História da Educação
A Educação brasileira na colônia e no
Império
Profª Vânia Maria Siqueira Alves
Graduação em História, Mestre em História e
Drª. Museolgia e Patrimônio
- Introdução
- Educação escolar de matriz europeia
- Educação - Novos significados ↔ incorporação de valores advindos tanto de suas matrizes
escolar europeias quanto de outras referências culturais.
- Séc. XVII e XVIII: Educação compreendida além da versão escolar → ação
civilizadora.
- Civilidade - Ideia de civilidade → dará o tom das instruções pedagógicas e normativas.
- Documentos sec. XVIII: preocupação com o estado de “descontrole” e de “falta de
civilidade” dos domínios americanos, especialmente na região das minas →
educação, seja qual for a sua natureza aparece como solução
- Educação como - Educação moral
solução - Civil
E - Religiosa
Múltiplos lugares - Práticas não escolares: Camadas humildes: aprender-fazendo, extramuros da
de educação escola.
- Ensino dos ofícios: vínculos menos formais.
1 Educação autóctone
Fonte: [Link] Acesso: 17/02/2015
2 Igreja e - Primazia franciscana
educação no - Pouca visibilidade
Brasil colonial
- Atuação no ensino secundário só após expulsão dos jesuítas.
Franciscanos e - Estendeu graus superiores de ensino (SANGENIS, 2004).
outras ordens na
educação
brasileira - A hegemonia dos jesuítas e a presença da sua ação pedagógica nos atuais eventos
científicos da área.
Jesuítas - As correntes interpretativas sobre a ação pedagógica dos jesuítas.
-Bibliografia tradicional:
- Vertente positiva → jesuitismo civilizador
- Década de 1930 – 1960: Serafim Leite, Fernando de Azevedo e autores que apoiam
em ambos
- Vertente negativa: Décadas de 1970 e 1980, jesuitismo guerreiro
- Riolando Azzi e Eduardo Hoornaert (interior da igreja); Luiz Felipe Baêta Neves
(ciências Sociais/antropologia).
Franciscanos na Educação Brasileira
Essa primazia dos franciscanos na terra brasileira, não legou à posteridade o mesmo alcance que tiveram os jesuítas, que
durante duzentos e dez anos, detiveram o monopólio da educação.
2 Igreja e - Visão quinhentista de mundo: duas diacronias, dois projetos = Encontro de
educação no diacronias
Brasil colonial - Projeto de cristandade (Paiva e Koshiba): interesses ainda medievais;
- Conceito de missão (Baêta Neves, Hoomaert)
Jesuítas
Encontro de
diacronias - Colonização (projeto invasor) + projeto missionário
- Baêta Neves: conceito antropológico de semelhança: apagar diferenças entre os
homens = negar alteridade
- Discurso universalista (Hoomaert), invasivo, violento, guerreiro
- Sujeição: atitude medieval e de colono
- Criação de aldeia: aldeamentos, reduções
Atuação dos jesuítas
Figura: Colégio fundado pelos jesuítas em 1554,
Fonte: constituiu núcleo inicial em São Paulo (ARANHA,
[Link] 1966)
o01/col_jesu%C3%[Link] Fonte: [Link]
[Link]
Período heróico (1549 – Período de consolidação
1570) viver nas aldeias com os ou expansão (1570 – 1759)
índios → alteração de práticas Colégios de ensino secundário
(aldeamento de adultos e – Ratio Studiorum (1599)
recolhimentos de crianças →
abertura dos colégios (MATTOS, 1958)
Esquema padrão das missões (reduções) do Paraguai (planta –base: missão de São Borja)
As missões (reduções) do Paraguai surgem em terra espanhola: 51% de área no RS, SC e PR, 20% no Paraguai, 15% na
Argenti na e 13% no Uruguai atuais. A primeira missão, N. Sª do Loreto (1610), fica no norte do Paraná atual. A conversão
é trabalhosa e instável. Os guarani, são atraídos pela pregação (feita em sua língua), os presentes, o gado, o ferro e
sobretudo a chance de fugir às encomiendas (trabalho forçado). A partir de 1623 várias reduções surgem nessa região.
Jesuítas catequizando os Índios
Fonte: [Link]/navegando/iconogr...
- Jesuítas - Modelo europeu: marcas repressivas.
- Colégio e universidade para poucos.
- Colégio: pensado inicialmente para os filhos dos gentios e cristãos → Preparar
missionários
- Colégios:
▪ Ensino das primeiras letras;
▪ Cursos de Letras e Filosofia, considerados secundários;
▪ curso de Teologia e Ciências Sagradas, de nível superior, para formação de
sacerdotes.
▪ Ensino das artes e dos mais diferentes ofícios → auto-suficiência na fatura dos
mais diversos objetos de uso pessoal e para a lida cotidiana.
-“Educação que preparava para a vida que cada classe haveria de viver”.
- As letras: adesão plena a cultura portuguesa.
- Língua: indianização do colonizador português nos primeiros anos → “Línguas
gerais” → domínio privado
- O português era uma língua que existia no espaço público, aprendido por aqueles
poucos que frequentavam a escola dos padres.
- Os jesuítas trouxeram a moral, os costumes, a religiosidade europeia e também os
métodos pedagógicos.
Figura 2- Quadro de Catarina Paraguassu
Nessa tela, atribuída a Edgard de Cerqueira Falcão, Paraguaçu, convertida ao Cristianismo e vestida com a indumentária das mulheres
brancas, mantém apenas o penacho que a identifica como mulher da cultura indígena. In: Sousa, Gabriel Soares de. Notícia do Brasil. São
Paulo. Martins, 1944. BibliotecaHistória Brasileira, [Link], p.128. (Domínio Publico)
Fonte: [Link]/navegando/iconogr...
- Jesuítas - Todas as escolas jesuítas eram regulamentadas pelo Ratio Studiorum.
Ratio Studiorum - Ratio Studiorum ou Plano de Estudos – o método pedagógico dos jesuítas,
ou Plano de publicado em 1599 → trinômio estudar, repetir e disputar → meta a formação do
Estudos homem perfeito, do bom cristão e era centrada em um currículo de educação literária
e humanista voltada para a elite colonial.
- Gramática média
- Gramática Superior
- As humanidades
- A Retórica
- Filosofia e teologia
- 1759: expulsão dos jesuítas por Marquês de Pombal
3 As Reformas Pombalinas
ALEGORIA DA EXPULSÃO DOS JESUITAS
Fonte: [Link]/2009/11/os-jesu...
- Reformas - Existência de uma escola ilustrada no Brasil, entre 1770 e 1820
Pombalinas - Fernando de Azevedo descreve período pós-pombalino da história da educação
brasileira como o de um grande vazio.
- Villalta: sobrevivências jesuíticas na educação dos fins do século XVIII.
- Apropriação das ideias ilustradas e liberais pela colônia em dois planos: oficial e
não-oficial
- Dificuldades para implantação da reforma pombalina na colônia
- Oposição dos partidários dos jesuítas;
- Visão pragmática do conhecimento científico → caráter escasso e circunstancial
não levou ao progresso científico e valorização da educação escolar.
- Criação do Subsídio Literário
- Criação de uma rede de aulas avulsas de primeiras letras
- Criação do Seminário em Pernambuco por Azeredo Coutinho
- Aulas régias criadas pela legislação pombalina não foram as únicas existentes no
fim do período colonial nem mesmo no plano da iniciativa pública estatal.
STEPHANOU, Maria e BASTOS, Maria Helena Câmara. Histórias e Memórias da Educação no Brasil. Vol. 1.
Séculos XVI-XVIII. Petrópolis/RJ: Vozes, 2004, p. 185 - 186
- Línguas: da - Indianização do colonizador e ameaça frequente de outros europeus.
polifonia à Línguas gerais, línguas indígenas.
libertinagem
Pombal: priorização do uso do português.
Línguas africanas: poucas concessões por parte do colonizador.
Latim: principal língua culta, sofrendo concorrência com o francês no período colonial
(VILLALTA)
- Instrução, obediência, sobrevivência e escola
Educação: População negra escrava: assimilar-se, passar de escravo para ladino.
diferentes Desprestígio da educação escolar no conjunto da sociedade
concepções Educação: âmbito do privado
- Bibliotecas privadas na colônia: das obras devocionais à ilustração
Leitura e sociabilidades: leitura silenciosa e oral pública
- Mulheres - Educação destinada aos meninos.
- Envio de meninas aos conventos de Portugal ou das ilhas atlânticas:
recolhimento com objetivos educativos (SILVA, 2004).
- Presença da corte: sistema de preceptoras para meninos e meninas.
- Presença de colégios e aulas destinados à educação feminina.
- Período da infância limitado aos 7 anos.
Crianças Dificuldades de levantamento de número de matrículas.
- Castigo físico: Pedagogia da escravidão
Negros - Passagem de “cativo novo” para “negro ladino”
- Educação do crioulo
- Escravidão urbana abriu maior espaço para a formação formal e informal
do trabalhador escravizado.
- Influência “recíproca “entre escravizadores e escravizados
4 O período - A obra Joanina pode ser considerada como parte da ação ilustrada na
joanino colônia
- Perda pela igreja da gestão da educação escolar para os funcionários do
Estado.
- Mantém características das reformas de 1759 – 1772 → estatismo e
pragmatismo (conhecimento científico utilitário, profissional).
- Criação de várias aulas avulsas de nível médio e superior.
- Ensino superior não teológico foi a maior preocupação.
- Criação de cursos profissionalizantes em nível médio e em nível superior.
- Ensino de ofícios manufatureiros.
- Quadro rico e diversificado no campo da educação escolar.
5 A educação no Império
Figura: A família Imperial na Biblioteca do Imperador, em litografia de Sisson, de
1860. Os quatro membros da família foram representados segurando um livro ou
objeto de estudo. Arquivo do Museu Imperial.
Fonte: FILGUEIRAS, C. A. L., A Química na educação da Princesa
Isabel. Química Nova, Vol.27, No. 2, 349-355, 2004.
- Educação no - Quadro escolar de 1822 a 1834: poucas alterações.
Império
- Organização do ensino
- o ensino primário destinava-se à escola de ler e de escrever;
- o ensino secundário manteve-se dentro do mesmo esquema das
“aulas régias”, mas ganhou uma divisão em disciplinas;
- ensino superior não sofreu alterações.
- Concretização gradativa do ideal nacional da educação pública.
- Novo governo que se organiza, traços do liberalismo moderado
- Traços liberais e filantrópicos → movimento de assistência e educação das
massas com duas marcas:
- Ser ativo, no sentido de ir ao encontro das necessidades da população
- Ser de responsabilidade pública
- Mattos: sociedade brasileira não formava um conjunto e sim uma
hierarquia.
- A educação no - Projetos e debates sobre instrução pública na Assembleia Constituinte e
Império Legislativa reunida em 1823.
- A Constituição de 1824 foi a primeira e única lei geral sobre instrução
primária no Brasil durante o período imperial.
- Constituição do Império, orientação liberal, mas, não democrática.
- Ensino primário gratuito para todos e ensino das ciências e artes em
colégios e universidades a ser regulamentada por legislação ordinária.
- O estado da educação popular pouco se alterou entre 1823 e 1826.
- 1ª legislatura (1826-1827): aparecimento do tema educação escolar
popular
- Comissão de Instrução Pública da Assembleia Legislativa cuidou da
elaboração de um plano integral de ensino público → 4 níveis: pedagogias,
liceus, ginásios e academias
- Debates → resultado
- A educação no - Lei de 15 de outubro de 1827 - que determinava a criação de escolas de
Império primeiras letras
- Manutenção de aulas avulsas púbicas de primeiras letras de origem
pombalina para meninos e meninas (inovação).
- Ensino mútuo
- Academias de Direito de Olinda e São Paulo → produção do conhecimento
cotidiano.
- Secundário: cursos avulsos das disciplinas preparatórias.
O ensino monitorial/mútuo
Figura: Ensino mútuo (Método Lancaster). Sala de aula, 1811
Fonte: [Link]
de-organizacao-escolar/ Acesso: 11/2/2015
O ensino monitorial/mútuo no Brasil (1827 – 1854)
Figura: Plano de uma escola mútua.
Fonte: Jomard. Abrège de la méthodi des écoles élémentaires, 1816. In: STEPHANOU, Maria
BASTOS, Maria Helena Câmara (orgs.). Histórias e Memórias da Educação no Brasil vol. II –
Século XIX. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005, p. 37.
- A educação no - Ato Adicional de 1834 → liberais moderados →movimento regressista
Império - Províncias passariam a ser responsáveis pela administração do ensino primário e
secundário.
O Império Partilha das competências entre a Assembleia Legislativa Geral (ensino superior em
Conservador geral e as aulas da própria capital do pais) e as Assembleias Legislativas Provinciais
(ensino de primeiras letras e cursos de formação de professores).
- Surgimento dos liceus e colégios
- 1837: Colégio de Pedro II
Função preparatória do ensino secundário para a matrícula nas Faculdades
→ ensino secundário parcelado, irregular e de curta duração.
- O ensino privado tomou grande impulso, suplantando em muito o ensino
público, tanto em número de estabelecimentos, quanto em relação à
matrícula.
- Não houve, no Brasil, uma proposta de educação sistemática e planejada.
- A educação no - Influência do liberalismo abolicionista sobre o campo da educação
Império
1868: apresentação à Assembleia Geral do primeiro projeto de liberdade de ensino,
assinado por Felício dos Santos → a caminho da desoficialização do ensino →
aspiração comum a liberais e conservadores
- A partir da década de 1870 → iniciativas e realizações que encaminham um intenso
movimento de escolarização da sociedade brasileira.
- Reformas Leôncio de Carvalho (1878 e 1879): modificou o ensino primário e
secundário da Corte e estabeleceu normas para o ensino secundário e superior, em
todo o país.
- Pareceres de Rui Barbosa (1882): um sobre a reforma do ensino secundário e
superior e outro sobre o ensino primário.
- Método intuitivo, conhecido também como lições de coisas.
Entre 1873 e 1888, realizaram-se no Rio de Janeiro as Conferências Pedagógicas.
- Previsão do Congresso de Instrução em 1883
- Exposição Pedagógica, prevista como parte integrante dele, ocorreu a partir de 1º
de junho de 1883.
Ensino secundário particular, no Brasil, atingiu seu apogeu nos anos de 1860 a 1890.
- A educação no - Volta dos jesuítas ao Brasil em 1842: abertura de vários colégios.
Império
- Chegada dos salesianos ao Brasil, em 1883.
- Como educadores laicos, cujos colégios ganharam grande projeção, distinguiram-
se: Abílio Cesar Borges, Barão de Macaúbas, Joaquim José Meneses de Vieira, João
Pedro de Aquino, João Estanislau da Silva Lisboa e Ernesto Carneiro Ribeiro
- Estabelecimentos de Ensino secundário para o sexo feminino alcançaram êxito a
partir de 1878.
- A República herdaria do Império a tarefa de estruturar em bases democráticas a
escola pública, de estabelecer a escola primária como escola comum, aberta a todos,
e de transformar a escola secundária, de escola de elite e preparatória ao ensino
superior, em escola formativa, articulada à primária (FILHO, 2010, p. 68).
Referências
ARANHA, Maria Lúcia de A. História da educação e da Pedagogia Geral e Brasil. 3 Ed. São Paulo:
Moderna, 2006.
CALEFFI, Paula (2004). Educação Autóctone nos séculos XVI ao XVIII ou Américo Vespúcio tinha razão?
In: STEPHANOU, Maria e BASTOS, Maria Helena Câmara. Histórias e Memórias da Educação no
Brasil. Vol. 1. Séculos XVI-XVIII. Petrópolis/RJ: Vozes, 2004, p. 32-44.
HILSDORF, Maria Lucia Spedo. História da educação brasileira: leituras. São Paulo: Pioneira Thomson
Learning, 2003.
VILLALTA, Luiz Carlos. O que se fala e o que se lê: língua, instrução e leitura In NOVAIS, Fernando A.
MELLO E SOUZA, Laura de. História da vida privada no Brasil vol. I São Paulo: Companhia das Letras,
1997, p. 331-385.