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Análise das Operações de Determinação

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OPERAÇÕES DE

DETERMINAÇÃO
Introdução
O trabalho tem como objetivo apresentar uma análise detalhada das operações de
determinação, com ênfase no papel da determinação nominal na estruturação
aspectual das predicações.
Inicialmente, abordam-se as características e os principais níveis de representação
envolvidos nas operações de determinação, destacando a relação entre as operações
de quantificação e qualificação. Em seguida, explora-se a tipologia dos nomes
proposta pela Teoria Formal Enunciativa, que distingue categorias como discretos,
densos e compactos.
Na segunda parte, o foco é direcionado para a noção de objeto e seu impacto na
caracterização aspectual das predicações. São apresentados os diferentes estatutos
que o objeto pode assumir (especificador, delimitador e quantificador) e como eles se
relacionam com a determinação nominal e a estruturação temporal interna das
eventualidades.
Ao final, são tecidas considerações sobre a relevância desta abordagem para uma
compreensão mais abrangente dos fenômenos linguísticos envolvidos na
determinação e na interface entre sintaxe, semântica e pragmática.
Objectivos:
• Geral:Compreender às operações de determinação nominal.
• Específicos:
1. Conceituar às operações de determinação
2. Caracterízar os níveis de representação envolvidos nas
operações de determinação, destacando a relação entre
quantificação e qualificação.
3. Identificar às operações de determinação.
4. Descrever as tipologias e topologias na representação nominal.
5. Caracterízar a noção do objecto.
6. Conhecer o papel da determinação nominal.
Metodologia Aplicada:
• Este trabalho consistiu em uma pesquisa bibliográfica
sobre as operações de determinação. Usamos uma
estratégia de abordagem mais qualitativa para a
construção do conteúdo.
Operações de Determinação
• Segundo a Gramática da Língua Portuguesa ( apud. Correia,
2002, p. 2 ) , “a determinação é entendida como um conjunto
de processos de natureza semântico-pragmática que constroem
o valor referencial de uma dada ocorrência de um nominal”.
• É um conjunto de processos de natureza semântico-pragmática
porque envolve a: a semântica e pragmática.
• A determinação não se limita à enumeração dos determinantes
morfológicos. Ela constrói o valor referencial, ou seja, o modo
como um nome é interpretado em contexto. Isso implica que a
determinação vai além da simples classificação morfológica dos
determinantes. Envolve processos mais complexos de
construção de sentido.
Características das Operações
de Determinação
As operações de determinação incidem sobre noções gramaticais
ou predicativas (Correia, 2002).
A determinação não se limita a elementos concretos como os
determinantes morfológicos. Ela envolve operações abstratas,
relacionadas a processos cognitivos e representacionais.
A determinação não actua directamente sobre os nomes, mas
sobre as noções gramaticais ou predicativas subjacentes.
As noções gramaticais ou predicativas referem-se a conceitos
básicos como número, gênero, etc. (Culioli, apud Correia, 2002).
• As noções predicativas referem-se aos conceitos semânticos
expressos por predicados verbais ou nominais.
[ Continuação]
• Segundo Culioli (apud. Correia, 2002), a determinação
envolve uma operação fundamental chamada “localização
abstrata” (repérage). Essa operação consiste em
estabelecer uma relação binária entre dois elementos:
• O termo localizador (repère): é o elemento que serve
como referência, ponto de ancoragem ou ponto de vista a
partir do qual a determinação é realizada.
• O Termo localizado (repéré): é o elemento que é
posicionado, situado ou localizado em relação ao termo
localizador.
• Exemplo: A cobra está no Jardim.
Identificação das Operações de
Determinação:
Conforme proposto por Grize (apud. Correia, 2002, p. 1), a Teoria
Formal Enunciativa da determinação envolve um conjunto de
operações abstratas que atuam em diferentes níveis de
representação. Uma das distinções importantes feitas nessa
abordagem é entre determinação direta e determinação indireta:
• Determinação directa: Ocorre quando a determinação incide
diretamente sobre o determinante morfológico, como em “O gato”,
onde o artigo “o” determina o nome “gato”.
• Determinação indirecta: Acontece quando a determinação não se
dá diretamente sobre o determinante, mas sobre uma parte do
enunciado que acaba “determinando” o nome de forma indireta,
como em “O que esse rapaz fuma!”, onde a determinação do nome
“rapaz” não se dá pelo artigo “o”, mas pelo restante do enunciado.
Níveis de representação das
operações de de determinação
Segundo Culioli (apud. Correia, 2002, p. 1-2), a determinação
é analisada a partir de três níveis de representação:
#Nível nocional: Refere-se às noções gramaticais e
predicativas subjacentes, como número, gênero,
quantificação, etc.
#Nível linguístico ou dos textos: Diz respeito à
materialização linguística, aos elementos morfossintáticos
que expressam a determinação.
#Nível metalinguístico: Envolve os processos de
construção e representação mental envolvidos na
determinação.
Quantificação e Qualificação em
Sintagmas Nominais
Segundo Grize (apud. Correia, 2002), um aspecto
fundamental da determinação é a associação entre as
operações de quantificação e qualificação:

→Quantificação (Qnt): Diz respeito à dimensão numérica


ou de quantidade.
# Exemplo: “Hoje comi muitos bolos”.
→Qualificação (Qlt): Diz respeito à dimensão qualitativa,
de caracterização ou especificação.
#Exemplo: “O que este rapaz come!”.
[ Continuação]
A determinação nominal envolve a associação entre
quantificação e qualificação.
No âmbito dos sintagmas nominais, a determinação
constrói um operador complexo de quantidade e
qualidade das noções.
• A predominância de quantificação ou qualificação
depende do contexto e a determinação nominal envolve
uma relação entre quantificação e qualificação, cuja
prevalência depende do contexto.
Tipologias e Topologias na
Representação Nominal
Segundo Culioli (apud Correia, 2002), os nomes podem ser
classificados em três categorias principais: discretos, densos e
compactos:

•Nomes Discreto: Formatados intrinsecamente, permitindo


enumeração (ex: “mesa”, “rapaz”, “cobra”)
- Predominância de quantificação sobre qualificação (ex: “Vi uma
cobra no jardim”.
•Nomes Denso:
→Não se deixam enumerar directamente (ex: “água”, “açúcar”).
→Porém aceitam discretizadores com nomes discretos (ex: “uma
garrafa de água”, “dois quilos de açúcar”.
→Formatação extrínseca, ligada a parâmetros espaciais e temporais.
[ Continuação]
• Nomes Compacto:
• →Não admitem enumeração direta ou indireta.
• →Definidos topologicamente como zona fechada, sem
individualização de referentes.
• →Neutralidade entre quantificação e qualificação (ex:
“felicidade”, “tristeza”.
→Exceção: aceitam discretizadores com traços de
intensidade (ex: “um acesso de tristeza”).
[ continuação]
A natureza semântica dos nomes compactos impede sua enumeração directa.
Diferentemente dos nomes discretos (como “gato”) ou densos (como “água”), os
compactos não se definem em relação a características físicas ou a uma formatação
que permita a identificação de “exemplares” distintos.
Conceitos como tristeza, alegria ou felicidade não podem ser reconhecidos e
validados como “verdadeiras” instâncias, da mesma forma que reconhecemos um
“verdadeiro gato” ou a “verdadeira água”. Portanto, os nomes compactos se
caracterizam por uma neutralidade entre quantificação e qualificação.
• Apesar de não permitirem qualquer tipo de enumeração, Culioli ( apud. Correia,
2002) aponta uma exceção para os nomes compactos. Eles admitem um tipo de
discretizador oposto daquele utilizado pela categoria dos densos, caracterizando-se
por conter traços de intensidade. Assim, é possível dizer “Tive um acesso de tristeza
quando soube a nota” ou “Senti uma enorme alegria quando encontrei a Maria”. No
entanto, é impossível afirmar “Tive duas tristezas quando soube a nota”, “Tive três
alegrias quando encontrei a Maria”, “Senti dois quilos de alegria quando encontrei a
Maria” ou “Senti dois sacos de tristeza quando soube a nota”.
Características da Noção de
Objecto
• Segundo Pereira & Cunha (2009), a noção de objecto
não pode ser definida de forma simplista com base em
critérios exclusivamente lexicais, semânticos ou
sintáticos. A autora defende uma concepção escalar da
transitividade, em que o objecto é identificado a partir
de um conjunto multidimensional de propriedades
prototípicas.
Tipos de Objectos
• Objecto Especificador: actualiza um elemento indiferenciado
da classe de instanciáveis, sem contribuir para a delimitação
aspectual da predicação. Tipicamente associado à determinação
zero no Português. Por exemplo: “João estuda matemática todos
os dias.”
• Objecto Delimitador: Estabelece uma relação localizadora de
construção e especificação, promovendo a formatação discreta da
eventualidade. Geralmente associado à determinação definida.
Por exemplo: “João leu o livro.”
• Objecto Quantificador: Promove a singularização e
discernibilidade, contribuindo para a formatação discreta, mas
sem licenciar um estado resultante. Associado à determinação
indefinida. Por exemplo: “João leu um livro.”
Papel da Determinação Nominal
• Pereira & Cunha (2009) demonstram que as
propriedades referenciais do objeto e o tipo de
determinação nominal associado impactam
decisivamente a estruturação aspectual da predicação.
• A presença e as características do objeto condicionam a
existência de um “telos nocional” (ponto terminal
inerente à relação predicativa), distinto do “telos
enunciativo” (construído externamente por operações
temporais, aspectuais e quantificacionais).
[ Continuação]
• A presença e as características do objeto condicionam a
existência de um “telos nocional” (ponto terminal
inerente à relação predicativa), distinto do “telos
enunciativo” (construído externamente por operações
temporais, aspectuais e quantificacionais).
Tipos de Objetos e
Determinação Nominal:
• Objecto Delimitador (determinação definida): Licencia a
construção de um estado resultante.
#Exemplo: “A Paxumen leu o livro.”
• Objecto Quantificador (determinação indefinida):
Promove a formatação discreta, mas não concretiza um
estado resultante.
#Exemplo: “O João leu um livro.”
• Objecto Especificador (determinação zero): Configura a
formatação densa, dependendo de determinações externas
para estabilização enunciativa.
• #Exemplo: “João estuda matemática.”
Conclusão
A análise das operações de determinação nominal, conforme abordado neste trabalho,
evidencia a complexidade e a relevância dessas operações na estruturação aspectual
das predicações. Assim, foi possível entender que a determinação não apenas constrói o
valor referencial dos nomes, mas também desempenha um papel essencial na
construção de significados nas interações linguísticas.
As diferentes tipologias de objetos — especificador, delimitador e quantificador —
demonstram como as variadas formas de determinação influenciam a interpretação de
eventos, ressaltando a importância da seleção dos determinantes no discurso. A
habilidade de individualizar, generalizar ou particularizar referentes possui implicações
diretas na comunicação cotidiana, permitindo-nos expressar e compreender nuances de
significado.
A compreensão dessas dinâmicas é crucial em diversos contextos, como na educação,
onde professores podem aplicar esses conceitos para ensinar a língua de maneira mais
eficaz. Além disso, na área da tradução, essa análise auxilia os tradutores a captar as
sutilezas do significado e a transmitir com precisão a intenção do autor.
A semântica do objeto e a determinação nominal também encontram aplicações práticas
em áreas como publicidade e marketing, onde a escolha de palavras e a apresentação de
produtos podem influenciar a percepção do consumidor. Por exemplo, o uso de

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