Conceitos Básicos da Educação
Inclusiva
Conceitos básicos
No campo da Educação Especial, nem todas as alternativas e
respostas foram encontradas para os impasses da convivência
social. Entretanto, o percurso até aqui só foi possível porque, no
século passado, alguns documentos internacionais gerados em
diferentes momentos tornaram-se marcos históricos e nortearam
as conquistas em diversos campos, tanto para as pessoas de uma
maneira geral, como particularmente para aquelas com
necessidades especiais.
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Destacam-se, dentre esses marcos históricos: a Declaração
Universal dos Direitos do Homem pela ONU (1948); a
Convenção sobre os Direitos da Criança (1989); a Conferência
Mundial Educação para Todos (1990), com a Declaração
Mundial de Educação para Todos (1990); a Conferência
Mundial sobre Necessidades Educacionais Especiais: acesso e
qualidade, com a Declaração de Salamanca (1994); a Convenção
de Guatemala (1999) e a Carta do Terceiro Milénio (1999).
Defectologia
Pode ser definido como sendo o estudo dos defeitos.
Vigotski (1997), aponta a necessidade da utilização
de recursos técnico-metodológicos especiais que
permitam à pessoa compensar (superar) sua limitação
criando outras vias que garantam a sua inserção na
vida produtiva em plena colaboração com os não
deficientes.
Deficiência
É o termo usado para definir a ausência ou a disfunção de uma
estrutura psíquica, fisiológica ou anatómica.
A ONU (2006), citado por Sabrea (2020), define como
deficiência aqueles que têm impedimentos de longo prazo de
natureza física, intelectual ou sensorial, os quais em
interacção com diversas barreiras podem obstruir sua
participação plena e efectiva na sociedade em igualdade de
condições com as demais pessoas”
Na perspectiva de Souza (2020), A pessoa com deficiência é
aquela na qual apresenta algum tipo de limitação seja ela
física ou mental, impedindo o sujeito de desenvolver algumas
atividades do cotidiano.
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Amaral (1992), Deficiência primária diz respeito aos
problemas de origem orgânica, intrínsecos ao indivíduo. Ou
seja, alterações biológicas em um órgão ou estrutura
corporal que geram perdas sensoriais, limitações físicas ou
prejuízos intelectuais.
De acordo com Nuernberg (2008), as deficiências
secundárias são, portanto, mediadas socialmente, remetendo
ao facto de o universo cultural estar construído em função de
um padrão de normalidade que, por sua vez, cria barreiras
físicas, educacionais e atitudinais para a participação social e
cultural da pessoa com deficiência.
Educação especial
• é o ramo da educação voltado para o atendimento e educação de
pessoas com alguma deficiência.
• É ramo da educação dirigido a alunos com: transtornos gerais do
desenvolvimento (TGD) / transtorno do espectro autista (TEA); uma ou
mais deficiências (física, visual, auditiva, intelectual); altas habilidades
ou superdotação.
• A educação especial pode ocorrer em instituições educacionais públicas
ou privadas, sejam elas regulares ou especializadas; em salas regulares,
especializadas ou de recursos multifuncionais (SRM); sob a condução
de professores regentes (generalistas ou especialistas) ou de professores
especializados em atendimento educacional especializado (AEE).
Impedimento x barreiras
Barreiras São definidas como qualquer
entrave, obstáculo, atitude ou
comportamento que limite ou impeça a
participação social da pessoa, bem como o
gozo, a fruição e o exercício de seus
direitos à acessibilidade, à liberdade de
movimento e de expressão, à comunicação,
ao acesso à informação, à compreensão e à
circulação com segurança, entre outros.
Incapacidade
• De acordo com a OMS (2004), citado por Nunes (2018),
incapacidade inclui deficiências, limitação da actividade ou
restrição na participação.
• É uma redução efectiva e acentuada da capacidade de
integração social, com necessidade de equipamentos,
adaptações, meios ou recursos especiais para que a pessoa
portadora de deficiência possa receber ou transmitir
informações necessárias ao seu bem-estar pessoal e ao
desempenho de função ou actividade a ser exercida.
• Uma mesma alteração da estrutura corporal pode levar a
incapacidades diferentes, pois o ambiente tem um papel
Necessidades Especiais
• As necessidades especiais dizem respeito a um
conjunto de factores, de risco ou de ordem
intelectual, emocional e física, que podem afectar a
capacidade de um indivíduo em atingir o seu
potencial máximo.
Diversidade
• é a existência de coisas variadas e
diferentes umas das outras dentro de uma
determinada área ou espaço . O termo
vem da língua latina, da palavra ”
diversitas “, e se refere ao que é diverso,
variado, múltiplo, díspar ou diferente.
Necessidades Educativas Especiais
• Refere-se a todas as crianças e jovens cujas necessidades
decorrem de sua capacidade ou de suas dificuldades de
aprendizagem. Muitas crianças, em algum momento de sua
escolarização, têm dificuldades de aprendizagem e, portanto,
necessidades educativas especiais.
• Aqueles que apresentam especificidades no processo de ensino
e aprendizagem, necessitando de mediação e recursos distintos
dos convencionados em momentos da sua escolarização, em
espaços e tempos que variam conforme as demandas
apresentadas no seu desenvolvimento (Nunes, 2018).
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Conforme argumentam Glat e Blanco (2007): as
necessidades educacionais especiais são construídas
socialmente, no ambiente de aprendizagem, não sendo,
portanto, consequências inevitáveis da deficiência ou do
quadro orgânico apresentado pelo indivíduo.
Normalidade
• É um estado padrão, normal, que é considerado
correto, sob algum ponto-de-vista. É o oposto da
anormalidade. A normalidade muitas vezes se dá por
conta de uma maioria em comum, sendo anormal
aquele que contraria esta maioria. A normalidade
também se dá por um resultado padrão ao realizar
uma operação com alta probabilidade de se repetir.
Diferença
• é a qualidade que permite que algo se
distinga de outra coisa. O termo, que
deriva do latim differentĭa, pode ser usado
para mencionar a variedade de coisas de
uma mesma espécie.
Da pedagogia dos defeitos à pedagogia das
potencialidades
Está-se na era da PEDAGOGIA DA DIVERSIDADE,
PEDAGOGIA DAS POTENCIALIDADES; que acredita
que qualquer indivíduo independentemente das suas
condições físicas, sociais, políticas, religiosas...tem
limitações, potencialidades e necessidades e é capaz de
desenvolver e tornar-se útil à sociedade.
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Aceita que os alunos precisam uns dos outros para
aprender e partilhar experiências.
Aceita os alunos com as suas diferenças individuais.
Aceita que aprendam os mesmos conteúdos de diferentes
formas (uns mais flexíveis e outros menos flexíveis).
Uns aprendem de forma independente enquanto outros
precisam de ajuda do professor para aprender.
Característica da Pedagogia das potencialidades/diversidade:
É Humanista – aceita a todos os alunos por igual, preocupando-
se por descobrir as limitações e potencialidades de cada um.
Proporciona a todos alunos os mesmos direitos e mesmo amor.
O desenvolvimento de cada aluno depende do empenho do seu
professor.
Presta atenção ao desenvolvimento do aluno e sua
aprendizagem e não aos resultados estatísticos.
Avalia o processo individual de aprendizagem e não somente os
resultados.
Modelos de deficiência
• Modelo caritativo
Nesse modelo, a deficiência é considerada um deficit e as pessoas com deficiência são dignas de pena por serem vítimas da própria
incapacidade.
• Modelo médico
Pessoas com deficiência eram, portanto, “pacientes” que deveriam ser tratados de forma individualizada de acordo com suas patologias.
Havia um esforço terapêutico para que essas patologias fossem superadas de modo a torná-las adequadas à vida em sociedade.
• Modelo social
Esse é um modelo que pretende romper com as barreiras que a própria sociedade cria, ligadas a atitudes (medo, preconceito, estigma),
ao meio ambiente (inacessibilidade) e às instituições (discriminação legal e falta de garantias de direitos).
• Modelo dos direitos humanos
Bibliografia
• NUNES, Débora Regina de Paula. Educação Inclusiva.
EDUFRN. Natal. 2013
• KHATER, Eduardo & SOUZA, Kelen Cristina. DIVERSIDADE X
INCLUSÃO: Conceito, teoria e prática na educação infantil.
Revista Educação em Foco – Edição nº 10 – Ano: 2018
• SILVA, Ivanir Gomes. Vigotski, Defectologia e Processo Educativo.
Brasil.2015
• SEABRA, Magno Alexon Bezerra. Distúrbios e transtornos de
aprendizagem: aspectos teóricos, [Link]. metodológicos e
educacionais. [Link]. Curitiba, PR: Bagai.2020.
• SOUZA, Liliane Pereira de. Estudos sobre transtornos de
aprendizagem. 1ª ed. Editora Inovar. 2020
• SEDH. Pessoas com Deficiência e Direitos Fundamentais. Aquarius e gráfica
editora. Espírito Santo. 2022
• FRANÇA, Tiago Henrique. Modelo Social de Deficiência: uma ferramenta
sociológica para a emancipação social. 2013