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Divórcio Por Mútuo Consentimento:: Extinc ÃO Da Relac ÃO Matrimonial

A extinção da relação matrimonial pode ocorrer por morte ou divórcio, sendo o divórcio classificado em mútuo consentimento e sem consentimento. A maioria dos divórcios é por mútuo consentimento, que pode ser realizado via administrativa ou judicial, dependendo da apresentação e homologação de acordos sobre questões como responsabilidades parentais e destino de bens. O divórcio sem consentimento é sempre judicial e busca a conciliação entre as partes, podendo ser convertido em mútuo consentimento se houver acordo.

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Divórcio Por Mútuo Consentimento:: Extinc ÃO Da Relac ÃO Matrimonial

A extinção da relação matrimonial pode ocorrer por morte ou divórcio, sendo o divórcio classificado em mútuo consentimento e sem consentimento. A maioria dos divórcios é por mútuo consentimento, que pode ser realizado via administrativa ou judicial, dependendo da apresentação e homologação de acordos sobre questões como responsabilidades parentais e destino de bens. O divórcio sem consentimento é sempre judicial e busca a conciliação entre as partes, podendo ser convertido em mútuo consentimento se houver acordo.

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DFM: 2022/2023 Ricardo Rocha

15/11- Aula prática e teórica

EXTINÇÃO DA RELAÇÃO MATRIMONIAL

A extinção da relação matrimonial pode ocorrer por morte ou por divórcio. Relativamente ao
divórcio, compete dizer que este se traduz na dissolução do casamento decretada pelo tribunal ou
pelo conservador do registo civil a requerimento de um dos cônjuges ou dos dois cônjuges.

Modalidades de divórcio:

 Mútuo consentimento: com o consentimento de ambos os cônjuges. Este é pedido por


ambos os cônjuges, de comum acordo e sem indicação da causa porque é pedido.
o Via administrativa(regra)
o Via judicial
 Sem consentimento: sem consentimento de um dos cônjuges. Este é pedido por um
dos cônjuges contra o outro cônjuge, com fundamento em determinada causa.
o Via judicial

Atualmente, a maior parte dos casamentos é feito por mútuo consentimento. Estes
representam 95% dos divórcios, algo que pode ser enganador. Uma das partes pode ceder perante a
outra, acabando por funcionar como uma via mais rápida para por fim à relação matrimonial- “as
pessoas não querem ficar amarradas a quem não quer manter o vínculo matrimonial”.

Divórcio por mútuo consentimento:

Via Administrativa:

Olhando o nº 1 do art.1775.º do CC, este estabelece que o divórcio por mútuo consentimento pode
ser instaurado a todo tempo na conservatória do registo civil. Os cônjuges apresentam um
requerimento assinados pelos mesmos ou seus representantes, sendo que este requerimento
(expressão usada no âmbito do DA), tem de ser apresentados acordos complementares relativamente
a quatro matérias:

 Destino da morada de família


 Acordo de alimentos
 Responsabilidades parentais (art.1776.ºA): é preciso dar atenção às crianças. Apresentado o
acordo sobre o exercício de responsabilidades parentais relativos a filhos menores, o processo
é enviado ao MP, que representa as crianças. Este pronuncia-se num prazo de 30 dias, para
saber se aquele acordo acautela os interesses dos filhos, podendo, se necessário solicitar à
partes que alterem o acordo, se não tiverem sido satisfeitas os interesses das crianças.
o Considerando que estão acautelados os interesses dos filhos e dos cônjuges ou passou
a acautelar-se, o processo é remetido para o Conservador que procede à sua
homologação.
o Caso o Ministério Público comunica o conservador que o acordo não acautela
devidamente os interesses dos menores podem os requerentes alterar o acordo em
conformidade ou apresentar novo acordo. Se os cônjuges não alterarem o acordo
termos indicados pelo Ministério Público e mantiverem o propósito de se divorciar, o
processo é remetido para o tribunal competente da residência do menor no momento
da instauração do processo. Assim, caso as partes não procedam à sua alteração, por
não acautelaram de modo suficiente os interesses dos filhos menores, aplica-se o art.
DFM: 2022/2023 Ricardo Rocha

1778 (remessa para o tribunal), em que o processo de divórcio é remetido da para o


tribunal da comarca.
 Destino dos animais de companhia: novidade da lei ao estabelecer que esta matéria tem de ser
objeto de acordo

“O processo só́ é judicial nos casos em que os cônjuges não apresentam algum dos acordos que
constam no art. 1775/1 do CC, em que algum dos acordos apresentados não é homologado ou nos
casos resultantes de acordo obtido no âmbito de processo de divorcio sem consentimento do outro
cônjuge”.

No divórcio por mútuo consentimento (via administrativa), o acordo sobre as matérias supra,
é visto pelo conservador, que os aprecia, verificando se estas respeitam os pressupostos legais. Pode
acontecer que, se tal for o caso, que este tenha de convidar as partes a alterar os acordos para
acautelarem os interesses de um dos conjunges ou os interesses do filho. Este pode determinar a
prova desses acordos.

Em seguida, se considerar que os acordos satisfazem de modo satisfatório os pressupostos


presentes na lei, que há de efetivamente, de ter em conta as circunstâncias do caso, procede se ao
registo do divórcio que tal divórcio que tal como o casamento tem de ser registado.

Caso, os cônjuges não alterarem os acordos ou mesmo depois das alterações os interesses de
um dos cônjuges ou dos filhos não tiverem ficado suficientemente acautelados o conservador deve
recusar a homologação dos acordos e remeter o processo para o tribunal competente (artigo 1778).

Via judicial:

O art. 1778.º A estabelece que se os cônjuges, não tiver acordo sobre algumas das matérias
previstas no art.º1775/1, ou que alguns deles não tutela de modo suficiente o interesse de um dos
cônjuges ou de um dos filhos, o divórcio terá de ser feito por via judicial, ou seja, o processo é
remetido na integra para o tribunal. Assim, pode acontecer que estes estejam de acordo relativamente
ao divórcio (daí ser um divórcio por mútuo consentimento), só não existe acordo relativamente
aquelas matérias.

O juiz aprecia os acordos que os progenitores tiverem apresentado convidando-nos alterá-los-


mais uma vez a ideia de desdramatizar o casamento. Se tal não acontecer o juiz analisa a questão e
procura evitar questões de desequilíbrio, nomeadamente de acautelar os interesses dos filhos, a
propósito das responsabilidades parentais, decidindo ele mesmo as questões que deviam ter obtido
acordos, como se tratasse de um divórcio sem consentimento- não é este o caso, na medida em que as
partes tem um consenso relativamente ao acordo principal- dissolução do casamento- só não
existindo acordo relativamente aos acordos suplementares. O tribunal vai pedir prova, perícias
testemunhas, para tentar resolver aquelas quatro matérias em que não se chegou a acordo, por
sentença.

Divórcio sem consentimento

O divórcio sem consentimento é pedido por um dos cônjuges contra o outro com fundamento em
determinada causa- o art.1781.º do CC estabelece os fundamentos do divórcio sem consentimento de
um dos cônjuges.
DFM: 2022/2023 Ricardo Rocha

Este reveste um carácter judicial. A expressão anterior era o divórcio “litigioso”, sendo que se
recorreu à nova expressão para desdramatizar o divórcio.

Denotamos já uma diferença relativamente ao divórcio por mútuo consentimento que pode ser
judicial ou administrativo, enquanto o divórcio sem consentimento “litigioso” é sempre judicial.

De qualquer modo, o art. 1779.º estabelece que o juiz deve sempre tentar arranjar formas de
conciliação das partes, existindo a possibilidade de reconversão de um divórcio sem consentimento
para um divórcio por mútuo consentimento.

Assim temos divórcio que podem ocorrer:

 - na conservatória: os acordos são aceites, procedendo-se ao registo do divórcio


 - os acordos da conservatória não são apresentados não são homologados- divórcio por mas
continuamos a estar perante um divórcio por mútuo consentimento
 - divórcio sem consentimento
 - a possibilidade de reconversão de um divórcio sem consentimento para um divórcio por
mútuo consentimento.

Caso prático:

a) João e Maria, casaram em 2010, em 2021 João e Maria entendem que a sua relação acabou.
Como podem eles terminar ou extinguir a relação matrimonial que os une.

Enquadrar: questão de divórcio. Teríamos de referir as formas de extinção da relação


matrimonial: por divórcio ou por morte. Não estando perante a última situação o problema
que se colocava era relativo ao divórcio que se traduz na dissolução do casamento decretada
pelo tribunal ou pelo conservador do registo civil a requerimento de um dos cônjuges ou dos
dois cônjuges. Este pode ser, como se percebe, pela definição apresentada, por mútuo
consentimento (ambos os cônjuges querem por fim à relação matrimonial- não há
necessidade de apresentar uma causa embora ela possa existir) ou sem consentimento (é o
pedido por um dos cônjuges contra o outro, com fundamento em determinada causa).

In casu, parece nos que ambos desejam por fim à relação matrimonial. Sendo esse o caso,
devem terminar ou extinguir a relação matrimonial através de um divórcio por mútuo
consentimento.

O divórcio por mútuo consentimento pode ocorrer por via administrativa e judicial. Só é por
via judicial quando um dos cônjuges não apresentam algum dos acordos que constam no art.
1775/1 do CC, ou quando dos acordos apresentados não é homologado por não acautelar de
modo suficiente os interesses de um dos cônjuges ou dos filhos menores, tendo em conta não
só os pressupostos presentes na lei, bem como se tais acordos são satisfatórios tendo em conta
as circunstâncias do caso concreto (art. 1768.º do CC- “remessa para o tribunal).

De qualquer modo, este inicia-se com um requerimento que pode ser instaurado a todo o
tempo na conservatória do registo civil, mediante requerimento apresentado por ambos os
cônjuges ou seus representantes, devendo ser apresentado um acordo sobre as matérias
referidas no art. 1775.º/1 do CC.
DFM: 2022/2023 Ricardo Rocha

Assim sendo, o divórcio por mútuo consentimento deve ser a forma a usar para por um fim à
relação matrimonial- agora se vai culminar num processo consumado por via administrativa
ou judicial, vai depender do seu desenrolar e das possíveis vicissitudes daí ocorrentes.

b) Imaginemos que Maria e João tinham um filho António, que tinha nascido em 2015 e que
apresentam um acordo relativo às responsabilidades parentais em que decidem que a
alternância de residência do filho de dois em dois dias. Conseguiram João e Maria
divorciar-se?

Caso não haja acordo quanto ao divórcio e não quanto haja acordo quanto a algumas das
matérias previstas no art.º 1775, ou quando não exista homologação o processo é remetido na integra
para o tribunal.

No caso subjudice, a nuance na residência pode ser um problema, porque o MP pode entender
que isso não acautela os interesses dos filhos. Este pronuncia-se num prazo de 30 dias, para saber se
aquele acordo acautela os interesses dos filhos, podendo, se necessário solicitar à partes que alterem
o acordo, se não tiverem sido satisfeitas os interesses das crianças. Considerando que estão
acautelados os interesses dos filhos ou passou a acautelar-se, regista o divórcio. Se as partes não
concordarem com aquilo que foi referido pelo MP aplica-se o art. 1778, em que o processo de
divórcio é remetido da conservatória para o tribunal da comarca.

C) João e Maria estão de acordo relativamente ao divórcio mas ambos querem ficar com
cadela. Qual a decisão do conservador relativamente ao divórcio requerido por Maria e
João.

(Não foi resolvida em sede de aula)

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