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Tipos de Sanções Jurídicas e CLT

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Direito dos Contratos e das

Sociedades comerciais

Faculdade de Economia do Porto

Licenciatura em Economia

1
Parte I – Introdução ao Direito

(continuação)

2
Norma jurídica
Sinopse

 Conceito e função

 Algumas classificações

 Critério da vontade dos destinatários


• normas imperativas
• normas facultativas
• normas supletivas

 Critério do âmbito pessoal de validade


 normas gerais
 normas especiais
 normas excecionais

 Normas remissivas
3
Infração da norma jurídica
Sanções
 Conceito de sanção jurídica

 Fins das sanções jurídicas

 Espécies de sanções

 Sanções punitivas
 Sanções reconstitutivas ou executórias
 Sanções compensatórias ou ressarcitórias
 Sanções de ineficácia: ineficácia em sentido restrito e invalidade

4
Norma jurídica
– conceito e função –

 Elemento do direito objetivo

 Diferente terminologia: lei, preceito, regra…

 Regra de conduta tutelada coercitivamente,


de que o direito se serve para enunciar
condutas (dever-ser) que são devidas pelos
sujeitos jurídicos e os interesses que
prevalecem nas situações concretas
5
Norma jurídica
– classificação –

Critério da vontade dos destinatários

 Normas imperativas: a sua aplicação não depende da


vontade das pessoas, impondo-se o seu cumprimento
Ver, p. ex., arts. 7.º, 1, 9.º, 1, 10.º, 1, 33.º, 1 CSC

Ex.:
Quem pretender celebrar um contrato sociedade, deve fazê-lo por documento
escrito e as assinaturas dos sócios fundadores têm de ser reconhecidas
presencialmente; porém, se um ou mais sócios entraram para a sociedade com
bens imóveis, então será antes necessário celebrar o contrato de sociedade por
escritura pública ou documento particular autenticado (art. 7.º, 1 CSC). Caso não
seja observada a forma contratual imposta, o contrato celebrado será inválido –
nulo – (art. 220.º CC)

6
Norma jurídica
– classificação –

Critério da vontade dos destinatários


 Normas facultativas (ou permissivas): conferem
poderes/faculdades que o destinatário é livre de gozar
Ver, p. ex., arts. 21.º, 1, 105.º, 1, 116.º, 4, 240.º, 1, 373.º, 1 CSC

Ex.:
O art. 21.º, 1, reconhece aos sócios de qualquer sociedade comercial
alguns direitos sociais, entre eles, o direito a participar nos lucros
(periódicos ou de liquidação), o direito de estar presente e votar nas
deliberações em assembleia geral, o direito de obter informações sobre a
sociedade, mas não obriga os sócios a exercer tais direitos, antes lhes
atribui tais direitos, aos quais podem livremente renunciar (p. ex., o sócio
pode faltar à assembleia geral anual, não se fazendo nela representar).
7
Norma jurídica
– classificação –
Critério da vontade dos destinatários
 Normas supletivas: a norma pode ser acatada, ou pode ser
afastada se as pessoas considerarem que os seus interesses
serão melhor acautelados através da adoção de solução
diferente
– Podem ser afastadas pelas partes contratuais (se estiver em causa um
contrato de sociedade, as partes contratuais são os sócios)
– Visam suprir a falta de manifestação de vontade das partes sobre
determinados aspetos de negócio jurídico que carecem de
regulamentação
Ver, p. ex., arts. 15.º, 1, 22.º, 1, 246.º, 2, 250.º, 3, 384.º, 1 CSC

Ex: A e B celebram um contrato de sociedade por quotas e registam-no no registo comercial, sendo
publicado oficiosamente pelos serviços do registo.
Qual a duração da sociedade?
Qual a participação de cada um dos sócios nos lucros?
Quais as competências deliberativas dos sócios?
Se A e B não acordarem tais aspetos da sua relação social no contrato de sociedade, então os arts.
15.º, 1, 22.º, 1, 246.º, 2 CSC, respetivamente, impõem a solução. Mas os sócios poderiam ter regulado
diferentemente estes aspetos de acordo com a sua vontade comum. 8
Norma jurídica
– classificação –
Critério do âmbito pessoal de validade
 Normas gerais: correspondem a princípios fundamentais do
sistema jurídico e, por isso, estabelecem o regime-regra do
tipo de relações que disciplinam
→ A título de exemplo, no CSC existem normas (gerais) aplicáveis a qualquer tipo
de sociedade comercial (que aparecem, maioritariamente, no Título I – Parte
geral: arts. 1.º a 174.º)

Ver, p. ex., arts. 9.º, 1, 10.º, 1, 21.º, 1, 22.º, 1, 24.º, 1, 25.º, 1, 26.º, 1, 28.º, 31.º, 1, 32.º, 33.º, 1

Ex.:
 Relativamente a qualquer tipo de sociedade comercial: a participação nos lucros é em
medida proporcional à participação no capital, salvo se o contrato de sociedade
dispuser diferentemente (art. 22.º, 1);
 As entradas dos sócios em bens diferentes de dinheiro (como, p. ex., uma marca, uma
patente, um imóvel) têm de ser obrigatoriamente avaliadas por um ROC independente
(art. 28.º, 1).
9
Norma jurídica
– classificação –
Critério do âmbito pessoal de validade

 Normas especiais: perante questões cada vez mais


concretas, desenvolvem, adaptando ou especializando,
princípios fixados em normas de alcance mais geral;
estabelecem uma disciplina diversa, mas não oposta ao
regime geral
→ A título de exemplo, no CSC existem normas (especiais) aplicáveis, tendencialmente, a
um único tipo de sociedade comercial
→ Título III – Sociedades por quotas (SQ): arts.197.º a 270.º-G
→ Título IV – Sociedades anónimas (SA): arts. 271.º a 464.º

Ver art. 200.º (é especial em relação ao art. 10.º)


Ver art. 240.º, 1 (é especial em relação ao art. 21.º, 1)
Ver art. 247.º, 1 (é especial em relação ao art. 54.º, 1)
Ver art. 272.º (é especial em relação ao art. 9.º, 1)
10
Norma jurídica
– classificação –
Critério do âmbito pessoal de validade
 Normas excecionais: contrariam as soluções
consagradas nas normas gerais, fixando um regime
oposto ao regime-regra, num setor restrito (para um
número reduzido de situações expressamente previstas)

Ver art. 26.º, 2 e 3 CSC (é excecional em relação ao art. 26.º, 1 CSC)

Ver art. 343.º, 1 CSC (é excecional em relação ao art. 21.º, 1, b) CSC)

Ver art. 21.º-D CVM (é excecional em relação ao art. 384.º, 5 CSC)

11
Norma jurídica
– classificação –

 Normas remissivas: remetem para outra norma,


aplicando-se a solução legal prevista nesta última
Função: evitar repetições

Ver art. 248.º, 1 CSC: (remete, p. ex., para os arts. 377.º, 5 a 8, 378.º, 2 a 4,
379.º, 4 e 6, 383.º, 1, 384.º, 4 e 8 a 10, 387.º CSC - com as devidas
adaptações) Nota: pode ser necessária a adaptação da norma na sua aplicação à SQ

Ver art. 244.º, 1 CSC (remete para o art. 209.º CSC)


Ver art. 247.º, 1 CSC (remete para o art. 54.º CSC)
Ver art. 373.º, 1 CSC (remete para o art. 54.º CSC)
Ver art. 166.º CSC (remete para o CRegCom)
Ver art. 21.º, 4 CVM (remete para CSC : arts. 488.º a 508.º)

12
Norma jurídica
– Infração: as sanções jurídicas –

 Sanção jurídica: reação negativa da ordem jurídica à


infração de uma regra jurídica

 Fins da sanção

 preventivo: visa evitar que a regra jurídica seja violada (efeito


dissuasor)

 repressivo: uma vez consumada a infração, visa a reparação


da situação preexistente à infração, nalguns casos associando
à reparação a punição do infrator (efeito reparador e, por
vezes, punitivo do infrator)
13
Sanções jurídicas
– Espécies de sanções –
De acordo com a sua função....

 Sanções punitivas: traduzem-se na aplicação de um


castigo ao infrator de uma norma, tendo em conta a
relevância dos bens jurídicos protegidos e a gravidade da conduta,
expressa na culpa do infrator
 penas criminais (crimes): pena de prisão, multa
 penas criminais (especiais) previstas para atos ilícitos criminais praticados por
gerentes e administradores de sociedades comerciais (arts. 509.º a 527º, e 529.º, 1
CSC)

 contraordenações (ilícitos de mera ordenação social): coima


 coimas especiais previstas para atos ilícitos de mera ordenação social praticados
por gerentes e administradores de sociedades comerciais (art. 528.º e e 529.º, 2
CSC)

 “penas” civis: indignidade sucessória (arts. 2034 e 2037.º CC)


 “penas” disciplinares: despedimento (arts. 338.º e 351.º Cód. Trabalho)
14
Sanções jurídicas
– Espécies de sanções –

De acordo com a sua função...

 Sanções reconstitutivas ou executórias: promovem a


reposição exata da situação anterior à infração da norma

Ex.:
 Reconstituição natural (indemnização em espécie): traduzida na
entrega ao lesado de um bem idêntico, quando seja possível e não
excessivamente onerosa (ex.: restituição do quadro de pintura furtado ao
seu proprietário) ou na reconstituição do que sofreu o dano (ex.:
reintegração do trabalhador no mesmo estabelecimento da empresa, caso o
despedimento seja declarado ilícito pelo tribunal – art. 389.º, 1, b) Cód.
Trabalho)

 Execução específica (ex.: art. 830.º CC – contrato prometido; art. 342.º,


5 CSC – direito ao dividendo prioritário anual do acionista preferencial sem
direito de voto)
15
Sanções jurídicas
– Espécies de sanções –
De acordo com a sua função....
 Sanções compensatórias (ou ressarcitórias): quando
não é possível a reconstituição exata da situação preexistente (o que
corresponde à maioria dos casos),
estabelece-se uma indemnização por
sucedâneo pecuniário (indemnização em dinheiro) visando a
reparação de perdas e danos sofridos

⇢ Atos ilícitos, culposos (com dolo ou negligência) e danosos geram


responsabilidade civil
Os atos ilícitos (desconformes com as normas jurídicas), causadores de danos em esferas
jurídicas alheias à do respetivo autor, originam a obrigação de este ressarcir os prejuízos
causados, ou seja, fazem o seu autor incorrer em responsabilidade civil (obrigação de
indemnização – arts. 562.º a 572.º CC).

 responsabilidade civil contratual

 responsabilidade civil extracontratual (pela culpa)

16
Sanções jurídicas
– Espécies de sanções –
 Sanções compensatórias (ou ressarcitórias)

Responsabilidade civil contratual:


Obrigação de indemnizar os prejuízos causados, com culpa,
pela violação das obrigações resultantes do negócios
jurídico ou contrato celebrado (arts. 798.º, 804.º, 806.º e
566.º e segs. CC)

Normas especiais: p. ex., relativas à responsabilidade contratual


de gerentes/administradores e membros dos órgãos de fiscalização
perante a sociedade comercial no exercício das suas funções (arts.
72.º e segs. CSC)

17
Sanções jurídicas
– Espécies de sanções –
 Sanções compensatórias (ou ressarcitórias)

Responsabilidade civil extracontratual:


Obrigação de indemnizar os danos resultantes da violação,
com culpa, do direito de outrem ou de qualquer disposição
legal destinada a proteger interesses alheios (cfr. arts. 483.º
e segs., 566.º e seg. CC)

Normas especiais: p. ex., respeitantes à responsabilidade civil


extracontratual (pela violação de disposições legais de proteção) de
gerentes/administradores e membros dos órgãos de fiscalização
perante os credores sociais, sócios e outros terceiros (p. ex.,
clientes, populações afetadas por dano ambiental) no exercício das
suas funções (arts. 72.º e segs. CSC)
18
Sanções jurídicas
– Espécies de sanções –
De acordo com a sua função....

 Sanções de ineficácia em sentido amplo: determinam


a inutilização do ato jurídico praticado em contravenção das
normas jurídicas, privando-o de efeitos jurídicos

 Ineficácia em sentido restrito:


 Ineficácia absoluta
 Ineficácia relativa ou inoponibilidade

 Invalidade:
 Nulidade
 Anulabilidade
19
Sanções jurídicas
– Espécies de sanções –
 Sanções de ineficácia em sentido amplo

Ineficácia em sentido restrito: o ato jurídico encontra-se


perfeito na sua estrutura (sendo válido), mas carece da verificação de um
facto ou circunstância externos para produzir efeitos jurídicos

 Ineficácia absoluta: o ato jurídico não produz quaisquer efeitos até


ao momento em que ocorrer o requisito externo em falta (maxime a
intervenção de terceiros)

P. ex., a deliberação da maioria dos sócios de supressão do direito especial


a um dividendo majorado anual de 5% dos lucros legalmente distribuíveis,
previsto no contrato de sociedade, depende do consentimento do respetivo
titular da quota (nas SQ) ou da deliberação especial da maioria dos
acionistas titulares de ações da respetiva categoria (nas SA) – arts. 24.º, 5 e
6, em conjugação com o art. 55.º CSC

20
Sanções jurídicas
– Espécies de sanções –
 Sanções de ineficácia em sentido amplo
Ineficácia em sentido restrito
 Ineficácia relativa ou inoponibilidade: o ato jurídico é eficaz
entre os intervenientes, mas não pode ser invocado perante (oposto
a) terceiros (maxime enquanto não for promovida a sua publicidade, pela inscrição do ato no
registo, por vezes seguida da sua publicação) , relativamente aos quais não produzirá
quaisquer efeitos (p. ex., arts. 13.º e 14.º CódRegistoComercial, e art. 168.º,
2 a 4 CSC)
P. ex., a destituição de gerente por deliberação dos sócios quotistas está
sujeita a registo comercial e a publicação obrigatórias (art. 3.º, 1, m) , 15.º,
1, 70.º, 1, 71.º, 1 CódRegistoComercial, e art. 168.º, 2 a 4 CSC).
Ainda que não registada, a destituição é eficaz entre o ex-gerente e a
sociedade. Face à sociedade, o gerente destituído deixa imediatamente de
ser gerente desde a data da deliberação (e, p. ex., perde o direito à
remuneração, deixa de exercer as suas funções...)
Mas só após a data da publicação da destituição, esta é oponível a terceiros
P. ex. um comprador (terceiro) de um bem da sociedade que contratou com
o ex-gerente. Antes da publicação, o contrato entre o comprador e o ex-
gerente, vincula a sociedade representada pelo ex-gerente ao seu
cumprimento. Nesse caso, a destituição não é eficaz perante o (oponível ao)
comprador. 21
Sanções jurídicas
– Espécies de sanções –

 Sanções de ineficácia em sentido amplo


Invalidade: o ato jurídico não se encontra perfeito na sua
estrutura, sofrendo de vícios que o tornam inválido

 Nulidade (sanção estatuída para vícios mais graves): o ato nulo


não produz quaisquer efeitos jurídicos (# efeitos práticos),
podendo ser invocado em juízo ou fora dele e a todo o tempo,
sendo de conhecimento oficioso pelo tribunal (art. 286.º CC).
Ex.: arts. 220.º, 294.º CC; arts. 56.º e 57.º CSC

 Anulabilidade (sanção estatuída para vícios menos graves) : o ato


anulável produz efeitos jurídicos enquanto não for posto em
causa, o que só pode ocorrer dentro de um prazo limitado e
pelas pessoas em razão das quais a anulabilidade é
estabelecida (art. 287.º CC). Ex.: arts. 58.º e 59.º CSC

22

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