Pára-Raios
Conjunto de equipamentos cuja finalidade é
proteger um edifício ou uma estrutura e o
respectivo conteúdo contra os efeitos perniciosos
das descargas atmosféricas directas neles
incidentes.
Para que um pára-raios seja tanto quanto possível económico e
eficaz, o correspondente projecto deve ser elaborado em
coordenação com o projecto de construção civil da estrutura a
proteger.
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Consideram-se partes fundamentais de um pára-raios:
Captor, condutor de descida, eléctrodo de terra.
Captor
Condutor de
descida
Eléctrodo
de terra
Os materiais a utilizar nos diversos componentes dos pára-raios são o
cobre, o ferro galvanizado e o aço inoxidável.
Para evitar a corrosão das ligações, deve-se procurar que tanto quanto
possível, todos os elementos do sistema sejam compostos pelo mesmo
tipo de material. 2
Captor
Parte do pára-raios que se destina a
interceptar as descargas
atmosféricas incidentes no volume a
proteger.
O captor pode ser artificial ou
natural
Captor artificial
Haste vertical (tipo Franklin)
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Tipos de captores
Captores artificiais
Hastes verticais (tipo Franklin)
Condutores de cobertura
Emalhado de condutores (Gaiola de Faraday)
Captores naturais
captor artificial
captor artificial (haste vertical tipo Franklin)
(Gaiola de Faraday)
(condutores de cobertura)
condutor de descida
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Captores artificiais
Hastes verticais (tipo Franklin)
São constituídas por um ou mais elementos condutores da mesma
natureza (cobre ou ferro galvanizado ou aço inoxidável).
Condutores de cobertura
Destinam-se a conduzir a corrente de descarga desde os captores
até às descidas. Pela sua posição elevada, estes condutores podem
servir, eles próprios, de captores, integrando nesse caso sistemas
de condutores emalhados do tipo gaiola de Faraday.
Emalhado de condutores (Gaiola de Faraday)
É composto, a nível de cobertura, por um polígono, formado por
condutores instalados no perímetro superior da estrutura.
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Captores naturais
Podem ser usados como captores naturais os elementos
metálicos existentes na parte superior da estrutura a proteger e
suficientemente dimensionados para suportar o impacto directo
de uma descarga, tais como coberturas de chaminés, clarabóias,
depósitos, tomadas de ar dos sistemas de climatização, etc.
Os captores naturais são integrados nos pára-raios através dos
condutores de cobertura.
captor artificial
captor artificial (haste vertical tipo Franklin)
(Gaiola de Faraday)
(condutores de cobertura)
condutor de descida
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Condutor de descida
ou simplesmente descida
Parte do pára-raios
destinada a conduzir a
corrente de descarga desde
os captores até aos
eléctrodos de terra.
A descida pode ser
artificial ou natural.
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Descidas artificiais
As descidas artificiais devem ser em
condutores nus de cobre (secção ≥ 16
mm2) , de ferro galvanizado ou de aço
inoxidável (secção ≥ 50 mm2).
O número mínimo de descidas
artificiais é de dois.
Condutor de descida
O traçado a seguir pelas descidas deve
ser quanto possível rectilíneo e vertical,
de forma a minimizar o percurso entre
os elementos captores e a terra.
As descidas devem ser, em regra,
instaladas à vista, fixadas à superfície Ligador
exterior da estrutura a proteger por
meio de elementos de suporte
apropriados, estabelecidos à razão de
dois por metro, no mínimo.
Eléctrodo de terra
Cada descida artificial deve ser dotada
de um ligador destinado a efectuar as
verificações e medições necessárias. 8
Descidas naturais
Podem ser utilizadas como descidas naturais os
elementos metálicos existentes na estrutura a proteger
que dêem garantias de continuidade eléctrica,
apresentem baixa impedância e possuam a robustez
mecânica necessária.
Como exemplos de descidas naturais referem-se as guias
de elevadores, as escadas metálicas exteriores, etc.
Nas estruturas de betão armado, permite-se o
aproveitamento da armadura metálica do betão para a
função de descida natural, condicionado à garantia de
continuidade eléctrica da mesma.
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Eléctrodo de terra
Dispositivo constituído por um corpo
condutor ou por um conjunto de corpos
condutores em contacto íntimo com o
solo assegurando uma ligação eléctrica
com a terra.
A ligação à terra tem como finalidade a
Condutor de descida dispersão na massa condutora da terra
da corrente proveniente de qualquer
descarga atmosférica que incida no
pára-raios.
Todos os pontos de ligação enterrados
devem ser preservados dos efeitos da
humidade, por envolvimento em meio
não higroscópico (massa ou fita
Eléctrodo de terra betuminosa, por exemplo).
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Eléctrodo em anel
O eléctrodo de terra preferencial a utilizar num pára-raios é o eléctrodo em
anel, constituído por um condutor instalado na base das fundações do edifício
ou embebido no maciço de betão das fundações.
Nestes casos, o eléctrodo em anel deve, preferencialmente, ser constituído por
ferro galvanizado por imersão a quente.
Alternativamente pode ser utilizado um condutor em anel, enterrado a uma
profundidade de aproximadamente 0,80 m e envolvendo a estrutura a proteger.
Eléctrodo
Estrutura
em anel
a proteger
Se para as instalações eléctricas do edifício for utilizado um eléctrodo em
anel este deve ser também utilizado como eléctrodo do pára-raios.
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Eléctrodo do tipo radial
Para estruturas de dimensões tais que o raio do eléctrodo em anel resulte
inferior a 8 m, podem utilizar-se eléctrodos do tipo radial (em forma de
“pata de ave”), constituídos por três condutores (no mínimo de 6 a 8 m
cada) derivados de um ponto comum e enterrados horizontalmente no solo
a uma profundidade mínima de 0,8 m.
Se não se optar pelo eléctrodo em anel, a cada descida deve corresponder
um eléctrodo de terra.
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Constituem eléctrodos de terra naturais as estruturas metálicas
enterradas que façam parte ou penetrem no edifício ou estrutura a proteger.
São ainda normalmente utilizadas para aquele fim as fundações em betão
armado, desde que a sua continuidade eléctrica seja assegurada.
Devido ao facto de se tornar difícil verificar as características dos
eléctrodos de terra naturais e, sobretudo, pela dificuldade de garantir a
manutenção daquelas características ao longo do tempo a utilização do
eléctrodos naturais não dispensa a instalação de eléctrodos artificiais.
Ligações equipotenciais
Todas as canalizações ou estruturas condutoras enterradas (água, esgotos,
ar comprimido, combustíveis, electricidade, telecomunicações, etc.) cujo
traçado se situe a menos de 3 m de qualquer ponto do conjunto de
eléctrodos de terra do pára-raios devem ser interligadas com aquele
conjunto de eléctrodos de terra por meio de condutores de cobre (secção ≥
16 mm2), de ferro galvanizado ou de aço inoxidável (secção ≥ 50 mm2).
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Prevenção da tensão de passo
A dissipação no solo de uma onda de corrente de descarga origina
sempre o aparecimento de um elevado potencial no conjunto de
eléctrodos de terra e, consequentemente, no terreno circundante,
originando normalmente uma situação de risco para as pessoas e
animais que ali se encontrem.
Para diminuir a probabilidade de acidente por acção da tensão de passo,
deve ser tomada pelo menos uma das seguintes medidas:
-estabelecer no local, fazendo parte do eléctrodo de terra, um emalhado
de condutores horizontais enterrados no solo, não devendo as
dimensões da malha exceder 5 m x 5 m;
-prever na zona crítica um tapete de material isolante não higroscópico
(asfalto por exemplo) com uma espessura mínima de 50 mm;
-aumentar a profundidade dos eléctrodos de terra para valores
superiores a 1 m.
Por outro lado, deve ser dada preferência, sempre que possível, a
eléctrodos de terra com a forma de anel em detrimento de eléctrodos do
tipo radial.
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Conservação e exploração
Verificações e medições a realizar:
-o bom estado de conservação, de fixação e de funcionamento dos captores,
das descidas, dos elementos de ligação, etc., com confirmação, por medição
da respectiva continuidade eléctrica;
-o bom estado de funcionamento dos disruptores e dos descarregadores de
sobretensão existentes no pára-raios;
-o valor da resistência de contacto do eléctrodo de terra, o qual não deve ser
superior em mais de 50% ao valor obtido aquando da primeira inspecção,
nunca devendo exceder 10 Ω.
NOTA:
Disruptor – Dispositivo destinado a limitar as sobretensões transitórias elevadas
entre duas partes no interior do volume a proteger.
Descarregador de sobretensões (DST ): Aparelho destinado a proteger o
equipamento eléctrico contra sobretensões transitórias elevadas e a limitar a
duração e amplitude da corrente.
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Classificação dos
edifícios e estruturas
Com o fim de aconselhar quais os edifícios e estruturas
a equipar com um pára-raios estes classificam-se
quanto às consequências das descargas (CD) e quanto
à altura e implantação (AI).
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Classificação das estruturas quanto às Consequências das
Descargas (CD)
CD 1 São estruturas sem riscos especiais e não incluídas
Estruturas comuns nos pontos seguintes.
Edifícios frequentados por grande número de pessoas
(escolas, hotéis, cinemas, centros comerciais,
CD 2 quartéis, hospitais, etc.).
Estruturas Edifícios cujo conteúdo seja de elevado valor
envolvendo riscos económico ou cultural (museus, bibliotecas, etc.).
específicos Estruturas sujeitas a riscos de incêndio (armazéns de
cortiça, papel, etc.).
Estruturas onde existam elementos especialmente
sensíveis às sobretensões, nomeadamente
componentes electrónicos (computadores,
equipamentos de telecomunicações, etc.).
CD 3 São estruturas cujo tipo de utilização pode fazer com
Estruturas que os riscos esperados como consequência de uma
envolvendo riscos descarga atmosférica se estendam para o exterior do
para as imediações volume a proteger (exemplos: estruturas contendo
produtos tóxicos, radioactivos, etc. e estruturas
sujeitas a risco de explosão).
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Classificação das estruturas quanto à Altura e
Implantação (AI)
A probabilidade de incidência das descargas atmosféricas vem
reduzida se:
AI 1
- a estrutura se localiza numa área relativamente extensa e contínua
Estruturas em de estruturas de altura semelhante (cidade, florestas, etc.);
situação de - a estrutura tem à sua volta e nas proximidades imediatas outras
risco estruturas ou objectos isolados, de altura significativamente superior;
atenuado. - a estrutura se localiza num vale escarpado, cuja profundidade
exceda a altura da estrutura.
AI 2 São estruturas cuja altura e implantação não alteram
significativamente a probabilidade de ocorrência de uma descarga
Estruturas em
atmosférica, relativamente à probabilidade de incidência de uma
situação de descarga no solo por elas ocupado.
risco normal.
A probabilidade de incidência de descargas atmosféricas considera-
se grande se:
AI 3
- a estrutura tem uma altura superior a 25 metros;
Estruturas em
- a estrutura se salienta num terreno plano, afastado de árvores ou
situação de de outras estruturas;
risco - a estrutura se localiza no alto de uma elevação de terreno
agravado. significativa;
- a estrutura está implantada junto de um desfiladeiro ou penhasco,
nomeadamente, na orla marítima.
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Necessidade de protecção contra
descargas atmosféricas
Altura e Estruturas em Estruturas em Estruturas em
Implantação situação de risco situação de risco situação de risco
atenuado normal agravado
Consequências (AI 1) (AI 2) (AI 3)
das Descargas
Estruturas comuns DISPENSÁVEL ACONSELHÁVEL ACONSELHÁVEL
(CD 1)
Estruturas
envolvendo riscos ACONSELHÁVEL NECESSÁRIO NECESSÁRIO
específicos
(CD 2)
Estruturas
envolvendo riscos NECESSÁRIO NECESSÁRIO NECESSÁRIO
para as imediações
(CD 3)
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Esta apresentação electrónica foi
baseada no “Guia Técnico de Pára –
Raios” da Direcção Geral de Geologia
e Energia.
Lucínio Preza de Araújo 20