Textos da Literatura
Portuguesa
Textos literários analisados em aula
Mariana Leite: msleite@[Link]
Bernard de Ventadorn
Quan vei la lauzeta mover Quando vejo a cotovia mover D’aisso’s fa be femna parer Nisso faz bem o papel de mulher
de joi sas alas contra ‘l rai, de alegria as asas contra o raio ma domna, per qu’[Link] o retrai: a minha dona, que condeno assaz:
que s’oblid’ e.s laissa chazer que se esquece e se deixa cair car no vol so c’om deu voler, pois não quer o que se deve querer
per la doussor c’al cor li vai, com a doçura que no coração lhe vai e so c’om li deveda, fai. e o que lhe é vedado faz.
ai! tan grans enveia m’en ve ai! tão grande inveja me vem Chazutz sui en mala mercè, Caído sou em sua impiedade
de cui qu’eu veia jauzion! daqueles que vejo andar contentes! e ai be faih co.l fols en pon! e agi pois como o louco na ponte!
Meravilhas ai, car desse E maravilho-me eu como de repente E no sai per que m’es devè, E não sei porque me vou curvado
lo cor de desirer no.m fon. de desejo o meu coração não se funde. mas car trop poiei contra mon. se não por querer subir alto monte.
Merces es perduda, per ver,
Ai, las! tan cuidava saber Ai eu! tanto cuidava saber Piedade está perdida a valer,
e eu non o saubi anc mai,
d’amor, e tan petit en sai! de amor e tão pouco sei! e eu não o soube jamais,
car cilh qui plus en degr’aver,
Car eu d’amar no.m posc tener Pois eu de amar não me posso conter pois aquela que mais a deveria ter
no.n a ges, e on la querrai?
celeis don já pro non aurai. aquela cujo favor nunca terei; Ah! can mal sembla, qui la vè, não a tem; e onde a irei buscar?
tout m’a mo cor, e tout m’a me, tem o meu coração e tem-me todo a mim, qued aquest chaitiu desiron Ah! como pouco parece, a quem a vê,
e se mezeis e tot lo mon! tem-se a si própria e ao mundo inteiro! que já ses leis non aura be, que este cativo amador,
E can se.m tolc, no.m laisset re E quando me tomou nada mais me deixou laisse morrir, que no [Link] que já sem ela não encontrará bem,
mas desirer e cor volon . senão desejo e coração voraz. deixe morrer, sem socorro lhe dar!
Pos ab midons no.m pot valer
Anc non agui de me poder Perdi já eu sobre mim o poder e deixei precs ni merces ni.l dreiz qu’eu ai, Pois com minha dama não me podem
ni no fui meus de l’or’ en sai [de ser meu desde o instante ni a leis no já a plazer [valer preces, nem piedade,
que.m laisset en sos olhs vezer em que me deixou nos seus olhos ver, qu’eu l’am, já mais [Link] o dirai. [nem meu bom direito,
en un miralh que mout me plai. num espelho que me agrada tanto. Aissi.m part de leis e.m recrè! [nem a ela não lhe causa prazer
Miralhs, pos me mirei en te, Espelho, pois me mirei em ti, Mort m’a, e per mort li respon, que eu a ame, jamais lho direi.
m’já mort li sospir de preon, mataram-me os suspiros mais profundos, e vau m’en, pus ilh no.m retè, E assim dela me afasto e me rendo!
c’aissi.m perdei com perdet se que assim me perdi, como se perdeu Chaitius, en issilh, no sai on. Pois me matou, como morto lhe respondo
lo bels Narcisus en la fon. o belo Narciso na fonte. e vou-me daqui, pois ela não me retém,
Tristans, ges no.n auretz de me, cativo, em exílio, não sei onde.
De las domnas me desesper! Das donas me desespero, qu’eu m’en vau, chaitius, no sai on.
Já mais en lor no.m fiarai! não mais nelas me fiarei! de chantar me gic e.m recrè, Tristão, nada mais tereis de mim,
C’aissi com las solh chaptener, Que assim como as usava defender e de joi e d’amor m’escon . pois me vou, cativo, não sei onde;
Enaissi las deschaptenrai; assim as desabonarei; ao cantar volto costas e me rendo assim,
pois vei c’una pro no m’en te pois vejo que nenhuma me auxilia e da alegria e do amor me escondo.
vas leis que.m destroi e.m cofon, junto daquela que me destrói sem razão,
totas las dopt’ e las mescrè, de todas duvido, de todas desconfio,
car be sai c’atretals se son. pois sei bem que todas iguais são. (1170)
Raimbaut de Vaqueiras
Agora, quando os prados, Dauna, io mi rent a bos, Dona, eu dirijo-me a vós
Eras quan vey verdeyar
os bosques e os jardins verdejam, coar sotz la mes bon'e bera Porque sois a melhor e mais bela que
pratz e vergiers e boscatges
quero começar um descordo q'anc fos e gaillard'e pros, jamais existiu e galharda e de valor,
veulh un descort comensar
de amor, porque ando perdido… ab que no.m hossetz tan hera. se não me fosses tão fera…
d'amor, per qu'ieu vauc aratges;
É que uma dona tem-me amado, Mout abetz beras haisos Tendes belas feições
q'una dona.m sol amar,
mas deixou de o fazer, e color hresc'e noera. e cor fresca e nova.
mas camjatz l'es sos coratges,
pelo que faço desacordar Boste son e [Link] agos Sou vosso e, se vos tivesse,
per qu'ieu fauc dezacordar
as palavras, os sons e as linguagens. no.m destrengora hiera. Nada me perturbaria
los motz [Link] sos [Link] lenguatges.
Eu sou aquele que bem não sente Ca tan tem'o vosso preito,
Io son quel que ben non aio
Nem agora, nem jamais tod'eu son escarmentado;
ni jamai non l'averò,
Nem em Abril ou em Maio por vos ei pen'e maltreito
ni per April ni per Maio,
a não ser pelo favor da minha dona.
si per ma donna non l'ò;
Embora não saiba na sua língua é meu corpo lazerado.
certo que en so lengaio
Dizer a sua grande beleza De noit'eu jaç'en meu leito,
sa gran beutà dir non sò,
É mais fresca que flor de gladíolo son muitas vezes penado,
çhu fresca qe flor de glaio,
Por isso, não a abandonarei e ca nunca mi á proveito
per qe no m'en partirò.
falid'é en meu cuidado.
Bela dama, doce e cara
Belle douce dame chiere,
A vós me dou e entrego. «Descort plurilingue», c. 1201
a vos mi doin et m'otroi;
Nunca terei inteira felicidade
je n'avrai mes joi'entiere
Se não vos tiver, e vós a mim.
si je n'ai vos et vos moi.
Fazeis uma guerra infeliz
Mot estes male guerriere
Se eu assim morro, por boa fé!
si je muer per bone foi;
Mas sabei que de maneira nenhuma
mas ja per nulle maniere
Abandonarei o vosso serviço!
no.m partrai de vostre loi.