NUTRIÇÃO, DIETÉTICA E EDUCAÇÃO
NUTRICIONAL
Webconferência IV
Professor(a): Daniela
Aquino
@daniaquino_nutricionista
O ESTUDO DA EDUCAÇÃO NUTRICIONAL
• Educação Alimentar e Nutricional (EAN)
• Correlação entre a educação e a nutrição
• Planejando ações de EAN
• Áreas de atuação do nutricionista em EAN
FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO
• As práticas de Educação Alimentar e Nutricional precisam estar em sintonia
com a realidade do indivíduo e da sua comunidade.
• Para tanto, um dos pilares para a compreensão do conceito de EAN é o
conhecimento de princípios e conceitos gerais da Educação.
• Este conhecimento, alinhado aos conhecimentos teóricos da nutrição,
formará a base para o profissional planejar e executar as ações de EAN.
CONCEITOS GERAIS DA EDUCAÇÃO
• A educação é um campo de conhecimento que abrange saberes de
inúmeras áreas.
• Ela representa tudo que pode ser feito para desenvolver o ser humano e,
no sentido mais estrito do conceito, representa a instrução e o
desenvolvimento de competências e habilidades.
• A educação no Brasil é um direito constitucional. Conforme a Lei no 9.394
de 20 de dezembro de 1996.
CONCEITOS GERAIS DA EDUCAÇÃO
• A educação é um dever da família e do Estado.
• Finalidade: desenvolvimento pleno do educando, seu preparo para o
exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
• A finalidade histórica da educação é tornar o ser humano “desejável” para
determinada sociedade.
• Isso quer dizer que a educação busca promover mudanças nos indivíduos
para o desenvolvimento do sujeito e da sociedade como um todo.
CONCEITOS GERAIS DA EDUCAÇÃO
• A educação é exercida além do ambiente escolar (da educação infantil à
pós-graduação).
• Essa é a educação informal sem a obtenção de graus ou títulos. Essa forma
de educar está presente nos processos cotidianos sociais, seja com a
família, no trabalho, nos círculos sociais ou em meios afetivos.
• As palavras “educação” e “ensino”, embora muitas vezes sejam aplicadas
como sinônimos, não o são. A principal diferença entre os dois termos é
que o ensino assume um significado de transferência/repasse de
conhecimentos, enquanto a educação abrange um conjunto de hábitos e
valores.
A EDUCAÇÃO ALIMENTAR E NUTRICIONAL
• A alimentação abrange aspectos não somente biológicos e fisiológicos, mas
também sociais, afetivos e culturais.
• Portanto, ao mesmo tempo em que é necessário reconhecer a
reponsabilidade global que temos sobre a alimentação, não podemos
perder as raízes locais dos nossos hábitos e culturas alimentares.
• A alimentação atual trouxe muitas inovações, principalmente relacionadas
ao processo de industrialização. No entanto, esse tipo de alimento não
pode substituir a riqueza dos alimentos nativos e tradicionais de cada
comunidade.
A alimentação pode ser avaliada sob várias perspectivas, ao mesmo
tempo independentes e complementares:
• A perspectiva econômica, na qual a relação entre a oferta e a demanda, o
abastecimento, os preços dos alimentos e a renda das famílias são os
principais componentes;
• A perspectiva nutricional, com enfoque nos constituintes dos alimentos,
indispensáveis à saúde e ao bem-estar do indivíduo (macro e
micronutrientes), nas carências e nas relações entre dieta e doença;
• A perspectiva social, voltada para as associações entre a alimentação e a
organização social do trabalho, a diferenciação social do consumo, os ritmos
e estilos de vida;
• A perspectiva cultural, interessada nos gostos, hábitos, tradições culinárias,
representações, práticas, preferências, ritos e tabus, isto é, no aspecto
simbólico da alimentação.
• A educação alimentar e nutricional pretende que se adotem
comportamentos que melhorem a saúde através de uma série de
experiências complementares de aprendizagem, modificando estes
comportamentos e os determinantes que atuam sobre eles.
Planejamento de ações de Educação
Alimentar e Nutricional
1. Planejamento: elementos básicos, plano de ensino, elaboração
2. Conceitos do plano de ensino
3. Áreas de atuação do nutricionista em EAN
4. Avaliação do processo ensino-aprendizagem
5. Como aplicar os tipos de avaliação em EAN
1. Planejamento: elementos básicos, plano de
ensino, elaboração
• Planejar em educação de um sentido amplo, prevendo que as ações educativas possam permear o
processo de ensino-aprendizagem, verificar as condições em que elas se estabelecem, físicas, sociais e
conjunturais, antecipando problemas que possam ocorrer, tentando buscar alternativas para eles.
• Além de um contexto educacional no ambiente escolar, devemos adaptar e planejar as ações de EAN a
outros contextos pertinentes as demais áreas de atuação dos nutricionistas, sempre com foco nos direitos
humanos, entre eles a alimentação como direito básico.
• E ainda essas ações sempre serão pautadas na pedagogia, utilizando ferramentas e conceitos
provenientes desde campo de conhecimento, a educação.
Devemos elaborar este plano de
ensino
• Articulando as metas aos objetivos, os fundamentos, os conteúdos e as estratégias
metodológicas, considerando os contextos comunitário e escolar, as condições e o
clima, os sujeitos envolvidos, a qualidade, a habilidade e as experiências dos educadores
(as) e o processo de avaliação e acompanhamento.
2. Conceitos de Plano de ensino
• Principiamos, então, nossa incursão pelos objetivos: ter em mente quais os objetivos que gostaríamos de
atingir com uma ação educacional.
• Enquanto objetivos, devemos ter em mente que eles devem ser claros, levar a uma condução e finalização
de assuntos e cumprir etapas no processo de educação.
• A fundamentação pode nos ajudar a justificar nossos objetivos, já que nos traz as bases para as ações
educacionais. A ciência e seus estudos podem nos amparar na fundamentação dos nossos objetivos,
assim como os documentos norteadores assim o fazem.
• Os conteúdos têm profunda ligação com a fundamentação. É nos conteúdos que buscamos os conceitos
que fundamentam nossos objetivos.
• Relacionar esses conteúdos e fundamentações aos saberes populares deve ser uma preocupação das
metodologias da problematização.
2.1 Planejando ações de EAN
• Ao realizar o planejamento das ações de EAN, baseadas na elaboração de um plano de ensino, cabe
relacionar algumas questões importantes. Uma visão crítica da educação e dos assuntos que por ela serão
abordados pode favorecer a construção de ações de emancipação.
• Quando falamos em emancipação ligada aos conceitos de educação, estamos falando no conceito que
transforma, que torna o indivíduo independente e capacitado para tomar decisões e discernir sobre os
diversos aspectos de sua existência.
2.2 Elaboração do plano de ensino
Alguns pontos são fundamentais neste estabelecimento:
• Visão crítica, visão política da educação, ética e cultura democrática, universalidade de conceitos,
possibilidade de uso de metodologias e ações múltiplas, definições de metodologias e materiais de
acordo com a fase de ensino, promoção do diálogo, localização histórica, com vistas na interrelação entre
passado, presente e futuro, e por fim, contemplar as instâncias de sensibilização, problematização,
construção coletiva e acompanhamento sistêmico dos processos educacionais em suas duas faces
(professor e estudante).
• Em termos práticos, não existem modelos prontos para elaboração de um plano de ensino para EAN, mas
o uso de exemplo de planos de educação básica e um passo-a-passo baseado em conceitos podem
auxiliar em sua elaboração.
3. Áreas de atuação do nutricionista em EAN
• A EAN é considerada um recurso terapêutico que integra um processo de cuidado e cura dos
agravos.
• Sendo as ações de responsabilidade das diferentes categorias profissionais, das mais diferentes
áreas, tais como:
Saúde
Assistência social
Segurança alimentar e nutricional,
Educação
Agricultura
desenvolvimento agrário
Abastecimento
Meio ambiente
Esporte e lazer
Trabalho e cultura.
COMUNIDADE ESCOLAR
• Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
• Centros colaboradores de alimentação e nutrição escolar (CECANEs).
FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS MULTIPLICADORES DA EAN
• A EAN é desenvolvida é abordada nos cursos de graduação em Nutrição.
• Ela também se faz presente em programas de pós-graduação e projetos de extensão como área de
pesquisa.
• No entanto, por ser um campo intersetorial e multidisciplinar, outros profissionais podem e devem se
envolver nas ações e terem acesso a programas de formação e educação continuada que abordem a
temática.
Formação de multiplicadores em EAN
• O processo de formação dos profissionais objetiva dar suporte técnico sobre os temas relacionados à
educação alimentar e nutricional aos atores sociais que possam ser multiplicadores desses conceitos.
• Entre os temas possíveis de serem abordados, encontram-se transição alimentar e nutricional, grupos
alimentares, alimentação saudável, estilos de vida saudáveis, atividade física, cultura alimentar, alimentos
industrializados, hortas escolares, segurança alimentar e nutricional.
• A abordagem dessas temáticas tem como objetivo instrumentalizar os envolvidos para que possam
desenvolver ações e estratégias para a sua abordagem no ambiente escolar.
CONTEÚDOS A SEREM TRABALHADOS
O direito humano à alimentação adequada (DHAA)
Segurança alimentar e nutricional (SAN)
Saúde
Meio ambiente
Sustentabilidade
Alimentação saudável e cultura
Técnica dietética e culinária
Alimentação como ferramenta pedagógica
4. Avaliação do processo de ensino-aprendizagem
• A avaliação na educação fundamenta as ações que estão sendo realizadas, além de ter forte
correlação com os objetivos estabelecidos para as atividades. É a partir da avaliação que
podemos perceber se as escolhas metodológicas para os objetivos traçados estão cumprindo a
sua função e se as relações educacionais estão se estabelecendo.
• A partir desta verificação, podem ser mantidos os mesmos métodos ou ainda realizar a
adaptação do conteúdo a outro método, inclusive através da escuta ativa e avaliação dos
próprios atores sociais/estudantes.
4.1 Conceitos pedagógicos de avaliação de ações
• A avaliação dos processos de ensino-aprendizagem são fatores bilaterais, eles avaliam os
objetivos propostos. Logo, os estudantes ou atores sociais são avaliados, além das metodologias
escolhidas, observando se estão sendo bem aceitas por eles, e verificam a eficácia do uso dos
elementos didáticos por parte do profissional educador.
• Elementos didáticos, práticas pedagógicas e plano de ensino caminham lado a lado neste
momento, pois servirão de base para interpretar os resultados das avaliações.
• Quanto mais ampla se der a avaliação, melhores os ajustes que podem ser feitos.
5 Como aplicar os tipos de avaliação em EAN
• O principal objetivo das avaliações em educação nutricional é a revisão dos métodos e os
objetivos para melhorias nas próximas atividades
• Diferente das avaliações em educação, elas não pretendem verificar quantitativa ou
qualitativamente o grau de aprendizagem dos atores sociais, mas passam por essa percepção
durante o processo.
• As modificações na qualidade de vida da população, o engajamento dos atores sociais nas
demais ações, e a adoção voluntária a práticas alimentares saudáveis e adequadas são os frutos
da avaliação das ações de EAN.
• Boa parte deste resultado pode ser obtido através de acompanhamento da saúde nutricional,
ou seja, avaliação do estado nutricional, antes e depois do início das ações.
Elaboração de materiais educativos
• Parte do trabalho educacional relacionado à EAN é a elaboração de materiais educativos. Eles tanto
podem ser utilizados nas próprias atividades quanto podem fornecer aprofundamento para os atores
sociais e estudantes nos assuntos relativos à alimentação e nutrição.
• Lembrando que a linguagem utilizada pode tanto favorecer quanto dificultar o acesso ao conhecimento.
Termos técnicos em abundância, dados sem contextualização, falta de objetividade ou clareza com o que
se pretende comunicar podem ser fatores decisivos na recepção deste material posteriormente.