SSIFO
Miguel Torga
Ssifo
Ssifo
Na mitologia grega, Ssifo, filho do rei olo da Tesslia e de Enarete, era considerado o mais astuto de todos os mortais. Foi o fundador e primeiro rei de Ephyra, depois chamada Corinto, onde governou por diversos anos. Casou-se com Mrope, filha de Atlas, sendo pai de Glauco e av de Belerofonte.
Ssifo
Certo dia, uma grande guia sobrevoou a sua cidade, levando nas garras uma bela jovem. Ssifo reconheceu gina, filha de Asopo, um deus-rio. Quando, o velho Asopo veio perguntar-lhe se sabia do rapto de sua filha, Ssifo aproveitou para fazer um acordo com ele: s revelaria o paradeiro da jovem em troca de uma fonte de gua para a sua cidade. Asopo aceitou e assim foi criada a fonte Pirene.
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Com esta atitude, Ssifo despertou a raiva do grande Zeus, que ordenou ao deus da Morte, Tanatos, que o levasse para o mundo subterrneo. Porm o esperto Ssifo conseguiu enganar o enviado de Zeus. Elogiou a sua beleza e pediu-lhe para o deixar enfeitar o pescoo com um colar. O colar, na verdade, era uma coleira, com a qual Ssifo manteve a Morte aprisionada e conseguiu alterar o destino.
Ssifo
Durante um tempo no morreu mais ningum. Ssifo soube enganar a Morte, mas depressa arranjou outras encrencas, desta vez com Hades, o deus dos mortos, e com Ares, o deus da guerra, que precisava dos prstimos da Morte para consumar as batalhas.
Ssifo
Logo teve conhecimento, Hades libertou Tnatos e ordenou-lhe que trouxesse imediatamente Ssifo para as manses da morte. Quando este se despediu da mulher, teve o cuidado de lhe pedir secretamente que no enterrasse o seu corpo.
Ssifo
J no inferno, Ssifo insurgiu-se contra a falta de respeito de sua esposa, que no o enterrara, e suplicou a Hades que lhe concedesse mais um dia de vida para se vingar da mulher ingrata e cumprir os rituais fnebres. O deus infernal anuiu e Ssifo pde assim retomar o seu corpo, fugindo com a esposa. Mais uma vez tinha enganado a Morte.
Ssifo
Ssifo morreu de velho, mas foi condenado a um desesperante suplcio: tinha de subir e descer infinitamente uma montanha, carregando at ao cume um enorme rochedo de mrmore que, prximo de atingir o topo, sempre lhe escapava das mos e o obrigava a repetir eternamente o mesmo trabalho.
Ssifo de Miguel Torga
Ssifo
A primeira estrofe, como todo o poema, tem um tom de conselho, de programa de vida. Aqui o poeta exorta os que o leem a no desistirem, a reiterarem os seus esforos (Recomea) na medida das suas possibilidades (Se puderes), com tranquilidade, com serenidade, mesmo que o caminho seja duro, difcil.
Ssifo
Ainda que o caminho da vida seja duro, a construo do futuro seja difcil, necessrio prosseguir e devemos faz-lo em liberdade, usando o nosso livrearbtrio, a nossa capacidade de escolher e decidir.
Ssifo
Ainda que o caminho da vida seja duro, embora a construo do futuro seja difcil, necessrio prosseguir e devemos faz-lo em liberdade, usando o nosso livre-arbtrio, a nossa capacidade de escolher e decidir.
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Na segunda estrofe, o poeta faz referncia a um provrbio (Alcana quem no cansa) para reforar a ideia de que no devemos desistir, no devemos baixar os braos enquanto no alcanarmos os nossos objetivos. A obteno de conquistas parcelares no nos deve contentar: De nenhum fruto queiras s metade.. plenitude que devemos almejar.
Ssifo
A terceira estrofe introduz outra ideia, a da importncia do sonho como o mbil da nossa ao: o sonho metaforizado como fruto, como iluses sucessivas no pomar que, ao mesmo tempo, nos alimentam o esprito e lhe criam a fome de mais, o nunca saciado pomo da vida.
Ssifo
A terceira estrofe introduz outra ideia, a da importncia do sonho como o mbil da nossa ao: o sonho metaforizado como fruto, como iluses sucessivas no pomar que, ao mesmo tempo, nos alimentam o esprito e lhe criam a fome de mais, o nunca saciado pomo da vida.
Ssifo
O sonho como fruto que satisfaz sem saciar est alicerado no supremo paradoxo da vida: o da loucura lcida que a condio humana; o da obra real mas baseada numa iluso que tecida pelo artista; o do logro da Aventura que conduz o heri ao seu destino.