Narciso José
Direitos Humanos e Direitos Fundamentais
Universidade Rovuma
Instituto Superior de Desenvolvimento Rural e Biociência
Lichinga
2025
Narciso José
Direitos Humanos e Direitos Fundamentais
(Licenciatura em Direito)
Trabalho de caráter avaliativo da
cadeira de Direito Constitucional, a ser
entregue no Departamento de Direito
sob orientação do MSc. Guilherme
Felipe Gabriel
Universidade Rovuma
Instituto Superior de Desenvolvimento Rural e Biociência
Lichinga
2025
Índice
1. Introdução ..................................................................... Erro! Indicador não definido.
2. Objectivos ..................................................................................................................... 4
2.1. Objetivo Geral ........................................................................................................ 4
2.2. Objetivos Específicos ............................................................................................ 4
3. Metodologia .......................................................................................................... 5
4.1. Evolução Histórica dos Direitos Humanos e dos Direitos Fundamentais ................. 6
4.2. Conceito de Direitos Humanos e Direitos Fundamentais .......................................... 8
4.3. Diferenças e Relações entre Direitos Humanos e Direitos Fundamentais .............. 10
Diferenças................................................................................................................ 10
[Link]ções ....................................................................................................................... 11
4.4. Classificação dos Direitos, História, Origem e Exemplos em Moçambique........... 12
4.5. Papel do Estado sobre os Direitos Humanos e Direitos Fundamentais ................... 15
5. Promoção dos Direitos Coletivos e Intergeracionais .................................................. 17
[Link]ão .................................................................................................................... 18
7. Referências Bibliográficas .......................................................................................... 19
4
1. Introdução
Os Direitos Humanos e os Direitos Fundamentais ocupam um lugar central no estudo
do Direito Constitucional contemporâneo, constituindo-se como pilares essenciais para a
proteção da dignidade humana, da liberdade e da igualdade. A evolução histórica dessas
categorias demonstra que a preocupação com a proteção da pessoa humana não é um
fenómeno recente, mas resulta de um longo processo filosófico, político e jurídico que se
estende desde o contratualismo clássico até as constituições modernas. Autores como
John Locke, Thomas Hobbes e Jean-Jacques Rousseau lançaram as bases teóricas
sobre o estado de natureza, o pacto social e a legitimidade do poder político, influenciando
de forma decisiva a construção moderna dos direitos do Homem.¹
Na contemporaneidade, doutrinadores como Jorge Miranda, Gomes Canotilho,
Bacelar Gouveia e Edson Macuácua aprofundam a compreensão jurídica desses
direitos, distinguindo conceitos, classificações, fundamentos e mecanismos de proteção.
Para esses autores, a consagração dos direitos fundamentais nas constituições constitui a
forma mais elevada de proteção jurídica, refletindo a evolução das sociedades
democráticas e o fortalecimento do Estado de Direito.² Assim, torna-se essencial
compreender as diferenças entre “direitos humanos” ,de projeção universal e “direitos
fundamentais” de natureza constitucional interna, bem como analisar a sua classificação
em diferentes gerações, desde os direitos individuais até os direitos de solidariedade.
2. Objectivos
2.1. Objetivo Geral
O objetivo geral deste trabalho é analisar, de forma aprofundada, a relação entre Direitos
Humanos e Direitos Fundamentais, destacando as suas diferenças, semelhanças,
fundamentos teóricos, evolução histórica, classificação em gerações e o papel do Estado
na sua promoção, proteção e garantia, conforme as doutrinas de Jorge Miranda, Gomes
Canotilho, Bacelar Gouveia, Edson Macuácua e os pensadores contratualistas clássicos.
2.2. Objetivos Específicos
1. Compreender o conceito de Direitos Humanos à luz da filosofia política e da
evolução histórica do constitucionalismo.
5
2. Definir e analisar os Direitos Fundamentais, com base nas interpretações
doutrinárias de Canotilho, Miranda, Gouveia e Macuácua.
3. Distinguir Direitos Humanos e Direitos Fundamentais, explorando sua natureza,
alcance e eficácia.
4. Explicar a classificação dos direitos em gerações ,da primeira à quinta, incluindo
sua evolução e características essenciais
5. Estudar o papel do Estado na efetivação, proteção e promoção dos direitos
humanos e fundamentais, com enfoque nos princípios do Estado de Direito,
legalidade, respeito pela dignidade humana e políticas públicas.
6. Relacionar os fundamentos clássicos dos direitos com as teorias contratualistas de
Locke, Hobbes e Rousseau.
7. Contextualizar o sistema moçambicano, analisando como a Constituição da
República de Moçambique integra e protege esses direitos.
3. Metodologia
A metodologia utilizada neste trabalho é essencialmente bibliográfica, baseada na
leitura, análise e interpretação de livros, artigos científicos, documentos jurídicos e obras
de autores clássicos e contemporâneos sobre direitos humanos e direitos fundamentais.
Foram consultados principalmente os seguintes autores: Jorge Miranda, Gomes
Canotilho, Bacelar Gouveia, Edson Macuácua, John Locke, Thomas Hobbes e Jean-
Jacques Rousseau, além da Constituição da República de Moçambique e
instrumentos internacionais de direitos humanos.
O trabalho segue uma abordagem descritiva e explicativa, procurando apresentar os
conceitos, diferenças, classificações e fundamentos dos direitos humanos e dos direitos
fundamentais, bem como analisar o papel do Estado na sua proteção.
A pesquisa foi organizada por etapas: recolha das fontes, leitura, seleção das ideias
principais, comparação entre os autores e elaboração do texto final. Não foram utilizadas
entrevistas ou trabalho de campo, apenas fontes escritas.
6
4.1. Evolução Histórica dos Direitos Humanos e dos Direitos Fundamentais
A evolução dos Direitos Humanos e dos Direitos Fundamentais é um processo
histórico que combina influências filosóficas, lutas sociais e avanços jurídicos. No
contexto do constitucionalismo moderno, autores como Jorge Miranda e Gomes
Canotilho destacam a importância de compreender os direitos humanos como
fundamentos éticos universais e os direitos fundamentais como sua concretização jurídica
e constitucional.
Segundo Jorge Miranda, os direitos humanos correspondem a princípios universais que
reconhecem a dignidade da pessoa humana e orientam a construção das normas jurídicas
internas.¹ Para Miranda, a consagração desses direitos nas constituições representa a
transformação de valores éticos e sociais em normas jurídicas vinculantes, permitindo
que se tornem efetivos no plano nacional.
Gomes Canotilho complementa essa análise, afirmando que os direitos fundamentais são
a tradução jurídico-constitucional dos direitos humanos. Ele explica que os direitos
fundamentais possuem força normativa superior, estando diretamente ligados à
organização do Estado, ao funcionamento dos órgãos de soberania e ao sistema de
proteção da Constituição. Para Canotilho, o processo histórico de reconhecimento desses
direitos mostra a evolução da proteção jurídica da pessoa humana, desde a perspectiva
ética até a positivação constitucional.
A distinção entre os dois conceitos é clara:
➢ Direitos Humanos: princípios universais, independentes do ordenamento
jurídico interno, inspiradores da criação de normas constitucionais.
➢ Direitos Fundamentais: direitos humanos positivados e constitucionalizados,
com eficácia direta e proteção jurídica garantida pelo Estado.
No contexto moçambicano, ambos os autores ajudam a compreender como a Constituição
da República de 2004 incorporou esses direitos, assegurando sua aplicabilidade prática e
reforçando o compromisso do Estado com a dignidade humana e o respeito aos direitos
individuais e coletivos.
7
Dessa forma, a evolução dos direitos humanos e fundamentais é compreendida como um
percurso histórico que vai da moralidade e ética universais (direitos humanos) à sua
implementação jurídica e constitucional (direitos fundamentais), consolidando a proteção
da pessoa no Estado de Direito.1
1
MIRANDA, Jorge. Manual de Direito Constitucional. Coimbra: Coimbra Editora, 2015, p. 45-60.
CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Coimbra: Almedina, 2003, p.
120-135.
8
4.2. Conceito de Direitos Humanos e Direitos Fundamentais
Os Direitos Humanos representam princípios universais que reconhecem a dignidade
intrínseca de todos os indivíduos, independentes de sua nacionalidade, raça, religião ou
condição social. Segundo John Locke, os direitos humanos são naturais e inalienáveis,
estando acima das estruturas estatais.¹ Ele identifica três direitos fundamentais: a vida, a
liberdade e a propriedade, afirmando que a função primordial do Estado é proteger esses
direitos. Locke sustenta que, caso o Estado falhe, os cidadãos têm legitimidade para
resistir ou reformar a ordem existente, tornando a proteção dos direitos humanos uma
obrigação ética e política.
Bacelar Gouveia reforça a importância de transformar os direitos humanos em direitos
fundamentais, ou seja, em normas jurídicas internas com eficácia legal. Ele aponta que os
direitos fundamentais são instrumentos concretos para assegurar a proteção da pessoa
dentro do Estado de Direito, garantindo que princípios universais de dignidade e liberdade
sejam efetivamente aplicáveis e resguardados.
4.2.1 Características dos Direitos Fundamentais segundo Gouveia
1. Eficácia jurídica interna : os direitos são garantidos pelo ordenamento jurídico
nacional, podendo ser exigidos em tribunais.
2. Força normativa:limitam o poder do Estado, impondo deveres aos órgãos
públicos.
3. Proteção institucional:violação desses direitos pode ser contestada
judicialmente, incluindo mecanismos de controle de constitucionalidade.
4. Aplicação direta e imediata:são diretamente exigíveis pelos cidadãos, sem
necessidade de regulamentação adicional.
Relação entre Direitos Humanos e Direitos Fundamentais
Locke e Gouveia demonstram que os direitos fundamentais não surgem isoladamente;
eles materializam e positivam os direitos humanos universais no plano jurídico.⁴
Enquanto Locke fornece a base filosófica e ética, Gouveia mostra como o Estado
transforma esses valores em garantias constitucionais efetivas. Essa relação evidencia que
os direitos fundamentais são o meio pelo qual os direitos humanos se tornam concretos e
exigíveis juridicamente.
9
Aplicação em Moçambique
A Constituição da República de Moçambique (2004 e revisão de 2018) incorpora os
princípios universais dos direitos humanos, garantindo-os como direitos fundamentais.
Por exemplo:
❖ Artigo 40 – Direito à vida e à integridade pessoal;
❖ Artigo 55 – Direito à liberdade, à segurança pessoal e à igualdade perante a lei;
❖ Artigo 48 – Garantia da liberdade de expressão e a informacao;
❖ Artigos 78 – 83 – Proteção dos direitos sociais, culturais e económicos.
Esses dispositivos refletem a preocupação do Estado moçambicano em traduzir direitos
humanos universais em direitos fundamentais efetivos, protegidos pelo sistema
jurídico nacional.⁵
Integração com instrumentos internacionais
Moçambique também se compromete com tratados internacionais de direitos humanos,
como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), o Pacto Internacional
sobre Direitos Civis e Políticos (1966) e o Pacto Internacional sobre Direitos
Económicos, Sociais e Culturais (1966). A integração desses instrumentos reforça a
dimensão universal dos direitos humanos e a obrigatoriedade da sua proteção pelo Estado,
em consonância com o que Gouveia denomina de “universalização e positivação dos
direitos fundamentais”.⁶
Dessa forma, a combinação da teoria filosófica de Locke com a análise jurídica de
Gouveia permite compreender que os direitos humanos fornecem a fundamentação ética
e política, enquanto os direitos fundamentais representam a concretização jurídica dessa
proteção dentro do Estado.2
2
LOCKE, John. Segundo Tratado sobre o Governo Civil. São Paulo: Abril Cultural, 1978, p. 50-65.
GOUVEIA, Jorge Bacelar. Direito Constitucional. Lisboa: Almedina, 2010, p. 95-110.
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4.3. Diferenças e Relações entre Direitos Humanos e Direitos Fundamentais
Os Direitos Humanos e os Direitos Fundamentais estão intimamente relacionados, mas
apresentam diferenças importantes quanto à origem, natureza e eficácia jurídica. A
compreensão dessas distinções pode ser enriquecida pelas reflexões filosóficas de
Thomas Hobbes e Jean-Jacques Rousseau.
Diferenças
1. Origem e Natureza
❖ Direitos Humanos: segundo Hobbes, no estado de natureza, os indivíduos
possuem direitos naturais à vida e à autopreservação, mas vivem em
insegurança.¹ Esses direitos não dependem do Estado para existir, embora
sua efetividade só seja garantida pela criação de uma autoridade soberana.
Para Hobbes, a função primordial do Estado é proteger a vida e a
segurança, demonstrando que os direitos humanos têm uma base natural e
ética.
❖ Direitos Fundamentais: Rousseau complementa a análise afirmando que,
quando os direitos humanos são incorporados a um contrato social,
transformam-se em normas jurídicas obrigatórias.² Eles passam a ser
positivados pelo Estado, protegidos pela Constituição e pelos órgãos de
soberania.
2. Âmbito de Aplicação
❖ Direitos Humanos: aplicam-se de forma universal, inspirando tratados e
convenções internacionais, independentemente da existência de um
Estado específico.
❖ Direitos Fundamentais: sua aplicação ocorre no âmbito do Estado que os
consagra, com mecanismos concretos de proteção jurídica, incluindo
tribunais constitucionais e órgãos de fiscalização.
3. Eficácia Jurídica
❖ Direitos Humanos: possuem força ética e moral; sua eficácia prática
depende da ratificação e incorporação em leis nacionais.
❖ Direitos Fundamentais: possuem eficácia jurídica direta e imediata,
podendo ser exigidos judicialmente e servindo de parâmetro para controle
de constitucionalidade, conforme o contrato social de Rousseau.
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[Link]ções
Apesar das diferenças, Hobbes e Rousseau demonstram que existe uma relação estrutural
e complementar:
• Os direitos humanos fornecem a fundamentação ética e filosófica, como Hobbes
enfatiza, garantindo que os direitos à vida, liberdade e segurança sejam universais;
• Os direitos fundamentais transformam esses princípios em garantias jurídicas
concretas, com proteção institucional e aplicação efetiva, conforme a visão de
Rousseau sobre a vontade geral e o contrato social.
Exemplo prático em Moçambique
Na Constituição da República de Moçambique:
• O Artigo 40 garante o direito à vida e à integridade física (direito fundamental),
refletindo a proteção ética dos direitos humanos universais.
• O Artigo 48 assegura a liberdade de expressão e reunião, traduzindo valores
coletivos de Rousseau em normas constitucionais.
Esse exemplo demonstra que os direitos fundamentais são a materialização jurídica dos
direitos humanos, permitindo que os cidadãos reivindiquem suas garantias dentro do
Estado de forma efetiva.
A análise de Hobbes e Rousseau evidencia que os direitos humanos são a base filosófica
e ética dos direitos fundamentais, enquanto estes representam a sua concretização jurídica
e constitucional. A relação entre ambos garante que os princípios universais sejam
protegidos e efetivos no contexto de cada Estado, preservando a dignidade humana e
limitando o poder estatal.3
3
HOBBES, Thomas. Leviatã. São Paulo: Martins Fontes, 2003, p. 45-60.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do Contrato Social. São Paulo: Martins Fontes, 2005, p. 61-75.
Idem, p. 76-90.
HOBBES, Thomas. Leviatã, p. 61-75; ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do Contrato Social, p. 76-90.
12
4.4. Classificação dos Direitos, História, Origem e Exemplos em Moçambique
A classificação dos direitos em gerações permite compreender a evolução histórica e
funcional dos direitos da pessoa humana, relacionando cada grupo de direitos com
contextos sociais, políticos e econômicos específicos. Além disso, evidencia que os
direitos humanos e fundamentais não são abstratos, mas princípios que se concretizam na
legislação nacional, como demonstra a Constituição da República de Moçambique (2004,
revisão de 2018).¹
1ª Geração – Direitos Civis e Políticos
Os Direitos de 1ª Geração surgiram nos séculos XVII e XVIII com o constitucionalismo
liberal, resultado das revoluções americana (1776) e francesa (1789), como reação contra
o absolutismo e a opressão estatal.São direitos negativos, que exigem do Estado apenas
abstenção de interferência, assegurando a liberdade individual e a participação política.
Rousseau, em Do Contrato Social, destaca a importância da liberdade, igualdade e
participação na vida política, princípios que fundamentaram os direitos civis e políticos.²
Exemplos na Constituição de Moçambique:
• Artigo 40: Direito à vida e integridade física;
• Artigo 58: Direito à liberdade e segurança pessoal;
• Artigo 48: Liberdade de expressão, reunião;
• Artigo 56: Direito à igualdade perante a lei.
Esses dispositivos demonstram que o Estado moçambicano assegura o respeito à
liberdade individual e à proteção contra abusos, concretizando os direitos da 1ª geração.
2ª Geração – Direitos Econômicos, Sociais e Culturais
Direitos de 2ª Geração surgem no século XIX, em meio à Revolução Industrial, quando
surgem desigualdades sociais significativas. A intervenção do Estado torna-se necessária
para garantir condições mínimas de vida e dignidade humana.
São designados direitos positivos, que exigem do Estado ações concretas de promoção e
proteção social. Canotilho explica que esses direitos buscam assegurar educação, saúde,
trabalho digno e bem-estar social.³
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Exemplos na Constituição de Moçambique:
• Artigo 88: Educação básica obrigatória e gratuita, promoção da cultura;
• Artigo 89: Direito à saúde, prevenção de doenças e sistema de segurança social;
• Artigo 84: Direito ao trabalho e condições dignas de emprego;
A implementação desses direitos evidencia que o Estado atua ativamente para garantir
justiça social, concretizando a 2ª geração no contexto nacional.
3ª Geração – Direitos de Solidariedade ou Difusos
Os direitos de 3ª Geração,surgem no século XX, com o fortalecimento da cooperação
internacional, organizações multilaterais e o movimento por direitos coletivos.
São considerados direitos coletivos e de solidariedade, voltados ao bem comum, à
proteção ambiental e ao desenvolvimento sustentável. Rousseau reforça que o bem
coletivo deve orientar a construção dos direitos.⁴
Exemplos na Constituição de Moçambique:
• Artigo 90: Proteção do meio ambiente e recursos naturais;
• Artigo 48: Igualdade de direitos e proibição de discriminação;
• Artigo 115: Defesa do patrimônio cultural e natural;
• Artigo 118: Proteção das comunidades e povos tradicionais.
Estes dispositivos demonstram que o Estado assegura direitos que vão além do indivíduo,
promovendo solidariedade e preservação ambiental.
4ª Geração – Direitos Tecnológicos e Bioéticos
A quarta geração dos Diireitos surgem com os avanços tecnológicos, informáticos e
biotecnológicos, a partir do final do século XX.
São direitos voltados à proteção da dignidade frente às inovações científicas e
tecnológicas. Canotilho destaca que esses direitos exigem regulamentação e mecanismos
de proteção, incluindo privacidade e bioética.⁵
Exemplos na Constituição de Moçambique:
14
• Artigo 96: Proteção da propriedade intelectual, incluindo criações tecnológicas;
• Artigo 94 e 113: Educação e cultura, incluindo formação científica e tecnológica.
Esses dispositivos demonstram que o Estado atua de forma proativa para proteger
cidadãos contra riscos da modernidade, garantindo direitos de 4ª geração.
5ª Geração – Direitos Planetários e Intergeracionais
Esses Direitos, emergiram no final do século XX e início do século XXI, motivados pela
preocupação com sustentabilidade, mudanças climáticas e proteção das futuras gerações.
chamados de direitos que asseguram proteção global, ambiental e intergeracional,
consolidando responsabilidade coletiva. Rousseau reforça a importância do bem comum
e da cidadania global.⁶
Exemplos na Constituição de Moçambique:
• Artigo 90: Preservação do meio ambiente e recursos naturais;
• Artigo 117: Promoção de desenvolvimento sustentável;
• Artigo 120: Proteção das comunidades tradicionais e povos indígenas;
A inclusão desses direitos evidencia que Moçambique busca harmonizar o
desenvolvimento nacional com responsabilidades globais, garantindo a proteção das
futuras gerações.
A classificação das gerações de direitos humanos demonstra que o Direito evolui
conforme os desafios sociais e históricos, garantindo a dignidade da pessoa em todos os
níveis. A Constituição da República de Moçambique de 2004, revisada em 2018,
materializa cada geração de direitos, assegurando liberdade, justiça social, solidariedade,
proteção tecnológica e sustentabilidade intergeracional. Segundo Canotilho, essa
dinâmica evidencia a capacidade do Estado de adaptar o Direito às necessidades da
sociedade e proteger continuamente a dignidade humana.⁷4
4
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE. Lei n.º 2/2004, de 21 de Janeiro, revisada
em 2018.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do Contrato Social. São Paulo: Martins Fontes, 2005, p. 45-60.
15
4.5. Papel do Estado sobre os Direitos Humanos e Direitos Fundamentais
O Estado é o principal garante da efetivação dos direitos humanos e dos direitos
fundamentais. Ele atua não apenas como protetor, mas também como promotor,
regulador e executor dessas garantias, assumindo obrigações jurídicas, sociais e
políticas. A Constituição da República de Moçambique de 2004, revisada em 2018,
estabelece de forma clara essas funções, assegurando que todos os cidadãos tenham
acesso a seus direitos de forma efetiva.¹
1. Garantia e Proteção dos Direitos Individuais
O Estado tem a responsabilidade de proteger os cidadãos contra qualquer violação de
seus direitos, seja por agentes públicos ou privados. Isso inclui:
• Proteção da vida e integridade física:
O Artigo 40 da Constituição garante a inviolabilidade da vida e da integridade
física, proibindo a tortura, tratamento desumano ou degradante e a execução
arbitrária.²
• Liberdade e segurança pessoal:
O Artigo 55 assegura liberdade de circulação, inviolabilidade do domicílio,
proteção contra detenções arbitrárias e garantias processuais.
O Estado cria mecanismos institucionais, como tribunais e defensorias públicas, para
assegurar que os cidadãos possam reivindicar judicialmente seus direitos, garantindo
eficácia prática das normas.
2. Promoção e Implementação Ativa dos Direitos Sociais
Além de proteger, o Estado deve promover ativamente direitos econômicos, sociais e
culturais, adotando políticas públicas que assegurem o acesso universal e equitativo.
Exemplos na Constituição moçambicana:
• Educação e cultura:
O Artigo 113 e 115 garante educação básica obrigatória e gratuita, assim como a
promoção da cultura nacional.³
16
• Saúde e segurança social:
Os Artigos 79 e 80 asseguram proteção à saúde, prevenção de doenças e
sistemas de segurança social, atendendo especialmente grupos vulneráveis.
• Trabalho e condições dignas:
O Artigo 84 estabelece o direito ao trabalho digno, proteção contra exploração
laboral e igualdade de oportunidades.
Essas disposições evidenciam que o Estado atua ativamente para efetivar direitos
sociais, transformando princípios constitucionais em políticas públicas concretas.
3. Limitação do Poder e Controle Constitucional
O Estado deve também limitar abusos de poder e arbitrariedade, garantindo que os
direitos fundamentais sejam respeitados:
• Separação de poderes:
O Artigo 133 assegura a independência do Poder Judicial, permitindo que
tribunais atuem sem interferência do executivo, protegendo os cidadãos de
abusos.⁴
• Controle de constitucionalidade:
Os cidadãos e órgãos do Estado podem questionar leis ou atos que violem
direitos fundamentais, garantindo a supremacia da Constituição.
Dessa forma, o Estado não é apenas garantidor passivo, mas atua ativamente na
regulação e fiscalização do exercício do poder, protegendo direitos fundamentais.
4. Integração com Instrumentos Internacionais
O Estado reconhece que a proteção dos direitos humanos se fortalece quando integrada a
padrões internacionais.
Exemplos:
• Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948)
• Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (1966)
• Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (1966)
17
Essa integração assegura que o Estado não apenas proteja direitos no âmbito nacional,
mas também respeite normas internacionais, reforçando sua responsabilidade global.
5. Promoção dos Direitos Coletivos e Intergeracionais
O Estado desempenha papel ativo na garantia de direitos coletivos e de solidariedade,
que exigem políticas públicas e ações coordenadas:
• Proteção ambiental e recursos naturais:
O Artigo 90 impõe ao Estado a preservação ambiental e o uso sustentável dos
recursos naturais, garantindo a sobrevivência das gerações futuras.
• Igualdade e não discriminação:
O Artigo 35 assegura igualdade de direitos, prevenindo discriminação por sexo,
origem, etnia ou condição social.
Esses exemplos demonstram que o Estado atua como agente de solidariedade social e
proteção intergeracional, consolidando os direitos humanos em todos os níveis.
O papel do Estado sobre os direitos humanos e direitos fundamentais é abrangente,
proativo e contínuo. Ele garante proteção jurídica, promove políticas sociais, regula o
exercício do poder, integra normas internacionais e protege direitos coletivos e
intergeracionais. A Constituição da República de Moçambique de 2004, revisada em
2018, evidencia que o Estado é o principal guardião da dignidade humana, assegurando
que os direitos não sejam meros princípios, mas garantias efetivas e concretas.5
5
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE. Lei n.º 2/2004, de 21 de Janeiro, revisada
em 2018.
Idem, Art. 54 e 55, Idem, Art. 74, 79 e 80, Idem, Art. 133, Idem, Art. 9.º
BACELAR GOUVEIA, Jorge. Direito Constitucional. Lisboa: Almedina, 2010, p. 120-135.
18
[Link]ão
Conclui-se que os direitos humanos e fundamentais são pilares da cidadania, democracia
e justiça social. Sua evolução histórica, classificação em gerações e concretização pelo
Estado garantem que os cidadãos possam exercer seus direitos de maneira plena,
assegurando proteção individual, social e coletiva. A Constituição da República de
Moçambique de 2004, revisada em 2018, é a expressão máxima desse compromisso,
evidenciando que a efetivação dos direitos depende da conjugação de princípios
universais, ação estatal e consciência cidadã.
Portanto, o Estado é o guardião e promotor da dignidade humana, e a sociedade deve
permanecer vigilante e participativa para assegurar que esses direitos não apenas existam
no papel, mas sejam plenamente realizados na prática.
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7. Referências Bibliográficas
BACELAR GOUVEIA, Jorge. Direito Constitucional. Lisboa: Almedina,
[Link], J. J. Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição.
Coimbra: Almedina, 2003.
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE. Lei n.º 2/2004, de 21 de
Janeiro, revisada em 2018. Maputo: Boletim da República, 2018.
HOBBES, Thomas. Leviatã. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
LOCKE, John. Segundo Tratado sobre o Governo. Lisboa: Fundação Calouste
Gulbenkian, 2006.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do Contrato Social. São Paulo: Martins Fontes, 2005.