Telescópios e Detectores Ópticos
Telescópios e Detectores Ópticos
INFORMAÇÃO GERAL
Agradecimento : Ao Professor Pedro Augusto pelo brilhante trabalho de execução e divulgação desta obra.
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Programa
1 – ÓPTICA GEOMÉTRICA
1.1 Geral
Para uma lente/espelho objectiva de diâmetro (abertura) D e
distância focal fl temos o f/número (razão focal) dado por:
f = fl / D
Acoplada, num telescópio, a uma ocular de distância focal fo As oculares existem em dois tipos: de 1 1/4”
e diâmetro do temos: (1.25 polegadas) ou 2”, conforme o seu diâmetro.
O primeiro tipo é o mais popular, mas o segundo
d = D f o / fl
Este diâmetro deve ser ajustado ao da abertura de entrada do detector, de modo a não se perderem
fotões (e.g. se com uma ocular, deve andar à volta dos 8mm, o maior diâmetro da iris). Na pior das
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hipóteses, a ampliação pode ser maior, mas nunca menor.
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= do / fl
ab = a b / fl2
É a escala de imagem que dá a conversão directa de valores angulares (no céu) para lineares (no
detector).
De uma forma semelhante à ocular, o campo-de-visão de cada pixel vai ser dado pela sua dimensão
do e define a resolução de uma CCD. Aplicado à CCD temos:
= do / f l = I d o
Segue-se uma fórmula que nos dá a magnitude limite de um telescópio em função da sua abertura
efectiva (Def) – por exemplo, num reflector, devido à obstrução causada pelo secundário/espelho plano,
a redução de abertura pode chegar aos 50%.
mlim = 7.5 + 5 log Def(cm)
Esta fórmula dá valores mais favoráveis do que a simples comparação de “razões de diâmetros”.
Assim, um telescópio de 20cm detecta estrelas mais de quatro vezes mais fracas do que um de 10cm.
Quanto ao f/número, a vantagem principal de pequenos valores (os telescópios rápidos) é a de que as
exposições são mais curtas para o mesmo objecto (c.f. telescópios lentos). No entanto, o foco é mais
fácil de atingir com um f/número elevado.
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a) lente biconvexa: funciona como colimador, quando os raios fazem o percurso ao contrário;
b) espelho côncavo (e.g. parabolóide, esférico);
c) lente bicôncava (divergência a partir do foco);
d) espelho convexo (comum em telescópios Schmidt e Cassegrain). 8
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40-50º.
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Os dois principais problemas de lentes são o de funcionarem como prismas (introduzindo a aberração
cromática) e o de serem pesadas (limitando o seu tamanho prático a 1m). Ainda, um vidro de grandes
dimensões pode levar anos em arrefecimento controlado de forma a ficar com um mínimo de qualidade
profissional (homogeneidade e transparência). Mas há mais: o vidro da lente absorve radiação UV pelo
que não é possível observar nesta banda do espectro electromagnético. Finalmente, o valor típico em
refractores é f/15, claramente desadequado para a observação de galáxias e outros objectos de baixo
brilho superficial.
Mas não há só desvantagens! A enorme estabilidade térmica e a excelente capacidade em a óptica
manter o seu alinhamento são vantagens exclusivas de refractores.
Chegou a hora de falar nos quatro tipos principais de aberrações, a começar pela já mencionada
aberração cromática.
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Índices de refracção
de vários tipos de
vidro.
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1.2.4 Coma
1.2.5 Astigmatismo
Um sistema óptico ideal (perfeito) é estigmático, no sentido
em que a imagem de um ponto é um ponto. Na vida real, no
entanto, como temos telescópios de abertura finita, o
melhor que se consegue fazer é obter imagens limitadas Dois exemplos de correctores de coma. Um
pela difracção (Secção 1.3) que transformam pontos em esquema óptico típico apresenta-se em cima.
discos (de Airy).
Uma fonte pontual, no entanto, pode aparecer elíptica devido ao sistema óptico utilizado. Tal acontece
sempre que a luz que incide oblíqua na lente/espelho é focada como em duas rectas perpendiculares
(e não num ponto). Este efeito depende do f/número.
1.3 Difracção
A maioria das estrelas deveriam ser pontos, como vistas pelos
telescópios de que dispomos. No entanto, por melhor que sejam as
condições atmosféricas (seeing) nunca as vemos mais pequenas
do que um disco (de Airy – 1835) que junta anéis (de difracção).
Este efeito, dito de difracção, é devido à utilização de uma abertura
finita e redonda, sendo ainda a luz enviada por um tubo (muitas
Um objecto pontual como visto por um
vezes) que provoca interferência daquela com ela mesma. Além
telescópio: o disco de Airy e anéis de
disso, todas as estruturas do próprio sistema óptico (e.g. as Fraunhofer. O disco (teórico) tem 84%
“aranhas” ou “cruzes” que seguram os espelhos secundários) da luz, o 1º anel 7%, o 2º anel 3%, etc.
adicionam mais efeitos difractivos.
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Claramente não houve nenhuma base física para esta definição e, assim, a mesma tem de ser
interpretada com algum cuidado. Por exemplo, há quem considere uma outra definição mais “prática”,
usando para limite os 5% da intensidade central do disco de Airy:
Este último resultado é idêntico ao obtido em telescópios Cassegrain com = 0.5 (0 ≤ < 1); mais
típicos são valores em 0.15-0.30. De facto, a resolução é tanto melhor quanto maior for a obstrução,
sendo o preço a pagar o contraste que se perde. Para → 1 chega-se ao valor limite de:
Mais importante que a resolução é a concentração de luz no disco de Airy (quanta maior, melhor: maior
contraste – gama dinâmica). Numa óptica de má qualidade a maior parte da luz está nos anéis e não
no disco. Mais físico é, então, o critério de Strehl (1902) ou razão de intensidade de Strehl (abreviada
por razão de Strehl):
St = I / I0 = 1 – (2 / )2 Wrms2
com I0 e I a intensidade no centro do disco de Airy sem (com) aberrações de contribuição Wrms2 (em
variância estatística). Na prática, boa qualidade óptica existe sempre que as aberrações não retiram
mais de 20% de luz do disco de Airy (S t ≥ 0.80). Assim, podemos calcular qual o erro máximo para as
aberrações, em termos de “erros” na superfície: 19
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O critério de Strehl só funciona nos “dois sentidos” até S t ≥ 0.50. A partir daqui deixa de ser possível
tirar o valor de Wrms2 a partir de St (mas não o contrário).
É apenas na Astronomia Amadora que a distância focal do sistema pode ser a do telescópio. Na
Astronomia Profissional as correcções e os caminhos para a luz são tantos (entre espelhos,
colimadores, lentes, etc.) que o f/número final do sistema pode ser bem diferente do do telescópio.
1.4.1 Telecompressor ou Redutor Focal
O Redutor Focal ou Telecompressor é uma lente biconvexa
(positiva) que reduz o foco original de um espelho/lente (logo,
reduz o f/número) de um factor zRF. É colocado entre a ocular e a
restante óptica do telescópio. Só funciona em Schmidt-
Cassegrains, Maksutov-Cassegrains ou em espectrómetros. 20
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Os redutores focais são fornecidos com valores fixos (e.g. 0.7, 0.5, etc.). Alguns são zooms (e.g.
0.5 – 0.7) e, assim, dão uma enorme flexibilidade à produção de imagens. Pode-se, também,
artificialmente construir um zoom, colocando o redutor focal mais afastado da ocular do que a posição
base. No entanto, este efeito será sempre para baixo: zoom < 0.5. De facto, determina-se zRF por:
zRF = 1 – d / fRF
onde fRF é a distância focal do redutor e d a distância a que se coloca o mesmo do plano focal do
telescópio.
A redução focal tem um custo: também reduz o campo de visão efectivo do telescópio. Por vezes é
isto mesmo que se pretende: e.g. quando se pretende fazer imagens com uma CCD (usualmente de
campo pequeno; sempre bem mais pequeno que o do telescópio-ocular). O ideal é ajustar o campo
da mesma ao que vem do telescópio recorrendo a um telecompressor.
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Teoricamente há uma outra vantagem com a utilização de um redutor focal – a redução proporcional
do tempo de exposição como comparado com o original (telescópio sem redutor), T:
Tf = T zRF2
O valor mais típico, no entanto, aplica-se na prática pois o redutor focal raramente é quase-perfeito e
a cobertura do objecto observado no campo do telescópio raramente é eficiente:
Tf = 1.2 T zRF2
Em adição, nestes últimos casos a imagem pode não ser homogénea, tendo a sua parte central bem
mais brilhante do que os extremos do campo-de-visão.
Para super-reduções focais é, normalmente, preferível usar dois redutores em série do que um com
um valor de zRF muito baixo (e.g. é melhor acoplar dois de 0.5 do que usar um de 0.25). Isto é
devido aos efeitos ópticos indesejáveis que começam a aparecer com um super-redutor.
1.4.2 Teleconversor ou Lente Barlow
Uma lente Barlow (1828-33) ou Teleconversor aumenta fl (e o
f/número) de um factor zB. Consiste numa lente côncava (negativa)
que se utiliza entre a ocular e a restante óptica do telescópio. Como
para o redutor focal, mesmo que uma Barlow venha com um valor
fixo de ampliação (2, 3) é possível construir um zoom modificando
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a sua distância na ocular (desta vez, a partir de 2 e 3,
respectivamente: há um limite inferior para o zoom).
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Agora o campo de visão fica mais reduzido, aumentamos o f/número e o tempo de exposição (de
forma semelhante ao que acontece com o telecompressor):
Tf ≥T zB2
zB = 1 + d / f B
onde fB é a distância focal da Barlow e d a distância a que se coloca a mesma do plano focal do
telescópio.
A Barlow, no entanto, não tem os problemas de heterogeneidade de brilho de campo do
telecompressor. Problemas podem advir da sua aplicação (quanto maior zB, pior) em telescópios de
f/número muito pequeno (devido à excessiva curvatura do cone de luz incidente no plano focal). Uma
boa forma de compensação é utilizar uma Barlow zB – 1 ou zB – 2 a uma distância do foco equivalente
a termos zB.
Também ao contrário dos telecompressores, uma Barlow funciona melhor sozinha do que em série
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(e.g. é melhor uma de 4 do que juntar duas de 2).
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z o = d / fo – 1
onde fo é a distância focal da ocular e d a distância a que se projecta a
imagem no detector.
Field flattener
1.4.6 Baffles
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1.5.2 Newtoniano
O comprimento do tubo já dá uma ideia de fl. Com mais exactidão: fl = fl 1 + fl 2 onde fl 1 é a distância
do centro do espelho parabólico ao centro do espelho diagonal e fl 2 a distância desta ao plano focal.
Uma alternativa para medir fl directamente é olhar para o espelho parabólico só com um olho e
encontrar a distância d onde se vê bem focada a sua imagem. Temos: fl = d / 2. 27
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ii) Escolher uma estrela com ≈ 0º, desligar o motor de ascenção recta (numa montagem
equatorial) e contar o tempo que a estrela leva a atravessar o campo – como cada quatro
minutos (3m59.3s, de facto), sobre o equador, a Terra roda 1º, tiramos o tamanho angular
do campo.
ii) ou conhecemos a escala no filme/CCD: medimos com uma régua o percurso p da estrela
durante a exposição e determinamos I = / p = 1 / fl fl = p / .
É claro que as técnicas aqui descritas para aplicação a um Cassegrain se aplicam também para
qualquer tipo de sistema óptico, por muitos auxiliares ópticos que o componham.
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1.6.1 Colimação
A colimação consiste em alinhar a óptica do telescópio de
forma a funcionar como foi idealizado. Quando um
telescópio está descolimado o efeito que surge nos objectos
é muito semelhante à aberração comática.
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Na prática, este ajuste faz-se com os passos (nota: cada um dos passos repete-se até à estrela de
teste não sair mais do centro):
o) nunca usar um “star diagonal” (usar apenas oculares);
i) observar estrela alta no céu, levemente desfocada e centrada, a baixa ampliação (100-200×)
[ – recentrar];
ii) observar a mesma estrela (desfocada) com maior ampliação (400-600×) – recentrar;
iii) observar estrela brilhante a 40-60×, focada, e garantir que os anéis de difracção em torno
do disco de Airy apareçam uniformes, circulares e concêntricos no centro do campo de visão;
iv) Confirmar iii) com tanta ampliação quanto o seeing permitir.
A razão (puramente
geométrica) do círculo
correspondente ao diagonal
Diagonal
mirror não ser concêntrico.
diagonal
Mais uma vez, é fundamental a obtenção de imagens “antes” (a) e “depois” (d) do foco. Assim, temos a
dimensão relativa da obstrução central em cada caso: Dobsa / Da e Dobsd / Dd. Os tamanhos não devem
diferir mais de 20% para as contas que seguem.
Vem, para a aberração esférica:
d = D / [ 8(1 – 2) fl ]
Uma potencial quarta forma não é nada prática e, por isso, não é utilizada: deslocar o primário na direcção
oposta à do vector de coma.
A execução é de uma forma semelhante à coma mas usa-se apenas para as medições a forma exterior
da pupila (já que a obstrução não é tão sensível ao astigmatismo).
Vem: A = (a – b) / 2
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A) Anéis de Newton
C1) Fizeau
Este tipo de interferómetro é muito semelhante ao de Newton. A principal diferença é que o
espaçamento entre placas é muito maior – devido a isto tem de se usar um pequeníssimo buraco de
projecção e uma lente colimadora da luz monocromática. No caso da superfície a testar ser côncava, o
colimador dispensa-se.
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C2) Haidinger
Como no interferómetro de Newton, a fonte de luz
monocromática é estendida: usualmente o buraco de projecção é
bem maior do que na interferência de Fizeau. O perfil de
interferência é circular (como o de Newton).
Na versão mais recente (Shack-Hartmann, com lentículas), pode ser usado da mesma forma que o
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teste interferométrico LUPI (Twyman-Green). Foi utilizado nos testes ao primário do NTT, por exemplo.
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1.6.7 Esferómetro
Este é um aparelho, que pode ser em forma de barra curva, que se
utiliza para medir a precisão de determinada superfície. Além disso,
também mede o raio de curvatura e a asfericidade. Por exemplo, após o
desbaste do VLT usou-se um esferómetro (precisão 0.1m) para ajuizar
a sua forma (que estava correcta a menos de 1m). Esse esferómetro
tinha 1.64m de comprimento e utilizou-se sobre a superfície desbastada
do VLT de 0.82m em 0.82m (metade do seu comprimento). 41
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É frequente ter de testar a óptica, por exemplo, do espelho secundário de um Schmidt-Cassegrain. Ora,
este espelho é convexo (hiperbólico) e nenhum dos testes anteriores é adequado para tal. Além disso, a
óptica deste espelho é, em si, complexa (e.g. nunca forma uma imagem real).
Só se pode testar a qualidade óptica de espelhos convexos (“peça” opaca) com recurso a meios ópticos
suplementares. Por exemplo, não se testa o secundário individualmente mas em operação no
telescópio. Diferenciam-se os defeitos do secundário dos da restante óptica:
i) após subtracção dos defeitos da “restante óptica” (previamente determinados por outros testes);
ii) pela comparação com um (ou mais) telescópio(s) absolutamente idêntico(s) e já testados (e
colimados, ao menos);
iii) recorrendo ao pentaprisma (Wetthauer & Brodhun 1920) – teste da aberração esférica e coma.
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Quando a “peça” de um espelho convexo é feita de material vítreo de alta qualidade e se o mesmo é um
primário (por exemplo de um telescópio Ritchey-Chrétien), há formas directas de estudar a sua superfície:
ii) olhando para o espelho por “trás”, fazem-se testes como para um
espelho parabólico (nota: a qualidade do material vítreo da “peça”
deve ser quase-perfeita).
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2 – TELESCÓPIOS
Galileo foi o primeiro cientista a usar telescópios
sistematicamente para o estudo da Astronomia (a
partir de 1609), tendo também pensado em reflectores
(Zucchi, 1616, fez o primeiro, sem sucesso).
A invenção do telescópio é atribuída ao holandês Hans Lippershey (1608) enquanto o primeiro tratado
científico sobre o mesmo foi feito por Kepler (1611), com a consequente invenção da óptica kepleriana
em 1630. Descartes (1634-1637) e Schwarzschild (1905) completaram a teoria (especialmente este
último, no seu detalhado estudo sobre aberrações).
O grande telescópio do
Cáucaso; D=6m, f/4.
Antes de entrarmos no estudo detalhado de reflectores (vários focos) é boa hora para mencionar um
tipo atípico: o telescópio de espelho líquido (Liquid Mirror Telescope – LMT). Este consiste num
espelho de mercúrio (claro!) em rotação.
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Os espelhos líquidos aproveitam-se da lei da gravidade para, em rotação, conseguirem uma forma
parabolóide (quase) perfeita. É uma técnica já conhecida desde meados do sé[Link]. A relação
principal é dada por:
fl = g / 22
onde g é a aceleração da gravidade no local e a velocidade angular do espelho.
A) Newton
Newton foi, também, o primeiro a inventar (publicar) o polimento com “pitch laps” (e Herschel foi
o primeiro a usar a forma de quadrado no “pitch”).
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B) Cassegrain
Graças à convexidade do secundário (já que o primário pode ser tão rápido quanto f/2), o f/número
do telescópio é grande (f/15 é típico): é bem maior do que em newtonianos típicos. É o tipo de foco
mais popular.
C) Coudé/Nasmyth
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D) Gregory
O foco de Gregory (1663) é quase exclusivo de telescópios
solares, uma vez que o intenso calor se concentra no foco
“verdadeiro”, fora do plano onde se faz a projecção, de facto
(assim, gera-se uma imagem solar “intermédia” que absorve
o calor intenso). É um tipo de foco que requer apenas um
telescópio curto e uma abertura modesta. Usa um espelho
secundário elipsoidal e tem uma óptica semelhante a um
kepleriano desfocado.
E) Ritchey-Chrétien
Muito semelhante à ideia original de Mersenne, o foco Ritchey-Chrétien (1910-1922) usa para espelho
principal um hiperbolóide com uma excentricidade muito próxima da parábola de Mersenne (e ~ 1).
Como num Cassegrain, o secundário é hiperbolóide. Estes telescópios conseguem estar isentos das
aberrações esférica e comática. Ainda, têm um campo maior que um Cassegrain. A desvantagem é a
dificuldade em fazê-los e o consequente alto preço que atingem.
A) Bouwers
A correcção do telescópio de grande campo (de espelho esférico)
foi feita pela primeira vez por Bouwers que, ao introduzir uma lente
correctora, preferiu a aberração cromática à esférica. O telescópio
concêntrico de Bouwers é, assim, totalmente simétrico e tem um
campo potencial de 180º (a menos de “vignetting” causado pelo
“stop”). Este tipo de telescópio só tem utilidade para fotometria de
banda estreita (precisamente devido à cromaticidade).
B) Schmidt
Schmidt (1931) utilizou uma versão acromática do telescópio de
Bouwers, adicionando um corrector asférico de difícil construção
(porque elimina duas aberrações: a esférica e a cromática). Além
disso esse corrector (lente) garante um enorme campo de visão (e.g.
6.5º × 6.5º para o do [Link] que fez a POSS).
C) Maksutov
Um Schmidt-Cassegrain.
Temos para a distância focal do menisco (n é o índice de O menisco é mais bojudo no centro
(onde a espessura é d=r2-r1).
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refracção):
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dflmen / dn = 0
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D) Três/quatro espelhos
Versões mais exóticas de telescópios, com recurso
a um espelho terciário (e mais) existem, embora
poucas versões práticas tenham sido construídas.
Baseado em ideias de Mersenne, Korsch (1972)
inventou dois tipos, com espelhos hiperbolóides
(todos) de e ~ 1 (garante estigmatismo).
Um telescópio Mersenne-Schmidt.
De forma a manter uma excelente capacidade astrométrica (que também permite medir a latitude e a
longitude do lugar), usam-se “Círculos Meridianos de Trânsito” que consistem em telescópios bem fixos
a um sólido eixo EW, deslocando-se apenas em altura (sobre o meridiano e vertical do lugar, no ponto
de “trânsito” dos objectos (a sul), onde têm altura máxima). Um sistema reticular no plano focal permite
a cronometragem exacta do trânsito de objectos astronómicos.
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Um telescópio solar profissional consiste numa torre (20-50m de altura) com um espelho no topo que
segue o Sol (é motorizado) e reflecte a radiação deste por um longo tubo (isolado de turbulências) até
ao “laboratório solar”, no fundo de um poço. Aqui, está um espelho (usualmente côncavo, se for o
principal) num foco Gregory que, por sua vez, envia a imagem do Sol para um sistema óptico (que pode
ter outros espelhos e lentes) antes da sua projecção para análise e aquisição de exposições.
Alguns exemplos de telescópios solares encontram-se no [Link] (Califórnia), Novo México, Kitt
Peak e nas Canárias.
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2.2 Infra-vermelho
2.2.1 Na Terra
O grande problema das observações no IV é a constante existência de um ruído térmico de fundo, que
afecta as observações. O próprio telescópio, o observatório e a superfície da Terra em seu torno
emitem muito forte nos ~10m (pico da curva de Corpo Negro para T~300 K), de uma forma muito
irregular (espacio-temporalmente). Esta emissão é tão forte como ~10 6 vezes a emissão das mais
brilhantes fontes de IV do Universo.
A forma de remover o constante “ruído” é observar a fonte e um campo vazio (para subtracção deste
último), usualmente a menos de 1’. No caso do IV, deve haver uma rápida alternância entre estas
exposições, de tal forma que todos os telescópios IV possuem um espelho especial no plano focal (ou
o espelho secundário, se existente, pode fazer a função deste): oscila a ~10-100 Hz.
Além disso, todo o sistema é arrefecido criogenicamente, de forma a diminuir ao máximo o ruído.
Como mesmo em montanhas altas não se conseguem “janelas” para observar o IV longínquo (>25m),
usam-se ou observatórios no espaço ou aviões (Kuiper Airborne Observatory – KAO; Stratospheric
Observatory For Infrared Astronomy - SOFIA) de forma a fazê-lo.
Um dos mais emblemáticos telescópios de IV à superfície da Terra é o UKIRT (United Kingdom Infra-
Red Telescope), no Hawaii.
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O SOFIA tem 2.5m de diâmetro e iniciará testes no final de 2008 para começar a ciência em 2009.
2.2.2 No espaço
O primeiro sério telescópio espacial de IV foi o IRAS. Este tinha os seus detectores arrefecidos com
hélio líquido (T~4K) e, assim, bateu recordes em sensibilidade: o ruído de fundo era ~10 12 menos do
que nos telescópios à superfície da Terra. Em menos de um ano revolucionou a Astronomia do IV
médio e longínquo (12, 24, 60 e 100m), com ~106 fontes catalogadas.
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A segunda diferença, muito importante, é que os rádio telescópios devem estar “protegidos” da emissão
ruidosa da superfície da Terra (que também afecta o rádio, à semelhança do IV). Assim, a própria
antena serve de “escudo” mas, para tal, o f/número deve ser ~1 ou mesmo <1 (portanto, com a
distância focal inferior ao diâmetro da antena). A consequência é uma significativa aberração comática,
facilmente corrigível nos dados.
Uma antena-protótipo
do ALMA (D=12m) em
Socorro (Novo México).
O rádio telescópio
submilimétrico JCMT, D=15m.
O rádio telescópio
submilimétrico SEST, D=15m.
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2.4.1 Raios X
Até aos anos 70 a Astronomia de raios X foi explorada apenas por foguetes. Conseguiu-se, até aí, a
construção de um catálogo de 30 fontes.
O satélite Uhuru, operando em 2-20 keV, fez a primeira “survey” do céu (161 fontes).
Após mais alguns satélites europeus e americanos, o primeiro telescópio de raios X seguiu no
Einstein, lançado em 1978 (área efectiva ~50 a ~300 cm 2 correspondendo de E~3.5keV a E~2 keV).
Claro que o que passou à história como revolucionário nesta banda foi o ROSAT.
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O primeiro problema, no entanto, surge na excessiva perfeição de um eventual espelho reflector: teria
de ter a superfície perfeita a menos de 1 Å! O segundo problema surge no facto de fotões tão
energéticos passarem “a direito” por um espelho convencional, só sendo “convencidos” a convergir num
foco se o ângulo de incidência/reflexão for pequeno (o que se consegue com uma óptica especial). Em
termos de refracção, não há nenhum material que consiga convergir num foco o grosso dos fotões em
raios X.
A primeira solução encontrada foi a colocação de um colimador
mecânico em frente ao foco do detector (que pode ser um contador
proporcional, por ex.). Aquele vai restringir os ângulos de incidência
dos fotões, passando a ser conhecida, então, a direcção do céu de
onde os fotões são originários.
2.4.2 Raios
Mais lenta a reagir, a Astronomia dos raios teve como primeiros
satélites o SAS-II e COS-B nos anos 70 que eram, essencialmente,
camâras de bolhas (como em Física de Partículas).
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Só recentemente, com o Integral (já no espaço) e o Gamma-Ray Large Area Space Telescope
(GLAST), a lançar em Maio de 2008, se fez um avanço significativo. No caso do GLAST, já nos
aproximamos bem da ideia de um telescópio convencional.
O GLAST terá uma área efectiva de 9500 cm2 e observará na gama 0.020-300 GeV.
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3 – DETECTORES
O primeiro detector astronómico foi, claro, o olho humano. E foi o único
disponível até bem “recentemente” (1840). Foi, entretanto, substituído
por uma imensa variedade de detectores (no óptico) que têm
equivalentes nas outras gamas do espectro electromagnético.
Um olho direito visto de cima. Temos
Os problemas principais do olho humano são a baixa sensibilidade
D=2-8mm (íris) e fl 2.5cm – mas
(apesar da gama dinâmica de 1:1010, 100 vezes melhor que as das
pode variar (músculos).
células sensíveis à cor), resolução ( ~ 1’ ) e estreita gama espectral:
as células sensíveis às cores têm 10m de separação e cobrem apenas
0.40-0.65m (três cores:pico ~ 430nm(B), 530nm(G), 560nm(R)). De
facto, o céu já foi explorado até à exaustão com o olho humano (nú) até
ao tempo dos gregos e via telescópio desde Galileo (1609).
Um outro problema óbvio que o olho tem, comparado com os outros detectores, é a incapacidade de
integração ao longo do tempo (o olho não faz exposições longas…). Assim, é muito limitado em relação
aos objectos que consegue detectar.
Mas os detectores têm, além dos limites próprios, limites externos como o brilho do céu nocturno
(magnitude limite – Secção 3.5) que não deixam ver objectos abaixo de determinado valor de brilho
superficial, por melhor que seja o detector.
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O design do detector e do analisador (o elemento que, de facto, mede o fluxo incidente) é, hoje em dia,
tão importante como o do próprio telescópio. Um detector tem dois modos de operação:
i) Modo imagem: a óptica do telescópio e detector devem estar perfeitamente alinhadas de forma
a obter imagens que, dentro do campo de visão do conjunto, estão perfeitamente focadas e não
apresentam aberrações.
ii) Modo fotométrico: neste modo determinam-se com o máximo de exactidão possível os brilhos
(aparentes) dos objectos observados.
Formalmente, a detecção é fotónica até ~ 0.2mm (no sub-mm). A partir daqui o que se mede é o
campo eléctrico da onda incidente (e não se faz a “contagem” de fotões como acontece para bandas
mais energéticas).
A máquina fotográfica (1840) foi o primeiro detector (e no óptico) a substituir o olho humano. A preto-e-
branco, continua a ser o tipo de detector mais simples. Permitiu, pela primeira vez:
i) Registar imagens de uma forma não-ambígua. Deixou de ser fundamental confiar totalmente
nos astrónomos e nos desenhos que faziam (havia “provas” mais directas).
ii) Integrar imagens ao longo do tempo, detectando objectos muito mais fracos do que os
visíveis a olho nú.
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O grande problema da máquina fotográfica, que a levou a ser destronada pela CCD, é a sua incrível
ineficiência (só 0.1% dos fotões incidentes tornam um “grão” da emulsão escuro; só ao fim de 50 grãos
é que se forma uma imagem (ponto) detectável na chapa fotográfica – mínimo de 5 × 104 fotões para
formar uma imagem). Por comparação, o olho humano tem uma eficiência de 1%...
Nas últimas décadas, emulsões fotográficas especiais (“hypersensitized”) conseguiram atingir os 10%
de eficiência, nos limites do que é possível fazer com fotografia. A técnica envolve o aquecimento da
emulsão e a exposição da mesma a vários gases – a ideia é criar mais “buracos” na emulsão
disponíveis a acolherem fotões.
3.1.1 A máquina em si
Qual o significado de DSLR e SLR
DSLR é um acrônimo em inglês (uma sigla) que resumidamente significa Digital Single Lens Reflex.
Digital = câmera digital, portanto esta sigla não se aplica às câmeras analógicas (que podem ser
chamadas apenas de SLR).
Single Lens = uma única lente montada ao corpo da câmera. Ela pode ser removida e substituída. A
câmera não tem uma lente separada apenas para o visor, e por isto o fotógrafo vê exatamente a
mesma imagem que vai ser projetada no sensor.
Reflex = a câmera tem um espelho móvel e um pentaprisma ou pentaespelho para refletir a imagem
projetada através da lente para o visor.
Portanto, a diferença é simples entre DSLR e SLR: SLR se aplica geralmente à câmeras analógicas
(de filme), enquanto DSLR é um termo que só pode ser utilizado para câmeras digitais.
Onde:
1 – Diafragma
2 – Espelho
3 – Obturador
5 – Sensor
7 – Pentaprisma ou pentaespelho
8 – Visor analógico
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*Câmeras DSLR mais baratas costumam ter um pentaespelho e as mais caras costumam ser servidas
com um pentaprisma.
O despolido (item 6 da lista anterior) é uma peça fundamental para o funcionamento da câmera, e
apesar disso é desconhecido por muitos fotógrafos. A tela despolida, como também é conhecido, é
aonde a imagem que entra pela lente é focada enquanto o espelho está abaixado. Quando olha pelo
visor, o fotógrafo vê o reflexo desta imagem.
Uma das características mais relevantes das câmeras DSLR e SLR é permitir a troca de lentes. Por
causa disto, estas câmeras adequam-se melhor às necessidades pontuais do fotógrafo, tornando
possível a adaptação do mesmo corpo de câmera para fins distintos – como macrofotografia com lentes
de macro, ou fotografia de esportes com telefotos por exemplo.
É importante ressaltar que o encaixe das lentes nos corpos das câmeras DSLR e SLR é por meio de
interface específica de cada fabricante. Assim, por exemplo, fica impossível (sem um adaptador) utilizar
uma lente da Canon em uma câmera Nikon e vice-versa.
Apesar de câmeras mirrorless também permitirem a troca de lentes, elas não são chamadas de DSLR
por não possuírem o espelho interno. Além disso, a maioria das mirrorless não possui outros elementos
que todas as DSLR e SLR têm, como visor analógico e pentaprisma/pentaespelho.
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Podemos dizer que câmeras DSLR têm três modos de operação distintos:
1 – Antes de fotografar
Enquanto o fotógrafo olha pelo visor e ajusta a composição da sua fotografia, a imagem visualizada é aquela
que passa por dentro da lente, reflete no espelho e no pentaprisma ou pentaespelho.
Neste momento, o espelho permanece abaixado e a fotometria ocorre no fotômetro existente dentro do corpo
da câmera.
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2 – Durante a fotografia
A animação abaixo demonstra, de forma resumida, como uma câmera Digital Single Lens Reflex (DSLR)
funciona quando uma fotografia é tirada.
A grande maioria das DSLR passa por todos os passos do processo descrito a seguir, desde que o botão
disparador é clicado até a imagem ser salva no cartão de memória. Tenha em mente que cada câmera reage
de uma forma e em seu próprio tempo, e possivelmente com uma sequência ligeiramente diferente.
A – O botão disparador é clicado;
B – A câmera faz a fotometria e ajusta alguns ou todos os parâmetros
existentes no triângulo de exposição (nos modos automático e
semiautomáticos apenas);
C – O espelho é levantado, deixando a luz passar para o obturador;
D – O diafragma da lente se fecha até alcançar a configuração de f/stop
definida pelo fotógrafo (ou pela própria câmera nos modos automático e
semiautomáticos);
E* – A cortina do obturador se abre, deixando a luz passar para o sensor;
F* – O sensor começa a captar luz e transformá-la em sinal analógico (eV);
G – O sinal analógico passa por uma conversão digital, para que a imagem
seja processada. Os pequenos volts se transformam em strings de dados
(1010100110001…);
H – A câmera detecta as cores e compara com 12 ou 18% cinza
(dependendo do modelo) e calcula o balanço de branco (quando está
configurada em modo de balanço de branco automático) e aplica na imagem;
I – A câmera faz correções de vinheta, redução de ruído e de aberrações
cromáticas (depende do modelo e configurações);
J – A fotografia é salva na memória interna da câmera (buffer ou flash), junto
com todas as suas informações de metadados e processamento aplicados a
ela;
K – A imagem é comprimida e salva em JPEG, Tiff ou RAW (ou qualquer
outro formato ou conjunto de formatos configurados na câmera);
L – A imagem é copiada para o cartão de memória, onde fica registrada e 82
acessível para transferência externa.
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Neste modo de operação, o sensor fica constantemente exposto à luz vinda de fora, que passa através da
lente. O diafragma é mantido na posição configurada, o espelho é retido levantado e a cortina do obturador
aberta.
E é por isso que, quando a câmera está operando desta forma, nenhuma luz vem da lente para o visor. O
espelho fica levantado e além de não refletir a luz que entra pela lente, ainda funciona como barreira da luz
que incide pelo visor e reflete no pentaprisma.
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Tamanhos de sensores
Fotões incidentes num grão excitam electrões que se deslocam até encontrar algum ião de prata,
formando prata neutra (usualmente, só 1 em 1000 é que encontra um ião), que escurece a emulsão. É a
prata que forma a imagem, após a utilização de um redutor.
O redutor inunda a emulsão com electrões, removendo os átomos de Br (ou Cl) que passam a
brometos (cloretos) solúveis em água e funciona mais rapidamente para os grãos já catalizados pela
luz. Também os restantes iões de prata passam a prata neutra. Assim, deve-se parar o processo a
determinado ponto, senão em vez de imagem (zonas branco-escuras) temos tudo escuro outra vez…
Para tal, usa-se uma solução levemente ácida (acética) assim que se vê formar a imagem (negativo –
zonas escuras são as que encontraram fotões com sucesso), parando o processo quando pH=6.8 (deita-
se fora toda a solução).
Finalmente, mergulha-se a emulsão num fixador (e.g. tiosulfato de sódio) que dissolve os restantes cristais
de AgBr (ou AgCl). Conclui-se com uma cuidada lavagem em água, de forma a retirar todos os solúveis.
Na prática este processo (revelação) amplifica os efeitos de um único átomo neutro de prata em 10 9, o que
quer dizer que é, de facto, uma “núvem” de átomos de prata que traduz a incidência de um único fotão e
que corresponde a um “pixel” – resolução. O grão da chapa fotográfica surge devido à formação de
núvens de átomos neutros sem a intervenção de fotões.
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A fotografia não tem uma resposta linear aos fotões incidentes (desvantagem). Temos:
O facto da fotografia ser não-linear implica que o tamanho das estrelas numa dada exposição não é
proporcional ao seu brilho (também dependendo da exposição) – a dita Lei da Reciprocidade é violada.
Nos anos 20, mais de 40 anos depois da descoberta do efeito fotoeléctrico por Hertz, os primeiros
detectores fotoeléctricos foram experimentados na Astronomia. Mas só nos anos 50 a célula
fotoeléctrica ganhou implantação como detector. Para um fotão incidente de energia E temos:
Para um fotão ser detectado temos de ter E> Ee-ligado. A energia Ee-livre é proporcional, então, à energia
do fotão. Na prática, a célula fotoeléctrica tem uma superfície (foto-cátodo) com uma d.d.p. para um
ânodo, gerando uma corrente eléctrica constante. Cada fotão incidente vai aumentar essa corrente (ao
contribuir com mais um electrão) de forma linearmente proporcional à sua energia. Em metais,
Ee-ligado 1 eV pelo que a detecção por efeito fotoeléctrico se pode fazer no IV, no visível, no UV e nos
raios X.
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i) Gama dinâmica mais larga: há muitos mais electrões numa célula fotoeléctrica do que grãos
numa chapa fotográfica. Assim, aquela custa mais a saturar e tem um comportamento mais linear
e mais preciso (contagem é quase fotão a fotão) do que esta. Conseguimos, assim, medir com
grande precisão o brilho de estrelas (m 0.01 mag, tipicamente).
ii) Eficiência quântica: Esta quantidade mede a razão de foto-electrões produzidos para a de
fotões incidentes (números médios). Dependendo do tipo de detector fotoeléctrico, a eficiência
está em 20-90%. No caso da fotografia a mesma é 0.1-10%.
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(Cs)Na2KSb "antimoneto de
9000 fotoemissor ~20%
sódio/potássio cesiado"
PbS "sulfeto de chumbo" 2 ×104 fotocondutor <80%
InSb "antimoneto de índico" 6 ×104 fotocondutor <80%
Si silício 1 ×104 fotocondutor ~70%
~100 M
Essencialmente, CCDs no IV (Secção 3.3) utilizam o material dos
fotocondutores listado na tabela acima.
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G = y1y2y3…yn
É comum os dínodos serem semelhantes (mesmo valor y = yi para todos) pelo que fica:
G = yn
Uma importante fonte de erro que surge devido ao tubo foto-multiplicador é quando, esporadicamente, um
electrão é emitido deste termicamente (da região do fotocátodo). Vai também ser amplificado, apesar de
não ter surgido à custa de um fotão. A corrente correspondente pode ser 10 9–1010 vezes maior que a
causada por um fotoelectrão! Este tipo de emissão, inerente a qualquer detector fotoeléctrico, chama-se
“dark current” (corrente fantasma) e pode ser minimizada por arrefecimento do tubo foto-multiplicador.
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É claro que a emissão térmica electrónica também acontece nos dínodos, mas a cascata será menos
intensa (e tanto menos quanto mais perto estiver o respectivo dínodo do ânodo), pelo menos num
factor y1. Como a detecção final é feita por pulsos, é fácil ignorar todos aqueles que não correspondem
a um ganho G.
Historicamente, os foto-multiplicadores não eram muito mais eficientes que a fotografia (ficando-se
pelos < 5% de eficiência) e, assim, o seu uso foi quase exclusivo de eventos muito rápidos,
aproveitando a fantástica reposta temporal (1 ns).
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A imagem (2D) é preservada como na fotografia. De uma forma semelhante à de um ecrã de TV, campos
magnéticos deflectem os electrões que saem do fotocátodo e, consoante as suas energias
(correspondendo a 1-10000Å), espalham-nos bidimensionalmente no ecrã (a uma d.d.p. <100 kV em
relação ao fotocátodo) reproduzindo a original incidência 2D dos fotões – agora a cascata é de fotões no
ecrã fosforescente.
fotões
intensificadores de imagem em série.
B) Detector “televisivo”
Uma alternativa é utilizar um detector televisivo de forma inversa à da TV: uma imagem 2D é lida linha
a linha (1D) por um feixe electrónico e depois a imagem total é reproduzida num ecrã com composição
dependente do design do sistema: Pb3O4 (vidicon), SiO2 (a ~170 K), KCl (a ~ 20ºC).
i) Fraca resolução (pixeis ~30m), dez vezes pior que a de uma boa chapa fotográfica.
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C) O contador de fotões
Acoplando um intensificador de imagem a um detector televisivo consegue-se contar fotões, no sentido
em que cada fotão que chega implica uma cascata de electrões (pulso) característica. Este contador de
fotões é especialmente adequado para a espectroscopia de objectos fracos.
fotões
entre os anos 70 e os anos 90.
Cathode:
first stage
De forma semelhante ao que foi feito na Secção 3.2.2, sumariam-se na Tabela seguinte os principais
materiais usados como detectores fotovoltaicos.
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Tal só foi tecnologicamente factível (em larga escala) nos anos 80 com a construção das primeiras
CCDs (Charge-Coupled Device ou Charge-Coupling Device), embora tivessem sido idealizadas já em
1969 (quando se pensava utilizar os seus “chips” como memórias de computadores)! De facto, a
primeira imagem astronómica produzida com uma CCD (Urano) data de 1975.
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a)
b)
O ruído de uma CCD pode ser apenas ~15 e-/pixel. A resposta temporal, no entanto, não é brilhante: ~ms.
A CCD é arrefecida para reduzir ao máximo a “dark current” (com origem em electrões térmicos).
O arrefecimento base é feito de forma termo-eléctrica (T ~ 40ºC) por um “arrefecedor de Peltier”.
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Hoje em dia já se produzem rotineiramente “chips” com 4096 × 4096 pixeis com ~10-20m de lado.
Independentemente da abertura do telescópio onde a mesma está acoplada, é este tamanho físico
dos pixeis que define a resolução das imagens obtidas com a CCD. Os pixeis não se podem fazer
muito mais pequenos, à custa de uma drástica perda de sensibilidade. Mesmo assim, em muitos
“chips”, já se usam microlentes, uma para cada pixel, para aumentar ainda mais a já de si fantástica
sensibilidade de cada um.
Para compensar os pequenos campos-de-visão das CCDs é comum juntarem-se vários “chips” em
mosaicos (usualmente com pixeis grandes ~15m, de forma a maximizar o campo-de-visão). O
mosaico mais básico junta quatro “chips” num quadrado.
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Na prática, é mais comum ter valores de seeing que “valem” alguns pixeis da CCD em projecção angular.
Por isso, de forma a optimizar a sensibilidade, as CCDs permitem operar em modos “binning” em que se
combinam pixeis 2 × 2 (quatro) ou 3 × 3 (nove). A sensibilidade melhora substancialmente (pois o “read
out” por pixel mantém-se) e a resolução não é comprometida (já que o seeing a limita).
No modo 1 × 1 a CCD tem uma gama dinâmica típica de 10 5:1. Isto deve ser comparado com os “míseros”
100:1, valor máximo possível para a fotografia. Claro que o aumento do número de pixeis com o “binning”
melhora a gama dinâmica de forma proporcional.
Q1(x)
Q2(x)
A leitura da matriz de uma CCD é feita linha a linha (de
Q3(x)
forma simultânea): cada uma tem a sua distribuição de
. . . . . . . . . . . . carga Qi(x), lida nos pixeis a azul (não utilizados para
imagem). Desta deduz-se a carga em cada pixel (logo, o
Qn(x) número de electrões; logo, o número de fotões).
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Após o “read out”, vai ser lido em sequência (e.g. de Q n(x) para Q1(x)) o “chip” final o que vai permitir
deduzir, após micro-amplificação local com um FET (~0.5-4V/e-), qual a carga em cada pixel.
Passa-se, então, este valor analógico para digital, recorrendo a uma unidade básica (ADU ≡
Analogue-to-Digital Unit) dada pela sensibilidade da CCD: e.g. 1 ADU ~ 10e - (o valor mínimo
possível). 105
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Q1(x)
P1
P4
As OTCCD têm perdas de fluxo ~3% superiores às CCDs normais. Estas são compensadas por uma
qualidade de imagem superior.
B) STJ
Formalmente, os “Superconducting Tunnel Junction” (STJ) não são CCDs. Incluem-se, muitas vezes,
junto com as CCDs devido à sua base também ser um semi-condutor: nióbio cristalino super-
arrefecido (T<1 K). Os STJs são díodos detectores de fotões. Têm uma eficiência de ~50% dos raios
X ao IV. 107
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CTE: eficiência de transferência electrónica de pixel para pixel (“clock transference efficiency”).
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A eficiência da
detecção de fotões
nos raios X com um
“chip” de CCD tem
um pico nos ~6Å.
Å
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A) UV (300-3000 Å)
Como já foi discutido (Secção 3.3.1), um dos métodos para detectar fotões no UV é com recurso a
uma cobertura do “chip” com um material adequado (eficiência 15-20%). Melhor era a utilização de
um chip “fino” (eficiência ~60%). Chega-se aos 70% de eficiência cobrindo toda a gama com recurso
a outros métodos menos convencionais: portos transparentes, “back illumination”, etc.
B) Raios X (1-300 Å)
No fundo, as técnicas utilizadas para a detecção nos raios X são uma extensão das utilizadas para a
detecção UV. Por exemplo, com “chips” finos conseguem-se valores de eficiência fantásticos, da
ordem dos >80% (todos os “soft X-ray” e boa parte dos “hard”): o silício absorve um electrão para
cada 3.65 eV de energia em raios X. Há apenas uma região onde não se passa dos 50% devido à
energia de ionização do silício (1.78 keV): nos 1-2 keV.
Uma das vantagens das CCDs nos raios X é o seu funcionamento como detector e espectrómetro:
basta fazer, para cada fotão, a contagem da quantidade de pares electrão-buraco produzidos no
silício (este número é proporcional è energia do fotão incidente).
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3.4 A vídeo-câmara
As actuais vídeo-câmaras têm como detector um “chip” de CCD. Assim, na essência, são CCDs
adaptadas a outro tipo de aplicação.
As vídeo-câmaras podem ser utilizadas no modo afocal (única hipótese para as vulgares) ou serem
ligadas no apoio de oculares de um telescópio (vídeo-câmaras específicas de Astronomia).
As câmaras vulgares não permitem controlo sobre o tempo de exposição de cada “frame”, que é
qualquer um na gama 1/25 a 1/10000 s, nem sobre o ganho (possuem Automatic Gain Control – AGC).
As câmaras astronómicas permitem controlar ambos: o tempo de exposição pode ser de segundos ou
minutos; o ganho permite reduzir o ruído, com o controlo do brilho da imagem (não aumenta
artificialmente o ruído do céu nocturno).
Uma das vantagens de um sistema vídeo é a possibilidade de produzir muitas imagens do mesmo
objecto que podem depois, por software, ser combinadas. Também se podem eliminar os “frames” mais
ruidosos e seleccionar os melhores, tomando a média destes ou a integração total. Ainda: entre 10000
“frames” de uma dada observação pode haver um espectacular, apanhando um instante em que a
atmosfera estava superestável e o seeing não era relevante. Curiosamente, as câmaras convencionais
são melhores para este trabalho, devido às suas curtíssimas exposições.
Entre as outras vantagens de um sistema vídeo contam-se o preço (económico), o conforto na
visualização (e.g. ecrã de TV) e a possibilidade de gravação (cassete vídeo).
A câmara ideal para a Astronomia é a preto e branco, já que as que existem a cores recorrem a chips a
preto-e-branco para produzir cor (logo, são menos sensíveis). 111
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A sensibilidade luminosa de uma vídeo-câmara (sempre pior que a de uma CCD pois falta-lhe
arrefecimento) exprime-se em lux (luminous flux). Infelizmente, a sua definição e utilização não é
uniforme, variando de fabricante para fabricante. O consenso (média) é que 100 lux corresponde ao
nível de iluminação no exterior num dia com o céu coberto de nuvens.
112
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Há algum controle sobre os tempos de exposição em câmaras convencionais: e.g. 1/25 é utilizado no
modo “nocturno” enquanto 1/1000 é o ideal para o modo “desporto” (especialmente motorizado).
B) Pequeno formato
Muito populares nos anos recentes, as webcams são também apropriadas para a Astronomia,
especialmente devido ao baixo preço. Outra vantagem é a facilidade e compatibilidade de ligação a
um PC (que lhes dá também corrente eléctrica). As preferidas para a Astronomia são as Philips
ToUCam Pro. Sumariam-se as características principais destas na tabela seguinte:
Philips
ToUCam ProII
peso 100g
CCD 640×480
sensibilidade 1 lux
adaptador
1 1/4"
p/ocular
imagem a
113
cores 24-bit
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AstroVid
2000
CCD 1/2"
pixel 9m
sensibilidade 0.02 lux
controlo de
gain√
sensibilidade
controlo de
shutter√
exposição
controlo de
gamma√
contraste
114
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116
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117
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v) Poeira interestelar:
A sua origem é semelhante à da luz zodiacal, mas agora envolvendo a radiação com
origem em outras estrelas que é reflectida na nossa direcção pelas poeiras do ISM.
Como a luz azul sofre mais este efeito que a vermelha, objectos distantes (especialmente
galácticos) vão ser sempre afectados por um “redenning” interestelar.
Como resultado, o brilho do céu nocturno fica nuns elevados 12–21 mag/arcsec 2, conforme há Lua
Cheia ou não. Claro que o brilho do céu pode ser subtraído por calibração em torno da fonte de
interesse mas nunca é conhecido com exactidão como um todo (não é homogéneo).
Há objectos que são pouco afectados pelo brilho do céu nocturno. Por exemplo, os planetas do
Sistema Solar. Além disso, se se pretende observar objectos mais “difíceis” (nebulosas e galáxias) há
filtros especiais para cortar uma boa parte da poluição luminosa (os chamados “filtros de rejeição
luminosa”).
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3.5.2 Ruído
O ruído (N), seja qual for a sua origem (ou origens), é aleatório e imprevisível. Afecta da mesma forma
o sinal (S), vindo do nosso objecto de interesse, e o “resto”. Assim, mesmo que tenhamos uma
magnitude limite do céu elevada, o ruído pode ser suficiente para impedir boas observações (e.g.
quando a razão-de-sinal-para-o-ruído S/N ~ 1). Usualmente exige-se S/N > 3 (3, que numa
gaussiana dá 99.7% de probabilidade de se incluir o sinal todo) embora em alguns contextos se
chegue aos 5/6 de exigência.
A forma prática de tentar extrair o ruído das observações é, sempre, observar também um “campo
vazio” próximo da nossa fonte de interesse.
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A superfície negra pode ser a de um cristal (e.g. germânio) ou de um gás. Neste último caso é um
electrão que é agitado termicamente e, por isso, se chama a este tipo Hot Electron Bolometer (HEB).
Nos anos 60 o germânio puro era o material preferido mas, a pouco e pouco, o germânio galiado
passou a ser mais popular (e.g. finais dos anos 70). Isto porque o mesmo tem uma excelente relação
entre a temperatura e a condutividade eléctrica:
T-2
Hoje em dia o silício também é usado, com a vantagem de se atingir a detecção no rádio. O material
mais usado nos sub-mm (e rádio), no entanto, é o InSb (> 0.5mm, < 600 GHz). O único problema
deste é a estreita largura de banda disponível (~1 MHz).
O bolómetro tem uma excelente eficiência quântica (~100%), embora tenha fracas resoluções
temporal (>50ms) e de temperatura. Bolómetros não arrefecidos têm por principal ruído as flutuações
térmicas da temperatura ambiente. O arrefecimento é, assim, fundamental (T~1-2 K com hélio líquido):
melhora a resolução temporal, além de diminuir o ruído.
Infelizmente, o ruído do “mixer” não pode ser muito mais reduzido pois o limite quântico não está
longe:
kT h => T 4.8 – 48 K (100 – 1000 GHz)
Também para o APEX (foco Cassegrain), há um recente bolómetro de sub-mm desenvolvido com o
nome de LABOCA (Large APEX BOlometer CAmera). Funciona em= 870±75m (FWHM) e opera a
0.29 K.
O LABOCA está instalado numa bolacha Uma imagem inicial do LABOCA (nebulosa de
de silício: cada quadrado que se vê é um Orion – “cabeça de cavalo”) – resolução 18.6”,
bolómetro (são, assim, 295 “pixeis”). comparada com uma obtida no visível com o VLT.
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O exemplo do detector (protótipo) do satélite MEGA (Medium Cada calorímetro absorve um fotão e
Energy Gamma Ray Astronomy), para E < 50 MeV. Este mede a sua energia. Consiste numa
consiste na “câmara de recolha” (10 placas de silício de matriz de 10×12 “pixeis” de CsI:Tl.
0.5mm de espessura), que dá ~3º de resolução, e nos Fotodíodos detectam a cintilação no
“medidores” (24 calorímetros que a rodeiam). visível causada pelo impacto.
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Para energias abaixo de 20 keV (mas acima de ~10 eV, no UV) o detector principal é um contador
proporcional: um tubo de gás nobre com um fio condutor central (ânodo) ~2000 V acima da voltagem
das paredes do tubo; fotões (que entram por uma “janela”) ionizam átomos que libertam electrões
(criam-se pares electrão-ião) com energia suficiente para libertar mais electrões de outros átomos
antes de chegar ao fio central. Como num fotomultiplicador, surge uma cascata de electrões (até ~107)
que geram um pulso detectável no circuito electrónico. A voltagem do tubo é escolhida de forma a ter:
Assim, num contador proporcional, mede-se a energia dos fotões. De forma a medir a direcção dos
mesmos usa-se uma rede de fios (catódicos) que se transforma numa placa de micro-canais para
super-resolução (~1”).
Na tabela seguinte mostram-se várias combinações típicas janela/gás.
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B) Cintilador
Até 50 keV, o efeito dominante no contacto entre fotões e electrões é o fotoeléctrico. A partir daí
(incluindo todos os raios ), no entanto, o efeito Compton domina (fotões pontapeiam electrões).
3.7.2 Raios Raios X (formalmente)
Para energias na gama 10 MeV a 100 GeV, a única solução para detectar fotões é recorrendo às
técnicas de Física de Partículas (câmara de bolhas, por vezes várias em cadeia): identifica-se o
percurso do gerado par electrão-positrão para deduzir a energia e direcção do respectivo fotão de
raios responsável (agora, virtualmente sempre formam-se tais pares).
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Os oito “telescópios” Čerenkov CLUE (Čerenkov Light Cada “caixa” contém um.
O problema estará, depois, em saber distinguir quais dos fotões de raios correspondem a
determinada fonte galáctica ou extragalática e quais são raios cósmicos de origem (ainda) incerta…
Os raios são energéticos demais para qualquer reflexão (mesmo com ângulos muito pequenos). A
implicação é que as resoluções conseguidas (~1º) são as piores em Astronomia. Mesmo assim, quanto
mais energético for um fotão mais fácil é identificar a sua direcção (graças à do(s) respectivo(s)
electrão(ões) produzido(s)): o erro entre as direcções dos raios originais e dos electrões produzidos é
~4º a ~30 MeV mas apenas ~0.2º a ~1 GeV. 133
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4 – MONTAGENS
Não há observação séria (profissional) feita sem uma montagem rígida para o telescópio (e
instrumentação). Aliás, mesmo que o telescópio não seja da melhor qualidade, é possível obter
imagens de alta qualidade com uma CCD logo que a montagem seja excelente.
O contrário já não é verdade: sem uma boa montagem, de pouco adianta a excelência da CCD e/ou
telescópio. Daí que é de esperar que uma montagem seja tão (ou mais) cara que o próprio telescópio.
4.1 Equatorial
4.1.1 Geral
A montagem equatorial evita o problema da rotação de campo. É a preferida para telescópios não
muito grandes, eventualmente recorrendo a um “wedge” para a transferir de uma montagem
altazimutal.
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Permite seguir objectos de uma forma simples, já que só um dos eixos precisa de rodar (o da
declinação). Basta um motor neste eixo, para Astronomia Amadora. A nível profissional, serão sempre
necessárias pequenas correcções a ambos os eixos (autoguiding) pelo que dois motores são
indispensáveis.
O problema principal desta montagem é a instabilidade gravítica (momentos elevados, etc.) devido ao
enorme peso dos telescópios profissionais.
A montagem equatorial pode ser implementada de
diversas formas. Na Astronomia Profissional, a
montagem em garfo é a preferida. O problema desta,
bem como de outras equatoriais, é que quando utilizada
com uma “wedge”, limita a declinação mais a sul que é
possível visualizar (devido à obstrução física ao
movimento do telescópio pela própria estrutura). Este
problema é especialmente notado nas zonas tropicais da
Terra (devido às baixas latitudes)
O INT 2.5m (La Palma) tem uma montagem em garfo que recorre a
um disco polar (o garfo está montado neste), cuja rotação dá um dos
movimentos. O eixo polar é ortogonal a este disco (faz 29º com a
horizontal). O eixo de declinação está entre os dois apoios do
telescópio: a sua rotação faz o outro movimento.
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A técnica consiste em colocar a estrela polar do lado “correcto” do PNC (dependendo da hora, da data e
do local da observação), à distância angular tabelada (que no equinócio J2000.0 é de ~44’). Assumindo
tudo o resto bem alinhado, o alinhamento polar fica, assim, concluído.
Caso não exista telescópio de alinhamento polar, o telescópio principal terá de ser usado para tal (o tubo
tem de estar exactamente paralelo ao eixo polar). Usa-se, então, a sequência:
i) centra-se a polar com baixa ampliação e prende-se o eixo de declinação;
ii) roda-se o telescópio em torno do eixo polar: enquanto a estrela polar se deslocar, o eixo não
está bem alinhado;
iii) neste último caso ajusta-se (manualmente) a orientação da montagem e roda-se o eixo de
declinação;
iv) volta-se a i)-ii) até à estrela Polar não se deslocar;
140
v) usar uma carta estelar para centrar a montagem no PNC movendo-a fisicamente.
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Devido ao movimento de “precessão dos equinócios” (com cerca de 25800 anos de período) a Terra
oscila como um pião em rotação, devido às influencias combinadas do Sol e da Lua. Assim, as
estrelas mais próximas do PNC e do PSC variam ao longo do tempo.
v) localiza-se, com o máximo de precisão, o PNC com a técnica da figura anterior. 142
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C) Estrelas auxiliares
Uma forma de mais rapidamente encontrar o PNC/Estrela Polar é apostando na geometria de ambos
no céu nocturno: esta está do lado de Cassiopeia em relação àquele – a Ursa Menor já fica “do lado de
lá” do PNC da perspectiva da Estrela Polar.
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D) Vaguear da estrela
Este método deixa uma estrela “passear” pelo campo e mede alguns parâmetros. Os passos são os
seguintes:
i) nivelar a base;
ii) escolher uma estrela brilhante perto do equador celeste e do meridiano do lugar (H ~ 0 h; ~ 0º)
e centrá-la na ocular;
iii) observar a estrela até que se desloque para norte (ou sul); rodar o eixo polar (manualmente) de
forma a que o mesmo se aproxime mais do este (ou oeste);
iv) repetir iii) até ao movimento para norte ou para sul não ser visível durante 5 min;
v) escolher uma estrela brilhante perto do equador celeste e no vertical (este ou oeste):
~ 0º, AZ ~ 90º AZ ~ 270º;
vi) olhando para leste: estrela desloca-se para norte (sul) → deslocar para baixo (cima) o eixo polar;
[olhando para oeste: estrela desloca-se para norte (sul) → deslocar para cima (baixo) o eixo polar]
vii) Repetir vi) até não ser visível qualquer movimento (norte ou sul) durante 5 min.
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4.2 Altazimutal
4.2.1 Geral
Por muitos truques que se usem, a montagem equatorial está sempre sujeita à nefasta influência da
gravidade. A partir do momento em que os avanços computacionais o permitiram (anos 80-90), a
montagem altazimutal tornou-se o padrão, não só na Astronomia profissional, mas também na
amadora.
A montagem altazimutal tem por base o sistema de coordenadas horizontal
local. A sua grande vantagem é a enorme estabilidade gravítica, já que um
dos eixos (o de azimute) é ortogonal à superfície da Terra, enquanto o outro
(o de altura) é paralelo à mesma.
4.2.2 O Garfo
Uma das formas de montar um telescópio altazimutalmente é com recurso a um
garfo (também usado nas montagens equatoriais) que segura o tubo em cada
lado, suspenso no ar. É especialmente adequada para garantir um bom acesso
à ocular em telescópios Cassegrain. Evita a necessidade de contrapesos.
4.2.3 Dobsoniana
Popularizada por John Dobson (um famoso astrónomo amador americano), esta
é uma montagem altazimutal especialmente adequada a tubos muito grandes e
pesados (grandes aberturas) de foco Newtoniano. É muito simples e não
pressupõe a utilização de motores.
4.3 Outras
4.3.1 “Porta de celeiro”
Um tipo de montagem que começou por ser utilizada em
fotografia mas que já encontrou muitos adeptos na aplicação
telescópica é a “Barn-door mount” (“porta de celeiro”).
É claro que o telescópio deve ter um bom alinhamento com o resto da sua
montagem e estar bem alinhado pelo PNC.
4.4 Erros
Qualquer montagem tem erros que surgem de
imperfeições dos motores e/ou da estrutura da
montagem.
4.4.1 Motores
O maior erro dos motores costuma estar associado ao
movimento em ascensão recta numa montagem
equatorial. O motor em declinação é muito mais preciso,
especialmente se se fez um bom alinhamento polar. As engrenagens de um motor de ascensão recta.
Exemplo: 26 minutos de
medição. Erro de ~15”. 151
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Os erros da montagem, sim, são preocupantes devido à sua imprevisibilidade e à dificuldade (ou
impossibilidade) da sua correcção.
Há regras práticas a cumprir que podem diminuir estes erros significativamente. Uma delas é a de
nunca fazer exposições logo a seguir ao telescópio ter iniciado o seguimento do objecto de interesse:
deve-se dar sempre uns minutos para a montagem estabilizar.
152
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5.1 Definições
As unidades de dados analógicos (ADU) são valores convertidos directamente da corrente eléctrica
gerada pelos fotoelectrões, em cada pixel. A escala é arbitrária. Usualmente utiliza-se um factor de
conversão (ADC=ganho) que nos dá a relação entre ADU e fotoelectrões: a menos de calibrações e
correcções, recuperamos o número de fotoelectrões associado a cada pixel.
A noção de amostragem mínima é relevante para o estudo de objectos astronómicos com CCDs.
Usualmente, esta é dada pelo Teorema de Nyquist que, em termos práticos, implica que devemos ter
dois pixeis (1D) ou quatro (2D) a cobrir a FWHM do nosso objecto. Nem mais (“oversampling”), nem
menos (“undersampling”). Assim, num local com “seeing” 1.6”, devemos usar uma CCD com pixeis de
0.8” de lado.
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O armazenamento é, normalmente, feito no sistema 16-bit, pelo que temos uma gama de valores
entre 0 e 65535 (=216 – 1) para o fazer.
A saturação digital (e.g. “blooming”) acontece sempre que nalgum pixel o valor da escala ultrapasse
os 65535 (em 16-bit) – correspondente à saturação física por ultrapassagem da capacidade “full-well”
(usualmente entre ~85000 e ~350000 e-).
Cada CCD tem o seu próprio ganho (ADC) de forma a garantir o máximo
de linearidade possível antes da saturação. No caso desta CCD temos
que satura nos ~150000 e - e o ganho (ADC) vale 4.5e -/ADU (dado pelo
declive da recta). O sistema utilizado é 15-bit (2 15=32767 ADUs).
156
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Um outro problema são raios cósmicos ou partículas radioactivas de materiais próximos à CCD: estes,
tipicamente, causam eventos muito brilhantes (bem acima da mediana dos restantes que anda nos
milhares de electrões) e que ocupam alguns (poucos) pixeis adjacentes. Distinguem-se da emissão de
objectos astronómicos pontuais (e.g. estrelas) pelo que segue…
… ou então usando a técnica multi-exposição. Isto evita o acumular de muitos raios cósmicos no “chip”
e permite identificá-los claramente, pois a probabilidade de ocuparem o mesmo pixel de exposição
para exposição é quase zero.
Uma estrela ou outro objecto pontual (≡ não resolvido) ocupa círculos no “chip” da CCD. Estes são
devidos ou à difracção do telescópio ou ao seeing. No primeiro caso, até pode ser possível ver anéis
de difracção. Também no primeiro caso e quando não saturados, o seu perfil de luz corresponde a
uma função sinc-2D, a chamada “point spread function” (PSF).
Há software que localiza e remove os maus pixeis ou, então, interpola sobre os mesmos à custa dos
valores dos pixeis adjacentes.
FRAME 1 157
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É típico fazerem-se várias exposições de “bias” ao longo da noite tomando depois as medianas dos
valores de todos os “Bias Frames” em cada pixel e produzindo um MASTER BIAS FRAME.
FRAME 2
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Para eliminar a “dark current” fazem-se exposições tão longas (tdark) com a CCD fechada (FRAME A) como
a original (de imagem) com a CCD aberta (t). Ainda assim, no caso mais geral tdark ≠ t obtém-se, então:
Finalmente, notando que um “Dark Frame” já inclui o “Bias” e que, por isso, 2b) é uma alternativa a 2a) vem:
FRAME 2 161
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A última correcção a fazer (antes de calibrar a imagem) é necessária para remover efeitos vários da
óptica do sistema (e.g. “vigneting” – objectos no limite do campo-de-visão, pó, etc.) e para compensar
as variações de sensibilidade na CCD, de pixel para pixel (em função de ).
Na Astronomia Profissional, a forma mais comum de produzir “Flat Fields” (FLAT FRAME) é à custa
de observações do crepúsculo. Isto porque, de facto, o céu de “background” é o mesmo e, assim, o
“espectro contínuo de fundo” é bem amostrado num “Flat” do crepúsculo. A região ideal para tirar
“Flats” no crepúsculo é ~13º a leste do zénite. Na prática, tenta-se que o brilho médio do “Flat” fique
nos 35-50% do valor de saturação da CCD. 162
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Agora, como já foi feito para o caso do BIAS FRAME, deveremos combinar várias exposições de
“Flats” num MASTER FLAT FRAME. A ideia é remover eventuais estrelas que tenham sido
acidentalmente capturadas na CCD: este “Master” deve ser homogéneo a menos de ~2%.
Finalmente, este “Flat” é normalizado dividindo o valor de cada pixel pelo da média global do conjunto
(MASTER FLAT FRAME NORMALIZADO). Agora, sim, produzimos a nossa imagem final, pré-calibração:
FRAME 3
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Dados dois “Flats” (F1, F2) e dois “Bias” (B1, B2), podemos calcular de uma forma mais precisa o ganho (G)
e o ruído de “read out” (RREAD) de uma dada CCD, pois vem, após calcular as diferenças F 1 – F2 e B1 – B2:
RREAD = G B1 – B2 / √2
164
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4) Calibração fotométrica
Em primeiro lugar, determina-se o brilho (↔ magnitude aparente) dos objectos de interesse que se
encontram no FRAME3. Isto faz-se com a técnica de abertura, definindo uma zona circular em torno do
objecto (já que a PSF é circular) e medindo a quantidade de luz interior a esta. Adicionalmente, tem também
de se medir o “background” graças a uma coroa circular. Chama-se fotometria de abertura a esta técnica.
Exemplo de estrela em que se utiliza a técnica da fotometria de abertura: mede-se a quantidade de luz
(total de ADUs nos respectivos pixeis) presente num círculo de raio ~1.5 FWHM centrado nesta (ou outro
raio que maximize a SNR) – o padrão é dado pelas estrelas mais brilhantes não saturadas. Ainda, mede-
se a quantidade de luz numa coroa circular, também centrada na estrela, que inclua só “background” e,
pelo menos, três vezes os pixeis do círculo. Têm de se usar círculos e coroas circulares do mesmo
tamanho para todos os outros objectos. À direita apresenta-se um perfil unidimensional através da
estrela.
Tira-se o valor FM (do “background”) ou pela mediana ou pela média dos valores (ADU) na coroa circular.
Do valor B (em ADU) do brilho do objecto (total nos respectivos pixeis, em número npix), tiramos: 165
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Idealmente, a calibração é feita graças a uma (ou, tipicamente, várias) estrela-padrão (não variável)
que exista no mesmo campo da CCD – assim, a extinção é igual à dos objectos de interesse.
Compara-se o brilho daquela com os destes. Chama-se fotometria diferencial a esta técnica.
Se se pretender fotometria absoluta, então tem de se recorrer a estrelas standard que têm as suas
magnitudes aparentes tabeladas com grande rigor em vários catálogos fotométricos (e.g. Bright Star
Catalogue – BSC, com ~9000 estrelas de mV < 6.5; Tycho (BV), com ~106 estrelas de mV < 10.5). Este
tipo de estrelas é pouco provável estar no mesmo campo da CCD de uma dada observação pelo que
requer uma observação específica (no entanto, costumam escolher-se as mais próximas). Também
servirá para dar uma ideia do valor da extinção interestelar (A) no momento da observação pois:
m = M + 5 log d – 5 + A
5) Trabalho de cientista/artista
Uma imagem calibrada não é, normalmente, a final.
A redução de dados só está completa quando se fez tudo o que era possível para optimizar a
imagem.
O tratamento final é, simplesmente, processamento de imagem, mas deve ser feito. Recorre a várias
tarefas de software.
Há muitos problemas com os “automatismos” de software para produzir imagens finais de “qualidade”
para a Astronomia. Por exemplo, os brilhos e contrastes saem sempre de tal forma errados que toda
e qualquer nebulosidade de baixo brilho superficial “desaparece”.
O mais importante (e óbvio) defeito a ser removido das imagens finais é o “blooming”.
Este tipo de CCD evita o “blooming” ao colocar, entre as linhas de pixeis, elementos
de circuito que recolhem os electrões em excesso e os levam para o “lixo”. O preço a
pagar é a perda de 30% da área (logo sensibilidade) coberta por pixeis. Na prática,
este tipo de CCDs requer o dobro do tempo de exposição em relação às outras.
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A gama é definida para os “pixeis de confiança”, os que serão utilizados para produzir a imagem.
Usualmente estes seriam todos os que não são “brancos” ou “pretos”, se o bias e a não-linearidade
não complicassem esta simples separação. Assim, se designarmos por “brancos” todos os pixeis
acima do valor onde a CCD começa a ser não-linear e por “pretos” todos os que valem < “bias” vem
que: gama = “branco”min – “preto”max
Assim, a análise do histograma permitirá estabelecer qual a gama de interesse para a produção da
imagem final, de forma a que o contraste seja, de facto, optimizado.
Segue-se um exemplo que concretiza o princípio de funcionamento deste processamento dos dados.
preto branco
Definição da gama: 0 ↔ 1550 ↔ 10500 ↔ 65535
gama
Veja-se como, neste exemplo, a gama final a usar é cerca de sete vezes menor que a inicial (16-bit).
Bastava um sistema 13-bit para a implementar correctamente.
As estrelas, por terem um elevado brilho superficial, não têm qualquer problema com gamas muito
largas. No entanto, para se verem na imagem final galáxias e nebulosas (de baixo brilho superficial), é
muito importante que se faça a restrição de gama como exemplificado acima. Aliás, até se pode ir
mais longe, sempre que necessário (é típico mexer mais no limite “branco” do que no “preto”).
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A simples análise de um histograma da imagem final pode dizer-nos muito sobre a mesma.
No exemplo seguinte, até cerca de 125 ADU temos o “background” do céu. Depois, os numerosos
“picos” que se vêm até aos valores máximos de ADU correspondem a estrelas individuais.
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5.2.2 Exemplos
Chegou a hora de concretizar em imagens todos os passos do processamento de dados, desde a fase
inicial de correcção, passando pela calibração e até à imagem final.
Sirius e a Estrela Polar saturadas (campos 7.7’ × 5.1’ e 15’ × 10’). Foram observadas com o
MEADE 12” e o Mizar 4.5”, respectivamente (0.12 s) – CCD SBIG (T ~ –12ºC; T ~ +16ºC,
respectivamente). Os binnings foram 1×1 e 3×3. Em baixo os perfis respectivos.
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Passemos agora a um outro exemplo, onde vemos o “salto” da imagem “raw” à calibrada e à final.
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FRAME 1 (“raw”).
MASTER BIAS.
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MASTER FLAT.
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Só com a SNR se tem a noção da relevância dos dados: a SNR deve, no mínimo, valer 10 e considera-se
uma boa imagem quando vale mais do que 100.
A SNR pode calcular-se a partir da imagem como um todo, embora seja mais fácil fazê-lo apenas para a(s)
fonte(s) de interesse. A dita equação da CCD dá-nos o valor da SNR:
SNR = NTOT / [NTOT + npix (FM + RD + RREAD2)]0.5
onde:
NTOT ≡ número total de fotões (e.g. no perfil de uma estrela) = NTOT (ADU) × G = brilho (e-/s) × texp
Para fontes brilhantes, NTOT >> npix (FM + RD + RREAD2), pelo que fica: SNR ≈ NTOT / √NTOT √NTOT
Por definição, o desvio-padrão é tal que = 1 / SNR. Usando um factor de conversão:
mag = 1.0857 / SNR
Finalmente, é comum também exprimir a SNR em decibéis: SNRdB = 10 log SNR 178
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Bibliografia
- Phillips & Woody (1982), ARAA, 20, 285: “Millimeter and submillimeter wave receivers”
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