INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO CATÓLICO DO HUAMBO
CAPÍTULO II – PROCESSOS DE CAPITALIZAÇÃO E
ACTUALIZAÇÃO
PROFESSOR: JOÃO HERMANO VALENTE BENTO
CURSO: CONTABILIDADE
HUAMBO, 2024/2025
• Capitalização: é o processo de produção de juro.
Existem dois regime de capitalização que são:
Regime de Juros Simples – Os juros produzidos não são
capitalizados, isto é, saem do processo de capitalização;
Regime de Juros Composto – os juros são capitalizados, gerando o
juro do juro.
Exemplo: Calcule o juros produzidos numa operação financeira cujo capital inicial
é de 10.000,00 u.m., à taxa anual de 8%, em regime de capitalização simples e
composto?
OBS: Em qualquer um dos regimes, para se resolver o problema é necessário que
o tempo e a taxa estejam reportado no mesmo período, isto é, se a taxa estiver
expressa em ano, o tempo também terá de estar expresso em anos. Todavia, o
processo pelo qual reportamos o tempo e a taxa na mesma unidade de tempo
chama-se Homogeneização.
REGIME DE JUROS SIMPLES
Neste regime, sabemos que o juro produzido sai do processo de capitalização. Neste
caso, teremos as seguintes expressões financeira:
1 - O valor do juro, dado pela seguinte fórmula:
J =C0*n*i
Onde:
J = valor do juro
C0 = Capital inicial ou em dívida no momento zero
n = tempo
i = taxa de juro
2- O capital acumulado ou final, dado por:
Cn = C0 + j
Onde
Cn = Capital acumulado ou final
Exercício 1
O senhor João, concedeu um empréstimo no senhor Bento, um capital de 12
000,00 KZ, com taxa de juro de 5% ao mês, durante 24 meses. Calcule:
a/ O Juros produzidos nesta operação financeira;
b/ Capital acumulado da operação;
Exercício 2
A empresa OPT Lda, pretende emprestar 340 000,00 kz no Sr. António
para depois de 2 anos receber um montante de 450 000,00 Kz. Qual será
a taxa de juros desta operação?
Exercício 3
Um capital de 10 000,00 kz, foi emprestado, à taxa de 10% ao ano,
durante 5 anos calcula o Juro do, 1, 2, 3,4, 5º ano. Calcula agora o total
de juros produzidos. Calcule também o capital final desta operação.
REGIME DE JUROS COMPOSTOS
Como vimos, o regime de juros composto é caracterizado pelo facto de o juro produzido
em cada período de capitalização produzir juros nos períodos seguintes, originando assim
juro de juros.
Neste, o capital acumulado é dado por:
Cn = Co*(1+i)^n
Cn = Co +J
NB: O capital tem uma função linear em RJS e exponencial em RJC
TAXAS PROPORCIONAIS
Duas taxas dizem-se proporcional quando, sendo de períodos diferentes,
existe entre elas
a mesma relação de valor que existe entre os seus períodos.
Exemplo: Consideremos uma taxa anual e uma taxa trimestral. A relação
entre os período desta taxa é de 4 para 1. Dito de outra forma, se a taxa
anual for de 8%, então a taxa proporcional será de 8%/4 = 2%.
A proporcionalidade de taxas é dada pelas seguintes expressões:
i = ik*m e/ou ik = i/m
Onde
i, representa o período maior;
ik, representa o período menor.
m, representa a relação dos dois períodos.
TAXAS EQUIVALENTES
Duas taxas dizem-se equivalentes quando sendo relativas a períodos diferentes
aplicadas durante os mesmos prazo e ao mesmo capital produzem um valor acumulado
igual em regime de juro compostos.
A equivalência de taxas é dada pela seguinte expressão: (1+i) = (1+ik)^m
Onde:
• ik, representa o período menor;
• i, representa o período maior;
• m, representa a relação dos dois períodos.
Exemplo: Considere a taxa efectiva trimestral 2,4% e calcule a taxa anual.
TAXA NOMINAL VS TAXAS EFECTIVAS
A Taxa Nominal é a taxa que durante a capitalização não leva em consideração
o efeito de capitalização sucessiva ou então o efeito juro dos juros.
Exemplo: Uma taxa de 20% ao ano capitalizada em um ano ou então
capitalizada uma vez num capital de 100 Kz vai produzir um juro de 20 Kz.
Já a Taxas Efectivas é aquela que leva em consideração o efeito da
capitalização sucessiva ou então o juro dos juro.
A título do exemplo anterior com taxa anual de 20%, que corresponde à taxa de
10% ao semestre que aplicando num capital de 100 Kz, capitalizando duas vez
por ano, produz um juro de 21 Kz.
TAXAS BRUTAS E TAXAS LÍQUIDAS
Sobre os rendimentos auferidos no investimento em instrumentos
financeiros, dá lugar ao pagamento de impostos.
As taxas brutas não consideram o efeito fiscal, pelo que incluem quer a
parcela de rendimento que é realmente entregue ao investidor, quer
aquela que é, em primeira mão, retida e posteriormente entregue ao
Estado.
Por sua vez, as taxas líquidas traduzem a remuneração efectivamente
recebida pelo investidor, após ser expurgado o efeito fiscal.
A PRESENÇA DA INFLAÇÃO
Por último, a presença da inflação, isto é, o crescimento do nível geral
dos preços, requer a distinção entre taxas de juro nominais e taxas de
juros reais.
Taxas de juro nominais são constituídas por duas componentes: a
inflação e taxa de juro/remuneração real. A primeira destina-se a
repor o poder de compra do investidor enquanto que a segunda
representa o acréscimo da riqueza, em termos reais.
RESUMO
• A taxa anual nominal de 20% e a taxa semestral de 10% são taxa proporcionais;
• A taxa anual nominal de 20%, com capitalização semestral (ou capitalização composta),
corresponde a taxa anual efectiva de 21%;
• A taxa semestral equivalente à taxa anual efectiva de 21% é de 10% (regime de juro composto);
• Em regime de juros simples não há distinção entre taxa proporcional e equivalente nem entre
taxas nominais e efectivas ( por não haver juros de juros);
• A distinção entre taxa proporcional e equivalente e entre taxas nominais e efectivas só é
possível em regime de juros composto;
• Taxa nominal e taxa proporcional têm em comum o facto de não reflectirem o efeito de
sucessivas capitalizações; Taxa efectiva e equivalente pelo facto de reflectirem o efeito
sucessivo da capitalização.