MONTAGENS INDUSTRIAIS
MONTAGENS INDUSTRIAIS
MONTAGENS MECÂNICAS
Prof. Rodrigo Pruença de Souza
Telefone: (31) 9.9964 9947
e-mail: pruenca@[Link]
Rodrigo Proença de Souza
Formação:
• Bacharel em Engenharia Mecânica – UFRGS – 2004;
• Mestre em Engenharia Mecânica – UFRGS – 2009;
Experiência Profissionais:
• + 20 anos de experiência atuando em projetos industriais para os
segmentos de: Mineração, Agroindústria, Fertilizantes, Mineração,
Portos e Termoelétricas;
• Atualmente, sou Gerente Engenharia da TMSA, e lidero times de
engenharia multidisciplinares para os segmentos mineração e
terminais portuários.
Montagem Mecânica
Tópicos:
1. Graus de Montagem;
2. Tolerâncias de Montagem;
3. Recebimento e armazenagem de equipamentos mecânicos;
4. Preparação para montagem;
5. Montagem dos Equipamentos;
6. Montagem dos componentes e acessórios;
7. Revisão e relatório de montagem;
8. Testes;
9. Equipes de trabalho de mecânica;
10. Tópicos Especiais: Torqueamento
Conceitos gerais sobre torque
1. Falhas em parafusos;
2. União aparafusada;
3. Classe de resistência;
4. Tipos de conexões;
5. Modos de falhas em ligações aparafusadas;
6. Importância do torque em Parafusos;
7. Força Tensora - Conceitos;
8. Rendimento dos parafusos;
9. Técnicas de montagem;
10. Perda de Carga;
11. Guia para escolha do torquímetro;
Falhas em Parafusos
• Parafusos , devido a sua criticidade em um grande número de aplicações também
são responsáveis por uma significativa porcentagem de recall automotivos mesmo
representando cerca de 1% do custo do veiculo;
• Custos de garantia e reparos atingem 20% segundo algumas montadoras e podem
ser maiores dependendo do caso;
• Alguns parafusos se falharem em veículos podem gerar perda de vidas!
• Custos de recall são pagos pelo fabricante da peça que falhou!
Falhas em Parafusos
Falhas em Parafusos
Falhas em Parafusos
14 Mar (Reuters) – A Ford informou nesta quarta-feira que
está fazendo recall de 1,38 milhão de veículos na América do Norte por
conta de parafusos potencialmente soltos nos volantes que podem se
separar, em um problema associado a dois acidentes e um ferimento.
A segunda maior fabricante de automóveis dos EUA disse que o recall
abrange os carros Ford Fusion de modelo 2014 até 2018 e os veículos
Lincoln MKZ 2014-2018 construídos em unidades de Michigan e no
México. Os concessionários substituirão o parafuso do volante com um
parafuso mais longo.
Em outubro, a Administração Nacional de Segurança no Trânsito dos
Estados Unidos abriu uma investigação preliminar envolvendo 841 mil
veículos da Ford com a preocupação de que os volantes pudessem se
soltar enquanto os carros estão em movimento.
A agência de segurança automobilística informou que estava investigando
os carros de modelo Ford Fusion 2014-2016, depois de três relatos de
parafusos do volante se soltando, incluindo um completamente
desmontado quando um motorista entrou no posto de gasolina.
Falhas em Parafusos
• No verão de 2002, durante um longo racionamento de energia, 67 milhões de
brasileiros em dez estados ficaram sem luz. A primeira explicação do governo para
o apagão soou inverossímil: um parafuso frouxo na rede de transmissão perto da
hidrelétrica de ilha Solteira havia se soltado, provocando a pane.
Porque os parafusos falham?
• Tração (tensão) pura;
• Torção (torque) puro;
• Torque e tensão combinados;
• Fadiga;
• Cisalhamento;
• Revestimento com atritos baixos/altos;
• Tratamento térmico (Resistência do Material);
O que é uma união aparafusada ?
Definição:
Juntas aparafusadas são uniões desmontáveis compostas pela junção
de duas ou mais partes (de qualquer material) via elementos
roscados que tem por objetivo manter a junta integra quando
submetida aos esforços previstos para esta junta;
Exemplos de juntas Aparafusadas
Exemplos de juntas Aparafusadas
Exemplos de juntas Aparafusadas
O que é classe de resistência?
Escala Empírica de Tensões Residuais, em função do uso do parafuso (no caso os
botões da camisa), associadas às diversas classes de resistência, ou “Síndrome
dos Botões da Camisa do Gordinho”.
O que é classe de resistência?
Classe de resistência é a indicação de resistência à tração, ruptura e escoamento do
parafuso.
No sistema métrico (ISO) as classes são expressas no formato X.Y, onde:
X = Valor da resistência mínima à tração
10 x 100 = 1.000 N/mm²
Classe de resistência 10.9
0.9 x 1.000 = 900 N/mm²
Y = Indica o limite de escoamento como % de X
Regra prática: Conforme a DIN 931 – O número gravado na cabeça do parafuso, indica sua resistência
classes de resistência (métricos)
classes de resistência - Polegadas
classes de resistência
classes de resistência
Propriedades mecânicas dos fixadores ISO 898-1 -
fabricados em aço carbono e aço liga - Parte 1:
Parafusos, parafusos e pernos com classe de
resistência especificada - Rosca normal e Rosca fina
classes de resistência
Exigências normalizadas, constante na ISO 898 – Parte I
Classe de resistência das Porcas
Para as porcas as forças de teste é função:
a) Diâmetro nominal;
b) Sua altura (número de filetes engajados);
Classe de resistência das porcas em N/mm²
Grau 8 (1) Grau 10 (2) Grau 12 (2)
Até M4 800 1040 1140
M4 → M7 855 1040 1140
M7 → M10 870 1040 1140
M10 → M16 888 1050 1140
M16 → M39 920 1060 1200
(1) Porcas sem tratamento térmico, com passo normal;
(2) Porcas com tratamento térmico (têmpera e revenido), com passo normal
Sequência de estampagem – parafuso flangeado
Parafusos comuns
Os parafusos comuns são forjados em aço-carbono de baixo teor de carbono
(ASTM A307). Eles tem numa extremidade uma cabeça quadrada ou sextavada e
na outra uma rosca com porca.
Calculado através de tensões de apoio e corte
Parafusos comuns
Os parafusos comuns ASTM A307 são empregados em estruturas secundárias onde as
cargas são de pequenas intensidades e de natureza estática como em perfis de
contraventamentos, em plataformas, em passarelas, em terças e em vigas de
tapamento.
O emprego de arruela facilita o aperto nas ligações, porém o seu uso não é obrigatório.
Parafusos comuns
A instalação é feita com chave manual comum e sem controle de torque;
Despreza-se a eventual resistência por atrito entre as chapas conectadas,
permitindo-se portanto a movimentação entre elas.
Parafusos Alta Resistência
Os parafusos de alta resistência são adotados em ligações estruturais sujeitas a cargas
moderadas e elevadas, estáticas e dinâmicas.
Para a realização do aperto deve-se usar pelo menos uma arruela sob o elemento que gira
(porca), pois isso garantirá o desenvolvimento de um pré-tracionamento consistente e
confiável.
No caso dos parafusos ASTM A490, se eles estiverem conectando materiais com um limite de
escoamento inferior a 280 MPa, é aconselhável usar arruela sob o elemento que não gira,
prevenindo o excessivo esmagamento do material base.
Tipos de conexões com parafusos
Podem ser de dois tipos:
1º) Ligação do tipo CONTATO:
Podem ser utilizados parafusos comuns ou de alta resistência;
Os parafusos são instalados sem aperto controlado (protensão);
2º) Ligação do tipo ATRITO:
Apenas parafusos de alta resistência;
Resistência ao deslizamento diretamente ligada a protensão aplicada aos
parafusos;
Ligação do tipo apoio (contato)
Aplicação de parafusos de baixa resistência (Classes 4.6, 4.8 , 5.8 e 8.8)
Transfere esforços de tração entre as chapas.
Ligação do tipo atrito
Para parafusos de alta resistência mecânica (classes 8.8, 9.8, 10.9 e 12.9)
A força aplicada não causa deslocamentos entre as chapas e, portanto, não há contato
entre elas e o parafuso;
A ligação por atrito proporciona maior rigidez e impede a movimentação das partes
conectadas;
São de particular importância em conexões submetidas a esforços alternados;
Ligação do tipo atrito
Comportamento força-deslocamento de uma ligação constituída de parafusos de alta
resistência protendidos
Fase (a): A força aplicada é menor que a resistência ao deslizamento, ocorrendo apenas
deslocamentos provenientes da deformação elástica das chapas;
Fase (b): A força aplicada supera a resistência ao deslizamento e há um deslocamento brusco
proveniente da acomodação dos parafusos nos respectivos furos;
Ligação do tipo atrito
Fase (c): Ocorre deformação do conjunto em fase elástica.
Fase (d): Ocorre deformação do conjunto em fase inelástica culminando com a falha da
ligação.
A força que vence a resistência ao atrito é bem inferior à força que leva a ligação à ruína,
correspondente à solicitação de corte no corpo do parafuso. Por essa razão, uma ligação
somente deve ser projetada por atrito se o deslizamento puder causar algum problema
inaceitável à estrutura, como deslocamentos inadmissíveis, ou se a mesa estiver sujeita a
forçar repetitivas com reversão de sinais.
Ligação à tração
Sujeitos aos esforços combinados de tração e força
cortante;
Os parafusos devem ser compatíveis com os aços dos
elementos ligados;
Exemplo: Elementos estruturais de aços resistentes a
corrosão atmosférica, utilizar parafusos ASTM A325
Tipo 3 com resistência à corrosão.
Ligações aparafusadas – Modos de falha
Qual a importância do torque em Parafusos
Quanto mais eu apertar melhor?
Qual a importância do torque em Parafusos
Caso o parafuso seja apertado demais, o material começa a entrar na zona plástica do
material, fazendo com que as deformações sejam irreversíveis, não gerando a força de
compressão necessária para a junta.
A protensão é o fator mais importante a ser controlado!!!!!
Torque de aperto em Parafusos
O torque é a “força de giro” ou momento de torção que fazemos ao apertar um
parafuso ou porca;
Objetivo é gerar uma força de tração no parafuso, que por sua vez transmite para a
junta este esforço sob a forma de tensões de compressão;
Conceitos Importantes
• Qual é a força tensora ?
• Como obter esta Força ?
• Como manter esta força?
Força tensora
O objetivo do
aparafusamento é gerar
uma carga de fixação
consistente e controlada,
que seja grande o suficiente
para suportar as forças na
aplicação.
Força tensora
Conhecendo-se a classe de resistência de uma parafuso e utilizando seus
fatores geométricos, é possível calcular a capacidade de geração de força que se
pode obter do mesmo:
Exemplo: Determinar o limite de resistência a tração (LRT) e o limite de
escoamento (LE) de um parafuso M12 x 1,5, Classe de resistência 10.9.
Classe de resistência: Fatores Geométricos:
Para um Parafuso M12 c/ passo de 1,5 a
área é de 88,1 mm².
𝐹𝑜𝑟 ç 𝑎 𝐹𝑜𝑟 ç 𝑎
𝐿𝑅𝑇 = 𝐿𝑅𝑇 1.220
1.040 =
Á 𝑟𝑒𝑎 Á 𝑟𝑒𝑎
LRT = 91,6 kN e 107,5 kN
LE = 82,8 kN e 96,9 kN
Tração Pura!!!
Força tensora
Na figura 1 é mostrado a força (kN) em função do ângulo do ângulo de aperto
(ângulo, em graus). Nesta condição, estamos considerando esforço combinado
tração-torção e, desta forma os valores de força sofrem uma certa redução.
Rendimento do parafuso
Rendimento de um parafuso indica quanto efetivamente esse parafuso pode
gerar de força tensora em uma junta aparafusada ou quanto esse parafuso perde
percentualmente de capacidade de gerar força tensora devido a perdas por atrito.
Pode-se expressar o rendimento como sendo a relação entre a força tensora
máxima a torque tensão (Fm) e a força tensora máxima a tração (F t);
O Rendimento também pode ser expresso como uma relação do coeficiente de
atrito na rosca µG.
Rendimento do parafuso
Rendimento do parafuso
1
𝜂=
√ [ [ ]
]
2
4 𝜌
1+3 ∙ ∙ +1.155 ∙ 𝜇 𝐺
( )
𝑑3 𝜋 ∙ 𝑑 2
1+
𝑑2
Onde:
µg = Coeficiente de atrito na rosca;
p = Passo do rosca;
d2 = diâmetro primitivo da rosca;
d3 = diâmetro interno da rosca;
Rendimento - Parcela da Tração - Ft
Rendimento – Parcela Tração + Torção (Fm)
Rendimento - Exemplo
Rendimento - Exemplo
Exemplo: Para o parafuso M12 x 1,5 com classe de resistência 10.9, assumindo
uma faixa de 0,10 ≤ µG ≤ 0,16 para o coeficiente de atrito da rosca, temos que o
rendimento varia entre 86,7 % e 77,2%, respectivamente.
Determine os novos valores para o limite de resistência a tração (LTR) e limite de
escoamento (LE) deste parafuso. Lembre-se que o menor rendimento deve ser
aplicado para menor resistência e o maior rendimento para a maior resistência a
tração.
LRT = 70,7 kN e 93,2 kN
LE = 63,6 kN e 83,8 kN
Esforço combinado tração-torção Pura!!!
Comportamento Dinâmico do Parafuso
Comportamento Dinâmico do Parafuso
A figura abaixo mostra o comportamento do parafuso bem como da contra peça.
Comportamento Dinâmico do Parafuso
A figura abaixo mostra o comportamento do parafuso bem como da contra peça.
Comportamento Dinâmico do Parafuso
O diagrama abaixo mostra a condição mais recomendável quando se deseja obter a maior
força tensora do elemento de fixação. Podemos citar como exemplo os requisitos
necessários para um parafuso de biela, onde ultrapassamos o limite de escoamento do
parafuso, mas preserva-se o limite de deformação plástica da biela ( em geral forjadas)
Exemplos de juntas Aparafusadas
OBJETIVO DE FIXADORES
ROSCADOS:
Unir os vários componentes da
junta e mantê-los fixados com as
cargas de trabalho aplicadas
durante o tempo de serviço
requerido.
1 ) Qual é a carga de fixação necessária para uma aplicação
em particular ?
- ANÁLISE POR ELEMENTOS FINITOS
- CÁLCULO (Software baseado no
guia alemão VDI 2230 ou outros)
2 ) Como a carga de fixação será aplicada no parafuso ?
MÉTODOS DE MONTAGEM:
• Controle de Torque;
• Controle de Torque-ângulo;
• Controle de Limite de Escoamento;
Estado combinado de Tensões no parafuso
Controle de torque
Controle de torque
Atrito sob a cabeça
Atrito na Rosca
Carga de Fixação
Carga
de
Fixação
100%
Torque Aplicado
- 50% do torque para vencer o atrito sob a cabeça
- 40% do torque para vencer o atrito na rosca
- 10% do torque para gerar a carga de fixação
CONTROLE DE TORQUE
“K Factor “
(Coeficiente de Torque )
T = F*D*K
T = Torque
K = Coeficiente de Torque ( adimensional )
D = Diâmetro Nominal
F = Carga
CONTROLE DE TORQUE
Escoamento
Carga
Área de validade do coef. torque
entre o assentamento e escoamento
assentamento
Torque
O coef. de torque representa a relação linear entre Torque & Tensão
Relação entre Torque - Tensão - Atritos
CONTROLE DE TORQUE
Variáveis que afetam a relação Torque / Tensão.
• Uso de equipamento manual ( torquimetro ) ou automático
( apertadeira elétrica / pneumática);
• Força tensora no parafuso ( FM ) varia dependendo dos
atritos e da área de contato sob a cabeça do parafuso ou
porca;
• Dispersão entre a mínima e máxima força tensora (FM )
para um mesmo torque aplicado : de 1,6 a 4,0!!!!
CONTROLE DE TORQUE
Ensaios Torque-tensão em
peças lubrificadas (grupo A) e não lubrificadas (grupo B)
CONTROLE DE TORQUE
• Método de montagem mais comum;
• Ferramentas mais simples;
• Custo mais baixo;
• Menor precisão;
• Precisão de carga: +/- 25 a 35%;
Fator de dispersão de Forças – αA
Fatores que influenciam :
• Equipamento de aparafusamento;
• Velocidade de aparafusamento;
• Pressão superficial sob a cabeça do parafuso / porca;
• Qualidade da superfície;
• Acabamento superficial;
• Desvios de batimento , excentricidades;
• Contaminação na rosca ;
• Batidas na rosca;
Fator de dispersão de Forças – αA
Controle de torque
A partir de um Torque Alvo, o equipamento, pneumático ou eletroeletrônico é ajustado a este valor,
também conhecido como Torque Dinâmico.
Neste exemplo, a especificação de Torque solicita um Torque de 20 Nm (Torque de “Set-Up”) e um
intervalo de 18 a 22 Nm.
Estes limites balizarão a janela de Torque, tanto do equipamento, bem como, dos valores de Torque
de Verificação (Torque Estático), quando das referidas atividades de auditoria.
Controle de torque
Exemplo de aplicação:
• Histograma dos 11.674 apertos realizados por controle de torque;
Observa-se uma mínima dispersão. O desvio padrão é da ordem de 0,14 Nm. Por este
Histograma, conclui-se que se trata de um Processo de Torque perfeitamente confiável
Controle de torque
Exemplo de aplicação:
• Histograma de Δα. Entre 12 e 20 Nm, considerando o aperto por torque;
A Figura já nos revela uma maior (e preocupante) dispersão de Δα , principalmente porque
o processo é considerado estável, em relação ao Torque aplicado.
Força Tensora aplicada, durante o Processo por Torque ‘Seco’, não está estável.
Controle de torque
Controle de torque
VANTAGENS
• O equipamento é simples (pode ser pneumático ou eletroeletrônico);
• É de fácil entendimento;
DESVANTAGENS
• Elevada dispersão do Torque, considerando a sofisticação (ou não) do equipamento de aperto;
• Não é apropriado para aplicações consideradas críticas;
• Elevado risco de ocorrência de “Torque Falso”;
• Não garante uma Força Tensora constante (sequer é estável);
• Risco de alongamento do Elemento de Fixação e/ou deformação permanente das Contra
peças
Controle de torque-ângulo
“Ângulo” significa rotação ou giro
Quando informações de torque e ângulo são usadas em conjunto, pode-se obter cargas mais
precisas na montagem (+/- 15% de variação de carga);
Preciso para obtenção de força tensora;
Minimiza influência dos atritos;
Relação direta Força e Angulo ;
Controle de torque-ângulo
Sabendo que existe uma relação direta entre ângulo de deslocamento que o
ocorre durante o aperto e a força tensora gerada neste mesmo intervalo de
aperto, é possível rescrever uma equação aperfeiçoada, porém limita ao regime
elástico dos componentes da junta.
𝑀 𝐴=
𝛼^
360 °
∙𝑝 ∙
1
( 𝛿𝑠 + 𝛿 𝑃 )(∙ 0,159 ∙ 𝑝+ 0,578 ∙ 𝑑 2 +𝜇 𝐺+
𝐷 𝐾𝑚
2
∙𝜇 𝐾 )
Controle de torque-ângulo
Exemplo 2: Deseja realizar o aperto de um parafuso M12x1,5, classe de resistência 10.9. O
aperto deverá ocorrer dentro do regime elástico do elemento de fixação e será efetuado pela
porca.
Constantes do processo:
• Pré-torque................................................ 90 N/m
• Ângulo de deslocamento alvo ............... 68°
• Snug torque .............................................40 N/m
Fatores geométricos referentes a junta:
• P (passo)...................................................1,5 mm
• d2..............................................................11,025 mm
• DKm.......................................................... 18,24 mm
Grandezas intensivas:
• δs (resiliência do parafuso)...............................1,2 x 10 -5 mm/N
• δs (resiliência da junta)..................................... 2,1 x 10 -6 mm/N
• μG (Coeficiente de atrito da rosca)................. 0,16
• μK (Coeficiente de atrito na cabeça)................ 0,16
Controle de torque-ângulo
Controle de torque-ângulo
Resiliência: É a capacidade do Ductilidade: é a capacidade que o
material absorver e devolver energia material apresenta de deformar-se
sem deformação permanente; plasticamente ou antes de sua
ruptura.
Essa propriedade tem validade no Ductilidade pode ser medida em
campo elástico. termos de:
Alongamento
Estricção
Resiliência do Parafuso
A resiliência do parafuso considera não somente a deformação elástica do parafuso
dentro do comprimento de sujeição como também todas as deformações elásticas
que ocorrem fora desta região e também exercem um efeito no comportamento de
deformação do parafuso na junta.
Sendo Fi a pré-carga inicial, li o comprimento roscado do parafuso, Ai a
área de tração e E o módulo de elasticidade do material, sendo essa 𝛿 a
deformação obtida a partir da relação constitutiva para barras uniaxiais.
Controle de torque-ângulo
1. Determinar o torque linear na primeira fase do aperto:
𝑀 𝐴 =90 − 40=50 𝑁𝑚
Pré-torque Snug torque (torque de assentamento)
2. Utilizando a equação aperfeiçoada é possível determinar o valor de Δα:
𝑀 𝐴 =50 𝑁𝑚=
^
𝛼
360 °
∙𝑝 ∙
1
(
( 𝛿𝑠 + 𝛿 𝑃 )
∙ 0,159 ∙ 𝑝+ 0,578 ∙ 𝑑 2+ 𝜇 𝐺+
𝐷 𝐾𝑚
2
∙𝜇 𝐾 )
Δα = 62°
Controle de torque-ângulo
3. Calcular a força tensora gerada na primeira fase do aperto:
360 °
^
𝛼= ∙ ( 𝛿𝑠 + 𝛿𝑃 ) ∙ 𝐹 𝑣
𝑝
360 °
𝟔𝟐 ° = ∙ ( 𝛿 𝑠 + 𝛿𝑃 ) ∙ 𝐹 𝑣
𝑝
Fv pré torque = 18,3 kN
Controle de torque-ângulo
4. Calcular a força tensora gerada na segunda fase do aperto
360 °
^
𝛼= ∙ 𝑝 ∙ ( 𝛿𝑠 + 𝛿 𝑃 ) ∙ 𝐹 𝑣
𝑝
360 °
68 ° = ∙𝑝 ∙ ( 𝛿 𝑠 + 𝛿 𝑃 ) ∙ 𝐹 𝑣
𝑝
Fv ang. deslocamento = 20,09 kN Força tensora gerada nesta fase é
independente dos coeficiente de atrito!
4. Calcular a força tensora total obtida:
FvTotal = Fv pré torque +Fv ang. deslocamento = 38,4 kN
Controle de torque-ângulo
Atividade:
Se considerarmos um pré-torque igual 60 Nm, um ângulo de deslocamento igual a 105° e
mantendo todos os outros valores conforme apresentados no exemplo 2, determine:
a) Determine a Força tensora total gerada neste processo.
b) É possível afirmar que a força tensora que foi obtida é mais estável e confiável em relação
a obtida no exemplo anterior? Justifique a resposta?
Controle de Torque-ângulo
Controle de Torque-ângulo
• Deve ser usado somente em juntas rígidas que produzam uma curva torque-
tensão linear , juntas “macias” produzem muita variação na contagem de
ângulo
• Assegurar-se de que não há folga nos adaptadores e soquetes ou rotação da
junta / superfície de apoio. Isto poderá falsear a contagem do ângulo
• O pré-torque deve se situar fora da zona de assentamento , porém não tão
longe a ponto de perder a precisão do ângulo
• A precisão da carga é obtida quando torque e ângulo são usados juntos (+/-
15%)
Controle de Limite de Escoamento
• Similar ao controle de Torque-ângulo onde são usadas informações de
torque e ângulo;
• Pode também usar janelas de aceitação para efeito de Controle de Qualidade
• Deve somente ser usado em juntas rígidas;
• É muito suscetível a mudanças no material da junta que possa causar
comportamento não linear;
• Precisão de +/- 5-7%
Controle de Limite de Escoamento
Resumo dos Métodos de Montagem
Tipo Precisão da Carga
Controle de torque +/- 25% to 35%
Controle de torque-ângulo +/- 15%
Controle de limite de escoamento +/- 5% to 10%
Guia para a escolha de um torquímetro
• Apertar as juntas adequadamente em uma linha de produção é um passo
fundamental para assegurar a qualidade no processo de montagem.
• A escolha e uso de chaves, eletrônicas ou mecânicas, não é sempre clara
àqueles que gerenciam as estratégias de aperto a ser adotada na linha.
Torquímetro de Estalo
• Torquímetro de estalo aplicam torque e clique a certo limite,
tipicamente ajustável.
• O clique pode ser de alguns graus (com alto risco de sobre aperto) até
algumas dezenas de graus.
Torquímetro de Estalo
Prós:
Leve;
Barato;
Contras:
Após o ponto de clique, o torque é aplicado novamente, e tipicamente produz um
sobreaperto, dependendo do operador. Por isso, alguns costumam definir um
torque alvo mais baixo, mas o torque final se torna um resultado direto da ação
do operador ao invés da calibração do torquímetro;
O torque aplicado é influenciado pelo manuseio do torquímetro. O manuseio
incorreto altera o torque aplicado;
O aperto é realizado sem o controle de rotação (o operador pode apertar duas
vezes o mesmo parafuso, ou o parafuso pode ser travado na rosca dando uma
falsa impressão de estar travado);
O torque não é medido e rastreado.
TORQUÍMETRO DE GIRO LIVRE
• Torquímetros de giro livre aplicam torque e deslizam a certo limite,
tipicamente ajustável. Após o deslizamento, o torque é liberado
completamente e, continuando a rotação, o torque é aplicado
novamente.
TORQUÍMETRO DE GIRO LIVRE
Prós:
Leve
Barato
O risco de sobretorque é eliminado
Contras:
• Usado somente a baixo torque. Há alguns modelos de até 100 Nm ou levemente
além, valores de torque que podem já dar problemas ao operador quando o
torque é repentinamente liberado.
• Cada ponto de deslizamento tem um valor de torque diferente dos outros, uma
vez que o torquímetro trabalha em dentes mecânicos diferentes.
• O torque aplicado é influenciado pelo manuseio do torquímetro. O manuseio
incorreto altera o torque aplicado.
• O aperto é realizado sem o controle de rotação (o operador pode apertar duas
vezes o mesmo parafuso, ou o parafuso pode ser travado na rosca dando uma
falsa impressão de estar travado).
• O torque não é medido e rastreado.
TORQUÍMETRO ANALÓGICOS
• Torquímetros analógicos fornecem leitura de torque em tempo real.
TORQUÍMETRO ANALÓGICO
Prós:
• Leve
• Barato
• Um torque estimado é fornecido
Contras:
• O torque final depende de onde o operador parar. A repetibilidade do aperto é
por isso, não garantida, mesmo se a chave estiver perfeitamente calibrada.
• O torque aplicado é influenciado pelo manuseio da chave. O manuseio incorreto
altera o torque aplicado.
• O torquímetro não pode ser programado para realizar o aperto e não pode guiar
o operador a uma operação de aperto correta.
• O aperto é realizado sem o controle de rotação (o operador pode apertar duas
vezes o mesmo parafuso, ou o parafuso pode ser travado na rosca dando uma
falsa impressão de estar travado).
• O torque não é medido e rastreado.
TORQUÍMETROS DIGITAIS
• Chaves de torque eletrônicas modernas fornecem uma leitura do
torque e, se equipadas com giroscópio, do ângulo de rotação.
TORQUÍMETROS DIGITAL
Prós:
• Controle de torque e ângulo para um aperto de prova de erro “certificado”
• Torque e parâmetros exibidos na chave
• O resultado do aperto é exibido em tempo real ao operador
• Programação da estratégia de aperto
• Aperto de produção e teste de controle de qualidade (controle do torque residual)
• Habilidade de gerenciar extensões para aperto em posições desconfortáveis
• A medida de torque não depende do manuseio (se a chave for equipada com um
transdutor de ponte duplo)
• Rastreabilidade de dados
• A chave pode ser usada como um backup de uma ferramenta de aperto na linha
de montagem
Contras:
• Custo maior do que uma chave de torque normal
• Peso provavelmente maior do que uma chave de torque normal
CONTROLE DE TORQUE Ferramenta Automática
Influência do método de montagem na escolha do
diâmetro do parafuso
Perda de Pre Carga
• Em uma junta aparafusada é preciso obter e manter uma força tensora
( Fm ) suficiente para sustentar as partes fixadas sem que ocorra
qualquer deslocamento axial , transversal ou unilateral quando em
serviço.
• A força tensora ( Fm ) deve ser mantida sob quaisquer condições de
trabalho para garantir que tensões de fadiga axial ou de flexão fiquem
dentro dos parâmetros definidos no projeto , não ultrapassando os
níveis de resistência do fixador ou da junta
Perda de Pre Carga
• Ocorrem por deformação plástica da superfície de apoio da cabeça do
parafuso ou porca ou por auto desaparafusamento;
• Erro de projeto da junta que especifica uma força de união que causa
deformação plástica da contra peça;
• Deformação plástica da contra peça pode ser evitada aumentando a área de
assentamento de forma que se diminua a pressão superficial sobre a
contra-peça;
• Cargas dinâmicas transversas ao eixo do parafuso.
• Relaxamento da Junta;
• Perdas Estáticas e Perdas Dinâmicas
PERDA DE PRÉ-CARGA
PERDA DE PRÉ-CARGA POR VIBRAÇÃO TRANSVERSAL
PERDA DE PRÉ-CARGA POR VIBRAÇÃO TRANSVERSAL
PERDA DE PRÉ-CARGA POR VIBRAÇÃO TRANSVERSAL
PREVENÇÃO -Força tensora de união adequada
● Baixa dispersão de forças tensoras ( uso de métodos de aperto precisos )
● Aumentar ao máximo possível a relação Lk/d ( devido ao aumento da
elasticidade).
● Perfis especiais ( Durlok ).
● Travas químicas ( Cuidado com a Fm!!!).
● Parafusos com travas mecânicas e ou químicas;
REVESTIMENTOS
POLIDO E OLEADO:
- Uso: aplicações internas
imersas em óleo onde o risco
de ocorrência de corrosão é
baixo;
- Exemplo: motores, caixas de
câmbio, etc;
- Baixa Resistência à Corrosão;
- Coeficiente de Atrito: alta
dispersão;
REVESTIMENTOS
FOSFATIZADO E OLEADO:
- Uso: aplicações internas onde é
requerida alguma resistência à
corrosão, mesmo que as peças
trabalhem imersas em óleo ;
- Exemplo: motores, caixas de
câmbio, etc ;
- Resistência à corrosão: ~
72/96h ;
- Coeficiente de Atrito: baixa
dispersão quando lubrificantes
de baixa fricção são utilizados
REVESTIMENTOS
ZINCADO:
- Uso : aplicações estéticas ou onde uma
maior resistência à corrosão é requerida;
- Exemplo : aplicações externas de
motores , caixas de câmbio , suspensão ,
freios;
- Resistência à Corrosão : variável ,
variando de 96 a 240h;
- Coeficiente de Atrito : baixa dispersão
somente se óleos especiais de baixa
fricção forem utilizados ;
- Suscetível à fragilização por hidrogênio
na classe10.9 ou grau 5
REVESTIMENTOS
ORGANO-METÁLICOS
( Flocos de Zinco e Alumínio ):
- Uso : aplicações externas onde é
requerida alta resistência à corrosão
;
- Exemplo : aplicações externas de
motor e câmbio , suspensões,
freios ;
- Resistência à Corrosão: variável ,
variando de 480 a 720h;
- Coef. de Atrito : baixa dispersão
somente se selantes especiais de
controle de atrito forem utilizados
REVESTIMENTOS
RESUMO
Apêndice
Material de Consulta
Rosca
p passo mm
d diâmetro nominal mm
dp diâmetro primitivo mm
di diâmetro interno mm
Rosca
Unified National Standard ISO (Métrico)
U
U NC
no a
U NF –
rm
fin
N – n
al
EF f or
i
– n a ma
ex l
tra
Tolerância
Classe
fin 1 Vários níveis
Classe a 2
Classe 3
d=12mm
fina
d=0.25” Classe 2
métrico
¼-28 UNF –2A M12 x 1.75
28 fios/polegada. Rosca externa
p=1.75 mm
Rosca
Como tratado nos exemplos, temos que para as roscas os passos podem
se enquadrar em classes, a saber:
• UNC – Unified Coarse – classe de passo grosso para utilização em
peças com repetidas montagens/desmontagens;
• UNF – Unified Fien – classe de passo fino com maior resistência à
vibração e para utilização automotiva e aeronáutica;
• UNEF – Unified Extra-Fine – classe de passo extra-fino utilizado em
casos de roscas curtas, componentes com paredes finas e porcas de
retenção de mancais
ROSCA
Principais tipos de cabeça
SEXTAVADA HEXALOBULAR DODECAVADA
SEXTAVADA
COM FLANGE COM FLANGE
COM FLANGE
CILÍNDRICA CHATA COM PANELA COM PARAFUSO DE
COM SEXTAVADO RODA
SEXTAVADO INTERNO HEXALOBULAR
INTERNO INTERNO
Tipos de fendas internas
SEXTAVADO:
• 6 pontos de contato entre a
ferramenta e a fenda podem
levar o parafuso a espanar ;
• O Torque especificado pode
não ser totalmente atingido ;
• O retrabalho de peças
danificadas consome muito
tempo e o custo é elevado;
Tipos de fendas internas
DODECAVADO :
• 12 pontos de contato
funcionam melhor do que 6
pontos , mas ainda podem
levar ao espanamento ;
• O Torque especificado pode
não ser totalmente atingido ;
• A remoção de parafusos ou
ferramentas danificadas
consome tempo e gera custo
Tipos de fendas internas
HEXALOBULAR :
• 6 lóbulos arredondados
ajudam a distribuir melhor as
tensões;
• Maior transmissão do torque ;
• Desgaste reduzido;
• Indicado para montagens
automatizadas
Tipos de fendas internas
ESASCANALATA :
( Patente Fontana )
• 6 canais retos ajudam a distribuir
melhor a tensão;
• A superfície de contato entre a fenda e a
ferramenta proporciona a melhor
condição para a força aplicada ;
• Maior transmissão do torque;
• Desgaste reduzido
• Indicado para montagens
automatizadas
• Chaves Allen® podem ser usadas para
manutenção.
Tipos de ponta
CHANFRADA CÔNICA CILÍNDRICA TRONCO-CÔNICA
OGIVA ESFÉRICA ESPECIAL ( EXTERNA OU INTERNA )
Parafusos com arruela cativa
PRESSÃO
PLANA PRESSÃO PARTIDA
ONDULADA
CÔNICA SERRILHADA DENTADA
Porcas
Porcas
Arruelas