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Entendendo a Radioatividade e Seus Efeitos

O documento aborda a radioatividade, definindo-a como a emissão de radiações por átomos instáveis em busca de estabilidade nuclear. Detalha os tipos de radiações (alfa, beta e gama), suas características, leis da radioatividade e conceitos como período de meia-vida e vida média. Também discute a radioatividade artificial e a transmutação de elementos, incluindo exemplos históricos e aplicações práticas como a datação pelo carbono-14.
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Entendendo a Radioatividade e Seus Efeitos

O documento aborda a radioatividade, definindo-a como a emissão de radiações por átomos instáveis em busca de estabilidade nuclear. Detalha os tipos de radiações (alfa, beta e gama), suas características, leis da radioatividade e conceitos como período de meia-vida e vida média. Também discute a radioatividade artificial e a transmutação de elementos, incluindo exemplos históricos e aplicações práticas como a datação pelo carbono-14.
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RADIOATIVIDA

DE
DEFINIÇÃO
ATIVIDADE QUE CERTOS ÁTOMOS
POSSUEM DE EMITIR RADIAÇÕES
ELETROMAGNÉTICAS E PARTÍCULAS DE
SEUS NÚCLEOS INSTÁVEIS COM O
PROPÓSITO DE ADQUIRIR ESTABILIDADE
ESTABILIDADE NUCLEAR
ADMITE-SE QUE A ESTABILIDADE DE UM
NÚCLEO DE UM ÁTOMO ESTEJA LIGADA À
RELAÇÃO ENTRE O NÚMERO DE NÊUTRONS
E O NÚMERO DE PRÓTONS
n/p = estabilidade nuclear
OBSERVAÇÕES
1) Todos os elementos apresentam isótopos
radioativos (naturais e/ou artificiais), porém
um elemento só é considerado radioativo se
o seu isótopo mais abundante for radioativo.
2) Os isótopos radioativos de um elemento
são denominados comumente de
radioisótopos
3) A intensidade de radioatividade emanada
por determinado isótopo é essencialmente
uma propriedade do núcleo do átomo e,
portanto, independe de qualquer fator
químico ou físico a que o isótopo esteja
submetido, como, por exemplo:
a) O tipo de substância em que o isótopo
está presente (metal, mineral, óxido,
base, sal, etc.)
b) O meio em que o isótopo esteja
dissolvido (ácido, básico, aquoso)
c) A fase de agregação em que ele se
encontra (gasosa, líquida, sólida)
d) O estado de divisão (em fatias, em pó,
em barras)
e) As condições ambientes (dentro de um
freezer ou de uma fornalha).
REAÇÕES NUCLEARES
NATURAIS
1899 – Becquerel trabalhando com o
elemento RÁDIO, verifica que as
radiações emitidas por esse elemento
podiam ser desviadas por um campo
magnético ou por um campo elétrico
intensos.
1900 – Rutherford e Pierre Curie
identificaram dois tipos distintos de
radiações emitidas por elementos
radioativos (α - alfa e β - beta)
1900 – Paul Villard identificou uma espécie
de radiação eletromagnética, que
também era emitida por esses
elementos, a qual denominou radiação
gama (γ)
EMISSÕES ALFA
São partículas pesadas, com carga
elétrica positiva, constituída de 2 prótons
e de 2 nêutrons (como um núcleo de
átomo de hélio)
a) Velocidade:
Inicial: varia de 3000 Km/s até 30.000
Km/s.
Média: 20.000 Km/s ou 5% da velocidade
da Luz
b) Poder de ionização (número de íons
formados por cm3 na trajetória da
partícula)
Alto – a partícula alfa captura 2 elétrons
do meio ambiente e se transforma em
um átomo de hélio.
c) Poder de penetração
Pequeno – Podem ser detidas por uma
camada de 7 cm de ar, por uma folha de
papel ou por uma chapa de alumínio de
0,06 mm.
d) Danos ao ser humano
EMISSÕES BETA
São partículas leves, com carga elétrica
negativa, e massa desprezível
(semelhante a elétrons)

a) Velocidade:
Inicial: varia de 100.000 Km/s até
290.000 Km/s.
Chegam a atingir 95% da velocidade da
Luz
b) Poder de ionização (número de íons
formados por cm3 na trajetória da
partícula)
Médio – como as partículas beta possuem
carga elétrica (em módulo) bem menor
que das partículas alfa, a ionização que
provocam é menor.
c) Poder de penetração
Médio – São entre cinquenta e cem
vezes mais penetrantes que as partículas
alfa. Podem ser detidas por uma chapa
de chumbo com espessura de 2 mm ou
de alumínio com espessura de 1 cm.
d) Danos ao ser humano
EMISSÕES GAMA
São radiações eletromagnéticas
semelhantes aos raios x. Não possuem
carga elétrica e não possuem massa

a) Velocidade:
300.000 Km/s – velocidade da Luz
b) Poder de ionização (número de íons
formados por cm3 na trajetória da
partícula)
Pequeno – O poder de ionização depende
quase que exclusivamente da carga
c) Poder de penetração
Alto – São mais penetrantes que os Raios
X, pois possuem comprimentos de onda
entre 0,1 A e 0,001 A. Atravessam
milhares de metros no ar; até 25 cm de
madeira ou 15 cm de aço. São detidas
por placas de chumbo de 5 cm ou por
grossas paredes de concreto.
d) Danos ao ser humano
Alto – Podem atravessar completamente
o corpo humano, causando danos
irreparáveis
LEIS DA
RADIOATIVIDADE
a) Quando um átomo de determinado
elemento químico emite uma partícula
alfa ou uma partícula beta ele se
transforma em um átomo de outro
elemento químico.
b) Na radioatividade natural a radiação
gama nunca é emitida sozinha, mas
sempre acompanhando a emissão de
uma partícula alfa ou beta.
c) A intensidade da emissão de partículas é
PRIMEIRA LEI DE SODDY
Quando um átomo emite uma partícula
alfa, seu número atômico (Z) diminui de 2
unidades e seu número de massa (A)
diminui de 4 unidades.
ZX A
 2 α 4
+ Z-2 YA-4

Ex.:

92 U 238
 2 α 4
+ 90 Th 234
SEGUNDA LEI DE SODDY
Quando um átomo emite uma partícula
beta, seu número atômico (Z) aumenta
de 1 unidade e seu número de massa (A)
permanece constante.
ZX A
 -1 β 0
+ Z+1YA

Ex.:

55 Cs137
 -1 β 0
+ 56 Ba 137
HIPÓTESE DE FERMI
Hipótese para explicar a emissão de
partículas -1β00
A partícula -1β é emitida quando um
nêutron instável se desintegra
convertendo-se em um próton
O próton fica no núcleo e, como a massa
do próton é praticamente igual a massa
do nêutron, a massa total do núcleo
atômico não se altera
A partícula -1β0 é expulsa do núcleo com
radiação gama (γ) e uma outra partícula
chamada neutrino (0v0), de carga elétrica
igual a zero e massa desprezível
A existência do neutrino (0v0) foi prevista
matematicamente antes da comprovação
de sua existência real pelo físico
Wolfgang Pauli, para explicar a
conservação de energia do sistema
quando ocorre a desintegração do
n 1

nêutron.
0 1 p 1
+ -1 β 0
+ 0 γ 0
+ 0 v 0
Hipótese para explicar a emissão de
pósitron (+1β0 ) ou partícula beta
positiva
O pósitron (+1β0 ) ou partícula beta
positiva, é na verdade uma antipartícula
beta negativa, (-1β0 ). Quando um
pósitron e uma partícula beta se chocam,
há extinção da matéria e liberação de
energia na forma de radiação gama.
+1 β 0
+ -1 β 0
 0 γ 0
A partícula +1β0 é emitida quando um
prótron instável se desintegra
convertendo-se em um nêutron.

O nêutron fica no núcleo e, como a


massa do nêutron é praticamente igual a
massa do próton, a massa total do núcleo
atômico não se altera
A partícula +1β0 é expulsa do núcleo com
radiação gama (γ) e o neutrino (0v0), de
carga elétrica igual a zero e massa
desprezível
p 1  n 1 + β 0 γ0 + v0
1 0 +1 0 0
Quando um átomo emite um pósitron +1β0
, seu número atômico (Z) diminui de 1
unidade e seu número de massa (A)
permanece constante.
ZX A
 +1β 0
+ Z-1 YA

Ex.:

15 P 30
 +1β 0
+ 14 Si 30
PERÍODO DE MEIA-VIDA
Denomina-se período de meia-vida ou
período de semidesintegração, P, o
tempo necessário para que METADE do
número de átomos de uma amostra de
determinado isótopo radioativo se
desintegre
Pode ser obtido a partir da seguinte
relação:
n = n0/2x em que x = t/p
Onde:
n - (quantidade de átomos radioativos que
restam na amostra radioativa)
n0 – (quantidade inicial de átomos na
amostra radioativa)

P – período de meia-vida
T – tempo decorrido entre n0 a n
Analogamente, podem ser obtidas ainda
as seguintes relações:
m = m0/2x ondem = massa
i = i0/2x ondei = intensidade
radioativa
obs:
A intensidade radioativa, i, de uma
amostra de um isótopo radioativo
depende do número de partículas alfa ou
beta emitidas pelo núcleo desse isótopo
por unidade de tempo.
DATAÇÃO PELO CARBONO
14
O carbono 14 forma-se naturalmente no
ar atmosférico quando nêutrons dos raios
cósmicos colidem contra núcleos de
nitrogênio 14.
Ex.:

7 N14
+ 0 n 1
 6 C 14
+ 1 p 1

O carbono 14 reage então com o oxigênio


do ar formando gás carbônico radioativo.

6 C 14
+ O2(g) 14
CO2(g)
A quantidade de carbono 14 nos tecidos
vegetais e animais vivos é praticamente
constante, pois ao mesmo tempo que o
carbono é absorvido pela alimentação,
ele também decai por emissão de
partícula beta negativa.
6 C 14
 -1 β 0
+ 7 N14

Com base nesse fato e conhecendo o


período de meia-vida do carbono 14 (que
é de aproximadamente 5730 anos), os
cientistas conseguem determinar a idade
de um fóssil a partir da relação entre a
quantidade de 6C14 restante e a
EX: Em 1994 um cientista retirou um
fragmento do pano de linho que envolvia
uma múmia egípcia e verificou que a
emissão de partícula beta pelo carbono-
14 radioativo nesse material era 2/3 da
que obteve com um pano de linho
semelhante ao atual. Isso significa que a
intensidade radioativa (i) da amostra de
linho retirada da múmia é, hoje, 2/3 do
que fora inicialmente: i = 2/3.i0
Sabendo que a meia-vida (P) do carbono-
14 é igual a 5730 anos, pode-se
determinar a época em que a múmia foi
i = i0/2x, e que x = t/p logo i = i0/2t/p
Mas se nesse caso i = 2/3.i0 então 2/3.i0 =
i0/2t/p
Cancelando i0, temos 2/3 = 1/2t/p
Aplicando log nos dois membros da equação
tem-se: log2/3 = log1/2t/p  log 2 – log 3
= log 1 – log 2t/p 
Log 2 – log 3 = - t/[Link] 2  t/[Link] 2 = log 3
– log 2 
t/5730 . 0,301 = 0,477 – 0,301  t = 3350
anos
VIDA MÉDIA - Vm
A vida média indica o tempo que os
átomos de determinado isótopo
radioativo levam em média para se
desintegrar.

Prova-se estatisticamente que a vida


média é o inverso da constante
radioativa (C):
Vm = 1/C
Exemplo:
A constante radioativa do rádio 226 é: C
= 1/2300 ano-1
Isso significa dizer que, de cada 2300
átomos de rádio, a probabilidade máxima
é de que apenas 1 átomo tenha se
desintegrado ao fim de 1 ano.
Sendo a constante radioativa do rádio
1/2300 pode-se concluir que sua vida
média é de 2300 anos (inverso da
constante radioativa).
Isso significa dizer que, um grande
número de átomos de rádio leva em
VIDA MÉDIA X MEIA
VIDA
Prova-se matematicamente que o período
de meia-vida de um isótopo radioativo é
aproximadamente igual ao produto de sua
vida média por 0,7.
P = Vm.0,7
Assim, se a vida média do rádio 226, p.
ex., é de 2300 anos, então sua meia vida é
de 1610 anos.
Isso significa que a cada 1610 anos,
aproximadamente, metade dos átomos de
rádio 226 presentes numa amostra desse
Considera-se que, após um tempo
equivalente a 20 períodos de meia-vida, a
amostra do elemento se torna inócua, isto
é, praticamente deixa de ser radioativa.
Tempo para se tornar inócua = 20.p
Se fizermos esse cálculo para o rádio 226
iremos concluir que uma amostra desse
isótopo só irá se tornar inócua depois de
32200 anos.
T = 20. 1610 anos T = 32200 anos.
RADIOATIVIDADE
ARTIFICIAL
Denomina-se reação de transmutação
artificial toda reação em que a
transformação dos átomos de um
elemento químico A em átomos do
elemento químico B não ocorra
naturalmente, mas possa ser induzida em
laboratório.
As reações de transmutação artificiais são
feitas bombardeando-se átomos, que são
denominados alvos, com partículas
aceleradas, chamadas projéteis. O produto
desse bombardeamento tanto pode ser um
PRINCIPAIS PROJÉTEIS

PARTÍCUL CARGA MASSA NOTAÇÃO


A
ALFA +2 4 2α4
BETA -1 0 -1 β0
PRÓTON +1 1 1p1
NÊUTRON 0 1 0n1
PÓSITRON +1 0 +1 β0
DÊUTERON +1 2 1D2
A primeira transmutação artificial foi
realizada em 1919 por Rutherford, que
conseguiu obter oxigênio artificial
bombardeando átomos de nitrogênio com
partículas alfa.

7 N14
+ 2 α 4
 ( 9 F18
)  8 O17
+ 1p 1
A descoberta do nêutron por James
Chadwick em 1932 ocorreu quando ele
bombardeava placas de berílio com
partículas alfa.

4 Be9
+ 2 α 4
 6 C 12
+ 0n 1
FISSÃO E FUSÃO NUCLEAR
Fissão nuclear consiste na quebra
de um núcleo atômico pesado e instável
provocada por um bombardeamento de
nêutrons moderados, originando 2 núcleos
atômicos médios, liberação de 2 ou 3
nêutrons e uma quantidade colossal de
energia.

92 U 235
+ 0 n 1
 56 Ba 139
+ 36 Kr 95
+ 2 0n 1
+ ENERGIA
Num estudo aprofundado com os isótopos
Fusão nuclear é a junção de dois ou mais
núcleos leves originando um único núcleo
e a liberação de uma quantidade colossal
de energia.
A energia liberada por estrelas como o
Sol, é resultado de uma série de reações
de fusão que devem ocorrer,
possivelmente, de acordo com o
mecanismo abaixo:

1 H1
+ 1 H1
 1 H2
+ +1 β 0

1 H2
+ 1 H1
 2 He3

2 He3
+ 1 H1
 2 He4
+ +1β 0

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