Técnicas de Exames Psicológicos
Prof. Francisca Edinete Nogueira de Sousa
Teste Projetivo HTP
O H.T.P. (House-Tree-Person) é o teste de desenho da Casa-
Árvore-Pessoa, idealizado por John N. Buck, em 1948.
Partiu do princípio de que estes temas são bastante familiares
a todas as pessoas, mesmo na mais tenra idade, o que facilita
a idealização dos desenhos, facilitando a projeção de suas
experiências internas.
Segundo Hammer (1981), “o HTP investiga o fluxo da personalidade à medida que ela
invade a área da criatividade artística”... e , mesmo que haja uma infinidade de
possibilidades nos tipos de figuras desenhadas, é possível se fazer uma avaliação
quantitativa e qualitativa, utilizando-se das simbologias, que torna a técnica fidedigna.
• Freud – primeira vez termo projeção: acúmulo de excitação sexual
somática é desviada do psiquismo através da projeção, ou seja, o
excesso de excitação que inunda o psiquismo é deslocado/projetado
para o exterior.
• Continua a trabalhar com o conceito de projeção, associando-o a
estados de paranóia crônica.
• Formulações iniciais: projeção como um mecanismo de defesa, inconsciente, de
cunho patológico – indivíduo lança ao exterior seus impulsos, seus sentimentos,
suas idéias inconscientes, muitas vezes, inaceitáveis; projeção protege o
psiquismo, atuando na diminuição da tensão psicológica decorrente de conflitos.
• Mais tarde – projeção não se manifesta apenas em casos de paranóia,
representando uma estratégia patológica do psiquismo, mas também em processo
normais – indivíduos tendem a buscar não em si as causas de certas impressões
sensoriais, mas no exterior.
• Totem e tabu – ampliação da ideia de projeção – forma de
funcionamento mental, proporcionando ao sujeito a estruturação de
seu mundo externo, a partir do interno;
• Projeção passa a ser vista como um mecanismo normal,
determinando, em parte, o modo com que cada um percebe o
mundo externo – também onde não há conflito – lembranças
passadas de um indivíduo têm papel decisivo em suas percepções de
estímulos atuais;
• Projeção desempenha importante papel na maneira com que
cada um estrutura e percebe o mundo externo – lembranças
conscientes ou inconscientes influenciam na percepção de
estímulos contemporâneos;
• Projeção – regressão a serviço do ego – afrouxamento/redução
de controles do ego – liberdade transitória para se desprender
das rígidas regras do processo secundário;
• Métodos projetivos: situação-estímulo pouco estruturada e mal definida, vaga e
imprecisa, sem qualquer significado estabelecido pelo examinador ou aplicador
do instrumento, sobre a qual o sujeito pode, então, imprimir um sentido
particular, singular, próprio; instruções breves e gerais;
• Hipótese: por trás de toda atividade humana está a individualidade do sujeito
que a empreendeu – interpretação de qualquer conduta pode servir como base
para a compreensão de aspectos da personalidade da pessoa, bem como de
aspectos adaptativos e não-adaptativos;
• Cada indivíduo vive em um mundo único, que lhe é próprio (o
mundo como cada um o percebe) – observação de suas
condutas em uma atividade controlada (como a aplicação de
testes projetivos) serve para a dedução de traços de
personalidade e da dinâmica de seu funcionamento;
• Neste tipo de instrumento psicológico, o sujeito atribui as
próprias qualidades e necessidades a estímulos externos, sem
que tome consciência disso;
• Principal objetivo: investigar a dinâmica e a estrutura da personalidade dos
indivíduos – estímulos que tenham poucos elementos externos;
• Mundo interno do indivíduo traduz-se através do desvendamento das forças
psicológicas envolvidas nas respostas dadas ao teste;
• Forma com que, frente a determinada situação, cada pessoa vai experimentá-la, é
de acordo com sua perspectiva pessoal, e é nisso que se traduz a estrutura de
personalidade cada indivíduo;
• IMPORTANTE – “não podemos tomar esta interpretação como sendo a expressão de
fato do comportamento do sujeito, mas sim de suas necessidades e fantasias”
Testes projetivos podem ser divididos em duas categorias:
1) Temáticos: buscam revelar a dinâmica da personalidade, destacando a natureza dos
conflitos, desejos fundamentais, mecanismos defensivos, relações com o ambiente e
momentos decisivos da história de vida do sujeito – TAT, Teste das Fábulas, técnicas
gráficas.
2) Estruturais: revelam a estrutura da personalidade, salientando
elementos de seu equilíbrio e de suas formas de apreender o mundo –
Rorschach.
Na prática esta distinção é frutífera – em ambos os tipos a interpretação
do conteúdo da resposta e da forma de estruturação da mesma se
interrelacionam e vão ser, em conjunto, reveladores da dinâmica e
estrutura da personalidade.
HTP – House-Tree-Person
• Técnica projetiva gráfica;
• No mínimo duas fases:
• Não-verbal – desenhos acromáticos – casa, árvore e pessoa (pode ser
solicitado, também, pessoa do sexo oposto);
• Inquérito
• Se houver tempo e interesse:
• 3) Desenhos cromáticos
• 4) Inquérito
Os desenhos são, então, avaliados:
1) pelos sinais de psicopatologia existente ou potencial;
2) pelas características do desenho: tamanho, localização;
3) pela presença ou ausência de determinadas partes;
4) pelas respostas durante o inquérito.
Objetivos
• Obter informações sobre o como uma pessoa experiencia sua individualidade em
relação aos outros e ao ambiente do lar;
• HTP estimula a projeção de elementos de personalidade e de áreas de conflito;
• Mostra-se mais adequado para indivíduos acima de 8 anos de idade;
• Características gerais do desenho: fornecem informações sobre o funcionamento do
indivíduo.
• Avaliação do inquérito posterior ao desenho: são as respostas do inquérito que dão sentido aos desenhos
do sujeito.
Especificidades de cada desenho
• Casa: corpo, aspectos de nutrição e pertencimento; associações com o lar e com as relações interpessoais
íntimas, ajustamento às situações domésticas, capacidade do indivíduo de lidar com estresse e tensões nos
relacionamentos humanos íntimos.
• Árvore: crescimento, vitalidade, desenvolvimento; capacidade do
sujeito para lidar com as pressões do ambiente.
• Pessoa: auto-retrato – expressão direta da imagem corporal;
capacidade do sujeito para atuar em relacionamentos; conceito que o
sujeito tem de si mesmo, de seu papel e atitude em relação a um
relacionamento interpessoal.
HTP - Buck
Técnica projetiva de desenho;
Gráfica;
Mais de 50 anos;
Objetivo: obter informação de como a pessoa experiência sua
individualidade em relação aos outros e ao ambiente do lar.
HTP - Buck
Como todas as técnicas projetivas, o HTP estimula a projeção
de elementos da personalidade e de áreas de conflito dentro
da situação terapêutica, permitindo que eles sejam
identificados com o propósito de avaliação e usados para o
estabelecimento de comunicação terapêutica efetiva.
HTP - Buck
No mínimo duas fases;
1ª fase:
Não verbal;
Criativa;
Pouco estruturada.
HTP - Buck
Desenho a mão livre;
Acromático;
Casa – árvore – pessoa;
Desenho adicional – pessoas do sexo oposto a pessoa já
desenhada;
HTP - Buck
2ª Fase:
Inquérito (lista de conceitos);
Perguntas estruturadas para avaliar aspectos de cada desenho;
3ª fase:
Desenho da casa – árvore – pessoa;
Cromático (giz de cera);
4ª fase:
Perguntas adicionais.
HTP - Buck
População: pessoas acima de 6 anos de idade;
Instrumento muito utilizado com crianças;
Estudos sobre diferenças dos desenhos: adultos e crianças.
Uso do teste: treinamento e supervisão;
Aplicadores inexperientes trabalhar sempre com supervisor.
HTP - Buck
Aplicação: face a face;
Avaliação inicial;
Intervenção terapêutica em andamento;
Em processo de avaliação o HTP pode ser utilizado como uma
tarefa de aquecimento inicial.
HTP - Buck
2ª Fase:
Inquérito (lista de conceitos);
Perguntas estruturadas para avaliar aspectos de cada desenho;
3ª fase:
Desenho da casa – árvore – pessoa;
Cromático (giz de cera);
4ª fase:
Perguntas adicionais.
ADMINISTRAÇÃO DO INSTRUMENTO
Preparação do sujeito:
Sentar-se em frente a uma mesa;
Em uma posição confortável;
Sala: silenciosa e sem distrações
Tempo: de 30 a 90 min. (no. De desenhos solicitados);
Desenho adicional aumenta de 10 a 15 min. na tarefa;
Não há limite de tempo;
A tarefa só pode ser executada com a solicitação de no mínimo 3 desenhos;
O desenho da 2ª. Pessoa (sx oposto) é opcional, vai da necessidade do
psicólogo;
O tempo da análise e interpretação varia de acordo com a experiência do
sujeito.
MATERIAL DO TESTE
Protocolo para desenho HTP (Brasil – folha A4 ou sulfite branco);
Protocolo de interpretação para cada conjunto (cromático e acromático) e
para cada desenho;
Vários lápis preto Nº. 2 (ou mais macios) – usar sempre o mesmo padrão;
Borrachas;
Conjunto de crayons (giz de cera – pelo menos 8 cores – vermelho, laranja,
amarelo, verde, azul, violeta, marrom e preto), caso os desenhos coloridos
sejam pedidos;
Relógio ou cronômetro (latência e tempo total).
Posição do Examinador:
Face a face;
Deve ter uma clara visão da página em que o sujeito desenha;
Anotação da ordem dos detalhes desenhados;
Observar e anotar eventos incomuns na sequência dos desenhos.
Instrução
Peça ao examinando que escolha lápis;
“Eu quero que você desenhe uma casa. Você pode desenhar o
tipo de casa que você quiser. Faça o melhor que puder. Você
pode apagar o quanto quiser e pode levar o tempo que
precisar. Apenas faça o melhor possível”.
Não permitir uso de réguas e similares explicar que se trata de
desenhos a mão livre;
Começar a marcar o tempo logo que terminar as instruções;
Anotar:
Latência inicial;
Ordem do detalhes dos desenhos;
Duração das pausas e o detalhe específico aonde a pausa ocorreu;
Qualquer expressão espontânea ou emoção (anotar detalhe que estava
sendo desenvolvido neste momento);
Tempo total para execução do desenho.
Esse material é anotado como Observações
Gerais na pág. 1 do protocolo de interpretação.
Inquérito Posterior ao Desenho
Momento em que o sujeito define, descreve e interpreta cada
desenho;
Expressa sentimentos, ideias, sentimentos ou memórias
associados a eles;
Protocolo de inquérito.
Inquérito
Objetivo: compreender o sujeito de forma dinâmica;
Extraindo o maior número possível de informações, conteúdos e
contextos de cada desenho;
O examinador pode seguir qualquer linha de investigação desde
que seja coerente com o rapport e com o tempo disponível;
Anotar:
Todas as posições, detalhes ou relações incomuns entre os detalhes
devem ser anotados e investigados;
Qualquer detalhe implícito, como componentes básicos escondidos
atrás da figura;
Desenhos que se estendem além da margem da página, devem ser
investigados;
Aspectos pouco claros, confusos ou obscuros devem ser investigados.
Detalhes acrescidos durante o inquérito também devem ser identificados.
Observem: ao final da sequência de perguntas do inquérito é solicitado o
desenho de um sol e uma linha de solo quando não desenhada.
Importante:
Para usar o H.T.P. você deve contar com sua experiência e com princípios básicos de
entrevistas clínicas para determinar o quanto e quando a investigação de uma
determinada característica do desenho é adequada (questionário estendido).
Exemplos de investigação (extra protocolo):
Casa
Pergunta 5: “você gostaria que a casa fosse sua?” - solicite ao examinando
que descreve a diferença entre a casa desenhada e a casa em que ele mora,
e questione qual a probabilidade dele um dia ter uma casa semelhante a
casa desenhada.
Qual o quarto você escolheria para você? Compare como este se compara
com a localização do quarto ocupado por ele em sua casa atual.
Árvore:
Pergunta 23: “onde esta árvore está realmente localizada?”
Se a resposta for: “na selva” ou na “floresta”
Investigue a representação de selva e floresta com o examinando.
Pergunta 39: “esta árvore está saudável?”
Pergunta 40: “Esta árvore é forte”? Se o indivíduo não conseguir responder
peça para ele desenhar a estrutura da raiz da árvore, caso ele ainda não tenha
desenhado e faça uma anotação do pedido.
Pessoa:
Pergunta 50: “o que ele(a) está fazendo?” ”Onde ele(a) está fazendo isso?”
Se a resposta for “está apenas ali”; investigue onde é “ali” e o que
possivelmente a pessoa estava fazendo ou irá fazer “ali”; Se a resposta for
“andando” ou outro movimento pergunte aonde a pessoa está indo ou o
que ela vai fazer ao chegar lá;
Se a resposta for “não sei” ou “isso é só um desenho”, ajude o sujeito a
envolver-se na projeção sugerindo-lhe que conte uma história sobre a
pessoa do desenho ou pergunte o que a pessoa do desenho parece estar
fazendo.
Pessoa:
Pergunta 52: “como ele (a) se sente?” pergunte sempre “Por que?”, a menos
que haja razões para crer que essa pergunta compromete-se seriamente o
rapport;
Pergunta 58: “o que nele (a) lhe dá essa impressão?”(de que está feliz, triste,
com raiva); Se a resposta for uma simples descrição facial [ele (a) está
sorrindo], pergunte do que esta pessoa está rindo; por qual motivo ela está
sorrindo; ou com que frequência esta pessoa desenhada sente-se dessa
maneira.
Pergunta 67: “que tipo de roupa esta pessoa está vestindo?”
Se a pessoa desenhada estiver nua, pergunte porque ela está nua e se sente
à vontade.
Lista de Conceitos Interpretativos
Após aos desenhos e o preenchimento da folha de inquérito
pegue a lista de conceitos;
Lista de Conceitos: traz uma listas de características para cada
desenho;
Inicialmente veja as características “normais” da lista e marque
“S” (sim) para aquelas que se aplicam a cada desenho.
Lista de Conceitos Interpretativos
A seguir marque todas as pautas incomuns, comentários ou outros
comportamentos diferentes anotados enquanto os desenhos estavam sendo
feitos;
Anotar na área: sessão de Observações Gerais na primeira página do Protocolo.
Depois: marque os aspectos de proporção, perspectivas, detalhes e cor (para os
desenhos coloridos) que estejam presentes nos desenhos e que possam indicar
presença de patologia.
Utilize a régua fornecida na parte de trás do protocolo de desenho
para ajudá-lo avaliar as variações na proporção, perspectiva e
tamanho dos detalhes;
Também é fornecido marcações para ajudar a avaliar a localização
do desenho na página;
Algumas hipóteses clínicas comuns relacionadas para cada
características dos desenhos são apresentadas nas Listas dos
Conceitos Interpretativos;
Importante: a Lista de Conceitos Interpretativos é apenas um guia
para estabelecimento de hipóteses clínicas;
As confirmações das hipóteses clínicas virão com as informações
adicionais como: história clínica do examinado; resultado de
procedimentos de avaliação adicionais.
Casa-Árvore-Pessoa
Técnica Projetiva de Desenho
H-T-P
Manual e Guia de Interpretação.
São Paulo: Vetor, 2003.
Disponível
[Link]
HTP+Manual+e+guia+de+interpreta%C3%A7%C3%[Link]