Introdução
O capim-navalha (Paspalum virgatum L.), também
chamado de navalhão, capim-duro ou capim-
cabeçudo, é a principal gramínea invasora de
pastagens na Amazônia, por causa de sua alta
capacidade de multiplicação e de competição com
as forrageiras, especialmente em solos úmidos.
Os bovinos pastejam somente plantas jovens do
capim-navalha, enquanto os equinos apreciam as
sementes e ajudam a disseminar a infestação na
pastagem.
Em 2012, a Embrapa Acre recomendou um método
de reforma de pastagens com alta infestação de
capim-navalha (ANDRADE et al., 2012), que tem
sido utilizado com sucesso em diversas localidades
da Amazônia.
Entretanto, o controle de infestações localizadas
de capim-navalha em pastagens ainda requer
métodos mais eficazes e de maior rendimento
operacional. As opções atuais são o arranquio
manual com enxada, de baixo rendimento
operacional, e a pulverização com o herbicida
glifosato, diluído a 1% em água, que controla
de forma eficaz o capim-navalha, porém tem o
inconveniente de atingir também as forrageiras
que crescem em torno da touceira. Alguns
produtores também têm pulverizado o herbicida
triclopir (Garlon), diluído em água na dosagem de
1%, imediatamente após a roçagem da touceira
Manejo de Plantas rente ao solo com roçadeira costal. Em validação
realizada recentemente, os resultados foram
Daninhas em Pastagens insatisfatórios, tanto do ponto de vista técnico,
uma vez que houve rebrotação de mais de 35%
na Amazônia das touceiras tratadas nos meses seguintes à
aplicação, quanto econômico, por se tratar de um
produto caro cuja aplicação exige gasto elevado
de mão de obra para roçagem e pulverização.
Controle do Capim-navalha Além disso, mesmo quando não há rebrotação
do capim-navalha, a roçagem rente ao solo afeta
com Enxada Química Manual o crescimento das gramíneas no local adjacente
às touceiras tratadas, criando oportunidade para
infestação da área por outras plantas daninhas,
especialmente ciperáceas, antes que as gramíneas
forrageiras consigam recolonizar essas áreas
(ANDRADE; FONTES, 2015).
A enxada química comercializado pela Grazmec, está disponível no
mercado (PEREZ, 2010).
Há três formas básicas de aplicação de
Os aplicadores seletivos apresentam as seguintes
herbicidas por via foliar: pulverização em
vantagens, quando comparados com os
área total, pulverização localizada (catação)
pulverizadores: a) possibilitam o controle seletivo
e uso de aplicador seletivo (enxada química).
de plantas daninhas em pastagens sem afetar as
Os aplicadores seletivos utilizam materiais
forrageiras (capins e leguminosas); b) economizam
absorventes (corda, esponja ou tecido), que são
herbicida, devido à maior precisão de aplicação;
encharcados com a calda do herbicida e utilizados
c) podem ser utilizados mesmo sob ventos fortes;
para molhar seletivamente as folhas das plantas
d) não há risco de deriva para culturas vizinhas
daninhas. São muito comuns nos Estados Unidos,
(JOHNSON, 2011). Entretanto, seu uso depende
Europa e Austrália, onde se comercializam diversos
da diferença de altura entre a planta daninha
modelos manuais e tratorizados com o nome
e o pasto, de modo que somente as folhas das
de weed wiper (JOHNSON, 2011). Nos países de
plantas daninhas sejam molhadas com a calda do
língua espanhola, são chamados de mechero.
herbicida, geralmente o glifosato, que controla
No Brasil, apenas o aplicador tratorizado Campo
todo tipo de planta (não seletivo).
Limpo (Figura 1), desenvolvido pela Embrapa e
F
Fotos: Kéke Barcellos (A), Carlos Mauricio (B)
A B
A
Figura 1. Modelos de aplicadores seletivos de herbicida: A) aplicador tratorizado Campo Limpo (Grazmec); B) enxada química manual importada dos
Estados Unidos (Weed Kill-A, Rodgers Sales Company).
Controle do capim-navalha com bons (Figura 2), com rebrotação de menos de 15%
das touceiras tratadas aos 60 dias após a aplicação
enxada química manual
e elevado rendimento operacional. Modelos de
fabricação artesanal semelhantes ao americano,
Um modelo de enxada química manual foi utilizando borracha de castração de carneiro para
importado dos Estados Unidos (Figura 1) e vedação, já estão sendo utilizados no Acre
validado para o controle do capim-navalha em (Figura 2).
uma pastagem de 40 ha de Brachiaria humidicola
em Senador Guiomard, AC. Os resultados foram
Instruções de uso
Herbicida Produto comercial à base de glifosato, em formulação líquida (360 g/L) ou
granulada (720 g/kg).
Preparo de calda Utilizar sempre água limpa, pois o glifosato perde o efeito com uso de água
barrenta.
A calda deve ser preparada em um vasilhame plástico, em quantidade suficiente
para uso em até 3 dias.
Diluir 1 parte de herbicida líquido para 1 parte de água ou 1 parte de herbicida
granulado para 3 partes de água.
Uso de EPI O operador deve utilizar equipamento de proteção individual (EPI), composto por
jaleco e calça hidrorrepelentes, luvas de borracha nitrílica e botas de borracha,
para o preparo de calda e aplicação do herbicida.
Época de Preferencial: outubro-dezembro e abril-junho.
tratamento O controle também é possível entre janeiro e março, porém a alta frequência de
chuvas aumenta o risco de insucesso, reduzindo a eficácia do herbicida se ocorrer
entre 2 e 4 horas após sua aplicação.
Manejo prévio Se as touceiras do capim-navalha estiverem muito desenvolvidas, com poucas
folhas verdes, recomenda-se roçá-las a 20 cm de altura 15 a 20 dias antes do
tratamento.
Modo de Abastecer o reservatório com a calda usando um funil e rosquear a tampa para
aplicação fechar.
Aguardar o umedecimento da corda e iniciar a aplicação, passando a corda
encharcada nas folhas do capim-navalha, num movimento de vaivém, com
cuidado para não molhar as folhas das plantas forrageiras.
Manter a corda voltada para cima quando se deslocar entre uma touceira e outra,
para evitar o gotejamento da calda no pasto.
O capim-navalha começa a amarelar em 3 a 5 dias e seca completamente 20 a 30
dias após a aplicação. Nesse momento, é importante fazer um repasse na área,
tratando as touceiras “esquecidas”.
Manejo posterior Em pastos formados com plantas estoloníferas (Brachiaria humidicola, capim-
tangola, grama-estrela-roxa ou amendoim forrageiro), as áreas que estavam
ocupadas pelas touceiras do capim-navalha serão naturalmente colonizadas.
Já em pastos formados por capins de touceira (mombaça, xaraés e outros), é
importante que o combate ao capim-navalha seja associado ao replantio das
forrageiras nesses locais para evitar a reinfestação pelo capim-navalha ou
por outras plantas daninhas. Esse replantio poderá ser feito 1 semana após o
controle, sendo mais apropriado no período de janeiro a março.
Fotos: Carlos Mauricio Soares de Andrade
A
Figura 2. Touceiras de capim-navalha controladas com aplicação de glifosato usando enxada química manual em pastagem de Brachiaria humidicola
em Senador Guiomard, AC e detalhe de modelo artesanal de enxada química manual.
Referências
ANDRADE, C. M. S.; FONTES, J. R. A.; OLIVEIRA, T. K.; FARINATTI, L. H. E. Reforma de pastagens com alta
infestação de capim-navalha (Paspalum virgatum). Rio Branco: Embrapa Acre, 2012. 14 p. (Embrapa Acre.
Circular Técnica, 64).
ANDRADE, C. M. S.; FONTES, J. R. A. Biologia e manejo de capim-navalha e capim-capeta em pastagens.
In: IKEDA, F. S.; INOUE, M. H. (Ed.). Manejo sustentável de plantas daninhas em sistemas de produção
tropical. Brasília, DF: Embrapa, 2015. p. 71-102. Disponível em: <[Link]
docs/2015_spdtropical_livro.pdf>. Acesso em: 24 nov. 2015.
JOHNSON, J. Weed wiper technology and usage. Ardmore: The Samuel Roberts Noble Foundation, 2011.
7 p. Disponível em: <[Link] Acesso em: 28
abr. 2015.
PEREZ, N. B. Controle de plantas indesejáveis em pastagens: uso da tecnologia campo limpo. Bagé:
Embrapa Pecuária Sul, 2010. 7 p. (Embrapa Pecuária Sul. Comunicado Técnico, 72).
Elaboração: Diagramação e arte-final:
Carlos Mauricio Soares de Andrade Bruno Imbroisi
Engenheiro-agrônomo, doutor em Zootecnia,
pesquisador da Embrapa Acre, bolsista DT-CNPq Fotos da capa:
Carlos Mauricio Soares de Andrade
Revisão de texto:
Claudia Carvalho Sena 1ª edição:
Suely Moreira de Melo 1ª impressão (setembro/2015): 500 exemplares
[Link]
CGPE 12327
Normalização bibliográfica: [Link]
Renata do Carmo França Seabra