MECANISMOS DE
DIFERENCIAÇÃO CELULAR
Objectivos de Aprendizagem
Até ao fim da aula os alunos devem ser capazes de:
Descrever os mecanismos de diferenciação celular
Explicar os mecanismos de organização das células em tecidos
Diferenciar os principais grupos de tecidos: epitelial, conjuntivo,
muscular, nervoso e outros
Classificar os tipos de epitélio: simples, estratificado
pseudoestratificado, escamoso, cúbico, colunar, ciliado, de transição
Listar os tipos de tecidos conjuntivos
Diferenciar células dos seguintes tecidos: osso, cartilagem, sangue,
tecido adiposo, tecido conjuntivo frouxo e denso
Diferenciar os tipos musculares (esquelético, cardíaco e liso)
Diferenciar neurónios e neuroglia
Diferenciação celular
A Diferenciação Celular é o processo pelo que
se estabelecem diferenças morfológicas e
funcionais entre células para dar origem aos
diferentes tecidos do organismo a partir duma
única celula(zigoto) ate formar os tecidos
Diferenciação celular.
O processo envolve dois mecanismos de controle principais
Por uma lado, os genes que mantém o embrião no seu estado
totalmente potencial são desligados e, ao mesmo tempo, os
genes específicos de cada tecido, são ligados.
Assim, activando um determinado conjunto de genes, o embrião
pode produzir células musculares e, activando um conjunto
diferente de genes, as mesmas células imaturas podem gerar
células do fígado, e assim por diante.
Este processo é regulado por mecanismos intrínsicos (genéticos e
citoplasmáticos) e mecanismos extrínsicos (factores locais: sinais
bioquímicos que se transmitem entre células iguais, e factores
ambientais: radiação, temperatura, tóxicos, medicamentos, vírus)
Diferenciação celular.
A diferenciação aumenta a eficiência das células, que se
especializam em funções específicas diferentes.
Uma vez definida o tipo de célula, o seu estado diferenciado é muito
estável e vai persistir nas seguintes gerações celulares.
“Potencialidade” é a capacidade que uma certa célula tem de
originar outros tipos celulares.
Maior diferenciação, menor potencialidade, e vice-versa.
Os primeiros blastómeros (células divididas do zigoto), ainda nada
diferenciados, têm uma potencialidade do 100% e darão origem a
todos os tipos celulares.
A maioria das células do adulto tem mínima potencialidade (uma
célula muscular não pode dar origem a células nervosas, por
exemplo)
Diferenciação celular.
• “Divisibilidade” é a capacidade que a célula tem de
dividir-se e dar gerações de células iguais. Quanto
maior diferenciação, menor será a divisibilidade, e
vice-versa.
• Certas células do adulto (como as da pele ou as que
recobrem o estômago) têm muita capacidade de se
dividir, e continuamente estão sendo renovadas.
• Outras células, como as nervosas, não têm nenhuma
capacidade de se dividir, pelo que quando morrem,
não são substituídas por outras novas.
TECIDOS: GENERALIDADES
Tecidos -grupos organizados de células
semelhantes que desenvolvem uma função
comum.
Os tecidos compõem-se de células, materiais
intercelulares (“matriz extracelular”) com
funções do tecido (como no osso), de
alimentação e limpeza das próprias células, e
de comunicação e coordenação molecular.
Principais Grupos de Tecidos
Tecido epitelial.
Grupos de celulas compactas, pouca matriz
extracelular e sem vascularização, que
formam a capa que cobre o corpo, cavidades e
órgãos ocos (como o epitélio da pele, do
interior do estômago ou da bexiga)
Principais Grupos de Tecidos
Têm funções de:
• Protecção, como na epiderme da pele.
• Absorção, como no epitélio intestinal, que
recobre o tubo digestivo.
• Metabolismo, como no parênquima hepático.
• Secreção e Excreção, como nas glândulas
digestivas e endócrinas (secreção) e as
glândulas da pele (excreção do suor).
Principais Grupos de Tecidos
• Recebe o oxigénio e nutrientes dos capilares
do tecido conjuntivo que o sustêm, através da
membrana basal.
• Membrana basal Tem várias funções: Suster
epitélio, induzir a cicatrizaçãoe regeneração
do epitélio, filtra moleculas e celulas
Classifficação
• Pela forma das células:
Plano ou Pavimentoso, células aplanadas com funções
de protecção (como nas mucosas oral e vaginal) ou
revestimento (como o endotélio que recobre os vasos).
Cúbico, células de igual altura e largura, típicas dos
epitélios glandulares (como túbulos renais, glândulas
de secreção externa)
Cilíndrico, células altas, típicas de ductos (como o
epitélio urinário) e de tecidos que secretam muco
(como o epitélio digestivo e respiratório)
Pelo arranjo das camadas, pode ser:
Estratificado, com várias camadas celulares,
geralmente planas as mais superficiais e cúbicas as
mais profundas (como a epiderme da pele).
Pseudoestratificado, aparentemente com várias
camadas celulares (por estarem estas deitadas),
mas todas elas em contacto com a membrana
basal (como o epitélio de revestimento do
aparelho respiratório).
De transição (entre plano estratificado cilíndrico
simples), com várias camadas de células
Pela função, o epitélio pode ser
Epiderme, epitélio plano estratificado queratinizado
As células mais superficiais estão endurecidas), que protege
toda a superfície do corpo. É a camada mais superficial da pele,
pela qual o corpo entre em contacto com o meio ambiente, que
deve ser de grande resistência.
Epitélio mucoso,
Membranas que revestem as vias digestivas, respiratórias,
urinárias e genitais, com função de revestimento (protecção e
suporte) e intercâmbio moleculares com o exterior (absorção de
nutrientes, secreção de muco, enzimas,…).
Inclui vários tipos histológicos, pela forma e arranjo das células,
como foi visto anteriormente.
TECIDO CONJUNTIVO
Caracterizado pela presença de uma matriz extracelular
abundante e funcionalmente fundamental.
• Desempenham muitas funções diferentes:
Estrutura do organismo, mediante o endurecimento da
matriz, como no tecido ósseo (com calcificação) cartilagem.
Facilitação da mobilidade, como tendões e tecidos
articulares.
Sustentação e nutrição de outros tecidos.
Recheio e protecção de espaços entre tecidos e órgãos,
como a gordura subcutânea, e as fáscias e tegumentos que
dividem as cavidades.
TECIDO CONJUNTIVO
Defesa do organismo, como no sistema imune.
Transporte de substâncias por todo o corpo,
como o sangue
A matriz extracelular
Está constituída por uma “substância fundamental” (água
com mucopolissacárido), muito viscosa, com grande
capacidade lubrificante e adesiva;
Fibras colágenas as mais comuns, altamente resistentes e
pouco elásticas (tendões e fáscias).
Fibras elásticas (“elastina”, proteína enrolada), muito
elástica, capaz de se alongar e de se retrair sem romper
(parede de vasos e tubo digestivo).
Fibras reticulares (diferentes proteínas arranjadas em
rede), capazes de dar suporte e sustentar outras estruturas
(membranas, órgãos,…)
Tipos de Tecidos conjuntivos
Tecido conjuntivo frouxo
com fibras pouco entrelaçadas, que deixam
muita matriz livre.
tem função de preenchimento de espaços
entre tecidos e órgãos.
Pode ser: tecido areolar, tecido adiposo e
tecido reticular.
Tipos de Tecidos conjuntivos
Tecido adiposo (gordura).
Tipo de tecido areolar especializado na protecção
mecânica dos órgãos e no isolamento térmico destes.
Composto de: Adipócitos”, células grandes,
arredondadas por um conteúdo massivo de gordura
Tecido reticular
com uma matriz de fibras reticulares que suportam
“células reticulares primitivas”, pouco diferenciadas
Forma a estrutura do tecido linfóide, fígado e medula
óssea.
Tipos de Tecidos conjuntivos
• Tecidos conjuntivos densos
Com fibras colágenas e elásticas, compactas
(com pouca matriz livre), intimamente
arranjadas, com células menores que as
anteriores.
Inclui: tecido conjuntivo denso irregular,
tecido conjuntivo denso regular e tecido
conjuntivo elástico
Tecidos conjuntivos especializados
• Incluem uma série de tecidos de origem comum,
mas com funções muito diferentes,
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tem matriz muito firme, com fibras colágenas e
elásticas organizadas, que dão propriedades de
elasticidade e resistência, com células grandes
arredondadas produtoras da matriz(condrócitos).
Não têm vasos, pelo que recebe o oxigénio e os
nutrientes desde os tecidos vizinhos.
Tecidos conjuntivos especializados
T. Ósseo.
tem matriz endurecida (“ossificada”) pelos depósitos de sais (Ca+
+ e H2PO4-) sobre as fibras extracelulares.
Muito activo, bem vascularizado e em constante remodelação
Tem dois tipos, presentes ao mesmo tempo em todos os ossos
T “Compacto”, com fibras ossificadas mais densamente
apertadas, na parte mais periférica do osso, dando a dureza típica
do osso. Está recoberto pelo “periostio”, membrana de tecido
conjuntivo denso, que o protege e nutre.
T“Esponjoso” ou “Trabecular”, com estrutura mais leve, no
interior do osso, para diminuir o peso deste e dar suporte à
medula óssea.
TECIDO MUSCULAR
Formado por “fibras musculares”, células
muito compridas contrácteis especializadas
para movimentar outras partes do organismo
(ossos, principalmente) ou para modificar o
formato de órgãos (útero, tubo digestivo,
vasos, entre outros).
Têm abundantes vasos sanguíneos e nervos,
que circulam pelo tecido conjuntivo associado,
o qual divide os grupos de fibras em “feixes”.
TECIDO MUSCULAR
• Existem três tipos de tecido múscular
Tecido muscular estriado, estimulado voluntariamente, para movimentar
o esqueleto. Formado por fibras cilíndricas muito grandes, polinucleadas,
em feixes paralelos, com estrias transversais.
Tecido muscular liso, estimulado involuntariamente pelo sistema nervosos
autónomo, para adaptar a função de vísceras ocas, vasos. Formado por
fibras fusiformes pequenas, mononucleadas, sem estriações. Por exemplo,
da bexiga para seu esvaziamento ou que do útero durante o parto.
Tecido muscular cardíaco, estimulado involuntariamente (sistema
eléctrico cardíaco) e pelo sistema nervoso autónomo. Formado por fibras
curtas ramificadas, mononucleadas, com estriações transversas. É o que
forma o miocárdio (músculo do coração).
TECIDO NERVOSO
• Tecido nervoso é age , controlando e
coordenando a capacidade do corpo de
adaptar-se ao seu meio ambiente, e dirigindo
a função do resto dos tecidos do corpo.
• O tecido nervoso encontra-se em: Encéfalo,
Medula espinal e nos Nervos periféricos (fios
nervosos que se estendem desde o encéfalo e
a medula)
TECIDO NERVOSO
Neurónios.
Unidades estruturais e funcionais nervosas, especializadas na
transmissão rápida de informação, mediante impulsos
electroquímicos. Compostas por:
“Corpo celular” contem o núcleo e a maior parte do citoplasma
Axónio” , extensões citoplasmáticas, que transmitem os impulsos,
estando ligados a outros neurónios nas“sinapses” (pontos de
contacto entre neurónios)
Dendritos – actuam como receptores de estímulos levando o
impulso na direcção do corpo celular
Em toda sua extensão, o axónio possui um envoltório por fora da
membrana celular constituído por um tipo celular denominado
“célula de Schwann”.
TECIDO NERVOSO
As células de Schwann determinam a formação de
bainha de mielina – invólucro lipídico que actua
como isolante térmico e facilita a transmissão do
impulso nervoso.
Entre uma célula de Shwann e outra, existe uma
região de descontinuidade da bainha de mielina, ou
uma constrição denominada de nódulo de Ranvier.
A parte celular da bainha de mielina, onde está o
citoplasma e o núcleo da célula de Schwann,
constitui o neurilema.
TECIDO NERVOSO
Neuroglia,
Também chamado de nevróglia ou células da
glia – são células não excitáveis, que formam a
estrutura de suporte, sustentação, defesa,
limpeza e alimentação das células neuronais.
Células da glia são: astrócitos
oligodendrócitos, glioblastos, células
ependimárias e as células de Schwann.
PONTOS-CHAVE
A Diferenciação Celular é o processo pelo que se estabelecem diferenças
morfológicas e funcionais entre células para dar origem aos diferentes tecidos
do organismo.
Quanto mais diferenciada estiver uma célula, têm menor capacidade de
originar outros tipos celulares (“potencialidade”) e menor capacidade de
dividir-se para dar outras células iguais.
A diferenciação celular se faz através da expressão génica selectiva controlada
por factores intrínsecos (genéticos e citoplasmáticos) e extrínsecos (locais e
ambientais).
Tecidos são grupos organizados de células iguais, comunicadas, com função
conjunta, que depois se combinam para formar órgãos e sistemas. Podem ser
classificados em quatro grupos: epitelial, conjuntivo, muscular e nervoso.
O tecido epitelial está organizado em membranas ou ácinos de células
comunicadas e apoiadas numa membrana basal. Tem funções de protecção, de
secreção de muco, de secreção de moléculas activas, e de cobertura.
PONTOS-CHAVE
O tecido conjuntivo inclui uma grande variedade de tecidos, com matriz
extracelular rica em fibras colágenas, elásticas ou reticulares. Tem funções
básicas de sustentar e preencher os outros tecidos, e de protecção e
mobilidade.
Existe tecido conjuntivo muito especializado: de estrutura corporal (osso e
cartilagem), de defesa imune (tecido linfóide e células do sangue), de
circulação, limpeza e remodelação (sangue e medula óssea).
O tecido muscular está formado por fibras, células muito alongadas com
capacidade contráctil, que forma tecidos que movimentam voluntariamente
a estrutura do corpo (músculo estriado) ou involuntariamente vísceras
móveis como coração (músculo cardíaco) e como vasos, tubo digestivo
O tecido nervoso é o mais especializado do organismo, capaz de dirigir
acções de adaptação ao meio ambiente, mediante actividade
electroquímica transmitida numa rede celular excitável (neurónios).