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Boas e Malinowski na Antropologia

O documento descreve as contribuições de Franz Boas e Bronislaw Malinowski para o desenvolvimento da antropologia científica. Boas criticou noções evolucionistas e enfatizou o estudo do contexto cultural de cada sociedade. Malinowski defendeu o trabalho de campo intensivo e estudou em detalhe a sociedade trobriandesa e sua rede de troca de colares, o Kula, para entender a cultura como um todo coerente.

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Boas e Malinowski na Antropologia

O documento descreve as contribuições de Franz Boas e Bronislaw Malinowski para o desenvolvimento da antropologia científica. Boas criticou noções evolucionistas e enfatizou o estudo do contexto cultural de cada sociedade. Malinowski defendeu o trabalho de campo intensivo e estudou em detalhe a sociedade trobriandesa e sua rede de troca de colares, o Kula, para entender a cultura como um todo coerente.

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A ANTROPOLOGIA CIENTÍFICA:

Franz Boas e Malinowski


Disciplina: Sociologia
Profa Tuany Maria Sousa Moura
O Difusionismo

Substituir o evolucionismo.
Postulava a existência de centros de difusão da cultura,
a qual se transmitia por empréstimos.
Franz Boas (1858- 1942)
Americano de origem alemã
Crítica radical a noção de “estágios”= um costume só
tem significação se for relacionado ao contexto ao qual
se inscreve.
Pesquisas “microssociológicas”
Cada sociedade possui uma totalidade autônoma.
Atenção ao detalhe: tudo deve ser anotado. Transcrição
mais fiel possível.
Procura detectar a unidade da cultura a partir dos
materiais coletados diretamente do campo.
Franz Boas (1858-1942)
O antropólogo precisa aprender a língua do nativo
Nunca formulou uma verdadeira teoria, tão estranho
lhe era o espírito de sistema; e a generalização
apressada.
Formou a primeira geração de antropólogos (ex. Ruth
Benedict, Margaret Mead)
Minimizou a importância da raça como um
determinante do comportamento humano.
Malinowski (1884-1942)
Dominou a cena antropológica desde a publicação de
seu primeiro livro “Os argonautas do pacífico
ocidental”, em 1922.
Enfatizou e radicalizou a noção de trabalho de campo.
Procurou romper ao máximo com o mundo europeu.

Sobre o trabalho de campo...


Os Argonautas do Pacífico Ocidental Bronislaw Malinovski

“Imagine o leitor que, de repente, desembarca sozinho numa praia tropical, perto de uma aldeia
nativa, rodeado pelo seu material, enquanto a lancha ou pequena baleeira que o trouxe navega até
desaparecer de vista. Uma vez que se instalou na vizinhança de um homem branco, comerciante ou
missionário, não tem nada a fazer senão começar imediatamente o seu trabalho etnográfico. Imagine
ainda que é um principiante sem experiência anterior, sem nada para o guiar e ninguém para o ajudar,
pois o homem branco está temporariamente ausente, ou então impossibilitado ou sem interesse em
perder tempo consigo. Isto descreve exatamente a minha primeira iniciação no trabalho de campo na
costa Sul da Nova Guiné. Lembro-me bem das longas visitas que efetuei às povoações durante as
primeiras semanas e da sensação de desânimo e desespero depois de muitas tentativas obstinadas mas
inúteis com o objetivo frustrado de estabelecimento de um contacto real com os nativos ou da
obtenção de algum material. Atravessei períodos de desânimo, alturas em que me refugiava na leitura
de romances, tal como um homem levado a beber numa crise de depressão e tédio tropical.
Imagine-se, agora, o leitor, entrando pela primeira vez na aldeia, sozinho ou na companhia do seu
cicerone branco. Alguns nativos juntam-se em seu redor, especialmente se pressentirem que há
tabaco. Outros, mais distintos e idosos, mantêm-se sentados onde estão. O seu companheiro branco
tem a sua forma habitual de lidar com os nativos e não compreende, nem parece querer compreender,
a maneira como você, enquanto Etnógrafo, os terá de abordar. A primeira visita deixa-o com a
esperança de que, quando voltar sozinho, as coisas correrão melhor. Essa era, pelo menos, a minha
expectativa.
(...)
Regressei na primeira oportunidade e depressa reuni uma audiência à minha volta. Umas
saudações em pidgin-English* de ambas as partes e algumas trocas de tabaco
instalaram uma atmosfera de amabilidade mútua. Tentei então passar ao assunto.
Primeiro, para começar com temas que não levantassem suspeitas, comecei a «fazer»
tecnologia. Alguns nativos estavam ocupados a fabricar um ou outro objeto. Era fácil
observá-los e obter os nomes das ferramentas e mesmo algumas expressões técnicas
sobre os procedimentos, mas logo se esgotou o assunto. É preciso não esquecer que o
pidgin~ -English é um instrumento muito imperfeito para expressar idéias e que, antes
de se alcançar um treino razoável na construção de perguntas e compreensão de
respostas, a sensação é a de que nunca se virá a atingir uma comunicação fluente com
os nativos; e eu era incapaz de estabelecer qualquer conversa clara ou detalhada com
eles. Estava ciente de que o melhor remédio para ultrapassar isto era empreender a
recolha de dados concretos e, então, elaborei um censo da aldeia, registrei genealogias,
tracei planos e recolhi os termos que designam as formas de parentesco. Mas tudo isto
era material morto que pouco adiantava para o conhecimento da verdadeira
mentalidade ou comportamento nativo, uma vez que eu' nem sequer podia adquirir uma
boa interpretação local de nenhum destes temas nem alcançar aquilo que poderemos
designar como o sentido da vida tribal. (Argonautas do Pacífico Ocidental, pág. 4)
Malinowski (1884-1942)
Enquanto Boas buscava estabelecer repertórios
exaustivos, Malinowski acreditava que a partir de um
único costume era possível acessar o perfil conjunto de
uma sociedade.
A sociedade deve ser estudada em sua totalidade tal
qual a observamos.
Analisar uma microssociedade sem se referir a sua
história.
Os costumes dos Trobiandeses tem uma significação e
uma coerencia. Não são puerilidades que testemunham
alguns vestígios da humanidade, e sim sistemas
lógicos perfeitamente elaborados.
Malinowski (1884-1942)
Com Malinoski a antropologia se torna a ciencia da
ALTERIDADE, se dedica aos estudos particulares de cada
cultura.

Sobre essa coerência interna = FUNCIONALISMO


O indivíduo sente um certo numero de necessidades, e
cada cultura tem precisamente como função a de
satisfazer a sua maneira essas necessidades fundamentais.
Cada uma realiza isso elaborando instituições
(econômicas, políticas, jurídicas, educativas. . .),
fornecendo respostas coletivas organizadas.
Malinowski (1884-1942)
FUNCIONALISMO
 Sociedades estáveis e sem conflito
 Como explicar a mudança cultural?
 Finalismo biológico= generalizações
Malinowski (1884-1942)
O KULA

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