Direito Internacional
Público
Fr a n c i e l l e B e n i n i A g n e Ty b u s c h
Vamos lá
Aprender sobre o Direito Internacional
Público
Espécies de tratados
A doutrina elenca uma série de espécies de tratados, cada um com sua denominação própria. No entanto, lembre-
se que, na prática internacional o seu uso é indiscriminado. No quadro, alguns exemplos:
ESPECIES DE TRATADOS
ACORDO – ATOS INTERNACIONAIS COM REDUZIDO NUMERO DE PARTICIPANTES CARTA – TIPO DE TRATADO QUE CRIA ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS,
E MENOR IMPORTÂNCIA POLÍTICA, BASTANTE UTILIZADO PARA TRATADOS DE ESTABELECE OBJETIVOS, ÓRGÃOS E MODO DE FUNCIONAMENTO (CARTA DA
TEMAS ECONÔMICOS, FINANCEIROS, CULTURAIS (ACORDO TRIPS); ONU);
COMPROMISSO - DETERMINA A SUBMISSÃO DE UM LITÍGIO A UM FORO CONVENÇÃO – ACORDOS MULTILATERAIS QUE ESTABELECEM NORMAS GERAIS
ARBITRAL; DE DI DE GRANDE INTERESSE (DH);
AJUSTE COMPLEMENTAR – detalhar tratado de escopo amplo – SEMELHANTE A PACTO –TRATADOS QUE SE REVESTEM DE IMPORTÂNCIA POLÍTICA, ESPECÍFICOS
PORTARIA NO DTO INTERNO; NA MATÉRIA QUE REGULAM;
DECLARAÇÃO – CONSAGRAR PRINCÍPIOS OU AFIRMAR A POSIÇÃO COMUM DE PROTOCOLO – ATO INTERNACIONAL MERAMENTE COMPLEMENTAR OU
ALGUNS ESTADOS ACERCA DE CERTOS FATOS; INTERPRETATIVO DE TRATADOS ANTERIORES;
CONVÊNIO – COOPERAÇÃO BILATERAL OU MULTILATERAL DE NATUREZA MEMORANDO DE ENTENDIMENTO – MODALIDADE DE ATO INTERNACIONAL
ECONÔMICA, COMERCIAL, CULTURAL, JUR, CIENTÍFICA E TÉCNICA VOLTADO A REGISTRAR PRINCIPIOS GERAIS QUE ORIENTARÃO AS RELAÇÕES
([Link] DO CAFÉ) ENTRE OS SIGNATÁRIOS;
MODUS VIVENDI – DESTINADO A INSTRUMENTOS DE MENOR IMPORTÂNCIA E CONCORDATA – CRITERIOSO – ADOTADO APENAS AOS COMPROMISSOS
DE VIGÊNCIA TEMPORÁRIA; FIRMADOS PELA SANTA SÉ EM ASSUNTOS DE INTERESSE RELIGIOSO;
ESTATUTO – CRIAM TRIBUNAIS INTERNACIONAIS (TPI, CJI); ATO – ESTABELECE REGRAS DE DIREITO – ALGUNS SOMENTE FORÇA POLÍTICA OU
MORAL – (ATA);
Classificação – número de partes,
procedimento de conclusão
Quanto à quantidade de signatários, os tratados podem ser bilaterais ou multilaterais;
Congresso de Viena (1815) – bilaterais, após tornou-se mais comum os multilaterais;
Podem empregar a forma solene ou forma simplificada;
Solene é a mais comum (várias etapas da verificação da vontade do Estado (1 negociação e assinatura do texto; 2
confirmação da aquiescência estatal; 3 eficácia do tratado no âmbito interno pode ser condicionada a um ato
adicional, “promulgação”;
Simplificada – menos etapas – os tratados que adotam esta forma são chamados de acordos executivos e
normalmente requerem apenas a participação do Poder Executivo em seu processo de conclusão e prescindem
de ratificação;
Brasil adota, predominantemente a forma solene, permite o simplificado apenas quando o ato não traz
compromissos gravosos para o Estado (art. 49, I da CF/88);
Classificação – execução, natureza,
efeitos e possibilidade de adesão
Podem ser transitórios ( executados ou de efeitos limitados) e permanentes ( executórios ou de efeitos sucessivos);
Ponto de vista material: tratados-contrato e tratados lei;
Tratados-contratos – conciliar interesses divergentes entre as partes (regras de prestações, concessões e
contrapartidas);
Tratados-lei estabelecem normas gerais de direito internacional, a partir da vontade
Convergente dos signatários de estabelecer um tratamento comum e uniforme –
Compromissos Multilaterais;
Podem ter efeitos restritos às partes signatárias ou gerar consequências jurídicas
a entes que não participaram do processo de conclusão, alcançando
Terceiros;
Adesão, podem ser abertos ou fechados;
Evolução histórica
Regulam desde a Antiguidade – egípcios e gregos;
Historicamente, predominavam os bilaterais;
XIX Congresso de Viena (1815) – multilaterais;
No passado era comum que os tratados se tornassem obrigatórios apenas com um ato do
soberano x necessidade de controlar os representantes – ratificação – confirmação
posterior;
Normas internacionais eram costumes até o século XX;
Competência das Organizações Internacionais para concluir tratados, também no século XX
(1986);
Condições de validade
Do artigo 46 a 53 da Convenção de Viena de 1969 (capacidade das partes, habilitação dos
seus agentes, de um objeto lícito e possível, do consentimento regular e das condições de
validade dos negócios jurídicos);
Podem celebrar tratados: Estados e as organizações internacionais;
Santa Sé, os beligerantes, os insurgentes, os blocos regionais e o Comitê Internacional da
Cruz Vermelha;
CF – União é ente federativo responsável pela conclusão de tratados – a pessoa jurídica de
Direito Internacional Público no Brasil é a República Federativa do Brasil, cabendo a União
(PJ de direito interno, representar o Estado nas relações internacionais);
Autoridade competente para celebrar tratados em nome do Brasil – PRESIDENTE (CD, 84, VII
E VII);
Condições de validade
Organizações Internacionais – só podem celebrar acordos relacionados com seus objetivos;
Podem celebrar contra a vontade dos Estados, podem celebrar com seus proprios membros,
com terceiros Estados ou com organismos internacionais;
Santa Sé, os beligerantes, os insurgentes, os blocos regionais e o Comitê Internacional da Cruz
Vermelha por meio dos órgãos aos quais atribuem competência para tal;
Condições de validade
Alemanha e Suíça permitem que as entidades subnacionais concluam tratados – Brasil segue a
regra internacional;
Atualmente cabe a União: “manter relações com Estados Estrangeiros e participar de organizações
internacionais” e, portanto, concluir tratados no Brasil, nos termos do art. 21, I, da CF;
Portanto, quando um tratado for de interesse de uma unidade da federação, cabe ao ente
interessado convencer o Governo Federal a concluir o acordo que atenda a seu pleito;
Treaty making power – poder de celebrar tratados (não basta que se tenha capacidade);
[Link]
Condições de validade _conteudo/economia/2019/06/687390-
rio-grande-do-sul-quer-ser-porta-de-
[Link]
Condições de validade – habilitação dos agentes
• SEÇÃO 1
• Conclusão de Tratados
• Artigo 6
• Capacidade dos Estados para Concluir Tratados
Todo Estado tem capacidade para concluir tratados.
• Artigo 7
• Plenos Poderes
• 1. Uma pessoa é considerada representante de um Estado para a adoção ou autenticação do texto de um tratado ou para expressar o
consentimento do Estado em obrigar-se por um tratado se:
• a)apresentar plenos poderes apropriados; ou
• b)a prática dos Estados interessados ou outras circunstâncias indicarem que a intenção do Estado era considerar essa pessoa seu
representante para esses fins e dispensar os plenos poderes.
• 2. Em virtude de suas funções e independentemente da apresentação de plenos poderes, são considerados representantes do seu Estado:
• a)os Chefes de Estado, os Chefes de Governo e os Ministros das Relações Exteriores, para a realização de todos os atos relativos à
conclusão de um tratado;
• b)os Chefes de missão diplomática, para a adoção do texto de um tratado entre o Estado acreditante e o Estado junto ao qual estão
acreditados;
• c)os representantes acreditados pelos Estados perante uma conferência ou organização internacional ou um de seus órgãos, para a adoção
do texto de um tratado em tal conferência, organização ou órgão.
Carta de plenos poderes
O fato de o agente estatal não incorporar nenhuma dessas funções não o exclui da possibilidade
de concluir tratados em nome de seu Estado, bastando que esteja investido de plenos poderes
para tal pelo ente estatal que representa ou ainda, outras circunstâncias indiquem ser aquele
funcionário representante do Estado;
Carta de plenos poderes – expedida pela autoridade competente de um Estado (Presidente da
República pode delegar poderes);
Questão 1
Acerca do direito dos tratados internacionais, como regido pela Convenção de Viena sobre o Direito dos
Tratados de 1969, assinale a opção correta:
a. necessidade de forma escrita está expressa na definição de tratado presente
na Convenção de Viena.
b. Na regra geral de interpretação dos tratados, está previsto o recurso aos
trabalhos preparatórios.
c. A mudança fundamental de circunstâncias é causa de nulidade de um tratado.
d. O rompimento de relações diplomáticas gera, por si só, a suspensão da
execução de um tratado.
e. A adesão somente é possível quando expressamente disposta no tratado.
Questão 1
Acerca do direito dos tratados internacionais, como regido pela Convenção de Viena sobre o Direito dos
Tratados de 1969, assinale a opção correta:
a) A necessidade de forma escrita está expressa na definição de tratado presente na Convenção de Viena. Verdadeiro. Por
quê? Vejam o teor do art. 2º, 1) a, da Convenção de Viena, verbis: “Artigo 2.º Definições 1 - Para os fins da presente Convenção:
a) «Tratado» designa um acordo internacional concluído por escrito entre Estados e regido pelo direito internacional, quer esteja
consignado num instrumento único, quer em dois ou mais instrumentos conexos, e qualquer que seja a sua denominação
particular;”
b) Na regra geral de interpretação dos tratados, está previsto o recurso aos trabalhos preparatórios. Falso. Por quê? Vejam o
teor do art. 32 da Convenção de Viena, verbis: “Artigo 32.º Meios complementares de interpretação Pode-se recorrer a meios
complementares de interpretação, designadamente aos trabalhos preparatórios e às circunstâncias em que foi concluído o
tratado, com vista a confirmar o sentido resultante da aplicação do artigo 31.º, ou a determinar o sentido quando a interpretação
dada em conformidade com o artigo 31.º: a) Deixe o sentido ambíguo ou obscuro; ou b) Conduza a um resultado manifestamente
absurdo ou incoerente.”
c) A mudança fundamental de circunstâncias é causa de nulidade de um tratado. Falso. Por quê? Vejam o teor do art. 62º, 1, da
Convenção de Viena, verbis: “Artigo 62.º Alteração fundamental das circunstâncias 1 - Uma alteração fundamental das
circunstâncias relativamente às que existiam no momento da conclusão de um tratado e que não fora prevista pelas Partes não
pode ser invocada como motivo para fazer cessar a vigência de um tratado ou para dele se retirar, salvo se: a) A existência
dessas circunstâncias tiver constituído uma base essencial do consentimento das Partes em ficarem vinculadas pelo tratado; e b)
Essa alteração tiver por efeito a modificação radical da natureza das obrigações assumidas no tratado.”
d) O rompimento de relações diplomáticas gera, por si só, a suspensão da execução de um tratado. Falso. Por quê? Vejam o
teor do art. 63 da Convenção de Viena, verbis: “Artigo 63.º Ruptura de relações diplomáticas ou consulares A ruptura de relações
diplomáticas ou consulares entre as Partes num tratado não produz efeitos nas relações jurídicas entre elas estabelecidas pelo
tratado, salvo na medida em que a existência de relações diplomáticas ou consulares seja indispensável à aplicação do tratado.”
e) A adesão somente é possível quando expressamente disposta no tratado. Falso. Por quê? Vejam o teor do art. 83 da
Convenção de Viena, verbis: “Artigo 83.º Adesão A presente Convenção está aberta à adesão de todos os Estados pertencentes
a qualquer das categorias mencionadas no artigo 81.º Os instrumentos de adesão serão depositados junto do SecretárioGeral
das Nações Unidas.
Agentes habilitados e vícios de consentimento
AGENTES HABILITADOS
Chefe de Estado;
Chefe de Governo;
Ministro das Relações Exteriores;
Embaixadores: para tratados celebrados com o Estado junto ao qual estão creditados;
Embaixadores (chefes de missões permanentes) junto a organismos internacionais: para tratados concluídos com o organismo
internacional junto ao qual atuam;
Representantes acreditados pelo Estado
Qualquer outro indivíduo, com a devida Carta de Plenos Poderes;
ERRO
DOLO
COAÇÃO DO ESTADO OU DO SEU REPRESENTANTE
CORRUPÇÃO DO REPRESENTANTE DO ESTADO
Processo de elaboração dos tratados
Compete a cada Estado definir qual é o melhor procedimento;
Em regra, a entrada em vigor ocorre em momentos distintos no âmbito internacional e no âmbito
interno;
1º momento em vigor no cenário internacional;
2º torna-se exigível no plano interno dos Estados, o que ocorre quando o ato internacional é
incorporado ao ordenamento doméstico;
Exceção a regra: Direito Comunitário – aplicabilidade imediata;
Processo de elaboração dos tratados
• Primeira fase: Negociações preliminares – culmina com a assinatura pelo Presidente da
República , que celebra os tratados, prerrogativa que é da sua competência privativa (delegação
para os aptos – Ministro das RE, plenipotenciários – através de Carta de Plenos Poderes) - (art.
84, VIII)
• Segunda fase: “Ad Referendum” do Congresso Nacional - o Congresso Nacional aprova o
tratado celebrado pelo Presidente da República através de decreto legislativo, devidamente
promulgado pelo Senado e publicado (esse decreto não contém uma ordem de execução). (art.
49, I)
• Assinatura – impede que o texto seja alterado unilateralmente;
• Terceira fase: Ratificação pelo Presidente da República, que promulga decreto contendo
a ordem de execução do tratado, que deverá ser aplicado de forma geral e obrigatória em todo
o território nacional. Essa competência para ratificar é exclusiva.
• Quarta fase: Registro e publicidade