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Processos da Memória: Codificação e Recuperação

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PROCESSOS

PSICOLÓGICOS
BÁSICOS
Profa. Ma Flavia Vale
Memória

Normalmente, cada um de nós se lembra de milhões de partes de


informações.

Toda a noção de si, ou identidade, de uma pessoa, é composta por


aquilo que ela tem de memórias, de suas lembranças de experiências
pessoais e coisas aprendidas com os outros.

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


Memória

Essa capacidade possibilita


A memória é a capacidade do
que os indivíduos levem
sistema nervoso de manter e
informações de experiências e
recuperar habilidades e
armazenem-nas para posterior
conhecimentos.
recuperação.

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


A memória

01 02 03
A memória não funciona A memória fotográfica não As informações que
como uma câmara de vídeo existe. armazenamos e as
digital que recupera memórias que recuperamos
fielmente os eventos nas muitas vezes são
experiências do operador. incompletas, tendenciosas
e distorcidas.

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


As memórias são histórias que podem ser
alteradas sutilmente pelo processo de
recordação.

As experiências não têm todas a mesma


probabilidade de serem lembradas.

Memória Alguns eventos da vida passam rapidamente,


sem deixar memória duradoura. Outros são
lembrados, mas depois esquecidos.

Outros, ainda, permanecem por toda a vida.


GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)
Memória é o processamento de informações:
O modo como a memória trabalha é aproximadamente
análogo ao modo como o computador processa
informações.

Um computador recebe informações por meio do teclado


ou modem, e um software determina como a informação
é processada;

A informação pode, então, ser armazenada em algum


formato alterado no disco rígido e recuperada quando for
necessário.
(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)
(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)
Processos:
• Do mesmo modo, os vários processos de
memória podem ser entendidos como operando
ao longo do tempo em três fases: codificação,
armazenamento (incluindo a consolidação) e
recuperação.

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


Codificação:
Codificação: ocorre no momento da aprendizagem,
conforme a informação é transformada em um formato que
pode ser armazenado na memória.

O cérebro transforma a informação em um código neural


que ele é capaz de utilizar.

Na fase de codificação, o seu cérebro converte os


estímulos sensoriais na página em códigos neurais
significativos.
(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)
Armazenamento:
Armazenamento: é a retenção da representação codificada.

Uma mudança em seu sistema nervoso registra o que você acabou


de experimentar, mantendo-o como um evento memorável.

Consolidação: conexões neurais que apoiam a memória se tornam


mais fortes e novas sinapses são construídas (Miller, 2005)

A informação codificada é guardada na memória.

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


Recuperação
• recuperação: consiste em procurar nas memórias armazenadas a fim de encontrar e trazer
à mente quando for necessário uma memória previamente codificada e armazenada.

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


A memória é resultado da atividade do cérebro:

Karl Lashley (1950) passou grande parte de sua carreira tentando


descobrir em que parte do cérebro as memórias são armazenadas.

O autor propôs que a memória está distribuída por todo o cérebro, em vez
de se limitar a algum local específico.

Essa ideia é conhecida como equipotencialidade.

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


Conexões neurais:
Em 1949, o psicólogo Donald Hebb propôs que a memória resulta de altera- ções nas conexões
sinápticas.

No modelo de Hebb, as memórias são armazenadas em várias regiões do cérebro que estão ligadas
por circuitos de memória.

Quando um neurônio excita outro, ocorre alguma mudança que fortalece a conexão entre os dois.

Posteriormente, o disparo de um neurônio se torna cada vez mais provável de causar o disparo do
outro.

Maior conexão entre as células que disparam juntos.

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


POTENCIAÇÃO DE LONGA DURAÇÃO
Na década de 1970, os pesquisadores descobriram a potenciação de longa
duração, um processo que é essencial para a base neural da consolidação da
memória (Bliss & Lomo, 1973).

A palavra potenciar significa reforçar, tornar algo mais potente.

A potenciação de longa duração (PLD) consiste no reforço de uma conexão


sináptica, fazendo com que os neurônios pós-sinápticos sejam mais facilmente
ativados.
(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)
A PLD

A PLD também apoia a afirmação de Hebb de que a aprendizagem


resulta de um fortalecimento das conexões sinápticas entre neurônios
que disparam juntos.

A memória resulta do fortalecimento das conexões sinápticas entre as


redes neuronais.

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


LOCALIZAÇÕES FÍSICAS DA MEMÓRIA

01 02 03
A memória envolve Ocorre uma grande Dferentes regiões
várias regiões do quantidade de cere- brais são
cérebro, mas nem especialização responsáveis pelo
todas essas regiões neural. armazenamento de
estão igualmente aspectos distintos da
envolvidas. informação.

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


LOCALIZAÇÃO:

Sabemos que regiões no interior dos lobos temporais, como o


hipocampo, são importantes para a capacidade de armazenar novas
memórias.

Os lobos temporais são importantes para ser capaz de dizer o que você
se lembra, mas são menos importantes para ações motoras envolvendo
a memória.

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


O armazenamento real ocorre em regiões específicas do cérebro acionadas
durante a percepção, o processamento e a aná- lise do conteúdo a ser aprendido.

Ex.: a informação visual é armazenada nas áreas corticais envolvidas na


percepção visual.

O som é armazenado nas áreas envolvidas na percepção auditiva

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


Uma teoria interessante desenvolvida
por Karim Nader e Joseph LeDoux
propõe que uma vez que as memórias
são ativadas, elas precisam ser
RECONSOLIDAÇÃ novamente consolidadas para que
O DE MEMÓRIAS sejam armazenadas de volta na
memória (LeDoux, 2002; Nader &
Einarsson, 2010).

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


Memória
• Quando as memórias para eventos
pregressos são recuperadas, elas podem ser
afetadas por circunstâncias atuais, de modo
que as memórias recém-reconsolidadas
podem diferir de suas versões originais
(Nader, Schafe, & LeDoux, 2000).

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


Memória
Nossas memórias começam como versões do que experimentamos.

Em seguida, elas realmente podem mudar quando as usamos, como quando são
alteradas por nosso estado de espírito, conhecimento sobre o mundo ou crenças.

̀ Na medida que recontamos histórias sobre eventos pregressos, embelezamos


os detalhes que tornam as histórias melhores e passamos a acreditar nas versões
embelezadas.
(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)
Memória

Como as memórias são mantidas ao longo do tempo?

A memória sensorial é um sistema de memória temporária intimamente ligada aos sistemas


sensoriais.

ela dura apenas uma fração de segundo e normalmente não toma- mos consciência de que está
operando.

A memória sensorial ocorre quando uma luz, um som, um odor, um sabor ou uma impressão tátil
deixa um rastro evanescente no sistema nervoso por uma fração de segundo.

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


Memória sensorial

Sistema de memória que armazena temporariamente a informação


sensorial de modo próximo a sua forma sensorial inicial.

A memória sensorial visual é chamada de memória icônica. A memória


sensorial auditiva é chamada de memória ecoica

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


Memória

Sua memória retém as informações apenas por tempo suficiente para que
você conecte uma imagem à próxima de uma maneira suave, que corres-
ponda à maneira como os objetos se movem no mundo real.

Sua memória retém as informações apenas por tempo suficiente para que
você conecte uma imagem à próxima de uma maneira suave, que corres-
ponda à maneira como os objetos se movem no mundo real

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


A memória de trabalho é ativa
Memória de curto prazo:

Sistema de armazenamento de memória que retém brevemente uma


quantidade limitada de informações na consciência.
Memória de trabalho

Sistema de processamento ativo que mantém diferentes tipos de


informações disponíveis para uso atual.
(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)
MEMÓRIA DE
TRABALHO

A informação permanece na memória


de trabalho por cerca de 20 a 30
segundos. Em seguida, ela desaparece, a memória de trabalho dura menos de
a menos que você impeça ativamente meio minuto sem o ensaio contínuo
que isso aconte- ça. Você retém a como uma maneira de se lembrar.
informação ao monitorá-la – ou seja,
pensando nela ou ensaiando-a.

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


EXTENSÃO DA MEMÓRIA E RECORDAÇÃO EM
BLOCOS

A memória de trabalho pode conter uma quantidade limitada de


informações.

O psicólogo cognitivo George Miller (1957) observou que o limite


geralmente é de sete itens (mais ou menos dois).

O processo de quebrar a informação em unidades significativas é


conhecido como recordação em blocos.
(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)
RECORDAÇÃO DE BLOCOS

Organização da informação em unidades significativas para torná-la


mais fácil de ser lembrada.

Quanto mais eficiente a formação de blocos de informação, mais


você é capaz de se lembrar.

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


Memória de longo prazo
A memória de longo prazo é relativamente permanente

Na analogia com o computador apresentada anteriormente, a memória de longo prazo é como o


armazenamento de informações em um disco rígido.

Memória de longo prazo

Armazenamento relativamente permanente de informações.

a memória de longo prazo humana é praticamente ilimitada

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


O QUE FICA NA MEMÓRIA DE LONGO PRAZO?

no decorrer de nossas vidas diárias, nos envolvemos em muitas


atividades e somos bombardeados por informações.

Algum tipo de sistema de filtragem deve restringir o que vai para a


memória de longo prazo.

Uma possibilidade é que a informação entra em armazenamento


permanente por meio do ensaio.
(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)
Ensaio

Para que nos tornemos proficientes em qualquer atividade, é preciso


praticar.

Quanto mais vezes você repete uma ação, mais fácil é executar essa ação.

As me- mórias são fortalecidas com a recuperação, de modo que uma


maneira de tornar as memórias duráveis é praticar a recuperação.

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


Atenção e memória

• a atenção e a memória: preservamos apenas o suficiente para a tarefa no


momento e ignoramos informações que parecem irrelevantes.

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


Evolução da memória
as informações sobre um ambiente que ajudam a nos adaptarmos a ele
são suscetíveis de transformação na memória de longo prazo.

A teoria da evolução ajuda a explicar como decidimos antecipadamente


quais informações serão úteis.

A memória nos possibilita usar as informações de manei- ras que


auxiliem na reprodução e na sobrevivência.

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


Como são organizadas as informações na memória de longo prazo?

• Exemplo:
• Quando o sistema visual detecta um animal de quatro patas peludo, e
seu sistema auditivo ouve latidos, você detecta um cão.
• O conceito de “cão” é uma representação mental para uma categoria
de animais que compartilha certas características, como latir e ter
pelos.
• Você não tem uma pequena imagem de um cão armazenado em sua
cabeça. Em vez disso, você tem uma representação mental.
• A representação mental de “cão” difere daquela de “gato”, mesmo que
os dois sejam semelhantes em muitos aspectos.
(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)
Memória longo prazo:
• Você também tem representações mentais de
ideias complexas e abstratas, incluindo crenças
e sentimentos
• As representações mentais são armazenadas de
acordo com seu significado
• Modelo de níveis de processamento (Fergus
Craik e Robert Lockhart): quanto mais
profundamente um item era codificado, mais
significado ele tinha e mais bem era lembrado

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


Memória
• Craik e Lockhart (1972) propuseram que
os diferentes tipos de ensaio levam a
diferentes níveis de codificação.
• O ensaio de manutenção consiste
simplesmente em repetir o item uma vez
e outra.
• O ensaio elaborativo codifica a
informação de modo mais significativo,
como pensar sobre o item
conceitualmente ou decidir se ele se
refere a si mesmo.
(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)
A memória e o significado
• Estudos de imagem cerebral
mostraram que a codificação
semântica ativa mais regiões do
cérebro do que a codificação
superficial e que essa maior
atividade do cérebro está associada a
uma melhor memória (Kapur et al.,
1994).

• Ou seja: as pessoas armazenam a


memória por significado.
(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)
Memória
• [Link]
v=KpHmYldp6JQ&ab_channel=MotivaV%C3%ADdeo
Esquemas:
• Trata-se de estruturas na memória de longo prazo que nos
ajudam a perceber, organizar, processar e usar informações.
• À medida que classificamos as informações recebidas, os
esquemas guiam nossa atenção às características relevantes
de um ambiente.

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)
Memórias
• [Link]
v=vfApZomFW64&ab_channel=FrancieleAriene
A informação é armazenada em redes de
associação
• Redes de associações
(Allan Collins e
Elizabeth Loftus, 1975):
Nesta rede semântica,
conceitos semelhantes
são conectados por meio
de suas associações.

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


Rede de associações:
• A ideia principal aqui é que ativar um nó aumenta a probabilidade de
que nós associados irão se tornar ativos.
• Modelos de propagação de ativação da memória: os estímulos na
memória de trabalho ativam nós específicos na memória de longo
prazo.
• Essa ativação aumenta a facilidade de acesso a esse conteúdo e,
portanto, torna mais fácil a recuperação.

(GAZZANIGA, HEATHERTON & HALPERN, 2018)


Referências:
• GAZZANIGA, M., HEATHERTON, T., HALPERN, D. Ciência
psicológica. Porto Alegre: Artmed, 2018.

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