações e contratos estabelecido pela União,
mas trata precipuamente de política pública de pleno emprego, através da reserva
de vagas, visando o desenvolvimento social e econômico do Distrito Federal.
Regra que personaliza o procedimento licitatório do Distrito Federal, obrigando a
inclusão de determinada cláusula em suas contratações, a partir do que se
encontra dentro do espaço de conformação legislativa dos Estados- membros.
[ADI 4.082, rel. min. Edson Fachin, j. 02.09.2024, P, DJE de 10.09.2024.]
• Criação de hipóteses de parcerias público-privadas para a execução de
obra pública desvinculadas de qualquer serviço público ou social.
Impossibilidade. Competência privativa da União para legislar sobre
normas gerais de licitação e contratação (art. 22, XXVII, da CF/88).
[ADPF 282, rel. min. Gilmar Mendes, j. 15-5-2023, P, DJE de 31-5-2023.]

• “É inconstitucional a lei estadual que autoriza a seus órgãos de segurança
pública a alienação de armas de fogo a seus integrantes, por meio de
venda direta”.
[ADI 7.004, rel. min. Roberto Barroso, j. 25-4-2023, P, DJE de 5-5-2023.]
• A competência atribuída ao Conselho Diretor da ANATEL para editar
normas próprias de licitação e contratação deve observar o arcabouço
normativo atinente às licitações e contratos. (...) Diante da
especificidade dos serviços de telecomunicações, é válida a criação de
novas modalidades licitatórias por lei de mesma hierarquia da lei
geral de licitações. Contudo, sua disciplina deve ser feita por meio de
lei, e não de atos infralegais, em obediência aos artigos 21, XI, e 22,
XXVII do texto constitucional.
[ADI 1.668, rel. min. Edson Fachin, j. 1-3-2021, P, DJE de 23-3-2021.]
• Usurpa a competência da União para legislar sobre normais gerais de
licitação norma estadual que prevê ser dispensável o procedimento
licitatório para aquisição por pessoa jurídica de direito interno, de
bens produzidos ou serviços prestados por órgão ou entidade que
integre a Administração Pública, e que tenha sido criado
especificamente para este fim específico, sem a limitação temporal
estabelecida pela Lei 8.666/1993 para essa hipótese de dispensa de
licitação.
• [ADI 4.658, rel. min. Edson Fachin, j. 25-10-2019, P, DJE de 11-11-
2019.] VER COMO ESTÁ HOJE
• Ao se determinar que o poder público adquira o mínimo de 65% (sessenta e cinco
por cento) dos bens e serviços definidos em sistema de registro de preços, na Lei
estadual se invadiu a competência privativa da União para estabelecer normas
gerais sobre licitação e contratação, em todas as modalidades, para as
administrações públicas diretas, autárquicas e fundacionais da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, prevista no inc. XXVII do art. 22 da
Constituição da República. No § 4º do art. 15 da Lei 8.666/1993 se dispõe que ‘a
existência de preços registrados não obriga a Administração a firmar as
contratações que deles poderão advir, ficando-lhe facultada a utilização de outros
meios, respeitada a legislação relativa às licitações, sendo assegurado ao
beneficiário do registro preferência em igualdade de condições’.
• [ADI 4.748, rel. min. Cármen Lúcia, j. 11-9-2019, P, DJE de 27-9-2019.]
• Ao inserir a Certidão de Violação aos Direitos do Consumidor no rol de
documentos exigidos para a habilitação, o legislador estadual se arvorou na
condição de intérprete primeiro do direito constitucional de acesso a
licitações e criou uma presunção legal, de sentido e alcance amplíssimos,
segundo a qual a existência de registros desabonadores nos cadastros
públicos de proteção do consumidor é motivo suficiente para justificar o
impedimento de contratar com a administração local. Ao dispor nesse
sentido, a Lei estadual 3.041/2005 se dissociou dos termos gerais do
ordenamento nacional de licitações e contratos e, com isso, usurpou a
competência privativa da União de dispor sobre normas gerais na matéria
(art. 22, XXVII, da CF/1988).
• [ADI 3.735, rel. min. Cármen Lúcia, j. 8-9-2016, P, DJE de 1º-8-2017.]
• Ação direta de inconstitucionalidade: Lei distrital 3.705, de 21-11-2005,
que cria restrições a empresas que discriminarem na contratação de mão
de obra: inconstitucionalidade declarada. Ofensa à competência privativa
da União para legislar sobre normas gerais de licitação e contratação
administrativa, em todas as modalidades, para as administrações públicas
diretas, autárquicas e fundacionais de todos os entes da Federação (CF,
art. 22, XXVII) e para dispor sobre direito do trabalho e inspeção do
trabalho (CF, art. 21, XXIV, e art. 22, I).
• [ADI 3.670, rel. min. Sepúlveda Pertence, j. 2-4-2007, P, DJ de 18-5-2007.]
• Mercê de a licitação ser regulada em lei federal que estabelece normas gerais, a circunstância não
inviabiliza que os legisladores estaduais, distritais e municipais detenham competência complementar
para inverter a ordem das fases a licitação, em contraste ao que previsto na Lei 8.666/1993,
observados, sempre, os dispositivos constitucionais pertinentes e da explicitação da motivação para
realização do ato. A Lei 5.345/2014, do Distrito Federal, sob essa ótica, não viola o artigo 22, inciso
XXVII, da Constituição Federal. Isso porque a disciplina da ordem das fases do procedimento, nada
obstante compondo o texto da Lei 8.666/1993, não tem natureza de norma geral, já que não afasta a
obrigatoriedade de licitação, não cria modalidade ou tipo novo, nem afasta o regime jurídico
administrativo. A inversão de fases não produz conteúdo insólito no ordenamento jurídico,
configurando-se mera disciplina procedimental que atende a autonomia das entidades federativas
subnacionais para editarem leis de auto-organização. (...) “São constitucionais as leis dos Estados,
Distrito Federal e Municípios que, no procedimento licitatório, antecipam a fase da apresentação das
propostas à da habilitação dos licitantes, desde que devidamente motivado o ato administrativo, em
virtude da competência dos demais entes federativos de legislar sobre procedimento administrativo”.
[RE 1.188.352, rel. min. Luiz Fux, j. 27.05.2024, P, DJE de 21.06.2024. Tema 1.036, com mérito julgado.]

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