A ÉTICA
CONTEMPORÂNEA
Prof. Me Joel Hugo Poloni
História da ética
A origem da ética acontece na Grécia Antiga, no
período chamado de antropológico. A partir de
Sócrates, o foco da filosofia deixa de estar ligado
às origens da natureza e passa a ser
questionamento do modo de ser e do
comportamento humano.
Ética na Idade Média
Ao chegar a Idade Média, o que se destaca é a
ética cristã. Essa ética de baseia em ser obediente
às vontades e às leis de Deus.
Ética Moderna
Na ética moderna, é o indivíduo quem passa
a fazer suas próprias escolhas e se torna
responsável pelas suas próprias ações.
Ética contemporânea
A ética contemporânea trata da capacidade
do ser humano de fazer escolhas adequadas
para conduzir a própria vida, no ambiente da
social.
Diferenças entre Ética e Moral
Ética e moral são diferentes.
Enquanto a moral é o conjunto de regras e
normas estabelecidos na sociedade, a ética é a
reflexão e compreensão dos princípios que
fundamentam a moral.
A moral se relaciona às normas, costumes ou
mandamentos culturais, familiares e religiosos.
Um exemplo da diferença entre a ética e a moral
é o voto feminino no Brasil. Até 1934, era
moralmente incorreto que as mulheres pudessem
votar.
Foi necessário que mulheres pensassem sobre os
princípios que orientavam essa regra/norma, se
eram justos ou injustos, certos ou errados, e
contrariassem o modelo vigente.
A partir dessa reflexão ética, o direito do voto
feminino no Brasil foi permitido.
A ética contemporânea não é só
influenciada pelas doutrinas atuais, mas
também por aquelas que surgiram no sec.
XIX , como é o caso de Kierkegaard, Stirner
ou Marx.
A ética contemporânea surge numa época
de contínuos progressos científicos e
técnicos que acabam por questionar a
própria existência humana dada a ameaça
que seus usos destruidores acarretam.
Um exemplo disso é a bomba atômica
lançada pelos Estados Unidos no Japão,
mais precisamente em Hiroshima e
Nagasaki.
No plano filosófico, a ética contemporânea
se apresenta em suas origens como uma
reação contra o formalismo Kantiano e o
racionalismo absoluto de Hegel.
A construção do conhecimento cientifico se
faz através da dialética. A ética
contemporânea também passa por este
processo.
De uma forma geral o movimento filosófico
desde Hegel até os nossos dias vai mostrar
que o pensamento ético reage:
Contra o formalismo e o universalismo
abstrato e em favor do homem concreto (o
individuo , para Kierkegaard e para o
existencialismo atual; o homem social para
Max).
Contra o racionalismo absoluto e em favor
do reconhecimento do irracional no
comportamento humano (Kierkegaard, o
existencialismo, o pragmatismo e a
psicanálise).
Contra a fundamentação transcendente
(metafísica) da ética e em favor da procura
da sua origem no próprio homem.
Estes são os rumos principais nos quais se
orientam as doutrinas fundamentais
contemporâneas no campo da ética.
De Kierkegaard ao Existencialismo
Kierkegaard ( 1813-1855 ) é considerado hoje o
pai do existencialismo.
3 estágios na existência individual:
Estético
Ético
Religioso
Max Stirner ( 1806-1856 ) autor de O Único e
sua Propriedade pretende recuperar o homem
concreto, na vontade individual.
O Existencialismo de Jean Paul Sartre (1905-1980)
Sartre X Kierkegaard e Stirner “O homem como
fundamento sem fundamento (sem razão de ser)
dos valores”
Libertarismo “Cada um de nós é absolutamente
livre e mostra a sua liberdade sendo o que
escolheu ser”
A liberdade é a única fonte de valor.
“Se a liberdade é o valor supremo, valioso é
escolher e agir livremente.”
A ética de Sartre não deixa de ter o seu
cunho libertário e individualista por dois
motivos.
Absoluta liberdade de escolha.
Caráter radicalmente singular desta
escolha.
Pragmatismo
Enquanto corrente filosófica o pragmatismo
originou-se no final do século XIX e
desenvolveu-se, sobretudo ao longo do século
XX, principalmente nos Estados Unidos. Charles
Sanders Peirce (1839-1914), William James
(1842-1910) e posteriormente John Dewey
(1859-1952).
O termo “pragmática” é derivado do grego
pragma, significando coisa, objeto,
principalmente no sentido de algo feito ou
produzido.
Para os pragmáticos, o conhecimento é
concebido como essencialmente
modificador da realidade, portanto, a
construção da verdade deve corresponder à
construção da própria realidade.
Conhecimento e ação se convertem em
termos equivalentes.
O Pragmatismo e a Ética
O pragmatismo questiona os absolutos éticos, ou
seja, a existência de valores éticos universalmente
válidos, independentes de época ou contexto.
Propõe, ao contrário, que os conceitos éticos, tal
como os científicos, sejam examinados em relação
aos contextos de uso e às intenções dos agentes
usá-los. Uma análise pragmática dos conceitos
éticos explicita seu sentido e seus pressupostos,
torna mais evidente seus objetivos e permite-nos
avaliar seus efeitos e consequências.
A Psicanálise e a Ética
A psicanálise trouxe contribuições e uma
nova perspectiva para se pensar a Ética
tornando o problema mais complexo.
A psicanálise vem mostrar que a escolha que
o homem pode fazer entre o bem e o mal,
não é, como se pensava até então, uma
escolha consciente, produto de um livre
arbítrio. Tal escolha, como quaisquer outras,
segundo a psicanálise é sobre determinada
pelo inconsciente.
O Marxismo
O homem real é, em unidade indissolúvel,
um ser espiritual e sensível, natural e
propriamente humano, teórico e prático,
objetivo e subjetivo.
Antes de qualquer coisa é um ser produtor,
transformador e criador. Através do seu
trabalho pode transformar a natureza
externa, nela se plasma e, ao mesmo tempo
cria um mundo a sua medida.
Invariavelmente o homem é um ser social e
histórico.
A história do homem se mostra um
processo que é objetivo e inevitável, mas
não fatal.
São os homens que fazem sua própria
história e isto independe do quanto o ser
humano está consciente do que realiza e do
quanto participa dessa história sendo
escrita.
Marxismo traz as seguintes teses que são
fundamentais para a ética:
1° A moral cumpre um função social. E, em
sociedades divididas em classes antagônicas,
por conseguinte, possui um caráter de classe.
2° Sempre existiram diferentes morais de
classe. Aliás, na mesma sociedade podem
coexistir várias morais diferentes.
3° Em cada sociedade ou classe, a moral possui um
caráter relativo, mas conforme se desenvolvem e se
relacionam com elementos antigos e atuais, as
diferentes morais que são particulares, cada uma à
seu modo, se integram e surge uma moral
verdadeiramente humana e universal.
4° A moral mais uma vez ocupa seu lugar em um
contexto histórico, pois os homens necessitam da
moral como necessitam da produção, onde a
necessidade dessa moral se dá pela função social que
ela cumpre, de acordo com a estrutura social
presente.
5° Já quando se fala de uma nova moral, ela
aparece para estabilizar as relações dos
indivíduos, tanto em vista da transformação
da velha sociedade, como uma forma de
garantir a unidade e a harmonia entre os
indivíduos da nova sociedade socialista.
Sendo que tanto a transformação da antiga
ordem social como a construção e a
conservação da nova exigem uma
participação consciente dos homens, onde
essa nova moral surge como novas virtudes.
6° Essa necessidade de transformar a moral
antiga em um amoral nova não significa cair
num moralismo, que é característico do
socialismo utópico , que deseja essa
transformação mediante uma via moral,
apelando para princípios de justiça ou para
sentimentos morais, dessa forma Marx, não
os desdenhou os apelos morais, pois de certa
forma quando um homem toma consciência
de que ele é o ser supremo dele próprio, a
transformação se volta para ele mesmo.
7° Dessa forma o homem deve se impor na
transformação da sociedade, porque sem a
sua intervenção prática e consciente, pode-se
compreender uma postura que Marx entreviu,
ou seja que independente da sociedade a sua
verdade moral deve ser imposta, por mais
que se confrontem com uma moral
imperativa e ideal.
Neopositivismo e
Filosofia Analítica
O neopositivismo, ou positivismo lógico é
uma corrente da filosofia analítica.
O positivismo lógico como corrente
contemporânea surgiu partindo de uma
necessidade de libertar a ética do domínio
da metafísica, dessa maneira
concentraram-na na analise da linguagem
moral.
Moore vai contra a toda ética que tenta
definir o bom como uma propriedade
natural, pois para ele isso não pode ser
definido. Para Moore essa definição é
nomeada de “falácia natural” e dela parte
toda a ética naturalista ou metafísica.
Não se pode definir o bom, ele só pode ser
captado através de intuição.
O Intuicionismo
O intuicionismo preparou terreno para os
positivistas lógicos. Alfred J. Ayer traz em sua
obra Linguagem, verdade e lógica de 1936
que os conceitos éticos de bom e dever não
representam nada, pois são apenas emoções
e expressões do sujeito.
Emotivismo
O emotivismo ético que traz como sua base a
conclusão que os termos éticos tem apenas
um significado emotivo e dessa maneira as
proposições morais carecem de valor
cientifico.
Conforme apreendido em relação a ética,
esta deve apresentar flexibilidade no que
diz respeito aos seus dilemas, pois também
somos movidos de acordo com os nossos
valores morais, e estes estão bem mais
relacionados com as nossas emoções e
aquilo que realmente iremos fazer.
A coerência ética é mais do que
simplesmente seguir um conjunto de
regras; é a harmonia entre nossos valores,
crenças e ações, refletindo uma integridade
profunda que permeia todas as áreas de
nossa vida.
Observa-se que a palavra ética passou a
fazer parte do vocabulário do homem
comum e está sempre na mídia,
demonstrando a vigência de uma
preocupação urgente e universal. A este
respeito, Cortina (2003, p. 18) afirma que:
“embora a ética esteja na moda, e todo
mundo fale dela, ninguém chega realmente
a acreditar que ela seja importante, e
mesmo essencial para viver”.
A Ética é o ideal para conduta humana, pois a
evolução de seus princípios deu-se juntamente
com o processo evolutivo da humanidade, e orienta
o ser humano sobre o que é bom e correto e o que
deveria assumir, orientando sua vida em relação a
seus semelhantes, visando o bem comum.
A Ética de nossa sociedade e a Ética empresarial
são inseparáveis, algumas vezes indistinguíveis.
Nossas preocupações diárias com a eficiência,
competitividade e lucratividade não podem
prescindir de um comportamento ético.
A Ética no trabalho orienta não apenas o teor das
decisões (o que devo fazer) como também o processo
para a tomada de decisão (como devo fazer).
A adoção de princípios éticos e comportamentais
reflete o tipo de organização da qual fazemos parte e
o tipo de pessoa que somos. Nosso respeito pelas
diferenças individuais e a preocupação crescente com
a responsabilidade social, onde inserimos as questões
de segurança, meio-ambiente e saúde no cotidiano da
nossa gestão empresarial, refletem as relações com
seus empregados e para com a sociedade.