SRT
Serviço Residencial Terapêutico
RESIDÊNCIAS TERAPÊUTICAS
O Serviço Residencial Terapêutico (SRT) – ou residência terapêutica ou simplesmente
"moradia" – são casas localizadas no espaço urbano, constituídas para responder às
necessidades de moradia de pessoas portadoras de transtornos mentais graves,
institucionalizadas ou não.
O número de usuários pode variar desde 1 indivíduo até um pequeno grupo de no
máximo 8 pessoas, que deverão contar sempre com suporte profissional sensível às
demandas e necessidades de cada um.
O suporte de caráter interdisciplinar (seja o CAPS de referência, seja uma equipe da
atenção básica, sejam outros profissionais) deverá considerar a singularidade de cada um
dos moradores, e não apenas projetos e ações baseadas no coletivo de moradores. O
acompanhamento a um morador deve prosseguir, mesmo que ele mude de endereço ou
eventualmente seja hospitalizado.
O processo de reabilitação psicossocial deve buscar de modo especial a inserção do
usuário na rede de serviços, organizações e relações sociais da comunidade. Ou seja, a
inserção em um SRT é o início de longo processo de reabilitação que deverá buscar a
progressiva inclusão social do morador.
QUEM PODE SE BENEFICIAR?
Portadores de transtornos mentais, egressos de internação psiquiátrica em hospitais
cadastrados no SIH/SUS, que permanecem no hospital por falta de alternativas que
viabilizem sua reinserção no espaço comunitário.
Egressos de internação em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, em
conformidade com decisão judicial (Juízo de Execução Penal).
Pessoas em acompanhamento nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), para as
quais o problema da moradia é identificado, por sua equipe de referência, como
especialmente estratégico no seu projeto terapêutico. Aqui se encontram aquelas
localidades que, a despeito de não possuírem hospitais psiquiátricos, frequentemente
se defrontam com questões ligadas à falta de espaços residenciais para alguns usuários
de serviços de saúde mental.
Moradores de rua com transtornos mentais severos, quando inseridos em projetos
terapêuticos especiais acompanhados nos CAPS.
REGULAMENTAÇÃO DOS SRTs
Lei Federal n.º 10.216/2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de
transtornos mentais, redirecionando o modelo assistencial em saúde mental (especialmente artigo
5º).
Lei n.º 10.708/2003, que institui o auxílio reabilitação para pacientes egressos de internações
psiquiátricas (Programa De Volta Para Casa).
Diretrizes de redução de leitos constantes nas Portarias GM n.º 52 e 53/2004, do Ministério da
Saúde, que estabelecem a redução progressiva de leitos psiquiátricos no País.
Portaria n.º 106/2000, do Ministério da Saúde, que introduz os Serviços Residenciais Terapêuticos
no SUS para egressos de longas internações.
Portaria n.º 1.220/2000, que regulamenta a portaria 106/2000, para fins de cadastro e financiamento
no SIA/SUS.
Observem que existe uma articulação das leis e portarias no sentido de direcionar
recursos e atenção para ações no território, estimulando a inserção e a realização de
cuidados aos portadores de transtorno mental na comunidade.
QUAIS SÃO OS TIPOS DE SRTs EXISTENTES?
▪ → SRT I – O suporte focaliza-se na inserção dos moradores na rede social existente (trabalho, lazer,
educação, etc.). O acompanhamento na residência é realizado conforme recomendado nos programas
terapêuticos individualizados dos moradores e também pelos Agentes Comunitários de Saúde do PSF,
quando h o u v e r. Devem ser desenvolvidas, junto aos moradores, estratégias para obtenção de moradias
definitivas na comunidade. Este é o tipo mais comum de residências, onde é necessário apenas a ajuda de
um cuidador (pessoa que recebe capacitação para este tipo de apoio aos moradores: trabalhador do
CAPS, do PSF, de alguma instituição que faça esse trabalho do cuidado específico ou até de SRTs que já
pagam um trabalhador doméstico de carteira assinada com recursos do De Volta Para Casa).
▪ → SRT II – Em geral, cuidamos de nossos velhos, doentes e/ou dependentes físicos, inclusive com ajuda
de profissionais: o SRT II é a casa dos cuidados substitutivos familiares desta população
institucionalizada, muitas vezes, por uma vida inteira. O suporte focaliza-se na reapropriação do espaço
residencial como moradia e na inserção dos moradores na rede social existente. Constituída para clientela
carente de cuidados intensivos, com monitoramento técnico diário e pessoal auxiliar permanente na
residência, este tipo de SRT pode diferenciar-se em relação ao número de moradores e ao financiamento,
que deve ser compatível com recursos humanos presentes 24h/dia.
QUAL A EQUIPE NECESSÁRIA PARA O ACOMPA N H A M E N T O ?
Devem ser acompanhados pelos CAPS ou ambulatórios especializados
em saúde mental;
equipe de saúde da família (com apoio matricial em saúde mental);
A equipe técnica deve ser compatível com a necessidade dos moradores;
Se aproximar mais de um tipos descritos acima, o cuidador tem uma
tarefa importante na moradia.
COMO É O COTIDIANO NOS SRTs?
Ponto de vista dos usuários: deve-se considerar eventuais inseguranças em deixar o
hospital, via de regra uma referência segura para eles. Há que se montar estratégias que
permitam aos futuros moradores estabelecerem vínculos de confiança com os
profissionais e com a proposta. Há muito o que ser resgatado: histórias, vínculos afetivos
e projetos. É essencial a existência de um ou mais profissionais de referência para cada
morador e o estabelecimento de projeto terapêutico individual. Um longo processo de
reabilitação psicossocial tem início com a ida para o SRT.
Ponto de vista da casa: o SRT não é exatamente uma casa nos moldes convencionais.
Possui características peculiares, pois foi formado a partir de determinada história. Os
profissionais devem evitar imprimir expectativas e anseios próprios do que deveria ser
uma casa ideal para eles. Mas, ao contrário, devem permitir que aflorem hábitos e formas
de ocupar o espaço próprios dos habitantes de um dado SRT. Os riscos de acidentes
domésticos devem ser trabalhados cotidianamente. A realização de tarefas cotidianas é
negociação constante entre necessidade, vontade expressa e disponibilidade, fazendo
parte do processo de reabilitação psicossocial.
Com relação ao grupo: a forma como o grupo de moradores é constituído certamente tem influência
no convívio. É inevitável o surgimento de questões do grupo a serem trabalhadas coletivamente. No
entanto, deve lembrar que os CAPS, ambulatórios e outros recursos comunitários devem ser
privilegiados em relação às moradias como local de tratamento. Ou seja, na casa abordam-se
questões ligadas ao morar. As várias outras questões devem ser trabalhadas em outros espaços.
Suporte solicitado: o acompanhamento terapêutico (AT) é muito utilizado no processo de
reapropriação do espaço urbano e aquisição de autonomia para diversas tarefas. À medida que o
usuário ganha autonomia, em vez de dispensar o suporte, passa a requerer modos mais refinados e
complexos de acompanhamento. A atenção clínica geral pode ser feita por meio do Programa de
Saúde da Família, assim como outros serviços e suportes na comunidade podem e devem ser
utilizados pelos moradores.
AFINAL, O SRT VALE A PENA?
História da residência terapêutica do caps 3
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