SLAM
O QUE É?
Ume Avelino da Paz Vieira
9ºs anos – ano 2024
Profª Osmary
Na batalha de poesia, a palavra, a criatividade, a sonoridade e as formas de expressão são protagonistas
Declamar poesia é expressar os sentimentos da forma
mais genuína possível.
O processo é composto pela sonoridade das palavras,
ritmo e rima. E quando essa ação vai para as ruas, une
grupos e envolve uma competição, é chamada de slam.
O termo, derivado do inglês, quer dizer batida - algo
semelhante a uma pancada. E, apesar do foco ser a escrita,
os participantes não se baseiam em clássicos da literatura,
mas reivindicam a visibilidade e poder para corpos
historicamente deixados à margem.
Apesar da fala ser o
elemento de destaque, a escuta
não pode ser deixada de lado.
"Ouvir também é uma
forma de se alimentar e
estimular a criatividade. Isso
tem a ver com reconhecer a
história de diferentes pessoas e
captar o que estão te dizendo",
explica a poeta Mel Duarte,
uma das fundadoras do Slam
das Minas SP.
COMO COMEÇOU?
A prática não é recente.
Na verdade, tudo começou em Chicago na
década de 1980 com o poeta Mark Smith - que
organizava saraus pelas ruas da cidade. Até que ele
teve a ideia de criar uma competição de poesia
envolvendo prêmios.
Há, portanto, algumas regras: são três minutos
para declamar o poema, que não pode ser
acompanhado de figurino ou música.
No entanto, as
performances corporal e de
voz do
poeta/poetisa são fundament
ais
"Quem brilha é a palavra. É preciso procurar formas
de brincar com elas", diz Mel.
"Para isso dar certo, é preciso ensaiar para não
perder nota. Também é necessário aprender a lidar
com o público e a própria competição. Às vezes, você
se mata para escrever um texto muito legal e te dão
nota seis. É muito doido esse processo."
SLAM NO BRASIL
No Brasil, o SLAM foi introduzido por Roberta
Estrela D'Alva, que fundou a Zona Autônoma da
Palavra (ZAP!), primeira batalha de poesia do país, depois
de ter conquistado o terceiro lugar na 8.ª Copa do
Mundo de Slam, em Paris, no ano de 2011.
Como o SLAM pode ajudar a
popularizar a literatura e a poesia?
O SLAM trabalha na linha de frente. Há o SLAM escolar ,
por exemplo, uma iniciativa de São Paulo que já reúne mais de
100 escolas públicas.
A popularidade das batalhas se deu por conta das redes
sociais.
A galera acha legal porque é diferente, dinâmico, rápido e
tem uma movimentação que foge dos textos padrões.
Assim, eles passam a se interessar pela escrita e pela
leitura porque percebem que podem fazer arte a partir de
suas próprias vivências.
O slam é sobre fala, expressão e sobre
ritmo. Como a escuta entra nesse processo?
A escuta é o elemento principal. A gente parte da escuta
para poder falar. Na hora que você está declamando, quer
silêncio e atenção. Então, quando a outra pessoa fala, ouve o
que ela tem a dizer.
E o ouvir também é uma forma de se alimentar e
estimular a criatividade. Isso tem a ver com reconhecer a
história de diferentes pessoas e captar o que estão te
dizendo.
Se você é está um pouco indiferente ao mundo, o SLAM
é um ótimo lugar para praticar a escuta. Muitas pessoas
nesse fluxo que só vão para ouvir e aprender.
Me lembro uma vez
que estava num sarau
do Grajaú e aí chegaram
duas meninas brancas
que não costumavam
frequentar aquele
espaço. Enquanto elas
estavam ali, o Criolo
chegou e elas
perguntaram: "o que
você está fazendo
aqui?".
E ele respondeu: "Vim
aprender."
De que forma o Slam pode impulsionar
o empoderamento pessoal e de grupos?
Percebi que frequentar esses espaços de fala me deu
muito mais força para me posicionar em outros lugares,
como no trabalho e no dia a dia.
Falar sobre as inquietações muda a nossa vida. Isso fez
com que eu aliviasse as inseguranças na hora de realizar
uma entrevista de emprego ou apresentar um projeto, por
exemplo.
E quando fazemos coisas em coletivo é muito
mais fácil conseguir tirar ideias do papel. É possível
pensar em pequenas ações para que a gente possa nos
promover enquanto profissionais e seres humanos.
Sinto que o SLAM ajudou muitas comunidades,
principalmente a galera da quebrada, a se fortalecer, a
escrever projetos, a entender que poderia viajar para
fazer poesia e se conectar com outras pessoas.
E isso, dentro da produção cultural, deu um gás
muito grande para todos.
3 grupos de slam para conhecer
• Slam das Minas SP - onde apenas mulheres
podem batalhar
• Slam Interescolar - é espaço para expressão de
estudantes de 11 a 17 anos
• Slam Marginália - onde apenas travestis, pessoas
trans e gênero-dissidentes podem batalhar
[Link]
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