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Direitos Humanos e Casamento Prematuro em Moçambique

Este documento discute a inconstitucionalidade dos direitos humanos em casamentos tradicionais-prematuros no ordenamento jurídico de Moçambique. Aborda os direitos violados nestes casamentos segundo convenções internacionais, o impacto negativo destes casamentos e os aspectos jurídicos relacionados.

Enviado por

Irane Olirio
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Direitos Humanos e Casamento Prematuro em Moçambique

Este documento discute a inconstitucionalidade dos direitos humanos em casamentos tradicionais-prematuros no ordenamento jurídico de Moçambique. Aborda os direitos violados nestes casamentos segundo convenções internacionais, o impacto negativo destes casamentos e os aspectos jurídicos relacionados.

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TEMA

A Inconstitucionalidade dos Direitos Humanos em


Casamento Tradicional-Prematuro no Ordenamento
Jurídico Moçambicano

Do Céu Bonita Chiria


[Link]ção
 O tema desta Monografia, é: A Inconstitucionalidade
dos Direitos Humanos em Casamento Tradicional-
Prematuro no Ordenamento Jurídico Moçambicano.
Com a abordagem deste tema, pretende-se contribuir
não só para a prevenção e irradicação dos casamentos
de raparigas prematuramente, mas ainda para a
efectivação dos direitos das raparigas, previstos na
Constituição da República de Moçambique e nas
convenções internacionais.
[Link]ção
 A tendência de abordagem deste tema, contextualiza-
se no âmbito em que Moçambique encontra-se em
10° lugar no mundo entre os países mais afectados
pelos casamentos prematuros,  atendendo os dados
relacionados com a proporção de raparigas com
idades entre os 20-24 anos que se casaram enquanto
crianças, isto é, antes dos 18 anos de idade.
 Isso mostra que a situação de casamentos prematuros

é uma preocupante realidade em Moçambique e que


devemos tomar algumas atitudes de forma a levar
essa pratica a extinção.
1.2. Problema de estudo

Alguns instrumentos internacionais relacionados com o


casamento prematuro incluem prevê uma idade Mínima
para Casamento e seu registo. No tocante a idade mínima,
Moçambique determina uma idade mínima de 18 anos.
Porém, esta idade deixa de ser mínima prevista na Lei, na
medida em que se abre excessão de consentimentos (dos
pais e encarregados de educação e do estado). E na
ocorrência deste fenómeno, de forma simultânea ocorre
violação dos direitos humanos e particularmente da
criança ou da rapariga (a menor a ser dada em
casamento).
Cont.

A problematização apresentável neste trabalho, trata-


se também de uma preocupação para com as questões
jurídicas do nosso País que por sinal, devem ser
aplicadas no Distrito de Macanga-Tete (local onde foi
identificado o problema) considerando que é parte de
Moçambique. Então, da problemática dos casamentos
tradicionais-prematuros em Moçambique surge a
questão seguinte: até que ponto o casamento
tradicional-prematuro viola os direitos humanos
reconhecidos às raparigas no Ordenamento Jurídico
Moçambicano no Distrito de Macanga-Tete?
[Link] do trabalho

 Analisar a Inconstituicionalidade dos Direitos


Humanos em Casamento tradicional- Prematuro no
Ordenamento Jurídico Moçambicano.

 Descrever os efeitos resultantes dos casamentos


precoces ou uniões forçadas nas raparigas;
 Analisar a falta de cobertura legal, no âmbito penal,

para proteger a rapariga em situação de casamento


tradicional-prematuro;
 Identificar os Direitos Humanos (da criança/rapariga)

Violados na prática de casamentos tradicionais-


prematuros no ordenameto jurídico Nacional.
[Link]

Acredita-se que o problema tenha sido causado por:


seguintes hipóteses:
 Pais aculturados com os hábitos e costumes em

relação aos casamentos (tempos em que era normal


uma menina ser casada aos seus 12 anos); A pressão
económica (pobreza) exercida sobre os agregados
familiares que continuam a conduzir as famílias a
casarem as suas filhas cada vez mais cedo;
 Gravidez indesejada (que obriga a adolescente a viver

com a pessoa que o engravidou); Desconhecimento


dos Direitos Humanos, particularmente os da
criança/rapariga
[Link] ou Motivação

A razão de escolha desse tema dos diversos é o interessante


facto de, poder contribuir com a disseminação de
informação contra a violação dos Direitos Humanos em
casamentos prematuros e como proceder quando se é
confrontado com um caso destes.
E o fim prende-se, informar as raparigas e mulheres jovens,
Pais e encarregados de Educação e a sociedade no geral
sobre os seus direitos e sobre o que constitui o casamento
dentro do Ordenamento Jurídico Moçambicano. Isto pode
ser feito usando estratégias de educação de pares para
transmitir informação dos direitos Humanos e ate que ponto
as raparigas podem contrair um matrimónio.
[Link]ÇÃO TEÓRICA
[Link] dos Direitos Humanos e sua natureza jurídica

 Direitos Humanos são os direitos básicos de todos os


seres humanos. São direitos civis e políticos, direitos
econômicos, sociais e culturais (exemplos: direitos ao
trabalho, à educação, à saúde, à previdência social, à
moradia, à distribuição de renda, entre outros,
fundamentados no valor igualdade de oportunidades);
direitos difusos e colectivos (exemplos: direito à paz,
direito ao progresso, auto determinação dos povos,
direito ambiental, direitos do consumidor, inclusão
digital, entre outros, fundamentados no valor
fraternidade).
[Link]ção de Direitos Humanos por Meio de Casamento Tradicional-
Prematuro

Segundo (Bruce, 2002, citado por FNUAP, 2003), Que direitos


estão a ser negados com o casamento tradicional-prematuro?
Em resposta a questão, se nos guiarmos pela vivencia cultural e
tradicionalista do povo de Macanga em oposicao às
Convenções sobre os Direitos da Criança/rapariga, são violados
os seguintes direitos:
O direito à educação (artigo 28).
O direito a ser protegida contra todas as formas de violência

física ou mental, dano ou abuso, inclusive sexual (artigo 19) e


de todas as formas de exploração (artigo 34).
O direito ao gozo do mais alto nível possível de saúde (artigo

24).
Cont.
 O direito à informação escolar e profissional e
orientação (artigo 28).
 O direito ao descanso e lazer, e de participar

livremente na vida cultural (artigo 31).


 O direito de não ser separada de seus pais

(obrigada a casar) contra a sua vontade (artigo 9).


 O direito à protecção contra todas as formas que

afectam de qualquer modo o bem estar da


rapariga (artigo 36).
Cont.
 Quanto mais as menores/crianças ou raparigas se encontram
em situações desfavorecidas (zonas rurais como em
algumas as do Distrito de Macanga-Tete, com pouco acesso
à escola e com menores níveis de rendimento, com menor
investimento tanto na esfera económica como
sociocultural), menos oportunidades têm de gozar dos seus
direitos. Segundo o relatório de UNICEF:
 As raparigas que vivem nestas uniões forçadas, para além
de se verem impossibilitadas de gozarem dos seus direitos,
sofrem severas consequências no que diz respeito ao seu
bem-estar psicológico e emocional, à sua saúde reprodutiva
e às suas oportunidades educativas e na vida como adultasˮ.
2.3.O Casamento Prematuro no Ordenamento Jurídico Moçambicano

A legislação moçambicana defende o princípio de


eliminação de qualquer forma de discriminação contra a
criança pois e promove os direitos da criança. Considera-se
assim, que as uniões de caracter matrimonial envolvendo
menores de idade, sendo promovidas por adultos não têm
enquadramento no ordenamento jurídico moçambicano (Ex:
Código Civil, Lei da Família), é pois, neste âmbito que
torna-se importante ter em consideração que neste trabalho
que o casamento prematuro resume-se a relações de carácter
matrimonial envolvendo indivíduo adulto de sexo
masculino e menor de sexo feminino.
[Link] Negativo do Casamento Prematuro

 Conforme CHILAULE (2016) a magnitude dos efeitos


do casamento prematuro não é conhecida no país,
porém, reconhece-se que o seu impacto está
directamente relacionado com aumento:
 Da incidência da gravidez precoce e consequente

aumento das taxas de morte materna (antes, durante ou


nos 42 dias subsequentes ao parto);
 Dos índices de abandono escolar entre as raparigas;
 Dos índices de pobreza entre a população feminina; e
 O casamento prematuro é definido como sendo uma

união de carácter matrimonial que envolve pelo menos


um indivíduo menor de idade.
Cont.

Em Moçambique, o casamento prematuro envolve,


maioritariamente, raparigas com idades inferiores a 18
anos e indivíduos adultos de sexo masculino. Este facto
realça as relações de dominação e subordinação que, no
contexto moçambicano, orientam as relações entre
adultos e crianças e entre indivíduos do sexo masculino
e do sexo feminino. Contudo, por se tratar de casamento
que envolve indivíduo menor de idade, o casamento
prematuro não tem cobertura legal no âmbito do
ordenamento jurídico moçambicano.
[Link] METÓDOLOGICO

 Quanto aos objectivos: Pesquisa explicativa


 Quanto ao tipo de pesquisa: Exploratória
 Quanto a abordagem: Hipotético dedutivo
 Quanto ao procedimento: Revisão Bibliográfica
 Tecnica de pesquisa: Observação
[Link]álise e Discussão de dados
 O ponto de partida para a delimitação da noção de
casamento prematuro passa pela harmonização do
conceito criança. Sendo uma categoria social importante
no processo de produção e reprodução de valores, normas
e práticas culturais; a criança, conceitualmente apreendida
e compreendida é vivenciada de maneira diversificada em
função das representações e lógicas de vida dos grupos
nos quais ela se encontra inserida. Sendo que o casamento
prematuro constitui um fenómeno caracterizado pelo
casamento tradicional entre indivíduos adultos do sexo
masculino e raparigas na adolescência e pré-adolescência,
que vivem em contextos socioculturais específicos.
[Link] Jurídicos no Casamento
Prematuro
 A análise jurídica do casamento prematuro remete-nos
não só à relação paradoxal, a ser explorada na vertente
sócio cultural que influenciam e promovem o
casamento prematuro como prática culturalmente
reiterada, que existe entre o ordenamento moçambicano
e as normas costumeiras que orientam as relações
estabelecidas dentro da estrutura familiar nos diferentes
grupos sociolinguísticos que compõem a matriz sócio
cultural moçambicana como também à discussão sobre
as implicações decorrentes da adesão do Estado de
Moçambique às convenções internacionais que
protegem e promovem os direitos das crianças.
[Link] legal

A Constituição da República defende os direitos das crianças

à protecção da família, da sociedade e do Estado, tendo em

vista o seu desenvolvimento integral e acesso aos cuidados

necessários ao seu bem-estar, à opinião e à participação nos

assuntos que lhes dizem respeito, em função da sua idade e

maturidade. Outras medidas que têm sido adoptadas pelo

Governo são a criação do Conselho Nacional dos Direitos da

Criança (CNAC).
[Link] no Ordenamento Jurídico
Moçambicano
 Socorrendo-se dos dispositivos legais (Lei da Família)
podemos constatar uma “almofada” que acomoda essa
pratica, ao conceber no seu art. 30, n.º 2, da aso a esta
pratica ao consentir que pessoas com menos de 18 anos
e mais de 16 possam contrair casamento. Moçambique
e parte de determinados tratados internacionais, aliás
podem encontrar por meio do art 18, n. º 3 da CRM, o
qual preceitua que “o Estado tem o dever de assegurar
a protecção dos direitos da mulher e da criança,
conforme estipulados nas Declarações e Convenções
Internacionais”.
Cont.
 Conclui-se deste modo que o casamento prematuro
fundamenta-se no processo de distribuição desigual de
poder entre homens e mulheres. Para além dos factores
considerados evidentes como motivadores como sejam
referem-se aos altos índices de pobreza entre a
população onde o fenómeno tende a ocorrer com mais
frequência, baixo indicies de escolarização entre a
população feminina das zonas rurais, dificuldades de
acesso a serviços socais básicos, a atenção recai para
aqueles que têm impacto nas estratégias de abordagem
do fenómeno quadrados na promoção dos direitos da
criança e da rapariga.
[Link]álise das Forças, fraquezas, oportunidades e
ameaças
FORÇAS FRAQUEZAS

 Existência de um quadro legal que


protege os Direitos Humanos, da  Fraqueza de legislação sobre os
criança/rapariga; casamentos prematuros (excessão
 Existência de mecanismos de aberta que permte a sua realização);
coordenação dos assuntos da  Falta de dados desagregados sobre
criança. os casamentos prematuros
 Existência do Plano Nacional de
Acção para a Criança e de planos  Fraca coordenação das acções
sectoriais com acções que implementadas pelos vários
protegem os direitos da criança intervenientes.
em várias áreas.

OPORTUNIDADES AMEAÇAS

 Ambiente político-legal favorável.  Prevalência de práticas sociais nocivas


 Existência de várias instituições e
que favoreçam os casamentos
organizações envolvidas na
prevenção e combate aos prematuros.
casamentos prematuros.
 Vulnerabilidade das famílias e as
 Existência de programas de
assistência e de fortalecimento da raparigas.
capacidade das famílias, vivendo
 Desconhecimento dos direitos e
em situação de vulnerabilidade.
prioridades na e da vida da rapariga.
Tabela1: Fonte Autora
Conclusão
 É a falta de muito conhecimento jurídico e legislativa
sobre os direitos Humanos, em parte, faz com que a
sociedade viva uma Inconstituicionalidade dos Direitos
Humanos, nos ceios familiares, isto é, nas cerimonias
de casamento tradicional-prematuro e a reprodução de
valores e comportamentos construídos com base no
direito costumeiro tende a atentar contra os direitos
humanos convencionados pelas normas jurídicas
instituídas pelos Estado Moçambicano.
Recomendações
 Realizar uma reforma jurídica, adoptando abordagens
baseadas nos direitos humanos e implementando os
compromissos assumidos a níveis nacional e
internacional, no âmbito da promoção dos direitos da
criança.
 Sensibilizar os líderes religiosos, médicos
tradicionais, madrinhas e líderes comunitários em
matérias jurídicas e em matérias relacionadas com os
casamentos prematuros, para combater casamentos
prematuros.
Agradecimeto

 Muito obrigada pela atenção


dispensada

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