Case INOVATECH
Solução de case: dimensionamento e avaliação de viabilidade de uma estrutura
fotovoltaica para implantação em empreendimento de cliente com restrição de
orçamento.
Autor: Fabio Bareiro Fleitas
1. Parâmetros geométricos do
edifício
Esses parâmetros são essenciais para calcular a área disponível para a instalação dos
painéis solares, o consumo de energia e a ocupação do edifício:
Quantidade de andares e unidades habitacionais: Será um edifício com 12 andares e 4
apartamentos por andar, totalizando 48 unidades.
Ocupação média: Estima-se que cada unidade tenha 3 pessoas, totalizando 144 moradores.
Horário de uso: 16h de uso máximo por parte de moradores, 330kWh de consumo por mês.
Picos de uso: 6h a 8h (período da manha) e 19 a 22h (período da noite); assim, tendo de ref.
um mês com 30 dias, 11kWh seria
Vale notar que o uso de eletrodomésticos: os apartamentos estarão equipados com os
eletrodomésticos básicos para realização dos afazeres domésticos, e não serão projetados
para cargas industriais nem para escritórios. As suítes estarão equipadas com ar
acondicionado também. O sistema instalado será do tipo bifásico inicialmente.
Área quadrada e altura do edifício: 40 m² por apartamento, por tanto 160 m² de área
ocupada pelos quartos, ao que se soma a área de andar e elevador, 20 m²; portanto uma
área total por andar de 180 m². Além disso, contando também as sacadas (cada quarto teria
um de 15 m²) tem-se 4x15 m² + 180 m² = 240 m². A altura total deste prédio de 12 andares,
com cada andar tendo 5,7 metros de altura, é de 68,4 metros.
1. Parâmetros geométricos do
edifício
Fonte: Simulação e análise de sistema fotovoltaico conectado à rede com bateria integrada ao inversor
no âmbito da tarifa branca - Scientific Figure on ResearchGate. Available from: Fonte: ANEEL (2010ª, P.22)
[Link]
real_fig1_343336701 [accessed 16 Oct 2024]
2. Parâmetros do Dimensionamento
do Sistema Fotovoltaico
Com base nos parâmetros geométricos e na demanda energética, o próximo passo é dimensionar o
sistema. O dimensionamento inclui fatores como:
Custo de implantação: C = Custo de mão de obra + Custo de equipamento + Custo de licenciamento ou
disponibilidade
Eficiência das placas solares: Determinar a eficiência das placas, que varia de 15% a 22%, dependendo da
tecnologia (silício monocristalino, policristalino, etc.). No caso seria uma placa de 21,7% de ef. energetica,
monocristalino.
Quantidade de placas: Basear-se na área disponível para a instalação das placas e a radiação solar média na
região de São Paulo. Será considerado que uma placa da fabricante TSUN com área igual a 2,57 m² gera cerca de
560 W em condições ideais de teste (25 graus de temp., 1.5 de massa de ar, 1000 W/m²), será utilizada para o
projeto do sist. fotovoltaico.
Geração de energia: Cálculo de quanto o sistema pode gerar em média por dia ou ano (kWh/ano), com base nos
dados de radiação solar média da região. Neste caso, para a região de São Paulo, a irradiação solar com base em
monitoramento de dados é de 5,65kWh/m² por dia (dados do CRESESB) no verão, fornecendo uma média de 4,65
kWh/ m² por dia (se considerado o ano inteiro, com inclinação igual a latitude). Portanto um HSP = 4,65 Horas de
sol pico de irradiação solar.
Cabeamento e Conectores: Estima-se a metragem e os custos de cabos CC e CA, além dos conectores e
dispositivos de proteção; e Outros Equipamentos: Disjuntores, quadros de proteção e aterramento são
necessários para a segurança, suportes (de metal ou cerâmico, para instalação no chão do teto e das sacadas do
edifício)
Instalação do Sistema Fotovoltaico: O custo da mão de obra depende da complexidade da instalação (altura do
telhado, dificuldades de acesso, etc.). Geralmente, o custo da mão de obra representa de 15% a 25% do total do
2. Parâmetros do Dimensionamento do Sistema
Fotovoltaico
Gráfico da irradiação solar no plano horizontal ao longo do ano para a
localidade de São Paulo cidade (dados do CRESESB)
2. Parâmetros do Dimensionamento do
Sistema Fotovoltaico - Desenvolvimento
FDI de 1,2
Assim, considerando que o prédio seria totalmente energizado pelos painéis durante as
horas úteis do sol, sob as condições de STC, a geração requerida
Portanto, o sistema precisa ter aproximadamente 2,23kWp (ou 2200 Wp) para atender a
um consumo de 330kWh mensais (11kWh diariamente)
Agora, considera-se um kit de 4 placas solares que totalizam uma potência instalada 2,24
kWp (ver ficha técnica ao lado). Vale notar que um inversor de 5kW será utilizado para
cada par de kits, totalizando 2 inversores por andar. O inversor consegue suportar ate 11
módulos de acordo com dados de datasheet de fornecedor.
Todo o telhado será coberto por painéis, excetuando as sacadas deste, portanto tem-se
pelo menos 240 – 60 (sacadas)-40(portas, obstáculos diversos) = 140 m² de área solar útil,
possibilitando a instalação de um número de painéis igual a (os quais possuem 113.4 cm x
2.27 m = 2.57 m²) 140/2.57 = 54 unidades.
Isso possibilita a geração de 560 (W/painel) por 54 painéis = 30,24kW de potência
fotovoltaica. Aprox. 3,5 vezes menor que a instalada no restante do edifício (totaliza
2,24x48=107,52kW). Assim, por dia gerará 151200 Wh de energia, considerando a mesma
quantidade de sol por dia (5 h de irradiação útil).
O custo para montar o telhado solar será igual respeito aos painéis instalados, usando novamente
um inversor a cada par de kits (7 inversores). Além disso 400 m de cabeamento, e suportes metálicos
para cada kit. Assim, a quantidade total de placas será de 54 + 4x4x12 = 246 placas solares.
O custo de instalação solar por andar será de R$ 56500. Portanto um custo de instalação de
12x56500 = R$ 678000 para implantação solar nas sacadas de todos os apartamentos do edifício.
O total de custo do projeto será de 678.000 + 187.812,5 = 865.812,5 R$
3. Cálculo de Payback
Fluxo de caixa inicial: Investimento inicial para a compra e instalação do sistema
fotovoltaico. Tal investimento será de 865.812,5 R$ como previsto na seção 2, de maneira a
ter todo o empreendimento já conectado e funcionando no prazo de um mês, considerando
que a parte estrutural e arquitetônico já esteja acabada antes da instalação.
Economia anual: Isso gera uma quantidade de demanda de energia mensal em kWh
igual a (330x48) = 15840kWh nos apartamentos e , cujo custo, caso a CPFL tenha sido
contratada em lugar da INOVATECH para instalação e acoplamento à rede elétrica. Soma-se
também o gerado pela minifazenda solar no teto, que gera 4535kWh por mês.
Custo CPFL = 1,04 (R$/kWh) x (15840 kWh + 4536 kWh + 50kWh) = 21242 R$ / mês
aprox., considerando um contrato de fornecimento a prédio residencial com instalação
bifásica. Este valor é considerando que tudo o produzido é consumido.
Taxa de desconto ou custo de capital: Incluir o custo do capital para financiar
o sistema, caso a construtora vá usar financiamento. Será considerado ambos os casos, no
primeiro usando a fórmula de payback simples , no segundo de payback descontado
3. Cálculo de Payback
Neste caso, o payback simples é o mais indicado para corretude do caso pois não haverá
financiamento a priori:
E, considerando que a empresa prefira realizar um financiamento, dada sua situação de
orçamento muito restrito, tal vez com o banco Santander, de 500.000 R$, com juro ou custo de
Capital de 5% anual, o que geraria 25.000 R$ no final de cada ano. Isso por sua vez significa uma
quantidade de tempo de retorno de investimento igual a
Deve-se adicionar a estes intervalos o tempo necessário para instalação solar, que estima-se em
90 a 120 dias para finalização das obras, se realizados com mão de obra trabalhando ao mesmo
tempo nos diferentes andares. Assim, o Payback real com financiamento pode ser arredondado
em 4 anos de tempo de retorno.
4. Posicionamento sobre a Implantação
de Fotovoltaico
Considerando a análise, a construtora pode decidir se deve ou não seguir com a implantação do sistema fotovoltaico. Para essa
decisão, levaríamos em consideração fatores como:
Viabilidade financeira: Se o prazo de retorno do investimento (payback) for muito longo (superior a 10-15 anos),
a construtora pode optar por não realizar a implantação. No entanto, neste caso específico, o payback estimado
é inferior a 10 anos, o que caracteriza um retorno a curto prazo. Mesmo em cenários menos favoráveis, onde a
empresa cliente dependa de financiamento de terceiros, a economia gerada pela infraestrutura de geração solar
fornecida pela InovaTech torna essa a melhor alternativa. Isso se reflete em um impacto econômico positivo,
com o retorno do investimento em até 4 anos, além de benefícios sociais e ambientais.
Impacto econômico, social e ambiental: O retorno econômico rápido proporcionado pela energia solar faz desta
uma solução vantajosa. Do ponto de vista social, a adoção de uma fonte de energia sustentável melhora a
imagem da empresa e do edifício, algo cada vez mais valorizado pela sociedade. No aspecto ambiental, a energia
solar, sendo limpa, renovável e duradoura, contribui para a redução das emissões de carbono, com a vida útil
dos painéis estimada em até 25 anos.
Outros fatores viabilizadores: Incentivos fiscais, como créditos de carbono e políticas de emissão zero, além de
financiamentos a juros reduzidos oferecidos por setores interessados em sustentabilidade, também fortalecem a
viabilidade do projeto. Além disso, o orçamento foi projetado considerando o cenário de máximo consumo de
energia no edifício, prevendo a possibilidade de futuras expansões, como a instalação de estações de carga para
veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia. Isso permite que o investimento inicial em energia
fotovoltaica seja escalável para novos projetos sustentáveis, garantindo flexibilidade e adaptação às
necessidades do cliente no longo prazo.
5. Outras Soluções de Projeto ou Engenharia
Sistemas de reaproveitamento de água da chuva: Com um custo de implantação menor e um impacto positivo no
consumo de água, um sistema de captação e reutilização de água pode ser uma alternativa.
Eficiência energética no design do edifício: Melhorias no isolamento térmico, iluminação de baixo consumo e outras
tecnologias que diminuem o consumo de energia sem precisar de painéis solares.
Bomba de agua para irrigação por meio de fonte solar: estará acoplada a placas solares para poder manter áreas
verdes do topo do edifício como também do térreo em bom estado natural, de maneira a deixar esses espaços o mais
automatizados possível. Uma bomba de água seria para jardins do teto e andares superiores poderia ser útil e viável,
dado que costumam consumir de 0,5 a 3 kW, não sendo mais do que o demandado por um chuveiro elétrico (5,5kW).
Energia Excedente: A energia solar excedente pode ser fornecida à rede elétrica estadual por meio do Sistema de Net
Metering, permitindo que o gestor do edifício negocie diretamente com concessionárias, avançando para um modelo
de mercado livre de energia. De fato será o sistema que proverá de energia ao apartamento quando não estiver
funcionando nenhum equipamento fotovoltaico.
Implementação de postos de carga de bateria para carros elétricos: Uma estação de carga comum AC pode consumir
entre 3,7 e 22 kW, portanto um par de postos de carga 1320kWh por mês, quase 25% da potência instalada do teto;
algo viável para melhorar os serviços e infraestrutura voltada ao futuro do edifício.
Torna-se evidente que, a alta eficiência dos painéis disponíveis no mercado, o clima conveniente em matéria de
irradiação solar que se instalou nos últimos anos, como também o custo baixo de mão de obra tornam a solução solar o
caminho certo a se tomar para atingir metas de sustentabilidade e financeiras para o cliente em questão. Ao comparar
essas soluções com o sistema fotovoltaico, é importante observar que, embora o investimento inicial em painéis solares
possa ser maior, o retorno pela economia na conta de energia e a valorização do imóvel pode ser mais atrativa no longo
prazo, que neste caso seria em um par de anos no máximo.