Colides
O Que so:
Colides so misturas heterogneas de pelo menos duas fases diferentes, com a matria de uma das fases na forma finamente dividida (slido, lquido ou gs), denominada fase dispersa, misturada com a fase contnua (slido, lquido ou gs), denominada meio de disperso. A cincia dos colides est relacionada com o estudo dos sistemas nos quais pelo menos um dos componentes da mistura apresenta uma dimenso no intervalo de 1 a 1000 nanometros (1 nm = 10-9 m).
Propriedades
Os princpios relacionados com os diferentes sistemas coloidais da Tabela 1 baseiam-se em propriedades comuns a todos os colides: tamanho e elevada relao rea/volume de partculas (Shaw, 1975). As partculas dispersas podem ter tamanhos diferentes e por isso o sistema coloidal denominado polidisperso. Na prtica, a maioria dos colides obtidos pelo homem polidispersa. Os sistemas com partculas de um mesmo tamanho so monodispersos. As macromolculas de protenas sintetizadas biologicamente tm todas um mesmo tamanho e massa molecular, por isso do origem a colides monodispersos. Diversos pesquisadores obtiveram colides monodispersos de polmeros sintticos, de metais, de xidos metlicos e de cloreto de prata.
Como a rea de superfcie da fase dispersa elevada devido ao pequeno tamanho das partculas, as propriedades da interface entre as duas fases dispersa e de disperso determinam o comportamento dos diferentes sistemas coloidais. Em solues verdadeiras de macromolculas ou em disperses coloidais de partculas finas, o solvente pode ser retido pela configurao da cadeia macromolecular ou das partculas. Quando todo o solvente imobilizado nesse processo, o colide enrijece e chamado de gel.
As diferentes interaes entre as fases dispersa (partculas) e a de disperso (contnua) constituem um dos pontos crticos do comportamento e da estabilidade dos colides. As propriedades fsicas e qumicas de ambas as fases controlam essas interaes. Tais interaes da superfcie incluem as coulombianas de repulso eletrosttica, as de atrao de van der Waals, as de repulso estrica e as de solvatao. Foras hidrodinmicas (difuso) tambm atuam no sistema de multipartculas dispersas simultaneamente s interaes de superfcie.
Esse modelo do sistema coloidal pressupe muitos equilbrios qumicos nas fases, ocorrendo processos dependentes do tempo e que resultam na agregao de partculas de uma disperso slido-lquido ou na coalescncia de gotas de uma emulso. Essas unidades cinticas (partculas/gotas) podem permanecer estveis e constantes com o tempo devido afinidade entre a superfcie da partcula e o solvente.
Interaes entre partculas coloidais
As interaes entre partculas coloidais governam as propriedades dos colides e dependem da distncia de separao e da quantidade de partculas coloidais dispersas. As foras externas devidas ao campo da gravidade ou ao cisalhamento tambm influenciam a interao e as colises entre partculas. Essas foras de interao entre as superfcies das partculas coloidais advm da natureza eletromagntica das interaes entre a matria.
1) 2) 3) 4) 5) 6)
Nas disperses coloidais aquosas pode haver: Interao repulsiva de duplas camadas de cargas, Interao atrativa de van der Waals, Interao estrica repulsiva de cadeias de polmeros adsorvidos nas partculas, Interao atrativa de polmeros, Interao de molculas de solvente (solvatao) e Interao hidrofbica.
A carga da superfcie da partcula influencia a distribuio dos ons da soluo na vizinhana, atraindo e repelindo contraons e co-ons, respectivamente. Essa distribuio de ons desde a superfcie da partcula at o interior da soluo (meio de disperso) gera diferentes potenciais e est representada esquematicamente na Figura 1 a seguir:
No entanto, essa energia de repulso entre as partculas no garante a estabilidade das partculas dispersas. Por isso, na prtica, disperses coloidais podem agregar-se e os agregados sedimentam-se rapidamente, como por exemplo no caso da disperso de argila em gua. As interaes atrativas de curto alcance de van der Waals induzem agregao do sistema medida que as superfcies das partculas se aproximam umas das outras.
Essas foras de curto alcance so as mesmas provenientes da polarizao de tomos e molculas (dipolos) constituintes dos slidos dispersos no meio polar que separa as partculas. Portanto, a energia total de interao (VT) a soma resultante das energias de repulso (VR) e de atrao (VA) indicada na Figura 2.
Sistemas coloidais
Sol: um colide constitudo de partculas slidas finamente divididas dispersas em um meio de disperso lquido. Outras denominaes hidrossol, organossol ou aerossol so atribudas segundo o meio de disperso utilizado: gua, solvente orgnico ou ar, respectivamente
Gel um colide no qual a interao do lquido com partculas muito finas induz o aumento da viscosidade, tornando-se uma massa com partculas organizadas no meio de disperso formando uma rede de partculas enfileiradas como um colar. Esses colides formam uma rede com natureza elstica e gelatinosa, tal como gelatina ou gelia de frutas, ou como um slido rgido como slica gel, muito usada em embalagens como agente secante. Gis podem contrair e eliminar o solvente, processo este denominado de sinrise.
Espuma um sistema coloidal constitudo de bolhas de gs muito pequenas dispersas em um meio lquido, como no caso da espuma de sabo, ou em um meio slido, como a espuma de poli(estireno) conhecida como isopor. As bolhas podem coalescer, isto , colidirem umas com as outras, e do encontro de duas formar uma bolha maior. Esse processo de coalescncia causa a quebra da espuma, o que determina a instabilidade do sistema coloidal.
Detergentes so substncias sintticas com propriedades tensoativas, isto alteram a tenso interfacial quando dissolvidas em um solvente. A tenso interfacial est relacionada com o trabalho necessrio para manter as molculas de uma fase na superfcie ou interface, permitindo, por exemplo, que a liblula pouse sobre a superfcie da gua sem romper a pelcula de gua da superfcie.
Emulso e microemulso so disperses coloidais de um lquido em outro, geralmente estabilizadas por um terceiro componente tensoativo (emulsificante) que se localiza na interface entre as fases lquidas. Entre os emulsificantes mais usados pode-se citar protenas (ovoalbumina, casena), gomas (gelatina), sabes e detergentes, argilas e xidos hidratados. H dois tipos de emulso, conforme a proporo das fases: gua em leo, com gotculas de gua dispersas na fase contnua leo, e leo em gua, gotculas de leo dispersas em gua.
Tratamento de gua. O processo de floculao de partculas coloidais de argilominerais dispersas na gua bruta dos mananciais que chega s estaes de tratamento de gua das cidades foi descrito no item Interao entre partculas coloidais. Numa primeira etapa, o pH da gua ajustado com hidrxido de clcio (cal) e adicionada a soluo de sulfato de alumnio. Em soluo alcalina, o sulfato de alumnio reage com ons hidroxila, resultando em polieletrlitos de alumnio e hidroxila (polictions) com at 13 tomos de alumnio.
Concluso
A qumica dos colides est bastante relacionada com o dia-a-dia do cidado e ossistemas coloidais tanto so encontrados na natureza, nos reinos mineral, vegetal e animal, como podem ser sintetizados para o bem-estar do homem na forma de bens de consumo e para processos industriais que propiciam melhores condies de vida. O estudo dos colides tambm pode ajudar a evitar a formao desses sistemas na natureza, quando poluem o ar (fumaa), a gua (esgoto domstico e industrial) e os solos (resduos slidos).
Alunos Heron H. K. Guimares Lucas Lion Koslinkei