Doenças Infecciosas Respiratórias
Pneumonia
Objectivos de Aprendizagem
• Definir pneumonia e descrever a sua localização anatómica.
• Enumerar as etiologias microbiológicas mais comuns de
pneumonia.
• Descrever as apresentações clínicas de pneumonia.
• Descrever as complicações da pneumonia.
• Descrever o diagnóstico diferencial de pneumonia.
Objectivos de Aprendizagem
• Descrever os tratamentos de pneumonia de várias
gravidades:
• Antibióticos; Inaladores; Analgésicos e anti-
inflamatórios;
• Oxigénio
• Identificar os casos de pneumonia que precisam de
internamento ou encaminhamento ao nível de atenção
mais elevado
Pneumonia
Definição
• Em termos gerais, pneumonia significa inflamação
do parênquima pulmonar.
• A maior parte das pneumonias são causadas por
agentes infecciosos, mas podem também ser
causadas por agentes químicos, aspiração de
alimentos ou trauma.
• Para fins didácticos, vamos usar o termo pneumonia
para nos referirmos à pneumonia infecciosa
Pneumonia
• Pneumonia é definida como uma infecção respiratória
aguda, com afecção segmentar, lobar, ou multilobar do
parênquima pulmonar.
• A sua etiologia infecciosa pode ser bacteriana, viral, fúngica
ou parasitária.
Epidemiologia
• Afecta todas as idades, mas é mais frequente em crianças,
idosos e em pacientes imunocomprometidos.
• No nosso meio, as pneumonias estão entre as 5 principais
causas de consulta, internamento e de mortalidade.
Classificação e Etiologia
• As pneumonias podem ser classificadas em:
• Pneumonias adquiridas na comunidade (PAC) que se
subdivide em:
• Típica: Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae
• Atípica: Mycoplasma pneumoniae, Legionella spp,
Chlamydea pneumoniae
• Pneumonia hospitalar: Staphylococcus aureus, Bacilos
entéricos Gram negativos ou Pseudomonas aeruginosa, flora
mista
Classificação e Etiologia
• Pneumonia em pacientes imunocomprometidos
(incluindo em pacientes com HIV/SIDA): fungos
como Pneumocystis jirovecci, Candida albicans,
Histoplasma capsulatum, Cryptococcus neoformans
e alguns vírus como o Citomegalovírus, e o Herpes
vírus HHV-8 (responsável pelo Sarcoma de kaposi)
Factores de risco
• Factores Relacionados com o Hospedeiro
• Idade avançada
• Desnutrição
• SIDA e outras síndromes de imunodepressão
• Infecções do trato respiratório superior ou infecção
pulmonar pré- existente
• Consumo excessivo de álcool
• Acidente Vascular Cerebral (AVC), Convulsões
• Tratamentos crónicos com corticoesteróides
Factores de risco
• Factores Relacionados com o Meio Ambiente
• Fumo do tabaco
• Poluição ambiental
• Virulência do agente infeccioso
• Intensidade da infecção
Quadro Clínico
• A pneumonia pode se apresentar com a forma lobar ou
com a forma broncopulmonar.
• Na pneumonia lobar o processo inflamatório localiza-se
predominantemente nos alvéolos.
• Na broncopneumonia o processo inflamatório alveolar
estende-se aos brônquios e bronquíolos.
• A afecção alveolar é irregular, sem limites claramente
definidos, e em geral é bilateral.
• Na prática clínica, esta distinção não afecta a conduta
terapêutica nem muda o agente etiológico.
Quadro Clínico
a) A pneumonia típica caracteriza-se por início súbito
de febre, tosse produtiva com escarro purulento e
dor torácica pleurítica (tipo “pontada” ou “facada”
que se exarceba com os movimentos respiratórios).
• À auscultação pulmonar encontra-se fervores
crepitantes e sopro tubário.
Quadro Clínico
b) A pneumonia atípica caracteriza-se por início mais
gradual, tosse seca e predomínio de sintomas
extrapulmonares (cefaleia, mal-estar, mialgias,
odinofagia orofaríngea, desconforto gastrointestinal) e
sinais mínimos ao exame físico (além de fervores
crepitantes)
Complicações
• Derrame pleural e empiema
• Atlectasia (colapso de parte ou de todo o pulmão)
• Pneumotórax
• Abcesso pulmonar
• Insuficiência respiratória
• Bacteriémia e originar focos de infecção a distância
(meningite, artrite, endocardite, entre outras)
• Sépsis e morte
Exames auxiliares e diagnóstico
a) O hemograma pode revelar leucocitose (com neutrofilia)
nas pneumonias bacterianas.
• Linfocitose ou monocitose nas pneumonias virais.
• Eosinofilia nas pneumonias parasitárias.
b) O exame da amostra de expectoração pode identificar o
microrganismo (gram positivo, gram negativo).
c) O exame de BK deve também ser solicitado na suspeita
de pneumonia de etiologia tuberculosa.
Diagnóstico diferencial
• Tuberculose pulmonar
• Edema pulmonar
• Asma
• Abcesso pulmonar:
Conduta
Tratamento não farmacológico
• Repouso
• Hidratação (consumo de muitos líquidos – 2 – 3
litros/dia)
Conduta
Tratamento farmacológico
• Analgésicos e anti-inflamatórios para controlo da dor,
febre e inflamação: diclofenac ou ibuprofeno
• Broncodilatadores – se sinais e sintomas de
broncoespasmo.
Antibioticoterapia oral ou parenteral (EV/IM)
• PAC - Casos ligeiros (não complicados):
• Amoxicilina 250 mg e ácido clavulâmico 125 mg: 500 a 1000
mg (de amoxicilina) de 8 em 8 horas durante 7 a 14 dias
(geralmente 10 dias) ou
• Eritromicina: 500 mg de 6 em 6 horas durante 7 a 14 dias ou
• Penicilina Procaína IM: 600.000 – 1.200.000 UI/dia ou de 12
em 12 horas durante 7 a 14 dias ou
• Cotrimoxazol: 400 mg de sulfametoxazol e 80 mg de
trimpetropim – 800 mg de sulfametoxazol (2 comprimidos)
de 12 em 12 horas durante 7 a 14 dias
Critérios de referência/transferência
• Pacientes graves, com sinais de instabilidade como
ansiedade, cianose, febre alta de difícil controlo,
taquipneia, hipotensão e hipoxemia.
• Afecção extensa do parênquima pulmonar.
• Depressão do nível de consciência e outras alterações do
sistema nervoso central como confusão mental.
• Pacientes idosos (mais de 65 anos de idade).
• Pacientes que não melhoram com a antibioticoterapia
instituída após 48-72h.
• Choque circulatório/séptico.
Bibliografia
• Cecil Medicina vol I e II 23ª edição
• Semiologia Médica, Princípios, Métodos e
Interpretação
• Davidson`s 21st edition
• Harrison, Medicina Interna, 17ª edição, vol I e II
• Harrison, Manual de Medicina, 15ª edição