Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCM
Integração Ensino Serviço-Comunidade (IESC II)
OS SISTEMAS DE
INFORMAÇÃO
EM SAÚDE
Ênfase na Atenção Básica
Objetivos da aula:
• Compreender a utilidade e finalidade dos sistemas de
informação em saúde;
• Conhecer os SIS mais utilizados pelos profissionais de saúde no
contexto da Atenção Básica.
O QUE É UM SISTEMA DE
INFORMAÇÃO EM SAÚDE (SIS)?
Em termos conceituais, “sistema” é definido
como um conjunto de elementos conectados
ou todo organizado; “dado”, como um valor
quantitativo referente a um fato ou
circunstância; e “informação”, como
PINHO;GARCIA, 2017
conhecimento obtido a partir dos dados.
Utilidade e finalidade dos SIS:
No setor da saúde, a informação subsidia o processo
decisório, uma vez que auxiliam no conhecimento sobre as
condições de saúde, mortalidade e morbidade, fatores de
risco, condições demográficas entre outras (ROUQUAYROL,
2013).
Ferramenta de apoio a gestão por proporcionar:
Utilidade e finalidade dos SIS:
• O objetivo dos SIS é selecionar dados
pertinentes e transformá-los em
informações para aqueles que
planejam, financiam, provêm e avaliam
os serviços de saúde.
• Em síntese, devem disponibilizar o
suporte necessário para que o
planejamento, decisões e ações dos
gestores, em determinado nível
decisório (municipal, estadual e federal),
seja baseado em evidências.
• A finalidade principal refere-se à
disponibilização de informação de
qualidade onde e quando necessárias
Em resumo, as principais
finalidades dos SIS:
• Analisar a situação atual de saúde;
• Realizar planejamento com vistas ao estabelecimento
de
prioridades;
• Fazer comparações de indicadores, metas e objetivos;
• Documentar a qualidade da assistência prestada;
• Avaliar mudanças ao longo do tempo;
• Subsidiar tomada de decisões;
• Demonstrar a confiabilidade e transparência dos
serviços
PINHO;GARCIA, 2017.
prestados, frente à sociedade.
Como as informações são
produzidas?
Os Profissionais da Atenção Básica produzem dados em saúde a
partir do momento em que desenvolvem suas atribuições no
ambiente de trabalho, por exemplo, quando realizam as
seguintes atividades:
Consultas dos profissionais;
Visitas domiciliares;
Realização de procedimentos
Atividades de educação e promoção a
saúde
Reuniões de equipe ou comunidade;
Administração de imunobiológicos;
Constatação do nascimento ou morte;
Entre outras situações.
(ARAUJO, 2018).
Onde as informações produzidas são
registradas?
As informações são registradas primeiramente no
prontuário de cada usuário e posteriormente nos
formulários específicos de cada SIS.
No contexto da Atenção Básica temos vários SIS e
cada um possui seu objetivo e instrumento
específico.
Uma das possibilidades advindas do uso dos SIS é
a extração de indicadores de saúde.
(ARAUJO, 2018).
PRINCIPAIS SIS UTILIZADOS
Sigla Sistema de Informação em Ano Documento Básico
Saúde de
Início
SINASC Sistema de informações sobre 1990 Declaração de nascidos
vivo
Nascidos Vivos
SISAB Sistema de Informação da Saúde da 2015 Fichas do e-SUS
Atenção Básica
SINAN Sistema de informações de Agravos 1993 Ficha individual de
notificação e Ficha
de Notificação Individual de investigação
SISCAM Sistema de Informações do Câncer 2003 Ficha de Requisição de
mamografia e citológico
da Mulher
SIM Sistema de informação sobre 1975 Declaração de óbito
Mortalidade
SIH Sistema de Informação Hospitalar 1976 Autorização de Internação
Hospitalar
SIA Sistema de Informação de 1992 Boletim de produção de
serviços ambulatoriais
atendimento ambulatorial
SINASC- Sistema de Informa- As Crianças que nascem no
domicílio são registradas
ções sobre Nascidos Vivos diretamente nos Cartórios
de Registro Civil.
Finalidade: Registrar os nascidos vivos do país, além de fornecer
informações
sobre gestação, parto e as condições do recém-nascido.
Principal local de captação da informação : Serviços de saúde,
hospitais
maternidade.
Instrumento de registro: Declaração de Nascido Vivo (DNV).
A obrigatoriedade do registro Art.
da 51.
Declaração de Nascidos
Todo nascimento Vivos no
que ocorrer é dada
pela Lei nº. 6.015/1973: território nacional deverá ser dado a
registro no lugar em que tiver ocorrido o
parto, dentro de quinze (15) dias,
ampliando-se até três (3) meses para os
lugares distantes mais de trinta (30)
quilômetros da sede do cartório, alterada
pela lei nº 12.662/2012 que assegura em
qualquer cartório do país.
A Lei nº 8.069/1990
Art. 10. Os hospitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de
gestantes, públicos e particulares são obrigados a: IV - fornecer
SINASC
A OMS considera nascido vivo:
Todo produto da concepção que, independentemente
do tempo de gestação, depois de expulso ou extraído
do corpo da mãe, respire ou apresente outro sinal de
vida, tal como batimento cardíaco, pulsação do cordão
umbilical ou movimentos efetivos dos músculos de
contração voluntária, estando ou não desprendida a
placenta.
SINASC Fluxo de informações da DNV do
SINASC
A DNV possui 3 vias: Uma na cor branca que deve ser enviada para a
Caso a de
Secretaria criança
saúde;nasça em casa com o atendimento e suporte de
uma equipe
Uma na cor de partoque
amarela domiciliar,
fica comoaregistro pode
família até ser feito em
o momento em casa
que a
pelos profissionais que acompanharam o parto
criança é registrada no Cartório, onde posteriormente a via amarela é
(médico/enfermeira obstetriz) e em seguida as fichas preenchidas
arquivada;
Uma na cor rosaseguem o fluxo
que deve ficaridêntico aono
arquivada doserviço
hospital.
de saúde (hospital
ou UBS).
E-SUS (SISAB)- SISTEMA DE INFORMAÇÃO DA
SAÚDE DA ATENÇÃO BÁSICA
• Finalidades: Captar os dados para fins de financiamento e de adesão
aos programas e estratégias da Política Nacional de Atenção Básica.
• Principal local de captação da informação : Serviços da AB (UBS,
NASF-AB, Consultório na Rua, Academia da Saúde e Programa Saúde na
escola) e equipes do SAD.
Há duas modalidades:
Coleta de dados simplificada (CDS)
e Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC)
Nas duas é obrigatório o registro do cartão do SUS do usuário e do
profissional de saúde.
E-SUS (SISAB)- Sistema de Informação da
Saúde da Atenção Básica
O SISAB atualmente é
composto por 11 instrumentos
de registro/ fichas: 7. Ficha de procedimentos;
[Link] de cadastro do domicílio; [Link] de consumo
2. ficha de cadastro do indivíduo; alimentar;
3. Ficha de visita domiciliar e
territorial; 9. Ficha de Vacinação;
4. ficha de atendimento individual; [Link] de avaliação e
5. ficha de atendimento admissão SAD;
odontológico;
6. ficha de atividades coletivas; [Link] domiciliar
SAD.
As fichas de marcadores de consumo alimentar e a ficha de vacinação
eram de outros sistemas e foram adaptadas para serem incluídas no
SISAB.
E-SUS (SISAB)- Sistema de Informação da
Saúde da Atenção Básica
Apesar de o SAD ser um serviço vinculado ao financiamento
oriundo da atenção especializada (Nível secundário) as suas
fichas foram adaptadas e incluídas no SISAB tendo em vista a
atuação dessas equipes integrada as equipes de Atenção
básica.
Ficha de avaliação e admissão SAD;
Atendimento domiciliar SAD.
E-SUS (SISAB)- Sistema de Informação
da Saúde da Atenção Básica
Nesta modalidade o fluxo
de informações acontece
da seguinte forma:
E-SUS (SISAB)- Sistema de Informação da
Saúde da Atenção Básica
Nesta modalidade o fluxo
de informações acontece
da seguinte forma:
SISTEMA e-SUS AB com PEC
Portaria nº
SINAN-Sistema de Informações
420 de
Março
2022 - 48
de Agravos de Notificação
DNC
Finalidades: padronizar a coleta e o processamento de dados
sobre os agravos de notificação em todo o território nacional
e, assim, fornecer informações para a análise do perfil de
morbidade, contribuindo para a tomada de decisões nos níveis
municipal, estadual e federal.
Principal local de captação da informação: Serviços de
saúde públicos e privados que atenderem o usuário primeiro.
Instrumento de registro: Ficha Individual de Notificação (FIN)
Ficha Individual de Investigação (FII) e Requisição de exames do
gerenciador do sistema ambulatorial (GAL).
SINAN-Sistema de informações de Agravos de Notificação
O profissional deve:
Usar a Ficha Individual de Notificação (FIN) que é um instrumento
padronizado, pré-numerado e emitido pela SVS/MS, mediante a
suspeita de casos de doenças de notificação compulsória ou
agravos inusitados, surtos ou para realizar a notificação negativa,
ou seja, comunicar a não ocorrência de doenças de notificação
compulsória na unidade de saúde notificante.
Usar a Ficha Individual de Investigação (FII) que é específica para cada
doença de notificação compulsória e representa um roteiro de
investigação para cada agravo. Com ela é possível levantar dados
que possibilitem a identificação da fonte de infecção e dos
mecanismos de transmissão de doenças.
Nos casos de doenças com alto risco de transmissibilidade e poder de
disseminação a notificação da suspeita deve ser feita em até 24h
(Notificação Imediata) para o Ministério da Saúde, Secretaria
Estadual de Saúde, Secretaria Municipal de Saúde;
As demais doenças que não se enquadram nos risco acima citados
devem ser notificadas todas as semanas (Notificação Semanal).
SINAN- Sistema de informações de Agravos de
Notificação – Ficha GAL (Gerenciador De Ambiente
Laboratorial)
O profissional deve:
Usar a ficha de requisição de exames laboratoriais para
solicitar as sorologias ou mesmo outros exames
diagnósticos necessários para investigar o agravo/doença
de notificação compulsória e entregar para o usuário
realizar a coleta. Outra possibilidade é enviar essa ficha
preenchida diretamente para o LACEN municipal ou outro
órgão responsável pela coleta do material.
De posse da ficha, o laboratório insere as informações no
sistema e monitora os resultados para dar seguimento ao
caso.
Fluxo de informações da FIN e FII do
SINAN
SINAN- Sistema de informações de
Agravos de Notificação
Doenças/Agravos de notificação Doenças/Agravos de notificação
Imediata Semanal
Cólera Casos de Dengue
Malária na região extra-amazônica Hanseníase
Raiva Humana Sífilis na Gestação
Sarampo/rubéola Tuberculose
Violência sexual e tentativa de suicídio Violência doméstica e outras violências
Fonte: Brasil,
2020.
V - evento de saúde pública (ESP): situação que pode constituir potencial
ameaça à saúde pública, como a ocorrência de surto ou epidemia,
doença ou agravo de causa desconhecida, alteração no padrão
clínicoepidemiológico das doenças conhecidas, considerando o
potencial de disseminação, a magnitude, a gravidade, a
severidade, a transcendência e a vulnerabilidade, bem como
epizootias ou agravos decorrentes de desastres ou acidentes;
Dessa forma, a SARS-COV-19/COVID-19 entra como um agravo de
e-SUS VE
Vigilância Epidemiológica da Gripe
• Finalidade: O e-SUS VE foi desenvolvido pelo DATASUS exclusivamente
para
• atender a alta demanda de notificações devido ao COVID-19.
• Definição de caso para Síndrome Gripal (SG): Indivíduo com quadro
respiratório agudo, caracterizado por sensação febril ou febre*, mesmo
que relatada, acompanhada de tosse OU dor de
garganta OU coriza OU dificuldade respiratória. *Na suspeita de COVID-
19, a febre pode não estar presente. EM CRIANÇAS: considera-se
também obstrução nasal, na ausência de outro diagnóstico específico. EM
IDOSOS: a febre pode estar ausente. Deve-se considerar também critérios
específicos de agravamento como síncope, confusão mental, sonolência
excessiva, irritabilidade e inapetência.
• Local de captação da informação: Unidades públicas (atenção primária
e pronto atendimento) e unidades privadas (clínicas, consultórios etc.)
• Instrumento de registro e Fluxo: Por meio da Nota técnica nº 20/2020,
o Ministério da Saúde reforça a importância da realização da NOTIFICAÇÃO
IMEDIATA dos casos de Síndrome Gripal (SG) leve no e-SUS VE, por
meio do link([Link]
SIVEP-GRIPE
Sistema de Informação da Vigilância
Epidemiológica da Gripe
• Finalidade: identificação dos vírus respiratórios em circulação no país,
além de permitir o monitoramento da demanda de atendimentos por
Síndrome Gripal.
• Definição de caso para SÍNDROME RESPIRATÓRIA AGUDA
GRAVE (SRAG): Síndrome Gripal que apresente: dispneia/desconforto
respiratório OU pressão persistente no tórax OU saturação de O2
menor que 95% em ar ambiente OU coloração azulada dos lábios ou
rosto. EM CRIANÇAS: além dos itens anteriores, observar os
batimentos de asa de nariz, cianose, tiragem intercostal, desidratação
e inapetência.
• Local de captação da informação: Hospitais públicos ou privados e
Unidades de Vigilância Sentinela de Síndrome Gripal.
• Instrumento de registro e fluxo: Por meio da Nota técnica nº
20/2020, o Ministério da Saúde reforça a importância da realização
da NOTIFICAÇÃO IMEDIATA dos casos de Síndrome Respiratória
Aguda Grave (SRAG) hospitalizados e dos Óbitos suspeitos,
independente de internação, devem ser notificados no SIVEP-Gripe
por meio do link: [Link]
SISCAM- Sistema de Informações do Câncer
da Mulher
• Finalidades: acompanhar o desenvolvimento das ações
do plano de controle do câncer de colo do útero e mama.
• Principal local de captação da informação: Unidades
básicas de saúde e Rede laboratorial pública e credenciada
ao SUS.
• Instrumento de registro: Ficha de solicitação de
Mamografia e Ficha de solicitação do Citopatológico.
As UBS realizam a coleta do material para o
exame citopatológico, bem como solicitam o
exame da mamografia de rastreio ou de
diagnóstico para mulheres em idade de risco .
A rede laboratorial mediante resultado dos
exames, lança os registros no SISCAM.
SIM- Sistema de Informação sobre Mortalidade
• Finalidade: Captar os dados quantitativos e qualitativos
de óbitos e fornecer informações sobre mortalidade.
• Principal local de captação da informação : Serviços
de verificação de óbitos, hospitais, cartórios.
• Instrumento de registro: Declaração de Óbito (DO).
Resolução CFM Nº 1.779, 11 de novembro de 2005:
Regulamenta a responsabilidade médica no
fornecimento da Declaração de Óbito.
O preenchimento da DO deve ser realizado
exclusivamente por médicos, exceto em locais
onde não existam, situação na qual poderá ser
preenchida por oficiais de Cartórios de Registro Civil,
assinada por duas testemunhas;
Fluxo de preenchimento da DO em casos
de Morte natural
SIM Fluxo de preenchimento da
DO em casos de Morte não
natural
Fluxo de preenchimento da DO para digitação
no SIM
A DO possui 3 vias:
1ª via (branca) será da secretaria municipal de saúde (SMS) e é por meio dessa via
que as informações são digitadas no SIM e enviadas para o Ministério da Saúde.
2ª via (amarela) será entregue aos familiares do falecido, para registro em Cartório
de Registro Civil e emissão da Certidão de Óbito, posteriormente essa via amarela fica
retida e arquivada no cartório.
3ª via (rosa) ficará arquivada no prontuário do falecido caso tenha sido preenchida no
hospital onde ocorreu o óbito ou será encaminhada a secretaria de saúde nos casos em
que o óbito foi registrado em Cartório.
REFERÊNCIAS
ARAUJO, Y. B Sistemas de Informação em Saúde.
2018.
BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Federal de
Medicina. Declaração de óbito: documento
necessário e importante. Brasília: Ministério da
Saúde, 2006.
BRASIL. Departamento de Atenção Básica. Sistema e
- SUS Atenção Básica: Manual de Exportação - API
Thrift. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2016.
BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde.
Vigilância em Saúde - Parte 1. Brasília: CONASS,
2011. 320 p. (Coleção Para Entender a Gestão do
SUS 2011, 5,I).
PINHO, J.R.O.; GARCIA, P.T. Sistemas de informações
em saúde. In: REIS, R. S. Epidemiologia: conceitos e
aplicabilidade no Sistema Único de Saúde. P. 65-94.